Lampertop Sobre várias coisas

Por que eu trabalho?

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Não trabalhe somente por ser profissional. Não vista o uniforme como se você fosse uma máquina sem alma. Envolva-se naquilo que você faz, por um bem maior. Você passa a maior parte do seu tempo trabalhando, então encontre uma forma de ajudar as pessoas através do que faz. Você pode ser luz onde você está, transformando a empresa em que trabalha, transformando a vida de um colega…como uma pequena engrenagem sem a qual a máquina não funciona.

Eu trabalho por amor. Trabalho movida por um profundo amor, não apenas pelo que eu faço, mas pelo resultado, pelas pessoas que eu nem conheço, mas que serão impactadas por aquilo que eu fizer. Pessoas que talvez nunca me conheçam, que talvez nunca saibam que eu tive algo a ver com o bem que elas receberam. Esse é o meu maior salário.

Se você se preocupar com posição, cargo ou dinheiro, será uma das criaturas mais infelizes deste planeta. Se sua preocupação está em agradar seu chefe, em passar rasteira no colega ou em falar mal do gerente, sua vida é pior do que a da minhoca que rasteja no jardim. Se seu objetivo na vida não for maior do que você mesmo, você só vai colher o que apodrece.

Se aquilo que você faz hoje não ajuda a ninguém direta ou indiretamente, se você não consegue fazer a diferença na vida de nenhuma pessoa, pense em outra coisa para fazer. Peça a Deus que lhe dê novas ideias. Não fique ansioso por causa disso, simplesmente saiba que as ideias virão.

E será que você realmente não pode fazer bem a ninguém onde você está? A gente não faz o bem apenas a pessoas boazinhas, a gente faz o bem a quem precisa. Isso garante uma consciência tranquila. “Abençoai os que vos perseguem. Abençoai e não amaldiçoeis.” (Romanos 12:14)

Às vezes você tem de agir com a cabeça, sem emoção, para que as coisas caminhem. Mas isso jamais pode se tornar pessoal. Perseguir, ou mesmo olhar seus perseguidores como se fossem a personificação do mal só lhe afastará do alvo. Essas pessoas são apenas pessoas equivocadas. São pessoas e devem ser consideradas como tal. Por isso a orientação de abençoá-las. Uma pessoa abençoada é uma pessoa próxima de Deus. Se meus perseguidores estiverem próximos de Deus,  eles deixarão de ser meus perseguidores. Isso não faz sentido? Abençoados, eles deixarão o lado negro da força. :-)

Jamais se esqueça: o seu inimigo não é a pessoa. Seu inimigo é o mal que criou aquela situação e inspirou a reação da pessoa, ou a forma errada de ela ver você. Muitas vezes você será mal interpretado, julgado e perseguido. Mas se você estiver fazendo tudo movido por uma plena convicção, se estiver obedecendo a Palavra de Deus, se estiver movido pelo amor àqueles que precisam desesperadamente de ajuda, vá adiante.

Vá adiante, seja forte e não dependa de ninguém. Dependa apenas de Deus e de si mesmo. Dia desses, um pastor de quem gosto muito me disse: “Não se intimide com ninguém. Use sua fé e paixão pelos perdidos para ajudar o crescimento do Reino de Deus.” Essa é a palavra que quero deixar a você hoje. E assim como ela me ajudou e me impulsionou a fazer o que era certo, que ela lhe impulsione a agir.

 

Não apliques o coração

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Esta semana me decepcionei com um comentário de uma amiga, me vi dentro de uma situação em que fui mal compreendida, pessoas que deveriam confiar em mim começaram a desconfiar, conversas a meu respeito, distorções da verdade, mal entendidos, boatos, falta de comunicação e uma porção de coisas que realmente detesto. Tudo de uma vez. No meio disso, novas (e grandes) responsabilidades e muita correria.

Sabe quando tudo vem para cima de você, na tentativa de desestabilizá-lo emocionalmente? E você se pergunta: o que fiz de errado? Será que disse alguma coisa que não deveria? Será que devo me defender? Será que devo me explicar?

Você quer mesmo saber?

Não gaste sua energia com isso. Entregue para Deus e peça a Ele que te defenda. Eu penso o seguinte: adianta falar alguma coisa? Vou convencer alguém? Provavelmente, não. As pessoas geralmente só querem falar, e não ouvir. Então deixe que falem e use a cabeça: não esqueça de que seu tempo é precioso, sua energia, também. Você deve se focar naquilo que tem a fazer, e não no que os outros dizem. Provavelmente minha amiga nem deve ter noção do que disse, não se deu conta do julgamento que fez. Ficar chateada fará com que ela tenha noção? Não, né? Então decido ignorar.

Desisti de tentar convencer as pessoas de que eu sou do jeito que sou, então nem tento. Se quiser acreditar, beleza. Se não quiser, paciência. O resultado do seu trabalho mostra quem você é, então não gaste sua vida tentando agradar os outros, não importa quem sejam.

Às vezes as pessoas só precisam de um bode expiatório. Elas se irritam com alguma coisa e descontam em você. Precisam de alguém para culpar. É um problema delas, por que fazer com que se torne seu? Às vezes as pessoas não tomam o tempo necessário para conhecer as outras, colam um rótulo qualquer e cometem injustiças por pura preguiça de saber quem você é. Os seres humanos são assim, é um defeito de fabricação. Então não esquente a cabeça com isso. Vá em frente, continue a fazer o bem a quem puder, pois não vale a pena deixar de fazer pelos outros o que você gostaria que fizessem por você. Se você tem uma tarefa importante a cumprir, faça da melhor maneira possível, não deixe que seu coração atrapalhe.

“Não apliques o coração a todas as palavras que se dizem, para que não venhas a ouvir o teu servo a amaldiçoar-te, pois tu sabes que muitas vezes tu mesmo tens amaldiçoado a outros.” (Eclesiastes 7:21,22)

Em outras palavras: quantas vezes você também já não disse bobagens? Quantas vezes já não falou algo que não deveria? Quantas vezes já não cometeu uma injustiça? Quantas vezes já lugou uma pessoa? Isso sem contar as vezes em que injustiçou alguém sem saber. E um comentário maldoso? Ou displicente? Quantas vezes não correspondeu às expectativas? Quantas vezes ignorou alguém sem querer? Quantas vezes deixou uma pessoa chateada por suas palavras? Quem sou eu para ficar chateada com alguém? Quem sou eu para me ofender com alguma coisa? Quantas vezes já não devo ter feito igual ou mesmo pior? Ainda que não tivesse a intenção!

Então, sempre que ouço uma bobagem a meu respeito, me lembro dessa passagem. “Não apliques o coração a todas as palavras que se dizem”. Deixo de pensar no que ouvi e foco nos meus afazeres, principalmente naquilo que pode ajudar outras pessoas, pois quando cuidamos dos outros, deixamos de preocupar com nosso umbigo e com nossa reputação. Dessa maneira, tudo aquilo que teria o poder de ferir nosso ego perde completamente a força.

Desenvolvendo o hábito de escrever – O nascimento.

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Eu tenho leitores que já têm o hábito de escrever, outros estão desenvolvendo, outros tinham, mas deixaram para lá, e alguns não têm, e não sabem se comunicar por escrito. Mas todos os meus leitores têm algo em comum – ainda que só descubram isso agora…rs… – a vontade de ser uma versão melhor de si mesmo.

É por isso que eles têm sacrificado sua vontade, sua preguiça e suas limitações e lutado para desenvolver o hábito de ler. Muitos me escrevem falando a respeito das mudanças que têm experimentado através da leitura. Que legal! Nem sempre consigo responder (ou demoro um século para isso…rs…) mas eu leio todos, comemoro cada vitória e conheço cada um de vocês pelo nome, viu? Nos reunimos todas as quintas (e alguns sábados) no blog da Cris e conversamos horroooores…e a cada comentário que leio, gosto mais dos meus leitores (a maioria é mulher, mas falo “leitores” para que os três ou quatro homens que me leem não se sintam excluídos…rs…) e a cada testemunho de vitórias, quero que alcancem ainda mais vitórias! Poder ajudá-los nessa caminhada é uma honra! E uma tarefa que desempenho com o maior prazer.

 Então, quero lhes propor um novo desafio. :-) Juntamente com o hábito de ler, que tal desenvolver o irmão dele – o hábito de escrever? Vou fazer alguns posts com dicas a respeito disso. O de hoje é bem básico, mas acredito que vá ajudar aqueles que – como eu – têm fome e sede de aprender mais e mais e mais.

 Escrever direitinho não é uma questão de receber uma iluminação divina especial, um dom que ninguém mais tem, só alguns “escolhidos”. Nããão! Escrever é só outra forma de falar! É comunicação. Exige treino para saber dominar a ferramenta, mas eu te garanto que se você se aplicar a isso, essa nova habilidade fará uma diferença enoorme na sua vida. Porque hoje são poucas as pessoas que se dedicam a isso. A maioria é muito preguiçosa e se contenta em fazer o mínimo aceitável.

Mas não você, meu amado leitor! Você é um ser humano diferente, que gosta de ler a maluquinha da Vanessa Lampert, que não se incomoda em viajar em um texto alucinadamente, até se dar conta de que leu duzentos mil parágrafos, bem feliz. Você que está descobrindo que gosta de ler! – Veja só! – Nunca imaginou que seria legal acompanhar um livro do começo ao fim! Nunca pensou que você – logo você, que se achava tão incapaz – poderia se tornar um leitor!! Na escola isso parecia tão chato, mas agora você tem controle sobre aquilo que lê e descobriu que livros são como pessoas: alguns são chatos, outros são legais, cada um tem sua própria personalidade e você está selecionando seus novos amigos de papel, e descobrindo uma realidade diferente, que jamais imaginou ser possível.

