Pombos são ratos de asas?

Durante o intervalo de uma gravação de comercial (eu estava entre os figurantes), todos os figurantes sentados na escadaria da prefeitura, olhando os pombos que iam e voltavam, e empoleiravam-se no chafariz, ouvi, diversas vezes, o comentário que dá título a este post. Claro que gritei do meu lugar “isso é mito!” E expliquei que não tinha nada a ver, mas achei que seria uma boa coisa postar algo sobre isso.

Primeiro, sempre que perguntadas: “quais doenças eles transmitem?” As pessoas não sabem responder. Às vezes inventam, outras vezes tentam explicar mais ou menos o que ouviram, mas nenhum argumento é sólido o bastante para sobreviver a meia dúzia de perguntas. Mais ou menos como aquela história imbecil de que “grávida não pode ter gato, porque pode pegar toxoplasmose”, que já fez milhares de gatos perderem suas famílias e milhares de mulheres grávidas perderem suas companhias felinas. Ignorância mata.

Li alguém chamar os pombos de “pragas urbanas” e pedir para não os alimentarmos. Praga Urbana é a desinformação, a ignorância e a alimentação e disseminação de mitos infundados. Isso, sim, é praga urbana. Se não alimentarmos os pombos eles não vão morrer, muito menos deixar de se reproduzir. Vão apenas procurar alimento em lugares sujos e contaminados e, quem sabe, acabarão, enfim, se transformando nos “ratos de asas” que o senso comum tanto quer que eles sejam.No entanto, ao alimentar os pombos, estamos impedindo que eles procurem alimento no lixo e em lugares igualmente nojentos e contaminados e, assim, fazendo com que eles mantenham-se saudáveis, fortes e cada vez mais aptos ao convívio urbano. Quanto melhores eles forem tratados, melhor será sua vida.

Não existe pombo “contagioso”…nenhum pombo mata ou transmite doença pelo simples fato de ser pombo. Assim também nenhum rato mata ou transmite doença pelo simples fato de ser um rato, ele tem de estar contaminado. Morando em esgotos e alimentando-se de fontes nojentas e contaminadas, os ratos acabam, fatalmente, se contaminando. Na verdade, o principal agente causador de contaminação, doenças, epidemias e morte nesses casos não é o pombo, nem mesmo o rato, mas quem produz o lixo e o esgoto que se transformam em fontes de contaminação, ou seja: o ser humano. E aí? Que tal não alimentá-lo mais?

Para completar, deixo aqui o seguinte texto, compilado por Mauricio e Sr Eustácio, da comunidade “Não odeie pombos”, do Orkut.

“- A “DOENÇA DO POMBO” não existe;

– A “TOXOPLASMOSE ADQUIRIDA DIRETAMENTE DO POMBO” é impossível de acontecer, já que o parasita no pombo não desenvolve o ciclo vital e reprodutivo, condição indispensável para se tornar infeccioso ao ser humano. E, além disso, sabe-se que a PRINCIPAL causa da toxoplasmose é a ingestão de verduras mal lavadas e carnes contaminadas mal passadas. Infelizmente, você não vai saber se estão ou não contaminadas, pois a aparência não modifica;

– A “SALMONELOSE” é uma bactéria encontrada até num OVO DE GALINHA, que você pode estar comendo sem saber, e, é praticamente sinônimo de comida estragada;

– A “TUBERCULOSE AVIÁRIA” difere-se da tuberculose humana e bovina. Comum a todas as aves, sua bactéria pode ser encontrada no solo, na serragem, nas ostras, nas minhocas e até no LEITE FRESCO. Embora o homem seja bastante resistente ao bacilo, suas principais fontes de contágio são a CARNE MAL COZIDA e LEITE MAL FERVIDO;

– OS “PIOLHOS DE POMBO” são ácaros encontrados também em outras aves silvestres, específico das penas, mesmo que “eventualmente” passem para as pessoas que toquem em aves infectadas, não sobrevivem mais que algumas horas, ou seja, morrem de fome!!! Faltam penas ao homem para que possam alimentar os piolhos;

– “HISTOPLASMOSE E A CRIPTOCOCOSE” são doenças transmitidas por fungos que se desenvolvem em dejetos, são originários também das fezes humanas, de outros animais, do solo orgânico e até de frutas podres. Esses fungos, não resistem ao sol e às altas temperaturas do nosso clima. As condições ideais para seu desenvolvimento são os ambientes fechados e com grande acúmulo de matéria orgânica;

– “A ORNITOSE, PSITACOSE OU CLAMIDIOSE” atinge a muitas aves e mamíferos, inclusive o homem, mas para que haja contágio é necessário um contato íntimo com a ave doente, e, felizmente até 16/11/2003, não havia feito parte de nenhuma estatística. Daí, imagino que não deva ser fácil se contaminar!!!

Para concluir devo informar que: Não há o que temer dos POMBOS, pois, geralmente, as vítimas de doenças de aves são criadores que possuem grande quantidade de aves em ambientes SUJOS, ESCUROS, SEM CONTROLE VETERINÁRIO, SEM HIGIENE, e, ainda mantêm contato freqüente com pássaros doentes. POBRES DAS AVES QUE DEPENDEM DESTES IRRESPONSÁVEIS E INCONSEQÜENTES! ELAS, SIM, SÃO AS GRANDES VÍTIMAS!

Quanto à histoplasmose, toxoplasmose e criptococose, observe as opiniões dos profissionais de saúde:

“… não existem provas de que os pombos sejam um dos transmissores…” (Referência à toxoplasmose.)

“… são produzidos por fungos que existem dispersos nanatureza…”

“… não existe nenhum caso registrado nos órgãos responsáveis…”

(Referência à histoplasmose e à criptococose.)

