Não generalize

f794f6df-3cff-4ee5-a3fe-1324230c0c80

Identificando a voz do gremlin — Parte 4

Outra característica forte de pensamentos gremlinianos é a presença de termos definitivos e generalizações, como: sempre, nunca, ninguém etc. — As coisas na vida real dificilmente podem ser generalizadas ou definitivas. Acho que definitivo, só a morte e, mesmo assim, não é tão definitiva, já que a vida continua depois dela.

Essa, aliás, é uma das características mais comuns e é o que leva muitas pessoas a tomarem decisões definitivas (como o suicídio) na tentativa de solucionar um problema. O pensamento errado as leva a ignorar o fato de que todo problema é temporário. Elas veem tudo como extremo e…dramático. Sim, porque não tem nada mais dramático do que algo definitivo. “Eu NUNCA vou ser feliz.” “Eu NUNCA vou conseguir isso.” “Eu NUNCA vou mudar.” “As pessoas SEMPRE me acham ridícula.”

Encontrei um bom exemplo disso em um dos meus diários antigos, de 1999 (eu tinha 19 anos e o problema não era adolescência, era depressão, que, com altos e baixos, me acompanhou até 2009). Sente o drama:

“Estou exausta, de saco cheio de TUDO e de TODOS, não aguento mais os mesmos problemas, as mesmas conversas, os mesmos dilemas. Eu não aguento mais esse NADA COMPLETO. Será que eu NUNCA me recuperarei? Será que NUNCA reconstruirei? NADA será como antes. Eu NUNCA serei como antes. O que eu esperava que fosse? Sinceramente, eu confesso que não esperava NADA, nem de antes, nem de agora (muito menos).”

Praticamente um texto psicografado por gremlin. Às três horas da manhã, em uma das muitas madrugadas que eu passava em claro pensando abobrinha (conversando com gremlins). Puro sentimento burro. Se houvesse mediação de raciocínio lógico aí, perceberia que nenhuma dessas generalizações era correta.

Por exemplo, se você fosse fazer uma lista de TODAS as coisas e pessoas que existiam na minha vida, eu provavelmente estaria de saco cheio de 10% delas, no máximo. E por razões que diziam mais respeito a mim do que a elas. Mas, sem pensar, eu realmente sentia que era algo que poderia generalizar. Eu sentia como se estivesse cansada de TUDO, mas não estava realmente cansada de TUDO.

E quanto ao “eu confesso que não esperava NADA, nem de antes, nem de agora”, obviamente eu esperava alguma coisa de antes e do momento em que escrevia isso, caso contrário não me sentiria frustrada. Se você espera NADA, não se frustra ao encontrar o que esperava rs. Por fim, eu sentia que nunca seria feliz, sentia um vazio (o “completo nada” que menciono no diário) e de tanto repetir essas palavras definitivas, sentia que era algo impossível de mudar. 

Sim, porque há um segredo nessa repetição de nadas, nuncas, tudos e sempres. A repetição de palavras generalistas e definitivas é uma forma do gremlin nos hipnotizar com a sensação de que nunca conseguiremos nada. Não importa se faz sentido ou não, só o que importa é a sensação que nos traz. É com isso que ele trabalha e é nisso que nos enrola.

Uma coisa que você deve saber a respeito de textos escritos, falados ou pensados: cada palavra importa. Em seus textos, preste atenção a cada palavra. Você realmente está dizendo o que quer dizer? O que está dizendo é realmente verdade? Realmente tem lógica? Será que esse NADA quer dizer NADA, mesmo? Nem uma coisinha? Se eu me perguntasse: “como assim ‘não aguento esse nada completo’? Será que minha vida realmente tem sido um nada completo?” Seria obrigada a admitir que existiam algumas coisas boas, que eu simplesmente desconsiderava.

Aprenda outra coisa: generalizações empobrecem o discurso. Você poderia focar dez coisas específicas, mas generaliza em uma só. Teríamos um texto bem mais rico se eu descrevesse as coisas boas que estavam acontecendo na minha vida, as coisas legais e as possibilidades para resolver aquilo que me incomodava (se eu conseguisse pelo menos descrever quais sentimentos exatos estavam me incomodando) — ou lidar melhor com o que eu não poderia mudar. Mas não havia espaço para isso, somente para reclamações e frases de efeito sem lógica, que só serviam para alimentar sensações e sentimentos.

É claro, eu sei que quanto mais longe estamos de Deus, mais insatisfeitos ficamos com TUDO à nossa volta. Mas o contrário também é verdade. Quanto mais aprendemos a valorizar o que temos, quanto mais focamos naquilo de bom que temos, quanto mais observamos o que é bom e menos foco colocamos no mal, mais conseguimos nos aproximar dEle.

Eu me lembrei de algo que li no Casamento Blindado, capítulo 20. É a ferramenta número 3, que deve ser aplicada no casamento, mas também vale para seu relacionamento consigo mesmo. Já disse que tudo o que se propõe a ajudar no casamento (Casamento Blindado, The Love School, Terapia do Amor etc.) também pode ser aplicado ao nosso relacionamento conosco. Vou colar aqui um trechinho dessa ferramenta, que pode ajudar a quem está nesse processo de reconstrução da mente:

3. Não generalize 

Não importa como você completaria essas frases: “você nunca…” ou “você sempre…”. Ambas causarão problemas. Não use o pincel de uma situação para pintar todo o caráter do seu companheiro. “Você sempre faz o que quer, nunca o que eu quero”, “você nunca me ouve”. Esse tipo de afirmação raramente é verdadeira, e só serve para aborrecer seu companheiro.  Lide com as situações individualmente e resista à tentação de relacionar o problema atual a um problema passado. Cuidado com as palavras nunca, sempre, nada, tudo e toda vez. São palavras absolutas e não deixam opção. Evite-as. […]”

.

Parte 1: Tudo eu

Parte 2: Pensamentos gerados por sentimentos.
Parte 3: Adjetivitis negativus aguda

Para ver todos os posts da categoria Renovando a Mente, clique aqui

.

*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

 

 

Tudo é um grande treinamento

96c2326d-820a-4620-b090-863c081a8eae

Depois que você fica mais alerta e começa a monitorar sua cabeça para corrigir os erros de pensamento, é natural que o gremlin mude de tática e comece a criar situações diferentes com as quais você não sabe ainda lidar. Veja isso como um bom sinal, finalmente você está dando trabalho para ele! Antes, ele colocava os erros de pensamento em piloto automático e você sempre caía, feito um patinho.

Mas e como lidar com coisas que você ainda não sabe como lidar? Bem, o que você precisa saber é que essas coisas não são lá tão diferentes das coisas com que você sabe lidar. Você está dando trabalho para ele, mas ele não é muito criativo. Trabalha com aquilo que sabe que funciona dentro das reações que você costuma ter.

Veja tudo como um grande treinamento. Como provas de um reality show tipo “O Aprendiz” rs. O que você quer? Qual é o seu objetivo? O meu é me tornar uma pessoa melhor, agradar a Deus. Quero ser alguém com quem Ele possa sempre contar. Então, por exemplo, se estou sendo injustiçada, se as pessoas estão distorcendo as coisas a meu respeito, o que vai contar aqui é como vou reagir a isso.

Já que não podemos mudar as situações, vamos nos concentrar em nossas reações e objetivos. Qual reação vai me ajudar a alcançar meu objetivo? Ficar magoada ou me sentir injustiçada me ajuda a alcançar meu objetivo? Não. Pelo contrário, me afasta dele.

A partir do momento em que consigo identificar qual é a prova da qual estou participando, posso escolher a melhor reação que devo ter (e sacrificar todas as outras reações, mesmo as que tenho vontade de ter, as que seriam meu impulso inicial).

Sim, podemos escolher nossas reações. Ainda que seja difícil no começo, ainda que só comece a se dar conta e a mudar a sua reação depois de um tempo de reação errada, é possível mudar a direção e começar a acertar.

