Dilma assassina e terrorista?

dilma

Confesso que não estava muito por dentro da campanha eleitoral, sempre acompanhando muito por cima – quando acompanhava. Até receber de uma amiga recente (que ainda não conhece muito bem minha ojeriza por mensagens com tom emocional/manipulatório encaminhadas em Power Point) um email com o assunto: “Desabafo de um pai” e no corpo do email um convite para ver “o que a Dilma fez no passado”. Minha curiosidade felina ainda não está completamente domesticada. Lá fui eu clicar no troço. Era pior do que eu pensava. Escrevi uma resposta, mas acabei por deixá-la incompleta de propósito, para não enviar de cabeça quente. Segue o que escrevi:

Não dá para assumir algo como verdade absoluta sem levar em consideração o contexto da época. A ditadura matou muito mais gente (e de maneira muito mais cruel) do que o outro lado, e em sua maioria, jovens e adolescentes idealistas, com uma vida toda pela frente. Civis.  Esse power point que você mandou foi escrito de maneira tendenciosa, manipuladora e um tanto quanto distorcida (e eu sinceramente duvido que tenha sido escrito pelo pai do rapaz), então eu resolvi pesquisar a respeito e encontrei esse texto:

http://sejaditaverdade.com/2010/06/16/a-morte-de-mario-kosel-filho-a-verdade-sobre-a-participacao-de-dilma/

uma parte bem esclarecedora do texto:


– Número 1: como já citado, a camionete + 10 integrantes + 50 quilos de dinamite, algo inconsistente até para uma Pajero dos dias atuais.

– Número 2: A revista VEJA (uma publicação que, como todos nós sabemos, não “morre de amores” nem por Lula, Dilma ou o PT) na matéria O cérebro do roubo ao cofre isenta textualmente Dilma Rousseff das operações de campo: “A Dilma era tão importante que não podia ir para a linha de frente. Ela tinha tanta informação que sua prisão colocaria em risco toda a organização. Era o cérebro da ação”, diz o ex-sargento e ex-guerrilheiro Darcy Rodrigues.

– Número 3: Como afirma o Site Uol ao narrar a biografia de Dilma, a VPR, Vanguarda Popular Revolucionário, uma organização nascida da divisão da antiga VAR-Palmares, surgiu apenas em 1969, apenas 1 ano depois da morte de Mário Kosel Filho. Dilma ficou na VAR-Palmares, mais ligada a trabalhos de base. Lamarca foi para a VPR, adepta de ações de guerrilha. Em 1968 Dilma pertencia à Colina, Comando da Libertação Nacional.”

Eu simplesmente ABOMINO textos escritos de maneira manipulatória, para me fazer ter uma determinada opinião, apelando para os meus sentimentos. Quando percebo que o texto está se encaminhando para isso, ele perde a minha atenção automaticamente. Este Power Point foi escrito para manipular a sua opinião e te fazer ficar horrorizada, para te impelir a repassá-lo a outras pessoas e, assim, ajudar quem escreveu a alcançar seu objetivo que é meramente ELEITORAL. Isso é muito baixo e me empurra mais a votar nela do que contra ela.

Não pense que estou em campanha pela Dilma ou por qualquer outro candidato. Eu nem tenho candidato ainda, estou analisando as opções, mas sei que o Brasil está alcançando um nível de desenvolvimento nessa administração que era impensável até pouco tempo atrás. Eu não quero que haja retrocesso, voltando à administração anterior (aí já elimino um candidato). A gente não pode escolher candidato pensando em “pessoas”. É muito mais do que isso. Não pode ser “ah, eu vou com a cara de fulano, então voto nele”, porque fulano não vai estar lá sozinho. O crescimento do mercado imobiliário, por exemplo, se deve à atual administração e para que haja continuidade nisso, acredito que não tenhamos muitas opções. Acredito que a Dilma não seja a pessoa com mais carisma dentro do PT  (Nota aos leitores do blog: eu mudei de idéia a esse respeito, hoje acho que ela foi a melhor escolha, sim) e que talvez por isso ela não tenha sido boa escolha (já que muita gente escolhe candidato da maneira errada, como falei), mas eu me lembro bem de como estava o Brasil há dez, doze anos e, sinceramente, não quero aquilo de volta.”

Depois de escrever isso, deixei que esse email descansasse em minha superpopulosa pasta de rascunhos, até que eu o esquecesse, o que sempre acontece. Esqueci. Ontem, porém, caminhando pelo Bourbon (shoppingzinho perto da minha casa), vi na capa da Época uma foto 3×4 p&b de uma Dilma jovenzinha, de óculos, e a manchete: “O passado de Dilma”, “documentos inéditos revelam uma história que ela não gosta de lembrar: seu papel na luta armada contra o regime militar”. Então todo o raciocínio que me veio à mente quando recebi o tal email voltou, exigindo algumas explicações. Como sempre acontece com meus raciocínios, ele começou perguntando: “Como assim???”

