Idéias para a reforma do ateliê

Em período de planejar a reforma do estúdio, recolhi algumas fotografias de ateliês pela internet, para ter idéias do que fazer. Não tem nada muito diferente, mas ao menos dá para colocar a cabeça para funcionar.

Algumas idéias:

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Essa cômoda com um monte de gavetinhas é meu sonho de consumo. Na verdade, eu sou louca por gavetinhas e armários com portinhas, lugares para guardar coisas, porque a bagunça me persegue e eu preciso ter onde colocá-la antes que ela se espalhe. Mas muitos dos móveis dos meus sonhos terei de mandar fazer ou eu mesma fazer ou adaptar os que já tenho, pois os que existem no mercado são todos iguais. É incrível, parece que existe uma lei que proíbe mais do que seis gavetas em uma cômoda ou mesas longas sem bandeja para teclado. Não fazem mais escrivaninhas como antigamente, só aquelas mesas comunzinhas de computador, bastante frágeis, aliás. Estantes, então! É a maior dificuldade! Não existem mais estantes-biblioteca, daquelas grandes e com nichos organizados. Só se encomendar sob medida. Estante hoje em dia, só para colocar televisão, CD e DVD. Livro? O que é isso? É de comer?

Até consegui encontrar uma ou outra coisinha diferente, mas a preços exorbitantes. Prefiro então encomendar uma peça bem feita, de qualidade, resistente e que não vá me fazer passar raiva. Vale mais a pena. Claro que, pela praticidade, eu preferia encontrar pronta…até pelo imediatismo (oh, DDA), porque queria ver tudo arrumadinho já ontem!  Encontrar prontinho, sei lá, no site do Magazine Luiza, fazer o pedido, receber em casa, tudo certo. Mas tenho de planejar. Estou com o projeto quase pronto, tendo idéias e tentando fazer um espaço funcional, sem bagunça, confortável para mim e para os clientes, um local simples e ao mesmo tempo aconchegante.

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Acima, a estante dos meus sonhos: milhares de nichos, gavetinhas e organizadores de plástico, que se fossem meus já estariam encapados com papel contact colorido 😀 . Eu poderia viver em um lugar com prateleiras, estantes, armários, gavetas e organizadores em todas as paredes e estaria feliz.

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Na foto acima, o que me chama mais a atenção é a mesa em “L” e o armário aéreo. Já vi um armário bastante semelhante a esse na seção de móveis para cozinha. O segredo está nisso também, esqueça as convenções. Não é porque um armário está na seção de cozinha que ele não possa ser colocado no quarto, por exemplo. O armário não vai se jogar da parede gritando “Aaaaarghhh, me tira daqui!!! Eu sou da cozinha! Co-zi-nha,sou alérgico a quarto!”  Nem a parede do quarto irá descascar e rachar, com paredite de contato por ter encostado em um…urgh…móvel de cozinha. Coloque o preconceito de lado e pesquise em todos os setores das lojas de móveis!!! Já a mesa…bem, vai ser bem difícil encontrar uma mesa em “L” decente. Nesse caso o melhor mesmo é fazer ou mandar fazer. Eu queria fazer meus móveis, mas acho que o Dave não vai deixar, porque sou muito estabanada e pode ser deveras perigoso. Com as esculturas eu me corto com estilete, me espeto com agulha e com alfinetes, tiro pedaços de mim com o alicate…esses dias me cortei com uma trena assassina e já me machuquei feio com palitos de dente. Talvez não seja boa idéia mexer com serras elétricas, esmeril, furadeira, prego e lascas de madeira.

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Essas prateleiras superiores da foto acima ficaram simplesmente lindas! Sou fã de móveis em cor marfim, acho que mogno ou tabaco pesam o ambiente, tudo fica escuro, menor e mais “carregado”, não é? Gosto de ambientes claros, muita luz, móveis claros, toques coloridos e alegres. Quero um local no qual a gente tenha vontade de ficar, já que trabalhar das oito da manhã até oito da noite em um lugar desagradável é coisa de gente masoquista; coisa que eu, definitivamente, não sou.

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Este é outro ângulo do ateliê da terceira foto, aquele do armário aéreo. A idéia de uma mesa grande no centro é ótima (pena que não cabe no quarto do estúdio), pois em determinado momento a gente se cansa do mesmo espaço. Para desenhar, por exemplo, é melhor ter um espaço vazio, separado da bagunça de massas, tintas e isopores. E também longe daquele pote de água assassino. Quanto às crianças…bem, essas, por enquanto, eu dispenso :-)

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Mais um ângulo do mesmo local. Daqui dá para ver melhor o sistema de organização que essa moça montou. Sinceramente, se eu fizesse uma estação de trabalho parecida com essa, acho que não sairia dali nunca mais…hahahaha….