Controlando seus sentimentos e não se deixando guiar pelas sensações agora, você terá a satisfação de fazer o que é certo. Afinal, sentimento por sentimento, a sensação de saber que passou na prova e foi aprovado para a próxima etapa é infinitamente melhor.

 

.

Obs. Para ver todos os posts da categoria Renovando a Mente, clique aqui

.

*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

Adjetivite negativus aguda

6c566953-8b95-4574-bb3a-949f8b391de3

Identificando a voz do gremlin — Parte 3 

Além de serem centralizados no “eu” e de terem forte componente emocional negativo, outra característica importante de grande parte dos pensamentos prejudiciais é a presença de adjetivos negativos. Exemplo: horrível, terrível, insuportável, incapaz, impossível etc. Faz parte do drama. Ou é o material de construção do drama. Nem todos vêm com adjetivos, mas é muito comum que venham e já vou explicar por quê.

Adjetivite negativus é uma doença gravíssima (que eu acabei de inventar) que gera na pessoa uma compulsão por rotular tudo e todos com um adjetivo negativo desnecessário, deixando tudo pior do que já é.

Não foi simplesmente o atendente da lanchonete que trouxe com bacon o sanduíche que você pediu sem bacon. Foi o atendente burro da lanchonete horrorosa que trouxe com um bacon nojento o sanduíche que você pediu. A essa altura do campeonato, um problema que seria naturalmente ruim, já se tornou um desastre.

As coisas acabam sendo mais pesadas do que deveriam ser e esse é um tijolinho no grande edifício do estado de drama, da depressão, da ansiedade e da sensação generalizada de que nada nunca vai dar certo. E esses são alguns dos muitos estragos que essa doença causa na pessoa. Pensamento negativo gera vida negativa. 

Sem contar quando esses adjetivos negativos vêm relacionados a você mesmo: burro, inútil, idiota, incompetente, incapaz, inferior, etc. Só servem para colocá-lo para baixo e enfraquecer seu espírito. Vai por mim, você não precisa disso.

Vamos ao nosso amigo dicionário: 

Adjetivo: Palavra que modifica um substantivo, expressando uma qualidade, uma característica ou uma quantidade daquilo a que se refere.

Note que o adjetivo não é um elemento neutro. Ele modifica o substantivo. Algo que tinha um significado sem o adjetivo, adquire um novo significado com o adjetivo. Uma menina é apenas uma menina. Mas se você coloca um adjetivo, ele modifica a menina aos seus olhos e aos olhos da gramática: menina bonita é diferente de menina feia, que é diferente de menina burra, que é diferente de menina inteligente, que é diferente de menina ridícula, que é diferente de menina alta, etc. “Um carro” pode ser qualquer carro. Mas um carro azul é específico. E é diferente de um carro verde, que é diferente de um carro vermelho…

Adjetivos são assim, diferenciam as coisas, as pessoas e as situações. Eles podem ser negativos ou positivos, mas não acredito em adjetivos neutros. Carro azul é neutro? Depende do contexto. Se você gosta de azul, ele é melhor que um carro de outra cor. Mas se você não gosta de azul, ele é pior. Talvez a palavra “neutro” pudesse ser um adjetivo neutro. Mas se você pensar bem, quando eu digo que algo é neutro, de alguma forma é um rótulo que faz você enxergar esse algo de uma maneira específica, não?

Enfim, quando coloca um adjetivo, você dá ao adjetivado algo que vai fazer com que ele tenha um peso diferente do que teria sem o adjetivo. Adjetivos, em si, não são necessariamente ruins. Eles nos ajudam a definir melhor o mundo e, por isso, devem ser muito bem escolhidos. O problema não é o adjetivo, em si. O problema são adjetivos negativos utilizados sem critério (e quase compulsivamente) em nossas palavras ou pensamentos.

A adjetivite negativus é transmitida por picada de gremlin. Assim que o monstrinho que vive empoleirado no seu ombro começa a sugerir pensamentos negativos na sua cabeça e você os aceita como verdade, ele inocula um veneno que faz com que tudo comece a ser pintado com as cores que ele escolher.

Alguns pensamentos gremlinianos vêm recheados de adjetivos negativos justamente porque eles precisam modificar sua visão a respeito das situações, pessoas, eventos e de si mesmo. E, para modificar a visão (para o bem ou para o mal), o primeiro passo é modificar as palavras usadas para definir a coisa retratada.

Ao usar palavras negativas para definir algo, você direciona sua interpretação para o lado negativo — por isso é importante cuidar as palavras que saem da sua boca ou para as quais você faz um ninhozinho na sua cabeça. Você pode escolher quais vai manter e quais vai rejeitar.

O direcionamento de interpretação pode ser feito tanto por meio dos adjetivos negativos quanto pela presença de termos definitivos e generalizações. Mas isso é assunto para outro post. :-) .

Parte 1: Tudo eu

Parte 2: Pensamentos gerados por sentimentos.

Para ver todos os posts da categoria Renovando a Mente, clique aqui

.

*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

 

Interpretando certo

a541c6b1-4eb7-4890-a9f7-e84d79825d9c

Há sempre mais de uma alternativa para interpretarmos as situações que nos acontecem, mas quando estamos viciados no padrão negativo, vamos no piloto automático e temos muita preguiça de pensar em outras possibilidades. Afinal de contas, é mais fácil e mais rápido fazer o que já estamos acostumados a fazer — e nosso cérebro trabalha em modo de economia de energia. Quanto menos esforço, melhor para ele. Então, a tendência natural da natureza humana é sempre buscar o caminho do menor esforço.

E minha teoria é que as emoções ativadas pelo gremlin têm como função induzir o cérebro da pessoa a esse estado de piloto automático. As emoções negativas e as ruminações sobrecarregam tanto o sistema que a pessoa (que nem sabe que tem um gremlin ali — a menos que leia este blog rs) não consegue reagir. A menos que leia este blog! Porque assim que você tem a consciência do que o gremlin está fazendo, tomou a pílula vermelha e não tem mais jeito. Pode — e deve — reagir.

Você quer uma nova vida. Quer uma nova mente. Então, vai quebrar essa tendência natural buscando o caminho do sacrifício. É mais difícil pensar em uma forma melhor ou positiva de interpretar aquela situação? É. Mas você sacrifica a preguiça mental e decide pensar o melhor de você, da situação e da outra pessoa.

Ela o tratou mal e sua vontade é pensar que ela te odeia porque você é irritante (pensando mal dela e de si mesmo) ou porque ela é invejosa, afinal de contas, você não fez nada (pensando mal dela e com pena de si mesmo)? Ou — pior — sua vontade é sair “desabafando” por aí sobre como tal pessoa é grossa e insensível (pensando mal dela, com pena de si mesmo e ainda falando mal dela).

Respire fundo e escolha a terceira interpretação: você não tem como saber o porquê (não tem mesmo! A menos que a pessoa lhe diga — e olhe lá!). Ela pode estar exausta, pode não ter dormido bem, pode estar passando por um problema muito sério com o qual não sabe lidar e acaba descontando nos outros. É melhor sempre partir do pressuposto de que todas as pessoas são boas. Ninguém quer ser ruim, ninguém quer errar. As pessoas erram porque não sabem lidar com as coisas.

Que tal olhar essa pessoa como alguém que está travando suas próprias batalhas e que talvez precise de ajuda? Assim, em vez de focar a sua reação em VOCÊ, dando espaço ao gremlin para ficar falando no quanto você foi desprezado por aquela pessoa, você vai focar nela, dando a ela a mesma compaixão que você gostaria de receber, pedindo a Deus que fortaleça essa pessoa e a ajude a lidar com as dificuldades que tem passado. Afinal de contas, você pode nem saber quais são essas dificuldades, mas Ele sabe. E talvez tenha colocado aquela pessoa no seu caminho para lhe mostrar alguém que precisa de sua ajuda — mesmo que seja em oração silenciosa.

 

.