 Então, que tal um novo desafio? Que tal ir treinando, dando passinhos de bebê para desenvolver sua habilidade em se comunicar por escrito? Talvez você caia no começo, talvez escorregue aqui e ali – aprender a andar não é fácil – mas a cada novo passo, você se fortalece e vai se desenvolvendo. Daqui a pouco, ninguém te segura, meu amigo!

 Já pensou no quanto vai conseguir fazer? Em quantas pessoas vai alcançar? No quanto sua vida vai melhorar? No diferencial que vai ser profissionalmente, e em absolutamente todos os lugares? E-mails não serão mais sofrimento, as pessoas entenderão o que você diz! Suas anotações não lhe farão passar vergonha, você não se sentirá inseguro ou inferiorizado quando tiver de escrever algo para alguém – ou na frente de alguém. Uma limitação a menos na sua vida!

 Vai contar pontos quando estiver disputando aquela vaga com uma pessoa que comete erros de português ou – pior (eu considero pior, apesar de ser a maníaca da correção de texto…rsrs…) – de lógica. Porque escrever não é só saber regrinhas, não. Não é só saber se uma palavra é escrita com “x” ou com “ch”. O mais importante em escrever é se comunicar com coerência. Entender o que está dizendo. E se o que você está dizendo é o que você quer dizer. Escrever tem muito a ver com o falar. Mas tem mais a ver ainda com pensar. Sobre isso, cito Dad Squarisi: “A habilidade de escrever é resultado da habilidade de pensar – pensar de forma ordenada, lógica e prática.”

 Então está tudo interligado, amiguinhos. Ler ajuda a desenvolver essa habilidade de pensar de forma ordenada, lógica e prática. Pensar ajuda a desenvolver essa habilidade de escrever também de forma ordenada, lógica e prática. Não é só juntar letrinhas e palavrinhas encadeadas. É se comunicar!

Não se sinta inibido por não saber escrever tudo maravilhosamente bem de uma hora para outra. O importante é querer e se esforçar.

 Imagine a cena: a mulher chega na sala de parto, contrações cada vez menos espaçadas, sofrimento, dor, suor, pressa. Dilatação. O médico comemora: apareceu a cabecinha! Aquela pequena bolota cheia de cabelos realmente surgiu e – com dificuldade – começa a sair. Depois que a cabeça já está do lado de fora, o restante do corpinho do bebê escorrega rapidamente. Com agilidade, o médico pega a criança, que já grita e esperneia enquanto ele a coloca no colo da mãe e corta o cordão umbilical. Então, o bebê, ainda todo sujinho, é colocado em uma mesa ao lado, para ser revirado daqui e dali, cutucado, aspirado, e todas aquelas coisas assustadoras que enfermeiras fazem com recém-nascidos. Assustado, ele desce da mesa e sai correndo, as pequenas perninhas fazendo um esforço fenomenal, digno de maratonista. Surpreso, o médico corre atrás, as enfermeiras também, mas ninguém consegue alcançá-lo. O recém-nascido peladinho avança pelos corredores do hospital, incrivelmente não escorrega, apesar da gosma que ainda cobre sua pele. Corre, corre, corre, sai pela porta do hospital, sai na calçada e ganha a rua, alucinado, quase atingindo a velocidade da luz.

 Essa história parece realista?…rs… Ninguém nasce correndo. Então não se preocupe se no começo você errar mais do que gostaria. O importante é se esforçar para se desenvolver. Não queira escrever “bonito” ou rebuscado. O tempo das construções difíceis e enroladas já passou – graças a Deus. Hoje o que se valoriza é a naturalidade. Você quer ser compreendido, seu texto tem de ser claro.

 Então, passinhos de bebê. Nem que você tenha de engatinhar primeiro. Nem que você tenha de rolar antes de engatinhar! Lá pelos quatro meses – ou antes…cada vez mais cedo, na verdade…rs… – toda a família comemora o fato do bebê conseguir levantar a cabeça, firmando o pescocinho. Isso já é uma vitória! É assim. Se desenvolvendo lenta e gradualmente. Mas se desenvolvendo.

 Vamos começar com algumas dicas básicas:

  Não tente falar difícil. Use palavras que você está acostumado a falar. Você tem de se acostumar com o ato de escrever. As letrinhas são suas amigas…rsrsrs… Seu texto sairá mais natural quanto mais próximo da sua realidade ele for. Então, se solte.  :-)

 Agora, o fato de eu ter dito para não falar difícil não quer dizer que você seja obrigado a usar palavras que todo mundo usa. Nem que você tenha de se acomodar ao vocabulário que sempre teve. De vez em quando, você encontra em um texto ou em um livro uma palavra nova. Tenha um dicionário sempre à mão para esses momentos. Se não tiver um com você, anote a palavra. E anote, de preferência, a frase inteira, para entender o contexto em que ela foi dita. É como um jogo de detetive. Quando você chegar em casa, vai procurar  a palavra no dicionário e entender o sentido do que estava escrito. E seu vocabulário ficará melhor!

 Não tenha medo de escrever. – Faça comentários, escreva um diário, abra um blog. – Tudo é válido. Eu já contei minha história aqui. Comecei escrevendo diários, lá na infância. Mas nunca é tarde para começar. Carregue um bloquinho na bolsa. Quando ler alguma coisa, pense a respeito, escreva a respeito. Não precisa ser muito, no começo. Escreva qualquer coisa. É treino – como a leitura. Não interessa até que ano do colégio você fez. Isso é passado. Ensino formal é importante para a vida da pessoa, mas os maiores gênios da humanidade eram autodidatas. Alguns se especializaram depois, mas todos foram além daquilo que se ensina nos bancos de escola. Quem não estuda fora da escola, não se destaca.

 Informação não é exclusividade de colégios e faculdades. Está à disposição. Nas livrarias, nas bibliotecas, nas bancas, na internet. Hoje em dia, na verdade a informação está em todos os lugares – ao mesmo tempo. O problema é que a maioria das pessoas opta pela informação inútil. O entretenimento vazio. Muita gente neste mundo está vivendo de circo. Informações descartáveis que só gastam seu tempo: fofocas dos famosos, o que vai acontecer na novela, a própria novela, programas de humor vazios, páginas de piadinhas no Facebook, vídeos engraçadinhos… Entenda: não há problema em entretenimento. É saudável, mas tem de ser bem dosado. É como balinha de açúcar. Não dá para passar o dia inteiro comendo jujuba.

 Por enquanto, a dica sobre ortografia é: preste atenção no que lê. Na dúvida, pesquise na internet, procure no dicionário. Faça o teste e escreva algo no Word. Depois, vá no menu Ferramentas e clique em “Ortografia e Gramática”. Leia as sugestões de alteração, porque ele pode pegar os erros mais graves. Mas leia, porque às vezes ele viaja na maionese e diz que é erro, quando não é…rsrs…na dúvida, Google e dicionário.

 No começo, dá trabalho, mas você está fazendo um investimento em você mesmo, o sacrifício vale a pena. Aplique essas dicas mesmo se achar que já sabe escrever bem e tal. Pode ser que você tenha algo a melhorar. Depois do Word, releia o texto. O que você queria comunicar? Conseguiu? Acha que está claro para pessoas que não moram dentro da sua cabeça? Ah, é, tem isso. O leitor não mora dentro da sua cabeça…rsrs…às vezes você terá de dar informações para ele que para você seriam óbvias. Então leia o que você escreveu como se você fosse outra pessoa. Se isso te deixar intimidado para continuar a escrever, deixe para a próxima etapa, então e – por enquanto – escreva loucamente, como se não houvesse amanhã…rs…  O importante é perder o medo de escrever.

 Ah, e a última dica é: NÃO ESCREVA TUDO EM MAIÚSCULAS NA INTERNET. Isso significa que você está gritando. E atrapalha a leitura. Escrever é comunicação. Duas coisas na hora de escrever não podem ser ignoradas: a mensagem e o leitor. Ler o seu texto deve ser uma boa experiência, agradável, e que faça o leitor feliz. :-) E é nisso que vamos focar nos próximos posts da série “Desenvolvendo o hábito de escrever”.

Dos Livros Ruins E Das Coisas Que Não Dão Certo

Depois da ausência de uma semana para me recuperar de uma virose, eu queria uma boa resenha.  Tenho alguns livros que eu sei que são bons, mas não fui muito esperta…poderia ter lido um certo enquanto arriscava outro duvidoso, como sempre faço…se o duvidoso não é bom, faço resenha do certo. Mas esta semana a inteligência passou longe e deu tchauzinho: li apenas os que não conhecia…e escolhi com um dedinho estragado. Mas aprendi alguma coisa.

Foram cinco livros. CINCO livros. E nenhum foi com a minha cara. Amo ler, vocês sabem, garimpar coisas boas nas águas turvas das livrarias, e não entendi o porquê de não ter feito uma escolha certa nos livros desta semana. O último me enganou de tal maneira que só ao chegar na metade percebi que ele estava me enrolando e ainda não tinha dito a que veio! Não dá. Se você leu 50% do livro e ele não saiu do lugar, alguma coisa está errada. Corri para espiar o final e percebi que nem lá a história evoluía. Dá uma certa frustração pegar um livro que você acha que seria bacana e descobrir que ele é ruim. Por outro lado, fechar um livro ruim reacende a esperança de encontrar um melhor. É um desafio. Você tem uma escolha a fazer: ou desanima, ou renova a esperança e persevera.

