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Finalmente, concluí a transferência do domínio autordesconhecido.com.br, e estou agora transferindo os posts do blog Autor Desconhecido para o site, mas o site já está no ar:

http://www.autordesconhecido.com.br

Em breve, colocarei mais dois novos sites no ar, um deles sobre escultura personalizada, em parceria com algumas amigas (uma delas nem sabe ainda…hahahaha…Flávia, depois te explico, mas você está incluída nesse projeto, viu?), e outro ainda é surpresa. 😀 Tenho de manter algum suspense, não é mesmo?

Mas é isso! Atualizem seus bookmarks (seja lá o que isso signifique):

Clique aqui para conhecer a nova casa do Autor Desconhecido.

Espero que ninguém me encha mais a paciência a respeito desse cara. Depois que transferir todo o conteúdo do blog do blogspot para o .com.br, voltarei a atualizá-lo. I promise.

Jogando fora o lixo

Já escrevi outras vezes da dificuldade que tenho de me livrar das quinquilharias que a gente ajunta em casa depois de alguns anos. Sempre acho que tudo é registro histórico. Ingressos antigos de cinema….bah, lá do Cine Leblon, lembra? De 2005, quando eu morava lá…putz, era caro pra caramba! Mas a gente ficava com preguiça de ir em outro cinema e acabava pagando, mesmo.

E os papéis? Tantos textos das minhas faculdades anteriores….coisas do jornalismo da Uniderp, da publicidade da Uniderp, de Letras da Ulbra, do jornalismo da UFMS, da Formação de Escitores da Unisinos, e mais vários papéis da Engenharia do Davison, coisas da Refap, coisas dos meus cursos livres, e ainda os trocinhos que gosto de guardar: bulas de remédio que não tomo mais, maquiagens antigas, já vencidas, mas com embalagens que não são mais fabricadas….como é que vou jogar fora algo que não se faz mais? E se eu precisar de alguma daquelas coisas? E todas aquelas caixas de papelão? Já aconteceu de eu precisar de algo justamente depois de ter jogado fora. Aí já era, tem de comprar de novo. Então você descobre que tudo pode virar objeto de arte, ou tudo pode ser usado na construção de uma peça. Vixe, pode esquecer, colega, sua casa vai virar uma filial do lixão, porque você vai achar que tem de guardar garrafa vazia, caixa vazia (você acabará enchendo todas as caixas vazias com os potes vazios que tiver guardado), pedaços de arame, pedaços de isopor…coisas que você nunca irá usar, provavelmente, mas só o fato de elas estarem ali, graciosamente entulhando o quarto extra (e, em breve, todos os outros cômodos da casa), já te dá uma segurança enorme, de que nunca te faltará lixo quando você precisar de um. Não é lindo isso?

Então decidi que nunca mais teria bagunça na minha vida. Implacável, saí à batalha, munida de sacos de lixo super reforçados, e de uma máscara contra os ácaros assassinos. A ordem era jogar fora sem dó, nem piedade. Foram para o lixo revistas, apostilas, papéis, notas de compras, pedaços de coisas que já haviam sido previamente desmontadas, potes, tampas, arames, papelão, caixas, panos, roupas velhas e puídas, coisas-guardadas-para-um-indefinido-depois, enfim, foi praticamente tudo para o lixo, exceto os desenhos, os cadernos, os livros e os pedaços de isopor (que ninguém é de ferro :-D) E as coisas inteiras, é claro, que isso não é lixo.

Dor, muita dor. Sim, eu senti dor, principalmente quando a bagunça gritava, ao ser atirada dentro do saco plástico: “NÃO, NÃO FAÇA ISSO!!!! EU SOU IMPORTANTE!!! EU SOU MUITO IMPORTANTE, VOCÊ AINDA NÃO SABE PARA QUÊ, MAS SABERÁ! EU PODEREI SER MUITO IMPORTANTE PARA VOCÊ ALGUM DIA!!! E SE VOCÊ PRECISAR DE MIM ALGUM DIA???? E SE ALGUM DIA PRECISAR DE MIIIIIIIIIIIIIINHEEEEEE?????”

