Jejum de informações — você não perde nada

RESOLVA-O-PROBLEMA

Jejum de informação faz bem a qualquer pessoa. Você não fica alienado (pelo contrário…) e nem perde nada com isso, principalmente se substituir essa superestimulação das emoções por conteúdo que alimente seu espírito. É incrível o poder transformador de separar três semanas para se dedicar ao que realmente importa. Alienados são os que passam 365 dias do ano (366 este ano, que é bissexto) se alimentando diariamente do conteúdo da TV, jornais, revistas e sites sem parar para pensar. E não se engane, é impossível conseguir pensar no meio do turbilhão.

Inevitavelmente, os textos falados e escritos dirigem sua interpretação para onde querem se você não aprender a desenvolver seu senso crítico. E senso crítico só se desenvolve no silêncio. É preciso silêncio para pensar, refletir, avaliar. A sociedade da correria irracional nos leva a não pensar. Milhões de vozes em nossa cabeça o dia inteiro: os sites que vemos, as informações superficiais em forma de pílula nas redes sociais, as notícias a respeito da vida dos outros (e que não fazem a menor diferença na nossa vida), os programas de TV, as frases que as pessoas compartilham nas redes sociais e as notícias que não temos tempo de pesquisar se são verdadeiras ou não, mas que nosso cérebro acaba aceitando como verdadeiras, quer alguém as desminta depois, quer não.

Aquele rádio ligado 24 horas em nossa mente nos traz a sensação de que estamos sabendo alguma coisa, fazendo alguma coisa, aprendendo ou compartilhando alguma coisa. Porém, isso é ilusão. Você tem a sensação de que está fazendo algo e viver checando redes sociais, whatsapp e e-mails inunda de dopamina o seu cérebro, em um mecanismo muito parecido ao do vício. Essa espiral maluca nos deixa comprovadamente mais mais ansiosos, mais depressivos e mais burros.

Uma das coisas nonsense que ouço quando comento o conceito de jejum de informações é que vou ficar alienada. “Como pode ficar 21 dias sem saber o que está acontecendo no mundo?” Quem entende como as notícias funcionam sabe que nós já ficamos sem saber o que está acontecendo no mundo, ininterruptamente. Temos a ilusão de que estamos sabendo, mas, na verdade, só sabemos o que alguém decidiu que deveríamos saber. E, geralmente, as notícias chegam até nós pela metade, superficiais e tendenciosas.

Na correria de dar o “furo” ou de não ser o único veículo a não noticiar o que todos os outros estão noticiando, os jornais nos soterram com informações completamente inúteis, repetitivas, mal apuradas ou incompletas. Os programas de TV, pior ainda! Para manter a audiência, apelam para nossas emoções. Os dramas, a abordagem sensacionalista, os suspenses sem fim para impedi-lo de mudar de canal durante o intervalo…

Depois de um tempo desconectado, você consegue enxergar melhor as estratégias que estão por trás das coisas a que assistimos. Dia desses, vi um programa em que o apresentador viajava para “fazer uma surpresa” a uma senhora pobre. O que me chamou atenção naquele programa e em outros a que fui obrigada a ouvir em salas de espera (a única maneira de me obrigar a ouvir os programas matinais da Globo) é que os apresentadores parecem conversar com crianças pequenas ou com pessoas com problemas mentais. É sério. Eu fiquei assustada com isso.

Estou acostumada a acompanhar vídeos sérios e, na TV aberta, A Escola do Amor, em que os apresentadores falam como adultos e para adultos, então achei que o problema fosse o tal apresentador. Mas não era, pois, como eu disse, vários outros programas, em emissoras diferentes, tinham a mesma linguagem.

As pessoas não percebem que estão sendo tratadas como se não tivessem capacidade cognitiva de acompanhar um programa para adultos? Não percebem o esforço de imbecilização, o tratamento superficial e exageradamente emocional dado às “notícias”? Não percebem o quanto programas de TV fazem de tudo para encher linguiça, tirando proveito da sua curiosidade ou o quanto sites de notícias as enchem de matérias inúteis e lixo reciclado do dia anterior?

Não percebem quando o jornalista sequer se deu ao trabalho de revisar o texto que escreveu, fazendo tudo correndo, pela ânsia estúpida dos portais que querem dar notícia “minuto a minuto”? Não percebem que suas opiniões a respeito de tudo são moldadas com base no que esses veículos oferecem? Veículos que nos veem como idiotas e que nos tratam como idiotas? Defendo o bom jornalismo como quem defende um bichinho em extinção. Mas faço crítica feroz à porcaria que nos vendem hoje como jornalismo, sem conteúdo e usada como arma nas mãos de quem quiser manipular aqueles que sinceramente acreditam estar se informando.

Felipe Pena, em seu excelente livro “Teoria do Jornalismo”, sugere: “Pegue o jornal de hoje e compare-o com a edição do mesmo dia do ano anterior. Houve alguma variação de assunto? Faça a mesma coisa com uma edição de dez anos atrás. Se você mora no Rio de Janeiro, como eu, posso até dizer quais são as pautas: crise na economia, corrupção na política, violência nas ruas, agenda do presidente da República e do governador, o domingo de sol na praia e notícias sobre os times de futebol. Enfim, como diria Cazuza, ‘um museu de grandes novidades'”. 

Infelizmente, as coisas estão assim. Não perderemos nada nesses 21 dias em que nos afastaremos dessa loucura. Como Steve Chandler bem pontua em seu “100 maneiras de motivar a si mesmo” (uma das maneiras é justamente fazer um jejum de notícias), “Não tenha medo de perder alguma notícia relevante. Você ficará sabendo dos fatos mais importantes, como uma guerra, um desastre natural ou um assassinato, tão rapidamente quanto se estivesse com a TV ligada no noticiário”.

Alguém uma vez me perguntou (é sério): “E se o mundo acabar? Você nem vai ficar sabendo!”. Vamos ignorar a falta de sentido dessa pergunta (rs). Mas aproveitando o tema, se o mundo realmente acabasse nos próximos 21 dias, de que adiantaria toda a informação que temos consumido? Prefiro reservar três semanas do meu ano para dar atenção ao que realmente importa. Ao que realmente faria diferença para mim se o mundo acabasse nos próximos dias.

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PS: Para quem não acompanhou ou para quem gostaria de rever os posts das edições anteriores do Jejum de Daniel neste blog, segue o link da categoria: http://lampertop.com.br/?cat=709 .

 

A ignorância de quem quer apontar ignorância alheia

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A história é a seguinte: Começou a circular essa foto de um pastor entrevistando um homem na TV. A legenda diz: “Curado de tuberculose, tumor no cérebro e aids, Luis tinha apenas uma célula no corpo”. (Ainda espero que isso seja photoshop…de qualquer forma, até onde sei, quem faz legenda são os jornalistas que trabalham na produção, não o bispo.) Está virando hoax porque alguém começou a espalhar que o pastor é o Marcos Pereira, presidente do PRB, bispo licenciado da Universal, cotado como ministro de ciência e tecnologia em um eventual governo Temer. Prato cheio para os preconceituosos de plantão, que trataram de pintar Marcos Pereira como um religioso ignorante.

O problema é que a pessoa na imagem não é o Marcos Pereira. Desse ângulo, me parece o Bp. Milton César, que é missionário e não tem absolutamente nada a ver com política. E você nem precisaria conhecer o Marcos Pereira pessoalmente para saber disso, bastaria uma pesquisa por fotos dele em ângulos semelhantes, como essa aqui. Fiz até uma montagenzinha tosca, para exemplificar:

Bp.Milton.Marcos

Repare no formato do nariz, linha do cabelo, sobrancelha…claramente, não é a mesma pessoa.

E este não é um post sobre política, é sobre informação. Não sou a favor do Temer, mas sou menos a favor ainda de informações distorcidas. Vi jornalistas e gente séria (alguns estão nas duas categorias simultaneamente) compartilhando ou respondendo indignadamente a essas mensagens sem sequer questionar. Nenhuma apuraçãozinha básica. Nenhuma pesquisa no Google images. Nenhuma desconfiança.

Será que eu é que sou a neurótica que pesquisa tudo o que chega às mãos ou está na moda ser descuidado com as informações? A pressa de dar a notícia, a gana de ter a razão, a vontade descontrolada de emitir opinião, ridicularizar, julgar e condenar faz com que o jornalismo emocional aja da mesma maneira irresponsável e preconceituosa, não importa de qual lado esteja. 

E, confiando que os jornalistas fizeram a lição de casa, seus seguidores compartilham cegamente, ajudando a multiplicar a ignorância e aumentar o estrago que esse tipo de coisa faz na credibilidade de quem divulga. Sim, porque começo a questionar absolutamente tudo que essas pessoas publicam ou compartilham. Tentando apontar a ignorância alheia, esses jornalistas conseguiram estampar sua própria ignorância e preconceito no outdoor das redes sociais.

Se criticam o tipo de jornalismo que a Globo faz (lembrando que a Globo também já divulgou hoax sobre a Universal como se fosse notícia…), deveriam ter cuidado redobrado para não fazer parecido. Mas o que vejo é um descuido tão grande que beira a burrice. Desligam o cérebro, ativam a emoção e dane-se a verdade, os fatos, a apuração, o jornalismo, a responsabilidade e a ética.

Jornalista que honra a profissão não o faz apenas no horário de expediente. Seja nas redes sociais, em nossos blogs ou em uma redação de jornal, apuração, investigação e busca pela verdade correm no plasma com nossos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Não tem como tirar férias disso. Por essa razão, eu até entendo o cidadão comum que faz isso, mas não consigo ser condescendente com jornalista que publica ou compartilha hoax como se não houvesse amanhã.

Quem faz isso e ainda se empina como defensor da verdade e da justiça não tem moral nem para criticar o jornalista que escreveu a famigerada legenda do rapaz unicelular. Sinceramente, não tem. E olha que eu não acho que uma legenda dessas deva passar impune, mesmo já tendo visto coisa parecida em TODOS os programas de TV a que assisti. Na minha opinião, jornalista ou liga o cérebro para trabalhar, ou vai trabalhar com algo em que não precise usar o cérebro.

 

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PS: Não sei se preciso comentar isso, mas é de uma ignorância abissal dizer que o simples fato do cidadão não ser evolucionista o desqualifica para chefiar a pasta de Ciência e Tecnologia.  Por favor, né?