PS: Esse é um antídoto às lentes verdes do gremlin. É uma excelente forma de neutralizá-las e eliminá-las de vez. E uma excelente forma de ocupar seus pensamentos com algo realmente útil.

PS2: Para quem chegou agora: gremlin é como chamo o monstrinho que imagino sentado no ombro da pessoa, sugerindo pensamentos negativos. Sobre as lentes verdes, segue um resumo do post em que expliquei isso: os pensamentos gremlinianos induzem a um estado de drama que cria uma espécie de lente de contato verde (que é a cor do gremlin rs) que faz com que absolutamente tudo o que você vê se torne verde. Essa lente distorce tudo o que chega até você e carrega tudo com um drama que nem sempre existe (na verdade, na maioria das vezes não existe, mas parece muito que existe). É o que faz você se sentir a última das criaturas, incompetente, inútil ou a vítima indefesa de pessoas cruéis. A protagonista da sua novela mexicana pessoal.

Essas sentimentos moldam nossa forma de ver o mundo. Deixamos de ver o cenário real, com dados verificáveis, e criamos uma realidade paralela em que tudo é verde. Essas lentes interpretam o que os outros nos dizem, nos fazendo procurar sempre indícios daquilo que tememos (ou em que acreditamos) de modo a tentar confirmar nossos medos, dúvidas e crenças que o gremlin está tentando desesperadamente plantar em nossa cabeça.

As lentes verdes dadas pelo gremlin tentam encaixar tudo naquele cenário de caos que ele pintou. A partir do momento em que você duvida daquele monte de coisa verde (porque, por favor, né, amigo, como TUDO pode ser verde na vida?) o mundo de terror e drama montado pelo gremlin começa a ruir e você passa a usar sua inteligência para sair dessa armadilha. É o que temos feito nessa série “Renovando a Mente”.

PS3: Para ver todos os posts da categoria Renovando a Mente, clique aqui 

PS4: Eu REALMENTE ACHO que a pessoa vai ler SEIS parágrafos e um PS sem saber o que é gremlin e vai ficar ok em descobrir isso só no PS2 (e vai ler tudo, mesmo ele sendo praticamente outro post)! O otimismo Vanessístico é inacreditável hahahaha

Pensamentos gerados por sentimentos

803116606_18159_16970149393439304477

Identificando a voz do gremlin — Parte 2

Já falamos no post anterior sobre os pensamentos gremlinianos serem centrados no “eu”. A segunda característica é a presença de forte componente emocional negativo: medo, raiva, pena de si mesmo, sensação de estar sendo agredido, de não merecer (ou de merecer, mas com muita dor por ter merecido), insegurança…enfim, sempre há um sentimento negativo presente com bastante intensidade — e às vezes mais de um.

É essa emoção que alimenta o pensamento. Às vezes essa emoção é o que gera o pensamento. Por exemplo, você começa a pensar que nunca vai conseguir aprender a dirigir. Se você é uma pessoa que já sabe dirigir ou se você tem certeza de que uma hora vai aprender, o pensamento de nunca conseguir não vai ter espaço. No entanto, se você se sente inferior e inseguro e tem medo de, por isso, nunca conseguir aprender alguma coisa; então, esses sentimentos podem criar o pensamento de “nunca vou aprender a dirigir”.

Alguns até desistem porque não querem encarar a frustração que confirme o que tanto temiam. Dirigir é algo que você não pode fingir saber. Ou aprendeu ou não aprendeu. E lá vai você, que se sente uma fraude, ficar com medo de descobrir que não consegue aprender algo que não possa fingir que sabe.

Esse é um pensamento gerado por três sentimentos: insegurança, sentimento de inferioridade e medo. O pensamento, então, começa a ser alimentado pelo medo e, duvidando da sua capacidade, você não consegue prestar atenção ao que ensinam e faz tudo errado. O gremilin, então, aponta seus erros e o convence de que esses erros confirmam o pensamento de que você é incompetente demais para aprender a dirigir.

Transporte esse modelo para qualquer outra área da sua vida. Teste os principais pensamentos gremlinianos que atormentaram você e veja como sempre há mais sentimentos negativos do que raciocínio lógico. A pessoa parte de uma premissa falsa, baseada em uma emoção, e constrói toda uma cidade em cima dela. O problema é que, se a premissa é falsa, o fundamento é falso e toda a cidade é falsa. 

O gremlin dá uma sugestão que faz surgir um sentimento que gera um pensamento que gera atitudes que confirmam o pensamento. E a pessoa começa a viver uma realidade paralela, uma fantasia em que ela é um ser infeliz de quem ninguém gosta e para o qual tudo dá errado. Você precisa entender que está vivendo uma realidade falsa para começar a usar a lógica contra os pensamentos gremlinianos.

Por isso eu disse que é importante entender que você tem se hipnotizado há anos com esses pensamentos negativos e que, para fins de desintoxicação, o melhor é considerar como mentira TODOS os pensamentos que colocarem você para baixo. Tudo aquilo que vier acompanhado de sentimentos negativos está vindo para mantê-lo escravo dessa realidade negativa falsa que tanto tem tirado a sua paz. Mas felizmente agora o gremlin foi desmascarado e você tem recebido ferramentas para lutar contra ele, tomando as decisões no lugar em que elas devem, de fato, ser tomadas: na cabeça.

.

PS: Para ver todos os posts da categoria Renovando a Mente, clique aqui

.

*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

 Se quiser entender melhor a referência, leia esses dois posts do Jejum de Daniel:

Dando crédito à voz do gremlin

O estado de drama e as lentes verdes do gremlin

Tudo eu!

803118894_17216_6566167330250737151

*Imagem: buraco negro sugando a energia dos outros (Credits: NASA/CXC/M.Weiss)

Identificando a voz do gremlin — Parte 1

Qual é o “estilo literário” do gremlin que se empoleira em nossos ombros para sugerir pensamentos negativos e nos fazer mergulhar em autocomiseração? Vamos falar sobre algumas das características mais comuns dos pensamentos que ele sugere, não apenas para que você possa identifica-los, mas para desenvolver aquela intolerância de que falamos no post anterior. Vamos falar sobre essas características aos poucos, para facilitar o entendimento, mas segue uma listinha básica:

São autocentrados

Há forte componente emocional negativo

Presença de adjetivos negativos

Presença de termos definitivos e generalizações

Previsão de futuro catastrófico

Conclusões surrealistas 

São autocentradosA maioria é centrada no “eu”. “EU sou isso e aquilo” (geralmente alguma coisa negativa), “EU nunca vou conseguir”, “ninguém ME suporta”, “fulano pensa isso e isso de MIM”, “como ele pode fazer isso COMIGO?” etc.

Por mais que você se ache altruísta e doador, começa a se preocupar extremamente com a opinião do outro a SEU respeito, com a SUA performance durante uma conversa ou com o impacto que determinada situação pode ter na SUA vida ou com o que VOCÊ queria que a outra pessoa tivesse feito ou dito. 

É complicado ter que admitir uma coisa tão feia a respeito de nós mesmos, eu sei, mas é necessário. Dar crédito à voz do gremlin faz com que até a mais altruísta das criaturas comece a olhar só para si. Repare nesse tipo de pensamento vitimista e perceba o quanto ele gira em torno do seu umbigo.

É por isso que um bom antídoto à autovitimização é cuidar de outras pessoas. Se bem que eu já vi pessoas usarem o fato de cuidar de outras para se vitimizar. Na verdade, eu mesma já fiz isso, admito. “EU faço isso, isso e aquilo e ninguém ME valoriza”, “só EU faço tudo nessa casa”, “EU não tenho ninguém para ME ajudar”, “EU sou um ombro amigo para todo mundo, mas não tenho nenhum ombro amigo para MIM”.

Nessa, a gente perde a oportunidade de realmente conhecer as outras pessoas e entender como elas pensam para conseguir se colocar no lugar delas e perceber que as coisas não giram em torno do nosso umbigo. E também de desenvolver um olhar mais misericordioso, dando aos outros o que gostaríamos de receber, inclusive a compreensão.

