Diálogos Insanos – A profunda modéstia

Davison me deu uma ideia genial para resolver um problema. Comecei a colocar em prática e realmente funcionou. Então eu tive que dar o Feedback:

– Puxa, amor, deu certo! Muito obrigada! Você é muito inteligente! – E ele:

– Eu sei. Você também, porque você me ouve.

 

—–

Levando em consideração que há pouco tempo tivemos uma conversa em que eu dizia que ele precisava reconhecer melhor suas qualidades, acho que ele está aprendendo direitinho…kkkkk

Ps: Esposas inteligentes elogiam seus maridos. Se você elogiar seu marido quando ele fizer alguma coisa que você goste, a probabilidade de que ele volte a fazer alguma coisa que você goste é muito maior. Então, não economize elogios. :-)

Elogio

Ser direta para ganhar um elogio do marido é uma boa estratégia. Ao cortar o cabelo, perguntar “cortei o cabelo, ficou bonito?” é mais eficiente do que esperar que ele repare. Mas é importante saber que não dá para controlar em qual embalagem o elogio virá…rs.

Dia desses fomos à feira, o tiozinho cobrou oito Reais por um coco – três a mais do que na semana anterior. Nos olhou dos pés à cabeça e falou o preço duas vezes. As outras barraquinhas, com o preço anotado, pelo menos são mais justas nesse aspecto, você sabe o preço exato do negócio e pode até pechinchar para ele diminuir, mas não corre o risco do feirante aumentá-lo loucamente e fazer um preço para cada cliente, com critérios que só ele conhece.

Apesar disso, foi um agradável iniciozinho de manhã, nos divertimos do nosso jeito de casal velhinho (porque temos oitenta anos de casados, vocês sabem), compramos raízes tuberosas, comemos pastel (apesar do glúten) e tomamos caldo de cana. Ao chegar em casa, me olhei no espelho e – momento raro na vida de uma mulher – gostei do que vi. Querendo ganhar um elogio, fui direto ao ponto:

– Estou bonitinha, né? – E o Davison:

– Você está tão bonita que até inflacionou o preço do coco!

 

Da série “A mente masculina, na prática”

trono

Eu, pensando profundamente a respeito de não querer fazer o que qualquer um pode fazer, de querer criar coisas novas e extraordinárias, determinei, em voz alta:

– Eu vou fazer aquilo que ninguém mais pode fazer, só eu. – Ao que o Davison prontamente respondeu:

– O quê? Ir no banheiro?

A lição de hoje é: homens nem sempre estão prontos a pensar em coisas profundas e cheias de significados existenciais. É claro que eles são capazes disso, mas a programação normal é pensar que você está falando de coisas triviais e mundanas. Uma mulher pegaria o assunto no ar e poderia tentar imaginar milhões de possibilidades para o que eu estava querendo dizer. Aliás, a maioria das mulheres tem essa coisa do “o que será que você quis dizer com isso” (eu não tenho muito). Homens geralmente só querem dizer aquilo que eles dizem. E só entendem o que dizemos. Logo, se eu quisesse manter essa conversa em um nível masculino, primeiro precisaria fazer uma introdução. Do tipo:

– Amor, eu estava pensando nos meus planos para o futuro e na minha forma de lidar com as coisas no meu trabalho e agora, mais do que nunca, eu não aceito fazer o que qualquer um pode fazer, não aceito fazer nada mais ou menos. Quero criar coisas novas e extraordinárias e, por isso, já determinei que vou fazer aquilo que ninguém mais pode fazer. Vou me desafiar. Não tenho medo de assumir grandes desafios.

Aí provavelmente ele se empolgaria e entraria no assunto. (Ou diria: “É isso aí!” rs) É, mulher, se nossas conversas são textos, homens são como leitores. Várias vezes já chamei um redator para conversar a respeito de um texto que não ficou muito claro. Pedia que o explicasse e ouvia uma explicação bem clara a respeito do trecho dúbio. Então perguntava se ele iria estar ao lado de cada um dos leitores para explicar aquilo. Não, né? Então, o seu texto tem de ser autossuficiente. E se tornou uma máxima que qualquer pessoa que escreva precisa ter em mente: “o leitor não está dentro da sua cabeça”. Da mesma forma, sinto informar: o homem, infelizmente, não está dentro da sua cabeça e é incapaz de adivinhar o que você quis dizer se você, de fato, não disse. :-)

 

 

PS: A leitora Laianne sugeriu que eu fizesse uma série “A mente masculina, na prática”. Boa ideia, Laianne. Vou adicionar à série “Diálogos Insanos“. Acho que material não vai faltar. :)

 

A mente masculina, na prática…

Hoje meu marido foi ao supermercado e depois à Pet Shop enquanto eu fiquei em casa trabalhando. Então, mandei uma mensagenzinha de celular, que pretendia ser romântica, para que ele soubesse que eu estava pensando nele:

– Você sabia que tem uma moça de Campo Grande que é apaixonada por você? Ela disse que pensa em você o tempo inteiro.