UPDATE: Questionaram o primeiro PS, então vamos esclarecer: A questão de o evolucionismo não ser unanimidade entre os cientistas é matéria para outro post. A questão sobre o criacionismo ser “uma doutrina ultrapassada” ou não também é matéria para outro post. A questão sobre se o evolucionismo realmente deveria ser debatido como ciência ou como filosofia também é matéria para outro post. Para esse assunto, especificamente, vale dizer que mesmo se o evolucionismo fosse pré-requisito para ser cientista, Marcos Pereira não está sendo cotado para uma vaga de pesquisador, mas, sim, para comandar a pasta de Ciência e Tecnologia. Para isso, basta saber ser ministro. Ouvir os profissionais da área e alocar recursos. Um artigo objetivo sobre isso é o da professora Lygia Pereira: http://oglobo.globo.com/opiniao/um-bispo-no-ministerio-da-ciencia-dai-19243225#ixzz47t9HwdwL

Começou a distopia

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Minha teoria é que já estamos vivendo os últimos dias da sociedade como a conhecemos. Não é o fim do mundo, a Terra, em si, está bem longe de acabar, mas a estrutura de liberdade e as condições decentes de vida e de pensamento estão com os dias contados. As provas se avolumam e escrevo um romance sobre isso há algum tempo (espero terminar antes do arrebatamento, porque depois não estarei mais por aqui rs). Mas um dos principais indícios é a rápida deformação do pensamento. O modo de pensar mudou para pior. A correria tem transformado a humanidade em uma massa com déficit de atenção artificial e crônico. As pessoas não conseguem manter a concentração por mais de poucos minutos e isso gera uma multidão superficial e pronta para engolir qualquer coisa que a mídia imponha. Sem pensar. Manipuláveis e modificáveis a ponto de servirem como meios para quaisquer fins.

Essa cena do livro 1984, de George Orwell, de quando as pessoas assistem ao programa Dois Minutos de Ódio, é assustadoramente parecida, em sua parte inicial, com o que presenciei um tempo atrás em uma sala de espera enquanto as pessoas assistiam a um telejornal da Globo. A parte final, porém, é mais assustadoramente parecida ainda com o que vemos internet afora.

“Como de costume, o rosto de Emmanuel Goldstein, o Inimigo do Povo, surgira da tela, Ouviram-se assobios em vários pontos da plateia. A mulher ruiva e franzina soltou um guincho em que medo e repugnância se fundiam. Goldstein era o renegado e apóstata que um dia, muito tempo antes (quanto tempo, exatamente, era coisa de que ninguém se lembrava), fora uma das figuras destacadas do Partido, quase tão importante quanto o próprio Grande Irmão, e que depois se entregara a atividades contrarrevolucionárias, fora condenado à morte e em seguida fugira misteriosamente a sumira do mapa. A programação de Dois Minutos de Ódio variava todos os dias, mas o principal personagem era sempre Goldstein. Ele era o traidor original, o primeiro conspurcador da pureza do Partido. Todos os crimes subsequentes contra o Partido, todas as perfídias, sabotagens, heresias, todos os desvios eram resultado direto de sua pregação. […]

O diafragma de Winston estava contraído. Ele era incapaz de olhar para o rosto de Goldstein sem ser invadido por uma dolorosa combinação de emoções. Era um rosto judaico chupado, envolto por uma vasta lanugem de cabelo branco e munido de um pequeno cavanhaque um rosto inteligente e apesar disso, por alguma razão, inerentemente desprezível, com uma espécie de tolice senil no longo nariz esguio, onde se equilibrava um par de óculos já perto da ponta. Parecia a cara de uma ovelha, e a voz, também, tinha uma qualidade algo ovina. Goldstein bradava seu discurso envenenado de sempre sobre as doutrinas do Partido um discurso tão exagerado e perverso que não servia nem para enganar uma criança, e ao mesmo tempo suficientemente plausível para fazer com que o ouvinte fosse tomado pela sensação alarmada de que outras pessoas menos equilibradas do que ele próprio poderiam ser iludidas pelo que estava sendo afirmado. […]

Não fazia nem meio minuto que o Ódio havia começado e metade das pessoas presentes no salão já começara a emitir exclamações incontroláveis de fúria. Impossível tolerar a visão do rosto ovino repleto de empáfia na tela e o poder aterrador do exército eurasiano logo atrás. Além disso, a visão ou mesmo a ideia de Goldstein produziam automaticamente medo e ira. […]  O estranho, porém, era que embora Goldstein fosse odiado e desprezado por todos, embora todos os dias, e mil vezes por dia, nos palanques, nas teletelas, nos jornais, no livros, suas teorias fossem refutadas, esmagadas, ridicularizadas, expostas ao escárnio geral como o lixo lamentável que eram, apesar disso tudo, o ritmo de crescimento de sua influência parecia nunca arrefecer. Sempre havia novos trouxas à espera de ser seduzidos por ele. Não passava um dia sem que espiões e sabotadores agindo a seu serviço fossem desmascarados pela Polícia das Ideias. […]

Em seu segundo minuto, o Ódio virou desvario. As pessoas pulavam em seus lugares, gritando com toda a força de seus pulmões no esforço de afogar a exasperante voz estentórea que saía da tela. A mulher esguia e ruiva adquirira uma tonalidade rosa-vivo, e sua boca se abria e se fechava como a boca de uma peixe fora d’água. […] A garota de cabelo escuro sentada atrás de Winston começara a gritar “Porco! Porco! Porco!” […]. O mais horrível dos Dois Minutos de Ódio não era o fato de a pessoa ser obrigada a desempenhar um papel, mas de ser impossível manter-se à margem. Depois de trinta segundos, já não era preciso fingir. Um êxtase horrendo de medo e sentimento de vingança, um desejo de matar, de torturar, de afundar rostos com uma marreta, parecia circular pela plateia inteira como uma corrente elétrica, transformando as pessoas, mesmo contra sua vontade, em malucos a berrar, rostos deformados pela fúria.

Mesmo assim, a raiva que as pessoas sentiam era uma emoção abstrata, sem direção, que podia ser transferida de um objeto para outro como a chama de um maçarico. Assim, em determinado instante a fúria de Winston não estava nem um pouco voltada contra Goldstein, mas, ao contrário, visava o  Grande Irmão, o Partido e a Polícia das Ideias; e nesses momentos seu coração se solidarizava com o herege solitário e ridicularizado que aparecia na tela, único guardião da verdade e da saúde mental num mundo de mentiras. Isso não o impedia de, no instante seguinte, irmanar-se àquele que o cercavam; quando isso acontecia, tudo o que era dito a respeito de Goldstein lhe parecia verdadeiro. Nesses momentos, sua repulsa secreta pelo Grande Irmão se transformava em veneração, e o Grande Irmão adquiria uma estatura monumental, transformava-se num protetor destemido, firme feito rocha para enfrentar as hordas da Ásia, e Goldstein, a  despeito de seu isolamento, de sua vulnerabilidade e da incerteza que cercava inclusive sua existência, virava um mago sinistro, capaz de destruir a estrutura da civilização com o mero poder de sua voz. […]

O Ódio chegou ao clímax. A voz de Goldstein se transformara efetivamente num balido de ovelha e por um instante seu rosto assumiu um semblante de ovelha. Depois o semblante de ovelha se dissolveu e foi substituído pelo rosto de um soldado eurasiano que parecia avançar, imenso e terrível, metralhadora roncando, como se pretendesse saltar para fora da superfície da tela, de modo que algumas pessoas sentadas na primeira fila se inclinaram para trás nos assentos. No mesmo instante, porém, levando todos os presentes a suspirar aliviados, o personagem hostil desapareceu para dar lugar ao rosto do Grande Irmão, cabelo preto, bigode preto, cheio de força e misteriosa calma, e tão imenso que quase enchia a tela inteira. Ninguém ouvia o que o Grande Irmão estava dizendo. Eram apenas algumas palavras de estímulo, o tipo de palavras pronunciadas no fragor da batalha, impossíveis de distinguir isoladamente, mas que restauram a confiança pelo mero fato de serem ditas. Em seguida o rosto do Grande Irmão se esfumou outra vez e os três slogans do Partido, em letras maiúsculas, ocuparam seu lugar.

GUERRA É PAZ

LIBERDADE É ESCRAVIDÃO

IGNORÂNCIA É FORÇA”

Claro que, no mundo real, os slogans não são expostos de forma literal. Porém, essas três frases são a essência do que o mundo vive atualmente. E todos esperam que o Grande Irmão apareça e os livre da ameaça, do medo e da agressividade que os assusta e descontrola. Sem saber, porém, que o que mais os apavora é criado justamente por quem lhes estende o alívio. O Grande Irmão não é a mídia, mas controla a mídia. Estende a cruz de seu cetro para empurrar as ovelhas aonde ele quer que estejam. Não conseguiremos parar esse movimento, ele está onde tem que estar. A distopia é inevitável e caminhamos para ela. Porém, não precisamos participar disso.

Goldsteins são apontados pela mídia diariamente, definindo a quem devemos odiar. Há quem sequer consiga olhar para uma foto de uma personalidade sem queimar de raiva por dentro – e não percebe o quanto isso é anormal. Vivemos todos, atualmente, mergulhados nos Dois Minutos de Ódio, que parecem não ter fim. Cabe a nós escolher desligar esse canal em nossa cabeça. Pelo menos enquanto não é obrigatório assistir…

Diário de leitura – Habacuque

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No início do livro, Habacuque pergunta por que Deus lhe permite ver iniquidade, opressão e injustiça e não faz nada para resolver. Quantas vezes temos essa sensação de impotência diante da injustiça? Quantas vezes questionamos a Deus dessa forma? Quantas vezes temos vontade de perguntar, como ele: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e Tu não me escutarás?”.

Os questionamentos de Habacuque não eram de incredulidade, eles vinham de ele acreditar no caráter de Deus: “Tu és tão puro de olhos que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar. Por que olhas para os que procedem aleivosamente, e Te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?” (1.13). O que ele via não combinava com o que sabia a respeito de Deus. Se Ele é tão puro que não pode ver o mal, por que se cala diante da injustiça?

Essas questões duraram um capítulo. Depois disso, Habacuque não ficou se angustiando com o problema. Simplesmente apresentou suas perguntas e aguardou uma resposta, sem duvidar que ela chegaria. Ele age com Deus como agiria com uma pessoa visível. Quando perguntamos algo a alguém, esperamos a resposta, mas, com Deus, muitas vezes agimos como se Ele não existisse. Perguntamos e continuamos nos atormentando com aquele pensamento. Ficamos ruminando o problema como se tivéssemos feito uma pergunta ao vento. Enquanto falamos com nós mesmos, como ouviremos a Deus? Habacuque teve seu tempo de falar, mas parou para ouvir.

Já estava até se preparando para levar um puxão de orelha: “para ver o que falará a mim e o que eu responderei quando eu for repreendido” (2.1). A resposta de Deus, porém, foi de esperança. Pediu ao profeta que escrevesse a visão. Tudo se resolveria. As coisas têm um tempo certo. O que Deus tem a fazer, Ele fará. “Se tardar, espera, porque certamente virá.”

A resposta de Deus foi basicamente: Meu filho, Eu estou vendo. Espera, pois tudo se cumprirá.

E Ele realmente estava. Tanto que detalha o problema e diz que o orgulhoso acha que está se dando bem tentando construir sua vida à custa dos outros, mas, inevitavelmente, vai se dar mal. Deus manda Habacuque escrever para deixar claro o que não deveria ser feito, para que o ímpio tivesse consciência do erro. “Ai daquele que multiplica o que não é seu” e que constrói sua vida com sangue, com iniquidade. O fundamento da nossa vida tem de ser a justiça, a Palavra de Deus, ainda que, em alguns momentos, pareça que estamos perdendo ou nos dando mal. Se tentamos nos estabelecer (ou mesmo nos proteger) prejudicando os outros, estamos pecando e iremos colher destruição. Quem tenta se proteger do mal na força do seu próprio braço será alcançado por esse mal.