Dr. Paulo Bruxelas – Médico e Veterinário – Rio de Janeiro

JORNAL DO BRASIL DE 17/07/95

“… Há contudo, uma informação errônea: os pombos não são transmissores da toxoplasmose. Isso é uma crença antiga, infelizmente, ainda divulgada”. – Drª. Marilu de Noronha – Veterinária do Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaistman

JORNAL O GLOBO DE 13/ 09/01

“… Para que alguém pegue Toxoplasmose de um pombo, é preciso que essa pessoa COMA UM POMBO DOENTE MAL PASSADO, já que o microorganismo se aloja em seu tecido orgânico. Quero dizer com isso que não se pega toxoplasmose de pombo com o simples contato com o animal”. – Drª. Mariângela Freitas de Almeida e Souza – Médica veterinária – Rio de Janeiro”

Fontes:

www.inca.org.br/cancer/hab_alimentareshtml

www.ibd.com.br/arquivos/saudesagrotoxicos/agrotoxicos.htm

www.notmilk.com

www.wwiuma.org.br

COHEN, Robert. Milk – The deadly Poison.

DESIMON, Olavo. Os Grandes Crimes Contra a Humanidade.

GREGG.M.B. Psitacosis 1075-1981.Atlanta: Centres for Diesease Control, 1983

PORCHER,F.H.US Depto. Health Hum Ser Salmonella Surveillance Rep. 1974-1980

SCHANG L. Pombos Saudáveis. Ed. L. Schober, Hengesberg, W.D.

SCHWABE,C.Veterinary Medicine anda Human Health. 1964, Ed. Williams& Wilkins

TUDOR, D.C. Pigeon Health and Disease. 1991, Iowa State University Press,Ames, Iowa

Destaque para o comentário da Alice Frank, no tópico:

É IMPORTANTÍSSIMO divulgar isso!!

Quantas pessoas maltratam os pobres pombos!! Jogam pedras, matam, chutam, tudo porque são supostamente sujos, doentes, infecciosos e “porque tem muito por aí! RIDÍCULO!!

São os HUMANOS que são imbecis e limitados, pois somos nós os sujos, doentes, infecciosos e “muitos por aí”!

Da série: Diálogos Insanos

– Por que você comprou marshmellow?

– Porque lembrei que você gosta de marshmellow.

– Não sou eu que gosto de marshmellow, é você!

– Ah, é? Sou eu?

– É!

– É que nós dois somos um, nós somos a mesma pessoa, então eu nunca sei quando sou eu e quando é você.

PS: Não é que eu odeie marshmellow, se um marshmellow se jogar em minha frente eu como, mas até onde me lembro, meu digníssimo esposo sempre foi alucinado por marshmellows. O estranho foi ele me trazer, todo sorridente, um copo cheio de marshmellows e não ter pego nenhum para ele. Ok, faz uns três anos que ele não compra, nem come marshmellows, mas isso não é o suficiente para esquecer, é?

Time goes by…


Acabei indo dormir muito tarde ontem (trabalhando compulsivamente), tipo muuuuito tarde mesmo e acordei hoje meio esgualepada. Aí o fenômeno Postergheist atacou de novo e eu realmente não consegui fazer muita coisa. Ainda tentando me recuperar da letargia, resolvi fazer umas escavações arqueológicas em meus arquivos de fotos para ver o que aconteceu mais ou menos neste período dos cinco últimos anos. Compartilharei com minha amada meia dúzia de leitores:

Em 2005:

20051

Eu morava no Rio de Janeiro. O Davison estava fazendo um curso de um ano e a Petrobras nos pagou um flat para morarmos decentemente durante esse período. Minha mãe foi nos visitar neste mês e minha sogra e minha cunhada, no mês seguinte.

2005piraque

No Piraquê, em Abril, vista para a Lagoa e para o corcovado…também era esta a vista do nosso apartamento. Neste dia fomos ao Piraquê com minha mãe a convite de meu irmão, que ainda estava na marinha.

filhotes2005

Ganhamos a Ricota no final de março e o Tiggy veio alguns dias depois, já em abril. Ela foi presente da Claudia Letti, porque eu estava histérica por não ter nenhum gatinho (gente viciada é coisa séria…). A Ricota era ainda mais minúscula do que hoje e ainda não falava a minha língua. A mãe dela foi recolhida da rua grávida, os filhotes nasceram em uma gaveta (até hoje ela é louca por gavetas) e foram divulgados no Multiply. A Claudia achou que a gatinha era a minha cara (pois já vinha com delineador…risos…) e me fez uma baita surpresa, com direito a lacinho no pescoço e tudo o mais. O Tiggy foi escolhido pelo Davison, que se apaixonou por ele quando ele foi divulgado como “Emergência Felina” no blog da Cora. Ele foi resgatado no estacionamento do Hospital Souza Aguiar com uma pata quebrada e a pele do queixo totalmente descolada. A história dele está aqui. Quando apareceu no blog da Cora, ele estava com o queixinho costurado e a patinha enfaixada. Primeiro apadrinhamos, depois ele decidiu adotar. Chegou em casa já sem os pontos e a faixa, logo se adaptou com a Ricota, dormiam juntos e brincavam o dia inteiro, ele a ensinou a fazer bagunça, como um irmão mais velho. Super carinhoso e inteligente, ele tinha o pelinho durinho, parecia um porco-espinho, além disso era narigudo e orelhudo, mas sempre chamou muito mais atenção do que ela, pelo seu jeito extrovertido, simpático e sociável.

lampertop2005

A época do Rio foi maravilhosa, eu me realizei indo a lançamentos de livros com a Paula e o Paulo Polzonoff, que eram nossos novos amigos de infância, vizinhos e companheiros de compras no Zona Sul.

Abril foi o mês do lançamento da coleção do Pif Paf e o Davison realizou seu sonho de ver o Millôr pessoalmente (embora ele ainda não esteja satisfeito, quer arranjar um jeito de perseguir o Millôr e conversar com ele) e eu pude mostrar meu umbigo de bolinha para o Ziraldo e agradecer a ele por ter escrito o Rolim e me feito aceitar meu umbigo redondinho ainda durante a infância. Sim, eu fiz isso. A Paula e o Paulo não acreditaram que eu faria, duvidaram da minha capacidade de pagar mico…quem mandou? Reparem que eles não aparecem na foto, mantiveram distância e se alguém perguntou a eles quem éramos, garanto que eles responderam: “Não sabemos, eles nos seguiram até aqui”.

