Um hábito singular

Estou me esforçando um bocado para perder um péssimo hábito que adquiri sem perceber aqui em Porto Alegre. Estava eu, em minha mais recente visita a Campo Grande, falando compulsivamente (coisa que costumo fazer com relativa frequência), quando notei um olhar estranho vindo de meus interlocutores. Me dei conta, de repente, que estou construindo frases de uma maneira um tanto quanto gauchesca. Explico: gaúchos têm alergia a plural. Plural é uma coisa ultrapassada, é algo supérfluo. Pronunciar um ‘ésse” a mais gasta energia que poderia ser utilizada em argumentos mais eloquentes. Assim, um gaúcho JAMAIS irá sentir dor nos pés depois de uma longa caminhada. Caso eles venham a doer, o gaúcho dirá, com toda a carga dramática envolvida na exclamação: – Bah, tô com uma baita dor nos pé!” Note que “uma baita dor” é significativamente mais intensa do que “uma dor”. É como o superlativo “aço”. Se um gaúcho bater o cotovelo na parede ele dificilmente dirá que deu “uma cotovelada na parede” porque o sufixo “ada” sugere algo de baixa intensidade.

Dificilmente uma cotovelada doeria a ponto de merecer ser citada. Geralmente o gaúcho dirá que deu “um cotovelaço na parede”. Um cotovelaço dói. Dói DE VERDADE. É uma baita dor! Uma baita batida na parede, e se machucar a ponto de continuar doendo depois, ter de ir ao médico, talvez imobilizar, enfim, se não for algo que passe na hora, ele dirá “bah, dei um cotovelaço na parede. Pisei meu cotovelo” Aí eu imagino o cidadão fazendo algum contorcionismo para conseguir pisar NO cotovelo. Duvido que tenha sido um acidente. Bem, voltando ao assunto, de tanto ouvir: “bah, onde foi que eu coloquei as tampa dos pote?” ou “eu só faço minhas compra naquela loja que fica três quadra daqui, gosto de ficar olhando as gôndola para escolher os produto que preciso.” Veja bem, isso é generalizado (deve ser a água). A pessoa pode ter curso superior, mestrado, doutorado, pode ter hábito de leitura, geralmente escreve corretamente (às vezes até conjugando o verbo na segunda pessoa do singular!! Coisa que eles não costumam fazer ao falar…a segunda pessoa acompanha o verbo na terceira pessoa, conforme exemplo a seguir), mas na hora de falar segue um dialeto próprio, charmosamente analfabeto e muito, mas muito contagioso: “- Tu viu que estampa bonita? Uns azul, uns verde, uns vermelho, tudo misturado, mas de um jeito muito tri, o vestido tem umas fenda, um decote diferente, mas as manga não vão até os cotovelo, não. Se bem que não sei o que tu acha, mas eu acho que nem precisa daquelas manga”.

Vendo, assim, desse jeito, você pensa: “eeeeeu??? Mas eu NUNCA que falaria desse jeito! Nem se ficasse CINQUENTA anos em um lugar assim”. Aí é que você se engana, colega, você não perceberia!! O troço se enfia dentro da cabeça da gente de um jeito muito invasivo! Você não nota que está falando que está com dor nas perna, ou que todos os músculo do seu corpo dói! Ou que você esqueceu os prato em cima da pia, um deles escorregou e caiu sobre os copo que estavam dentro da pia e espalhou caco de vidro por todos os canto da cozinha. Depois você pegou a vassora e varreu os caco, mas sempre fica uns pó pequeno no chão e se você andar sem chinelo, pode espetá os pé. Cuidado.

Aí lá vou eu, culta, chique, bela e modesta para Campo Grande, onde pessoas e plurais convivem harmoniosamente. Sem perceber, acabo dizendo à caixa do supermercado, enquanto reviro a bolsa, que nunca me lembro em qual lugar da bolsa coloquei as moeda, porque a gente vai recebendo as moeda e jogando dentro da bolsa, e na hora de pegar acaba confundindo com as chave. E eu nunca me lembro de comprar um troço pra guardar as moeda. Notando a cara de horror da moça, disfarço, comentando que vou colocar duas sacola para embalar a garrafa de água mineral, porque essas sacola são muito porcaria, uma vez eu estava subindo uma lomba com uma garrafa em cada sacola, aí as água caiu no chão e saíram rolando e eu correndo atrás delas (eu SEMPRE conto essa mesma história – real, aliás, ocorrida após uma compra no Sendas do Leblon, no Rio, quando morei lá- todas as vezes em que  embalo água mineral de 1,5 litros com duas sacolas plásticas).