Quando algo te diz não, quando alguma coisa não dá certo, quando as coisas não saem exatamente do jeito que você esperava, as piores e mais improdutivas reações que você pode ter são: se desesperar, se entristecer e desistir. Não jogue a toalha! Pegue aquela frustração e a transforme em força, em revolta. Revolta contra a estação em que o trem errado te deixou. Revolta que traz uma vontade doida de pegar outro trem, ou de construir seu próprio trem, novos trilhos, e ir para o lugar em que já deveria estar. Quando você pega o caminho errado, ficar parado chorando ou reclamando não vai te levar para o lugar certo.

Não deu, é? Então agora é uma questão de honra. Faça o que tem de fazer. Insista. Tente outra vez. Um amigo te enganou? Você foi passado para trás? Não desista de fazer amigos por causa disso. Cometeu um erro? Se arrependa e faça o que é certo desta vez. Seu namorado te traiu? Seu ex-marido te batia? Não coloque todos os homens no mesmo saco. Seu casamento acabou? Não pense que nunca poderá ser feliz. Alguém te decepcionou? Perdoe e siga adiante. Não deixe de acreditar nas pessoas.

Um livro é diferente do outro. Seria ridículo eu desistir de ler qualquer livro só por ter encontrado alguns ruins. Seria absurdo eu dizer que não quero mais ler por ter errado na escolha de TODOS os livros desta semana. Imagine se eu ficasse pensando em cada um daqueles livros…nas promessas que eles me fizeram, no quanto eu esperava deles, em quanto me decepcionei e no que eu gostaria de ter lido em cada uma daquelas páginas! Aquelas páginas traidoras!

Imagina se eu continuasse remoendo? Não conseguiria fazer mais nada! Não teria forças para pegar um novo livro, me arriscar em novas linhas, pensaria: “Ah, os livros são todos iguais!” E nunca mais teríamos resenha, porque eu passaria o ano inteiro desperdiçando todos os bons livros por estar apegada à lembrança dos maus. Me agarraria às experiências negativas, me fechando para as positivas (o que, convenhamos, é uma tremenda falta de inteligência). E não sei de quem tenho mais dó, se dos bons livros, que jamais seriam lidos, se de mim, que jamais leria um livro decente, ou se de vocês, que nunca mais teriam boas dicas…rs…

Amigos, as experiências ruins servem como aprendizado, e só. Não são águas em que devemos nadar por muito tempo. Aliás, por tempo nenhum. Passou, não volte lá. Siga adiante. Não olhe para trás. Feche o livro, não se torture. Existem coisas melhores pela frente. Faça o que sabe que é o certo, mantenha sua esperança, sua fé, seus bons olhos, sua alegria. Não permita que nada lhe roube a alegria, nem suje seu coração. Sempre há uma nova chance, sempre há uma porta. Sempre há um novo livro, que pode ser aquele que vai te marcar para sempre, que pode ser aquele que te fará se lembrar do porquê de você amar tanto ler. Por isso, não desista.

O fato de parecer que quase tudo deu errado nas últimas semanas – nesta, principalmente – e que eu estava correndo contra o vento, não foi em vão. Quanto mais as coisas pareciam erradas, mais eu colocava, conscientemente, em prática o versículo de Hebreus 2:1 “Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos.” Desanimar também é se desviar das verdades ouvidas, assim como se desesperar, quando essas Verdades têm a ver com perseverança, força, certeza das coisas que se esperam – que é a definição de fé. Essa fé não comporta desistência e desânimo. Você pode até se chatear na hora, mas não alimenta esse sentimento. Você sabe que se estiver no caminho certo e não se desviar, não há possibilidade nenhuma de errar o destino.

 

Vanessa Lampert

Quer ler todas as resenhas? Clique aqui. 

 

PS: Caso queira ler mais um pouquinho sobre isso, escrevi o curtinho “A tribulação produz perseverança”.

 

Este post foi originalmente publicado no site Cristiane Cardoso.

Para 2013

Foram 366 dias.  Ou 8.784 horas. Hoje é dia de todo mundo fazer retrospectiva, analisando o que deu certo e o que não deu no ano que se encerra. É dia também das famosas resoluções de ano novo. Aquele momento em que você faz uma lista do que deseja mudar em 2013, do que quer conquistar. E se compromete a fazer o que for preciso para que essas resoluções se tornem verdade, pois elas não caem do céu.

Então o dia primeiro de janeiro finalmente chega. Todo mundo solta fogos, faz uma barulheira. Uma galera vai beber horrores, como se isso garantisse alguma felicidade ou alegria no ano que se inicia (Só vai garantir uma bela ressaca no dia seguinte). Pessoas se abraçam, telefonam, dizem aquelas palavras decoradas “feliz ano novo”, “feliz 2013″, “muita paz, alegria, prosperidade”. Isso é o que todo mundo deseja para todo mundo.

Aqui está o que eu desejo para 2013: que a gente não perca tempo. 2012 viu muito sofrimento desnecessário, muito questionamento inútil, muito medo paralisante, muito tempo jogado no lixo. Foram 366 dias. Você se lembra de todos eles? Foram 8.784 horas. O que você fez com cada uma delas? Quantas horas passou chorando? O que isso adiantou? Quanto tempo ficou se lamentando, ou se sentindo fraco, se sentindo inadequado, se sentindo isso ou aquilo? Quanto tempo discutindo inutilmente, tentando provar seu ponto de vista?

366 dias, e você ainda achou que 2012 foi curto. 2013 terá um dia a menos. 365, de um ano normal. 8.760 horas, para você distribuir da maneira que achar mais adequada. 8.760 horas nas suas mãos, dependendo de boas escolhas para serem bem aproveitadas.

Não é necessário fazer apenas grandes coisas com o tempo que você tem, mas se executar bem as pequenas coisas que tem a fazer, verá a diferença. Buscar o melhor e ser prático. 2013 será apenas um período de colheita do que plantamos nos anos anteriores, e de plantio para os próximos anos. Entendendo que a responsabilidade pelo seu futuro está em suas mãos e que as possibilidades são infinitas (algumas realmente maravilhosas), defina o seu objetivo, escolha as melhores sementes e siga em frente, sem se desviar.

PS: 2012 também viu muuuito tempo de muita gente escoando ralo abaixo em joguinhos, e também no Facebook e no Twitter, com coisas que amanhã já se tornarão obsoletas…2013 quer ver mais leituras úteis, mais organização, disciplina e otimismo. Maior crescimento espiritual. Você não pode admitir terminar 2013 sendo a mesmíssima pessoa desse final de 2012. Cada ano é uma oportunidade de nos tornarmos versões melhores de nós mesmos. :-)

O verdadeiro significado da cruz

Nesse período de festas de final de ano as pessoas ficam emotivas e subitamente religiosas. Gente que torce o nariz para igreja no restante do ano, admira presépios e reverencia o “menino Jesus” no natal, embora o foco esteja, é claro, nos presentes e na comida da ceia. No entanto, esta festa jamais foi instituída na Bíblia.

O acontecimento mais importante da vida de Jesus para os seus seguidores, não é seu nascimento, mas sua morte e ressurreição. Nasci ouvindo que “Jesus morreu por nós”, que “o sangue de Jesus lavou nossos pecados” e que “Jesus venceu a morte”, mas demorei muitos anos para entender exatamente como aconteceu essa coisa toda. Provavelmente se eu tivesse lido um livro tão claro como “O verdadeiro Significado da Cruz”, (Editora Unipro), de Marcelo Crivella, teria entendido bem antes. Espero que os trechos do livro e meus comentários lhe ajudem a entender, também. E vale muito a pena ler (e reler) este livro para uma compreensão mais profunda.

O livro começa explicando como era o mundo e a condição espiritual do ser humano antes da morte de Jesus. A ideia original de Deus, ao criar o homem e o mundo, era algo bem distante do que vemos hoje. O universo foi feito para que a Terra tivesse condições de existir. Tudo foi criado com perfeição e era bom. Até o momento em que o homem, que tinha toda a autoridade sobre a criação, passou essa autoridade ao mal através de um ato de desobediência, ao dar ouvidos à voz do diabo. Toda a criação passou a estar sob o domínio do mal, e essa é a razão da situação decadente do mundo atual. Jesus é a nossa única chance de restabelecer essa ligação que foi perdida, retomando, a autoridade sobre este território que é nosso, mas está dominado pelo inimigo.

“No início, todos os minerais e metais, todas as pedras preciosas e as formas de produção de energia – como o vento, a água, o carvão, a eletricidade, os combustíveis e todas as leis da Física e da Química – estavam apenas esperando para serem dominados pelo homem. (…) O homem precisou de milhares de anos para descobrir a eletricidade – que já existia desde o início, mas ninguém podia ver – e como extraí-la dos ventos e quedas d’água. O resultado da nossa distância de Deus é estupidez e tempo perdido. Aquilo que Ele revelaria ao Seu filho amado em poucos dias, no paraíso, demorou séculos para ser descoberto, por motivo de Sua ausência no homem.”

Aqui eu me lembro daqueles que querem parecer muito “inteligentes” alegando que Deus e ciência são opostos. Não são e nunca foram. A ciência equivocada, aquela que rejeita tudo o que possa sugerir a existência de uma inteligência superior por trás do que conhecemos, esta, sim, é oposta a Deus, por não ser sequer ciência. O problema é que as pessoas confundem Deus e religião e dirigem ataques ao primeiro por conta de questões relacionadas à segunda.