Repare na foto abaixo o inconfundível cabelo de Ferreira Goulart. E tem algum Caruso lá atrás.

ziraldo2005

Conseguimos autógrafo (êêêêê) do Millôr, do Claudius e do Ziraldo. Só não pegamos o do Jaguar porque ele estava bêbado demais e não é lá muito prudente se aproximar de um Jaguar bêbado. Mas foi divertido.

pifpaf2005

2006

Em abril de 2006 eu estava viajando de ônibus (assim, no gerúndio) de Porto Alegre para Campo Grande…quase 2.000 km, pouco mais de 24 horas de viagem…hoje em dia não faço mais isso, vou de avião ou nem vou. Mas viagens para Campo Grande se repetiriam diversas vezes nos dois anos seguintes.

onibus2006

2007

Minha mãe veio nos visitar, e aproveitou para conhecer o Fabricio (Carpinejar) durante o lançamento de “Meu Filho, Minha Filha”.  Durante todo o ano anterior eles se desencontraram e esse encontro já estava parecendo uma lenda…risos… Fabrício é um amigo muito querido e um grande encorajador de meu trabalho literário (que eu vou retomar ainda este ano). E nessa época ele ainda tinha cabelo. Na foto o pai do Fabricio, Carlos Nejar (que é um fofo, eu queria adotá-lo, tivemos uma aula com ele em 2006 e eu não queria mais sair da sala), Fabrício autografando o livro e mamãe.

carpinejar2007

Embarcamos no ônibus de turismo para conhecer Porto Alegre do alto…risos…

tour2007

Há exatos dois anos tirei essa sessão de fotos dos meus gatinhos esmagadinhos no meu colo:

Já havíamos completado nossa coleção de tigradinhos em fevereiro de 2006, com o Gatão, que também atende por Rocky, e que um ano depois de resgatado da nossa rua, magrelo, cheio de machucados infeccionados, abandonado e com erlichiose, já estava redondo:

gataozinho2007

Tiggy:

vantiggy2007

Ricota:

vanricota2007

2008

Em abril de 2008 eu estava novamente em Campo Grande, aqui mamãe, vovó e eu:

2008

Ao voltar para casa, tive uma surpresa: o Davison havia comprado um monte de coisas, e finalmente decorado a nossa sala!! (UAU, nossa sala já tem UM ANO!!!) Inclusive trocou a TV, o som, comprou uma tapeçaria que bilha no escuro (juro!) e colocou persianas nas janelas.

Na foto pode-se ver a Samu, nossa filha samambaia, que está sobrevivendo bravamente à nossa parcial incapacidade de cuidar de um vegetal.

sala12008

prateleira2008

Esses são nossos filhos Huguinho, Zezinho e Luizinho. Hoje eles estão enormes e mal cabem nesse pote. Será que dá para transplantar cactos?

cactos2008

Também nessa época compramos a máquina fotográfica nova e tiramos milhões de fotos dos gatinhos. Abaixo, meu gatinhozinho tão pequenininho…

colo2008

2009:

É isso o que eu estou fazendo agora…quer dizer, essa é uma das peças, porque as outras ainda não posso mostrar. Tive de parar quando viajei para Campo Grande no início do ano e agora estou nos últimos ajustes do rosto. Já fiz as modificações que estavam anotadas na montagem abaixo e tenho uma porção de considerações a fazer em um próximo post sobre como é muito mais difícil reproduzir seu próprio rosto do que o de outra pessoa. Lutar contra nossa auto-imagem distorcida não é fácil, não. A foto que usei na montagem é do meu aniversário, dia 23 de janeiro deste ano.

ajustes2

Na verdade hoje, hoje mesmo, é assim que estou, com essa cara inchada de sono (o Davison acabou de tirar essa foto):

sono1

Mas pelo menos o corretivo disfarçou os círculos super escuros que surgiram sombreando meus olhos. Já tinha tentado esconder em outras ocasiões em que ele apareceu, mas não deu certo porque eu usava a mesma quantidade de quando era jovenzinha…hahahahaha…chegando aos trinta, menina, não economize corretivo, não. E eu passo depois da base, pois assim não corro o risco de exagerar, pois algumas coisas a base cobre direitinho. Ah, o corretivo é avon! Eu comprei o corretivo da Beyond Color no Ebay…hahahahaha…só eu mesmo, importando Avon! Comprei também a base mousse dessa linha, que é per-fei-ta! Minha cor é Almond. Mas comprei aqui a base mousse da Maybelline (Dream matte mousse) para testar e também gostei, só que a consistência não é a mesma, a da Avon é mais firme e acho que cobre melhor. Mas na preguiça de pedir pelo Ebay (e também com o dólar a mais de dois Reais não rola comprar nada no Ebay…pelo menos não enquanto eu não voltar a vender as peças do Lampert Art Studio por lá), é uma boa solução. Só que ela é tão fininha que basta encostar o dedo para liberar o produto. Ambas duram muuuuito. E para quem tem a pele oleosa, são uma maravilha. A da Maybelline é um pouquinho mais escura do que a Almond, mas ficou legal na minha pele, também. Achei que deu um arzinho de saúde. A cor é a Light 4, Nude.

Quatro meses de abril consecutivos de minha vida, mal resumidos em um post. Voltarei ao trabalho agora, porque daqui a pouco tem discipulado na igreja e não posso perder. Mas sempre que puder, deixarei algo aqui, até porque tenho 395 mil posts semi-escritos nos rascunhos do WordPress, como pacotes de bolacha abertos e com metade do conteúdo, apenas. Meio cheios ou meio vazios, de acordo com o estado de espírito do observador.

Posted by Vanessa Lampert

Diálogos insanos de um casal apaixonado

-Engraçado, meus olhos eram mais separados.

-Sua auto-imagem é que é distorcida, seus olhos são bem menos separados do que você fez na bonequinha.

-Eu sei, mas antigamente eles eram mais separados. Que estranho. Como eles se juntaram? O que será que aconteceu?

-Não foram eles que se juntaram, foi sua cabeça que cresceu ao redor deles.

Posted by Vanessa Lampert

Postergeist

Enquanto Poltergeist, segundo a Wikipédia, é “Um evento sobrenatural que se manifesta deslocando objetos e fazendo ruídos”, Postergeist é um fenômeno sobrenatural que se manifesta deslocando afazeres para um indefinido “depois” e gerando ansiedade e entulhamento de tarefas.

