O melhor texto da década:

Li esse texto no Blog do Bispo Macedo, é de autoria da jornalista  Inahiá Castro Merlo. Já comecei a escrever algo a respeito, mas não poderia, de maneira nenhuma, deixar de reproduzí-lo aqui, pois foi o texto mais lúcido, bem raciocinado, bem executado e claro que li a respeito até agora. Confesso que a postura de Saramago me pareceu tão infantil e emocional que acreditei que ninguém teria paciência de escrever algo realmente racional a respeito. Essa moça teve. E o texto brilhante que ela construiu merece meu reconhecimento público. É revigorante quando se vê um relato de alguém que consegue sair da caixinha imposta pelo “intelectualoidismo” e pensar por conta própria. Primeiro, coloco o meu comentário, que deixei no post, depois, o texto da Inahiá.

“Brilhante o texto dessa moça. É tão raro encontrar um ateu de verdade! A maioria é como Saramago: por algum trauma pessoal ficou com tanta raiva de Deus que dedica sua vida a destruir sua imagem, tentando provocá-lo ao dizer que Ele não existe. É muita energia despendida para atacar o que não existe. Deus e a Igreja Católica são duas coisas bem diferentes e esse tipo de posicionamento confuso me fez -e ainda me faz – questionar a inteligência de Saramago em sua prisão mental.”

O ateu que não vive sem Deus
27 de outubro de 2009

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O escritor português José Saramago (prêmio Nobel de literatura, em 1998) acaba de lançar outra obra que tem como pano de fundo a Bíblia Sagrada. No livro “Caim”, Saramago busca, mais uma vez, questionar e colocar em dúvida a justiça de Deus e apontar um criador que, sob seu ponto de vista, é “cruel, invejoso e insuportável”.

Em uma entrevista à revista portuguesa “Visão”, José Saramago define a Bíblia como “um manual de maus costumes”, onde se encontra todo tipo de atrocidades, e procura, com sua retórica intelectual, questionar a veracidade das Escrituras, opondo-se veementemente ao conceito de que ali se registre a Palavra de Deus. “Sobre o livro sagrado, eu costumo dizer: lê a bíblia e perde a fé”, repete Saramago na entrevista.

Em 1991, o escritor já havia causado polêmica com o livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, no qual sugere uma relação amorosa entre Jesus e Maria Madalena, no que parece uma tentativa desesperada de aproximar-se do divino, humanizando a figura de Cristo, já que o caminho inverso lhe parece improvável.

“Ateu empedernido”, como ele mesmo se define, e comunista por ideologia, os argumentos de Saramago em sua obsessão por “desmascarar” Deus perdem-se entre acusações à Igreja Católica – remetendo-se a atos como a inquisição, as cruzadas, as masmorras e tudo que faça parte de um passado opressor em que a instituição exercia claro domínio social e político sobre a sociedade cristã – e uma espécie de inconformismo por não encontrar na Bíblia a retratação de um deus que provavelmente povoe seu imaginário ateu.

Dizer que um ateu conceba qualquer tipo de imagem relacionada a Deus pode parecer um contrassenso, mas o próprio discurso de Saramago sobre o tema é contraditório e confuso. Ele mistura conceitos e definições sobre Bíblia, cristianismo e igreja católica como se tudo fosse algo único. Diz que a Bíblia é “manipuladora”, como se as pessoas fossem dominadas por uma espécie de torpeza e ficassem desprovidas de opinião própria ao lerem as Escrituras. Reivindica e valoriza a liberdade que, segundo ele, é negada e oprimida por Deus, mas prega o comunismo, que é um dos regimes mais castradores da história política mundial. Sentado no trono de sua reconhecida e aplaudida intelectualidade, vale-se do prestígio alcançado por sua importância literária para “impor” sua opinião como verdade absoluta e julgar ignorantes os que não concordam com ele.

Mas, o que é mais ambíguo, paradoxal e interessante no discurso de Saramago é a energia que ele despende para criticar, debater e contradizer algo que ele mesmo acredita que não existe. Saramago não concebe ou aceita os mistérios e a mensagem espiritual da Bíblia porque só consegue lê-la e interpretá-la de forma racional e literária e não admite ou não enxerga a relevância de um livro que tenha atravessado os séculos e continua atual.

A própria Bíblia aponta, literalmente, o caminho que Saramago deveria seguir para lê-la e aceitá-la sem questionamentos racionais quando afirma a existência de mistérios, dizendo: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos…” (Deuteronômio 29:29).

O discurso de Saramago nos leva a crer que, talvez para seu próprio desespero, ele se revele um dos maiores buscadores de Deus. Mas sua arrogância intelectual só lhe permitiria aceitar um Deus explicável, que coubesse na limitada caixa da compreensão humana e que não dependesse do desconfortável e inseguro – do ponto de vista racional – conceito de “fé” para ser aceito. Mas, o Deus em quem Saramago não crê “…escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir os sábios…” (I coríntios 1:27)

Por Inahiá Castro

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Só apareço neste blog para dar notícias, perceberam? Shame on me. Mas não importa, melhor do que não aparecer nunca. Os comentários dos posts antigos estão fechados por problemas com spams. Já que tenho tido pouco tempo para gerenciar o blog, preferi deixar marcado para que os comentários sejam fechados automaticamente após um certo período. Mas a idéia era atualizar com mais frequência, e não deixar esse troço antipático de comentários fechados forever.

Bem, vamos explicar o que eu tinha de explicar aqui: minha vida deu uma guinada nos últimos meses. Parei de frescura e resolvi tomar uma decisão com Deus, de uma vez por todas, saindo de cima de um muro no qual eu nem sabia que estava. Como eu sumi de todo mundo, todo mundo sumiu de mim e poucos dos meus amigos sabem o que enfrentei nos últimos dois anos e como eu estava, mas aos poucos eu vou contando. Pois bem, me defini em relação a Deus e somente assim consegui a reconstrução que estava buscando há tanto tempo. Aos poucos Ele tem me feito experimentar uma qualidade de vida que eu nunca tive, interior e exterior. Isso é o que Ele sempre quis para mim: me dar uma vida de verdade, não meia vida. Quando eu O assumi, Ele me assumiu, e tenho buscado passar o que venho aprendendo a quem realmente estiver disposto a entender. Eu já havia decidido, ano passado, que minha “carreira de escritora” estava encerrada. No entanto, os planos de Deus eram outros e Ele tem me incomodado a voltar a escrever, a repassar o que tenho recebido. De início, comecei a escrever totalmente sem vontade, somente por obediência àquela direção que Deus colocou dentro de mim (a gente SABE o que tem de fazer, ainda que não tenha vontade, ainda que não queira fazer). Aos poucos Ele ressuscitou em mim o prazer de escrever, a vontade e o ânimo, simplesmente por eu ter obedecido primeiro.

Agora, consegui colocar em prática um projeto que vinha sendo adiado: meu site. A necessidade do site surgiu da encheção de paciência dos amigos (eles sabem fazer isso melhor do que ninguém…hahaha…), dizendo que eu não deveria me espalhar por tantos blogs, que eles ficavam Perdidinhos da Silva. Tadinhos. Para provar que os amo, lá fui eu trabalhar em um site onde irei concentrar todos os links e textos que eu for publicando. Atualize – pela última vez, juro! – os seus bookmarks, agora você me encontra no vanessalampert.com.br E não me perderá nunca mais. 😀