O Resgate

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O Resgate é um daqueles livros da igreja que você pode achar que não têm a ver com o seu caso, afinal de contas, você nunca se afastou da igreja e, portanto, não precisa de resgate…ou precisa?
Aprenda uma coisa a respeito dos livros da Universal: a maioria serve para todo mundo rs. É claro, existe um público-alvo prioritário, mas se você — como eu — adotar como princípio básico ler todos os livros da igreja, independentemente de fazer ou não parte do público-alvo aparente, pode ter certeza de que vai se beneficiar. Foi assim com Crentes Possessos (oi? Eu não sou uma crente possessa, mas o livro fala sobre fé e me ajudou muito) e com Namoro Blindado (estou casada há um milhão de anos, mas o livro me ajudou até em questões de autoconhecimento), por exemplo.

O Resgate declaradamente inclui três públicos em seu alvo:
1 – Aqueles que estão fisicamente afastados
2 – Aqueles que não se afastaram fisicamente, mas estão perdidos dentro da igreja
3 – Aqueles que estão firmes e querem se blindar contra o afastamento

O livro ajuda a entender todo o processo de afastamento e como a pessoa pode retornar e se firmar, inclusive com explicação detalhada sobre Novo Nascimento. É uma excelente ferramenta tanto para quem está procurando ajuda quanto para quem quer se equipar para ajudar outras pessoas. O Bp. Sérgio usa uma linguagem de fácil compreensão e comparações que ajudam a fixar melhor os conceitos.

Leitura super recomendada para o Jejum de Daniel — ou para qualquer época da vida.

Para concluir, vou deixar dois trechinhos do livro:

“Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e fazei-vos um coração novo e um espírito novo; pois, por que razão morreríeis, ó casa de Israel? (Ezequiel 18.31)

Note que Ele orienta a pessoa a fazer para si um coração novo e um espírito novo, ou seja, há uma parte no processo de reconstrução interior que é tarefa do próprio ser humano. Essa parte é o sacrifício de nossas vontades, pecados e hábitos que nos afastam de Deus. Por mais que em alguns momentos isso pareça difícil, não é impossível. É difícil, mas é praticável, caso contrário Ele não nos pediria para fazer. Por isso, persevere.
Em outro trecho bíblico, Deus promete:

“Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o Meu Espírito, e farei que andeis nos Meus estatutos, e guardeis os Meus juízos, e os observeis.”
(Ezequiel 36.25-27)

Esta é a parte de Deus. Ele é o que nos purifica. Ele tira de nós o coração de pedra e nos dá um novo coração e um novo espírito. Se fazemos nossa parte, sacrificando nosso velho coração, Ele faz a parte dEle, colocando dentro de nós o Seu próprio Espírito e fazendo com que consigamos guardar Sua Palavra e andar em Seus estatutos. É uma parceria que funciona.

Por isso, não faz sentido o medo de não conseguir obedecer ou de não ser forte para resistir ao pecado. Você não precisará fazer isso sozinho. Como todos os milagres, o novo nascimento é um milagre operado pelo próprio Deus em parceria com o ser humano. Não é na força do seu braço, mas pelo braço forte dEle, que você conseguirá ser, finalmente, uma nova criatura.”

[…]

“4. Pensamentos: Essa é outra entrada muito larga para a enfermidade espiritual. O diabo faz você pensar o que não era para pensar (ou deixar entrar pensamentos que não deveriam entrar). Depois de tudo o que foi dito sobre pensamentos neste livro, você já sabe como fazer para não permitir que os pensamentos ruins se instalem em sua mente. Não se esqueça de fazer o checklist de Filipenses 4.8. Todos os pensamentos negativos devem ser rechaçados, mesmo as mínimas coisas negativas. Quando a pessoa descuida dos pensamentos, eles se tornam a maior porta de entrada para a enfermidade espiritual. Tome cuidado triplicado.

Se você deixar o diabo sentar no ombro e começar a falar na sua mente, ele fará a festa. Você acha que é um pensamento seu, mas é uma palavra do diabo. É só testar: se o pensamento coloca você para baixo, acusa, gera medo ou ansiedade, ele seguramente vem do diabo. Se você não vencer seus pensamentos de dúvida, vai ficar na igreja como peça decorativa, sua fé será inoperante. Quando há dúvida a pessoa fica parada, mas não há razão para ficar parado. Se algo que você fizer der errado, aprenda com o erro para ir adiante. Não fique parado olhando para o passado, culpando a si mesmo ou questionando suas atitudes para se torturar. Não dê ouvidos aos pensamentos negativos. Procure fazer com que seus pensamentos estejam 25 horas por dia em Jesus e você não dará lugar ao diabo.”

PS. Acho que você encontra este livro em qualquer igreja Universal, principalmente nas catedrais. E online no site Arca Center (impresso e epub) e na Amazon (ebook para kindle).

PS2. Para variar, como acontece em todo Jejum de Daniel, comecei a ter problemas técnicos no gerenciador do blog e hoje só consegui postar via celular, então não sei como vai sair esta postagem.

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#JejumdeDaniel

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Estamos em uma jornada de 21 dias de jejum de informações e entretenimento chamado Jejum de Daniel, de 6 a 26 de agosto. Durante esses dias, os posts no blog serão voltados exclusivamente para o crescimento espiritual. Leia este post para entender melhor.

** Para quem não acompanhou ou para quem gostaria de rever os posts das edições anteriores do Jejum de Daniel neste blog, segue o link da categoria: http://lampertop.com.br/?cat=709 .

Casamento Blindado 2.0

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No lançamento da primeira edição do livro Casamento Blindado (Ed. Thomas Nelson Brasil), já ficou claro que esse não seria só mais um livro sobre relacionamentos. A fila na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, a maior livraria do país, dava voltas e mais voltas. Todo mundo com no mínimo um exemplar nas mãos, esperando a assinatura dos autores e apresentadores do programa The Love School (na Record TV), Renato Cardoso e Cristiane Cardoso.

Casamento Blindado 2.0 é a segunda edição, revista, atualizada e ampliada desse mega-seller. É o mesmo Casamento Blindado de que a gente já gostava e que funciona, mas melhorado e aumentado. Os pontos-chave do livro permanecem lá, alguns pouco modificados e outros mais explicados, para facilitar a compreensão, mas a abordagem continua sendo racional e bem embasada.

Os assuntos que mais geram brigas e discussões ganharam espaço para ajudar ainda mais os leitores. Novas dicas sobre como criar os filhos e sobre como lidar com filhos de outros relacionamentos, orientações sobre  finanças, sobre o papel da mulher e sobre diferenças de personalidade, ampliação do capítulo “Sexo”, novas ferramentas, inclusive uma sobre redes sociais, entre outros assuntos, fazem desse livro um manual ainda mais completo que a versão anterior.

O livro marcou presença constante nas listas de mais vendidos por anos. Mais de três milhões de exemplares foram vendidos e ele é, ao mesmo tempo, um mega-seller e long-seller. Mas o melhor não é contar os números e ver o nome da obra em listas de mais vendidos. O melhor, mesmo, é ouvir de casais que o que aprenderam ao ler mudou sua maneira de lidar com o casamento e restaurou a família. Não consigo nem explicar o que é, para quem cresceu com pais separados, ver casamentos fracassados se transformarem em relacionamentos saudáveis e felizes.

Quantas iniciativas deste mundo têm trabalhado para restaurar famílias? Sinceramente, acho que nenhuma. O casamento hoje em dia é desacreditado e descartável. E o mundo pinta como se fosse tudo tranquilo, como se divórcio não trouxesse consequência.

Ninguém aprende a escolher direito antes de casar (pelo contrário, o discurso é que “o amor é cego”…), ninguém aprende o que fazer para construir um relacionamento sólido e feliz (as pessoas acham que isso tem que cair do céu), ninguém recebe educação amorosa e, depois, quando o troço desmorona por falta de cuidado, a culpa é de quem? Do casamento!

Típico do ser humano: faz tudo errado, age sem usar a cabeça e depois joga a responsabilidade sobre qualquer coisa ou pessoa que não ele mesmo. Mas Casamento Blindado ensina a aplicar o conceito do Amor Inteligente, que é o amor baseado naquilo que as pessoas escolhem fazer conscientemente, e não em seus impulsos irracionais (que mudam ao sabor dos hormônios).

O Amor Inteligente assume responsabilidade. O problema não é mais da sogra, do marido, da esposa, da cunhada, da avó, do papagaio ou do hamster da vizinha. O problema É MEU e eu é que tenho de resolver. Assumir responsabilidade e agir com base em escolhas conscientes em vez de viver pela emoção é o que diferencia pessoas maduras de pessoas imaturas. Casamento Blindado trouxe essa maturidade aos leitores que decidiram colocar em prática os princípios do livro.

E, na minha opinião, o que aprendemos ali nos ajuda tanto no casamento quanto em qualquer relacionamento interpessoal — e até no relacionamento com Deus. Porque entender a diferença entre o amor verdadeiro e o amor pirata, por exemplo, muda tudo. Você consegue entender melhor o que é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo e aprende a alimentar esse amor. Se torna uma pessoa mais justa e seu umbigo não é mais o centro do universo. Só por isso, eu já o consideraria um serviço de utilidade pública.

O livro Casamento Blindado 2.0 é para casados e solteiros, tanto para quem já leu a primeira edição quanto para quem ainda não leu. É o que sempre digo: a gente muda muito com o passar dos meses e dos anos. Uma leitura feita hoje vai lhe dar uma visão diferente da leitura feita oito meses atrás, pois as experiências que vivemos muda nosso olhar e ampliam nossos horizontes. Por isso, livro bom relido não é perda de tempo, mas investimento de tempo. É aproveitar a oportunidade de aprender e melhorar.

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Ps. O livro está chegando às livrarias esta semana, mas já é possível comprar em algumas livrarias virtuais, vou colocar aqui os links de alguns sites em que já fiz mais de uma compra e sei que são confiáveis:

Amazon

Arca Center

Livraria Cultura

Livraria Saraiva

 

Diário de leitura – Habacuque

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No início do livro, Habacuque pergunta por que Deus lhe permite ver iniquidade, opressão e injustiça e não faz nada para resolver. Quantas vezes temos essa sensação de impotência diante da injustiça? Quantas vezes questionamos a Deus dessa forma? Quantas vezes temos vontade de perguntar, como ele: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e Tu não me escutarás?”.

Os questionamentos de Habacuque não eram de incredulidade, eles vinham de ele acreditar no caráter de Deus: “Tu és tão puro de olhos que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar. Por que olhas para os que procedem aleivosamente, e Te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?” (1.13). O que ele via não combinava com o que sabia a respeito de Deus. Se Ele é tão puro que não pode ver o mal, por que se cala diante da injustiça?

Essas questões duraram um capítulo. Depois disso, Habacuque não ficou se angustiando com o problema. Simplesmente apresentou suas perguntas e aguardou uma resposta, sem duvidar que ela chegaria. Ele age com Deus como agiria com uma pessoa visível. Quando perguntamos algo a alguém, esperamos a resposta, mas, com Deus, muitas vezes agimos como se Ele não existisse. Perguntamos e continuamos nos atormentando com aquele pensamento. Ficamos ruminando o problema como se tivéssemos feito uma pergunta ao vento. Enquanto falamos com nós mesmos, como ouviremos a Deus? Habacuque teve seu tempo de falar, mas parou para ouvir.

Já estava até se preparando para levar um puxão de orelha: “para ver o que falará a mim e o que eu responderei quando eu for repreendido” (2.1). A resposta de Deus, porém, foi de esperança. Pediu ao profeta que escrevesse a visão. Tudo se resolveria. As coisas têm um tempo certo. O que Deus tem a fazer, Ele fará. “Se tardar, espera, porque certamente virá.”

A resposta de Deus foi basicamente: Meu filho, Eu estou vendo. Espera, pois tudo se cumprirá.

E Ele realmente estava. Tanto que detalha o problema e diz que o orgulhoso acha que está se dando bem tentando construir sua vida à custa dos outros, mas, inevitavelmente, vai se dar mal. Deus manda Habacuque escrever para deixar claro o que não deveria ser feito, para que o ímpio tivesse consciência do erro. “Ai daquele que multiplica o que não é seu” e que constrói sua vida com sangue, com iniquidade. O fundamento da nossa vida tem de ser a justiça, a Palavra de Deus, ainda que, em alguns momentos, pareça que estamos perdendo ou nos dando mal. Se tentamos nos estabelecer (ou mesmo nos proteger) prejudicando os outros, estamos pecando e iremos colher destruição. Quem tenta se proteger do mal na força do seu próprio braço será alcançado por esse mal.

O profeta, que começou questionando a aparente imobilidade de Deus, termina falando da salvação, descrevendo a ira de Deus contra a injustiça. Nas palavras da oração de Habacuque, os montes tremeram, o sol e a lua pararam diante do poder e da indignação de Deus, que, marchando pela Terra, vem salvar Seu povo e ferir a cabeça da casa dos ímpios. O profeta, após ouvir a Palavra de Deus, reconhece (e descreve) a Sua grandeza e descansa na certeza de que Ele está ciente do que acontece e irá agir. Esse é o poder da Palavra dentro de nós: quando a absorvemos, ela muda completamente a nossa visão das coisas.

“No dia da angústia descansarei” (3.16). Habacuque mostra a grandeza de Deus, que já não está alheio ao sofrimento de Seu povo. Desde o começo não estava, mas aqui o profeta já percebeu que tudo estava sob controle e diz que mesmo que tudo pareça dar errado, ele continua confiando, se alegrando em Deus. E se refere a Ele como “o Deus da minha salvação” e como a sua força. Se no começo ele estava desesperançado, cansado e confuso, no final está confiante, fortalecido e feliz, pois aprendeu que “o justo pela sua fé viverá”. (2.4)

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.” Habacuque 3.17,18

Essa é a fé pela qual o justo viverá. A fé que independe das circunstâncias. Não está nem aí para o que vê ou sente. Se eu dependo de Deus, tanto faz se tudo parece bem ou se as coisas estão de cabeça para baixo. Tanto faz se está difícil ou fácil. Tanto faz se surgem ameaças ou se tudo está tranquilo.