Sem religião, provavelmente a ciência teria avançado mais rápido, mas sem Deus, só temos tido perda de tempo e atraso nas descobertas científicas. Se isso lhe parece incoerente ou contraditório, deixe para trás suas ideias pré-concebidas. Deus não é religião e religião não é Deus.

“A justiça de Deus requer que Ele Se separe daquilo que é errado e imperfeito. Esta grande separação entre a luz e as trevas, santidade e pecado, pureza e impureza, é a morte, às vezes chamada de grande abismo. (…) Deus não criou a imperfeição; quem a criou foi o diabo. Imperfeição não pertence à lógica original da Criação; está fora, fica do outro lado e permanece lá, pela Justiça de Deus”.

Hoje em dia as pessoas não querem saber como Deus é, querem definir elas mesmas como Deus deveria ser, de que tipo de deus elas precisam naquele momento, e tentam colocá-Lo na caixinha que fizeram. As religiões também fazem isso. A questão toda, para se entender Deus de uma forma não-religiosa, é saber que Ele é um indivíduo com características próprias e imutáveis. Ele é 100% justo e puro. Um ser que é 100% puro e justo não pode conviver com injustiça e impureza. A morte e a imperfeição na Terra vieram com a desobediência que afastou o homem de Deus.

Se Deus é vida, estar longe de Deus é a própria morte. Por isso, o pecado só podia ser perdoado se houvesse a morte de outra criatura, (um animal, pois os animais são inocentes, não têm pecado) sobre o qual, simbolicamente, o pecador arrependido lançasse o seu erro, sua própria morte. Aquela criatura, então, morreria no lugar do pecador, e levaria o seu pecado, fazendo com que Ele tornasse a ser puro e justo diante de Deus…até o próximo pecado (já que para ser um sacrifício perfeito e que valesse para sempre, o substituto teria de ser outro ser humano adulto e sem pecado).

Quando Deus disse a Adão e Eva que se comessem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, certamente morreriam, estava falando sério. A desobediência os afastou de Deus, o que é a melhor definição possível de morte.

“A morte é o lugar longe da presença d’Ele. Jesus sabia que Deus não iria estar lá com Ele, e que só voltaria se fosse perfeito, vencendo como ser humano todas as tentações e fraquezas. Ele, e somente Ele, enfrentaria a morte. Nunca havia estado lá e Deus não O ajudaria, porque na cruz o Senhor Jesus era a imperfeição do homem.”

Lá estava Jesus, simbolizando aquela criatura inocente, sem pecado, que deveria ser sacrificada levando sobre seu corpo os pecados da pessoa arrependida. Ali Ele carregava os erros, falhas e desobediências de toda a humanidade, para restabelecer o elo que havia sido quebrado entre o homem e Deus, quando o homem foi infiel pela primeira vez. O sacrifício dEle foi perfeito, porque Ele era homem, o único homem que se manteve sem pecado, e pode substituir perfeitamente toda a humanidade, seus iguais, que através de sua morte, ganharam o direito de escapar da morte, da separação de Deus.

“Não era o sacrifício físico, mas a verdadeira morte que Lhe afligia. Não foram a coroa de espinhos, as chicotadas, os pregos, a cruz e os socos dos soldados que causaram no Senhor Jesus uma dor indescritível, mas a morte sem Deus e sem o Espírito Santo.”

Maior tortura do que ferimentos físicos é o sofrimento espiritual de estar afastado de Deus. Sofrimento esse que faz com que a pessoa pense que a morte poderia aliviar sua dor e lhe trazer um pouco de paz (sinto muito, mas não pode. Morte é o que você experimenta agora, essa angústia, esse desespero. Desligar o seu corpo não lhe trará paz, apenas perpetuará essa morte, aumentando a angústia, o desespero, a dor e o sofrimento. A única saída para a morte que você está experimentando enquanto respira, é a vida que Deus lhe oferece aqui, agora, e da qual você só poderá tomar posse enquanto ainda respirar).

Esse sofrimento e essa dor, maiores do que qualquer sofrimento físico, Jesus experimentou naquele dia no calvário. A mesma angústia e agonia que estavam em mim, quando eu me sentia esmagada e dilacerada por dentro, achando que não havia uma saída para aquela depressão, aquele vazio, aquela tortura sem fim. Eu não sabia que Ele já tinha sofrido tudo aquilo por mim e me conquistado o direito de viver longe daquela morte. Ele morreu para que eu não precisasse continuar morta. Mas esse direito só foi conquistado porque Ele se manteve sem pecado e por isso pôde ressuscitar, vencendo a morte. Conquistou a vida da qual hoje podemos desfrutar, se aceitarmos esse pacto com Deus.

Uma coisa maravilhosa, e que não tenho como transcrever aqui (ou seria expulsa do site por excesso de caracteres…hahaha…) é a análise que Marcelo Crivella faz de Salmos 22, a oração o Messias, revelada a Davi muitos anos antes, e que, em conjunto com outros trechos bíblicos (inclusive Isaías 53), formam a base da descrição da crucificação no livro.

A conexão restaurada com Deus, que nos vê perfeitos e justos por causa do sacrifício de Jesus, desde que nos mantenhamos em obediência (um pacto é selado com compromisso de ambas as partes. Nossa parte é obedecer, entregar nossa pseudovida para receber a vida que Ele nos oferece), tem como consequência a vitória sobre o mal, inclusive sobre as doenças e demais sofrimentos. A partir do momento em que você aceita participar desse pacto, é substituído por Jesus e torna-se filho de Deus. Então esqueça a ideia de “provação”, pois nenhum pai prova um filho com doenças:

“É errado quando um cristão diz que está lutando para derrotar o diabo na sua vida. O diabo já foi derrotado por Jesus, na cruz. Em vez disso, as pessoas deveriam dizer que estão lutando contra as suas próprias dúvidas e temores, para assumirem a Sua vitória, porque quando cremos e assumimos esta vitória em Cristo, ela se torna a nossa vitória.”

E, por fim, ele fala sobre o Espírito Santo:

“O Espírito Santo vem para completar o plano de Deus e salvar as nossas almas. No nosso dia a dia, é Ele quem nos dá forças quando estamos fracos; consolação quando estamos tristes; coragem quando sentimos medo; arrependimento quando cometemos pecados; entendimento quando temos dúvida em tudo e por tudo. Ele precisa estar tão presente na nossa vida hoje como o Senhor Jesus esteve presente na vida dos Seus discípulos, quando pregava em Israel.”

Esse é o fundamento de nossa fé. É disso que você deve se lembrar quando este ano terminar. O próximo ano só será de vitórias, saúde, paz, prosperidade e tal se você tiver vida. Se não tiver, de nada adiantam os desejos vagos que as pessoas trocam na virada do ano. Você pode decorar todos os clichês de reveillon, que assim que terminar a digestão da ceia e passar o porre do champagne, aquela pedra invisível continuará em cima da sua cabeça e pesando em suas costas, ameaçando lhe esmagar até a morte. Mas se você tomar a decisão agora, de deixar os erros (e não só os mais óbvios, mas também os que só você conhece, pois estão em seu coração) e entregar-se àquele que pagou um preço muito alto pela sua vida, então você terá a oportunidade real de conhecer em 2013 a verdadeira alegria, a verdadeira paz, a verdadeira prosperidade.

Meu desejo para esse próximo ano é, na verdade, uma oração. Que você que ainda não aceitou esse presente, não deixe passar a oportunidade. E que você que já aceitou, agradeça esse presente da melhor maneira possível: levando, com sua vida e seu comportamento, esse convite àqueles que ainda não O aceitaram. Lembro-me de que há alguns meses o Bispo Renato escreveu em seu Twitter que talvez a nossa vida seja a única Bíblia que algumas pessoas irão ler. Que tenhamos esta responsabilidade em mente no final deste ano e no tão esperado ano novo.

Vanessa Lampert

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PS: Sei que eu falei bastante aqui, encompridando os trechos do livro com meus comentários…rs…mas é que o livro faz nossa cabeça trabalhar a mil, compreendendo cada ponto desse assunto tão importante. São 92 páginas claras, escritas com uma linguagem leve, de fácil assimilação, com a sensibilidade típica do estilo literário do Bispo Marcelo Crivella. Vale muuuito a pena ler, mesmo que você já tenha alcançado a salvação, pois o conteúdo desse livro vai te auxiliar a ajudar outras pessoas.

PS2: Antes que alguém me pergunte onde comprar este livro: Se não tiver na sua IURD, você pode encomendar pelo Arca Center. Clique aqui para ver.

PS3: Falando no sofrimento físico ter sido grande, mas menor do que o espiritual, eu tenho verdadeiro horror do filme “A Paixão de Cristo”, do Mel Gibson. Ainda mais depois que descobri que a a base que ele usou não foi a Bíblia.Clique aqui para ver o trecho em que falava sobre isso, e que acabei tirando da resenha (pois virou um post…rs…).

Publicado originalmente no site Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.

Sobre escrever, insegurança e comunicação

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Conversando na sexta-feira com uma linda moça a respeito de escrever, ela me disse que tem muita facilidade em se comunicar, mas quando escreve, tem uma certa dificuldade em se expressar de maneira clara – ou pelo menos acha que tem. Escreve, muda de ideia, apaga, tenta escrever de outro jeito, escolhe as palavras, e não consegue manter uma naturalidade.

Eu sou assim falando pessoalmente…rs…demora alguns encontros até que eu consiga encontrar a naturalidade. A raiz disso é a insegurança. Minha cabeça funciona muito rápido, então quando converso, ou falo muito pausadamente, tentando encontrar as palavras certas para expressar o que estou pensando (o que às vezes irrita um interlocutor mais ágil), ou desembesto a falar e gesticular, e tenho total consciência disso, então acho que todo mundo está me vendo como uma maluca – porque, na realidade, é assim que me sinto, é o julgamento que faço de mim mesma, então acho que todo mundo está fazendo.