Esse tipo de conversa causa uma inevitável expressão de espanto em qualquer pessoa (principalmente desconhecida, acho que os conhecidos nem prestam mais atenção no que eu falo e não percebem…risos…) que ouça, estupefata ao ver aquela moça tão bem arrumada, parecendo tão educada, culta, simpática (e – sempre – modesta). Me esforcei muito para evitar comer os “ésses” dos plurais, mas é um sacrifício grande demais para que eu possa resistir. Ou talvez porque…no fundo, no fundo eu goste desse jeito tosco e livre de falar. Essa coisa transgressora e atropelada, dramática e apressada, que não tem nem tempo de pluralizar palavras…um discurso democrático, no qual se permite tranquilamente que o artigo não concorde com o substantivo, afinal de contas, cada um tem direito a sua própria opinião, ninguém precisa ser obrigado a concordar com ninguém. Nem o pronome com o substantivo, nem o sujeito com o verbo. Tem sujeito que quer discordar, ué! E se alguém quiser discordar do sujeito, tem toda a liberdade de fazê-lo.

Ninguém tem língua presa no Rio Grande do Sul, devido à liberdade linguística que existe neste país (sim, porque o Rio Grande é o meu país, colega!). Na verdade a éssefagia (hábito de engolir “ésses”) é uma prática proposital, para celebrar, a cada frase pronunciada, a mais pura e perfeita democracia e liberdade léxica. Não mais me envergonho de tal analfabeto hábito, agora que descobri sua nobre origem e seu louvável objetivo. Me falta apenas conseguir transformar essa explicação em um curto e convincente texto para decorar até minha próxima viagem a Campo Grande.

PS: Hoje é aniversário do meu irmão. Ou melhor, ontem, porque já passou da meia-noite. Já falei com ele, mas deixo aqui registrado meus parabéns (parabéns, Junior!!). Também foi em um dia 26/06, porém em 2002, que eu fiz meu primeiro post em meu primeiro e já falecido blog, chamado vansblog (e que vinha com o eco: sblog, sblog, sblog… do monstro de lama caminhando com certa dificuldade e sujando todo o assoalho), o que significa que eu tenho sete anos de blog.  Credo.

Utilidade pública

Já conhecia esse blog antes, mas resolvi aproveitar a constatação de que a maior parte de meus leitores é do sexo feminino (o que não acontecia antes de eu casar, by the way) e compartilhar com vocês minhas descobertas. No entanto, como homens também têm pele e problemas de pele como foliculite, espinhas, etc. Eles também podem se beneficiar das dicas, sem medo e sem vergonha, porque essa frescura de achar que se cuidar, passar creme, etc. é boiolice é coisa de homem inseguro, que não confia em sua masculinidade e tem de ficar provando o tempo todo que é “macho”. Homem que é macho de verdade sabe que não importa o que pensam dele, ele SABE que é macho, tem certeza de sua masculinidade. Aí, meu filho, duvido que você, com essa segurança toda, terá algum problema nesse aspecto. E homem de verdade, seguro, consegue ter tranquilidade mental, psicológica e hormonal suficiente para RACIOCINAR e perceber que cuidar da saúde e da beleza é uma coisa muito boa para ele mesmo e para atrair o sexo oposto :-)

Aproveito para copiar um post que escrevi em uma comunidade do orkut, falando a respeito de esfoliação (para evitar pêlos encravados por causa do barbear ou de depilação):

Ao passar o esfoliante, massageie SUAVEMENTE. Porque homem tem mania de achar que “massagear suavemente” é esfregar. Quase tenho um treco quando vejo meu marido lavar (ou secar com a toalha) o cabelo!! E no começo do casamento ele lavava o rosto feito um troglodita. Hoje já consegue lavar o rosto e esfoliar delicadamente, com movimentos circulares LENTOS e sem apertar.