Se a oliveira não der azeitonas, se você não colheu o que plantou, se não aconteceu o que esperava e se não viu o que queria. Você não muda seu comportamento com Deus. Continua feliz porque depende dEle e sabe em Quem tem crido.  Habacuque, em três pequenos capítulos, nos ensina a buscar as respostas em Deus, ouvi-Lo, confiar e descansar, sem dar a mínima para as coisas que pareciam muito importantes e dramáticas minutos atrás.

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* Estou lendo na versão Almeida Corrigida Fiel (ACF), a tradução em português mais próxima do texto original. Comprei nesse site aqui: biblias.com.br

PS: Claro, não dá para fazer Diários de Leitura de absolutamente todos os livros que leio, mas acho um exercício fantástico (e, principalmente com a Bíblia, vale muito a pena). Escrever enquanto leio dá trabalho, mas é uma boa técnica para meditar no que estou lendo. Leio bem mais devagar assim, mas, pelo menos, pego bem o espírito. Evita aquela leitura preguiçosa e obriga meu cérebro a manter a atenção e fazer conexões. É algo que gosto de fazer no Templo de Salomão, antes de começar a reunião, por exemplo. Ou em casa, depois (ou antes) de um dia agitado. Ou na sala de espera do médico rs. Um pouquinho por dia. O importante não é terminar rápido a leitura, mas aproveitar todos os capítulos. 😉

50 tons para o sucesso

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O que eu mais gosto no livro 50 tons para o sucesso (J.Edington, Ed. Unipro)  é o fato de ele servir para qualquer área da vida. Como o autor explica, sucesso é um conjunto de coisas. Ou você realmente acha que alguém que tenha dinheiro, mas não tem paz, seja uma pessoa de sucesso? Leia um trechinho da introdução, que explica bem o conceito de sucesso de que o livro trata:

“Sucesso é um conjunto de fatores. A maioria deles depende exclusivamente de cada um de nós. O que eu entendo por ‘sucesso’ é alcançar a excelência nas principais áreas da vida.

Ter estabilidade emocional e financeira, manter amizades saudáveis, ser feliz no casamento, ter um bom relacionamento com seus colegas, alcançar e superar suas metas, se manter progredindo…perceba que o sucesso é feito de verbos, de ação, de movimento. Sucesso não é um local de destino, é o processo, o desenvolvimento. Se realmente for uma pessoa de sucesso, você nunca vai achar que alcançou o sucesso pleno. Você sabe que é uma obra em andamento”

A proposta do 50 tons para o sucesso é justamente ajudar o leitor a desenvolver as principais características para conseguir iniciar o movimento em direção ao sucesso e se manter nele. São 50 capítulos, cada capítulo tem um tema diferente e todos eles se complementam. 

Neles, você vai aprender, por exemplo, o quanto a reclamação é nociva para o cérebro de quem reclama e o de quem ouve a reclamação, vai aprender a administrar melhor seu tempo, a se livrar da mania de ficar olhando para o passado, a respeitar mais a si mesmo e aos outros, vai aprender que acreditar em si mesmo não é opcional, receberá várias injeções de fé, entusiasmo e força, entenderá como é a revolta que funciona e em que ela é diferente da rebeldia, vai entender também por que não pode ser guiado por seus sentimentos, aprenderá a estar sempre em movimento, a ser firme em suas convicções, a não se fazer de vítima, a desenvolver seu raciocínio, a não fazer as coisas de qualquer jeito, a ser uma pessoa mais altruísta, ética e disciplinada, entre muitas outras coisas. Tem bastante conteúdo, mesmo, mas a linguagem é bem fácil e, por isso, a leitura flui muito bem. E, para melhorar, os capítulos são curtinhos. Dá para ler e ficar meditando no que leu, absorvendo o conteúdo sem se cansar.

Como ajudei na edição, não sei quantas vezes já li esse livro (muitas, tipo umas duzentas), mas vou começar a ler de novo (alguém me interne, por favor) porque a cada leitura aprendo alguma coisa diferente ou me lembro de algo que já havia esquecido. O mesmo acontece com Casamento Blindado, O Pão Nosso para 365 dias, A Mulher V e Cristianismo Puro e Simples e vários outros que estão em minha lista de preferidos ever, releio (clandestinamente, porque acho que se alguém souber que estou lendo de novo realmente vai me internar hahaha) porque quero internalizar e praticar absolutamente tudo o que está escrito.

Então, uma tarefinha para você, leitor: se tem esse livro em casa, comece (ou recomece) a ler hoje. Se não tem, adquira um exemplar ou pegue emprestado com alguém que tem (se puder comprar, é melhor, porque quando compramos um livro de que gostamos, damos condições ao autor e à editora de produzir mais) e também comece a ler. Vai abrir sua visão em muito mais aspectos do que você imagina.

Mais um trechinho:

“Aprenda uma coisa: não existe luta que demore a vida inteira, não existe dificuldade que nunca acabe. Por isso, vale a pena desenvolver essa força. Sim, porque a força interior pode ser exercitada, como a força física. Não importa se você não se sente forte. O que faz diferença é a sua decisão de se tornar mais forte. E não há outra escolha se quer ter sucesso e sobreviver neste mundo.

A força vem quando você exercita seu poder de decisão acima do sentimento. Você não espera sentir vontade para agir. Quando o médico lhe diz que você precisa fazer exercícios físicos, por exemplo, não pode esperar sentir vontade. Se esperar “sentir”, nunca vai sair de casa, afinal de contas, se exercitar ainda não é um hábito seu e qualquer mudança na rotina terá de ser feita na base do sacrifício. A solução é usar o poder da decisão.

[…] Forjai espadas das vossas relhas de arado e lanças, das vossas podadeirasdiga o fraco: Eu sou forte.” (Joel 3.10)

Não seria fácil transformar materiais de trabalho em armas de guerra e o fraco certamente não teria vontade de fazer isso. Mas, para fazer isso, o fraco deveria deixar sua vontade de lado, esquecer que estava se sentindo fraco e decidir ser forte. Ao agir, transformando suas ferramentas em arma, ele mostraria a força. Decisão e ação transformam fracos em fortes. Primeiro, por dentro. A mudança da situação exterior é apenas consequência.

O que você tem a perder?”

#JejumdeDaniel #Dia10

PS: Antes que alguém me pergunte, livro totalmente recomendado para o Jejum de Daniel.

O que Morri para Viver nos ensina

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O livro “Morri para viver” (Editora Planeta) conta a história da Andressa Urach, fora da ordem cronológica, dando pinceladas por toda a vida da moça, explicando quem ela foi e por que ela se tornou aquela pessoa. O que ela conta que viveu é a realidade de muitas meninas. Ela resolveu se transformar em femme fatale para encobrir sua insegurança e seu desconforto com o próprio corpo.

A mãe separou do pai e Andressa foi criada em uma família desestruturada. Foi abusada pelo avô de criação e cresceu revoltada e traumatizada. As brigas com a mãe eram constantes, pela imaturidade das duas. Como diz a Bíblia, um abismo chama outro abismo. Em pouco tempo, a menina se envolveu com drogas, com más companhias e depois se afundou nas festas e na prostituição.

Me chamou atenção a forma como ela entrou na prostituição. Não foi de uma hora para outra, mas de uma forma muito gradual, para que ela tivesse a ilusão de que teria algum controle da situação.  É assim que o diabo faz, ele manipula aos poucos, fazendo a pessoa achar que está tendo liberdade, enquanto, na verdade, está sendo induzida e escravizada.

Andressa se tornou escrava. Escrava do mundo, escrava de suas vontades, escrava de seu temperamento, escrava de suas escolhas erradas. Fez dezenas de intervenções estéticas, mudou seu rosto e seu corpo para se tornar um produto melhor. Ela se transformou em um produto. Em um objeto. Todo aquele seu desespero para aparecer era uma estratégia para se manter exposta na vitrine da mídia, como um produto de consumo no mercado da prostituição. A exposição aumentava seu valor de mercado.

Algumas pessoas têm desprezo por mulheres que vendem seu corpo. Eu tenho profunda compaixão. Não consigo acreditar que alguém se sinta feliz ao se posicionar no mundo como um pedaço de carne, como um objeto para ser usado, saindo com desconhecidos, se expondo a perigos absurdos. Principalmente porque ninguém vê essas mulheres como seres humanos com dignidade, ninguém as respeita (nem elas mesmas). Elas são usadas e desprezadas como lixo. São compradas e vendidas. A admiração que recebem também é ilusão. No fundo, ninguém as quer. Podem até querer seus corpos, mas não a elas, de verdade. E, para manter a atenção e o dinheiro, elas aumentam a apelação. E quanto mais apelam, mais são desprezadas e desvalorizadas.

Talvez por isso muitos tenham visto a conversão de Andressa como um escândalo. Na cabeça dessas pessoas, mulheres como a Andressa existem para serem usadas, ridicularizadas e descartadas. Elas são lixo. E, então, Deus mostra que não enxerga essas mulheres como a maioria as enxerga. Deus mostra que elas não são lixo, elas são preciosas. Ele as tira do meio da lama e as transforma em princesas, em filhas do Rei.

Esse é o caráter de Deus. Ele não usa ninguém. Ele as respeita e as reintegra quando clamam por Ele. Ele as quer, de verdade, por quem são, sem se importar com o que já foram.

O livro da Andressa Urach escancarou a realidade do “mundo dos famosos”, do jornalismo de celebridades e de grande parte da indústria do entretenimento: há uma grande vitrine. O jornalismo faz cafetinagem sem saber (sem saber? Será?) e muitas meninas estão sendo atraídas pelos holofotes sem saber que estão caminhando para o matadouro. “Morri para viver” escancara essa realidade e desmascara a estratégia usada para roubar e destruir a vida e a inocência de muitas meninas que se espelham nas Andressas Urachs da vida.

Além de ser um exemplo de superação e um testemunho do poder de Deus, ainda serviu para jogar uma bomba no negócio lucrativo do mal, que arrastava muitas meninas para a destruição. Pelo menos agora está bem claro no que elas estão se metendo. E, para nós, dá um panorama impressionante do que se passa dentro de uma mulher que se permite entrar nesse mundo.

Escrevi, quando comprei o livro: “Por toda a minha vida eu estive dentro de alguma igreja evangélica e nunca fiz as coisas que ela fez, mas o vazio que ela sentia eu também sentia. As motivações interiores que a levaram a alguns erros me levaram a outros, ainda que nossas experiências tenham sido tão diferentes. E se não cometi os erros que ela cometeu, cometi outros e, diante de Deus, não há diferença. Ele acolhe quem quer abandonar o erro e se tornar um filho dEle, independentemente de seu passado. E, se Ele vê assim, como poderíamos ver diferente?”

Ainda que os erros dela sejam diferentes dos erros que eu cometi, todo mundo tem um pouquinho de Andressa Urach dentro de si, que é a natureza humana. Todo mundo nasce com ela e é ela que nos predispõe aos erros que cometemos. Se não cometemos os que a Andressa cometeu, cometemos outros. E não há pecado menor que o outro. “Morri para viver” mostra quem Andressa foi e quem ela se tornou, mas, muito além disso, mostra quem Deus é e quem nós somos.

#JejumdeDaniel  #Dia13

 

PS: E esse livro é leitura para Jejum de Daniel? Eu acredito que sim. Justamente por tudo o que escrevi aí em cima. Apesar do que a mídia sensacionalista divulgou por aí, o livro não é vulgar e o foco dele não é o que Andressa fez, mas o que Deus fez por ela. E eu li tentando entender o pensamento de Deus em relação a ela. Como Ele a via antes. O quanto Ele esperou pela oportunidade de alcançá-la. E o quanto não há diferença entre quem está perdido sem Ele, não importa o que fizeram ou deixaram de fazer.

PS2: Escrevi um recadinho a quem se diz cristão e desconfia da conversão da Andressa. Clique aqui para ler.

 Amanhã de manhã tem novo post aqui.

** Estamos em uma jornada de 21 dias de jejum de informações e entretenimento chamado Jejum de Daniel. Durante esses dias, os posts no blog serão diários e voltados exclusivamente para o crescimento espiritual. Leia o post do dia 19 para entender melhor.

100 maneiras de motivar a si mesmo

100 maneiras de motivar a si mesmo

Peguei esse livro por acaso na livraria, em uma das estantes, escondido no meio dos outros. São textos curtos, cada capítulo fala sobre uma dica diferente e tanto o título quanto o subtítulo prometem bastante: “100 maneiras de motivar a si mesmo” (100 ways to motivate yourself) – “Um plano de ação para banir os pensamentos negativos que bloqueiam seus sonhos e objetivos”, da editora Sextante. (Estranhamente, são 110 capítulos, não 100.)

Eu não costumo ser muito atraída por esse tipo de título porque geralmente é de autoajuda clichê e emocional, que eu detesto. Mas não dá para descartar um livro só pelo título, eu tinha que ler algumas páginas. O conteúdo me surpreendeu positivamente! Não é um livro autoajuda-cheerleader (emocionais, cheios de clichês, que ficam saltitando ao seu redor, dizendo que você é o máximo, que vai conseguir, u-huuuu! Vo-cê! Vo-cê! Vo-cê!), é um livro que faz você ter certeza de que vai conseguir. Ele faz você pensar e perceber de maneira lógica que se fizer x, vai alcançar y. O autor, Steve Chandler, é coach de liderança e tem uma forma de pensar bastante parecida com a minha, é bem humorado e escreve muito bem, então foi uma leitura muito prazerosa.

Como os capítulos são curtos e objetivos, é um livro bem legal até para quem não tem muito tempo e também para quem não tem muito hábito de ler. Você termina um capítulo rapidinho e fica meditando nele até pegar o livro de novo e ler o próximo. Não importa se levar 110 dias para ler o livro…rs. O importante é conseguir extrair o melhor dele. E tem muuuita coisa legal, eu nem teria como colocar trechos de tudo o que achei útil, ou teria que escrever outro livro.