Então, quando você escreve e fica se policiando, achando que não está sendo suficientemente claro, talvez esteja projetando nos outros o que você mesmo pensa a seu respeito. Acredita que não consegue se expressar por escrito, então nunca consegue se expressar por escrito, pois o seu cérebro sempre vai lhe boicotar, para cumprir a sua expectativa. (Ou seja, se eu continuar achando que pareço uma maluca ao conversar com desconhecidos, meu cérebro sempre me fará parecer uma maluca ao conversar com desconhecidos, para cumprir minhas expectativas…desconfio que depois de racionalizar isso, minhas conversas com desconhecidos nunca mais serão as mesmas :-D )

No entanto, estou convencida de que qualquer pessoa que queira e se esforce, conseguirá se comunicar por escrito. Isso exige uma área do cérebro que todo mundo tem. Coloque na sua cabeça que você está aprendendo a escrever, que você está adquirindo mais facilidade nisso, pegue um texto bacana, que tenha gostado de ler e tente copiar aquele estilo, até desenvolver o seu próprio.

E escreva. Escreva, escreva, escreva. Sem cobranças, sem pretensões. Apenas escreva. Escrever é treino, é hábito, é prática. Quanto mais você escrever, mais escreverá. Você tem de ver o ato de escrever como parte de você, tão parte de você quanto o ato de falar (Vanessas, vejam isso ao contrário: o ato de falar com desconhecidos é tão parte de vocês quanto o ato de escrever), são apenas duas formas diferentes de comunicação.

Escrever é simplesmente traduzir para a linguagem escrita o que já está dentro de você. A única coisa que pode atrapalhar isso é  a tal insegurança, que age como uma interferência em seu canal de comunicação. Então agora que a identificamos, vamos jogá-la fora!

Mas – você diz – e se eu não sei realmente escrever? Cometo erros ortográficos, não sei diferenciar sujeito de predicado, não entendo nada de linguagem escrita, nem terminei o ensino médio! Isso não é uma sentença de morte. Esse tipo de coisa nem sempre se aprende na escola (e a julgar pelos erros que vejo de pessoas já formadas, a escola tem ensinado língua portuguesa muito mal). Você tem a internet, com muitos textos de professores de língua portuguesa para tirar suas dúvidas, existem livros também com essa finalidade (eu recomendo a série “Guia Prático do Português Correto”, do Claudio Moreno, editora L&PM).

No entanto, uma das coisas mais importantes para se escrever corretamente é: ler. E prestar atenção no que se lê. Assim, se você ler: “começou” com cedilha, jamais escreverá “comessou”  com dois “ésses”. É natural, seu cérebro ficará condicionado à grafia correta das palavras, em vez de tentar transpor para a língua escrita o que ouve da linguagem oral.



PS: No próximo texto, retomarei esse assunto. :-)

Seus Limites

Já que vocês estão com uns três mil novecentos e cinquenta e cinco livros para ler (haha), posso aproveitar esse espaço para falar sobre algo de extrema importância, relacionado – pra variar – com a leitura e com a sua vida.

Percebi que a melhor maneira de estimular a ler era abrir o livro aqui no blog e conversar enquanto lemos juntos, colocando trechos dos livros e comentando. Isso fez com que as resenhas ficassem mais divertidas e produtivas, mas teve um efeito colateral: os posts ficaram mais longos. Mesmo assim, os mais corajosos encararam o desafio, embarcaram na leitura – e não se arrependeram.

Existe um número impressionante de pessoas adultas escrevendo (e dizendo) coisas sem sentido.  Elas têm dificuldade com raciocínio lógico e, naquela ansiedade da correria comum em nossa época, têm preguiça de ler um texto mais longo e acabam não entendendo nem os curtos. O problema não é ser assim, o problema é ser assim, se acomodar e não querer mudar!

Para alcançar os leitores dentro de suas limitações, até as propagandas mudaram! Tenho uma edição da revista Cruzeiro da década de 40, e as propagandas eram cheias de texto! Quando visitei o Museu do Ipiranga, entrei em uma sala repleta de anúncios bem antigos. Reparei que quanto mais velhos, maior a quantidade de texto, explicando, racionalmente, por que você deveria comprar determinado produto.

Hoje em dia, a propaganda te lança uma frase curta – que geralmente não diz nada – , uma imagem atraente, alguma tentativa de manipulação e – nas mídias modernas – uma música que mexa com alguma parte não racional do seu ser. É a cultura do desligamento do cérebro. Para completar, a escola ainda coloca como leitura obrigatória livros totalmente incompatíveis com a idade (e com a linguagem) das crianças e adolescentes, o que faz com que gravem a informação errada de que ler é chato.

Então as pessoas vivem sem pensar muito em nada, se deixando levar pelas emoções e repetindo como raciocínio próprio o que veem na televisão e nas revistas. Muitos se convertem e encontram igrejas que seguem a mesma cartilha do mundo: emoção, emoção, emoção. E os livros que leem estão cheios de…emoção, emoção, emoção. Só se exercita a emoção, e por isso  vivem em uma gangorra emocional (e espiritual).

No entanto, não podemos aceitar que o povo de Deus, que foi chamado para fazer a diferença, tenha essa mesma limitação. Por isso decidi que escreveria para aqueles realmente interessados em desenvolver sua inteligência e ser uma ferramenta ainda mais útil nas mãos de Deus. Quanto mais habilidades você desenvolver, mais usado será.

Não se esqueça: a leitura é uma musculação para o cérebro. E como qualquer exercício, quando você começa a fazer, depois de aaanos de sedentarismo, dói aqui e ali, né? Talvez você precise pegar leve no começo, mas não pode desistir, nem se acomodar às suas limitações. E nem achar que já está expert e relaxar. Leve isso para toda a vida. Não se acomode. Se esforce, leve o tempo que for necessário, e comemore cada vitória.

Veja o comentário da leitora Gerlane no meu blog:

“Vi um post que a senhora fala que com a leitura nasce novos neurônios, (acho que é isso). Muitas vezes eu não conseguia ler seus posts até o final, me cansava porque era grande. Mas a cada resenha fui me interessando mais, eu tenho bastante livros, mas nem lia.. Eu disse “lia”..

Eu comecei a ler, mesmo sem vontade e fui insistindo.. Hoje pela primeira vez li um livro em menos de 2 semanas por sinal (NADA A PERDER), eu aprendi a gostar de ler e vejo que meu falar, minhas palavras são melhores, eu nunca gostei de português, me arrependo de não ter estudado corretamente nesta matéria, mas a minha leitura hoje é melhor, eu leio tudo, agora onde vou faço questão de ler, as palavras estão sempre a nossa frente e eu não me importava, e agora bom eu gosto muito de ler e agradeço por a senhora sempre ensinar que devemos perseverar.

Eu ainda escrevo algumas coisas erradas ainda gaguejo um pouquinho na leitura em voz alta, mas pode ter certeza, eu aprendi a ler com mais gosto, eu vi isso como um exercício e é mesmo. Desculpa escrever tanto, mas tenho que te agradecer. Seus posts me ajudaram a melhorar meu interior, sei que parece nada a ver, porque é apenas a leitura, mas agora tenho mais vontade até de ler a Bíblia com mais sede, mais amor… Eu entendi muita coisas, e amei..”

Terminei de ler isso dando pulinhos de alegria (quem me conhece pessoalmente sabe que isso pode ser literal…hahaha…) e derretendo como um chocolate feliz. :-) Note que ela diz que a vontade de ler a Bíblia aumentou, e a compreensão das coisas, também. Isso é consequência de se estimular a cabeça! Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi  “Eu comecei a ler, mesmo sem vontade, e fui insistindo”. Percebe a preciosidade dessa frase? Se você aprender isso, conseguirá superar qualquer limitação. É um esforço consciente. Lembra do convite de Jesus: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”? O que você acha que é “negar-se a si mesmo”? Não depender da vontade para fazer o que você sabe que é o certo!

Outra leitora, Ingrid Mello,  escreveu o seguinte e-mail:

” Oi Vanessa, gosto muito do que você escreve e queria lhe dizer que tem me ajudado muito! Antes estava com muitas dificuldades na leitura, e até mesmo para me expressar. Simplesmente as palavras não faziam muito sentido pra mim, lia mas não entendia o que estava lendo e graças a seus posts, as coisas começaram a mudar!!! Agora entendo o que leio e também procuro analisar se o que escrevo (ainda que seja em uma conversa) faz sentido… E seleciono bem mais o que vou ler, afinal, não devemos nos alimentar de qualquer coisa  Enfim, tem sido uma mudança significativa!!”

Olha que maravilha! Assim como a Gerlane, ela já está acima da média da população que nos rodeia! Está se tornando mais consciente do que lê, do que escreve e do que fala! E superou as dificuldades com as palavras! Por quê? Por exercitar o cérebro! Os neurônios felizes e saltitantes dentro de sua cabeça davam boas vindas aos novos coleguinhas que apareciam para aumentar a inteligência da nossa amiga.

Assim começamos a construir um povo cada vez mais forte.

Eu não sou melhor do que você, amigo, por isso não aceito que eu consiga ler alegremente um post de dez mil caracteres e você não consiga chegar nem na metade.  Não aceite se curvar às suas limitações, seja em relação a leitura, seja em relação a qualquer outra coisa. Não pense que você não é capaz por não ter terminado seus estudos, ou por não ter um curso superior, ou por sua idade, ou por qualquer outro motivo. Não importa o seu passado, importa apenas quem você quer ser daqui para diante.