O profeta, que começou questionando a aparente imobilidade de Deus, termina falando da salvação, descrevendo a ira de Deus contra a injustiça. Nas palavras da oração de Habacuque, os montes tremeram, o sol e a lua pararam diante do poder e da indignação de Deus, que, marchando pela Terra, vem salvar Seu povo e ferir a cabeça da casa dos ímpios. O profeta, após ouvir a Palavra de Deus, reconhece (e descreve) a Sua grandeza e descansa na certeza de que Ele está ciente do que acontece e irá agir. Esse é o poder da Palavra dentro de nós: quando a absorvemos, ela muda completamente a nossa visão das coisas.

“No dia da angústia descansarei” (3.16). Habacuque mostra a grandeza de Deus, que já não está alheio ao sofrimento de Seu povo. Desde o começo não estava, mas aqui o profeta já percebeu que tudo estava sob controle e diz que mesmo que tudo pareça dar errado, ele continua confiando, se alegrando em Deus. E se refere a Ele como “o Deus da minha salvação” e como a sua força. Se no começo ele estava desesperançado, cansado e confuso, no final está confiante, fortalecido e feliz, pois aprendeu que “o justo pela sua fé viverá”. (2.4)

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.” Habacuque 3.17,18

Essa é a fé pela qual o justo viverá. A fé que independe das circunstâncias. Não está nem aí para o que vê ou sente. Se eu dependo de Deus, tanto faz se tudo parece bem ou se as coisas estão de cabeça para baixo. Tanto faz se está difícil ou fácil. Tanto faz se surgem ameaças ou se tudo está tranquilo.

Se a oliveira não der azeitonas, se você não colheu o que plantou, se não aconteceu o que esperava e se não viu o que queria. Você não muda seu comportamento com Deus. Continua feliz porque depende dEle e sabe em Quem tem crido.  Habacuque, em três pequenos capítulos, nos ensina a buscar as respostas em Deus, ouvi-Lo, confiar e descansar, sem dar a mínima para as coisas que pareciam muito importantes e dramáticas minutos atrás.

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* Estou lendo na versão Almeida Corrigida Fiel (ACF), a tradução em português mais próxima do texto original. Comprei nesse site aqui: biblias.com.br

PS: Claro, não dá para fazer Diários de Leitura de absolutamente todos os livros que leio, mas acho um exercício fantástico (e, principalmente com a Bíblia, vale muito a pena). Escrever enquanto leio dá trabalho, mas é uma boa técnica para meditar no que estou lendo. Leio bem mais devagar assim, mas, pelo menos, pego bem o espírito. Evita aquela leitura preguiçosa e obriga meu cérebro a manter a atenção e fazer conexões. É algo que gosto de fazer no Templo de Salomão, antes de começar a reunião, por exemplo. Ou em casa, depois (ou antes) de um dia agitado. Ou na sala de espera do médico rs. Um pouquinho por dia. O importante não é terminar rápido a leitura, mas aproveitar todos os capítulos. 😉

Quando você pensa que não vai conseguir

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Não sei se ela realmente decidiu desistir, mas resolvi responder ao comentário em um post na esperança de que, se não puder ajudá-la, possa ajudar a outras pessoas. Talvez seu problema não seja tirar a carteira de motorista, mas enfrentar qualquer situação difícil que exija uma atitude. Eu tenho horror à palavra DESISTIR. Horror, mesmo. Só de raiva da situação, quanto mais difícil a coisa parece, mais insisto. Não descanso enquanto não consigo.

Nem sempre foi assim, mas, desde que isso se tornou minha nova natureza, eu pre-ci-so passar esse espírito para quem se aproxima de mim. Se a pessoa vai aceitar ou não, é escolha dela. Minha parte é explicar que há outra forma de ver as coisas. Uma que dá resultado. Porque me revolta pessoas capazes, como a Verane, cedendo diante da pressão. (O comentário abaixo foi feito no post Aprendendo a Dirigir, publicado em 2008 na coluna que eu tinha na extinta Revista Paradoxo e reproduzido aqui no blog em 2011.)

“Hoje voltei da aula de direção me sentindo um lixo, pior ainda: a maior burra do planeta. Tive a sensação que acabara de descobrir que tinha alguma deficiência. Chorei muito e estou decidida a desistir. As cobranças do instrutor e a dificuldade em obedecê-las me fizeram sentir incapaz.

Procurei na internet algo que retratasse o que eu estava sentindo e me deparei com o seu texto. Tudo o que vc expressou de forma muito humorada me tocou bastante pois retrata a minha situação: sou estudiosa, gosto muito de ler e sempre planejei tudo o que vou fazer ou falar. Sou professora metódica e me considero de inteligencia razoável. Mas após as “caretas” do instrutor, os suspiros de impaciência, as reclamações, demonstram que EU NÃO VOU CONSEGUIR.
Diante de tanta cobrança, a certeza que eu tenho que nunca vou conseguir passar no exame.
Outra coisa, tantas cobranças, expressões de desagrado produzem um efeito totalmente negativo em mim: não consigo seguir as orientações, faço tudo errado e minha mente simplesmente não funciona.
Fiquei muito feliz em ler o seu texto mas estou decidida a abandonar as aulas.Um grande abraço!

Verane de Cassia

Verane, ninguém pode impedir você de desistir se estiver decidida a jogar tudo para o alto, mas acho que não está assim tão convicta de que o melhor para você é desistir, apesar de ser essa sua vontade imediata. Se estivesse convicta de que desistir a faria realmente feliz, acho pouco provável que tivesse se dado ao trabalho de escrever aqui.

Você decidiu abandonar as aulas porque seu sentimento de inferioridade lhe parece insuportável no momento e você não conseguiu lidar com o impacto da frustração. Você tem medo de que seu desempenho confirme essa sensação de que não vai conseguir. Mesmo que, racionalmente, qualquer pessoa que analisar essa situação perceba claramente que é impossível você não conseguir.

Não faz o menor sentido a cobrança de um homem ser uma espécie de confirmação de que você nunca vai conseguir. Pense bem, não faz sentido. A lógica nos diz que qualquer coisa que estudarmos, entendendo o funcionamento e os mecanismos, conseguiremos aprender. E, com a prática, alcançaremos resultados. Gente burra aprende a dirigir. Gente inteligente aprende a dirigir. Deficientes físicos aprendem a dirigir. Pessoas realmente perturbadas aprendem a dirigir. Pessoas controladas aprendem a dirigir. Se o seu instrutor tem um problema, o problema é todo dele e só vai afetar seu objetivo se você permitir.

Sabe, a definição bíblica de fé é: “certeza das coisas que se esperam, convicção de fatos que não se veem”. Você está usando toda a sua fé contra você, de uma forma negativa, acreditando em uma palavra e em um sentimento que não têm fundamento nenhum. Você fundamentou essa certeza em uma sensação, em um sentimento (e, caso não tenha percebido, nosso coração é extremamente enganoso, nem sempre podemos confiar nas sensações…) e, movida pelo medo, DECIDIU desistir.

Nada é mais forte do que seu poder de decisão. É ele que define o futuro que você vai ter. Porém, você pode usar esse poder de DECISÃO para se manter firme em seu objetivo, independentemente do que estiver sentindo. Pode DECIDIR continuar no objetivo, ainda que precise mudar de instrutor dez vezes, tendo consciência de que o problema está nele e não em você. Mas o que você vai fazer a partir de agora é responsabilidade sua. A decisão é sua.

Você é professora. Imagina se um aluno de outro professor chegasse até você e dissesse que decidiu desistir de estudar porque o professor é impaciente e fez com que ele se sentisse incompetente, incapaz e, POR CAUSA DISSO, ele tem certeza de que nunca vai conseguir e decidiu desistir. O que você diria a esse aluno?

Se você realmente estivesse convicta do que me escreveu, estaria em paz com essa decisão. E se tivesse em paz com essa decisão, não teria chorado, não teria pesquisado no Google, não estaria tão confusa e ferida. Analise suas motivações e pense no que você realmente quer. Vai dar tanto crédito assim a essa palavra “EU NÃO VOU CONSEGUIR” que surgiu na sua mente por causa da agressão emocional que sofreu? Vai realmente abrir mão do seu direito de aprender a dirigir por causa de uma experiência negativa que colocou em você terror de revelar uma incompetência que, no fundo, você tem medo de ter?

Assim como você, eu tinha duas opções: ou desistia e parava de sentir aquela frustração, ou enfrentava a frustração e, como uma questão de honra, insistiria até conseguir. Parei as aulas práticas e, depois de quase um ano naquela dúvida, escolhi a segunda opção. Mudei de autoescola e de instrutor, fiz sei lá quantas aulas práticas e repeti o exame umas duas ou três vezes, até passar.

Olha só que interessante, escrevi artigos enormes sobre todos os exames fracassados, mas nem me lembro quantos foram. Porque na hora pode parecer o fim do mundo, mas, depois que você alcança o seu objetivo, qualquer dificuldade que passou fica pequena.

Usei a minha fé, a certeza de que conseguiria, independentemente do que estava sentindo ou do que parecia, para alcançar o resultado. Eu tinha os olhos no resultado. Queria a CNH e iria até o fim. Passei pela frustração várias vezes e, a cada vez, ela parecia mais fraca e eu, mais forte. Quando, finalmente, consegui a habilitação, a sensação de superar minhas próprias expectativas fez valer todo o sacrifício.

Porque é isso, minha amiga. Tudo o que realmente vale a pena na vida exige sacrifício. Sacrificar nossa vontade de desistir, sacrificar a vontade de sair correndo, sacrificar o medo da frustração, desafiar nossas dúvidas com a força da nossa fé, ainda que pequena, ainda que minúscula, ainda que aparentemente tão frágil…isso só é possível quando temos em mente nosso objetivo. Quando estamos definidos.

Qual é seu objetivo? Fugir de uma frustração? Se sentir temporariamente confortável? Evitar a sensação ruim? Ou aprender a dirigir e ter direito à habilitação? Você já está querendo sacrificar. Está disposta a renunciar ao sonho de aprender a dirigir para se livrar da frustração. Mas sacrificar para o medo apenas faz com que ele se confirme, se fortaleça e a enfraqueça. Você terá certeza de sua incompetência. Em que isso a ajuda? Sacrifique para a fé e você se fortalecerá. Renuncie à vontade de desistir, enfrente e alcançará o que quiser.

Como eu disse, nada é mais poderoso do que sua decisão. Mas, para que consiga ser feliz e ter uma vida de qualidade (e isso vai muito além de uma carteira de motorista), é importante que aprenda a basear suas decisões naquilo que seu intelecto é capaz de avaliar, e não nas emoções provocadas por uma situação difícil. Você é muito forte, espero que acalme seu coração e consiga usar essa força a seu favor.

Eu não sou melhor do que você. Continuo sendo uma pessoa fisicamente estabanada e mentalmente distraída cujo lado esquerdo não se comunica com o direito. E meu sentido de propriocepção é tosco. Porém, por causa do esforço que precisei fazer para aprender a dirigir, me tornei uma excelente motorista. É sério, depois que tirei a carteira, recebi muitos elogios. Nunca levei nenhuma multa e, depois, dirigir se tornou super natural e nada traumático. No final das contas, toda aquela guerra para aprender me fez melhor do que se tivesse sido fácil.