O foco dessa perturbação pode ter qualquer idade, qualquer gênero, qualquer formação. Postergheist é um fenômeno bastante democrático, que não faz acepção de pessoas, embora tenha uma inclinação especial para se manifestar em indivíduos portadores de TDAH (transtorno de déficit de atenção com hiperatividade). O fenômeno postergeist costuma ter seu pico de atividade durante a adolescência, mas em alguns indivíduos agrava-se na idade adulta, com o aumento de responsabilidades e tarefas.

A duração do postergeist é indefinida, mas costuma ser confundido com assombrações, ao torturar o indivíduo diariamente com aparições dos afazeres que ele tem postergado, cobranças externas a respeito desses afazeres e consequências aparentemente fatais para cada tarefa adiada.

O indivíduo começa, já na infância, deixando para depois a resolução dos exercícios propostos pela professora. Porém, o que o fenômeno postergeist não permite que a pobre criatura descubra, é que o “depois” não existe, nunca chega, é uma data abandonada em uma dimensão separada da nossa por alguns poucos dias. Por isso sempre achamos que o “depois” está perto, mas nunca conseguimos alcançá-lo.

Mais tarde, o postergeist fará com que o indivíduo acredite que pode adiar a resposta aos e-mails recebidos para um momento em que ele esteja suficientemente descansado para dar àquela pessoa a atenção que ela merece e escrever uma resposta bem legal, completa, escrita com cuidado. No entanto, ao enviar aquela tarefa para a dimensão paralela de “depois”, ela se perderá para sempre e jamais o momento de responder ao tal e-mail chegará. Deste modo, o remetente não receberá a resposta e se sentirá desprezado por não ter merecido nenhuma atenção de seu destinatário, justamente o que o tal destinatário postergador não queria que acontecesse.

Irremediavelmente acometida pelo postergeist, a miserável criatura enovela-se em um adiamento pior do que o outro, procrastinando para um amanhã que nunca chega, enrolando-se em um novelo de tarefas não concluídas e outras sequer começadas, como um garfo desesperado para livrar-se do espaguete gira descontroladamente sobre seu próprio eixo até sufocar-se com toda a macarronada, a ponto de ter de equilibrá-la e não conseguir depositar a massa em nenhuma boca aberta, por maior que ela seja.

Quando chega a esse ponto lastimável, o desprezível ser atropelado pelo postergeist já não sabe mais o que fazer para lidar com tantas tarefas atrasadas, tantos e-mails não respondidos, tantas pessoas chateadas, tantos convites não atendidos, tantas coisas acumuladas. Não existem mais desculpas disponíveis, os afazeres não têm a decência de esperar e continuam a avolumar-se. A louça lavada retorna à pia, novamente suja, pronta para formar nova pilha. Os sacos de lixo não aprenderam ainda a se colocar sozinhos dentro do cesto na calçada, a despeito de já terem passado por isso diversas vezes. Não existe nenhuma forma de transferir para o computador a resposta que seu cérebro cria àquele e-mail recebido assim que o lê. Não tem ninguém que viva exclusivamente para lembrá-lo das consultas médicas que ele precisa marcar, ele não é capaz de absorver por osmose o conteúdo dos livros que quer ler, nem pode transferir o trabalho que está em sua mente para sua mesa, assim, com um abrir e fechar de olhos. Começa a achar realmente injusto o fato de sua mente precisar de um corpo tão lento e depender de um dia tão curto para executar tudo o que ela sabe que deve fazer.

“Depois eu compro isso”, “depois eu conserto aquilo”, “logo que eu puder farei tal coisa”, “responderei assim que conseguir um tempo maior”, “outra hora eu escrevo isso”, “prometo que vou procurar aquilo, só não sei quando”…e cotinua a postergar.

O Postergeist, como todo bom fenômeno sobrenatural malévolo, só irá embora depois de muita perseverança do desafortunado homenzinho vitimado pelo mesmo. Pode-se usar a orientação bíblica: “Resisti ao diabo e ele fugirá de vós”. Resistir à vontade aparentemente incontrolável de postergar e fazer agora o que você gostaria de fazer depois é o primeiro passo para livrar-se de uma vez por todas dessa opressão.

Lembre-se que o Postergeist aloja-se no cérebro do indivíduo fazendo com que ele acredite que não será possível fazer absolutamente nada agora. Isso ocorre porque o Postergeist alimenta-se de cada tarefa enviada à dimensão paralela de Depois, que é o único lugar no qual ele pode assumir uma forma física. Em Depois, o Postergeist usa os afazeres adiados como fonte de nutrição para seus filhotes, ainda em fase larval. As larvas de Postergeist precisam dos nutrientes encontrados nas tarefas não realizadas para que cresçam fortes e espertas e passem a aterrorizar outras pessoas em nossa dimensão. São mais ou menos como os mosquitos, que sugam o sangue para nutrir suas crias, que nascem e crescem só para sugar o sangue para nutrir suas crias e assim sucessivamente ad infinitum. Como os mosquitos, apenas as fêmeas Postergeist sugam nossas tarefas. Para isso elas se utilizam de nossas emoções e de nossas sensações. Sentimos que estamos cansados e deixamos as coisas para depois…ou então procrastinamos por irritação, por desatenção, por preguiça, por medo, por qualquer outro motivo que não seja um pensamento racional.

Quando pensamos, nos forçamos para resistir àquele impulso de postergar e sabemos que ele é, na verdade, resultado da manipulação de nossa mente pelo fenômeno Postergeist, percebemos que não nos vai cair um braço, nem o pescoço se fizermos agora o que nós temos de fazer. Deixar de adiar não fará com que se destrua o universo como o conhecemos. Pelo contrário, só assim encontraremos equilíbrio e tranquilidade para fazer o mundo girar e as 24 horas de um dia serem suficientes para abrigar todos os afazeres que temos programado.