Anote mais uma coisa: inteligência não tem absolutamente nada a ver com ensino formal. Conheci muita gente burra com pós-doutorado e muita gente inteligentíssima que não tinha nem a quarta série. Quer saber o que difere um grupo do outro? A humildade. O humilde é inteligente (não importa a escolaridade). O arrogante se faz burro. Então esqueça os rótulos que o mundo quer lhe dar e aceite se transformar na pessoa que Deus quer que você seja: uma versão melhor de você mesmo.

O que eu faço aqui é mais ou menos o que faria um treinador bem exigente. Lembra daquele filme “Desafiando Gigantes”? Toda vez que se deparar com um texto grande ou com um grande desafio em sua vida, lembre-se desta lição (clique aqui para ver o vídeo).

Eu te digo, sem medo de errar, que sempre que você se esforçar para sair de sua zona de conforto, vai colher excelentes resultados. Pode ser complicado no começo, difícil, um grande esforço, mas vale muito a pena.

Vanessa Lampert

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PS: Ainda não respondi aos comentários, mas gostaria de dizer que estou anotando todos os livros que vocês me pedem.:-)

PS2: Aprenda outra coisa a respeito de livros e textos em geral: o mais importante não é o tamanho, mas o ritmo. Livros bem escritos voam. Você nem percebe, pois o ritmo do texto é ágil.

Post originalmente publicado no blog Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.

Rompendo o silêncio

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Crianças, adolescentes e adultos abusados e que preferem esconder, como se o silêncio fizesse com que o passado deixasse de existir. Mulheres agredidas por maridos e familiares e que preferem manter o silêncio ou não ir até o fim em seus direitos, acreditando que o silêncio as protegerá.

Manter o silêncio é dar ainda mais munição ao agressor. É dar-lhe a ilusão de impunidade. É manter o veneno corroendo a sua alma, lhe matando por dentro enquanto você não consegue perdoar, nem seguir em frente, pois aquele que lhe feriu continua lhe ferindo mesmo depois de parar de respirar.

Para isso surgiu o Projeto Raabe: lhe ajudar a romper o silêncio com segurança, lidando com a situação dentro de você e do lado de fora, também. Nosso objetivo é transformar vítimas em sobreviventes.

Não passei por violência doméstica. Não tive essa experiência. No entanto, a dor de uma mulher é a dor de todas as mulheres. Não há como não se solidarizar com essa causa. Vi mulheres idosas, jovens, adolescentes e crianças que têm (ou tiveram) a violência como realidade. Vi a destruição que o silêncio pode causar e a transformação e liberdade que o Projeto tem trazido a essas pessoas.

Neste sábado, dia 24 de novembro, às 12h, teremos a II Caminhada Rompendo o Silêncio. Acontecerá em várias capitais do Brasil e em algumas cidades do mundo. Aqui em São Paulo será às 12h, saindo do Largo 13, em Santo Amaro, até a Rua João Dias, 1800, onde teremos um evento de conscientização sobre o combate à violência doméstica e familiar, que terá palestras, depoimentos, apresentação de uma pequena peça teatral e atendimento profissional.

O evento é aberto a todos os que quiserem participar, a caminhada também. Então, fica aqui o convite a quem se sensibiliza com essa causa. O problema da violência doméstica é de toda a sociedade, pois pode acontecer em qualquer família e tanto a prevenção quanto o tratamento merecem nossa atenção e esforço.

Mais informações no site do projeto: www.projetoraabe.com

Como ler até o fim?

Eu leio rápido. Sim, eu leio muito rápido. Exige bastante da minha cabeça, mas posso ler um livro de 200 páginas em poucas horas, se hiperconcentrar. Não é uma habilidade especial de X-Men, não sou uma super-heroína…rs…minha teoria é que isso é fruto do hábito. Quanto mais você lê, mais rápido você lê. No entanto, a pergunta dessa leitora merece um texto-resposta, pois pode ajudar outras pessoas:

Ei Vanessa, como vc consegue ler tantos livros? Comecei ler amor de redenção há 3 meses e ainda não terminei.

Esta pergunta engloba aquelas que dizem que não têm tempo para ler. Ela ainda não tinha percebido que seu problema não era a falta de tempo para ler, ou alguma dificuldade com a leitura, mas o fato de ela não estar valorizando.  Quanto mais você se habitua a ler, mais rápido você lê. Mas como criar esse hábito? Pergunto: se alguém te dissesse que ao final da leitura de Amor de Redenção, você ganharia um milhão de Reais, em quanto tempo você o leria? :-)  No entanto, o que a gente ganha com a leitura vale muito mais do que um milhão de Reais, mas como não vem em cédulas, muitas vezes a gente não dá valor.

Você deve olhar como uma atividade importante, tem que valorizar. Sim, eu leio muito rápido, pela prática, mas mesmo sem ler rápido, se você lesse três folhas por dia, por exemplo, terminaria Amor de Redenção antes mesmo desses três meses. Uma pessoa normal deve levar uns cinco a dez minutos para ler isso, ou menos, sei lá. Já pensou? Se você dedicar míseros dez minutos do seu dia à leitura, logo, logo saberá o final da história :-) .

É a questão de organizar o tempo, de fazer novas escolhas. Trocar um pouco do tempo que a gente fica no Facebook ou no Twitter, ou na televisão, por exemplo, por ler nem que seja três páginas por dia (o que ainda é ridiculamente pouco…rs…). Talvez você se empolgue e leia mais…rs…mas tudo é na base da perseverança e do sacrifício, principalmente no começo. :-)

Não pense em ler rápido, mas pense em ler até o fim. O importante é ter pequenas metas. Talvez isso funcione bem para quem está iniciando o hábito. Ao invés de se cobrar ler o livro inteiro e se deixar levar pela ansiedade ao ver que a coisa nunca acaba, coloque a meta de ler no mínimo três folhas por dia. Se você se empolgar e ler mais, não tem problema. No dia seguinte, a meta volta a ser no mínimo três folhas. Não pode ler menos do que isso. Mais do que isso, pode.

Entendo arrastar a leitura de um livro chato. Existem livros com linguagem complicada, mais técnica, mais sisuda, e que ficam mesmo complicados de ler. Mas livros com linguagem mais leve (Amor de Redenção só é arrastado no começo…tendo paciência e perseverança, a leitura deslancha rapidinho), o sacrifício vai diminuindo com o passar dos dias, como um músculo atrofiado que volta a ser exercitado.

Portanto, não se deixe levar nem pela ansiedade de terminar rápido, nem pelo desânimo de não terminar a leitura. As pessoas conseguem ficar uma hora em frente à TV vendo novela, conseguem ficar uma hora e meia em frente à TV vendo futebol, isso sem contar o tempo absurdo que é jogado fora nas redes sociais…nas horas em que você está online, tem a sensação de bem-estar, mas para onde vai esse tempo? É diferente de ler artigos que tragam algo útil para a sua vida. As informações nas redes sociais são voláteis, tenha consciência disso.

Não é errado ter perfis em redes sociais, mas se você passar o tempo todo vendo a timeline no twitter e o feed de notícias do Facebook (ou jogando conversa fora no msn), não fará mais nada na vida e não construirá nada com isso. Tudo deve ser feito com equilíbrio e autocontrole. A propósito, o Davison encontrou a seguinte tirinha para ilustrar o que estou dizendo…rs…

armadilha

Cuidado com essas armadilhas da internet, que sugam seu tempo e sua energia e lhe impedem de fazer o que você realmente gostaria de estar fazendo, se tivesse consciência do quão pouco tempo nos resta, na prática, neste mundo.

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Livros que não são o que parecem – Cinquenta tons de cinza

Abro parênteses na série “Livros que não são o que parecem” para tratar de um que não é religioso. Nesse caso, é um livro que parece ser bom – por estar no topo dos mais vendidos de ficção – mas é uma porcaria. Eu achei que não precisasse resenhar Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey). Para mim, todo mundo já sabia do que se tratava: um romance sem valor literário, com cenas de sexo sadomasoquista. Mas nem todo mundo sabe. Tenho recebido perguntas a respeito e fiquei preocupada. Achei melhor escrever uma resenha. Caso alguém lhe pergunte, você também saberá o que dizer.

O livro é ruim. Sob diversos aspectos. Cenas arrastadas, construção pobre, a personagem passa muito tempo com os mesmos questionamentos e frases repetidas, o que o torna cansativo. A linguagem às vezes é muito forçada…A autora cria diálogos dignos dos piores livros de banca de jornal. O problema não é um livro ter cenas de sexo, porque é como os filmes, se formos deletar todos os que têm cenas fortes, ficaríamos com pouquíssimas opções de entretenimento. Mas as cenas de sexo de Cinquenta tons de cinza vêm em uma quantidade excessiva e descontextualizada e são descritivas demais, algumas beirando o ridículo. Coisas como (um trecho neutro, of course. Temos menores de idade aqui):

Com um movimento suave, ele ajeita o seu corpo, de modo que, o meu torso está descansando na cama ao lado dele. Ele joga a perna direita sobre as minhas duas pernas e bota o seu antebraço esquerdo na parte de baixo das minhas costas, segurando-me para baixo, assim eu não posso me mover.

Amigos, eu não sei se o problema é comigo, mas eu não sou muito visual. Eu simplesmente não consigo visualizar isso e em minha cabeça, na terceira frase, os dois já estão embolados em um perfeito nó, como se fossem dois polvos enroscados, jogando batalha naval, sem o menor romance.