As coisas, na verdade, não são todas assim? :)

O filme que retrata o País

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Por: Thais Toledo

Vivemos uma fase de más notícias no País. A corrupção estampa jornais e revistas. A cada momento descobre-se mais envolvidos. Esse mal parece passar de geração em geração, afinal, o problema vem desde os tempos coloniais. Mas não tem como negar a severa negligência dos que estão atualmente no poder.

A crise financeira apavora a todos. Desemprego cresce. Inflação sobe. É preciso conter gastos. Até o básico falta a uma população já cansada de sofrer. As chuvas, ao invés de trazer o bem, causam enchentes e perdas em diversas regiões, tiram o pouco que a população possui. E a epidemia de dengue e zika preocupa como nunca. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já declarou que a microcefalia é uma emergência global — e pretende estudar a relação com o zika. Isso sem falar nos tradicionais problemas de transporte, saúde, educação etc.

Por que tanto descaso com a população? É fato que cada um tem sua parte a fazer. Mas será que aqueles que foram eleitos para representar o povo não poderiam ter feito nada antes que o caos se instalasse? E, agora, será que conseguiremos sair dessa situação?

O filme Os Dez Mandamentos nos mostra que sim. Sempre olhamos para a história principal que retrata Moisés e a libertação dos hebreus da escravidão. Mas compare o Brasil com o Egito da época. Observe o tratamento que Ramsés dava ao seu próprio povo.

Troque presidentes, governadores e prefeitos pelo faraó. Mude o nome corrupção por um coração egoísta e orgulhoso. Escolha os problemas e atribua as pragas. Por causa do faraó, os egípcios ficaram sem alimentos, água, sofreram com tempestade, infestação de insetos, falta de recursos, doenças e morte dos filhos. Foram ao fundo do poço porque seu líder não pensou em seu povo. Ramsés agiu segundo seus interesses, como fazem os corruptos. Repetimos que não queremos lideres assim, porém seguimos os elegendo.

Moisés não era assim. Ele se dedicou ao povo. Arriscou sua vida ao entrar na presença do faraó tantas vezes em favor dos hebreus. Orientou os que precisavam de uma palavra. Ele foi paciente com aqueles que duvidavam. E seguiu guiando esse povo por 40 anos no deserto. Mas ele só conseguiu isso porque era guiado por Algo Maior. Ele tinha Deus à sua frente. Tudo que ele fazia era sob a orientação Divina. Quem cuidava do povo não era um homem, e sim o Senhor. Ele representava a liderança dAquele que quer o melhor para os Seus. Que cuida de quem O segue e obedece.

Mesmo que nossos líderes não tenham fé e confiança no Altíssimo, essa escolha cabe a cada um de nós. Se você assistiu ao filme se lembra da cena que precede a praga da morte dos primogênitos, em que hebreus e egípcios se reuniram na casa de Joquebede para a Páscoa. Moisés diz que todos presentes devem escolher se irão crer em Deus ou não. E explica que “crer é basear toda a sua vida nessa fé”. Quem baseia sua vida nessa fé não depende do governo. Não espera pela sorte. Crê, obedece e segue a direção de Deus. E Ele faz diferença entre o Seu povo e aqueles que O rejeitam. Enquanto os hebreus estiveram afastados dEle, seguiram escravos. A situação só mudou quando eles se voltaram a Deus.

Que bom seria se tivéssemos no governo pessoas que temessem a Deus de verdade. Não religiosos. Mas aqueles que fossem fiéis a Deus. Porém, enquanto não temos, cabe a nós optar. Se seremos assolados pelas “pragas” da atualidade ou deixaremos que Deus nos guie, confiando que Ele fará o melhor. A escolha é sua.

 Thais Toledo

Os mosquitos e as cabeças gigantes de isopor

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Quanto mais o tempo passa, mais me convenço de que uma massa cada vez maior de brasileiros vive no modo zumbi, dirigido pela mídia. Aquela, que diz a quem você deve odiar, a quem você deve amar, de qual filme você deve gostar e o que deve vestir. Pois é. Ela, que passou meses dizendo que o Brasil estava acabando, que o mundo estava desabando e que estávamos à beira do caos. 

E agora, com a crise econômica, o cenário político instável, empresas demitindo e uma epidemia de doenças virais transmitidas por um mosquito que ninguém consegue controlar, a mídia manda todo mundo parar e “cair na folia” (“folia”…quem usa essa palavra em 2016?) — e o brasileiro, ontem tão indignado com os problemas do país, simplesmente obedece.

Não acho que ficar reclamando do governo resolva alguma coisa (muito pelo contrário…), mas estranho a mudança brusca de atitude nessa época do ano. Todo mundo interrompe a vida pra “festejar” (o quê?) e encher as ruas de lixo para juntar água e criar Aedes aegypti.

A primeira vez que passei por São Paulo, em uma viagem de ônibus interestadual, vi restos de carros alegóricos jogados em um terreno, apodrecendo a céu aberto. Isso foi no final da década de 90. Quando me mudei para cá, cinco anos atrás, vi a mesma cena, em um terreno maior na Barra Funda, na rua Abrahão Ribeiro. Elefantes gigantes de isopor se decompuseram diante dos olhos de quem quisesse ver, o ano inteiro. Com eles, todos os demais carros alegóricos do carnaval anterior.

Muda o prefeito e tudo continua igual. Ano após ano, essa situação se repete. Aquele terreno na Abrahão Ribeiro agora abriga a construção da tal “Fábrica do Samba”, erguida com dinheiro público pela prefeitura de São Paulo (e nem adianta xingar só o PT, a obra foi iniciada na gestão anterior), mas o lixo do carnaval continua jogado atrás de um muro na marginal Tietê, a céu aberto, juntando água para mosquito da dengue.

Mosquito esse que também tem transmitido o Zika, vírus que causa microcefalia em fetos e, aparentemente, outras sequelas neurológicas. Apesar de essa informação não ter sido devidamente divulgada ainda, o vírus também é sexualmente transmissível. E o carnaval, você sabe, é aquela “festa” em que todo mundo fica com todo mundo e o sexo rola solto, junto com muito álcool e mentes vazias.

Apesar das campanhas que pedem uso de preservativo, sejamos honestos: que pessoa bêbada se lembra de preservativo? O álcool mata neurônios e inibe o raciocínio, além de prejudicar a coordenação motora. Ou seja, as campanhas são só para inglês ver (assim como as outras campanhas “educativas” para carnaval, como “se beber, não dirija” ou “diga não ao assédio”).

Agora, olha que linda combinação: criamos Aedes aegypti o ano inteiro dentro de cabeças gigantes de monstros de isopor semidecompostos e, agora que estão fortinhos e cheios de Zika, picando todo mundo, vamos fazer uma festa em que um bando de gente bêbada fica pulando ao som de tambores e fazem sexo para espalhar mais vírus por aí (fora o HIV, HPV e tantos outros que estão no menu do carnaval)…. Oi? Não faz sentido.

Assim como não faz sentido, para a minha cabeça (racional demais), que um país pare durante quase uma semana. Você quer seguir a vida normalmente, mas não pode porque está tudo fechado, todos em recesso. E a mídia (na verdade, quem a controla) não está nem aí. Na quarta-feira de cinzas, depois de todos os acidentes nas estradas, de todos os assassinatos em bailes de carnaval, depois de todas as infecções por vírus, de todos os acidentes nas ruas, de todos os comas alcoólicos, de todos os estupros e traumatismos cranianos, quem sobreviver vai à missa receber cinza na testa e está tudo ok.

Aí, provavelmente, vai voltar a posar de defensora da honestidade e dos bons costumes, alardeando a corrupção do partido X, do partido Y, dos políticos, dos empresários e de quem o mestre mandar, mas sem criar celeuma em torno da corrupção que corre solta no carnaval brasileiro. Não entra na minha cabeça fazer a cobertura de um evento financiado pelo crime organizado, vender a “festa” para o público como se fosse uma grande celebração de alegria enquanto sabe o que, de fato, está rolando ali.

Sei que as pessoas usam o carnaval como válvula de escape, assim como usam as baladas de final de semana e toda a lista interminável de entretenimento que a nossa sociedade tenta nos convencer de que precisamos. Mas enfiar a cabeça em um buraco no chão não vai resolver os problemas. A sensação de bem-estar é temporária (se é que existe) e pode ter resultados catastróficos, se a pessoa estiver dentro das estatísticas de desgraças que, depois do feriado, a mídia inevitavelmente vai divulgar.

A hipocrisia não é exclusividade dos religiosos. Ela faz parte da vida daqueles que optaram por viver de acordo com o que sentem, de acordo com suas vontades e com aquilo que lhes é conveniente, sejam eles religiosos, ateus ou da coluna do meio.

Quanto mais o tempo passa, mais percebo que, com o mundo do jeito que está, vale a pena assumir a esquisitice e ser um alienígena por aqui. Não faço a menor questão de participar da cultura do “esqueci o cérebro em casa e coloquei uma televisão no lugar”.

PS: lixocar3O terreno foi parcialmente limpo, para receber o lixo do carnaval atual, mas ainda é possível ver restos de carros alegóricos do carnaval anterior, apodrecendo a céu aberto. Nosso amigo A. aegypti manda beijos.

PS2: Ah, e a mídia está tri feliz, anunciando a chegada de turistas do mundo inteiro, que vieram para ser picados pelo Aedes aegypti e levar a praga da Zika para o resto do globo. Uhu! Vamos espalhar uma doença horrorosa para todos os continentes. Isso, sim, é diversão.

PS3: Não vamos nos esquecer de outro efeito colateral do sexo (principalmente feito sem camisinha, com álcool e sem cérebro): a gravidez! Isso, aquele negócio que, misturado com o Zika vírus (sempre ele) traz bebezinhos microcéfalos ao mundo. É hora de comemorar?

Os cinemas vazios do UOL

No Market Place: não se fazem mais salas vazias como antigamente... (Foto: Demetrio Koch)

No Market Place: não se fazem mais salas vazias como antigamente…                        (Foto: Demetrio Koch)

A campanha contra o filme Os Dez Mandamentos continua a todo vapor, capitaneada pela dupla dinâmica UOL/Folha de São Paulo. A coisa funciona mais ou menos assim: eles vão a campo, coletam dados já filtrados por seu preconceito e montam o texto de modo a manipular a opinião dos leitores para que se encaixe à deles. Texto 100% opinativo disfarçado de informativo.

A estratégia da vez é divulgar que as sessões que estavam esgotadas na pré-venda ficaram vazias na estreia. Para isso, usaram como exemplo UMA sala de cinema de São Paulo… São Paulo, aquela cidade que tem quase 300 salas de cinema…você leu direito, quase TREZENTAS. Os últimos dados dão conta de 282, mas são de dois anos atrás. Uma em 282 é menos que 1%. Acho que deveriam ensinar estatística no curso de jornalismo.

O texto do UOL tenta jogar com a percepção do leitor: “Em São Paulo, porém, algumas salas que já estavam com as entradas esgotadas não lotaram. (…) o Cinemark do shopping Boulevard Tatuapé, na zona leste de São Paulo, computava quatro sessões esgotadas: 12h45, 15h30, 17h15 e 18h15. O local é um dos preferidos pelo público que mora na região e também um dos mais próximos ao Templo de Salomão, que pertence à Igreja Universal do Reino de Deus”.