Usamos um esfoliante anti-cravos da Neutrogena no rosto, é uma bisnaga meio laranja, é muito bom! Ele contém ácido salicílico, mas se quiser uma boa dica de esfoliante com ácido salicílico para fazer em casa uma vez por semana, anote aí: cinco comprimidos de AAS (melhoral, aspirina, etc.) não revestidos, uma colher de sopa de mel. Amasse os comprimidos de AAS com uma colher em um pires, coloque um pouquinho de água, só o suficiente para “dissolver” o AAS e fazer uma pastinha, misture o mel, passe na pele e massageie suavemente, em movimentos circulares. No rosto dá para deixar essa mistura agir por uns 15 minutos antes de esfoliar; no corpo acho que eu não teria paciência, então nunca testei. Depois enxague com bastante água (de preferência fria) e finalize com um hidratante para o seu tipo de pele.

Homens: Não é necessário colocar um quilo de hidratante no rosto (ou no corpo). Coloque aos poucos, beeeem pouquinho mesmo, espalhe em DELICADOS e lentos movimentos circulares e veja se realmente precisa colocar mais. Porque homem também tem a mania de enfiar a mão toda dentro do pote de hidratante… Temos de ensinar delicadeza aos nossos trogloditazinhos. E olha que meu marido é um fofo, super sensível, inteligente, refinado, educado…mas é homem…e precisei de alguns meses para treiná-lo :-) Delicadeza não é boiolice não, rapazes.

Agora, é claro que eu poderia simplesmente deixar o link geralzão do blog (que, aliás, eu já deixei), mas vou colocar aqui links direto para algumas postagens de que eu gostei, até para eu conseguir encontrar depois sem ter de ficar indo aos meus favoritos o tempo todo (até porque está uma bagunça!). Clique nas palavras e frases abaixo, elas são links :-)

Foliculite.
Dica de Tend Skin caseiro

Outra máscara de AAS, desta vez efervescente, com vitamina C.

Cravos.

Espinhas no bumbum.

Rosácea.

Informações sobre drenagem linfática.

Faxina nos produtos de beleza.

Como esfoliar o rosto.

A propósito, eis outro link muito útil, em outro site: como organizar o banheiro. Por falar nisso, vou reunir os links que tenho aqui sobre arrumação e administração do tempo para ajudar pessoas que, como eu, têm um sério defeitinho na área do cérebro que regula a organização e precisa se esforçar para colocar a vida, os horários e todo o resto em ordem. Mas imagino que vocês não vão conseguir sair tão cedo do blog que indiquei, então provavelmente leve décadas para alguém ter tempo de voltar aqui e ler alguma coisa, então talvez eu nem precise me apressar muito para publicar um novo post neste blog :-)

Idéias para a reforma do ateliê

Em período de planejar a reforma do estúdio, recolhi algumas fotografias de ateliês pela internet, para ter idéias do que fazer. Não tem nada muito diferente, mas ao menos dá para colocar a cabeça para funcionar.

Algumas idéias:

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Essa cômoda com um monte de gavetinhas é meu sonho de consumo. Na verdade, eu sou louca por gavetinhas e armários com portinhas, lugares para guardar coisas, porque a bagunça me persegue e eu preciso ter onde colocá-la antes que ela se espalhe. Mas muitos dos móveis dos meus sonhos terei de mandar fazer ou eu mesma fazer ou adaptar os que já tenho, pois os que existem no mercado são todos iguais. É incrível, parece que existe uma lei que proíbe mais do que seis gavetas em uma cômoda ou mesas longas sem bandeja para teclado. Não fazem mais escrivaninhas como antigamente, só aquelas mesas comunzinhas de computador, bastante frágeis, aliás. Estantes, então! É a maior dificuldade! Não existem mais estantes-biblioteca, daquelas grandes e com nichos organizados. Só se encomendar sob medida. Estante hoje em dia, só para colocar televisão, CD e DVD. Livro? O que é isso? É de comer?

Até consegui encontrar uma ou outra coisinha diferente, mas a preços exorbitantes. Prefiro então encomendar uma peça bem feita, de qualidade, resistente e que não vá me fazer passar raiva. Vale mais a pena. Claro que, pela praticidade, eu preferia encontrar pronta…até pelo imediatismo (oh, DDA), porque queria ver tudo arrumadinho já ontem!  Encontrar prontinho, sei lá, no site do Magazine Luiza, fazer o pedido, receber em casa, tudo certo. Mas tenho de planejar. Estou com o projeto quase pronto, tendo idéias e tentando fazer um espaço funcional, sem bagunça, confortável para mim e para os clientes, um local simples e ao mesmo tempo aconchegante.