O problema é que, nesse estágio você se torna um buraco negro sugador de energia. Mesmo se todo mundo lhe desse tudo o que você acha que precisa, ainda não seria suficiente. Você continuaria sentindo falta e encontrando motivos para dizer que, em muitas outras coisas, você continua em desvantagem.

É por isso que você tem que morrer. Calma. Não quero matar ninguém. O “você” que tem que morrer é essa natureza humana movida por emoções. É por isso que o gremlin tem tido tanto espaço. Quanto mais alimenta essa natureza emotiva, mais frágil emocionalmente você fica (e mais exposto a ação gremliniana). É um paradoxo, não? Mas quando deixamos de alimentá-la e aprendemos a dizer “não” a nossas próprias vontades para fazer o que é certo, ficamos emocionalmente mais fortes e resistentes, pois estamos desenvolvendo em nós a natureza de Deus. Veja se isso é ou não sacrificar a própria vontade para fazer o que é certo:

“Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque Ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.”

Lucas 6.35,36

 

.

*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

 Se quiser entender melhor a referência, leia esses dois posts do Jejum de Daniel:

Dando crédito à voz do gremlin

O estado de drama e as lentes verdes do gremlin

Intolerância à negatividade

803721589_87159_15051469939502223805

Nos próximos posts vamos analisar algumas das principais “características literárias” dos roteiros que o gremlin escreve na cabeça das pessoas. Mas é importante que, além de conseguir identificar a voz do gremlin, ela se torne repugnante para você. Não pode mais ser algo tolerável. Vá se treinando a rejeitá-la como rejeitaria uma comida estragada, apodrecida ou algo que lhe fizesse muito mal.

Seja exagerado nesse início. Não tem problema ir para o extremo oposto, depois será mais fácil encontrar o equilíbrio. Faça de conta que desenvolveu intolerância a negatividade e drama equivalente à intolerância que um celíaco tem ao glúten. Aliás, eu vejo muitas semelhanças entre o que o glúten é para um celíaco e o que a negatividade é para uma mente saudável.

A doença celíaca é uma intolerância violenta ao glúten. Alguns celíacos não podem chegar nem perto do glúten que já passam mal. Qualquer farelinho de pão já é suficiente para desencadear uma crise. Muitos vivem anos passando mal sem saber por que (não sei se reparou, mas nossa dieta está cheia de glúten) e quando, enfim, descobrem, a mudança de dieta é radical, mas é a única maneira de terem uma vida normal.

Mal comparando, a intolerância que você desenvolveu à negatividade e ao drama é altíssima, como celíacos com o glúten. Os sintomas dessa intolerância são fáceis de perceber no dia a dia. Você está intoxicado, exausto, tudo parece difícil e pesado. É difícil acreditar que as coisas irão melhorar. Quanto mais negatividade consome, mais difícil e pesado tudo se torna. Reclamar é quase inevitável. O mundo parece cinza, exige um esforço quase sobrenatural manter o ânimo, o entusiasmo, a esperança.

Agora que começou a nova dieta anti-gremlin, está se desintoxicando. Não é da noite para o dia, mas aos poucos você vai perceber a vida ficando mais leve. Porque as coisas podem ser complicadas e difíceis do lado de fora, mas não precisam ser assim do lado de dentro. Por dentro, pode ser leve. Pode e deve ser leve, afinal de contas, a proposta era justamente trocar um fardo pesado pelo leve, não é mesmo?

 

.

*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

 Se quiser entender melhor a referência, leia esses dois posts do Jejum de Daniel:

Dando crédito à voz do gremlin

O estado de drama e as lentes verdes do gremlin

Como progredir

803735739_64868_18361541853644507811

 Existem parasitas que dominam a mente do hospedeiro a ponto de fazê-lo arriscar a própria vida (e até morrer) pelos interesses do parasita. O parasita cresce na barriga do gafanhoto, mas só termina seu desenvolvimento na água. Então, ele faz o gafanhoto se atirar na água (e morrer!), para que ele possa sair e continuar seu ciclo.

Outro parasita invade o corpo do caranguejo e faz com que o hospedeiro viva em função dele, a ponto de o caranguejo cuidar dos ovos do parasita! O gremlin tem esse comportamento. Ele manipula sua mente para conseguir o alimento de que precisa.

Mas você tem uma vantagem sobre o gafanhoto e o caranguejo (uma, não, várias rs), você não é uma vítima zumbi indefesa. Tanto que já tem visto progressos ao aplicar o que tem aprendido aqui. Aliás, aprenda outra coisa: se você aplicou o que aprendeu e viu UM progresso que seja, mesmo que pequeno e por pouco tempo, já viu um progresso.

Não considere as vezes que não viu progresso ou mesmo o fato de ter cometido algum erro e ouvido o gremlin — que depois disse para você desistir porque, no raciocínio que ele quer que você tenha, se você errou uma vez, nunca mais vai conseguir. Isso não faz sentido algum (até porque a maioria dos que já conseguiram alguma coisa falhou muitas vezes antes de acertar), mas ele joga o pensamento e você não percebe o erro.

Não considere as vezes que não viu progresso ou mesmo o fato de ter cometido algum erro e ouvido o gremlin — que depois disse para você desistir porque, no raciocínio que ele quer que você tenha, se você errou uma vez, nunca mais vai conseguir. Isso não faz sentido algum, mas ele joga o pensamento e você não percebe o erro.

Repito: se você viu UM progresso, quer dizer que o progresso já está ali. Mesmo que tenha visto MEIO progresso. Leu e ENTENDEU o que está errado. Isso já é um progresso! Se apegue a isso e com certeza verá outros. 

Depois de três anos de violenta seca, sem nenhuma gota de chuva, o profeta Elias estava orando e esperando chuva no alto do monte Carmelo.

“E disse ao seu servo: Sobe agora, e olha para o lado do mar. E subiu, e olhou, e disse: Não há nada. Então disse ele: Volta lá sete vezes. E sucedeu que, à sétima vez, disse: Eis aqui uma pequena nuvem, como a mão de um homem, subindo do mar. Então disse ele: Sobe, e dize a Acabe: Aparelha o teu carro, e desce, para que a chuva não te impeça. E sucedeu que, entretanto, os céus se enegreceram com nuvens e vento, e veio uma grande chuva; e Acabe subiu ao carro, e foi para Jizreel.”
1 Reis 18.42-45

Percebeu? Não tinha vento, não tinha chuva, não tinha nada. Elias não deu a menor bola para o fato de não ver nada. Continuou insistindo, até ver. Quando finalmente o servo percebeu algum progresso, era uma nuvenzinha ridiculamente pequena. Mas era um progresso. Elias não queria saber o tamanho do progresso. O importante é que já tinha uma nuvem. Então, ele agiu como se viesse uma tempestade, a ponto de mandar avisar ao rei para voltar pra casa. Não estava enganando o rei ou mentindo, estava convicto daquilo por que viu o progresso. E, só aí, o céu escureceu, veio vento e uma super chuva. Elias precisou insistir até ver. Não com medo de não ver, mas CONVICTO de que veria. Ele sabia que, cedo ou tarde, o sinal apareceria.

É assim que funciona. Pense nos pequenos progressos como sinais de que vai alcançar o seu objetivo, independentemente do que o gremlin diga ou faça você sentir. Não espere ver para insistir, não é esse o caminho da fé consciente. Insista até ver. Ao colocar o foco no pequeno progresso como sinal de que alcançará sua meta, inevitavelmente você experimentará novos progressos (da mesma forma que ficar se focando nos fracassos traz mais fracasso, se focar no progresso traz mais progresso). Em menos tempo do que imagina, aquela nuvenzinha minúscula se transformará em uma grande tempestade.

.