Fingi que não estava ouvindo, nem vendo sua expressão de pavor e desespero. Eu tinha uma missão a cumprir, e precisaria me livrar de cada milímetro de bagunça, custasse o que custasse. Terminei minha tarefa exausta, mas certa de que havia feito a melhor escolha.  É preciso destruir os inimigos, lançá-los fora, para que não voltem a crescer em nosso meio. E se ordem é progresso, lutar contra a bagunça, contra o caos e a desordem é necessidade vital, como arrancar a erva daninha do meio da plantação. Quanto aos registros históricos…bem, é melhor, sei lá, tirar uma foto e guardar em um DVD sob o título “Arquivo de registros históricos”…ao menos enquanto eu não tiver uma casa de tamanho suficiente para abrigar um museu próprio. Se bem que aí você resolve ter filhos, e depois você morre e a primeira coisa que seus pimpolhos fazem é recolher as “tranqueiras que a mamãe deixou”, jogar 70% fora e distribuir os outros 30% entre os parentes e amigos. E dê graças a Deus de não poder ver isso, pois você não terá mais cabelos para arrancar (não me consta a existência de “cabelos espirituais” no além). E se você não tiver filhos, dá na mesma, sempre vai ter uma criatura para desprezar o museu que você tão carinhosamente cultivou….criaturas insensíveis que não conseguem enxergar o valor de uma tampinha de garrafa daquele Sendas Limão que você gostava tanto de tomar quando morava no Rio de Janeiro.

Estou consciente de que a primeira batalha foi vencida, mas sei que meus inimigos continuam à espreita, e que em breve terei de acabar com o remanescente: potes de creme bastante avançados em idade, mas que continuam semi-cheios e que, por isso, conseguiram visto de permanência. Não tenho coragem de jogar fora coisas que não foram terminadas. Mas se já estão há tanto tempo entulhando os armários da casa, por que raios ainda acredito que um dia terminarão de ser usadas?

Isso porque eu tenho apenas pouco mais de cinco anos de casada….imagino o que aconteceria se continuasse nesse ritmo, ao completar as bodas de prata?  … Melhor nem imaginar. Não haveria armário suficiente no mundo para comportar tanta tralha.

Vou me matar e a culpa vai ser sua

Estava pensando sobre todas as vezes em que tentamos punir a outra pessoa (marido, mãe, pai, filho, amigo, qualquer pessoa) punindo a nós mesmos. Comecei a me lembrar das vezes em que fiz isso e das vezes em que vi gente fazendo isso e, sinceramente, dá vontade de rir.

Você fica brava por ter sido contrariada, fica com raiva daquela pessoa, por ela ter feito algo que despertasse em você uma sensação ruim, um sentimento negativo, e para se vingar, mantém um comportamento que negativo com ela, para ela aprender! Mas aquele comportamento negativo só te faz ficar com mais raiva, mais contrariada, e alimenta ainda mais a sensação ruim que você não queria ter. Que coisa mais estúpida, não?

Não nos damos conta, no calor da discussão, no calor da situação, no calor das emoções, de que somos nós os únicos responsáveis pelas reações que teremos às atitudes das pessoas. Sim, você quer que a outra pessoa mude a sua atitude, mas não é mantendo a mesma reação negativa que você fará com que ela mude…se fosse assim, teria resolvido outras vezes, não é, mesmo?

Nessas horas, aprendi a ser bem egoísta. Sorry, amiguinho, mas não vou ficar com raiva de você, me recuso a ficar magoada, respiro fundo, racionalizo aquela situação, tento enxergar por outro lado (e se o troço não for tão horrível quanto parece? E se a motivação por trás daquela atitude não foi tão ruim?), até esvaziar a força do problema, vejo o quão ridículo seria dar chilique, e ignoro a atitude ruim da pessoa. Pronto, resolvido. Não alimento mais a coisa, não passo mal com aquele sentimento ruim, não desenvolvo nenhum troço negativo por perto e daqui a pouco nem me lembro mais. Não é mais fácil? Entrego para Deus, Ele tem acesso ao coração da pessoa, não eu. Mas não entrego com raiva, não, porque eu posso estar enxergando errado aquela atitude, e pode ser que tenha em mim atitude bem pior que eu não saiba. Não aponto dedo, não, eu, hein! Mas e aí? E a pessoa vai continuar achando que está certa? Não dá raiva? Não dá vontade de bater na criatura? Tem de haver um jeito de ela enxergar o que fez COMIGO!