De súbito, me senti dentro de um universo paralelo. Será que escorreguei por um buraco de minhoca e não percebi? Lembrei dos textos pelos quais passei quando fiz a pesquisa para descobrir quem era o tal do “soldado-vítima” do inverossímil Power Point, que chamavam Dilma de terrorista, assassina e assaltante (essa última acusação certamente por causa dos assaltos a banco que alguns grupos de resistência fizeram para conseguir dinheiro, já que não podiam trabalhar, pois viviam escondidos para não serem mortos). Deu tilt na cabeça. Cresci ouvindo que os militares eram os malvados e que os estudantes eram os heróis. Os militares impuseram uma ditadura que cerceou a liberdade da população. Se você fosse um bom robozinho, sua vida seria feliz, mas se ousasse pensar por conta própria e discordar dos malucos fardados, era taxado de subversivo e já era, colega.

Muitos estudantes se mobilizaram em passeatas contra a repressão. No entanto, quando a coisa apertou e começaram a ser arrastados para a prisão, torturados, estuprados e mortos, pouca gente teve coragem de assumir posição e participar da resistência. A ditadura não queria saber se quem estava ali era um bando de adolescentes e jovens civis, eles eram vistos como “terroristas” que tentavam subverter a ordem e que deveriam ser parados a qualquer custo. E muito além disso: a ditadura também prendeu, torturou e matou muita gente que não tinha nada a ver com o pato. Não era gente envolvida em luta armada, nem em militância de resistência, mas simplesmente pessoas que ousaram discordar. Falar contra o governo era correr risco de morte. Os militares, paranóides, viam subversão em qualquer coisa, em qualquer lugar, como os inquisidores na Idade das Trevas. Essa foi a Idade das Trevas do Brasil. Li a reportagem da Época na internet e é uma baita propaganda enganosa. Nenhuma informação “inédita”, muito blá-blá-blá e disse-me-disse, como Época bem gosta de fazer. E sempre fez.

Só não entendi uma coisa: a globo (com letra minúscula mesmo, pois ela não merece maiúscula) esqueceu que até pouco tempo disfarçava seu apoio à ditadura enaltecendo o heroísmo dos jovens que resistiram a ela? Não foi a Globo que nos brindou com a minissérie Anos Rebeldes, em 1992, tocando “Alegria, Alegria” na voz de Caetano em uma abertura psicodélica? Mostrou ali o quê? Não foi a luta armada contra a ditadura? Nos emocionou com a inesquecível cena da morte de Heloísa, vivida por Claudia Abreu, deixando clara a covardia militar e a ingenuidade idealista da resistência? Clique aqui para assistir à cena. Eles foram tratados como Heróis na redemocratização, não como “terroristas”, “guerrilheiros”, “bandidos”, “assaltantes”, “criminosos”. Quem achava isso deles era – e com razão – a ditadura, ameaçada por aquele bando de moleques insolentes e arruaceiros, que merecia a morte.

Lembro do documentário “O Êxodo Decifrado” que mostra uma anotação sobre o êxodo dos hebreus, sob o ponto de vista dos Egípcios. O texto os chama de “Os Malignos” e faraó é o coitadinho, a vítima. Os hebreus eram escravos e as pragas só aconteceram porque faraó se recusou a deixá-los sair, mas isso é irrelevante. Contexto? Nah, para quê? . Tudo sempre depende do ponto de vista, de quem é que está contando a história, se leva o contexto em consideração ou o omite. Claro que, na visão da ditadura militar, Dilma era uma “terrorista, assaltante”, etc. e eles, as vítimas, que só queriam um país subserviente. Que mal há nisso? O estranho é encontrarem eco hoje em dia.

Então me lembro de “O que é isso, companheiro?” do Gabeira, que deu origem a um filme estrelado por atores globais. Tantas e tantas reportagens no Fantástico, no Jornal Nacional, sobre os heróis que lutaram contra o totalitarismo, contra a covardia, pela liberdade, pelo direito de votar, pelo direito de expressar suas opiniões sem ser, por isso, perseguidos ou punidos pelo Estado. Pessoas que deram suas vidas por um ideal, famílias que foram destruídas, muitos corpos até hoje não foram localizados. Outros foram fotografados e as marcas da barbárie ficaram registradas para a posteridade.

No entanto, a posteridade não está nem aí. Engole qualquer bobagem que lhe é dita pela TV ou enviada por email, em um Power Point meloso qualquer. A posteridade não pensa, passa pela vida simplesmente existindo e repetindo feito papagaio o que escuta no jornal. A coisa chega a um ponto tão ridículo que os argumentos são exatamente os mesmos, com as mesmas palavras, como se fosse um exército de robôs, com gravadores -com o botão “play” pressionado- em lugar das cordas vocais. Existe uma fonte inesgotável de ignorância alimentando o senso comum e está tão entranhada em nosso dia-a-dia que de vez em quando a gente se pega repetindo alguma bobagem não pensada, mesmo lutando há anos para ter pensamentos próprios. Mas daí a distorcer a história nesse nível e chamar civis que ousaram resistir a um sistema totalitário de “terroristas” já descamba para a burrice.