As palavras não foram escolhidas por acaso. A intenção é dar a entender que esse shopping fica do ladinho do Templo e que (olha a lógica) seria a escolha mais óbvia para quem é da Universal. Assim, o leitor é induzido a acreditar que se alguma sessão desse cinema estivesse vazia, seria indicativo de que algo estava errado.

No entanto, o Boulevard Tatuapé fica a quase 4 km de distância do Templo de Salomão (mesma distância dos Shoppings Lar Center, D e Center Norte, que também têm cinema). E mesmo se fosse perto: qualquer deslocamento em São Paulo é um parto e a proximidade das coisas vai depender do meio de transporte que você costuma usar, do horário e do dia em que se aventura a sair e de onde você vem. E, não sei se os repórteres do UOL sabem, mas os pastores não nos mantêm guardados em potinhos dentro do Templo de Salomão. Sei que deve ser um choque para o UOL essa informação, mas cada membro da Universal mora em sua respectiva casa.

A matéria “analisa” duas sessões: exatamente na hora do almoço (11h45 e 12h45) em um dia de semana. Segundo o redator, na bilheteria restava apenas um ingresso para compra, mas a sala não chegou à metade da lotação (sim, o que eles chamam de “vazio” é uma sala meio cheia). No entanto, segundo a gerência do cinema, “a reportagem do portal entrou em uma sala que não fazia parte da pré-venda, e sim com ingressos vendidos hoje de forma avulsa, na qual os espectadores ainda entravam quando foi tirada a foto”.

Sinceramente, pelo nível de apuração do jornalismo do UOL, confio muito mais na informação da gerência do cinema. E esse dado (que o jornalista não apurou ou ignorou conscientemente?), desmonta todo o argumento do texto: se a sala não fazia parte da pré-venda, então não pode dizer que “salas cujos lugares se esgotaram na pré-venda” estavam vazias. Não visitou nenhuma sala cujos lugares se esgotaram na pré-venda. E algum outro jornalista visitou? Como saberemos?

Aí você analisa o restante da mídia e dá vontade de se mudar para Marte. Todo mundo reproduzindo a matéria do UOL e a matéria da Folha (que, veja só que lindo, também cita a matéria do UOL), em uma demonstração do pior jornalismo-preguiça que você pode imaginar. Ninguém apura nada, ninguém pesquisa nada, ninguém vai atrás de novas informações. É o jornalismo-fofoca em último grau. Estado terminal. Eu teria vergonha de assinar uma matéria assim.

Alguém já viu repórteres contando o número de pessoas nas salas de cinema na estreia de algum outro filme nacional?  Quem está acostumado a ir ao cinema em estreia, sabe que há sessões que lotam e há sessões que não lotam e isso é tão natural que jamais seria notícia. Com o aumento da procura, novas salas foram liberadas e, com isso, mais lugares vazios à disposição para serem comprados.

É possível que algumas das pessoas presenteadas com ingressos por membros da igreja não tenha ido ao cinema? É possível, mas se isso realmente tivesse acontecido em massa, o pobre jornalista do UOL não precisaria ir láááá no shopping Tatuapé na hora do almoço em um dia de semana para conseguir o clique de metade dos bancos vazios. Nem o outro precisaria recorrer a um cinema cuja projeção parou no meio e foi vaiado pelo público (o escriba deu a entender que o público vaiou o filme…pensa…o filme é tão ruim que o público vaia quando a exibição é interrompida? Se fosse ruim, o pessoal teria aplaudido o problema técnico rs). O problema, na verdade, é mais embaixo…e, para entendê-lo, precisaremos descer à crítica da Folha de São Paulo.

O texto do crítico de cinema da Folha, Inácio Araújo, é deprimente. O cidadão comete um texto tão mal estruturado que parece ter sido rabiscado no pacote de pipoca. E no escuro. Diz que o filme deveria se chamar “Os Dez Mandamentos – O Pesadelo”, possivelmente por ter dormido durante toda a exibição, a julgar pela análise superficial em parágrafos tão mal conectados que nem merecem comentário, exceto pela frase final, que mostra com clareza qual lente ele usou para assistir ao filme: a do preconceito. Segundo ele, não era para ser um bom filme, um bom divertimento ou um ato de fé, “era para ser uma demonstração de força da Igreja Universal proporcional à torniturante e onipresente trilha musical”.

[Confesso que não sei o que me incomoda mais: se a clara demonstração de preconceito ou se um texto ruim terminar pior ainda, no mais canino eco: universAL proporcionAL musicAL… AL…AL…AL.

Who let the dogs out?]

Essa frase é reveladora. Nela está a razão de todos os ataques que o filme vem recebendo. Quem critica Os Dez Mandamentos não está indo assistir a ele como assistiria a outro título, porque acha que o objetivo não era fazer um filme e, sim, mostrar a força da Universal. Logo, não se importa em avaliar o filme, mas em atacar, na tentativa de reduzir a força da Universal. Por isso, o desespero em mostrar salas vazias, em tentar dizer que não temos tanta força assim, afinal.

Por isso, os argumentos deles parecem nonsense para nós. Estamos indo ver uma coisa, eles estão indo ver outra. Mas qual é o interesse de veículos de comunicação em atacar uma igreja? Por acaso são representantes de outra igreja que serve a um senhor diferente? Seria a única explicação a fazer sentido.

Porque os ataques não são contra a Record. Ela entra no balaio por causa da igreja (tanto é que, sempre que há menção da Record, vem junto de “a emissora do Bispo Edir Macedo” ou “a emissora da Igreja Universal”), mas não é ela o alvo principal. Não se trata de uma briga entre emissoras ou grupos de comunicação. Os veículos de comunicação são apenas a voz. A mente por trás dessa voz é que tem extrema necessidade (beirando o desespero, como se vê) de fazer com que as pessoas acreditem que não há força na Universal. O grupo Folha (do qual o UOL faz parte), a Globo et cetera estão ali apenas de papagaio de pirata.

Sabemos que, não importa se a mensagem do filme é positiva, se a produção foi boa, se a novela foi um sucesso incontestável e se o filme bateu recordes de bilheteria, não tem como agradar quem está do lado negro da força. E nem temos interesse nisso (aqui falo como membro da Universal, mas acho que a igreja tem essa opinião, também). Mas, por uma questão de ética, é nossa obrigação divulgar a verdade, mostrar os fatos como eles são. A mídia, infelizmente, há muito tempo não tem esse compromisso.

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PS: No final das contas, o desespero fez com que passassem vergonha na internet. A Record já respondeu e o pessoal começou a mandar fotos das salas lotadas (clique aqui para ver a resposta e a galeria de fotos no portal Universal.org).

Sobre o filme Os Dez Mandamentos

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Assisti ao filme Os Dez Mandamentos e não poderia deixar de dar minha opinião aqui. Primeiro, a edição foi excelente. Eu temia que pudesse ficar com cara de trailer e perder partes importantes, mas não foi o que aconteceu. A direção de conteúdo privilegiou a narrativa bíblica, o que faz desse o filme mais fiel ao original de todos os que já assisti sobre Moisés. Aliás, se você quiser aproveitar melhor o filme, aconselho que esqueça a novela, os personagens secundários (e alguns principais) e as tramas paralelas e tente assistir como se não tivesse visto nenhum daqueles personagens ainda. Entenda cada um deles do modo como o filme os apresenta e não da forma como a novela retratou. A experiência será bem mais completa.

Acho que uma das coisas mais legais dessa versão de Os Dez Mandamentos (tanto o filme quanto a novela) é que é a primeira vez que eu vejo um Moisés coerente com a descrição que a Bíblia dá sobre ele. Um Moisés mais contido, o homem mais manso que havia na terra.

Sempre que lia, ficava imaginando que tipo de líder ele seria. Que terreno fértil e rico para a imaginação de um escritor é um líder manso, educado e civilizado à frente de um povo rebelde, cabeça-dura e um tanto selvagem. As vezes em que Moisés perde a paciência estão muito acima do nível de tolerância que costumamos ter. Em outras palavras, já teríamos arrancado a cabeça de todo mundo e Moisés ainda estava começando a se irritar.

A produção da Record conseguiu levar para a tela exatamente o que eu imaginei. E a interpretação de Guilherme Winter deu o tom exato do Moisés bíblico. Os personagens, aliás, foram um dos (muitos) pontos altos da trama.

Antes de pensar em ser escritora, eu queria ser atriz. Estudei interpretação e uma das similaridades que vejo entre o trabalho do escritor e o do ator é a construção de personagem, que começa por dentro. Você entende a mente do personagem, a maneira de pensar, as lentes que usa para ver o mundo. Daí, parte para suas ações e palavras. Muito do mundo do personagem é interior e nunca será visto pelo público ou pelos leitores, mas é o que faz diferença na credibilidade que ele terá. E isso a gente percebe nos personagens de Os Dez Mandamentos. É isso que dá profundidade às cenas.

O filme é, basicamente, a história da libertação dos hebreus contada ao povo por Josué (com algumas narrações em off que ajudam a avançar a história). Assim, o foco se mantém nos principais acontecimentos, que são mostrados em uma sequência bem montada.

Fora a vontade de que o filme não acabasse nunca, a principal razão de eu realmente achar que poderia ter uns 30 minutos a mais era para mostrar melhor as pragas, pois senti falta do link que a novela fez entre cada uma e as crenças egípcias, mostrando claramente que Deus estava esmigalhando uma a uma das mitologias daquele povo. Essa explicação ficou restrita apenas à das trevas espessas. Mesmo assim, a apresentação das pragas teve um bom ritmo. Todas foram mostradas, sem pular nenhuma (como aconteceu no filme de Cecil DeMille) e sem o modo videoclipe (como aconteceu na animação Príncipe do Egito).

No entanto, até pelo filme ter apenas duas horas, não há enrolação. As cenas são ágeis e os acontecimentos seguem a Bíblia (o mínimo que se espera de um filme baseado em um livro é fidelidade ao original, apesar das recentes adaptações bíblicas de Hollywood se esquecerem desse “detalhe”). E, como na novela, os diálogos foram muito bem escolhidos. Nas palavras de Anrão ao filho, nas palavras de Moisés ao povo, a cena do clamor… é fácil perceber o quanto os seres humanos são parecidos, não importando a época. Os conflitos humanos são os mesmos há milhares de anos.

A teimosia, o medo, o orgulho, as dúvidas, a coragem, o amor, a fé, a gratidão, a fidelidade…o que temos de mais forte em nós, tanto para o bem quanto para o mal, acompanha os humanos desde que vivemos neste mundo. E, para aprender a lidar com todo esse pacote, eliminando o que é ruim e fortalecendo o que é bom, precisamos da disciplina representada pelos Dez Mandamentos, pela Palavra dada por Deus.

Não se trata de um conjunto de regras moralistas para aplacar a ira de um deus malvado (como muitos mal informados pensam), mas, sim, princípios éticos capazes de transformar um povo semisselvagem em uma nação estruturada e correta. Um presente de um Deus misericordioso, para dar a possibilidade de futuro que eles jamais teriam sem legislação, disciplina e instrução.