Taí o erro. Ela não fez nada contigo, coleguinha. Você fez contigo algo baseando-se na sua interpretação de algo que ela fez. Upa! Eu sempre digo que complico tudo, para deixar mais fácil…hahahahaha…

Mas fala a verdade, não é esquisito? “eu vou ficar triste, brava, infeliz, sofrendo, doente, magoada só para você se sentir culpado e sofrer pelo que fez comigo”. Uai, quem te garante que ele vai sofrer? Você infeliz, triste, sofrendo, doente, magoada e ele todo tranquilo, alegre, saltitante.

Lembrei da história de uma menina que conheci, que namorou um maluco e quando percebeu que ele era maluco, resolveu terminar o namoro. No dia do aniversário dela, o indivíduo deu um tiro na própria cabeça e enviou uma carta (não necessariamente nessa ordem, é óbvio) de despedida, dizendo a ela que o suicídio era um presente de aniversário, pois assim ela teria para sempre a lembrança de que foi ela a culpada pela destruição da vida dele. Não é uma coisa imbecil? Não merece o prêmio Darwin? Por que raios as pessoas acham que perdendo algo de muito importante para ela, estará, automaticamente, atingindo mortalmente a outra pessoa? É muito egocentrismo, não é, não?

A gente perde um bocado de tempo na vida com bobagem, bobagem mesmo. Alimentando monstrinhos da mágoa, da auto-comiseração, se achando vítima de tudo e de todos, perde tempo precioso cultivando coisas negativas e depois reclama que não colhe nada de positivo.

Não tem tempo para isso não, meu amigo, a vida passa depressa, e você é que escolhe o que é realmente importante para você. Se você acha legal se lamentar em torno do próprio umbigo, vá em frente, mas não espere ir muito longe, pois esse caminho é circular. Eu não perco mais tempo alimentando sentimentos ruins, desprezando pessoas, desprezando as coisas boas que aprendi, ou querendo me sacrificar para provar que eu, sim, estava sofrendo…sinceramente, isso me soa tão imbecil, mas tão imbecil que me recuso a agir desta forma novamente.

Acho que me dei conta de que o mundo não gira em torno do meu umbigo de bolinha e que a humanidade não dará a mínima se eu me fizer de vítima. E desde que me dei conta disso, eu te digo, o mundo ficou beeem melhor!!!

Então encontro aquela mãe, inconformada com as escolhas do seu filho, que se descabela, sofre, soooooofre, e faz questão de que todos saibam de seu atroz sofrimento. Não deixa nem mesmo seu filho aprender a lidar com as escolhas que fez e não dá a ele a opção de ser feliz mesmo tendo feito uma escolha diferente do que ela queria para ele. Ela faz questão de, com aquele olhar torturado, fazer com que seu filho perceba, de forma clara, o quanto ela sofre. Ela quer provar que estava certa, então não abre mão de sofrer. O sofrimento comprova que ela estava certa. O sofrimento dela confirma o sofrimento dele. Ela quer que ele sofra, para que ela continue a ter motivos para sofrer. E se ele não sofrer? E se ele até ficar chateado, mas perceber que a escolha pelo sofrimento foi dela, fazer o quê? Então eventualmente ela ficará doente, de tanto sofrer. E daí? O que ela conseguirá mudar com essa atitude? Absolutamente nada.

Mas se ela aceitar que a escolha dele foi aquela, que a vida é dele, que ele é livre, adulto, etc. Se ela começar a torcer para que ele seja feliz e, quem sabe, se ela até ajudar para que o ambiente fique mais leve e a vida dele fique melhor, com certeza o resultado será diferente. Ao menos diferente de qualquer resultado que ela vinha tendo até então.