Mas a leitura foi uma boa conversa. Steve Chandler me deu alguns chacoalhões e em outros momentos eu tinha que corrigi-lo: “acho que não foi bem isso que você quis dizer” (sim, eu converso com livros rs), como quando diz: “Quando escrevemos nossos planos e sonhos, precisamos ditar o que nosso coração manda”, não é bem isso que ele quis dizer. Ele está falando sobre pensar grande e não se limitar. Eu sei que não foi isso o que ele quis dizer porque dizer “siga o seu coração” não combinaria com as outras coisas que ele diz no livro todo, então eu o perdoo, Chandler rs.

Os capítulos são pequenos (110 em 187 páginas), mas todos têm alguma coisa forte e prática. Ele fala sobre ser seletivo com suas amizades, sobre a importância do silêncio, sobre tornar as coisas mais leves, sobre como cumprir suas metas, sobre criar as melhores condições possíveis para o pensamento, sobre discutir com o pessimismo…aliás, essa é ótima, olha um trecho:

“Se quer aproveitar ao máximo seu biocomputador (que é o cérebro), precisa reconhecer que os pensamentos pessimistas são menos eficientes. Depois de admitir a natureza pessimista do seu pensamento, você estará pronto para dar o próximo passo: aprender a argumentar a favor da visão otimista.

Comece a questionar sua primeira linha do pensamento. Faça de conta que você é um advogado cujo trabalho é provar que o seu lado pessimista está errado. Baseie seu caso naquilo que é possível. Você vai se surpreender. O otimismo é expansivo por natureza – abre uma porta após a outra para as possibilidades. O pessimismo é justamente o oposto: é restritivo, fecha portas. Se você realmente quer abrir a sua vida e se motivar para o sucesso, torne-se um pensador otimista.”

É uma boa técnica para enfraquecer pensamentos pessimistas. Porque eles vêm com aquela aparência de “especialista na situação” e a gente geralmente os ouve com a maior reverência. Se começar a enfrentá-los e a duvidar deles, perderão a força. E não se esqueça: não há pensamento neutro. Ou o pensamento é otimista, ou pessimista.

Um ponto interessantíssimo do livro é a visão dele com respeito ao bombardeio de informações. Inclusive, há um capítulo em que ele sugere que o leitor faça um jejum de informações. :) E a opinião dele sobre noticiários é bastante semelhante à minha. O  trecho abaixo me fez dar as mãos ao meu novo amigo Steve e decidir que tinha gostado do livro, definitivamente. rs

“Se você é espectador ou ouvinte frequente de noticiários, pertence a um culto bastante persuasivo e hipnótico. Você precisa ser desprogramado com urgência! Comece mudando a forma como vê ou escuta as notícias e os programas sensacionalistas. Elimine todos os pensamentos negativos, cínicos e céticos que está deixando fluir para sua mente ao se abrir para esse tipo de entretenimento. Tais programas não são de notícias, e sim de más notícias. Quanto mais você considerá-las notícias, mais vai acreditar que ‘é assim mesmo’ e mais medroso e cínico vai se tornar.

(…)

Às vezes é impossível evitar as reportagens de crime e escândalos, por isso é importante aprender a encará-las de uma forma capaz de desprogramar seu efeito colateral. Fazemos isso muito bem quando passamos os olhos pelos tabloides nas bancas de jornal. Já estamos rindo antes mesmo de ler a manchete de que extraterrestres vivem na Casa Branca. Precisamos ter essa mesma atitude quanto à imprensa considerada séria.”

É exatamente assim que eu vejo as notícias. Nunca me permito embarcar emocionalmente em uma notícia de crime ou escândalo. Minha opinião é geralmente o contrário do que a Globo ou a Veja pregam. E não é por ser desinformada, pelo contrário, me informo o suficiente para não concordar com a imprensa tradicional.

“Jamais pensaríamos em passar pela cabine do piloto antes de um voo e dizer a ele: ‘Pode me levar para qualquer lugar!’ No entanto, é dessa forma que vivemos nossos dias quando deixamos de verificar o mapa.”

A maioria vive assim. Simplesmente segue o fluxo, no pior estilo “deixa a vida me levar”. E essa é a melhor forma de desperdiçar a vida.

“A chave para a transformação pessoal está na sua vontade de fazer coisas bem pequenas – mas fazê-las hoje.”

E eu corrijo Chandler aqui: A chave para a transformação pessoal está na sua decisão de fazer coisas bem pequenas – mas fazê-las hoje. Porque vontade é algo que vem e vai, mas o poder da decisão é nos manter firmes até o fim, em qualquer propósito que definirmos.

Vou deixar mais um trechinho aqui, que fala sobre escritores, mas que eu creio que valha para tudo o que você quer fazer na vida.

“Às vezes, não fazemos certas coisas porque não temos certeza de que iremos fazê-las bem. Achamos que não estamos com vontade ou energia suficiente para cumprir aquela tarefa, então, adiamos, ou esperamos até que a inspiração venha a nós.

O exemplo mais conhecido desse fenômeno é o que os escritores chamam de ‘bloqueio criativo’. Uma barreira mental parece se erguer, impedindo o escritor de continuar a escrever sua obra. (…)

O ‘bloqueio’ (ou falta de automotivação) ocorre não porque o escritor não consegue escrever, mas porque ele pensa que não pode escrever bem. Ou seja, ele acha que não tem energia ou a voz pessimista dentro de si o desencoraja, o faz duvidar da própria capacidade. Isso acontece com muitos de nós, mesmo com algo tão insignificante quanto um e-mail ou um relatório.

(…)A cura para o bloqueio criativo – e também o caminho para a automotivação – é simples: ir adiante e escrever mal. (…) Com o mero ato de digitar um texto, você enfraquece a voz pessimista que tenta convencê-lo a não tentar. De repente, está escrevendo. Uma vez que entra em ação, fica mais fácil obter mais energia e qualidade para o seu trabalho.”

 

PS: Li esse livro no meio de 2014 e ano passado mesmo fui atrás dos outros livros do autor. Estou terminando “100 maneiras de motivar as pessoas” (leeentamente…levando muito mais do que 110 dias. Deixo na bolsa e leio em salas de espera rs), creio que vai dar uma resenha, é bem legal. Ainda falta ler “100 maneiras de criar riqueza”. 😀

 

Sobre 50 tons de cinza e os mil tons de ignorância

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O artigo polêmico foi publicado primeiro no blog do Bp. Renato Cardoso. De autoria da cantora e escritora americana Evelyn Higginbotham, o texto gerou comentários furiosos de pessoas que queriam porque queriam assistir ao filme 50 tons de cinza sem peso na consciência. Evelyn não ajudou muito. Ela faz uma análise dura do espírito do livro que deu origem ao longa e rasga o verbo dizendo que os responsáveis pelo sucesso do livro são os “demônios da depravação”. Ok, a palavra “depravação” está em desuso, vem à mente a figura de uma velhinha carola acusando: “seus depravados!” Mas, se deixar seu preconceito de lado, você vai concordar com ela. “Depravar” significa estragar, mas tem vários outros significados: prejudicar-se, perverter-se, corromper-se, provocar a decadência. Não há nada que combine mais com 50 tons de cinza.

O livro é ruim. Não é bem escrito, a história, em si, só convence quem já está predisposto a gostar ou que, pelo menos, vai com o coração aberto para se emocionar. Como eu não sou uma pessoa facilmente “emocionável”, achei ridículo – e estou sendo sincera. Sim, eu li o livro. Tinha que fazer uma resenha e, ao contrário de um artigo, em que a pessoa é livre para dar sua opinião tendo ou não lido o livro inteiro, para escrever uma resenha, eu tenho que ler até o fim. Só que a postura para se ler um livro sobre o qual você vai resenhar deve ser crítica. Eu sou uma leitora difícil e o livro tem que me conquistar, tem que me convencer de que vale a recomendação. 50 tons de cinza sequer se esforçou. Se fosse um homem, seria daqueles que só querem levar a mulher para a cama. Tem uma historinha pseudo-romântica, mas é só fachada para as cenas de sexo, não sejamos hipócritas. E as cenas de sexo, apesar de literariamente ridículas (por serem excessivamente descritivas), causaram impacto na maioria das leitoras.

Se tudo é tão ridículo e malfeito, por que raios o troço se tornou um best-seller? Honestamente, eu só posso concordar com a Evelyn, o melhor agente literário de porcaria é o diabo. E não pense, com isso, que estamos dizendo que as pessoas que praticam esse tipo de sexo torto são malignas ou malvadas porque “estão com demônio”, como se as pessoas fossem demônios. Na verdade, o mal não tem o menor interesse em quem já é mau. O interesse dele é prejudicar, perverter, corromper e provocar a decadência da vida de suas vítimas. O problema é quando essas vítimas não percebem que estão sendo envenenadas, lenta e gradualmente pelo conteúdo estragado que consomem na mídia, na literatura, no cinema, na música, no entretenimento, em geral.

O engraçado (ou triste, dependendo do ponto de vista) é que o artigo da Evelyn causou uma discussão absurda. Tudo bem você defender seu direito de comer lixo à margem do Tietê. Cada um com suas preferências gastronômicas. Mas não é justo querer calar alguém cuja opinião contraria a sua (a sua opinião que, diga-se de passagem, é igual à da maioria) se a intenção dessa pessoa é apenas a de alertar a quem está inocentemente se encaminhando para o monte de cocô, sendo enganado pela propaganda, achando que vai comer espaguete ao alho e óleo. Você pode achar que as pessoas devem fazer o que quiserem e descobrir, por conta própria, que não gostam de comer cocô. No entanto, eu gostaria de ter a chance de ser poupada do gosto de fezes na boca e consideraria meu amigo quem me alertasse. Por isso, é impossível que eu não alerte a outros.

Se você está confuso quanto a assistir ou não ao filme ou quanto a ler ou não o livro porque viu comentários dizendo que você deveria formar sua opinião só depois de comer o cocô, um alerta: essas pessoas não são suas amigas e não estão nem aí para você. Elas só dizem isso porque querem fazer o que têm vontade, sem peso na consciência. No entanto, não são honestas para admitir isso nem para elas mesmas. Não digo isso com raiva, mas com pena. Porque se o personagem canastrão Mr. Grey tem 50 tons de cinza em sua alma, a ignorância tem pelo menos uns mil tons.

Quem diz que 50 tons de cinza “é só ficção” ou que sabe separar ficção de realidade, não faz a menor ideia do que está falando. Há várias pesquisas sobre isso isso. Já se mostrou que há alterações significativas no cérebro de quem lê romances. E também que o nosso cérebro não diferencia ficção de realidade e, durante a leitura, ativa as mesmas áreas que ativaria se estivéssemos praticando aquela ação. A leitura da palavra “perfume”, por exemplo, ativa a área responsável por sensações olfativas. Ainda que você entenda “oh, é ficção” e tente separar depois, alguma marca vai ficar. Seu cérebro vai armazenar como experiência vivida. Provavelmente por isso, o que leu começa a ficar banalizado, o comportamento é visto de forma cada vez mais normal e assimilado com facilidade. Agora, imagine assistir a um filme…

Quem diz que não tem nada a ver, não entende nada de história e de literatura, também. Em toda a história da humanidade, a literatura foi usada como meio de influenciar o pensamento e até mesmo arma de manipulação ideológica. Por meio da literatura, comportamentos antes considerados negativos passaram a ser vistos como positivos. Por meio da literatura, mudanças sociais foram sugeridas e digeridas. Para o bem ou para o mal. Geralmente, para o mal, porque o movimento que nossa sociedade tem feito desde a primeira prensa até os dias atuais é na direção da degradação do que temos de melhor. Talvez estejamos no fim da civilização como a conhecemos, a julgar pela propagação da ignorância e estagnação dos cérebros.

Curiosamente, a revista Isto é trouxe matéria de capa falando das pessoas que tiveram “a vida sexual transformada”  pelo livro (pobres criaturas), descredibilizando a palavra de quem, na profunda ignorância, disse que ficção é algo inócuo, que não muda a vida de ninguém. Muda, sim. A boa ficção, muda para melhor. A ficção ruim geralmente só dá dor de barriga. Mas a ficção envenenada, mata aos poucos. Não é de uma hora para outra que seu casamento vai se estragar por causa de 50 tons de cinza ou similares que incentivem a degradação feminina. Não é de uma hora para outra que as mudanças acontecem. E esse é o maior erro das pessoas, em todas as esferas: ignorar o poder das coisas aparentemente insignificantes. O sábio rei Salomão escreveu que são as raposinhas que destroem a vinha. As raposinhas são aquelas pequenininhas, fofinhas e aparentemente inofensivas. É aquela história bonita que faz você chorar. É aquele filme romântico que deixa você suspirando. Fala de amor, pôxa vida, que mal tem? Que mal pode fazer?

Se as pessoas quiserem jogar seu tempo e seu dinheiro no lixo vendo algo que com certeza irá prejudicar sua vida, paciência. Já os mais inteligentes, que dão valor ao seu tempo, ao seu dinheiro e ao seu cérebro, certamente vão usar o tempo e o dinheiro economizados com algo mais útil. Esses, certamente são gratos à Evelyn pelo alerta.

 

 

PS: O mais engraçado são as pessoas que cobram que o Bp. Renato leia o livro antes de criticar, mas não percebem que o texto é da Evelyn…não conseguem sequer ler um post com atenção para perceber que não é dele, será que dá para confiar na percepção delas a respeito de um livro?

PS2: Para quem quiser ler a resenha que fiz sobre o livro, está aqui:  http://blogs.universal.org/cristianecardoso/pt/livros-que-nao-sao-o-que-parecem-cinquenta-tons-de-cinza/  

PS3: Depois disso, o artigo foi publicado também no blog da Cristiane e no do Bispo Macedo e alguns dos comentários no blog da Cris são muito semelhantes aos dos haters no blog do Bp. Renato.Alguns, prefiro nem ler para não sair do Espírito, sinceramente. Meu recado já está dado aqui, aos sinceros que, como eu, não gostam de coprofagia.