Da mesma forma, com a mente escravizada por uma mídia corrupta (o quarto poder, que é o verdadeiro Faraó deste planeta), o povo hoje sofre, mergulhado na injustiça que ele mesmo ajuda a criar quando acredita naquilo que ouve.

A libertação é apenas o primeiro passo. A jornada de Moisés e dos hebreus foi longa e complicada porque a escravidão física é muito mais fácil de resolver do que a escravidão mental. E a mente daquele povo ainda estava no Egito. A escolha que temos de fazer hoje não é diferente da escolha do passado. É necessário romper com os conceitos antigos, com a velha maneira de pensar, para seguir em frente em uma nova vida. Caso contrário, estamos condenados à morte. Não à morte do corpo, mas a viver como os zumbis deste mundo, guiados pelas circunstâncias, sem razão para viver, sem o foco em nada maior do que eles mesmos.

Os Dez Mandamentos é um filme atual. Nunca houve um tempo em que tantos reclamadores, murmuradores, críticos vazios e irresponsáveis preguiçosos tiveram voz e espaço nas redes sociais e na mídia formal, apontando dedos e fazendo análises rasas sobre questões que desconhecem.

O filme não fala de religião. Fala dessa escolha entre nos conformar com o que nos empurram diariamente ou fazer o sacrifício necessário para mudar. Abrir mão da mentalidade de escravo não é fácil, principalmente porque nos obriga a assumir responsabilidade por nossas escolhas. E essa é a essência de Os Dez Mandamentos: a responsabilidade pessoal.

O responsável pelas pragas não cessarem foi o Faraó inflexível. O responsável pelo sofrimento do povo por tanto tempo foi o próprio povo que se afastou e deixou de clamar ao Único que poderia livrá-lo. A responsabilidade de proteger sua casa com o sangue do cordeiro era de cada um. A responsabilidade de estender o cajado para abrir o mar foi de Moisés. A responsabilidade de se manter firme no deserto era do povo, ao aprender a confiar e manter a certeza de que Deus providenciaria tudo. Deus manteve Sua palavra até o fim, mesmo diante de um povo que não queria fazer sua parte. Que insistia em jogar sobre os outros a responsabilidade que era sua, reclamando, murmurando e desobedecendo continuamente.

A obediência à Palavra que receberam era a prova da confiança de que Deus faria a Sua parte na Aliança. Viver nessa fé era responsabilidade pessoal e intransferível de cada hebreu que saiu do Egito. Era a única garantia de liberdade e a única garantia de vitória sobre os inimigos. Por isso, a história foi registrada. Por isso, ela deveria — e deve — ser contada e compreendida.

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PS: Achei que o post com minhas impressões deveria vir antes do post chutando o UOL (neste final de semana, sem falta). O filme é mais importante que os haters da mídia.

PS2: Ok, o filme não fala sobre mídia, mas esse assunto está na minha cabeça e, assim, não tem como desvincular. A gente assiste ao filme com as lentes que leva para a sala de cinema. Entenda isso ao ler qualquer crítica. Quais lentes a pessoa usou para assistir ao filme? As lentes do preconceito? As lentes do ateísmo? As lentes da religiosidade? Todo ser humano carrega consigo sua bagagem sociocultural e emocional (e espiritual) e lê o mundo através dela. É possível contorná-la e lidar com ela ao conhecê-la bem. Mas não tem como deixar do lado de fora.

Sobre a campanha ridícula contra Os Dez Mandamentos

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Uma das coisas mais idiotas que já li nos últimos tempos (e olha que a internet tem nos brindado com muitas coisas idiotas nos últimos tempos) foi que a Igreja Universal nos obriga a comprar ingressos para o filme Os Dez Mandamentos. Na verdade, o jornalismo-preguiça ainda não se decidiu. Uma hora dizem que a igreja nos obriga a comprar ingressos para o filme, outra hora diz que a igreja compra ingressos para distribuir entre a gente. Decidam-se, é uma coisa ou outra. Não dá para ser as duas.

A verdade é que a imprensa está horrorizada e procura razões, dentro de seu saco de preconceitos, para explicar o enorme sucesso da pré-venda do filme, que já ultrapassou a casa de dois milhões e bateu vários recordes. E, provavelmente também esteja ofendida, porque, segundo a Folha de São Paulo, não haverá “sessões para críticos de cinema antes da estreia, como é de praxe no meio”.

Por nunca terem se interessado em saber como somos de verdade, fora das páginas distorcidas da Veja, Folha, Globo & Cia, esse pessoal não tem dados suficientes para entender o fenômeno. Primeiro, o público de Os Dez Mandamentos não é só a Universal – e isso é fato. Falam como se a novela não tivesse sido um sucesso absoluto, liderando audiência no horário nobre inclusive quando concorria diretamente com a novela das nove – principal produto da Globo. Coisa que nunca aconteceu na história da emissora dos Marinho (a novela “Pantanal”, da Rede Manchete, só começava depois da novela da Globo terminar…ninguém nunca teve coragem de bater de frente).

Vi gente sem noção argumentar que ninguém vai ao cinema para assistir a uma coisa que já assistiu na TV…oi? Em que mundo vocês vivem, pessoas azuis? Quantas vezes já assisti “De volta para o futuro” na TV? Milhões de vezes…e na sessão da tarde! E quando passou no Cinemark, lá estava eu, meu marido e a sala de cinema cheia para assistir ao filme i-gual-zi-nho ao da TV. Por que fomos? Porque amamos o filme e queríamos vê-lo na telona. Imagina se não iria querer muito mais ir ao cinema ver o que ainda não vi! Sim, porque eu vi uma novela. A edição necessária para se transformar quase duzentos capítulos em duas horas de filme cria, inevitavelmente, algo completamente diferente. Tem de ser muito desprovido de capacidade cognitiva para não entender isso.

Sem contar que, se fôssemos seguir esse tipo de “raciocínio” dessas pessoas, os cinemas iriam à falência. Porque hoje em dia, pouquíssimo tempo depois do lançamento, qualquer filme já está disponível para baixar e assistir na TV. E alguém deixa de ir ao cinema por isso? A experiência do cinema é algo que absolutamente nada é capaz de substituir. Eu poderia ter esperado para assistir ao novo Star Wars na TV, mas fui ao cinema – e DUAS vezes.

Porém, além do público não Universal da novela Os Dez Mandamentos, é lógico que existe um público enorme que é da Universal (eu, incluída. Membro da Universal há exatos 16 anos e um mês). E vou dizer um pouquinho como somos. Nossa cultura é de compartilhamento. Tudo o que nos faz bem, queremos compartilhar com os outros. AMAMOS a novela Os Dez Mandamentos porque vimos uma história tão importante sendo retratada com delicadeza, inteligência, competência e respeito. E, quando amamos alguma coisa, queremos passá-la adiante.

Por isso você vê membros da igreja comprando, do próprio bolso, ingressos para levar pessoas que não têm condições de ir. E você sempre vai ver isso. Quer seja em um lançamento de livro, quer seja em uma estreia de filme. Você sempre vai ver pessoas que têm mais condições (ainda que não muitas) ajudando quem tem menos. Compramos dez exemplares de livros para doar, se pudermos. Mas quem entende isso nesse mundo egoísta em que a mídia vive?

E, para não ser injusta, preciso dizer que isso não é exclusividade da Universal. Ou como vocês acham que os padres cantores/escritores vendem tantos livros? Já presenciei a cena diversas vezes, e a última delas nem foi em lançamento. Uma senhora católica chegou na livraria e pegou uma pilha de livros do padre Marcelo, dizendo que sempre comprava para doar a amigos e vizinhos. Mas talvez a mídia não fale disso por achar que, vinda de católicos, a generosidade é válida e espontânea. E isso não é preconceito?

Sei que há membros que se dispuseram a comprar ingressos para pessoas que nunca foram ao cinema na vida. Mesmo se você não estiver nem aí para a história bíblica, é impossível negar a importância cultural disso. Pessoas que não têm condições de pagar uma entrada de cinema (a preços absurdos, principalmente em São Paulo, onde um ingresso pode custar mais de vinte reais) estão tendo a oportunidade de assistir a uma produção nacional por causa da generosidade de um grupo de desconhecidos.

Eu não fui obrigada a comprar ingresso nenhum – e nem precisaria. Assim como quase todo mundo que acompanhou a abertura do Mar Vermelho na Record, desde o primeiro anúncio que vi do filme, já decidi comprar. Já adquiri o meu e o do meu marido na pré-venda e duvido que vá uma vez só. Como já disse, se assisti a Star Wars duas vezes, iria apenas uma ao cinema assistir a Os Dez Mandamentos?

E, para os sem-noção que perguntaram por que a Record não passa o filme em igrejas em vez de nos cinemas, eu realmente não acredito que preciso responder a isso… quanto maior a exposição, maior o público alcançado. A quem interessa agir como se o conteúdo bíblico fosse algo menor ou menos digno que a mitologia grega ou uma história de super heróis? Ou por que uma porcaria distorcida como o filme Noé, do Aronofsky, pode estar no cinema sem sofrer represálias e há uma campanha tão ridícula contra uma produção nacional de qualidade como Os Dez Mandamentos?

Eu sei de onde vem essa oposição e sei que ela é inevitável. Porém, não deixo de me indignar quando alguém tenta subestimar minha inteligência tentando descredibilizar o filme antes mesmo da estreia. Graças a Deus, outra característica nossa é a personalidade bem definida. Eu sou muito do contra. Se vem campanha midiática tentando minimizar o sucesso do pré-lançamento, aí é que me dá vontade de fazer mais.

Dá vontade de comprar dezenas de ingressos e sair distribuindo entre quem quer ir e não tem como, coisa que eu faria, se pudesse, e torço para que pessoas que possam sair fazendo isso, realmente o façam. E, assim, eu entendo bem quem tem condições e resolve comprar 22 mil ingressos, como o UOL diz que alguém fez em Recife (se é que essa informação é verdadeira, porque, enfim, é o UOL). Com toda essa campanha contra, a gente não desiste, não se intimida. Só se fortalece mais e fica com ainda mais vontade de ver esse filme ser o maior lançamento da história do cinema nacional.

Porque é isso que nós aprendemos com Moisés e com o Deus que enviou as dez pragas para libertar o Seu povo. É uma história de perseverança, de força, de generosidade, de permanecer firme contra a oposição, de manter a fé, de crer no que não vê, da criação de um povo com identidade sólida… É uma história que se conecta comigo, que sou da Universal, mas que também se conecta com o católico, o espírita, o budista, o ateísta, etc. porque não se conecta com rótulos, mas com seres humanos. Por isso eu realmente fico indignada ao ver todo o esforço por divulgar um conteúdo de extrema qualidade (não apenas técnica) sendo reduzido a uma conversinha de comadres nesses sites de fofoca notícia “a Universal está pagando”, “a Universal está obrigando”, como se fôssemos um grupo de zumbis descerebrados.

Vamos deixar, então, que, a partir de quinta-feira, os cinemas falem por si. E eu realmente espero, de todo o meu fígado (que é maior que o coração), que o filme fique muito, mas muito tempo em cartaz. E que bata todos os recordes a que tem direito. E que traga uma mensagem positiva, de fé e de força, para variar um pouquinho. Coisas que não vemos noticiadas, porque, enfim, não vendem jornal.