Ainda estou na fase de libertação do fenômeno postergeist, tentando lutar contra ele, com todas as minhas forças. No meu caso, tive uma porção de motivos realmente nobres para me encontrar agora nessa fase garfo emaranhado no espaguete, mas não posso usá-los como desculpa para permanecer enroscada e não sair do lugar. Ainda não sei o que fazer com aquela porção de coisas que acabei não fazendo, não sei se ignoro, finjo que não existem e recomeço, daqui para diante, ou se revisto-me da paciência de um monge venusiano e faço, como me recomendou minha mãe, aos poucos, uma coisa de cada vez, até ter feito todas as coisas, ou pelo menos mais do que eu faria caso me desesperasse e adiasse compulsivamente.

Já tentei fazer todas as coisas que eu não fiz para me livrar logo delas e poder fazer as outras, mas enquanto eu faço o que passou, as outras coisas novas se acumulam. Se eu fizer aos poucos, posso fazer novas e antigas, intercaladas, e talvez surta algum efeito. Se eu não fizer, tenho de ter coragem de encarar as consequências…já agi assim, encarei as consequências, deu tudo certo, mas perdi uma porção de amigos.

Atualmente estou dando prioridade às tarefas novas, essas eu não deixarei mesmo de fazer. Só o que me preocupa é o que fazer com a vida que eu tinha antes, ou mesmo com minha vida social, esses detalhes que eu deixo para depois e que eu sei que não deveria, pois tudo passa muito rápido e de repente já faz seis meses que eu fiz um determinado exame e até agora não levei para a médica. Quero me livrar definitivamente do Postergeist, e minha agenda tem sido uma boa aliada, mas talvez haja, em algum lugar, um gupo de caça-fantasmas que consiga aprisionar, de uma vez por todas, esse terrível inimigo. No entanto eu sei que a solução para esse problema não pode vir de fora, não há possibilidade de responsabilizar outra pessoa pelos meus problemas, pela piora ou melhora deles. Eu tenho de continuar a me esforçar e lutar contra a força destrutiva do Postergeist.

Nesta luta solitária que empreendo, sequer me sinto no direito de pedir a compreensão dos amigos, pois eles têm sido compreensivos há alguns anos. Basta-me que saibam que meu esforço tem sido recompensado. Não, ainda não consegui ensinar minha louça a tomar banho sozinha (embora continue tentando), nem mesmo construí uma cópia andróide para me substituir em eventos de amigos nos quais sei que minha presença seria importante, também não consegui ainda uma forma de transferir o conteúdo dos livros que aguardam minha leitura para a minha cabeça, mas pelo menos tenho tido mais clareza e menos desespero na hora de agir contra o postergeist. Ainda que em alguns momentos eu novamente caia em tentação e postergue, enviando as tarefas urgentes para o Depois, às vezes substituindo por outras menos importantes, nem mesmo isso me faz desistir, pois volto a me reerguer e enfrentar mais uma batalha, na esperança de em breve me livrar, de uma vez por todas, deste fenômeno maligno, como já me livrei de tantos outros.

E antes que alguém sugira….não, eu já tentei, mas ele não sai na sessão do descarrego. É só com o esforço e a mudança de hábitos, mesmo…com a renovação da mente…não é um fenômeno espiritual, é um fenômeno sobrenatural comportamental. Exige mudança onde a maioria de nós não admite mudar: nos hábitos, nas verdades arraigadas, no comportamento, nas emoções, na personalidade. Dói um pouquinho, mas nada que uma dipirona não resolva.

Posted by Vanessa Lampert

Diálogos insanos a qualquer hora – parteI

– Olha, amor, chegaram ao meu blog procurando por: qual ônibus pego para chegar ao hospital moinhos de vento? Assim, com interrogação no final.

– Coitada…a pessoa que entra no seu blog para tentar se encontrar é porque está muito perdida!

Hahahahahahahahaha…..depois ele ainda tenta consertar, dizendo: – Isso levando-se em conta o seu senso de localização geográfica….

Posted by Vanessa Lampert

Ferrugem

Acabo de descobrir um grave efeito colateral de passar o dia inteiro sentada fazendo pessoinhas de biscuit compulsivamente. Como nosso carro está doente fui à igreja agora à noite de ônibus. Já saí ligeiramente atrasada, mas compensei caminhando rápido as quatro quadras que separam meu apartamento do ponto de ônibus.

Como não sabia qual ônibus pegar (nunca sei, até hoje não me entendi com o transporte coletivo desorganizado de Porto Alegre), entrei no primeiro que apareceu e que dizia ir para o centro, ressaltando que seu ponto final (ou como é dramaticamente chamado pelos portoalegrenses “fim da linha”) era no “Terminal Parobé”.  Como cada local aqui tem uns dois ou três nomes diferentes, eu nunca sei onde é o quê. Demorei um bom tempo para assimilar que o “Parque Farroupilha” e “Redenção” eram a mesma pessoa, que nada tinha a ver com o “Parcão”, que é o Parque Moinhos de Vento.

Eu ia descer na Farrapos, perto do viaduto da Conceição (lugar agradabilíssimo de atravessar, by the way), mas um rapaz perguntou ao cobrador se passava pela rodoviária e recebeu resposta positiva. Maravilha! Desço na rodoviária, bem na porta do metrô, pego o túnel que passa por baixo da avenida e saio bem em frente à igreja. Perfeito demais. Eu devia ter desconfiado. O cobrador estava certíssimo, o ônibus realmente passava pela rodoviária. Passou direto, sem nem pensar em parar.

Aprenda uma coisa sobre Porto Alegre: se você pega um ônibus no sentido Farrapos – Centro que passe pela rodoviária, saiba que após passá-la o coletivo só irá parar novamente perto do Mercado Público, o que é bastante longe. Pensei em entrar na Estação do Mercado Público e pegar o metrô até a rodoviária, mas não sei os horários, talvez demorasse mais do que ir caminhando.

O ônibus nos deixou sair apenas quando parou no camelódromo (finalmente alguém conseguiu construir isso por aqui. Mas não me parece maior do que o de Campo Grande. Precisaria ter mais uns três andares para abrigar todo o comércio informal do centro da cidade). Desci meio perdida, já que faz uns séculos que não caminho pelo centro à noite. Após me situar, segui por uma daquelas ruas escuras e mal cuidadas.