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Achei esse ambiente clean, lindíssimo, muito bem ajeitadinho e tal, mas eu, sinceramente, me sentiria um tanto quanto desconfortável em trabalhar no centro da sala. Sei lá, tenho a impressão de que cantinho é mais aconchegante, mais seguro, mais reservado e mais gostoso de se ficar. Sem contar que a foto de cima levanta mais uma questão, que é uma das principais, em minha opinião: a cadeira. Imagina ficar sentada por doze horas em um banquinho simpático como esse? Minha coluna dói só de pensar, colega. Socorro! Mas qual cadeira seria a ideal? Pois é, também não sei. O Davison usa uma “Poltrona do papai”, sabe? Aquelas reclináveis. Mas eu não consigo me sentir confortável ali, também. Em cadeiras de escritório, muito menos. Elas são instáveis, minha coluna fica torta. Eu me mexo muito, não consigo ficar muito tempo na mesma posição e minha circulação não é lá aquelas coisas, então preciso ficar com as pernas para cima na maior parte do tempo, ou, ao menos, na mesma altura do corpo.

O ideal seria uma Chaise, mas não encontrei nenhuma que fosse realmente confortável. Dá-se um jeito com um apoio almofadado com braços, instalado em cima da cama, mas não dá para acoplar a cama a uma mesa de canto em “L”, é ou uma coisa, ou outra, e eu quero trabalhar em mesa de gente, não deitada em uma cama com uma mesa baixa ao lado. Minha saída será usar mais de uma cadeira, ter uns dois modelos de cadeira à minha disposição na mesa em “L”, mais uma poltrona e uma Chaise ou uma cama para os momentos em que eu precisar de muita concentração, e  não necessariamente de uma mesa, como, por exemplo, ao finalizar os detalhes de um rosto. Mas tudo isso tem de ficar bonitinho, porque o ateliê também é visitado por clientes, que gostam de saber onde as peças são feitas.

Cheguei a pesquisar fotos do estúdio de ilustradores e desenhistas, para saber como eram as cadeiras dos caras e me surpreende o fato de eles ainda conseguirem andar! Minha coluna se escangalharia se eu fosse obrigada a passar o dia inteiro em uma cadeirinha de computador, ou em uma cadeira de escritório, simples. Não encontrei nada muito inspirador, acho que terei de desenhar minha própria cadeira. E daqui a pouco eu encontro uma nova profissão. Ao final dessa reforma serei também design de móveis, meus queridos.

Art Studio

Veja o contraste entre a mesa cheia de água suja, manchas de tinta, papel e bagunça e a estante lindona, de mostruário de loja de decoração. O desafio será manter um local vivo, mas limpinho e organizadinho quase que o tempo todo. Infelizmente não encontrei foto do espaço acima tirada em outro ângulo, mas achei tudo meio confuso. Gostei, sim, mas parece que as coisas não estão dispostas da melhor maneira.

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Eu encheria minha casa e meu ateliê de estantezinhas grudadas na parede como esta. Isso, aliás, me lembra minha sobrinha (que hoje é uma menina linda de oito anos) quando era pequenininha, com uns dois ou três aninhos, e estava assistindo a uma reunião de libertação na igreja. Uma pessoa manifestou com um espírito e ficou com o corpo inexplicavelmente colado à parede, a alguns centímetros do chão (coisa que não costuma acontecer nem mesmo nas reuniões de libertação), então o pastor expulsou aquele espírito e a pessoa voltou ao normal. Ela, obviamente, ficou impressionada com o que viu naquela terça-feira, e no domingo, culto normal da igreja, olhou para o altar e, com um olhar de desprezo, deu de ombros: “O dirrábo nem tá gudado na paiêdi odi” (“o diabo nem está grudado na parede hoje”), ela achou que toda vez em que fosse na igreja encontraria um demônio grudado na parede :-)  Então, eu quero uma estantezinha gudada na paiêdi. Melhor uma estante do que um “dirrábo”, né não?

Craft Room

Confesso que quando vi essa foto a primeira coisa que eu pensei foi na dificuldade em limpar aquelas letrinhas lá de cima. Tudo muito lindo, mas nada prático, eu quero algo fácil de limpar. Fora isso: gavetinhas, gavetinhas, gavetinhas, bilhões de gavetinhas!! Eu querooooooooo!!!! Usamos muitos materais minúsculos, muitos tipos da mesma coisa, por exemplo, palitos de dentes: tem os palitos novos, os palitos usados e que ainda podem ser reutilizados, palitos sujos de tinta, palitos para a massa, palitos para massa seca, palitos com a ponta cortada, e, enfim, palitos que já morreram e devem ser enviados para o “céu dos palitos”, seja lá onde fique isso. Gavetinhas são sempre bem-vindas.