Mas esse não é o problema.

Acho impressionante como no século 21, em que falar de “submissão” em termos bíblicos causa espanto e horror, um livro que trate de submissão em termos degradantes faça tanto sucesso. Quero dizer, uma submissão que valorize a mulher é descartada à primeira menção, mas uma “submissão” que a desvalorize e a transforme em mero objeto é fascinante? Isso faz algum sentido?

A mulher tem uma necessidade natural de se sentir segura, amada, cuidada, protegida…tem a necessidade natural da submissão saudável a um homem que lhe dê essa segurança. A sociedade aboliu a submissão saudável, mas não consegue tirar da mulher a necessidade de segurança…sendo assim, a submissão distorcida e doentia encontra espaço suficiente para instalar…e essas distorções tornam-se normais, aceitáveis e até desejáveis!

Christian Grey é um homem  lindo e rico. Anastasia Steele é universitária e inexperiente. Eles se apaixonam e ela descobre que ele é um dominador sádico e quer iniciá-la.  Se fosse apenas isso, talvez o livro não fizesse tanto sucesso. Ele teve uma infância difícil, maltratado pela mãe biológica,  adotado aos quatro anos, foi abusado aos 15 anos por uma amiga casada da mãe adotiva. Essa amiga lhe apresentou o sadomasoquismo, e esse foi o único tipo de relacionamento que ele conheceu. Anastasia quer ajudá-lo. Não é amor – não o amor verdadeiro – mas um punhado de emoções e sensações que mexe com a cabeça das leitoras carentes e as prepara para aceitar relacionamentos doentios com homens desajustados.

Há uma necessidade de confiança entre os dois, para que ela se entregue totalmente a ele. Um relacionamento baseado em confiança e entrega…não é tudo o que as mulheres querem? Ele abre a porta do carro, se preocupa com sua segurança, está sempre pronto a protegê-la, a cuidar dela, lhe dá 100% de atenção e se preocupa em satisfazê-la…preenchendo todas as necessidades que as “mulheres modernas” têm desprezado…Só tem um “detalhe”: ele a oprime, a persegue e tem prazer em bater nela! E ela se tornou sua escrava.

Vê o tamanho do problema? O quanto é perigoso para a cabeça de mulheres carentes? Percebe o tamanho do perigo de romantizar um relacionamento doentio?  De ver isso como normal? Ao aceitar um relacionamento abusivo, você se priva de conhecer o verdadeiro amor e tudo de maravilhoso que ele traz…o amor faz o bem ao outro, não o mal. Em questões comportamentais, principalmente quando se trata de relacionamentos, obras de ficção têm, sim, um grande impacto. Pode apostar que muitas mulheres flexibilizarão seus limites por terem visto algo de “bonito” e “excitante” no relacionamento de Anastasia e Christian Grey.

Anastasia submete-se ao mais degradante, para não perder Christian. E tenta compreender o incompreensível, dizendo que ele sofre, se esconde em suas sombras… Desculpe, mas depois de conhecer as histórias reais das mulheres no Projeto Raabe, eu não consigo ver nenhum lirismo nisso. Isso não é submissão. Isso não é bonito. Anastasia não está feliz com o relacionamento, sente-se usada, sente-se mal, sente-se culpada e há um esforço por parte dele em tentar fazer com que ela se livre do sentimento de culpa. E a autora mostra tudo como se fosse lindo, como se fosse amor, como se fosse legal e prazeroso.

”Não desperdice sua energia em culpa, sentimentos de injustiça, etc. Nós somos adultos responsáveis e o que nós fazemos a portas fechadas está entre nós. Você precisa liberar a sua mente e escutar o seu corpo.”

Isso é uma tremenda enganação. Vai acreditando que “liberar sua mente e escutar o seu corpo”, fazendo qualquer coisa, não terá consequências. Sim, somos adultos, e por isso mesmo devemos pensar, e não agir por instinto, por emoção, não devemos nos guiar por sensações e por nossa mera vontade…se começarmos a agir assim – e é o que o mundo nos cobra – nos transformaremos em seres bestiais. Parece um quadro digno de ser pintado pelo diabo.

E eu vejo nisso o que a sociedade em geral tenta nos empurrar goela abaixo:

“ Siga o seu coração, querida, e por favor, por favor, tente não pensar demais sobre as coisas. Relaxe e aproveite. Você é tão jovem querida, você tem tanto para experimentar, apenas deixe acontecer.”

Amiga, faça isso e se encrenque pelo resto da eternidade. Me parece a própria voz do diabo, dando a receita para um futuro infeliz. Sim, siga o seu coração, não pense, relaxe e aproveite. E estatele-se ao cair do precipício. Sim, porque é para lá que o “siga seu coração e não pense” nos leva, pode crer. Mas Hollywood e toda a conspiração do entretenimento emburrecedor insiste nessa tecla infinitamente.

O livro  ilude e tenta romantizar o que na vida real não tem absolutamente nada de romântico.  E eu me pego pensando que já temos porcarias demais no mercado literário e na cabeça das pessoas para que precisemos desse tipo de coisa. São mais de quatrocentas páginas, amigos. Quatrocentas e oitenta páginas do seu tempo, que não voltam mais. Tenho certeza de que você tem coisa mais importante para ler em 480 páginas. Se tiver bom senso, passe longe desse livro. É o melhor conselho que posso dar.

Agora temos uma porção de garotinhas (e mulheres mais velhas também, por incrível que pareça) suspirando pelo fictício Christian Grey, sonhando com  chicotes, espancamentos e sessões de sexo selvagem e vazio descritas como danças de polvos malucos que uma hora estão de pé, em outra estão de cabeça para baixo (já disse que simplesmente não consigo visualizar descrições longas). E eu prefiro nem pensar no que pior esse mundo ainda pode inventar, como novo “fenômeno literário”.

Vanessa Lampert

Para ler as resenhas arquivadas, Clique aqui. E para ler as recentes, clique aqui.

PS: Falando em “coisas melhores para ler”, me lembrei de um livro (que muitos de vocês sabem que é um de meus preferidos) que fala de amor de verdade e é extremamente bem escrito. Se você ainda não leu o “Amor de Redenção”, dê uma lida na resenha,clique aqui para ler.

Originalmente publicado no blog Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.

Eu mereço ter dinheiro!

Pegando carona no assunto da minha colega de quintas-feiras Patrícia Lages (com quem tenho aprendido bastante, a propósito :-) ), a resenha de hoje é sobre o livro Eu mereço ter dinheiro! (Editora dsop), de Reinaldo Domingos. Um livrinho curto, divertido e bem instrutivo. Apesar de ser direcionado a mulheres, a mensagem pode ser aproveitada por qualquer pessoa! E mais uma vez apelo, como sempre, aos homens inteligentes que nos leem: não sejam preconceituosos com “literatura feminina”. Vocês podem ajudar suas esposas, namoradas e futuras namoradas ao ler livros direcionados a elas, como o A Mulher V ou Eu mereço ter dinheiro (a menos que vocês gostem muito de ter mulheres que não saibam lidar com dinheiro, não saibam se valorizar, não queiram melhorar e não sejam dignas de confiança… :-) ).

Antes de falar sobre o conteúdo, devo confessar que o que chamou a minha atenção de longe foi a capa. Mais chamativa, impossível! Ela simula um espelho com o título “Eu mereço ter dinheiro!” escrito com “batom” que eu acho que é rosa choque e o Davison afirma categoricamente que é vermelho. Então, para não brigar com meu marido, digamos que o batom seja um vermelho com um discreto reflexo rosado…rs… Mas a capa é lindamente escandalosa.

O autor explica os princípios básicos para se conquistar uma vida financeira estável, com bom humor, usando como exemplos as mocinhas dos contos de fadas. Quando li isso na sinopse, meu lado ranzinza já pensou: “ih, deve ser uma bobagem…” Mas como meu lado ranzinza há muito perdeu espaço para meu lado feliz, saltitante e aberto a novidades, achei que poderia ser uma grande sacada, para alcançar até mesmo as garotas mais novinhas e consumistas ou as mais velhas e bem humoradas (como eu). E acertei na mosca! (Tadinha da mosca.)

Você nunca imaginou que Branca de Neve, Cinderela, Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho e suas amigas pudessem ter algo a ensinar sobre sua vida financeira, né? Elas são usadas de forma divertida, ilustrando os ensinamentos do autor. Ao ouvir isso, você pode achar que o livro parece infantil, mas não é! Aliás, Reinaldo Domingos tem livros infantis sobre educação financeira (ideia genial, se eu tivesse aprendido sobre isso na infância, teria evitado problemas sérios no meu casamento, anos depois), mas este livro, especificamente, é para mim e para você, mulher, não tente fugir e entregar para a sua sobrinha…rs…

Infelizmente, é muito pequeno o número de mulheres que têm independência financeira de verdade, porque o conceito de independência financeira pressupõe mais do que “ter o seu próprio trabalho e ganhar o seu próprio dinheiro”. Só é independente financeiramente a mulher que puder dizer que, se algo lhe acontecer e ela tiver que parar de trabalhar, ainda assim ela terá como manter seu padrão de vida hoje e no futuro. Ou seja, uma mulher que não dependa do marido, mas que tampouco dependa do trabalho para se manter. Uma mulher que tenha realmente dinheiro!

Uauuu…isso foi um soco no meu fígado, Reinaldo! Quantas mulheres podem dizer que são realmente independentes? E se você levar em consideração essa definição, verá que até mesmo as que optaram por ser donas de casa precisam de educação financeira, para ajudar seus maridos a alcançarem essa independência (ou pelo menos para não atrapalhar, instalando um ralo ligado a um buraco negro nas contas do casal).