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Será que você realmente sacrifica?

Diz que sacrifica, mas não quer dar a cara a tapa. Diz que sacrifica, mas se preocupa mais com o que os outros vão pensar de você do que no tanto de gente que vai alcançar ao se expor.

Diz que sacrifica, mas não vê a hora de dar o horário de ir para casa. Diz que sacrifica, mas suas vontades, seus medos, seu orgulho ou sua insegurança estão acima do que Deus lhe pediu. Diz que sacrifica, mas olha com maus olhos, julga com base em informações dadas por terceiros, sem conhecer. Diz que sacrifica, mas não consegue segurar a língua ao comentar da vida alheia. Diz que sacrifica, mas dá um jeito de revidar sempre que se sente ofendido. Diz que sacrifica, mas guarda ressentimento. Diz que sacrifica, mas continua seguindo seu coração.

Diz que sacrifica, mas não abre mão de sua vontade nas coisas mais básicas. Diz que sacrifica, diz que se entregou, mas só faz o que quer. Diz que sacrifica, mas arranja desculpas para não fazer o que precisa ser feito. Diz que sacrifica, mas não quer sair da zona de conforto. Diz que sacrifica, mas dá mais valor à aparência do que àquilo em que sabe que precisa mudar. Diz que sacrifica, mas acha muito difícil obedecer.

Sacrificar é entregar tudo. Sua vontade, seu eu, seus achismos, sua teimosia, seus medos, suas inseguranças, seu orgulho, sua vida, sua reputação. Colocar um uniforme é muito fácil. Aprender os jargões de um grupo e se parecer, por fora, com um membro fiel, é mais fácil ainda. O difícil é colocar esse uniforme dentro de você. O difícil é assumir tudo aquilo que vem com o compromisso: a entrega, o morrer para si mesmo – de verdade, não da boca para fora.

As portas do Reino de Deus estão abertas para você, apenas esperando esse primeiro passo. Esse passo que mais ninguém irá ver, só você, pois é algo que não é possível ostentar. Abrir mão de coisas materiais é muito fácil. Agora, abrir mão daquilo que você já se acostumou a fazer, da sua reclusão, da sua timidez, da sua teimosia, daqueles hábitos que você gosta tanto, daqueles pensamentos que são seus há muito tempo…ah, isso exige o verdadeiro sacrifício.

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”
Romanos 12:1

PS: Eu já escrevi sobre sacrifício em um texto que foi publicado no blog do Bispo. Se você ainda não leu, clique aqui para ler.

Cuidado com o Evangeliquês – Parte 1

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Todos os grupos têm uma linguagem própria. Advogados têm seus jargões jurídicos, médicos têm seus jargões, funkeiros têm seus jargões, adolescentes têm seus jargões…não importa o tipo de grupo. A linguagem ajuda a unificar internamente e a diferenciar externamente. Provavelmente por isso temos no meio evangélico uma série de jargões e uma linguagem própria tão peculiar que eu chamo de evangeliquês. Em algumas igrejas, é quase um dialeto à parte.

Os problemas disso são infinitos. Eu mal conseguiria começar a listar. O principal deles, porém, é que falar evangeliquês vai contra um dos principais mandamentos do cristianismo, que é espalhar o Evangelho. Como você vai espalhar o evangelho adequadamente usando uma ferramenta que serve principalmente para fechar o grupo em um gueto e afastá-lo das pessoas de fora? E nem é por mal. Chega um momento em que você está tão envolvido com as atividades da igreja que começa a falar lá fora do mesmo jeito que fala no meio do seu grupo. É natural.

Há uma linguagem dentro da igreja que é perfeitamente compreendida pelo público interno. Mas ao estender isso para quem não está na mesma vibe que você, surge o choque cultural. Você começa a ser mal compreendido. As pessoas já não entendem mais suas palavras. Elas já o acham ET por ir tanto a uma igreja. Agora começam a achá-lo ET por estar falando coisas sem sentido (na cabeça delas).

Absurdamente, muitos cristãos não são perseguidos na família ou no trabalho por seu comportamento correto, mas, sim, por seu linguajar esquisito. Parecem, aos olhos dos outros, fanáticos. Principalmente quando, além das palavras esquisitas, começam a falar de assuntos que ninguém de fora entende (e nem quer entender).

O marido (não cristão) fala alguma coisa negativa para a esposa cristã e ela já responde com um: “Tá amarrado, em nome de Jesus!”. Ou fica falando “Deus isso”, “Deus aquilo” em momentos totalmente fora do contexto. Quanto mais ouvimos uma palavra, menos atenção damos a ela. Não gaste o nome “Jesus” ou a palavra “Deus” à toa, por favor.

Temos que ter equilíbrio e entender que a vida cristã começa de dentro para fora. Não é pelo muito falar que você irá converter alguém. Não precisa falar de igreja o tempo todo, não precisa dizer “ungido”, “aleluia” e “glória a Deus” o tempo inteiro para provar que é de Deus. Nem chamar os outros de “perturbados”, “pervertidos” etc. Devemos nos diferenciar pelo nosso comportamento, pelo nosso caráter.

Somos ETs pela nossa maneira de pensar, porque nossos valores são diferentes, porque nossa visão de mundo é outra, não porque falamos esquisito e nos vestimos com sacos de batata. Nossa linguagem deve ser limpa, sem a pobreza de palavrões, mas também sem o evangeliquês, que também empobrece o discurso.

E não são apenas os exemplos extremos, como “aleluia” e “tá amarrado”, mas também os termos que usamos no dia a dia. Se eu disser para alguém de fora da igreja que fulano é “muito de Deus”, o que você acha que essa pessoa vai entender? Talvez entenda o que eu quero dizer, mas talvez não entenda. De qualquer forma, meu linguajar vai causar estranhamento o que, por si só, prejudica a comunicação.

Tente descrever o que é alguém “muito de Deus”. O que você quer dizer com isso? Que tipo de pessoa você está descrevendo? Pense um pouquinho mais e traduza seu pensamento em palavras que a pessoa esteja habituada a ouvir, para que ela entenda sem restrições e com o mínimo possível de barreiras.

O próprio apóstolo Paulo se esforçava para adequar seu discurso aos ouvintes. Ele não poderia falar como judeu para os não judeus, porque quando a linguagem que você usa para falar é diferente da linguagem que seu interlocutor está habituado a ouvir, você cria um ruído que corta o canal de comunicação:

“E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei.
Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei.
Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.
E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele.”
1 Coríntios 9:20-23

E outra coisa, você ganha a atenção das pessoas muito mais por suas atitudes e pelas coisas boas que tem dentro de você do que por qualquer discurso. Todos nós já conhecemos pessoas que se diziam cristãs, mas tinham mágoa, eram maldosas, desonestas ou descontroladas. Isso porque eram fluentes em evangeliquês e viviam dentro de uma igreja, mas não se preocuparam com o seu interior. Então, se quiser ajudar alguém, é exatamente nisso que deve focar: no tipo de pessoa que você quer ser.

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O maior poder que você tem

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“Bom dia Vanessa!!! Eu estou passando por um momento difícil, é como um teste de paciência, não tem como ir para lugar algum, esperando que os dias passem e o jeito é só confiar em Deus. Às vezes, parece tão difícil confiar em Deus, porque para tudo que vamos fazer temos de ter o Espírito Santo, e eu ainda não tenho. Fico com medo de desistir de Deus, porque eu não quero envergonhar Ele. Ás vezes, não entendo nada de como é o ‘crer’, como é a ‘fé’, para eu entender as coisas espirituais, eu preciso ser espiritual e como vou ser espiritual se ainda não tenho o Espírito Santo? Quase todos os obreiros da Igreja sabem da minha vida, porque tenho que pedir orientação para quase tudo e já estou com vergonha disso. Obrigada!!!”

– Larissa Souza

Nãããããããããããão!!!! Quem disse para você que precisa ter o Espírito Santo para confiar em Deus??? Ou que precisa ter o Espírito Santo para ser espiritual? As coisas são tão mais simples do que isso, Larissa. Não complica, não rs. Olha só: todo mundo que recebeu o Espírito Santo não tinha o Espírito Santo quando O recebeu. Ninguém nasce com o Espírito Santo.

Lembre-se de que tudo o que a Bíblia diz antes do livro de Atos (ou seja, quase toda a Bíblia) foi dito ANTES de termos acesso ao Espírito Santo. Ou seja, foi escrito para pessoas que não eram batizadas com o Espírito Santo. Logo, tudo o que a Bíblia diz que é possível fazer, é possível fazer mesmo sem ter o Espírito Santo.

E isso inclui: confiar em Deus, obedecer à Palavra dEle, entender o que Ele diz, discernir o certo do errado, se arrepender, se consertar, se voltar para Ele, pedir a direção dEle (e receber a direção) e até mesmo nascer de novo! (Nicodemos não tinha o Espírito Santo e Jesus se espantou de ele não entender sobre o Novo Nascimento.) Claro que, para se manter nessas coisas, você vai precisar do Espírito Santo. E é justamente aí que você O recebe.

Você colocou na cabeça que é difícil e que não consegue porque não tem o Espírito Santo (será que foi você que colocou isso na cabeça, mesmo? Desconfie desses pensamentos de impossibilidade…) e, por isso, está tão confusa. Mas você tem aí tudo o que precisa ter para fazer a sua parte. Mesmo sem o Espírito Santo dentro de você, é a sua decisão que define o seu futuro, inclusive espiritualmente.

Por que você diz que tem medo de desistir de Deus? Mais uma vez eu vou pedir: desconfie dos seus pensamentos. Esse é um tipo de pensamento que vem rastejando, sutilmente, fazendo você achar que é tão inconstante que, a qualquer momento, pode dar a louca e desistir de Deus. A intenção é colocar uma sementinha dentro de você que alimente esse medo até convencê-la a realmente desistir. E, aí, você vai pensar que foi ideia sua… Mas não foi. Pensamentozinho bem encomendado esse, viu?

O antídoto para o pensamento de medo é sempre fazer o contrário do que o medo pede. Nesse caso específico, é só decidir que nunca vai desistir. Pronto. Bem teimosa, mesmo. Na época em que eu estava bem confusa assim, em um raro momento de inteligência espiritual tomei duas atitudes que eu creio que estão dando frutos até hoje: eu pedi para Deus não desistir de mim. (Hoje sei que Ele não desiste de ninguém, mas eu fiz um pedido bem específico, porque também tinha medo de fazer bobagem.)

E completei esse pedido com um compromisso, eu disse: “eu decido nunca sair da igreja. Decido nunca desistir. Por mais difícil que pareça, aconteça o que acontecer, eu vou ficar aqui até morrer”. E esse foi o pacto que eu fiz com Deus: Ele nunca desistiria de mim e eu nunca desistiria dEle. E isso foi muito antes de eu conhecê-Lo de verdade.