*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

 Se quiser entender melhor a referência, leia esses dois posts do Jejum de Daniel:

Dando crédito à voz do gremlin

O estado de drama e as lentes verdes do gremlin

O que sai da sua boca

803735205_64070_4867087084750508003

A dieta anti-gremlin — Parte 4 — O que sai da sua boca

A última parte da dieta anti-gremlin talvez seja a que exige mais esforço. Porque quem se deixa guiar pelo sentimento também tem o péssimo hábito de falar sem pensar. Normalmente, a pessoa não tem a menor noção do que sai de sua boca (ou dos dedos, quando digita rs). Para quem está vivendo sua novela mexicana particular, a linguagem negativa soa natural, pois combina perfeitamente com sua forma de ver o mundo.

A linguagem negativa alimenta a visão negativa que confirma a linguagem negativa que reforça a visão negativa, em um ciclo autodestrutivo de negatividade. Corte uma e a outra perde a força. Então, além dos dois passos anteriores, fique atento também ao que sai da sua boca.

Coloque aquele segurança para cuidar disso, também. Evite palavras negativas, críticas a si mesmo e aos outros (ainda que você pense que é “verdade” ou que está “só comentando”), maldições — por exemplo, dizer: “eu nunca vou conseguir” é se autoamaldiçoar. Dizer “espero que ela se dê mal” é amaldiçoar os outros. “Esse país está perdido” é amaldiçoar o país.

Não é muito fácil identificar porque, como eu disse, se você está habituado a esse linguajar, ele entra em seus ouvidos com naturalidade. Cuidado com as palavras que usa para falar dos outros, de si mesmo e das situações.

“Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.” Mateus 15.18,19

Note como boa parte do que tem envenenado sua vida está relacionado ao que sai da sua boca. Isso é o que contamina o homem. As palavras negativas são fruto de maus pensamentos e podem ser mães da injustiça. Às vezes podem parecer inocentes, mas não são. Você pode achar que não está prejudicando ninguém ao criticar um político ou um bandido depois de ver uma notícia na TV, mas está prejudicando alguém, sim: você mesmo.

Lembre-se de que a ideia toda é parar de alimentar o gremlin até enfraquecê-lo e, para isso, é imprescindível tirar a linguagem negativa do seu vocabulário. Uma boa ideia é seguir o seguinte conselho:

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem.” Efésios 4.29

Note que “palavra torpe” aqui está sendo usada como oposto a “palavra boa para promover a edificação”. Ou seja, palavra torpe é qualquer palavra destrutiva, não apenas as que nos parecem “feias”. Críticas a si mesmo (já ouviu em algum lugar? rs) são palavras torpes. Falar mal ou usar linguagem maldosa para falar de alguém é palavra torpe. Mentir, obviamente, é palavra torpe.

Além disso, palavras negativas são torpes. Palavra de derrota é palavra torpe (afinal de contas, a última coisa que uma palavra de derrota poderia fazer é ser boa para edificação), espalhar boatos é palavra torpe, falar de coisas negativas do passado é torpe (serve para quê?)… Enfim, pense aí em algumas alternativas que sejam contrárias a “palavra boa para edificação”… Reclamação! Isso, reclamação se encaixa perfeitamente na definição de palavra torpe. Que tal, a partir de hoje, deixar de torpeza?

O mesmo versículo explica o que deve sair da nossa boca: “só a que for boa para promover a edificação”. SOMENTE esse tipo de linguagem útil, construtiva, que ajude, que coloque para cima…pense…seu alvo é chegar a um ponto em que todas as palavras que saem da sua boa sejam construtivas e positivas, inclusive aquelas sobre si mesmo ou sobre situações difíceis. Uau, quem disse que esse negócio de “graça” é fácil, hein? Mas Deus não nos pede nada sem que antes já tenha nos dado capacidade e plenas condições de cumprir. Só precisamos acreditar, obedecer e insistir até conseguir cumprir.

Enfim, você não vai morrer se uma ou outra palavra negativa escapar, o importante é ficar atento. No começo é mais complicado porque você está tão habituado a falar bobagens que as bobagens fluem naturalmente. O importante é ficar atento para identificar o monstrinho e eliminá-lo. Aos poucos sua sensibilidade a palavras negativas vai aumentar e vai ser cada vez mais natural evitá-las.

 

 

PS: Para ler os outros posts sobre a dieta anti-gremlin, clique:

Parte 1: O que você coloca diante dos seus olhos e ouvidos

Parte 2: Você não precisa disso

Parte 3: Coloque um segurança

Coloque um segurança

bodyguard-145447_1280

A dieta anti-gremlin — Parte 3

Já sabemos que aquele gremlin que se empoleira em nossos ombros para sugerir pensamentos negativos se alimenta dos sentimentos dramáticos que brotam do nosso coração quando ficamos ruminando esses pensamentos.

Enquanto andamos no modo automático, sem cuidado, apenas reagindo emocionalmente, deixando a vida nos levar, ele se fortalece. Mas quando tomamos as rédeas da nossa vida das mãos dele e passamos a nos responsabilizar pelo que colocamos diante de nossos olhos e ouvidos (conforme os posts anteriores), nos fortalecemos e o gremlin se enfraquece. Porém, além disso, também devemos nos responsabilizar pelo que permanece em nossa mente.

Os pensamentos que você alimenta e permite que fiquem passeando pela sua cabeça também são escolha sua. É claro, pensamentos vêm e, como você está habituado a deixar que entrem sem filtro e critério, talvez demore um pouco para perceber que entraram.

Mas imagine que agora tem um segurança na porta pedindo a identidade dos pensamentos. Só entra quem tiver uma marquinha positiva. Caso algum negativo-dramático entre, assim que for detectado deve ser expulso pelo segurança. Alerta total contra esses meliantes. Pensamentos negativos, mágoa, crenças negativas a respeito de si mesmo, dos outros e da vida, em geral, comentários outras pessoas, enfim, tudo o que intoxica a sua mente deve ser colocado para fora.

Algo que me ajudou muito foi descobrir esse versículo:

Não apliques o teu coração a todas as palavras que se disserem, para que não venhas a ouvir o teu servo amaldiçoar-te. Porque o teu coração também já confessou que muitas vezes tu amaldiçoaste a outros.”

Eclesiastes 7.21,22

O que é aplicar o coração? É ficar pensando no que ouviu, guardando dentro de si, levando extremamente a sério todas as bobagens que as pessoas dizem. Uma hora ou outra, você vai ouvir alguém dizendo algo que machuque (ainda mais se estiver em estado de drama) e aí o drama atinge picos quase insuportáveis.

Mas a Bíblia dá um chacoalhão na criatura com complexo de vítima: encare tudo com leveza. As pessoas dizem bobagem, mesmo. Você já disse bobagem muitas vezes. Pode ter falado algo que não queria em um momento de raiva ou de mágoa. Talvez nem se lembre, talvez nem tenha notado. Gostaria que a pessoa se apegasse ao que você disse? Gostaria que julgasse você por isso?

Principalmente se você se arrependeu do que disse ou se não queria ser maldoso no comentário, duvido que iria gostar de ser motivo para a pessoa se ofender e ficar guardando mágoa. Então não faça com os outros o que não gostaria que fizessem a você.

O gremlin é totalmente contrário ao Espírito de Sabedoria (caso contrário, não seria gremlin), então faz de tudo para que você aplique o coração a todas as palavras que dizem. Por isso a importância de interromper a ruminação de uma vez por todas.

Seus pensamentos sobre o pensamento inicial devem ser curtos e ter um único objetivo: lembrar você de que eles estão errados. “Isso é bobagem”, “deve ter outra explicação”, “não estou dentro da cabeça das pessoas para saber o que pensam”. E pronto!

Então, sempre que algo negativo entrar por seus olhos ou seus ouvidos ou mesmo quando um pensamento negativo ou potencialmente prejudicial aparecer em sua cabeça, coloque o segurança para agir. Remova o meliante imediatamente. Ainda que não o tenha percebido quando ele passou pela porta, remova assim que perceber. Não precisa ser muito educado, não, pode arrastá-lo pelos cabelos e atirar porta afora. Sua cabeça não é casa da mãe joana.