 

Ainda sobre romances – aos leitores do blog da Cris

Para dar um feedback e ninguém se sentir ignorado: Anotei os nomes dos romances que vocês pediram no post “Sobre Romances” , e vou resenhar assim que ler cada um deles (tenham paciência, tenham muuuuita paciência…rs). Pode ser que eu faça algum post falando por alto dos livros que vocês citaram e que eu já tenha lido, principalmente dos que não gostei, para já dar uma resposta mais rápida. De qualquer forma, a partir da segunda semana de junho não postarei resenhas de livros seculares. Talvez volte com os seculares no final de julho.

Mas  talvez na semana que vem (primeira semana de junho), eu consiga terminar o texto que estou escrevendo há um milhão de anos sobre o livro “A culpa é das estrelas”, para tentar explicar por que ele tem feito tanto sucesso e por que eu acho que, apesar de bem escrito (e ainda que não possa se encaixar na categoria “livros que não são o que parecem”), ele não é recomendável, principalmente para as meninas. Se bem que o post da Cristiane da próxima segunda-feira , intitulado “Romance Enganador” (clique aqui para ler), apesar de não falar especificamente sobre esse livro (nem sei se ela leu), vai dar dá uma boa ideia a respeito do que eu penso, fiquem de olho

Sobre Romances

romances

Por causa do trabalho, que me exige outras leituras, não tenho lido romances recentemente. E quando leio, não gosto o suficiente para fazer uma resenha positiva, nem odeio o suficiente para entrar no “livros que não são o que parecem”. São aqueles livros que vivem no limbo. Nem são ruins, nem são exatamente bons.

Mas como encontrar um romance legal? Bem, como nem sempre tenho tempo de fazer mil comparações de resenhas (e…bem, vocês sabem que os critérios do pessoal que faz resenha lá fora são diferentes dos nossos, então eu tenho que ficar analisando as resenhas…), geralmente entro em uma livraria, leio a contracapa, as orelhas do livro, a introdução e as primeiras vinte páginas. Se me interessar, talvez eu leia alguma página do meio. Se parecer legal, dou uma espiada no final para ver se alguém morre…hahaha… (digamos que Nicholas Sparks me deixou traumatizada e não quero repetir a experiência). Se bem que não vou deixar de ler um livro bom só porque o autor resolveu fazer uma chacina no final, tenho que pesar as outras impressões.

Basicamente, gosto de livros como – e eu uso sempre esse exemplo ao falar de romance porque, para mim, é O exemplo – “Amor de Redenção”. Quando terminei de ler a última página deste livro, eu não estava chorando. Eu estava pensando em tudo o que tinha lido. Fiquei pensando nele vários dias e tentando analisar a história, pensando nos personagens… É realmente uma marca profunda a se deixar em um leitor. É isso o que eu procuro em um bom livro. Claro – e alguém vai falar – ah, mas existem livros que são só entretenimento. Claro que sim. Mas porque é entretenimento tem de ser meramente emocional? Eu optaria por um livro de suspense, de ficção científica ou policial. Prefiro exercitar meu cérebro – e não meu coração – ao ler um livro. Para exercitar meu coração, eu ando na esteira.  Mas cada um sabe o que faz com seu tempo.

Posso elencar três exemplos do que devemos evitar (se encontrar isso em um livro, fuja para as montanhas):

1 – Caso você procure resenhas de um determinado livro e constate que 98% dos leitores dizem algo como “chorei convulsivamente” ou “derramei lágrimas do início ao fim, esse não é um livro que mereça o seu tempo. Você vai alimentar a sua emoção e possivelmente vai chorar também. Não que um bom texto não possa emocionar, mas se isso for tudo o que as pessoas tiverem para dizer do livro, a probabilidade de que seja bom é muito pequena.

2 – A moça é casada e se apaixona instantaneamente por outro homem, e o autor jura que o amor é verdadeiro (oi, Nicholas Sparks). Mentira. Eu não perco meu tempo com histórias de amores que surgem do nada. Amor não brota da noite para o dia feito feijão mágico. Quer condicionar seu cérebro a uma forma errada de ver as coisas?

3 – O livro é todo sobre pornografia, satanismo, bruxaria ou anjos. Ok, não vamos fazer uma inquisição e achar que todo livro que tem uma ou outra eventual cena de sexo ou  algum pano de fundo de seres mitológicos (como vampiros, zumbis, faunos e outras criaturas mitológicas) são do mal. O problema é com livros que falam excessivamente sobre sexo (ou sobre relacionamentos baseados em sexo, tipo 50 tons de cinza) ou que usam a história como desculpa para falar de forma distorcida sobre coisas que existem (como satanismo, bruxaria, anjos, demônios e Deus). Tudo o que distorce coisas que são importantes para você não deveria ocupar o seu tempo.

 

Por falar nesse último item, dia desses li um estudo que mostrava que ao ler ficção, o cérebro responde como se estivesse vivenciando aquela história. Sério, o cérebro entende que você está vivendo aquelas coisas. Como isso pode não moldar o comportamento das pessoas? Isso me lembra algo que li sobre como a literatura e o cinema distorceram a forma do ocidente entender o amor…a ficção é muito mais poderosa do que se imagina para moldar a forma da sociedade enxergar o mundo.

(A propósito, eis a resposta a quem lê minha resenha do filme Noé e, indignado porque queria assistir ao filme sem peso na consciência, diz que “é só um filme”. Profunda ignorância a respeito da influência do entretenimento ao moldar o comportamento e a forma de entender a sociedade e – no caso – Deus e a história bíblica.)

E eu gostaria de pedir a vocês algumas sugestões de romances que vocês tenham visto por aí e queiram que eu leia para resenhar (ai, que medo de pedir isso…hahaha). Lembrando que considero romance qualquer narrativa de ficção com mais de 100 páginas, não precisa necessariamente falar de amor (o nome “romance” não tem a ver com amor, mas com o período histórico em que esse gênero literário se popularizou, o “Romantismo”).

Podemos entender melhor nossa sociedade por meio da literatura de ficção que ela produz. Como pensamos, o que fazemos, o que esperam que façamos. Então talvez eu comece a resenhar mesmo os livros que estão no limbo, para fazer essa análise de como nossa sociedade pensa. Vou ser execrada por alguns…rs. Mas fica a critério de vocês, pode ser uma boa forma de entender como ler o mundo.

 

*A imagem é meramente ilustrativa, tá?

Vanessa Lampert

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PS: Mesmo os livros que eu já li, gosto de reler antes de resenhar. É que eu leio diferente quando leio para resenhar…rs.  Só que desde o ano passado eu entrei em um período em que preciso ler coisas mais técnicas e que se relacionem com o trabalho. Mais ou menos o que a Patricia falou sobre José esta semana.

PS2: Antes que alguém pergunte, tenho conversado com duas amigas (que vocês conhecem) a respeito da gente começar a produzir romances saudáveis, com a nossa forma de enxergar as coisas. Amor em Ruínas, da Cristiane, vai sair já com essa visão, e mais projetos virão no futuro. :-D

*Post originalmente publicado no blog da Cristiane Cardoso. Clique aqui para ler a postagem original.

Escrever Melhor

CAPA_ESCREVER_MELHOR_WEB_1Ouço muita gente dizer que gostaria de saber escrever, como se isso fosse um dom oferecido a poucos escolhidos. No entanto, escrever é uma habilidade a ser desenvolvida, como outra qualquer.

Por exemplo, todo mundo sabe que tocar violino é uma arte, mas ninguém espera que alguém pegue um violino e saia tocando perfeitamente por aí sem estudar nem um pouquinho sequer. Alguém que tenha talento para a coisa, se não se esforçar e treinar, não vai virar nada. Já alguém que não tenha talento, talvez nunca se torne um virtuose, mas pode aprender a tocar violino perfeitamente bem se estudar e praticar. A técnica aliada à vontade de crescer faz com que você alcance muito mais do que poderia imaginar.

O livro “Escrever Melhor – Guia para passar os textos a limpo” (Editora Contexto) de Dad Squarisi e Arlete Salvador, é um dos meus preferidos quando preciso indicar algum material para alguém. Prático, claro, simples de entender (até para quem não é da área) e com uma linguagem leve e divertida.

E talvez esse seja um dos segredos de aprender a escrever melhor: ter intimidade com a língua escrita a ponto de poder brincar com ela. Você joga um verbo para cá, inventa uma palavrinha nova ali, escolhe a melhor combinação de palavras, conversa com o leitor, identifica o que é inútil e corta…ou coloca, de propósito, algo que não tenha utilidade nenhuma, mas com algum objetivo superior…rs. Enfim, a uma certa altura, escrever se torna um “segundo idioma” que você domina perfeitamente.

Agora, falando sério (não que eu não estivesse falando sério antes), está cada vez mais raro encontrar quem escreva bem! E pelamordedeus, vamos explicar aqui que “escrever bem” não significa “escrever difícil”. Pelo contrário! Cada época tem seu estilo e o estilo da nossa época é linguagem clara, simples e natural. Livre, leve e solta. :-D

O livro ajuda muito nisso, porque é um guia básico para produzir textos objetivos e cortar excessos…ok, consigo ouvir as piadinhas de vocês a respeito de Vanessa Lampert, a Imperatriz do Reino dos Textos Gigantes, estar falando da importância de cortar excessos…mas como eu sempre digo, nem todo texto curto é objetivo e nem todo texto objetivo é curto. :-) Peço paciência, leia esse trecho do livro e entenda a que me refiro:

“Há casos em que o autor usa várias palavras quando uma pode dar o recado. Há outros em que utiliza duas orações quando uma basta. (…) Leia com atenção o parágrafo que segue, extraído de dissertação de mestrado apresentada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Trata-se de bom exemplo de verborragia:

 ‘O profundo conhecimento dos hábitos e específicas necessidades dos potenciais grupos de usuários de um espaço habitável será de inestimável valor para que, ao se elaborar o projeto, se atinja o objetivo de conferir ao usuário o domínio sobre o uso do produto adquirido – sua moradia – para que esse lhe seja de fato prazeroso, seguro e responsável por um verdadeiro progresso na qualidade de vida de seus usuários, ou seja, o conforto doméstico.’

Se você não entendeu o que o autor quis dizer, não entre em pânico. Há palavras de mais e sentido de menos. Resultado: não dá mesmo para entender. É apenas possível supor que ele pretende afirmar o seguinte:

‘O conhecimento dos hábitos e necessidades dos moradores é fundamental para a elaboração de projeto arquitetônico de apartamento confortável.’

Palavras têm peso. Poder. Vida. É preciso escolhê-las com cuidado, porque há palavras para tudo. Afirmar é mais incisivo do que contar. Gritar é mais agressivo do que afirmar. E assim vai a rica Língua Portuguesa.”

E antes que algum jornalista (porque eles estão em toda parte) venha com a conversa comodista de que “ah, mas depois a edição faz esse trabalho!” (que é parente do “ah, não preciso me preocupar com gramática porque tem o revisor” – sério, existe gente que pensa assim!), eu lhe pergunto: se o jornalista não aprende a editar seu próprio texto, como poderá se tornar editor algum dia? Sinceramente, não entendo quem se acomoda às suas limitações e não fica querendo se livrar delas a qualquer custo (tenha alergia a limitações, meu amigo).

Além dessas noções mais gerais de edição de textos, você também encontra explicações claras sobre regrinhas de gramática e ortografia que a gente achava chatíssimo decorar na escola…e era chato, mesmo! Sabe o que torna regras de gramática e fórmulas de física, matemática e química tão distantes de nossa realidade? Essa mania esquisita que a escola tem de nos fazer decorar, simplesmente. Ninguém explica a lógica daquilo ali (porque existe uma lógica!)…o que raios levou aquela regra a ser criada? Qual é o objetivo, para que serve? É melhor você entender como usar determinada regra do que decorar a bendita regra.

Nisso eu acho que “Escrever Melhor” ajuda bastante. Descortina aquelas regrinhas que pareciam indecifráveis na infância. Prestando atenção aos exemplos, você entende como funciona cada dica ou regrinha. Mas às vezes a própria explicação já basta. O longo comentário a respeito do uso da crase, por exemplo, começa assim:

“Crase é como aliança no anular esquerdo. Avisa que estamos diante de ilustre senhora casada. A preposição a se encontra com outro a. Pode ser artigo ou pronome demonstrativo. Os dois se olham. Sorriem um para o outro. O coração estremece. Aí, não dá outra. Juntam os trapinhos e viram um único ser.”

Não é lindo?

 

Vanessa Lampert

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P.S: Trabalhando com isso ou não, uma coisa é certa: a gente se comunica por escrito todos os dias. Seja em um comentário no blog, seja escrevendo um e-mail…uma oportunidade de trabalho pode surgir por causa de algum texto seu na internet, ou mesmo por impressionar seu futuro empregador (eles vasculham nossas redes sociais hoje em dia, você sabe) com sua fluência verbal no Facebook…

P.S2: Se você ainda não sabe escrever direito, se comete muitos erros ou tem dificuldades com a escrita, vou colocar algumas dicas rápidas e práticas aqui no blog nas próximas semanas. Não se sinta constrangido, a maioria das pessoas tem essa dificuldade. O importante é que você queira melhorar, se aprimorar. Se eu fosse você, investiria nisso. Por mais que no começo pareça complicado ou difícil (tudo parece, no começo), busque aperfeiçoar essa habilidade.

P.S3: Deu saudade de vocês também, viu? Tive de me afastar de todos os blogs e estava escrevendo só na Folha Universal (vocês estão acompanhando o jornal? O que eu sempre digo a respeito dos livros, vale para ele também: é maravilhoso doar para outras pessoas, mas não doe nada que você não tenha lido. Como pode querer que alguém leia se você mesmo não lê?).

Dos Livros Ruins E Das Coisas Que Não Dão Certo

Depois da ausência de uma semana para me recuperar de uma virose, eu queria uma boa resenha.  Tenho alguns livros que eu sei que são bons, mas não fui muito esperta…poderia ter lido um certo enquanto arriscava outro duvidoso, como sempre faço…se o duvidoso não é bom, faço resenha do certo. Mas esta semana a inteligência passou longe e deu tchauzinho: li apenas os que não conhecia…e escolhi com um dedinho estragado. Mas aprendi alguma coisa.