Eu gosto muito de Porto Alegre e me dá uma certa tristeza ver que até hoje não apareceu um prefeito decente para revitalizar o centro da cidade, que está cada vez mais feio, abandonado, sujo e caindo aos pedaços. É uma pena, pois esta cidade tinha tudo para ser bonita, atrair turistas, pois é a capital de um estado com tanta beleza, delicadeza e tradições preservadas.

Caminhar pelo centro é sempre uma atividade um tanto quanto estressante para mim, não importa a hora. Mas ainda  acho pior andar por ali durante o dia do que à noite, pois aquela multidão correndo não sei de onde não sei para onde, aquela gritaria de gente vendendo sei lá o quê para não sei quem é um pouco cansativa. Perto das 18h30 e já escuro (ai, que saudade do horário de verão, que nos estende a luminosidade do dia até nove da noite), caminhei mais rápido, ignorando quem me olhava como se estivesse vendo um alienígena. Eu sempre tenho a impressão de que me olham como se vissem um alienígena, isso não deve ser normal. Imagino que isso seja algo da minha cabeça, mesmo, eu devo me sentir um alienígena quando estou em público, então acabo acreditando que todo mundo me vê assim.

Na verdade, à noite no centro de Porto Alegre, todo mundo anda com uma certa paranóia. O pessoal caminha rápido, olhando para os lados, sempre atento ao barulho de passos atrás de si, tentando enxergar o perigo com a visão periférica. É comum que as pessoas andem em ziguezague, tentando despistar o persecutor inexistente. Qualquer indivíduo caminhando sozinho é potencialmente perigoso. Por que está sozinho? Tudo é muito suspeito.

Tive certeza de que o casalzinho à minha frente acreditava estar sendo seguido por mim. Na verdade eles é que estavam me seguindo, embora eu estivesse atrás. Eles me seguiam na frente. Estavam indo para o mesmo lado, não tenho culpa. Apertaram o passo, mas eu tinha de me apressar para não chegar no “Graças a Deus” (que é depois do Amém) e também fui mais depressa. Atravessaram a rua, eu ainda demorei um pouco mais, mas a entrada era do outro lado e tive de atravessar também. Mais um pouco eles teriam chamado a polícia (ou melhor, a “Brigada”, que é como chamam a polícia aqui), felizmente logo pude entrar pelo portão do estacionamento da igreja.

Peguei o finalzinho da Palavra e as duas últimas orações. Deu para encher uma folha do caderno com as anotações do culto. Saindo de lá, caminhei até o ponto de ônibus e peguei a primeira lotação que apareceu. “Hospital Conceição”. “Oi, vai pela Assis Brasil?” – O motorista respondeu: “Vai até o Conceição”. “Mas passa na Assis Brasil?” – insisti. “Vai só até o Conceição”. Oh, céus, como explicar que minha noção geográfica, espacial e cartográfica é praticamente inexistente e que eu não sei onde fica o Conceição! Em Porto Alegre existem várias lotações, algumas têm o mesmo nome, mas seguem itinerários completamente diferentes. Por isso eu sempre pergunto. E já aconteceu de inverterem os itinerários das lotações, possivelmente por eu já ter decorado qual ia por qual caminho. Murphy trabalha no transporte público.

“Passa pelo Bourbon da Assis Brasil?” Usei meu ponto de referência básico para saber se o microônibus (será que a reforma ortográfica sugeriria “micrônibus” ou “micronibus” ou mesmo “micro-ônibus”?) passaria perto ou longe de casa. Com a resposta, entrei, sentei, só para logo levantar, pois sobre rodas a distância é ínfima. Desci na avenida e caminhei as quatro quadras de volta, entrei no prédio, subi o lance de escada que nos separa do chão, entrei no apartamento, deitei na cama e…estava moída!!! Doíam músculos que eu nem lembrava que existiam. E meus joelhos rangiam…quase pedi um óleo Singer, que minha avó costumava colocar na máquina de costura. Senti cada um dos meus vinte e nove anos em cima de minhas pobres articulações e me arrependi amargamente de não ter aceito a sugestão do Davison de fazer Pilates ou voltar para a musculação.

Eu tenho trabalhado full-time e não havia me dado conta de que estava tão enferrujada. Cheguei morrendo de calor e ofegante, como aquelas gordas fumantes sedentárias do programa “Você é o que você come” quando são obrigadas a fazer exercícios aeróbicos pela primeira vez. Lembrei com saudade do tempo em que eu ia e voltava da igreja à pé, só pelo prazer de caminhar. Ou quando ia e voltava da auto-escola à pé, também. Ou antes, caminhando por todo o centro de Campo Grande, carregando em um dos braços a cesta de doces que me entortou a coluna (nada que não pudesse desentortar depois). Ou ainda antes, quando eu jogava basquete e era craque em correr alucinadamente e roubar a bola do adversário (na verdade eu só era escalada para os jogos pelo fato de saber correr feito doida e fazer uma marcação muito esquisita, tipo um polvo alucinado, a ponto de assustar a adversária, conseguir ficar com a bola e passá-la para alguém do meu time, que realmente soubesse jogar).

Enferrujei. E é melhor perceber isso agora do que depois de engordar cinquenta quilos e estourar todas as articulações do corpo. Menos mal. E então imagino quantas vezes a gente enferruja sem perceber. Não só fisicamente, mas em outras áreas, também. Quando você passa semanas sem ler, por não ter tempo (como se não pudesse levar um livro na bolsa), semanas sem escrever, sem pensar nas coisas que ouviu, que viu, que enfrentou. Sem analisar os fatos do dia-a-dia e a razão de sua reação a eles, sem aprender coisas novas, sem reciclar o que já sabe, sem conversar com os amigos, sem sair com o marido, sem conversar com a esposa, sem exercitar o senso de humor, sem falar com Deus, sem estudar a Bíblia, sem cuidar da alimentação, sem fazer exercícios…

Enferrujamos nosso cérebro, enferrujamos nossa vida social, enferrujamos nosso casamento, nossa vida espiritual, nossa rotina, nossos sonhos, nosso trabalho, enferrujamos nossa mente, nossa criatividade, nosso entusiasmo, nossa família, nossos dias, nossa vida.