.

PS: Para ler os posts anteriores, clique:

Parte 1: O que você coloca diante dos seus olhos e ouvidos

Parte 2: Você não precisa disso

 

 

Você não precisa disso

804201119_26580_12653576893942473027

A dieta anti-gremlin — Parte 2

Falamos ontem que os gremlins* se alimentam do produto das nossas ruminações sobre os pensamentos que eles nos sugerem. Então, nosso esforço deve ser no sentido de parar de alimentar o gremlin (se você assistiu ao filme, sabe que alimentar o gremlin não é nada bom rs). Também citamos uma frase de grande sabedoria:

“Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a mim.”

Salmos 101.2,3

Você sai da posição passiva de aceitar tudo o que pula na sua cara para a posição de responsável por selecionar o que vai pôr diante de seus olhos (e ouvidos).É responsabilidade nossa selecionar o que vemos e ouvimos, evitando o que nos faz mal e privilegiando o que nos dá forças, estimula nossa inteligência e aumenta nossa fé e esperança. 

É relativamente fácil identificar coisas que são escancaradamente ruins, como fofoca, conversas negativas e assuntos maldosos.Também é fácil identificar coisas que fazem mal a quem quer se livrar do estado de drama, como conteúdos tristes e sem esperança, romances feitos para fazer chorar e coisas com forte carga emocional.Mas existe outra categoria de coisas que fazem mal e que talvez você não tenha pensado que precise evitar.

Ontem eu disse que existem comidas de gremlin genéricas, que fazem mal a todo mundo que está lutando contra eles. Mas existem as comidas de gremlin específicas, personalizadas que não necessariamente são ruins em si. Há coisas que me afetavam diretamente, mas em você talvez não causassem o mesmo efeito.

Por exemplo, filmes com bichinhos. Eu podia ver filmes em que pessoas sofriam e entendia que eram atores, não me envolvia tanto. Mas por alguma razão irracional, se o protagonista fosse um cachorro, não conseguia manter o mesmo distanciamento.Mesmo assim, sempre assistia e sofria. Não parece ser problema, né? Mas era, porque eu estava alimentando sentimentos que me colocavam para baixo. Na hora em que o gremlin aparecia com alguma sugestão de pensamento, o sentimento estava forte e eu, fraca.

Comecei a evitar quando entrei no processo de renovar minha mente e até hoje evito. Eu SEI que roteiristas adoram fazer o cachorro morrer no final e vou ficar triste, então PARA QUE me expor a ficar com as emoções à flor da pele e ficar alimentando tristeza desnecessariamente? Não importa se a lição do filme é bonita e patati patatá. Eu não preciso disso. (Aliás, essa é uma frase que eu uso muito: “eu não preciso disso” rs)

Da mesma forma, há coisas que podem até não ser ruins para todo mundo, mas que você sabe que lhe causam mal, lhe deixam chateado, triste, nervoso, enfim, estimulam suas emoções mais dramáticas. Ou talvez nem perceba nada muito drástico, mas note que seu nível de energia cai, a ansiedade aumenta ou mesmo deixa um “gostinho amargo”. Ou, talvez, aquela voz suave de que falamos ontem já tenha alertado, lá no fundo, que seria melhor se afastar desse conteúdo. 

Pode ser qualquer coisa. Música romântica? Discussão sobre religião? Notícias dramáticas? Conversas sobre política? Livro de poesia? Livros de romance? Músicas que lembrem do passado? Aquela página de Facebook que você segue? Aquele canal em que se inscreveu? Cada um sabe qual é a marmita personalizada do gremlin, no seu caso.

Você vai aprender a lidar com essas coisas de uma forma mais saudável depois, acredite em mim, mas por enquanto é melhor manter o mais longe de seus olhos e ouvidos quanto for possível.Para que se expor voluntariamente ao que lhe faz mal? Se ficar com vontade de recorrer a elas, diga a si mesmo: “eu não preciso disso”.

Grave essa frase e comece a dizê-la para o que tem lhe feito mal. Você não precisa sofrer. Não precisa se expor voluntariamente ao que não convém. O que estiver ao seu alcance evitar, evite. Pode não ser fácil, mas o simples fato de dizer “não” a coisas que lhe fazem mal, mas que você tem vontade de ver e ouvir já fortalece o seu músculo anti-gremlin.

Cada “não” que diz a essas coisas lhe deixa mais forte porque é o poder da sua decisão acima da sua vontade. Está dizendo à sua vontade: “você não manda em mim. Eu sou mais forte do que isso”. Assim, você vai retomar, aos poucos, o controle de sua vida e de seus pensamentos e se tornar uma pessoa mais forte.

 

.

PS: Uma boa dica de leitura para esse período é o livro 50 tons para o sucesso, de J. Edington. É um livro para desenvolvimento pessoal, profissional e espiritual. Se a gente bebe do espírito do autor ao ler um livro, taí um espírito que vale a pena beber, porque ele é super entusiasmado. Os capítulos são curtos, mas dão injeções de fé prática.

PS2: Outra ideia legal (o comentário da Elaine me ajudou a lembrar) é ler livros técnicos da sua área de atuação (ou de interesse), que vão ajudá-lo a aprimorar o que você faz. Ajuda a usar a cabeça, traz conhecimento útil e não vai fazer você chorar rs.

.

*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

 Se quiser entender melhor a referência, leia esses dois posts do Jejum de Daniel:

Dando crédito à voz do gremlin

O estado de drama e as lentes verdes do gremlin

O que você coloca diante dos seus olhos e ouvidos

804201119_26580_12653576893942473027

A dieta anti-gremlin — Parte 1

Estou convencida de que gremlins se alimentam de alguma coisa que eles tiram da nossa cabeça. É nojento, eu sei, mas eles jogam um pensamento dentro da nossa cabeça, esperam que ele cresça por meio das nossas ruminações e, então, comem o que quer que tenha sobrado como produto final (pode ser a dor e sofrimento causados pelo drama). 

Para enfraquecê-los cada vez mais até matá-los de fome, você precisa controlar três coisas: o que entra pelos seus olhos, o que entra pelos seus ouvidos, o que permanece na sua mente e o que sai da sua boca. Vamos falar dessas coisas em posts diferentes, para dar tempo de pensar a respeito e já começar a praticar. 

O que entra pelos olhos e ouvidos:

Somos criaturinhas de hábitos. Enquanto estamos viciados em pensar negativamente, nos acostumamos a escolher coisas que reforçam nosso padrão de pensamento. Eu era dramática, então gostava de poesia dramática, músicas dramáticas (tinha sempre alguém sofrendo, com pouca ou nenhuma esperança) e livros dramáticos; histórias dramáticas na televisão e coisas terríveis, em geral. 

Achava que amor e dor eram sinônimos e meus interesses inconscientemente estavam em coisas que confirmassem essa ideia. Me alimentava disso e, obviamente, ficava cada vez mais fluente em dramaticidade e complexo de vítima. Me alimentava disso e, obviamente, ficava cada vez mais fluente em dramaticidade e complexo de vítima. Para se desintoxicar, é preciso fazer o caminho oposto: um jejum de coisas negativas. Como a sabedoria do salmista, esperando por Deus: 

“Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a mim.” 

Salmos 101:2,3 

Quem escolhe o que vai colocar diante dos olhos? Você. Essa é uma escolha diária. Até agora tem escolhido, mas sem perceber (por isso, escolhe mal, dirigido por gremlins e sentimentos). A partir de agora, essa escolha será consciente e intencional. Dê preferência a coisas positivas, com baixa carga emocional. Evite músicas tristes, livros e vídeos deprimentes, evite fotos, páginas e grupos que coloquem você para baixo. Evite aquele amigo fofoqueiro, as conversinhas sobre picuinhas de pessoinhas. 