Foram cinco livros. CINCO livros. E nenhum foi com a minha cara. Amo ler, vocês sabem, garimpar coisas boas nas águas turvas das livrarias, e não entendi o porquê de não ter feito uma escolha certa nos livros desta semana. O último me enganou de tal maneira que só ao chegar na metade percebi que ele estava me enrolando e ainda não tinha dito a que veio! Não dá. Se você leu 50% do livro e ele não saiu do lugar, alguma coisa está errada. Corri para espiar o final e percebi que nem lá a história evoluía. Dá uma certa frustração pegar um livro que você acha que seria bacana e descobrir que ele é ruim. Por outro lado, fechar um livro ruim reacende a esperança de encontrar um melhor. É um desafio. Você tem uma escolha a fazer: ou desanima, ou renova a esperança e persevera.

Quando algo te diz não, quando alguma coisa não dá certo, quando as coisas não saem exatamente do jeito que você esperava, as piores e mais improdutivas reações que você pode ter são: se desesperar, se entristecer e desistir. Não jogue a toalha! Pegue aquela frustração e a transforme em força, em revolta. Revolta contra a estação em que o trem errado te deixou. Revolta que traz uma vontade doida de pegar outro trem, ou de construir seu próprio trem, novos trilhos, e ir para o lugar em que já deveria estar. Quando você pega o caminho errado, ficar parado chorando ou reclamando não vai te levar para o lugar certo.

Não deu, é? Então agora é uma questão de honra. Faça o que tem de fazer. Insista. Tente outra vez. Um amigo te enganou? Você foi passado para trás? Não desista de fazer amigos por causa disso. Cometeu um erro? Se arrependa e faça o que é certo desta vez. Seu namorado te traiu? Seu ex-marido te batia? Não coloque todos os homens no mesmo saco. Seu casamento acabou? Não pense que nunca poderá ser feliz. Alguém te decepcionou? Perdoe e siga adiante. Não deixe de acreditar nas pessoas.

Um livro é diferente do outro. Seria ridículo eu desistir de ler qualquer livro só por ter encontrado alguns ruins. Seria absurdo eu dizer que não quero mais ler por ter errado na escolha de TODOS os livros desta semana. Imagine se eu ficasse pensando em cada um daqueles livros…nas promessas que eles me fizeram, no quanto eu esperava deles, em quanto me decepcionei e no que eu gostaria de ter lido em cada uma daquelas páginas! Aquelas páginas traidoras!

Imagina se eu continuasse remoendo? Não conseguiria fazer mais nada! Não teria forças para pegar um novo livro, me arriscar em novas linhas, pensaria: “Ah, os livros são todos iguais!” E nunca mais teríamos resenha, porque eu passaria o ano inteiro desperdiçando todos os bons livros por estar apegada à lembrança dos maus. Me agarraria às experiências negativas, me fechando para as positivas (o que, convenhamos, é uma tremenda falta de inteligência). E não sei de quem tenho mais dó, se dos bons livros, que jamais seriam lidos, se de mim, que jamais leria um livro decente, ou se de vocês, que nunca mais teriam boas dicas…rs…

Amigos, as experiências ruins servem como aprendizado, e só. Não são águas em que devemos nadar por muito tempo. Aliás, por tempo nenhum. Passou, não volte lá. Siga adiante. Não olhe para trás. Feche o livro, não se torture. Existem coisas melhores pela frente. Faça o que sabe que é o certo, mantenha sua esperança, sua fé, seus bons olhos, sua alegria. Não permita que nada lhe roube a alegria, nem suje seu coração. Sempre há uma nova chance, sempre há uma porta. Sempre há um novo livro, que pode ser aquele que vai te marcar para sempre, que pode ser aquele que te fará se lembrar do porquê de você amar tanto ler. Por isso, não desista.

O fato de parecer que quase tudo deu errado nas últimas semanas – nesta, principalmente – e que eu estava correndo contra o vento, não foi em vão. Quanto mais as coisas pareciam erradas, mais eu colocava, conscientemente, em prática o versículo de Hebreus 2:1 “Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos.” Desanimar também é se desviar das verdades ouvidas, assim como se desesperar, quando essas Verdades têm a ver com perseverança, força, certeza das coisas que se esperam – que é a definição de fé. Essa fé não comporta desistência e desânimo. Você pode até se chatear na hora, mas não alimenta esse sentimento. Você sabe que se estiver no caminho certo e não se desviar, não há possibilidade nenhuma de errar o destino.

 

Vanessa Lampert

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PS: Caso queira ler mais um pouquinho sobre isso, escrevi o curtinho “A tribulação produz perseverança”.

 

Este post foi originalmente publicado no site Cristiane Cardoso.

O verdadeiro significado da cruz

Nesse período de festas de final de ano as pessoas ficam emotivas e subitamente religiosas. Gente que torce o nariz para igreja no restante do ano, admira presépios e reverencia o “menino Jesus” no natal, embora o foco esteja, é claro, nos presentes e na comida da ceia. No entanto, esta festa jamais foi instituída na Bíblia.

O acontecimento mais importante da vida de Jesus para os seus seguidores, não é seu nascimento, mas sua morte e ressurreição. Nasci ouvindo que “Jesus morreu por nós”, que “o sangue de Jesus lavou nossos pecados” e que “Jesus venceu a morte”, mas demorei muitos anos para entender exatamente como aconteceu essa coisa toda. Provavelmente se eu tivesse lido um livro tão claro como “O verdadeiro Significado da Cruz”, (Editora Unipro), de Marcelo Crivella, teria entendido bem antes. Espero que os trechos do livro e meus comentários lhe ajudem a entender, também. E vale muito a pena ler (e reler) este livro para uma compreensão mais profunda.

O livro começa explicando como era o mundo e a condição espiritual do ser humano antes da morte de Jesus. A ideia original de Deus, ao criar o homem e o mundo, era algo bem distante do que vemos hoje. O universo foi feito para que a Terra tivesse condições de existir. Tudo foi criado com perfeição e era bom. Até o momento em que o homem, que tinha toda a autoridade sobre a criação, passou essa autoridade ao mal através de um ato de desobediência, ao dar ouvidos à voz do diabo. Toda a criação passou a estar sob o domínio do mal, e essa é a razão da situação decadente do mundo atual. Jesus é a nossa única chance de restabelecer essa ligação que foi perdida, retomando, a autoridade sobre este território que é nosso, mas está dominado pelo inimigo.

“No início, todos os minerais e metais, todas as pedras preciosas e as formas de produção de energia – como o vento, a água, o carvão, a eletricidade, os combustíveis e todas as leis da Física e da Química – estavam apenas esperando para serem dominados pelo homem. (…) O homem precisou de milhares de anos para descobrir a eletricidade – que já existia desde o início, mas ninguém podia ver – e como extraí-la dos ventos e quedas d’água. O resultado da nossa distância de Deus é estupidez e tempo perdido. Aquilo que Ele revelaria ao Seu filho amado em poucos dias, no paraíso, demorou séculos para ser descoberto, por motivo de Sua ausência no homem.”

Aqui eu me lembro daqueles que querem parecer muito “inteligentes” alegando que Deus e ciência são opostos. Não são e nunca foram. A ciência equivocada, aquela que rejeita tudo o que possa sugerir a existência de uma inteligência superior por trás do que conhecemos, esta, sim, é oposta a Deus, por não ser sequer ciência. O problema é que as pessoas confundem Deus e religião e dirigem ataques ao primeiro por conta de questões relacionadas à segunda.

Sem religião, provavelmente a ciência teria avançado mais rápido, mas sem Deus, só temos tido perda de tempo e atraso nas descobertas científicas. Se isso lhe parece incoerente ou contraditório, deixe para trás suas ideias pré-concebidas. Deus não é religião e religião não é Deus.

“A justiça de Deus requer que Ele Se separe daquilo que é errado e imperfeito. Esta grande separação entre a luz e as trevas, santidade e pecado, pureza e impureza, é a morte, às vezes chamada de grande abismo. (…) Deus não criou a imperfeição; quem a criou foi o diabo. Imperfeição não pertence à lógica original da Criação; está fora, fica do outro lado e permanece lá, pela Justiça de Deus”.

Hoje em dia as pessoas não querem saber como Deus é, querem definir elas mesmas como Deus deveria ser, de que tipo de deus elas precisam naquele momento, e tentam colocá-Lo na caixinha que fizeram. As religiões também fazem isso. A questão toda, para se entender Deus de uma forma não-religiosa, é saber que Ele é um indivíduo com características próprias e imutáveis. Ele é 100% justo e puro. Um ser que é 100% puro e justo não pode conviver com injustiça e impureza. A morte e a imperfeição na Terra vieram com a desobediência que afastou o homem de Deus.

Se Deus é vida, estar longe de Deus é a própria morte. Por isso, o pecado só podia ser perdoado se houvesse a morte de outra criatura, (um animal, pois os animais são inocentes, não têm pecado) sobre o qual, simbolicamente, o pecador arrependido lançasse o seu erro, sua própria morte. Aquela criatura, então, morreria no lugar do pecador, e levaria o seu pecado, fazendo com que Ele tornasse a ser puro e justo diante de Deus…até o próximo pecado (já que para ser um sacrifício perfeito e que valesse para sempre, o substituto teria de ser outro ser humano adulto e sem pecado).

Quando Deus disse a Adão e Eva que se comessem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, certamente morreriam, estava falando sério. A desobediência os afastou de Deus, o que é a melhor definição possível de morte.

“A morte é o lugar longe da presença d’Ele. Jesus sabia que Deus não iria estar lá com Ele, e que só voltaria se fosse perfeito, vencendo como ser humano todas as tentações e fraquezas. Ele, e somente Ele, enfrentaria a morte. Nunca havia estado lá e Deus não O ajudaria, porque na cruz o Senhor Jesus era a imperfeição do homem.”

Lá estava Jesus, simbolizando aquela criatura inocente, sem pecado, que deveria ser sacrificada levando sobre seu corpo os pecados da pessoa arrependida. Ali Ele carregava os erros, falhas e desobediências de toda a humanidade, para restabelecer o elo que havia sido quebrado entre o homem e Deus, quando o homem foi infiel pela primeira vez. O sacrifício dEle foi perfeito, porque Ele era homem, o único homem que se manteve sem pecado, e pode substituir perfeitamente toda a humanidade, seus iguais, que através de sua morte, ganharam o direito de escapar da morte, da separação de Deus.

“Não era o sacrifício físico, mas a verdadeira morte que Lhe afligia. Não foram a coroa de espinhos, as chicotadas, os pregos, a cruz e os socos dos soldados que causaram no Senhor Jesus uma dor indescritível, mas a morte sem Deus e sem o Espírito Santo.”

Maior tortura do que ferimentos físicos é o sofrimento espiritual de estar afastado de Deus. Sofrimento esse que faz com que a pessoa pense que a morte poderia aliviar sua dor e lhe trazer um pouco de paz (sinto muito, mas não pode. Morte é o que você experimenta agora, essa angústia, esse desespero. Desligar o seu corpo não lhe trará paz, apenas perpetuará essa morte, aumentando a angústia, o desespero, a dor e o sofrimento. A única saída para a morte que você está experimentando enquanto respira, é a vida que Deus lhe oferece aqui, agora, e da qual você só poderá tomar posse enquanto ainda respirar).

Esse sofrimento e essa dor, maiores do que qualquer sofrimento físico, Jesus experimentou naquele dia no calvário. A mesma angústia e agonia que estavam em mim, quando eu me sentia esmagada e dilacerada por dentro, achando que não havia uma saída para aquela depressão, aquele vazio, aquela tortura sem fim. Eu não sabia que Ele já tinha sofrido tudo aquilo por mim e me conquistado o direito de viver longe daquela morte. Ele morreu para que eu não precisasse continuar morta. Mas esse direito só foi conquistado porque Ele se manteve sem pecado e por isso pôde ressuscitar, vencendo a morte. Conquistou a vida da qual hoje podemos desfrutar, se aceitarmos esse pacto com Deus.

Uma coisa maravilhosa, e que não tenho como transcrever aqui (ou seria expulsa do site por excesso de caracteres…hahaha…) é a análise que Marcelo Crivella faz de Salmos 22, a oração o Messias, revelada a Davi muitos anos antes, e que, em conjunto com outros trechos bíblicos (inclusive Isaías 53), formam a base da descrição da crucificação no livro.

A conexão restaurada com Deus, que nos vê perfeitos e justos por causa do sacrifício de Jesus, desde que nos mantenhamos em obediência (um pacto é selado com compromisso de ambas as partes. Nossa parte é obedecer, entregar nossa pseudovida para receber a vida que Ele nos oferece), tem como consequência a vitória sobre o mal, inclusive sobre as doenças e demais sofrimentos. A partir do momento em que você aceita participar desse pacto, é substituído por Jesus e torna-se filho de Deus. Então esqueça a ideia de “provação”, pois nenhum pai prova um filho com doenças:

“É errado quando um cristão diz que está lutando para derrotar o diabo na sua vida. O diabo já foi derrotado por Jesus, na cruz. Em vez disso, as pessoas deveriam dizer que estão lutando contra as suas próprias dúvidas e temores, para assumirem a Sua vitória, porque quando cremos e assumimos esta vitória em Cristo, ela se torna a nossa vitória.”

E, por fim, ele fala sobre o Espírito Santo:

“O Espírito Santo vem para completar o plano de Deus e salvar as nossas almas. No nosso dia a dia, é Ele quem nos dá forças quando estamos fracos; consolação quando estamos tristes; coragem quando sentimos medo; arrependimento quando cometemos pecados; entendimento quando temos dúvida em tudo e por tudo. Ele precisa estar tão presente na nossa vida hoje como o Senhor Jesus esteve presente na vida dos Seus discípulos, quando pregava em Israel.”