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Acima, a estante dos meus sonhos: milhares de nichos, gavetinhas e organizadores de plástico, que se fossem meus já estariam encapados com papel contact colorido 😀 . Eu poderia viver em um lugar com prateleiras, estantes, armários, gavetas e organizadores em todas as paredes e estaria feliz.

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Na foto acima, o que me chama mais a atenção é a mesa em “L” e o armário aéreo. Já vi um armário bastante semelhante a esse na seção de móveis para cozinha. O segredo está nisso também, esqueça as convenções. Não é porque um armário está na seção de cozinha que ele não possa ser colocado no quarto, por exemplo. O armário não vai se jogar da parede gritando “Aaaaarghhh, me tira daqui!!! Eu sou da cozinha! Co-zi-nha,sou alérgico a quarto!”  Nem a parede do quarto irá descascar e rachar, com paredite de contato por ter encostado em um…urgh…móvel de cozinha. Coloque o preconceito de lado e pesquise em todos os setores das lojas de móveis!!! Já a mesa…bem, vai ser bem difícil encontrar uma mesa em “L” decente. Nesse caso o melhor mesmo é fazer ou mandar fazer. Eu queria fazer meus móveis, mas acho que o Dave não vai deixar, porque sou muito estabanada e pode ser deveras perigoso. Com as esculturas eu me corto com estilete, me espeto com agulha e com alfinetes, tiro pedaços de mim com o alicate…esses dias me cortei com uma trena assassina e já me machuquei feio com palitos de dente. Talvez não seja boa idéia mexer com serras elétricas, esmeril, furadeira, prego e lascas de madeira.

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Essas prateleiras superiores da foto acima ficaram simplesmente lindas! Sou fã de móveis em cor marfim, acho que mogno ou tabaco pesam o ambiente, tudo fica escuro, menor e mais “carregado”, não é? Gosto de ambientes claros, muita luz, móveis claros, toques coloridos e alegres. Quero um local no qual a gente tenha vontade de ficar, já que trabalhar das oito da manhã até oito da noite em um lugar desagradável é coisa de gente masoquista; coisa que eu, definitivamente, não sou.

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Este é outro ângulo do ateliê da terceira foto, aquele do armário aéreo. A idéia de uma mesa grande no centro é ótima (pena que não cabe no quarto do estúdio), pois em determinado momento a gente se cansa do mesmo espaço. Para desenhar, por exemplo, é melhor ter um espaço vazio, separado da bagunça de massas, tintas e isopores. E também longe daquele pote de água assassino. Quanto às crianças…bem, essas, por enquanto, eu dispenso :-)

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Mais um ângulo do mesmo local. Daqui dá para ver melhor o sistema de organização que essa moça montou. Sinceramente, se eu fizesse uma estação de trabalho parecida com essa, acho que não sairia dali nunca mais…hahahaha….

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Achei esse ambiente clean, lindíssimo, muito bem ajeitadinho e tal, mas eu, sinceramente, me sentiria um tanto quanto desconfortável em trabalhar no centro da sala. Sei lá, tenho a impressão de que cantinho é mais aconchegante, mais seguro, mais reservado e mais gostoso de se ficar. Sem contar que a foto de cima levanta mais uma questão, que é uma das principais, em minha opinião: a cadeira. Imagina ficar sentada por doze horas em um banquinho simpático como esse? Minha coluna dói só de pensar, colega. Socorro! Mas qual cadeira seria a ideal? Pois é, também não sei. O Davison usa uma “Poltrona do papai”, sabe? Aquelas reclináveis. Mas eu não consigo me sentir confortável ali, também. Em cadeiras de escritório, muito menos. Elas são instáveis, minha coluna fica torta. Eu me mexo muito, não consigo ficar muito tempo na mesma posição e minha circulação não é lá aquelas coisas, então preciso ficar com as pernas para cima na maior parte do tempo, ou, ao menos, na mesma altura do corpo.

O ideal seria uma Chaise, mas não encontrei nenhuma que fosse realmente confortável. Dá-se um jeito com um apoio almofadado com braços, instalado em cima da cama, mas não dá para acoplar a cama a uma mesa de canto em “L”, é ou uma coisa, ou outra, e eu quero trabalhar em mesa de gente, não deitada em uma cama com uma mesa baixa ao lado. Minha saída será usar mais de uma cadeira, ter uns dois modelos de cadeira à minha disposição na mesa em “L”, mais uma poltrona e uma Chaise ou uma cama para os momentos em que eu precisar de muita concentração, e  não necessariamente de uma mesa, como, por exemplo, ao finalizar os detalhes de um rosto. Mas tudo isso tem de ficar bonitinho, porque o ateliê também é visitado por clientes, que gostam de saber onde as peças são feitas.