Analise TUDO o que tem colocado diante de seus olhos e ouvidos para se certificar de não permitir comidinha de gremlin. Existem as comidas de gremlin genéricas, que são ruins para todo mundo que está na luta para renovar sua mente, como fofoca, conteúdo negativo, maldoso ou deprimente e histórias dramáticas e sem esperança. 

Quando estamos viciados em negatividade, somos atraídos pela negatividade. Quando estamos viciados em drama, é o drama que nos atrai. E se você, como eu, passou anos viciado em drama e negatividade, é atraído pelas duas coisas. Zapeando com o controle remoto, por exemplo, se aparece uma notícia negativa, já fica com vontade de parar e ouvir. Estou dizendo, é a legítima “atração fatal”. 

Às vezes você pensa: “ah, isso aqui nem é tão ruim assim”, mas percebe, lá no fundo, uma vozinha bem suave dizendo: “isso não faz bem”, melhor ouvir. Essa voz suave, inaudível, dentro do seu pensamento, é Deus tentando alertar. Quando percebê-la, obedeça, por mais que seu coração tenha dito que aquele conteúdo não é tão ruim assim. 

Enquanto estiver nesse processo de desintoxicação, é importante se afastar o máximo possível das coisas negativas pelas quais é atraído por causa do pensamento tóxico. É totalmente possível fazer isso, basta dizer “não”. Virar as costas para o que lhe faz mal. Bater a porta na cara de conteúdos negativos.

Isso exige duas coisas que costumam estar atrofiadas em pessoas que vivem há muito tempo no estado de drama: atenção intencional e decisão consciente. Mas, como qualquer músculo atrofiado, é só começar a movimentar que, aos poucos, volta a se fortalecer.Comece a exercitar, escolhendo o que permite colocar diante de seus olhos e ouvidos. Sites, páginas de Facebook, conversas, livros, filmes, músicas, ideias e assuntos — tudo vai passar pelo seu scanner. Pode ser que você dê um passo e caia, por esse músculo estar fraco. Mas se levante e volte a tentar. Em breve, estará correndo por aí.

E, caso só note que viu ou ouviu algo negativo depois de ter visto ou ouvido (pode ser que aconteça no início), aplique um antídoto imediatamente: busque um conteúdo que faça você feliz e veja ou ouça. Coloque seu foco no que é bom e não permita que o que é mal crie raízes. Caso não saiba o que o faz feliz (em casos crônicos, a pessoa se esquece), comece agora mesmo a procurar coisas boas para ver. Em breve, conforme for acompanhando nossos posts, vamos descobrir, juntos, novas formas de ver a vida e vai ficar mais fácil enxergar.

Amanhã falaremos sobre mais um grupo de “alimentos” que você deve afastar dos seus olhos e ouvidos.

 

.

Para quem está chegando agora e quer entender melhor a referência ao gremlin, leia:

Dando crédito à voz do gremlin

O estado de drama e as lentes verdes do gremlin

 

O hábito que você precisa eliminar

803734374_62533_2195451179576890467

Nosso cérebro é naturalmente capaz de modificar hábitos, comportamentos e pensamentos. Mas ele funciona em modo de economia de energia, então mesmo sendo capaz de mudar, ele vai fazer você acreditar que não pode mudar, pois não quer gastar mais energia. É disso que o gremlin se aproveita. Ele já hipnotizou você para acreditar que os pensamentos dele a seu respeito e a respeito do mundo são verdadeiros.

Esses pensamentos foram plantados nos seus sentimentos. Por exemplo, você acha que é inútil porque, em algum momento, algo fez com que você se sentisse inútil. Alguém pode ter dito alguma coisa ou você sentiu isso por conta de alguma situação, não importa. O que importa é que essa conclusão foi sugerida pelo gremlin por causa de um sentimento (que, provavelmente, veio de algo causado por ele, também. Pensando bem, o inútil é o gremlin e quer apenas projetar o que ele é em você). Por isso, todos os pensamentos gremlinianos devem ser ignorados e substituídos por pensamentos saudáveis.

Eu sei que dá muuuita vontade de ficar respondendo aos pensamentos, respondendo às perguntas dos gremlins, pensando sobre esses pensamentos… Mas isso tem um nome bem feio: ruminação. A ruminação não funciona porque é um processo de pensamento circular, você fica dando voltas e voltas dentro do pensamento gremliniano, repassando os acontecimentos, com o foco no quanto você se sente mal ou na crença de que nunca vai conseguir melhorar. Você precisa sair desse padrão de pensamento e não ficar dando voltinhas em cada pensamento criado dentro desse padrão.

Ruminar é o que fazem as vaquinhas, os coelhos, os camelos, as ovelhas, cabras e outros bichinhos ruminantes. Simplificando, ruminar é mastigar, engolir, vomitar o alimento novamente até a boca, mastigar mais um pouquinho aquele vômito e, então, engolir novamente (bleargh!). Toda vez que se deparar com a vontade de ruminar um pensamento gremliniano, se lembre dessa descrição. Melhor cuspir, né?

Cuspir o pensamento é sacrificar a sua vontade de ruminar. Abrir mão até do seu direito de ficar pensando naquele troço que aconteceu ou no sentimento negativo. Você sabe o que é pensamento negativo e sentimento negativo. Nesse primeiro momento, o exercício que vai ter que fazer é, assim que identificar o pensamento/sentimento negativo, jogá-lo fora, imediatamente. Como tudo, no começo parece difícil fazer isso, mas com a prática vai ficando cada vez mais fácil.

Por mais que você sinta que ele é seu ou que é verdade, lembre-se, você foi hipnotizado pelo gremlin, não dá para confiar em suas sensações. Para se libertar dessa hipnose, precisa decidir vê-los como eles, de fato são: falsos e sem a menor importância. Sei que agora não parece, mas confie em mim. Eu já estive aí onde você está e sei do que estou falando. Saia da posição de vítima da situação e decida reagir. Para mudar sua forma de pensar, comece mudando sua maneira de encarar isso. Se sentir a pior das criaturas é uma escolha. Dizer ao gremlin que a sua cabeça não é casa da mãe joana, também é uma escolha. 

Além desse exercício de cuspir o pensamento gremliniano para evitar ruminações, quero que acrescente mais uma coisinha: uma vitamina diária. Todos os dias, pela manhã, você vai pegar uma vitamina de pensamento do Alto e colocar dentro da sua cabeça. Existem várias, dou duas sugestões:

“Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós.”

1 Pedro 5:7

Puxa…Deus está cuidando de mim! Se vier algum pensamento que diga algo como: “ninguém liga para mim”, “Estou com medo do que pode acontecer”, você cospe o pensamento e repete: “Deus está cuidando de mim”. A qualquer sombra de pensamento automático negativo que aparecer, repita a operação.

“Eu, eu sou aquele que vos consola; quem, pois, és tu para que temas o homem que é mortal, ou o filho do homem, que se tornará em erva?”

Isaías 51:12

Se Deus é o que me consola, não preciso ter medo de nada! Quando vier algum medo, você cospe o medo e se lembra de que Deus disse que você não precisaria temer. Porque Ele é o que o consola e ajuda.

Pode escrever em algum lugar e carregar consigo. Fique pensando (conscientemente) nessa palavra durante o dia. Lembre-se de que a Verdade é o melhor antídoto contra pensamentos falsificados. Essa vitamina é um super antioxidante capaz de desintoxicar a sua mente. Medite nela no mínimo três vezes ao dia.

Agora que seus dias de vaquinha ruminante chegaram ao fim, amanhã falaremos sobre a dieta anti-gremlin.

.

Para quem está chegando agora e quer entender melhor a referência ao gremlin, leia:

Dando crédito à voz do gremlin

O estado de drama e as lentes verdes do gremlin

PS: Nada contra os bichinhos ruminantes, como vocês sabem, eu gosto de todos os bichinhos, inclusive dos ruminantes. Eles foram feitos para ruminar as coisinhas que comem. A gente, não. 