Já contei aqui que eu tinha uma relação complicada com o cartão de crédito e descontava minha ansiedade em compras inúteis. Não comprava um monte de sapatos, nem bolsas, mas era doida por liquidação. De qualquer coisa. Desde camisetas e meias nas Lojas Americanas, até chocolates, cremes para cabelo, maquiagens e cadernos, muitos cadernos. Eu tinha um relacionamento 100% emocional com o dinheiro.

Mas não era apegada, não mesmo. Era tão desapegada que dava todo o dinheiro que eu tinha e que eu não tinha para qualquer loja que me entregasse uma bugiganga em troca..hahaha… Esse livro também trata desse tipo de problema,  lhe ensinando a ter uma relação mais racional com suas finanças. Ele fala em “amar seu dinheiro” não no sentido de fazer dele o seu deus, mas de não agir como se o odiasse (mal chega em suas mãos e você já quer passá-lo adiante). Aprender a ter uma relação mais racional é isso:

A partir de hoje, quando você passar pela vitrine de uma loja sem cair em tentação, saberá que está abdicando de ter uma bota de cano alto da grife do momento, por exemplo, porque está trocando um pequeno prazer imediato por um sonho maior e mais importante. Ou seja, você estará trocando a gratificação momentânea por algo melhor no futuro. Lembre-se: quando você se guia por impulsos, você erra!

Esse é o caminho que sempre funciona: renunciar, racionalmente. É um caminho doloroso, porque abre mão do prazer imediato por uma satisfação maior, mas que levará um pouco mais de tempo. É aquela velha luta que exercita nosso domínio próprio.

O que ele diz abaixo serve para diversas áreas da vida, desde o gerenciamento financeiro, uma reeducação alimentar, até a nossa vida espiritual! Leia isso quantas vezes precisar, saber colocar isso em prática pode fazer a diferença entre vencedores e perdedores:

Por isso, às vezes, é mais sábio ir pelo caminho mais longo para obter um sonho de consumo, sem se deixar influenciar por agentes externos, juntando o seu dinheiro primeiro para, então, de posse dele, fazer a aquisição desejada. Ao longo do processo de aplicação prática do que você está aprendendo neste livro, muitas pessoas vão lhe dizer que isso tudo é uma bobagem, que seu esforço não vai dar em nada. Suas colegas irão convida-la para praticar shopping-terapia em seus momentos de maior fragilidade, tentando desvia-la do caminho. Mas lembre-se!Os vencedores só são vencedores porque não perdem de vista uma coisa chamada resistência. Resista! Resista! E…resista!

Você está trilhando uma jornada pessoal. Ela é só sua! Ninguém mais poderá entender o que a move. Então, deixe as outras pessoas fora dela. As que realmente forem suas amigas e a amarem, certamente estarão ao seu lado lá na frente. Deixe que digam que você se tornou careta ou que anda meio desenturmada! Nada disso importa agora, porque, lá na frente, daqui a alguns anos, você estará bem de vida, e, talvez, muitas dessas pessoas que hoje a criticam não terão a mesma sorte. Se necessário, reveja seu círculo de amizades, os lugares que tem frequentado e os produtos que anda consumindo. Será que essas escolhas cotidianas realmente a fazem feliz, ou são apenas tentativas furadas de impressionar (a quem?) ou se sentir aceita (onde?)?

É tomar as rédeas da sua vida, se valorizar, assumir suas escolhas, manter o foco e seguir em frente, rumo à inevitável vitória.

Vanessa Lampert

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PS: Me chamaram a atenção as ilustrações divertidas, economicamente espalhadas em algumas páginas, que dão um ar mais leve ao livro. Beeem antigamente, era comum encontrar ilustrações em livros adultos, hoje o trabalho desses profissionais nem sempre é valorizado. Ponto para a editora dsop, que investiu no trabalho da  ilustradora Luyse Costa.

PS2: Todo mundo já sabe como faz para que sua foto apareça ao lado do comentário? Quem ainda não fez e quiser fazer, clique aqui e siga as instruções do post :-) Mas não é obrigatório, obviamente, pode comentar em paz sem foto…rs…

Originalmente publicado no blog Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.

Gatinho para adoção no Rio de Janeiro

fussolini

Essa criaturinha minúscula é o Fussolini, seus irmãozinhos já conseguiram um lar, agora é a vez dele :-) A empregada de minha amiga Claudia Letti conseguiu salvar uma ninhada que a vizinha ia “jogar fora”. A mulher já estava saindo com os gatinhos, foi por pouco…como tem gente ruim nesse mundo, viu? Depois não sabem por que as coisas ruins acontecem. O ser humano tem responsabilidade sobre os outros seres vivos. Crueldade e irresponsabilidade jamais atrairão algo de bom, não é verdade?

427884_437732156284375_1017959030_nFussolini é um gatinho alegre, brincalhão e carinhoso, mal deve ter dois meses. É um bebê. Bebês gatinhos são engraçados, bonitinhos, mas não são de brinquedo. Fussolini vai crescer e se tornará um gato lindo, grande amigo de quem tiver a sorte de adotá-lo.  Marcará para sempre a vida de quem conviver com ele. Quem sabe você esteja diante de seu futuro amigo, de seu gatinho especial?

Conosco aconteceu assim. Nosso primeiro contato com o Tiggy foi através de um anúncio de blog. Como Fussolini, ele havia sido abandonado ainda bebê. O Davison se apaixonou pela foto daquele gatinho orelhudo e adotamos o meu grande amigo felino, o gato mais carinhoso do universo, e em dezembro fará oito aninhos! A Claudia Letti, que está hospedando o Fussolini, foi quem me doou a Ricota, em 2005. A ela eu devo minha amiguinha desmiolada.

Se você está no Rio de Janeiro, quer um gatinho e gostou do Fussolini, mande um email para claletti@gmail.com

fussolini2Se você não pode adotá-lo, pode ao menos divulgar! Você pode fazer a diferença na vida desse bichinho e na vida de alguém que terá a alegria de ter a companhia dessa fofura pelos próximos vinte anos! Divulgue este post e ajude o Fussolini a encontrar seu humano particular! :-)

Veja, em raro momento de honestidade

O título do vídeo é autoexplicativo: “Propaganda de 2003 mostra leitor de Veja como idiota manipulável”. Ainda estou um pouquinho impressionada com o grau de realismo que enxergo nesta peça publicitária e com o fato de ninguém ter percebido o potencial ofensivo a um possível futuro leitor. Impressionada.

Se o vídeo abaixo não abrir, clique aqui para assistir no Youtube

Já falei de outro momento de honestidade da Veja, assumindo que acha o leitor idiota e manipulável. Clique aqui para ler.

The Love Walk 2 – A missão

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Como tivemos uma boa experiência com a primeira edição da Caminhada do Amor, ficamos bem animados ao saber que teria uma segunda edição ainda este ano. Confesso que cheguei a pensar que a conversa seria mais rápida, já que o último The Love Walk  foi há meros sete meses, mas a impressão que eu tive é que desta vez conversamos mais – e melhor.

Tive muito mais facilidade em responder até mesmo às perguntas mais complicadas. Estou convicta de que esta segunda edição foi ainda mais proveitosa por já termos participado da primeira. (Mal posso esperar pela terceira!…rs…) O Love Walk não me ajudou apenas a conhecer melhor o meu marido, mas a mim mesma. Da mesma forma, ele me conheceu melhor, e também fez um exercício de autoconhecimento. Foram três horas de uma conversa franca, agradável e profunda. Ainda melhor do que da primeira vez (quando me senti uma mulher das cavernas, que mal conseguia se abrir, dizendo “uga…buga”, batendo um pedaço de osso no chão…argh).

Você tem a oportunidade de trazer o outro para mais perto do seu mundo…ainda que acredite que vocês estão suficientemente unidos, vá por mim: uma experiência dessas lhe mostrará o quão mais próximos vocês podem estar. Não conheço nenhum casal mais unido, amigo (e grudado) do que eu e o Davison, e mesmo assim, terminamos a caminhada infinitamente mais íntimos do que começamos.

As perguntas do kit são simples, mas não subestime o resultado de uma caminhada dessas, quando se leva em conta o conjunto perguntas+regras+disposição. Entre as regras, não ficar na defensiva, não acusar, deixar o outro falar (e ouvir atentamente) e manter o tom positivo.

Um dia fantástico… Como disse o Davison, aparamos novas arestas. E vamos assim, com um relacionamento redondinho, cumprindo todos os acordos que fizemos hoje. O progresso que tivemos em uma tarde de diálogo direcionado, provavelmente demoraria meses – ou anos – para acontecer sem comunicação. E olha que nos comunicamos bastante! Mas não sei explicar, estar ali só para isso, com esse foco, uma lista de perguntas a seguir, com regras, sem brigas, com tolerância e amor, cria as condições ideais de temperatura e pressão para que as coisas se desenvolvam.

Objetivos alinhados, arestas aparadas…entendemos as raízes de problemas que não tínhamos identificado antes e saímos do Ibirapuera com a convicção de que conseguiremos superar todos os desafios, com a ajuda um do outro. Tenho certeza de que subimos mais um degrau em nosso relacionamento, que só tem melhorado desde que nos tornamos alunos da Escola do Amor. Agora sei em que posso ajudá-lo. Agora ele sabe em que pode colaborar comigo. Somos um time mais forte, mais unido e – certamente – mais vitorioso.