Cheguei a pesquisar fotos do estúdio de ilustradores e desenhistas, para saber como eram as cadeiras dos caras e me surpreende o fato de eles ainda conseguirem andar! Minha coluna se escangalharia se eu fosse obrigada a passar o dia inteiro em uma cadeirinha de computador, ou em uma cadeira de escritório, simples. Não encontrei nada muito inspirador, acho que terei de desenhar minha própria cadeira. E daqui a pouco eu encontro uma nova profissão. Ao final dessa reforma serei também design de móveis, meus queridos.

Art Studio

Veja o contraste entre a mesa cheia de água suja, manchas de tinta, papel e bagunça e a estante lindona, de mostruário de loja de decoração. O desafio será manter um local vivo, mas limpinho e organizadinho quase que o tempo todo. Infelizmente não encontrei foto do espaço acima tirada em outro ângulo, mas achei tudo meio confuso. Gostei, sim, mas parece que as coisas não estão dispostas da melhor maneira.

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Eu encheria minha casa e meu ateliê de estantezinhas grudadas na parede como esta. Isso, aliás, me lembra minha sobrinha (que hoje é uma menina linda de oito anos) quando era pequenininha, com uns dois ou três aninhos, e estava assistindo a uma reunião de libertação na igreja. Uma pessoa manifestou com um espírito e ficou com o corpo inexplicavelmente colado à parede, a alguns centímetros do chão (coisa que não costuma acontecer nem mesmo nas reuniões de libertação), então o pastor expulsou aquele espírito e a pessoa voltou ao normal. Ela, obviamente, ficou impressionada com o que viu naquela terça-feira, e no domingo, culto normal da igreja, olhou para o altar e, com um olhar de desprezo, deu de ombros: “O dirrábo nem tá gudado na paiêdi odi” (“o diabo nem está grudado na parede hoje”), ela achou que toda vez em que fosse na igreja encontraria um demônio grudado na parede :-)  Então, eu quero uma estantezinha gudada na paiêdi. Melhor uma estante do que um “dirrábo”, né não?

Craft Room

Confesso que quando vi essa foto a primeira coisa que eu pensei foi na dificuldade em limpar aquelas letrinhas lá de cima. Tudo muito lindo, mas nada prático, eu quero algo fácil de limpar. Fora isso: gavetinhas, gavetinhas, gavetinhas, bilhões de gavetinhas!! Eu querooooooooo!!!! Usamos muitos materais minúsculos, muitos tipos da mesma coisa, por exemplo, palitos de dentes: tem os palitos novos, os palitos usados e que ainda podem ser reutilizados, palitos sujos de tinta, palitos para a massa, palitos para massa seca, palitos com a ponta cortada, e, enfim, palitos que já morreram e devem ser enviados para o “céu dos palitos”, seja lá onde fique isso. Gavetinhas são sempre bem-vindas.

Eu sustento as fábricas de organizadores de plástico. É sério. Milhões de potinhos hermeticamente fechados para guardar os saquinhos ziploc hermeticamente fechados, que embalam as massas tingidas com tinta a óleo homogeneamente misturada, para que não percam a umidade, não sequem, nem endureçam até o final do trabalho. Haja lugar para guardar os potinhos. Outro comentário a fazer sobre esta foto: o banquinho. É brincadeira isso, não? Como alguém pode trabalhar o dia inteirinho sentado sobre esse troço? Eu não tenho mais idade para isso! Estou quase comprando um pufe. Só não me convenci disso ainda porque aí sim minha coluna vai virar uma canoa!