Renovando a mente — Uma visão geral

803115784_12559_9138496371839264789

Toda mudança da mente vem em etapas e você monta o quebra-cabeça aos poucos, à medida que descobre o que fazer e como fazer. Vou usar uma frase que aprendi lendo A Mulher V: Não é fácil, mas é perfeitamente praticável.

Funciona da seguinte forma:

Etapa 1: você está lá, infeliz e rastejante, completamente ignorante (no sentido de “aquele que desconhece ou ignora algo”), sem saber o que está errado. Você está no modo automático-emotivo. Seus pensamentos são quase todos baseados em sentimentos e você vive no modo reativo.

Nessa fase, é fácil o gremlin tomar o comando dos pensamentos (e, consequentemente, da vida) da pessoa. Ao dirigir sua forma de pensar, ele dirige suas emoções e sua vida. E, com a mente sequestrada, talvez você nem perceba a extensão do dano. A primeira ruptura acontece quando descobre que a realidade depende de como a gente vê. Você pode mudar a sua realidade ao mudar a forma de pensar.

Etapa 2: descobre que precisa mudar e até aprende o que fazer, mas, no começo, parece que não vai conseguir. Mesmo quando se esforça, precisa ficar se lembrando o que fazer toda hora, pois ainda não é natural. Sua forma distorcida de pensar ainda parece que é a realidade e o gremlin tenta convencê-lo de que está se enganando.

Parece que aquela forma de pensar é sua, que você viveu assim todos esses seus 845 anos de vida e nunca vai mudar. (Consigo até ver o gremlin esperneando e gritando isso no seu ouvido, apavorado com a possibilidade de você descobrir que consegue, sim, mudar seu padrão de pensamento e acabar com a festa dele.)

Esse é o momento ideal para o gremlin convencê-lo a desistir. Na verdade, essa é a última oportunidade que ele tem de fazer isso e levá-lo a pensar como antes. Porque perto do final dessa fase, você toma a pílula vermelha e, definitivamente, sai da matrix.

Teimosamente (teimoso no sentido de “aquele que insiste, que não desiste facilmente”), decide duvidar do pensamento dramático: “Como assim nunca vou conseguir? Só vou descobrir se nunca vou conseguir se eu nunca desistir”. E continua até a…

Terceira etapa: quando começa a abrir os olhos e identificar os pensamentos do gremlin com cada vez mais facilidade à medida que o tempo passa. E isso tem uma razão lógica: como estava em uma dieta de dramalhão mexicano em doses cavalares diárias, seu paladar detector de drama estava saturado.

É como comer um monte de açúcar ou um monte de sal, você nem percebe quão doces ou salgadas as coisas realmente são, seus sensores estão todos esculhambados. Pode levar um tempinho até a sensibilidade ao drama voltar a níveis saudáveis. Você está se desintoxicando de comida de gremlin.

Conforme for se habituando a identificar os pensamentos negativos e substituí-los por uma forma mais inteligente de pensar (vamos ajudá-lo nisso), você fortalece sua mente e coloca suas emoções no lugar delas —um espaço bem mais limitado do que estão acostumadas a ocupar. O gremlin, nessa fase, perde força.  

Quarta etapa: a nova forma de pensar definitivamente substitui a antiga e se torna natural. Você não precisa mais pensar em todos os passos, já está habituado a eles. Terminou sua desintoxicação e agora é só exercitar os músculos que desenvolveu.

Nessa fase, o gremlin já está morrendo de inanição porque você não o alimenta mais. O mundo está diferente, a vida está mais leve e você quase não reconhece a pessoa que era há tão pouco tempo — e não tem a menor saudade dela. E começa a ver diante de si inúmeras oportunidades que não via antes. Essa é uma vida bem mais colorida e você percebe que o sacrifício valeu a pena.

Estamos em um propósito intensivo para a renovação da mente. E, nesse processo, é preciso estar consciente dessas etapas para evitar ser enganado com a conversa-padrão do gremlin e sua lógica furada de “está muito difícil, logo, não vou conseguir” (como se a sensação de dificuldade fosse prova de que não vai dar certo…se as coisas fossem assim, ainda viveríamos em cavernas…). Você vai ter que fazer um esforço, sim, e talvez por mais tempo do que gostaria, mas  garanto que, no final, vai dar graças a Deus por ter insistido.

 

.

PS: O Jejum de Daniel acabou, mas os posts vão continuar. :) E ele meio que nem acabou muito para mim, já que hoje fiquei longe de notícias seculares, descobri que não me fazem falta. Cheguei à conclusão de que o noticiário parece aquelas novelas que os autores esticam para render. Se assistir a um telejornal ou ler as notícias de um portal de notícias uma vez por semana, vai perceber que é mais que suficiente.

 

Renovando a mente — Assuma sua posição

803110608_28230_2314106590100702920

Eu me lembrei de um filme que vi recentemente, chamado Quarto de Guerra. Gostei muito da parte que mostra a protagonista fazendo uma oração violenta contra o diabo (gostei porque não é comum mostrarem isso em um filme e é algo essencial a aprender). Para quem não sabe, recebemos de Deus autoridade para isso, usando o nome de Jesus, como se tivéssemos uma procuração dEle.

Nesse filme, a mulher estava com um problema no casamento e, depois de ser orientada por uma senhora a lutar por sua família com oração e atitudes inteligentes, ela sai pela casa, falando especificamente com o diabo, assumindo sua posição de autoridade e deixando bem claro para ele que a família dela não pertence mais a ele. Ela literalmente fecha a porta na cara do diabo, revoltada. Acabou o sentimento de peninha de si mesma, acabou o desânimo, acabou o drama. Ela decide reagir e assume a sua posição de guerreira, lutando a guerra certa, no campo certo. O marido não é mais o inimigo, o inimigo é espiritual.

Não adianta você ser uma pessoa boazinha, tentar fazer tudo certo e frequentar uma religião. Há uma guerra constante pela sua vida e você precisa se posicionar. De que lado você está? Se quer estar do lado de Deus, tem que agir como Ele determina. E como Ele determina? Seja forte e corajoso, creia que Ele está com você e aja como uma pessoa que tem Deus ao seu lado. E como pensa uma pessoa que tem Deus ao seu lado?

“O Senhor está comigo; não temerei o que me pode fazer o homem. O Senhor está comigo entre aqueles que me ajudam; por isso verei cumprido o meu desejo sobre os que me odeiam. É melhor confiar no Senhor do que confiar no homem. É melhor confiar no Senhor do que confiar nos príncipes. Todas as nações me cercaram, mas no nome do Senhor as despedaçarei. Cercaram-me, e tornaram a cercar-me; mas no nome do Senhor eu as despedaçarei.”
Salmos 118:6-11

Porque sei que o Senhor está comigo, eu não temerei o que alguém possa me fazer. Não temerei o que outras pessoas possam me fazer, não temerei o que o diabo possa me fazer, não temerei o que eu mesma possa me fazer. Porque DEUS está ENTRE OS QUE ME AJUDAM. Isso é muito forte! Pense nas implicações disso. O próprio Criador de todas as coisas ajudando você. Pode vir o problema que for, será despedaçado. Você vai picá-lo em um milhão de pedacinhos.

Segue o vídeo com a cena que mencionei. Infelizmente, não consegui achar a cena com áudio original, então vai dublado, mesmo. Você pode fazer uma oração como essa, deixando bem claro para o diabo quem é o seu senhor e a quem você vai obedecer a partir de agora. “Jesus é o senhor da minha cabeça! Você não tem mais lugar na minha mente, diabo!” Isso é dar um chute no gremlin. Isso é anti-drama.

 
 
#JejumdeDaniel  #Dia 17
 

* Estamos em uma jornada de 21 dias de jejum de informações e entretenimento chamado Jejum de Daniel. Durante esses dias, os posts no blog serão voltados exclusivamente para o crescimento espiritual. Leia este post para entender melhor.

** Para quem não acompanhou ou para quem gostaria de rever os posts das edições anteriores do Jejum de Daniel neste blog, segue o link da categoria: http://lampertop.com.br/?cat=709 .