Imagino que o som que uma dobradiça enferrujada faz ao se mover seja de dor. “Nhééééc”… Depois de enferrujada, qualquer movimento dói. Mas ao reparar a ferrugem, o jeito de testar o funcionamento é mover, mover, mover, até ter certeza de que não vai ranger mais. O início da mudança, o início de qualquer transformação é doloroso. Porém, mais doloroso é permanecer enferrujando a cada dia mais. A coragem na verdade esconde a falta de opção. Não tem jeito, ou eu sigo em frente ou eu sigo em frente. Ou eu saio de casa e faço exercícios ou eu saio de casa e faço exercícios, pois ficar em casa sentada o dia inteiro e estragar minha saúde não é uma alternativa válida.

Às vezes a gente espera um sinal dos céus para começar o movimento da mudança necessária na vida, mesmo sabendo o que tem de fazer, e que já deveria ter feito. Você já sabe que tem de mudar, já sabe que tem de mudar ontem! Sabe qual hábito ou atitude tem de jogar fora para iniciar essa mudança, o que está esperando? Qual sinal? Aí me lembro de uma passagem Bíblica em que Jesus responde aos que pediam esse tipo de sinal. Àquele pessoal incrédulo Ele disse que “nenhum sinal vos será dado, senão o de Jonas”.  Hello, Jonas foi engolido por uma baleia. Não é um bom sinal, fala a verdade. Ser engolido por uma baleia para se convencer a fazer o que você já sabia que deveria fazer é algo não muito inteligente, com todo o meu respeito ao Jonas.

Posted by Vanessa Lampert

Ministério da Educação fugiu da escola

O Ministério da Educação assina uma campanha publicitária que tem sido veiculada em emissoras de TV aberta e usa o seguinte jingle (melodia de “escravos de Jó”):

“Dos livros da escola temos que cuidar,

Não rabisque, não molhe, que ele vai durar!

Os livros que usamos outros poderão usar!”

Concordância passou longe e deu tchauzinho. Sim, você entendeu certo, o Ministério da Educação está dizendo que se você não rabiscar, nem rasgar, os livros da escola vai durar. Os livros da escola se transformam em uma entidade singular e crianças felizes cantam, em côro, uma musiquinha que carrega consigo um erro gramatical hediondo. O mais assustador é saber que isso passou pelo crivo do Ministério da Educação…  eu sou totalmente contra essa coisa de a criança não poder ficar com seus livros escolares, mas pensando bem, se isso espelha o nível do ensino público brasileiro e do seu material didático, talvez ao devolvê-los o aluno não esteja perdendo muita coisa.

Posted by Vanessa Lampert

Qual é a surpresa?

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Li dia desses um trabalho acadêmico sobre blogs que, entre diversos outros, citava meu falecido “Another Monster”.  Entre outros comentários, a moça, que leu alguns posts isolados da época do blogger.br, notou que no blogspot havia mais fotos minhas do que no blogger.br  Na verdade em cada post do .br tinha uma foto minha, mas tive de deletar as fotos para liberar espaço quando a globo.com limitou os blogs a míseros 10 mega. Quando não tinha mais nenhuma foto para deletar, migrei para o blogspot, a fim de não precisar deletar os textos antigos. A moça, porém, não sabia disso, e ao ver o blog do blogspot cheio de fotos e o do blogger sem foto nenhuma, imaginou que eu tinha bolado algumas estratégias para “alavancar a audiência”, entre elas, colocar mais fotos da minha digníssima pessoa. Uau…isso é que é elogio, não? A simples exposição de minha figura, segundo ela, seria suficiente para angariar novos visitantes…e olha que em todas as fotos eu estava bem vestidinha e todas elas tinham a ver com cada post.

Mas não pensem que a citação no tal trabalho foi apenas esculhambatória. No decorrer do processo, acho que ela resolveu ler decentemente os textos, deixando de lado o preconceito inicial de quando achava que eu era “apenas um rostinho bonito” (hahaha) na blogosfera, e fez ótimos comentários a respeito do meu texto. Fiquei espantada, pois eu nunca pensei aquelas coisas a respeito do que escrevo. Depois, com mais calma, falo mais a sobre esse trabalho e copio o que ela escreveu, fazendo um post só para isso. Ainda que pareça, este post não é sobre o tal trabalho acadêmico…risos…só o citei porque ao recortar a foto acima para mudar o avatar do facebook me dei conta de que não havia ainda colocado uma foto minha por aqui e me diverti com a idéia de que alguém, em sã consciência, possa algum dia ter imaginado que eu colocava fotos minhas para ilustrar os posts na expectativa de aumentar o número de visitantes do blog.

:-)

Mudando de assunto, meus sonhos andam muito esqusitos ultimamente. Dia desses sonhei com uma estranha viagem de ônibus para Três Lagoas (???). Lá conheci um museu ao ar livre (???), ensolarado, cheio de peças lindas, com uns duzentos anos de idade. Algumas delas, inclusive, pretendo copiar em biscuit, pois eram realmente boas. Nunca vi aquelas peças, mas acho que copiar uma criação de meu cérebro não pode ser considerado exatamente uma “cópia”, não é mesmo?

Bem, além do museu, também vi um cemitério cheio de múmias expostas em caixões de vidro, todas de “treslagoenses” ilustres dos quais eu nunca ouvi falar. Entre elas, uma múmia de pano, com cabelos de lã. Dessa parte não gostei, pois era uma área sinistra, esquisita, e eu jurei nunca mais assistir aos documentários do Discovery Channel, nem ver posts sobre múmias que eventualmente surjam em blogs como o Mundo Gump.

Meus sonhos geralmente se passam na mesma cidade (chamo de Porto Grande de Janeiro, pois é uma mistura das três cidades em que já morei: Porto Alegre, Campo Grande e Rio de Janeiro), da qual eu já conheço a maior parte das ruas, dos estabelecimentos comerciais e das pessoas. E não é raro ter referências a sonhos anteriores. Na noite passada, sonhei que era dia de estréia de um musical que começamos a ensaiar em outro sonho, há alguns meses. Não foi legal porque eu não cheguei a decorar o texto, nem as coreografias, e ainda teria de conseguir dinheiro para pagar o figurino, sendo que eu estava sem minha bolsa.