Eu sustento as fábricas de organizadores de plástico. É sério. Milhões de potinhos hermeticamente fechados para guardar os saquinhos ziploc hermeticamente fechados, que embalam as massas tingidas com tinta a óleo homogeneamente misturada, para que não percam a umidade, não sequem, nem endureçam até o final do trabalho. Haja lugar para guardar os potinhos. Outro comentário a fazer sobre esta foto: o banquinho. É brincadeira isso, não? Como alguém pode trabalhar o dia inteirinho sentado sobre esse troço? Eu não tenho mais idade para isso! Estou quase comprando um pufe. Só não me convenci disso ainda porque aí sim minha coluna vai virar uma canoa!

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Gente organizada é outra coisa, fala a verdade: você vê a bagunça. Ela está lá. Mas ela não parece ameaçadora, não se avoluma como um monstro engolidor de gente (e de tempo), nem atrai a sujeira ensandecida capaz de destruir até mesmo seus pensamentos mais limpinhos. A bagunça está lá, mas sob controle, domesticada.  Eu arrumaria uns móveis mais claros, porque mesmo toda a domesticação do mundo não seria capaz de evitar aquela camada acinzentada de poeira no final do dia sobre a bancada preta. Até entendo isso para quem quer um ateliê de costura, mas para quem trabalha com tinta, como eu, é mais bonitinho ter uma bancada branca manchada de tinta colorida do que uma bancada preta da mesma forma. Sem contar que o branco você sabe o quão limpo está (e o quanto não), fator absolutamente necessário para quem trabalha com massa de biscuit, ainda que eu não abra a massa sobre a bancada. Se bem que o preto facilita a visualização de pelinhos e fiapos que devem ser eliminados do ambiente antes de tocar a massa.

Mas ainda tenho aquele problema de ser facilmente influenciável emocionalmente por cores e graus de luminosidade. Para eu permanecer ativa, feliz, alerta, alegre e saltitante, pre-ci-so de ambientes impreterivelmente claros, super bem iluminados (de preferência com iluminação natural), um toque de cor (tipo verde-limão ou laranja-tangerina) e móveis claros, madeira em tom marfim e NUNCA em mogno, preto ou tabaco. Eu fico triste, chateada, cansada, irritada, deprimida quando sou obrigada a ficar em um ambiente diferente disso.

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Essa foto aí de cima achei linda!! Ainda tem o problema da cadeira, mas o resto está perfeito! Gavetas, organizadores, armários com portinhas, cestinha de lixo, tudo guardadinho (e, consequentemente, protegido de poeira), iluminação natural, bancada clara, de bom tamanho, piso claro, corzinha tranquila nas paredes (se bem que esse lilás talvez me desse sono…). Misturando isso com um pouco do que já vimos anteriormente, talvez eu consiga a estação de trabalho perfeita para minhas necessidades.

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As cabeças em cima do armário me dariam alguns sustos por dia. Gostei da pia no ateliê, mas como eu tenho um banheirinho bem perto acho que não teria necessidade. As cores berrantes e as coisas meio desorganizadas não me proporcionaram encanto. Acho que o ateliê acima está precisando de um “extreme makeover”.

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Achei esse bem fofo. Alegre, colorido na medida certa, claro, bem iluminado, mas tem poucas prateleirinhas, armários e portinhas para o meu nível de acúmulo de coisas sólidas.

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Desse eu gostei da idéia de modernizar móveis antigos, dá um ar meio retrô, meio descolado (credo, que palavra velha), meio improvisado, meio de propósito…mas esse negócio muito rosa me parece “o ateliê de costura da Barbie”, não me agrada, não. Mas a finalmente uma cadeira que parece confortável!!!!

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Esse não parece de verdade. Parece um ateliezinho fake daqueles “apartamentos decorados”, sabe? E senti falta de armários, de coisas altas. Sem contar que ficou muito impessoal. E o que são aqueles dois tapetes nada a ver brigando ali no chão? Espaço lindo e mal aproveitado.

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AAAAA….portinhaaaas, prateleiraaaas, mesa em éleeeee….se tivesse umas gavetas e uns organizadores, seria praticamente um resumo de tudo o que foi visto até agora. Mas me lembra uma coisa importantíssima: não posso esquecer de um canto para o lampertop e de anotar, da próxima vez, a posição de todas as tomadas da peça, para organizar a distribuição dos eletro-eletrônicos. Assim que terminar o projeto da reforma, compartilharei com meus dois leitores e meio.