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Gente organizada é outra coisa, fala a verdade: você vê a bagunça. Ela está lá. Mas ela não parece ameaçadora, não se avoluma como um monstro engolidor de gente (e de tempo), nem atrai a sujeira ensandecida capaz de destruir até mesmo seus pensamentos mais limpinhos. A bagunça está lá, mas sob controle, domesticada.  Eu arrumaria uns móveis mais claros, porque mesmo toda a domesticação do mundo não seria capaz de evitar aquela camada acinzentada de poeira no final do dia sobre a bancada preta. Até entendo isso para quem quer um ateliê de costura, mas para quem trabalha com tinta, como eu, é mais bonitinho ter uma bancada branca manchada de tinta colorida do que uma bancada preta da mesma forma. Sem contar que o branco você sabe o quão limpo está (e o quanto não), fator absolutamente necessário para quem trabalha com massa de biscuit, ainda que eu não abra a massa sobre a bancada. Se bem que o preto facilita a visualização de pelinhos e fiapos que devem ser eliminados do ambiente antes de tocar a massa.

Mas ainda tenho aquele problema de ser facilmente influenciável emocionalmente por cores e graus de luminosidade. Para eu permanecer ativa, feliz, alerta, alegre e saltitante, pre-ci-so de ambientes impreterivelmente claros, super bem iluminados (de preferência com iluminação natural), um toque de cor (tipo verde-limão ou laranja-tangerina) e móveis claros, madeira em tom marfim e NUNCA em mogno, preto ou tabaco. Eu fico triste, chateada, cansada, irritada, deprimida quando sou obrigada a ficar em um ambiente diferente disso.

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Essa foto aí de cima achei linda!! Ainda tem o problema da cadeira, mas o resto está perfeito! Gavetas, organizadores, armários com portinhas, cestinha de lixo, tudo guardadinho (e, consequentemente, protegido de poeira), iluminação natural, bancada clara, de bom tamanho, piso claro, corzinha tranquila nas paredes (se bem que esse lilás talvez me desse sono…). Misturando isso com um pouco do que já vimos anteriormente, talvez eu consiga a estação de trabalho perfeita para minhas necessidades.

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As cabeças em cima do armário me dariam alguns sustos por dia. Gostei da pia no ateliê, mas como eu tenho um banheirinho bem perto acho que não teria necessidade. As cores berrantes e as coisas meio desorganizadas não me proporcionaram encanto. Acho que o ateliê acima está precisando de um “extreme makeover”.

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Achei esse bem fofo. Alegre, colorido na medida certa, claro, bem iluminado, mas tem poucas prateleirinhas, armários e portinhas para o meu nível de acúmulo de coisas sólidas.

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Desse eu gostei da idéia de modernizar móveis antigos, dá um ar meio retrô, meio descolado (credo, que palavra velha), meio improvisado, meio de propósito…mas esse negócio muito rosa me parece “o ateliê de costura da Barbie”, não me agrada, não. Mas a finalmente uma cadeira que parece confortável!!!!

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Esse não parece de verdade. Parece um ateliezinho fake daqueles “apartamentos decorados”, sabe? E senti falta de armários, de coisas altas. Sem contar que ficou muito impessoal. E o que são aqueles dois tapetes nada a ver brigando ali no chão? Espaço lindo e mal aproveitado.

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AAAAA….portinhaaaas, prateleiraaaas, mesa em éleeeee….se tivesse umas gavetas e uns organizadores, seria praticamente um resumo de tudo o que foi visto até agora. Mas me lembra uma coisa importantíssima: não posso esquecer de um canto para o lampertop e de anotar, da próxima vez, a posição de todas as tomadas da peça, para organizar a distribuição dos eletro-eletrônicos. Assim que terminar o projeto da reforma, compartilharei com meus dois leitores e meio.

Sítio arqueológico particular

Não bastasse o meu quarto, o quarto ao lado, o estúdio, a cozinha, o guarda-roupa, a área de serviço e a minha bolsa, descobri que tenho de tirar um tempo para organizar o meu laptop. Estava procurando uma determinada foto, me achando o cúmulo da organização, por ter separado as fotos em pastas datadas, quando me deparo com várias fotos repetidas. Muitas fotos inúteis, daquelas que a gente tira da própria cara quando mora sozinha. Eu tenho bilhões daquelas auto-fotos espalhadas por minhas pastas.

Como sofro de um grave problema psiquiátrico chamado de “lixofobia”, tenho verdadeiro horror a jogar qualquer coisa catalogável fora. Tenho de separar um tempo para me certificar de que aquela foto é realmente desnecessária, compará-la com suas irmãs gêmeas e decidir qual delas merece continuar neste mundo, representando as outras, e quais deverão ser transportadas para o buraco negro pós-lixeira, de onde é impossível retornar. No entanto, encontrei várias coisas interessantes, algumas que eu nem me lembrava de ter salvo, outras que tenho a mais absoluta certeza de jamais ter visto antes, devem ter surgido por geração espontânea.