Esse é o fundamento de nossa fé. É disso que você deve se lembrar quando este ano terminar. O próximo ano só será de vitórias, saúde, paz, prosperidade e tal se você tiver vida. Se não tiver, de nada adiantam os desejos vagos que as pessoas trocam na virada do ano. Você pode decorar todos os clichês de reveillon, que assim que terminar a digestão da ceia e passar o porre do champagne, aquela pedra invisível continuará em cima da sua cabeça e pesando em suas costas, ameaçando lhe esmagar até a morte. Mas se você tomar a decisão agora, de deixar os erros (e não só os mais óbvios, mas também os que só você conhece, pois estão em seu coração) e entregar-se àquele que pagou um preço muito alto pela sua vida, então você terá a oportunidade real de conhecer em 2013 a verdadeira alegria, a verdadeira paz, a verdadeira prosperidade.

Meu desejo para esse próximo ano é, na verdade, uma oração. Que você que ainda não aceitou esse presente, não deixe passar a oportunidade. E que você que já aceitou, agradeça esse presente da melhor maneira possível: levando, com sua vida e seu comportamento, esse convite àqueles que ainda não O aceitaram. Lembro-me de que há alguns meses o Bispo Renato escreveu em seu Twitter que talvez a nossa vida seja a única Bíblia que algumas pessoas irão ler. Que tenhamos esta responsabilidade em mente no final deste ano e no tão esperado ano novo.

Vanessa Lampert

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PS: Sei que eu falei bastante aqui, encompridando os trechos do livro com meus comentários…rs…mas é que o livro faz nossa cabeça trabalhar a mil, compreendendo cada ponto desse assunto tão importante. São 92 páginas claras, escritas com uma linguagem leve, de fácil assimilação, com a sensibilidade típica do estilo literário do Bispo Marcelo Crivella. Vale muuuito a pena ler, mesmo que você já tenha alcançado a salvação, pois o conteúdo desse livro vai te auxiliar a ajudar outras pessoas.

PS2: Antes que alguém me pergunte onde comprar este livro: Se não tiver na sua IURD, você pode encomendar pelo Arca Center. Clique aqui para ver.

PS3: Falando no sofrimento físico ter sido grande, mas menor do que o espiritual, eu tenho verdadeiro horror do filme “A Paixão de Cristo”, do Mel Gibson. Ainda mais depois que descobri que a a base que ele usou não foi a Bíblia.Clique aqui para ver o trecho em que falava sobre isso, e que acabei tirando da resenha (pois virou um post…rs…).

Publicado originalmente no site Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.

Livros que não são o que parecem – Ele veio para libertar os cativos

“Ele veio para libertar os cativos”, de Rebecca Brown, é considerado um “clássico da literatura evangélica”… Poucas vezes vi tanta confusão antibíblica reunida em um livro. Distorce a guerra espiritual de tal maneira que o leitor corre o sério risco de perder anos de sua vida divertindo o diabo e acreditando ser um grande guerreiro espiritual.

“Satanás fará tudo para impedi-lo de ler. Tentará impor sonolência, confusões, interrupções constantes e muitas outras coisas.”

Neste caso específico, não é o diabo que vai te impor sonolência e confusões, é a narrativa chata da Rebecca. Não duvido que a pessoa passe mal, e até manifeste com um espírito maligno lendo esse livro, sabe por quê? A fé é a energia que move o mundo espiritual, tanto para o bem, quanto para o mal. Isso é uma lei natural, estabelecida pelo próprio Deus. Quando a pessoa lê o trecho acima, e fica impressionada, coloca sua fé naquilo, tem certeza absoluta e começa a esperar que aquilo aconteça. Assim, é um prato cheio para que o diabo tome conta

A história do livro, resumida, é a seguinte: Rebecca era residente de medicina em um hospital. Conhece Elaine, uma “bruxa satanista”, que foi casada com lúcifer, se converte e continua perseguida pelos demônios, sendo salva por Rebecca.

Pesquisando a respeito da autora, descobri que a licença médica de Rebecca Brown foi cassada depois de uma longa investigação do conselho de medicina. O psiquiatra do conselho a diagnosticou com esquizofrenia paranoide (aqui sou tentada a lembrar que o livro começa escrito em terceira pessoa, depois passa para primeira e até agora estou tentando entender quem escreveu “Rebecca isso”, “Rebecca aquilo” no primeiro capítulo). Foi afastada do trabalho por conta disso. É claro que ela e Elaine (tida pela família como mentirosa compulsiva e mentalmente desequilibrada) viam em tudo isso um complô satanista (poderia mesmo ser perseguição, se o conteúdo do livro fosse diferente).

O início do livro conta a história de Rebecca e Elaine, depois fala sobre o que ela descreve como “batalha espiritual” e demonstra uma reverência fora do comum ao diabo:

“Nunca subestime o poder de Satanás ou trate-o com desrespeito. (…) Não estamos dando qualquer glória ou honra a Satanás, porém, ele é um adversário astuto e é muito mais inteligente do que nós. Não se esqueça do que Deus disse quando criou Satanás.“…Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura.” (Ezequiel 28.12). Satanás é a mais linda e inteligente criatura que Deus criou. Não podemos esperar vencê-lo com a nossa pequena inteligência humana, ou entender suas táticas. Devemos permanecer totalmente dependentes do Senhor para revelá-las a nós. Podemos resistir e superá-lo somente através do poder de Jesus Cristo. Quando uma pessoa deixa de respeitar Satanás, ela se torna descuidada e a porta fica aberta ao orgulho e muitos outros enganos do inimigo.”

Isso porque não estava dando qualquer glória ou honra a satanás, imagina se estivesse! Quando Deus criou Lúcifer, ele era, sim sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura, e diz: “perfeito eras em seus caminhos, até que se achou iniquidade em ti”. Quando caiu, perdeu tudo o que tinha de bom e tornou-se satanás. Não há nenhuma virtude nele que mereça respeito ou admiração. É nossa obediência a Deus que nos livra do mal, e não o respeito ao diabo! Nossa proximidade com Deus é que nos dá condições de não cair nas armadilhas dele, pois Ele nos protege, orienta e dá sabedoria.

“Ele é uma das mais poderosas e inteligentes criaturas criadas por Deus. A inteligência humana não se compara em nada à dele.”

Se isso não é dar louvor, glória e honra ao diabo, o que é, então? Não posso fazer uma análise cuidadosa da inteligência do diabo, porque não tenho tantos dados assim a respeito. Vejo nele apenas um trabalho repetitivo e bem organizado, e tem a vantagem de anos e anos de experiência (e de ser invisível). Eu não subestimo o diabo, ele está tempo suficiente neste mundo para fazer seu trabalho de maneira eficiente aos seus propósitos, mas diante de Deus, ele é menos que uma pulga! Por que merece respeito?

Eu realmente acho que ela acredita no que diz. O problema é gente normal embarcar na dela e acreditar, também. O que ela relata em todo o livro podemos chamar de “misticismo esquizofrênico pseudocristão”. Está espalhado pelo mundo evangélico como uma gosma grudenta que cresce desordenadamente.

“não esperando que, realmente, algo acontecesse, sentiu uma opressão demoníaca como nunca antes. Rebecca sentia vir contra ela um incrível e invisível poder. Era como se uma mão gigantesca tentasse esmagá-la contra o chão e uma força invisível tentasse sugar toda a vida de seu corpo.”

Se fosse normal acontecer isso com pessoas cheias do Espírito Santo e que utilizem a autoridade dada pelo Senhor Jesus, Ele e seus discípulos viveriam sendo esmagados contra o chão. E não teríamos nenhum de nossos pastores vivos para contar a história. Muitos crentes acreditam que em um lugar repleto de demônios, eles (os crentes) devem se sentir mal. No entanto, quem tem de passar mal são os demônios, ora essa! Você não está cheio do Espírito de Deus? Quem tem de sair correndo, atormentado, é o mal e não você!

“Comecei a me preocupar intensamente com Elaine, à medida em que o tempo passava, porque os demônios estavam destruindo-lhe o corpo. Sempre que perguntava ao Pai quanto tempo duraria aquela situação, Ele respondia: “Até que vocês tenham aprendido o bastante.” Finalmente, chegou o dia em que Ele me disse para chamar o pastor Pat para a libertação completa dela. Assim, eu o fiz. ”

Então peraí, para tudo! A mulher passou oito semanas sem dormir direito, sendo perseguida e oprimida por demônios, correndo risco de morte, sendo torturada, agredida, maltratada, pisoteada, estrangulada e esfaqueada (literalmente) porque Deus queria que elas aprendessem? O deus de Rebecca Brown é esquisito.

Por fim, o tal pastor Pat conseguiu expulsar o demônio após DEZ HORAS de oração e imposição de mãos, leitura da Bíblia e cânticos!!! Só a autoridade do nome de Jesus não basta? Imagina se precisássemos de dez horas para expulsar os demônios de uma pessoa? Nossos pobres pastores não fariam mais nada na igreja…rs…

Rebecca confunde as definições de alma e espírito, pega I Coríntios 15:44, isola a segunda parte do versículo, que diz: “Se há corpo natural, há corpo espiritual” e usa essa frase para construir toda uma teoria de que existe um “corpo espiritual” que pode sair do nosso corpo físico e guerrear contra os demônios. No entanto, se você ler todo o contexto, verá que Paulo está falando sobre a ressurreição dos mortos, na volta de Jesus. Alguns perguntavam se os ressuscitados teriam corpo. Paulo explica que o corpo não será igual ao corpo que tínhamos antes da morte, mas um corpo transformado. É claro, não dá para levar um corpo tridimensional corruptível como o que temos para o céu!

Logo, derrubamos a teoria de que “corpo espiritual” é uma espécie de extensão da própria pessoa em outra dimensão. Como posso levar em consideração a palavra de alguém que deliberadamente tira um texto de seu contexto para criar uma teoria? Não é porque um livro tem versículos bíblicos que ele tem base bíblica.

“Há uma urgente necessidade de jovens que se disponham a ficar na brecha por seus ministros, e que também peçam ao Senhor que os deixe lutar por eles. Em outras palavras, quaisquer ataques demoníacos direcionados ao pastor, deverão, primeiro ir contra você. O que significará sofrimento tanto físico, como emocional”

Observe a estratégia. Já que não consegue atingir um pastor que está com sua vida 100% no altar, o diabo convence essas pessoas incautas de que se orarem pelo pastor, podem esperar, aceitar e abrir-se para ataques demoníacos. Ou seja, ele já não conseguiria atingir o pastor, de qualquer maneira, então pelo menos conseguirá atingir você. Se fosse assim, o povo das igrejas a quem Paulo escrevia cartas viveria doente, pois estavam sempre orando por ele…

“Você já passou por um período de intensa oração intercessória em que se sentiu extremamente exausto depois? Isso acontece, porque enquanto estava orando com o corpo físico e a mente, Deus levou o seu corpo espiritual e o colocou em combate com as forças demoníacas contra as quais você estava orando. A fadiga que é sentida, é o reflexo do “stress” experimentado pelo corpo espiritual. As feridas infligidas a seu corpo espiritual, com freqüência, manifestam-se através de vários sintomas em seu corpo físico.”

Não, amiguinha, isso acontece quando você tenta lutar na força do seu braço. Isso, aliás, é o que na realidade Rebecca ensina a fazer, do começo ao fim do livro: lutar na força do braço. É legal pensar que seu sofrimento é por você estar lutando contra o diabo, e que tem a aprovação de Deus. Mas não é verdade. Se você está sofrendo (depressão, tristeza, perturbações, doenças, miséria, desgraças), busque a Deus, para aprender a lutar corretamente e não ser vítima dos ataques do inimigo.

Aqui ela tenta embasar-se usando o exemplo de Daniel, quando (em Daniel 10.7-18) relata a visão que teve. Nos versículo 16 e 17, ele diz: “E eis que uma como semelhança dos filhos dos homens me tocou os lábios; então passei a falar e disse àquele que estava diante de mim: meu senhor, por causa da visão me sobrevieram dores, e não me ficou força alguma. Como, pois, pode o servo do meu senhor falar com o meu senhor? Porque, quanto a mim, não me resta já força alguma, nem fôlego ficou em mim”

Leia todo o capítulo 10 e você verá que Daniel teve uma visão assustadora, ficou apavorado e desmaiou (você também ficaria, se visse o que ele viu, leia lá em Daniel 10). Depois diz que sente dores e fraqueza. Uma descarga alta de cortisol causa isso! Mas dona Rebecca, a distorcedora de trechos bíblicos, diz que Daniel estava com dores físicas por ter lutado espiritualmente. No entanto, neste mesmo capítulo de Daniel, a Bíblia é bem clara em dizer que a batalha espiritual acontecera não entre Daniel e os demônios, mas entre os anjos e os demônios. Daniel estava orando por uma resposta em relação à primeira visão que tivera, não tinha a menor ideia da guerra que se travava em outra dimensão.

Concordo 100% com a constatação do Bispo David Higginbotham em seu livro “Crentes possessos”:

“A única conclusão que chego sobre aqueles que estão envolvidos em guerras espirituais, mas que também estão sob a opressão, é que eles mesmos estão endemoninhados e ainda não conhecem a plenitude da presença de Deus em suas vidas. “

Quando eu achava que ela já tinha chegado ao ápice dos absurdos, Rebecca me surpreende.

“O Senhor mostrou-me que o esgotamento em nossos corpos físicos cria uma aguda perda de proteínas. Se não tivermos todo cuidado de elevar o consumo de proteínas de alta qualidade durante os períodos de intensa batalha espiritual, ficaremos consideravelmente fracos.”

What? Então não é a fé, não é o Espírito Santo, não é a autoridade de Jesus, é a ingestão de proteínas…bem que Deus poderia ter escrito isso na Bíblia: “Comei proteína e vivei”.

“Desde que Deus, através de sua aliança com Noé, ordenara-lhe a comer carne, Satanás e seus demônios tentam fazer com que as pessoas deixem de comê-la.”