Ao que ele respondeu:

– Vixi… tô indo pra Cobasi. :-*

 

Cheguei a cogitar a hipótese de ele ter achado que era uma moça aleatória, uma Góia qualquer. (Góia= apelido carinhoso para “lambisgóia”. E sim, eu sei que não tem mais acento, mas uso mesmo assim.) Mas achei a possibilidade um pouco absurda demais para cogitar. Era ÓBVIO que eu estava fazendo uma brincadeirinha, falando de mim em terceira pessoa. Era óbvio…

Bem, eu entendi que ele estava no trânsito indo para a Pet Shop e não poderia responder, então fiquei esperando que me enviasse uma resposta mais apropriada. Muuuito tempo depois, recebo:

– Vou sair daqui agora. Me ajuda a subir as compras quando eu chegar? :-) :-*

Hahahahahahaha…. Claro que fui ajudar a subir as compras quando ele chegou…rs. Quer saber por que ele respondeu daquele jeito? Achou que alguma guria desmiolada de Campo Grande tinha mandado um e-mail para mim “falando aquelas coisas”. Só se deu conta de que eu estava falando de mim quando eu comentei…rsrs… E olha que o Davison é SUPER inteligente e muito mais ligado do que um homem comum (ele até percebe quando eu faço alguma coisa no cabelo…rsrs).

Se eu fosse uma mulher sem entendimento do funcionamento da mente masculina, talvez ficasse chatada por ele ter ignorado minha declaração e minha brincadeirinha…que marido insensível! Mas homens são desligados, mesmo, e nem tudo o que é óbvio para você, mulher, é óbvio para o seu marido. Aliás, parta do princípio de que NADA é óbvio e comunique tudo. E quando ele não entender, ou ignorar, comunique de outra forma. :)

E por favor, né? Vou ficar chateada com o quê? Mandei um e-mail para o meu marido dizendo que tinha uma mulher apaixonada por ele e ele a ignorou solenemente, sem demonstrar interesse algum! UAU! Ponto para ele! … E para mim. :-)

 

Diálogos Insanos – Sabedoria

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Imagem: Leo Cinezi

Davison, em um momento de seriedade extrema, durante uma conversa sobre produtividade, liderança e empreendedorismo:

– O trabalho bem feito você tem que procurar para ver. Já o trabalho malfeito é bem fácil de ver. Ele vem, dá um tapa na tua cara e sai correndo dando risada. Muitas empresas investem em procurar defeitos para resolver, mas as empresas que se saem melhor são aquelas que valorizam as pessoas que estão fazendo o trabalho bem feito. Tão importante quanto resolver os problemas é valorizar os pontos que já são fortes. Porque algumas pessoas estão fazendo certo, mas os olhos estão todos naquilo que está errado, então quem faz o certo pode se sentir desestimulado.

– Você é uma pessoa muito sábia, Davison.

– Por quê?

– Porque você fala coisas muito legais.

– Ele responde, voltando ao normal:

-Eu tenho um estoquezinho de coisas legais dentro de uma gavetinha. De vez em quando eu tiro uma e dou para você. O resto do tempo, fico quieto para parecer sábio.

 

PS: Para mais Diálogos Insanos, clique aqui.

PS2: Decidi ressuscitar essa categoria, porque todos os dias surgem diálogos memoráveis que merecem ser guardados para a posteridade e divulgados internacionalmente, para rabiscar nossa biografia com giz de cera.

 

Diálogos insanos – elogios

Davison inicia o assunto, ao se deparar com uma atitude minha que o surpreendeu:

– Foi muito sábio isso.

– Pois é, nem sei como eu pensei nisso.

– Estou muito impressionado, que ultimamente você tem feito coisas muito inteligentes.

– …

– Quero dizer, você tem feito coisas inteligentes com bastante frequência, uma atrás da outra.

– …

– Isso foi um elogio!

—-

Hahahahahahaha….lembra a minha mãe, quando eu ainda estava namorando à distância e fui mostrar a ela o kit-Davison, para convencê-la de que ele era um cara legal: o seus textos no blog, seus cartuns e um arquivo de áudio com ele cantando “If”, do Bread e “Annie’s song”, de John Denver. Achei que ela ficaria tão impressionada quanto eu, ao perceber que eu havia encontrado um rapaz que gostava de fazer exatamente o que eu também gostava de fazer: escrever, desenhar e cantar! Ela, que sempre foi minha fã número um, me surpreendeu com o comentário espontâneo:

– Puxa, Vanessa! Tudo o que você faz ele faz melhor!