Após seguir um caminho bem curtinho  (desktop>pessoais>vanessa>my pictures>outros>catum), encontrei a seguinte tirinha honesta do Dahmer, através da qual enfim tive a confirmação de que estava entre “os mais espertos” da turma:

dahmer

Eis a parte boa de anos e anos de desorganização: um banco de dados gigantesco, interessante e totalmente involuntário ao alcance de seu mouse. Diversão offline garantida. Se eu tiver de checar um por um dos meus arquivos, devo demorar meses nessa faxina.

Resoluções de semestre novo

Não sei quando, acho que mês passado, eu estava me distraindo fazendo Quiz no Facebook quando resolvi publicar o resultado de um deles, que era para descobrir qual a primeira impressão que as pessoas tinham de você, ou alguma coisa assim. O resultado não me surpreendeu, dizia que as pessoas me achavam divertida (ou engraçada) assim que me conheciam (claro, algumas mudam de idéia na segunda, terceira ou quarta impressão). Ao publicar o resultado, fui surpreendida por um xingamento do Alexei, amigo de longa data, que disse que discordava. Segundo ele, eu não sou engraçada, sou bastante séria. Alto lá! Não me xingue de séria! E ele riu, mostrando que o fato de eu ter ficado brava por ter sido chamada de séria provava o quão séria eu era.

Dia desses estava lendo alguns textos que estão salvos no savetheplanctons.blogspot.com, e tentando entender o porquê de eu ter feito mais amigos e conhecido mais gente legal como a Josephine do que como eu mesma. Apenas hoje, quinhentos e sessenta e cinco anos depois (eu sou meio lenta) é que percebi que meus blogs pessoais foram sempre blogs de preguiça. Nunca tive saco de fazer um blog legal, divertido, mais parecido comigo, criativo, essas coisas. Nunca dei muita bola para audiência, para número de comentários, divulgação, etc. Nunca me esforcei minimamente por um blog pop, e escrevia muito mais do que displicentemente, escrevia desorganizadamente.  Com aJosephine, Dave me enganou dizendo que voltaria a escrever, então eu tinha de manter o blog vivo, tinha de manter os leitores, o movimento. Tinha de ser pelo menos criativa na hora de escrever os posts. E eu me divertia muito. Então achei que estava fazendo uma baita sacanagem com meus leitores. Não importa que eles possam ser contados nos dedos de uma mão, não importa que eu não queira um blog pop, nem que eu não ligue para número de acessos, vou tentar fazer posts menos preguiçosamente, escrevendo aqui o que escrevo para mim e que me diverte, afinal de contas, quero o melhor para os meus leitores.

Se você não der conta de ler, não tem problema. Eu tenho necessidade de escrever, fico doente se não escrevo (é sério) e não ficarei triste se não houver comentários. Fique à vontade, como você tem estado nos últimos sete anos de leitura dos meus blogs (será que alguém que lia em 2002 ainda lê hoje?)…ou como você teria estado, caso soubesse, há sete anos, que eu existia e mantinha um blog.

Parece brincadeira

Recebi esse convite por e-mail.

livro

Me chamou a atenção a figurinha da esquerda: Você lê na capa: “A cereja do bolo” e na bolinha verde destacada: “Autor do best-seller ‘A azeitona da empada'”   …  :-)  Guardarei, nesse sorriso enigmático (ou nem tanto…risos..) a piada pronta, em toda sua incomensurável extensão. :-)

Me lembrei dos programas de TV favoritos do Garfield: “Vendo a grama crescer” e “Vendo a tinta secar”.

Eu vou ao lançamento, of course, sou colaboradora da Spaan, tenho que prestigiar. E estou em minha fase auto-ajúdica, faço questão de comprar um exemplar da cereja do bolo, se possível acompanhada de uma azeitona da empada. Brincadeirinhas e críticas de meu lado intelectual-literário arrogante-esnobe à parte, a sacada foi genial. Tivesse o indivíduo optado por outro título ou evitado mencionar o livro anterior no convite e eu jamais teria me preocupado em ver do que se tratava. Agora, juro, me interessei.