Sempre misturo acontecimentos do dia ou da semana, algumas coisas aparentemente sem a menor importância, e me divirto depois de acordada, ao tentar identificá-los. Comentei com meu sogro ontem sobre o fato de as lagartixas perderem o rabo para enganar seus predadores. Ele insistia que os lagartos também faziam isso e eu dizia nunca ter ouvido nada a respeito. À noite, sonhei, entre outras coisas, que briguei com o Gatão e ele correu para a sala, deixando a cauda na cozinha.

Geralmente meus sonhos são divertidos, raramente são estressantes, só quando estou muito cansada ou com alguma alteração nos níveis de cortisol, coisa que – graças a Deus – não acontece há muito tempo, desde que descobri que devo manter distância absoluta de qualquer corticóide, por mais inofensivo que pareça.

Acho que vou começar a escrever meus sonhos, e minhas impressões a respeito. No meu caso, acho que nenhuma técnica de “interpretação de sonhos” se aplica, porque eles são geralmente feitos a partir de colagens de acontecimentos e fatos do dia-a-dia, raramente tem algum mais simbólico, com cara de “manifestação do inconsciente”, que deva ser levado em consideração.

Um pesadelo recorrente, aliás, é estar em um self-service maravilhoso, com uma ilha de sobremesas perfeita, passar um tempão escolhendo, indecisa, e acordar justo quando finalmente montei o prato e me preparo para comer. Outro pesadelo relacionado com comida é estar em um restaurante, morrendo de fome, e não encontrar quase nada que eu realmente coma. Aliás, acho que mudou o cozinheiro responsável pela comida nos meus sonhos. Houve uma queda significativa na qualidade gastronômica. O duro, nesses casos, é não saber como reclamar.

Posted by Vanessa Lampert

Notícias

O post anterior estava em meus rascunhos desde o dia primeiro, mas achei por bem publicá-lo para que houvesse uma sequência lógica com o post de hoje.

A cirurgia da minha avó estava planejada para a semana que vem, mas como os exames puderam ser feitos todos em um só dia, ficaram prontos logo e os médicos constataram que estavam ótimos e a cirurgia já poderia ser realizada, o procedimento foi marcado para sábado (hoje), pois havia urgência em retirar o tumor, pelas razões já explicadas no post anterior.

Na verdade, os exames pré-operatórios da vovó surpreenderam a todos. O coração dela está trabalhando sozinho, deu férias compulsórias ao marcapasso. Minha avó é Highlander! Espero que isso seja genético! Lelé tentou impedir a cirurgia, mas Deus é maravilhoso, e ela não conseguiu sequer falar com o cirurgião oncologista, até porque não havia nenhuma razão lógica para que alguém se opusesse à cirurgia, então ela não encontrou eco.

A ótima notícia me chegou hoje cedo, por meu irmão, que acompanhava minha mãe: a cirurgia foi um sucesso, correu tudo conforme o previsto e vovó está bem, acordada, consciente, sendo monitorada durante a recuperação, por segurança, como o médico já havia nos avisado previamente. Lelé não conseguiu nada, mas quando a enfermeira deu a notícia de que “Graças a Deus deu tudo certo”, ela disparou um sinistro “Isso é o que vamos ver”, antes de sair.

Eu só queria saber o que leva uma pessoa a, em um momento delicado como esse, agir desta forma, sem demonstrar nenhum sentimento. Aliás, sem demonstrar sentimento algum que não fosse a raiva de ter tido seus planos frustrados. Pensando bem, não quero saber o que leva uma pessoa a fazer isso. Acho que é melhor nem tentar entender.

O importante é que minha avó está bem, assim como minha mãe e todos aqueles que realmente torceram pelo melhor, desde o início, e aguardam a total recuperação de Dona Naura, assim como nós aguardamos. Estamos felizes e agradecidos ao nosso maravilhoso Deus, que mais uma vez mostra Seu cuidado, amor e proteção e livrou minha avó do desenvolvimento de um câncer agressivo, fazendo com que ele fosse descoberto logo no início e pudesse ser totalmente extirpado. É um sofrimento pelo qual meu avô passou e ela não precisará passar. Deus seja louvado.

Quanto à Lelé, um modelito branco de mangas longas cruzadas na frente, com amarração nas costas, lhe cairia bem.

Posted by Vanessa Lampert

Sinal de vida

Preciso explicar meu súbito desaparecimento. Sim, também foi súbito para mim. Recebi uma intimação para comparecer a uma audiência que aconteceria dois dias depois, em Campo Grande. Como eu estava sendo acusada de ser a autora do delito (vejam só que coisa chique!), era obrigada a ir. Foi só o tempo de arrumar as malas, entrar em contato com meu irmão para comprar minha passagem com um módico desconto de irmã de Comandante, organizar o que tinha de ser organizado para não atropelar prazos de ninguém e sair correndo. Yes, lá fui eu para Campo Grande, por obra e graça (muita graça, aliás), da minha prima paranóide, a Lelé, que é processomaníaca. Lelé registrou ocorrência por “descumprimento de ordem judicial”. Veja como o negócio é esquisito: como descumprir ordem judicial que não existe? Não há nenhuma ordem judicial em nome de Lelé que eu pudesse descumprir, nem se eu quisesse. Mas pelo visto é possível registrar uma ocorrência que não tenha ocorrido.

Bem, ao chegar lá, nada da minha “vítima” comparecer. Well, se o autor não aparece, ele se ferra. Se a vítima não dá as caras, nada acontece. Lendo o processo, tanto o juiz quanto a promotora entenderam do que se tratava (e não posso detalhar aqui, por razões óbvias), e decidiram pelo arquivamento, pois eu não havia feito nada de errado. Fiquei mais duas semanas por lá porque mamãe estava em uma correria de levar vovó para médicos, exames, levar exames para os médicos, vovó teria de fazer uma cirurgia para retirada de um tumor no intestino grosso, enquanto ele ainda está pequeno (limitado) e não fez metástase. A cirurgia poderia acontecer a qualquer momento, aguardando apenas que o oncologista (cirurgião) definisse a data, e mamãe precisava de alguém para dirigir o carro, pois ela não dirige, e o rapaz que dirige para ela estava viajando (férias). Assim que ele voltasse, eu retornaria. Ufa!

Posted by Vanessa Lampert