Hahahaha…e os dois são tão parecidos que às vezes desconfio que ele é o filho dela, e não eu.

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Diálogos Insanos – O romantismo

Quem começa o diálogo é o Davison, me alimentando enquanto eu trabalho, um fofo:

– Trouxe seu lanchinho, cuidado para não derrubar.

– Obrigada, amor…

– De nada, amora!

-… Meu grande amor…

– Minha grande amora…

amora ???

Não sei por que, mas eu não achei a imagem muito elogiosa…

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Dia da pizza

Diálogo ocorrido há quinze minutos:

Eu chego na sala, após ler isso no Twitter (com o delay de sempre), Dave está  deitado no sofá, assistindo TV:

– Amoor, sabia que hoje é o dia da Pizza?

– É? Dia da pizza?

– Pois é, e a gente nem ligou para ela para parabenizar. (sorrisinho de quem acredita que ele captou o recado da brincadeirinha infame)

– Não tem problema, amanhã a gente liga para ela.

… não desisto assim tão fácil:

– Mas ela não vai ficar chateada?

– Não, ela vai entender.


Isso é o que dá conviver com pizzas compreensivas. Em pleno dia da pizza, eu comi sanduíche de rúcula com tomate e ovo frito.


PS: Justiça seja feita: no início da noite ele me fez uma surpresa, trouxe uma torta mesclada da Bella Gulla (beijinho com brigadeiro…ou como se diz aqui no Sul: branquinho com negrinho…risos…). Mas isso me impede de querer uma pizza no final da noite?

Da série: Diálogos Insanos

Davison está incontrolável hoje. Uma vez por mês (ou menos) ele fica com vontade de comer carne. Hoje foi um desses dias e agora tem um pedaço de bicho morto (ok, sorry) na panela de pressão, e ele chegou com uma cara muito estranha (eu devia ter desconfiado!!! É cara de quem está tendo uma crise de trocadilho! Ele tem Transtorno de personalidade trocadilhesca):

-Que pena que você não vai comer a carne de panela.

-Não precisa ficar com pena, não, amor, não estou sofrendo, eu não como carne.

Então ele se revelou, como um psicótico alucinado que saca seu punhal com cara de maluco para atacar sua vítima distraída:
-Mas…e se eu assar um CONTRA filé??? Ou se eu cozinhar um VAZIO???

Eu já estou acostumada com a obsessão dele por trocadilhos infames e até me contaminei com isso, já que não consigo falar ou pensar em algo com potencial trocadilhístico sem me sentir obrigada a fazer a piada. Para fechar com chave de ouro, ele completou, antes de sair:

– Mas não se preocupe, porque eu vou deixar o coxão de fora.

Da série: Diálogos Insanos

– Por que você comprou marshmellow?

– Porque lembrei que você gosta de marshmellow.

– Não sou eu que gosto de marshmellow, é você!

– Ah, é? Sou eu?

– É!

– É que nós dois somos um, nós somos a mesma pessoa, então eu nunca sei quando sou eu e quando é você.

PS: Não é que eu odeie marshmellow, se um marshmellow se jogar em minha frente eu como, mas até onde me lembro, meu digníssimo esposo sempre foi alucinado por marshmellows. O estranho foi ele me trazer, todo sorridente, um copo cheio de marshmellows e não ter pego nenhum para ele. Ok, faz uns três anos que ele não compra, nem come marshmellows, mas isso não é o suficiente para esquecer, é?

Diálogos insanos de um casal apaixonado

-Engraçado, meus olhos eram mais separados.

-Sua auto-imagem é que é distorcida, seus olhos são bem menos separados do que você fez na bonequinha.

-Eu sei, mas antigamente eles eram mais separados. Que estranho. Como eles se juntaram? O que será que aconteceu?

-Não foram eles que se juntaram, foi sua cabeça que cresceu ao redor deles.

Posted by Vanessa Lampert

Diálogos insanos a qualquer hora – parteI

– Olha, amor, chegaram ao meu blog procurando por: qual ônibus pego para chegar ao hospital moinhos de vento? Assim, com interrogação no final.

– Coitada…a pessoa que entra no seu blog para tentar se encontrar é porque está muito perdida!

Hahahahahahahahaha…..depois ele ainda tenta consertar, dizendo: – Isso levando-se em conta o seu senso de localização geográfica….

Posted by Vanessa Lampert