Deus não ORDENOU a Noé que comesse carne, apenas disse que ele poderia comer tudo o que quisesse (Gênesis 9:3) Foi uma permissão, não uma ordem! Você pode decidir o que vai comer. Depois disso, com o povo no deserto, Deus restringiu a dieta. Aí, sim, foi uma ordem, dizendo quais tipos de animais o povo não deveria comer. No novo testamento, ampliou novamente o leque, e manteve a proibição apenas da carne com sangue (adeus galinha ao molho pardo), da carne de animais sufocados e da comida sacrificada aos ídolos (Atos 15:29). Mas não impediu ninguém de se abster de alguma coisa, se assim escolher.

Acha mesmo que se fosse imprescindível comer carne, ele não teria escrito: “Não vos alimenteis apenas de vegetais” ou coisa do gênero? Conheço quem come carne e que vive doente e fraca por não dormir direito e não fazer exercícios! Você come proteína no grão de bico, na soja, nas castanhas, na combinação de arroz e feijão, no ovo, nos laticínios, na suplementação de glutamina (hehe) e…na carne.

“Satanás está sempre enganando e mentindo. Nada é o que parece ser. Seus servos mais eficazes são os supostos cristãos mais fortes, os que vão à igreja regularmente e os mais bem sucedidos, respeitados e honrados membros de sua comunidade.”

Pois é…e que escrevem livros sobre “batalha espiritual” que se tornam best-sellers, influenciando igrejas por anos a fio.

“De fato, diante do Senhor, é responsabilidade sua, como indivíduo, estudar cuidadosamente tudo o que os outros dizem a você. Deve verificar se o que lhe é ensinado está dentro do contexto bíblico. E isto inclui este livro, assim como tudo o que é dito pelos pastores.”

Com isso eu concordo. É o que estou fazendo. Então que ninguém reclame.

“Não se esqueça, que Satanás e seus demônios tentarão, sempre, enganar você, especialmente no que diz respeito a assuntos espirituais.”

Para ninguém dizer que o demônio que inspirou esse livro não avisou.

“A influência deles é muito grande e conseguem fazer grandes estragos porque os cristãos são preguiçosos para estudar a própria Bíblia e checar o que eles ensinam.”

Por isso ela colocou um monte de textos fora do contexto. Sabia que seus leitores não iriam checar. :)

“Está você disposto a dizer ao Senhor, na enfermidade de um de seus irmãos: “Senhor deixe-me levar a carga de meu irmão, deixe-me, literalmente, ter um pouco da fraqueza ou da dor para que ele possa sarar mais rapidamente.”

De onde ela tirou isso? De mais um texto bíblico tirado de seu contexto e retorcido. Isso nunca foi sugerido por Deus na Bíblia, e imagine os apóstolos curando paralíticos e ficando, eles mesmos, “um pouco paralíticos”? Jesus já levou sobre si todas as nossas enfermidades e nossas dores, dizer que devemos também carregar as dores e enfermidades dos outros é negar o sacrifício de Jesus!

Com essas ideias, poucos abraçarão o “ministério de libertação” e os que fizerem, o farão na força de seus braços e apoiados nesses misticismos. Dessa forma, o tal ministério será ineficaz, e os demônios poderão agir livremente (inclusive naquele que acha que está sendo usado para libertar). Mas se a libertação for aplicada da forma que funciona, os crentes mais emocionais acharão sem graça. Como assim o demônio sai na hora? Como assim não há retaliação, dores físicas, doenças, perturbações, visões de vultos, audições de vozes e depressão? Como assim você tem paz interior, dorme direitinho, é feliz, próspero e saudável? Sem nenhuma emoção? Que sem graça!

O espírito que usa Rebecca Brown é um espírito estranho, muitas de suas ideias sobre Deus são equivocadas, e sua doutrina é antibíblica.

“Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o pai como o filho” (2João 1:9)

Então que ninguém me condene por dizer que Rebecca Brown não tem Deus. A própria Bíblia diz isso.

 

UPDATE:

Me lembrei de que em uma igreja da qual participei, uma das pastoras (esposa de pastor lá era pastora) sofreu um aborto espontâneo e me disseram que aquilo acontecia com a primeira gravidez de todas as pastoras, por “retaliação do diabo”. O diabo sacrificava o primogênito de todos os pastores há anos e todo mundo achava natural! Clique aqui para ler “O sacrifício de estar envolvido com libertação”, um trecho do livro “Crentes Possessos”, que deixa clara a nossa posição a respeito desse pensamento.

 

Vanessa Lampert

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PS: Quer uma dica de um excelente livro sobre libertação? Crentes Possessos, do Bispo David Higginbotham. Tem no Arca Center.

PS2:  Se achou o texto longo, saiba que ele era três vezes maior. 😀 Foi o livro que mais rendeu trechos absurdos. Levei dois dias para fazer esta resenha, mais tempo para cortar do que para escrever. Enquanto lia o livro, preenchi dezesseis páginas do Word só com os trechos mais gritantemente absurdos, embora houvesse trechos absurdos em absolutamente todas as páginas do livro…pouquíssimas coisas se salvam, sem brincadeira.

PS3: Quero salientar que quando um livro entra para o rol dos “livros que não são o que parecem” por conta de ter sido claramente inspirado por um espírito enganador, você deve colocar todos os outros livros do autor no mesmo saco. Então, aproveite os livros da Rebecca Brown para acender a churrasqueira. :)

PS4: Para quem ainda não leu, segue o link para o texto “Tenho que respeitar o diabo?”  tem a ver com o assunto.

UPDATE 2: Tenho recebido comentários de crentes perdidos, que ou acham que eu não acredito em guerra espiritual e libertação de demônios (essas pessoas não leem o texto inteiro, não é possível!), ou vêm com a falácia de “o Espírito Santo trabalha do jeito que Ele quiser, não vai ser sempre do mesmo jeito” – como se Deus fosse um maluco com múltiplas personalidades. Primeiro, gostaria de dizer que todos temos chamado para obra de libertação, pois esse chamado veio do Senhor Jesus na Sua Palavra: “curai os enfermos e expulsai os demônios”. O que muitos crentes não entendem é que Deus é Quem Ele é. Deus não é uma coisa aqui e outra coisa ali. Deus não tem dupla personalidade. O tipo de experiência que Rebeca teve (ou diz que teve) não tem NADA a ver com o Deus da Bíblia. Simples assim.

O mundo espiritual existe, a guerra espiritual existe, mas o que Rebeca descreve, se for verdade, é uma experiência com um espírito enganador, não com o Espírito de Deus. E note a certeza que alguém deve ter para afirmar isso. Só existe um Deus: o Deus da Bíblia. E Ele não muda. Eu tenho visto diariamente pessoas sendo libertas da maneira que Jesus e Seus discípulos faziam. De maneira simples, eficiente e com autoridade. A Palavra de Deus nos alerta que nos últimos tempos muitos iriam preferir dar ouvidos a fábulas em vez de seguir a Palavra de Deus. Eu lhes mostrei um exemplo de fábula neste livro, para abrir os olhos dos sinceros. Cabe a você escolher a qual grupo quer pertencer.

 

Seus Limites

Já que vocês estão com uns três mil novecentos e cinquenta e cinco livros para ler (haha), posso aproveitar esse espaço para falar sobre algo de extrema importância, relacionado – pra variar – com a leitura e com a sua vida.

Percebi que a melhor maneira de estimular a ler era abrir o livro aqui no blog e conversar enquanto lemos juntos, colocando trechos dos livros e comentando. Isso fez com que as resenhas ficassem mais divertidas e produtivas, mas teve um efeito colateral: os posts ficaram mais longos. Mesmo assim, os mais corajosos encararam o desafio, embarcaram na leitura – e não se arrependeram.

Existe um número impressionante de pessoas adultas escrevendo (e dizendo) coisas sem sentido.  Elas têm dificuldade com raciocínio lógico e, naquela ansiedade da correria comum em nossa época, têm preguiça de ler um texto mais longo e acabam não entendendo nem os curtos. O problema não é ser assim, o problema é ser assim, se acomodar e não querer mudar!

Para alcançar os leitores dentro de suas limitações, até as propagandas mudaram! Tenho uma edição da revista Cruzeiro da década de 40, e as propagandas eram cheias de texto! Quando visitei o Museu do Ipiranga, entrei em uma sala repleta de anúncios bem antigos. Reparei que quanto mais velhos, maior a quantidade de texto, explicando, racionalmente, por que você deveria comprar determinado produto.

Hoje em dia, a propaganda te lança uma frase curta – que geralmente não diz nada – , uma imagem atraente, alguma tentativa de manipulação e – nas mídias modernas – uma música que mexa com alguma parte não racional do seu ser. É a cultura do desligamento do cérebro. Para completar, a escola ainda coloca como leitura obrigatória livros totalmente incompatíveis com a idade (e com a linguagem) das crianças e adolescentes, o que faz com que gravem a informação errada de que ler é chato.

Então as pessoas vivem sem pensar muito em nada, se deixando levar pelas emoções e repetindo como raciocínio próprio o que veem na televisão e nas revistas. Muitos se convertem e encontram igrejas que seguem a mesma cartilha do mundo: emoção, emoção, emoção. E os livros que leem estão cheios de…emoção, emoção, emoção. Só se exercita a emoção, e por isso  vivem em uma gangorra emocional (e espiritual).

No entanto, não podemos aceitar que o povo de Deus, que foi chamado para fazer a diferença, tenha essa mesma limitação. Por isso decidi que escreveria para aqueles realmente interessados em desenvolver sua inteligência e ser uma ferramenta ainda mais útil nas mãos de Deus. Quanto mais habilidades você desenvolver, mais usado será.

Não se esqueça: a leitura é uma musculação para o cérebro. E como qualquer exercício, quando você começa a fazer, depois de aaanos de sedentarismo, dói aqui e ali, né? Talvez você precise pegar leve no começo, mas não pode desistir, nem se acomodar às suas limitações. E nem achar que já está expert e relaxar. Leve isso para toda a vida. Não se acomode. Se esforce, leve o tempo que for necessário, e comemore cada vitória.

Veja o comentário da leitora Gerlane no meu blog:

“Vi um post que a senhora fala que com a leitura nasce novos neurônios, (acho que é isso). Muitas vezes eu não conseguia ler seus posts até o final, me cansava porque era grande. Mas a cada resenha fui me interessando mais, eu tenho bastante livros, mas nem lia.. Eu disse “lia”..

Eu comecei a ler, mesmo sem vontade e fui insistindo.. Hoje pela primeira vez li um livro em menos de 2 semanas por sinal (NADA A PERDER), eu aprendi a gostar de ler e vejo que meu falar, minhas palavras são melhores, eu nunca gostei de português, me arrependo de não ter estudado corretamente nesta matéria, mas a minha leitura hoje é melhor, eu leio tudo, agora onde vou faço questão de ler, as palavras estão sempre a nossa frente e eu não me importava, e agora bom eu gosto muito de ler e agradeço por a senhora sempre ensinar que devemos perseverar.

Eu ainda escrevo algumas coisas erradas ainda gaguejo um pouquinho na leitura em voz alta, mas pode ter certeza, eu aprendi a ler com mais gosto, eu vi isso como um exercício e é mesmo. Desculpa escrever tanto, mas tenho que te agradecer. Seus posts me ajudaram a melhorar meu interior, sei que parece nada a ver, porque é apenas a leitura, mas agora tenho mais vontade até de ler a Bíblia com mais sede, mais amor… Eu entendi muita coisas, e amei..”

Terminei de ler isso dando pulinhos de alegria (quem me conhece pessoalmente sabe que isso pode ser literal…hahaha…) e derretendo como um chocolate feliz. :-) Note que ela diz que a vontade de ler a Bíblia aumentou, e a compreensão das coisas, também. Isso é consequência de se estimular a cabeça! Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi  “Eu comecei a ler, mesmo sem vontade, e fui insistindo”. Percebe a preciosidade dessa frase? Se você aprender isso, conseguirá superar qualquer limitação. É um esforço consciente. Lembra do convite de Jesus: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”? O que você acha que é “negar-se a si mesmo”? Não depender da vontade para fazer o que você sabe que é o certo!

Outra leitora, Ingrid Mello,  escreveu o seguinte e-mail:

” Oi Vanessa, gosto muito do que você escreve e queria lhe dizer que tem me ajudado muito! Antes estava com muitas dificuldades na leitura, e até mesmo para me expressar. Simplesmente as palavras não faziam muito sentido pra mim, lia mas não entendia o que estava lendo e graças a seus posts, as coisas começaram a mudar!!! Agora entendo o que leio e também procuro analisar se o que escrevo (ainda que seja em uma conversa) faz sentido… E seleciono bem mais o que vou ler, afinal, não devemos nos alimentar de qualquer coisa 😉 Enfim, tem sido uma mudança significativa!!”

Olha que maravilha! Assim como a Gerlane, ela já está acima da média da população que nos rodeia! Está se tornando mais consciente do que lê, do que escreve e do que fala! E superou as dificuldades com as palavras! Por quê? Por exercitar o cérebro! Os neurônios felizes e saltitantes dentro de sua cabeça davam boas vindas aos novos coleguinhas que apareciam para aumentar a inteligência da nossa amiga.

Assim começamos a construir um povo cada vez mais forte.

Eu não sou melhor do que você, amigo, por isso não aceito que eu consiga ler alegremente um post de dez mil caracteres e você não consiga chegar nem na metade.  Não aceite se curvar às suas limitações, seja em relação a leitura, seja em relação a qualquer outra coisa. Não pense que você não é capaz por não ter terminado seus estudos, ou por não ter um curso superior, ou por sua idade, ou por qualquer outro motivo. Não importa o seu passado, importa apenas quem você quer ser daqui para diante.

Anote mais uma coisa: inteligência não tem absolutamente nada a ver com ensino formal. Conheci muita gente burra com pós-doutorado e muita gente inteligentíssima que não tinha nem a quarta série. Quer saber o que difere um grupo do outro? A humildade. O humilde é inteligente (não importa a escolaridade). O arrogante se faz burro. Então esqueça os rótulos que o mundo quer lhe dar e aceite se transformar na pessoa que Deus quer que você seja: uma versão melhor de você mesmo.

O que eu faço aqui é mais ou menos o que faria um treinador bem exigente. Lembra daquele filme “Desafiando Gigantes”? Toda vez que se deparar com um texto grande ou com um grande desafio em sua vida, lembre-se desta lição (clique aqui para ver o vídeo).