E falo sério sobre a minha fase auto-ajúdica, estou formulando novas teorias a respeito da literatura de auto-ajuda, pois considero que houve (e ainda há) uma injustiça em relação a esse tipo de livro, pois jogamos tudo no mesmo saco, indiscriminadamente. Ocorre que há a boa literatura de auto-ajuda, existe gente realmente competente e talentosa escrevendo auto-ajuda, sorry, o que posso fazer a respeito? E é melhor que seja assim. Já que não podemos eliminar essa literatura de nosso meio (afinal de contas, a grosso modo, ela está entre nós desde os tempos aristotélicos…), melhor incentivar a separação entre o joio e o trigo e buscar tirar dela o que ela tem de melhor.  De repente deveríamos encontrar um bom eufemismo para a boa auto-ajuda. Ela necessita de leitores com bom cérebro e sem preconceitos intelectualóides para mostrar a que veio, mas mostra, sim, senhor. Aceitemos a realidade. E deixemos de frescura.

Só espero não ter nenhuma indigestão… nem com a cereja do bolo, nem com a azeitona da empada…

Domingo engraçado

Passamos o dia sem energia elétrica, por um probleminha técnico em nosso relógio de luz, ou alguma coisa assim. É estranho ficar sem energia elétrica, só aí vemos o quanto somos dependentes de aparatos eletrônicos.  É claro que, assim como os botijões de gás só acabam aos domingos e feriados, a pane em nosso sistema de energia só aconteceu enquanto eu estava tomando banho. Com toneladas de creme no cabelo, uma camada de células mortas e esfoliante pelo corpo, contando com a água quentinha nesse inverno medonho e….puffff…escuridão total e água gelada saindo do chuveiro. O cabelo foi enxaguado com aquele gelo líquido, mesmo, fazer o quê? Meu prestativo marido se ofereceu para aquecer água e me trazer, para que eu pudesse tirar o esfoliante da pele. Pensei “não vai damorar muito, porque é só ele colocar para esquentar no microondas”…demorou uns dois segundos para que eu me desse conta de que não era possível ligar o microondas sem energia elétrica.

Quando finalmente consegui concluir o banho, percebi que não poderia secar o cabelo com secador e fiquei com aquela toalha na cabeça. Chegando no quarto, vi que não poderia ligar o computador e pensei “vou aproveitar para depilar as pernas”…mais uns cinco segundos até cair a minha ficha: impossível usar o depilador elétrico sem eletricidade!! Peguei um livro, depois outro, escrevi em um caderno, fiz algumas anotações. A casa estava uma bagunça, e eu quis aproveitar que o Dave tinha saído (ele foi tentar encontrar o síndico para abrir a sala onde estão os relógios do bloco), para passar o aspirador na casa (Dave se incomoda com o barulho- ainda que nosso aspirador nem seja barulhento)…mais uns quatro segundos…o-ow…sem energia elétrica, não dá para usar o aspirador.  Felizmente a luz voltou antes que o sol fosse embora, pois preciso urgentemente comprar lanternas. Nunca me lembro.  Meu cabelo já estava seco e eu terminei o dia com cólicas (bem que meu pai dizia que eu não deveria ficar com o cabelo molhado no frio…). Muito agradável, visto que analgésicos detestam meu estômago.

Acabei não conseguindo fazer quase nada, mas terminei o dia bastante preocupada com o fato de eu ter ficado até parcialmente sem telefone (pois a linha comercial, que usa telefone sem fio, ficou inutilizável, e a residencial só pôde ser usada porque a extensão usa aparelho convencional). Amanhã providenciarei lanterna e papel, algumas coisas que estão apenas no computador precisam ser impressas. Um dia sem energia elétrica não pode ser motivo para interrupção da rotina, dos afazeres necessários. Mas se algumas coisas estão única e exclusivamente no computador, como se ele fosse extensão de nosso cérebro e de nossas mãos, ficamos um tanto quanto mancos quando não podemos usá-lo. Isso é um pouco assustador.

Carinho

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Delicada, descansa, derretida, em meu braço, em meu colo. Frágil, pequena, entrega sua barriguinha aos meus carinhos,para adormecer. Molinha, esse momento é só nosso. Ela me olha com todo o amor, encosta a patinha macia em meus lábios.  Não diga mais nada, só continue comigo.

Ela fecha os olhos. Minha amiguinha, minha companheirinha. Não somos da mesma espécie, mas compartilhamos o mesmo amor. A sutil comunicação de nossas almas substitui qualquer palavra, qualquer discurso.