O maior poder que temos é o poder de decisão. O diabo não tem força nenhuma contra isso. Ele só pode entrar onde a gente permite. Por isso, planta pensamentos, sugere ideias, nos incita a tomar atitudes de acordo com os planos dele…assim, nos leva a abrir as portas que ele quer. Somos nós que abrimos as portas. E quando usamos nosso poder de decisão a nosso favor, fechamos a porta na cara do inferno inteiro.

Você tem tudo o que precisa para conseguir o que quer. Para ser espiritual, você não precisa ser batizada com o Espírito Santo, você precisa decidir se tornar a pessoa que Ele quer que você se torne. Você vai às reuniões na igreja para ouvir o que Deus quer lhe falar. Leve um caderninho para anotar o que Ele disser. A Palavra que o pastor prega não é um discurso dele. Se você for à igreja ouvir o pastor, você só vai ouvir o pastor. Mas se for com a intenção de ouvir Deus, as coisas que o pastor disser terão um significado diferente para você. Só você e Deus saberão.

Talvez você não entenda tudo no começo. Grande coisa. Não tem problema nenhum, quem disse que precisa entender tudo? Entenda um pouquinho que seja e pratique o que entendeu. Viva aquilo que entendeu. No Reino de Deus, tudo o que a gente cultiva, se multiplica.

Não queira se encaixar em padrões, achar que precisa ser obreira, que precisa entrar no grupo X ou Y, que precisa dar três pulinhos em um pé só, ou sei lá mais o quê. As coisas são simples. Um passinho de cada vez. Um degrauzinho de cada vez. Uma decisão de cada vez. Uma palavra de cada vez. Sabendo que todas as coisas estão indo para o lugar certo, pois Deus está aí, ao seu lado, ajudando a cada etapa. A fé é isso aí. :)

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PS: Escrevi isso esses dias, mas vai que alguém não leu… A verdade sobre seus pensamentos (clique para ler)

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Sendo menos animalzinho

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Tenho sérias dificuldades com nosso ritmo contemporâneo. Preciso de tempo para pensar, questionar, analisar, pesquisar, ler e escrever. Nossa sociedade não valoriza o tempo para pensar. O silêncio, o ficar sozinho, o analisar profunda e cuidadosamente. Tudo tem de ser na correria, com mil aplicativos abertos ao mesmo tempo, uma enxurrada de entretenimento, indignação artificialmente plantada pela mídia e conversas nonsense de Facebook.

Consequentemente, estamos ficando mais superficiais e com conflitos cada vez menos resolvidos. Intelectualmente, as pessoas estão virando bichinhos. Vivem à base da emoção e suas opiniões são aquelas que o Jornal Nacional ou a Revista Veja dizem que elas devem ter. Já recebem as opiniões mastigadas da mídia, então, atuam como se realmente soubessem do que estão falando. E preferem gastar seu tempo com joguinhos, bate-papos que não levam a lugar nenhum, redes sociais e entretenimento vazio. O prazer momentâneo, acima de qualquer outra coisa. Um docinho rápido para disfarçar a fome que aumenta.

Intelectualmente desnutridas, essas pessoas se tornam cada vez mais carentes e vazias. Suas carências e seus vazios são temporariamente supridos por mais balinhas, oferecidas pela indústria do entretenimento, pela indústria da beleza, pela indústria do sexo, pela indústria religiosa e por uma infinidade de outras indústrias perniciosas que se reproduzem feito moscas no lixo da nossa sociedade, corroendo o que há de melhor dentro daqueles que buscam nelas a solução para sua fome.

No entanto, essa fome não pode ser suprida por sentimentos ou sensações, muito menos por coisas materiais ou atenção. Essa fome é profunda e só pode ser saciada quando você consegue parar, ficar sozinho e analisar o que está acontecendo dentro de você. Se entupir de doces não vai resolver seu problema. Um novo parceiro não vai resolver seu problema. Passar o dia no Facebook não vai resolver seu problema. Encher sua cabeça de barulho não vai resolver seu problema. Encher sua agenda de atividades não vai resolver seu problema. Não se esconda no caos. O caos só faz o problema aumentar, sem que você perceba.

O que ninguém quer ver é que essa fome é espiritual. E a única forma de saciá-la é indo à Fonte. A busca por Deus não é a busca por si mesmo. A busca por Deus não é a busca por uma religião. A busca por Deus é a busca por Deus. Não há muitos caminhos para isso. Assim como se você quiser me conhecer, o único caminho que pode tomar é vir até mim e me conhecer, se você quiser conhecer a Deus, a única forma é ir até Ele e conhecê-Lo.

Porém, e aquelas pessoas que já conheceram a Deus, mas continuam nessa busca desenfreada por sensações, mergulhados no Facebook, Whatsapp, Twitter, Instagram, aplicativos, jogos, vídeos, televisão e demais estímulos emocionais e sensoriais? São usados pela tecnologia, manipulados pelos interesses alheios, tanto quanto as outras pessoas que buscam nessas coisas o preenchimento de sua vida e de seu tempo, para não pensarem na própria vida. Não querem ficar sozinhas um segundo. Não querem ter de se encarar.

O que você mais alimenta, é o que vai crescer. Se alimentar sua inteligência, ela crescerá. Se alimentar suas emoções e sensações, elas se desenvolverão e tomarão conta da sua vida. O segredo de tudo é o equilíbrio, somos racionais justamente para que nossa mente seja capaz de liderar nosso corpo e nossas emoções. Não inverta essa equação, ou não haverá diferença entre você e um gambá.

Os animais têm uma inteligência, um certo raciocínio, a capacidade de resolver problemas e enfrentar situações inusitadas que exigem mais do que mero instinto. E são capazes de se comunicar, também. No entanto, seus comportamentos são guiados basicamente por emoções, sensações e instinto, deixando a inteligência em segundo plano. Eles reagem irracionalmente muito mais vezes do que agem racionalmente. Respondem aos seus sentimentos sem questionar, como muita gente que você conhece.

Os humanos têm milhares de anos de desenvolvimento filosófico e de raciocínio, o que lhes daria uma vantagem em termos de capacidade de utilização racional. Mas, intencionalmente, esse desenvolvimento tem sido barrado e sufocado a ponto de as novas gerações (e as velhas, também) estarem cada vez mais superficiais. A intenção, seguramente, é formar um exército de pessoas desprovidas de capacidade cognitiva, guiadas pela vontade de uma minoria. Já essa minoria, obviamente, investe pesado em sua própria formação intelectual.

Por isso, pular fora do gira-gira deste mundo pode machucar no começo, mas é a única maneira de conseguir uma vida interior decente. Pouquíssimas pessoas farão isso. Porque o ritmo deste mundo traz um certo prazer, já que é voltado para isso. Mas também cobra um preço alto. O efeito rebote não compensa todo o prazer que você recebeu. Melhor uma vida equilibrada, sobre a qual você tenha algum controle, do que viver de extremos, de picos e vales, sendo guiado por alguém que quer sugar tudo o que você tem e transformá-lo em uma casca vazia.

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A mente do escritor

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Escritores não são pessoas especiais ou alvos inatingíveis, hoje eu creio que qualquer pessoa pode se tornar um escritor, desde que aprenda a pensar como um escritor e, obviamente, a passar seus pensamentos por escrito como um escritor. Mas qual é o modo de pensar do escritor?

A mente de alguém que tem a literatura como atividade prioritária funciona um pouquinho diferente. O escritor observa o mundo à sua volta com atenção aos detalhes que ninguém vê. Uma folha seca presa a uma placa de trânsito pode render um texto. A folha pode representar qualquer coisa, desde a natureza até a própria pessoa que escreve ou mesmo o tempo. A placa de trânsito também pode representar qualquer coisa, desde as mais óbvias até as mais esdrúxulas.

O escritor deve ser capaz de fazer conexões lógicas entre coisas absurdas. Uma meia suja pode ter a ver com uma alga marinha, você só precisa construir uma conexão lógica entre os dois elementos. E isso é o texto literário. Isso é o despertar da criatividade. Abrir espaços. Romper conceitos pré-estabelecidos. Abrir as portas e as janelas. Costurar o ilógico com a lógica. Brincar com as palavras, procurar o humor.

O escritor observa. Observa o mundo, observa as pessoas, observa as interações, observa tudo. Não julga, a princípio, apenas observa e absorve. Ele é curioso, interessado, como um pesquisador de outro planeta. O escritor é de outro planeta.

O escritor é detalhista, ainda que seja impulsivo e hiperativo. Se não é detalhista para descrições, é detalhista para sensações e definições. Ele é detalhista para o raciocínio, para colocar no papel exatamente aquilo que quer transmitir.

 O ato de escrever é mais do que simplesmente ajeitar as sentenças no papel. As palavras pulam, conversam, discutem, dão ideias para o texto. Sentença, no texto, não é aquela dada pelo juiz, com a carga dramática de destino definitivo. Sentença, no texto, é a frase que se arranja, orgânica, com vida própria, e que nós temos que aprender a controlar, a domesticar.

Não sou partidária do texto selvagem, doido, gerado por emoções e cavalgando alucinadamente como um cavalo que fugiu do hospício. Sou fã do texto racional, que usa a emoção a seu favor, mas jamais abusa dela. O texto limpo, sem lugar-comum, evitando frescuras que tentem mostrar erudição do autor. O texto não diz respeito ao autor, mas ao leitor.

Sou entusiasta do texto que acrescenta ao leitor, jamais subtrai. O texto ladrão, pobre e infeliz, que rouba o tempo, rouba a alegria e rouba o entusiasmo merece o meu desprezo (e o seu, também). Mas as palavras que constroem, que abrem portas, implodem muros e ampliam espaços são as que realmente têm meu respeito.

São essas que encontram espaço nos leitores e fazem com que o trabalho do escritor seja realmente útil. São elas que constroem as pontes e abrem as cavernas em que nos recolhemos para escrever. São elas que fazem o escritor deixar de ser um mero repetidor de si mesmo para transmitir o que é universal e que, muitas vezes, o leitor ainda não percebeu.

E, entre todas as ferramentas que um ser humano pode ser, de construção e de desconstrução, a mais bonita delas é uma caneta. Capaz de moldar culturas, transformar sociedades, influenciar gerações, traçar caminhos, desenhar futuros. Todos temos a semente de um Escritor dentro de nós. Todos somos capazes de desenvolver essa habilidade. No entanto, por alguma razão, um esforço descomunal tem sido feito para convencer as pessoas de que escrever é algo reservado a uns poucos iluminados. Assim, aqueles que têm algo a dizer acabam com medo de dizer, pois não fazem parte dos “escolhidos” pela Pena Sagrada.

Escrever é ampliar a voz. É espalhar a voz. Não é reunir palavras ordenadas por regras, simplesmente. Não é engessá-las e reduzi-las a um amontoado de letras formais. É imprimir sentido, é entrelaçar linhas coerentes, é dizer o que se quer dizer de uma forma que os outros, que estão fora de sua cabeça, compreendam. É descobrir o outro. É entender melhor. É encontrar os óculos certos e ajudar a enxergar.

“Vai, pois, escreve isso numa tabuinha perante eles, escreve-o num livro, para que fique registrado para os dias vindouros, para sempre, perpetuamente.” Isaías 30.8

“O Senhor me respondeu e disse: escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo.” Habacuque 2.2 — Se fosse hoje, acho que Deus mandaria escrever um blog. 😉

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