Eu te digo, sem medo de errar, que sempre que você se esforçar para sair de sua zona de conforto, vai colher excelentes resultados. Pode ser complicado no começo, difícil, um grande esforço, mas vale muito a pena.

Vanessa Lampert

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PS: Ainda não respondi aos comentários, mas gostaria de dizer que estou anotando todos os livros que vocês me pedem.:-)

PS2: Aprenda outra coisa a respeito de livros e textos em geral: o mais importante não é o tamanho, mas o ritmo. Livros bem escritos voam. Você nem percebe, pois o ritmo do texto é ágil.

Post originalmente publicado no blog Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.

Livros que não são o que parecem – A divina revelação do inferno

Se a resenha anterior, da infinita série “Livros que não são o que parecem” era de uma ficção não-religiosa, a desta semana não poderia ser mais religiosa. Há algumas semanas, nossa leitora Andressa me perguntou a respeito desse livro, que ela leu quando era de outra denominação. Aproveito para usá-lo como representante de todos os outros livros contemporâneos de gente que diz que foi para o céu ou para o inferno.
Não haveria problema algum em ler este livro como uma ficção, uma alegoria de como as pessoas continuam sofrendo fisicamente no inferno depois da morte, DESDE QUE o leitor saiba que, ao contrário da afirmação da autora, ela não vivenciou essas coisas. É ficção e deve ser lido como ficção (se alguém quiser ler). 
A Bíblia nos fala claramente sobre o inferno. Diz que ele não foi feito para os seres humanos, mas para o diabo e os demônios. Depois que o homem desobedeceu a Deus e passou a seguir o diabo, suas próprias ações o levam ao inferno, a menos que se arrependa e aceite a salvação oferecida por Jesus. Jesus descreve o inferno como “fogo inextinguível, onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga”(Marcos 9:45,46). Mas Mary Baxter foi para lá?
  “Além disso, por um período de 30 dias Jesus levou-me ao inferno. O Senhor apareceu à mim em 1976 e disse-me que eu havia sido escolhida para uma missão especial. Ele disse: “Minha filha, me manifestarei a você para que tire as pessoas da escuridão para a luz. OSenhor Deus a escolheu com o objetivo de escrever e registrar as coisas que lhe mostrarei e falarei. Vou revelar-lhe a realidade do inferno, para que muitos possam ser salvos, muitos se arrependam dos seus maus caminhos, antes que seja tarde. Sua alma será tirada do seu corpo por mim, o Senhor Jesus Cristo, e transportada ao inferno e a outros lugares que eu quero que você veja. Mostrarei também a você algumas visões do céu e outros lugares, e lhe darei muitas revelações.”  

 Vamos por partes. Jesus esteve aqui na Terra e sabia que isso ficaria registrado em quatro livros, certo? Se era tão importante assim dar detalhes sórdidos sobre o inferno, por que Ele não o fez enquanto estava por aqui? Por que não baseou seus ensinamentos nisso? Aliás, eu considero que o que ele achava importante dizer sobre o inferno, ele disse. 

O Jesus de Mary Baxter fala muito parecido com ela mesma. Eu, sinceramente, não vi grande diferença entre os dois personagens, o que é um indicativo de história inventada por quem ainda não tem muita habilidade com escrita. Usa as mesmas palavras, as mesmas frases, o mesmo estilo. Outra coisa estranha é que furou o disco do Jesus que acompanhava a mulher. “você está aqui para que o mundo saiba que o inferno é real”, “o que você está vendo é real”, “o inferno é real”,  “isso é real”, “o mundo deve saber que é real”. 

Há muitos pontos questionáveis neste livro e que me mostram que ele veio da cabeça da autora e não de uma revelação espiritual. Como, por exemplo, o momento em que ela conta uma visão (pág.107) que Jesus teria lhe dado do trono de Deus:

“O ar ao redor do trono estava cheio de pequenos querubins, cantando e beijando o Senhor na face, nas mãos e nos pés […] O querubim tinha línguas de fogo sobre as suas cabeças e nas pontas de cada asinha.”

Note que é uma figura pequena, infantil. E, de fato, no original, ela diz: “was filled with baby cherubim, singing and kissing the Lord upon His face, His hands and His feet”.

Essa figura de querubim-bebê é uma criação do catolicismo, com base em um deus pagão romano, o Cupido, deus do desejo sexual descontrolado e do “amor” erótico. A figura de um bebê alado, na mitologia pagã, se chama “putto”, seria um cupido jovem. Por que ao redor do trono REAL de Deus alguém veria figuras mitológicas pagãs em vez de anjos como os descritos na Bíblia (adultos, pra começar).

O inferno que o livro descreve tem características diferentes do que está na Bíblia (formato, local, seções, atividade, etc.), Na imaginação da autora, o inferno teria braços, pernas, estômago, mandíbulas, como um corpo humano. 

A estrutura do livro A Divina Revelação do Inferno foi copiada de A Divina Comédia (“comédia” era uma história que terminava bem, enquanto “tragédia” era uma história que terminava mal), poema clássico da literatura publicado em 1472, por Dante Alighieri (que trabalhava para a igreja romana). Algumas similaridades: Dante é guiado por Virgílio (que ele chama de Mestre) ao inferno, purgatório e céu, assim como Mary Baxter é guiada por Jesus ao inferno, ao céu e a outros lugares, como o planeta das crianças abortadas e o futuro apocalíptico.

Em A Divina Comédia, o inferno é formado por diversos círculos e cada uma dessas partes do inferno tem características próprias, que ele descreve; assim como em A Divina Revelação do Inferno o inferno tem a forma de um corpo humano e cada uma de suas partes tem características próprias, que a autora descreve. 

Em A Divina Comédia, em cada uma das partes uma alma atrai a atenção de Dante, que ouve o “testemunho” dela e explica ao leitor a razão daquela alma estar ali, com um ensinamento final. É exatamente a dinâmica do relato de A Divina Revelação do Inferno, em cada uma das partes uma alma atormentada atrai a atenção de Mary Baxter, que ouve o testemunho dela e explica ao leitor a razão daquela alma estar ali, com um ensinamento final. 

Em ambos há descrições de celas e de diferentes tipos de torturas (e há religiosos no inferno de Dante, também). Os demônios estão à vontade, as imagens são parecidas e as sensações e questionamentos, também. No inferno, Dante tem muita pena das pessoas e muito medo do que vê, como Baxter. Mas Dante mistura mitologias, tem um desenvolvimento mais complexo e algumas alegorias.

Ele foi mais honesto, pois sempre deixou claro que escreveu ficção (ainda que com intenção de despertar as pessoas para a realidade espiritual — do jeito católico dele), enquanto Mary Baxter afirma categoricamente que sua experiência foi real. Ela passou inclusive a viver das palestras que era convidada a fazer como profetisa, contando suas visões e revelações do inferno e do céu.

‘O homem continuou: “Senhor, algumas pessoas da minha família acabarão vindo para cá, porque também não se arrependerão. Por favor, Senhor, deixe-me ir dizer a eles que devem se arrepender de seus pecados enquanto eles ainda estão na terra. Não quero que eles venham para cá.” Jesus respondeu: “Eles têm pregadores, professores e pastores —todos ministrando o Evangelho. Esses falarão a eles. Eles também têm as vantagens dos modernos meios de comunicação e muitos outros meios para aprenderem de Mim. Eu enviei obreiros para que eles possam crer e serem salvos. Se eles não acreditarem no Evangelho, tampouco serão convencidos, mesmo que alguém se levante dos mortos.”  

Opa! Plágio! Plágio! Já li isso em algum lugar…mas em vez de Jesus, era Abraão…lembra da história do rico e do Lázaro?  

 “No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado, e tu em tormentos. E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós. Então replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento. Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Mas ele insistiu: Não, pai Abraão, se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se ao. Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos. “(Lucas 16:23-31)  

Em vários pontos do Novo Testamento, cita-se “Moisés e os Profetas” como sinônimo de “Escrituras Sagradas” (Lucas 24:44, Atos 28:23) Ou seja, Abraão estava dizendo que se a Palavra de Deus não era suficiente, então não adiantaria mandar mais ninguém! Ao copiar esse trecho Bíblico, o Jesus de Mary Baxter se contradiz. Porque se não se convencerão mesmo que alguém se levante dos mortos, o que ela foi fazer no inferno?

 Para completar, o Jesus de Mary Baxter a abandona e ela é arrastada por demônios. Torturada, sente dores horríveis, como a carne sendo arrancada de seu corpo… Quando ele finalmente volta:  
 ‘Jesus respondeu carinhosamente: “Minha filha, o inferno é real, mas você jamais poderia ter certeza plena até que você mesma o experimentasse. Agora você conhece a verdade e sabe o que é estar perdida no inferno. Agora pode falar aos outros sobre ele. Tive que deixar você passar por tudo isso, para que você viesse a conhecê-lo sem nenhuma dúvida.”‘  

Mas também não faz sentido. Se ela jamais poderia ter certeza plena até que ela mesma o experimentasse, de que adiantaria falar aos outros sobre ele? 

Em seguida, o trecho que me fez ter vontade de mandar Mary Baxter para a sessão do descarrego:

 “Quando acordei no dia seguinte, estava muito doente. Durante quatro dias eu recordei os horrores do inferno com os seus tormentos. Durante a noite eu acordava gritando e dizendo que haviam vermes rastejando em mim. Fiquei com muito medo do inferno. Fiquei doente por muitos dias após ter sido largada nas mandíbulas do inferno. Tinha que dormir com a luz acesa. Precisava ter a Bíblia comigo o tempo todo e a lia constantemente. (…) Jesus dizia: “A Paz, aquieta-te” e a Paz entrava em minha alma. Mas, poucos minutos depois eu acordava gritando, histérica de medo. (…) Sentia tanto medo de voltar ao inferno, que tinha até medo algumas vezes de ter Jesus perto de mim”  

Como se tudo isso não fosse o bastante, o livro termina com uma “visão” de um futuro muito doido. Distopia, Big Brother (livro 1984, de George Orwell) e apagador de mentes:  

 “Quando olhava, vi um outro homem no escritório muito zangado com a besta. Ele exigiu falar com ele (a besta é um homem). Ele gritava com toda força. A besta apareceu e parecia bem educado quando disse: “Vem , posso ajudá-lo a resolver os seus problemas.” A besta levou-o, então, para uma sala grande e pediu que se deitasse numa mesa. A mesa e a sala lembravam uma sala de emergência de hospital. Deram-lhe uma anestesia e o transportaram para uma máquina grande. A besta prendeu alguns fios na cabeça do homem e ligou a máquina. Na parte superior da máquina estavam as palavras: “Este apagador de mentes pertence a besta, 666.” Quando o homem saiu da mesa, seus olhos tinham um olhar vazio e seus movimentos lembravam os de um zumbi num filme. Vi uma grande mancha branca no alto da sua cabeça, eu sabia que a sua mente tinha sido cirurgicamente alterada, para que deste modo ela pudesse ser controlada pela besta. A besta disse: “E agora, senhor, não está se sentindo melhor? Eu não lhe disse que cuidaria de todos os seus problemas? Eu dei-lhe uma mente nova. Não terá mais problemas nem preocupações.” O homem não respondeu.”  

A prova final de que Mary Baxter inventou tudo isso é o seguinte trecho, que ela escreve antes de descrever sua experiência de ser torturada pela segunda vez (ah, é, o “Jesus” a abandona pela segunda vez, sem explicação plausível):  

 “O que você vai ler agora, o deixará assustado. Oro para que isto o assuste o suficiente para fazer de você um crente. Oro para que você se arrependa de seus pecados, a fim de que nunca venha para este lugar.”  

Comoassim, Mary? “Oro para que isto o assuste o suficiente para fazer de você um crente”?? Então um crente nada mais é do que um incrédulo assustado? Veja o perigo de se tentar fazer a obra de Deus na força do braço.  

A conclusão final: o livro é uma ficção ruim. Uma tentativa de fazer um A Divina Comédia Gospel, usando a carta de “revelação” para que ninguém possa contradizê-la (sob o risco de estar contradizendo Jesus, imagina!). É o relato ficcional de uma mentirosa bem-intencionada. Se você quiser ler como ficção, fique à vontade. Só não saia por aí dizendo que Jesus realmente levou a mulher para o inferno.
 
Apesar da forma como ela decidiu apresentar essa ideia ser errada, o inferno é real, sim. A palavra de Deus é bem clara a respeito dele. Não sabemos se ele tem alguma forma (pouco provável) ou subdivisões. Nele, há fogo, choro e ranger de dentes. Há tormento que não se compara ao sofrimento que a pessoa passou neste mundo, afinal de contas, no mundo há coisas boas, mas no inferno não há mais nada de bom. Há fogo que queima e não consome nem ilumina. Há escuridão e trevas de tal forma que se alguém realmente fosse até lá, não enxergaria nada para contar a história (seria um livro bem esquisito). Não há plataformas em que se possa andar. Não há salinhas de isolamento. Há fogo, dor e tormento. Por toda eternidade. 
 
Deus não quer que ninguém vá para o inferno — nem para avisar a outras pessoas. O ser humano abriu seu caminho para lá quando se afastou de Deus. Passaremos a eternidade ao lado de quem escolhemos servir e viver durante nossa vida neste mundo. A morte pode chegar a qualquer momento e devemos escolher, ainda neste mundo, onde iremos passar a eternidade. Esta vida deve ser um treinamento para nos tornarmos cidadãos do Reino de Deus, seguindo as Palavras do verdadeiro Senhor Jesus, o da Bíblia. Só assim teremos condições de viver com Ele para sempre. 
 
 
 
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Vanessa Lampert  
 
PS:  Essa resenha deu alguns filhotinhos. Tem mais um trechinho deste livro em outro texto, ainda mais absurdo e perigoso, “Pessoas não são demônios”. (Clique aqui para ler). E o texto “Sobre viagens ao inferno e ‘Profecias’ em geral” Clique aqui para ler.