Eu imagino o que essas pessoas esperariam que acontecesse? Regime totalitário, ditadura, se você abre a boca, tem de ser para dizer o que o governo quer que você diga. E não pode dizer nada que possa ser interpretado por um maluco fardado qualquer como contrário ao pensamento do governo. Ou seja, você vive neurótico tentando pensar com a cabeça dos caras. Aí os críticos de Dilma imaginam que o correto seria, já que eles estavam descontentes, criar um grupo para, através do diálogo com o governo, alterar aquela situação. Hein???? Imagino o rebeldezinho indo conversar com o general: “Oi, tudo bem? Poderíamos conversar a respeito de uma maneira de ampliar a liberdade de opinião da população em geral?” Como ele seria recebido? Acho engraçado também falarem dos “crimes” cometidos: “falsidade ideológica”. Lembro de quando acusavam José Dirceu disso também, e por ele ter feito plástica para modificar o rosto, o bandido. Com certeza o correto seria manter sua própria identidade e, de preferência, telefonar para o governo, dizendo: “oi, eu sou Dilma Rousseff, sabe, aquela que vocês estão procurando? Pois é, não venham atrás de mim, só queria passar o endereço de onde estou, porque quero que este seja um processo transparente”. Retirar o contexto da situação, analisar os fatos ocorridos durante a ditadura militar  como se estivessem ocorrendo hoje, em tempo de paz, em uma democracia, com diversas liberdades que não existiam naquela época, é – isto sim – um crime.

Se tem algo que eu detesto é que subestimem minha inteligência para tentar manipular minha opinião. Isso já me deixou indignada com a globo, com a Época e com a Folha de São Paulo, que teve a cara-de-pau de veicular uma ficha falsa de Dilma em uma matéria totalmente tendenciosa. E não teve a dignidade de publicar a carta que Dilma escreveu, se defendendo. Então, como tiro de misericórdia, me deparo com o programa eleitoral de Serra, com o apelativo Jingle: “Sai o Silva e entra o Zé”. Hein??? O PSDB, partido que nunca escondeu sua predileção pela classe média alta, tenta, em um esforço vergonhoso, se aproximar da classe pobre, com uma cara de “nojinho”. Favela cenográfica, pasteurizada e estereotipada, jingle de pagodinho, churrasqueira a gás (#Fail). Posso dizer que as (des) organizações globo e a campanha de Serra se empenharam tanto, mas tanto, que acabaram conseguindo fazer com que eu decidisse meu voto. A cada ataque descabido que recebia, Dilma ganhava minha simpatia e eu me interessava mais por ela.

Resolvi pesquisar, ler, ouvir o que ela tinha a dizer, assisti a várias entrevistas, li muita coisa contra e a favor, para poder formar a minha opinião. Quanto maior o ataque da mídia, mais ficava claro para mim: “se a globo está se esforçando tanto para a Dilma não ser eleita, é porque deve ser a melhor opção para o país”. Li Paulo Henrique Amorim se referir a esse tipo de imprensa como PIG (Partido da Imprensa Golpista), o que para mim parece mais correto do que se referir apenas à globo. O PIG quer que o povo brasileiro se esqueça de quem era quem durante o regime militar. Quer nos convencer de que nenhum dos dois lados estava certo, mas que o menos certo era o lado daqueles estudantes intrometidos, que não tinham que mexer com quem estava quieto. E, aos poucos, nos coloca em uma situação de simpatia com o regime militar…”pelo menos o país não era essa bagunça”.

No fundo, no fundo, agora a globo começa a assumir sua posição, que é a mesma desde o início, nunca mudou: favorável à ditadura e frustrada com a redemocratização. Conseguiu manipular o povo por muito tempo, até que mexeu com uma força maior do que a dela, e deu início à sua decadência. Hoje acabou a hegemonia, a Record cresce a ponto de poder veicular reportagens especiais para trazer à memória da população quem eram os assassinos e quem eram as vítimas. Até pouco tempo nenhuma rede de televisão ousaria. A internet cresce em força de opinião, formando uma “imprensa paralela” e trazendo as informações a que o PIG não quer que tenhamos acesso, coisa que JAMAIS aconteceria em tempos de ditadura militar.

O fim da ditadura militar e o início de uma nova democracia foi o grito de esperança abafado, durante quase duas décadas, por uma nova ditadura, a da imbecilização, promovida pela Rede Globo. Há cerca de dez anos, porém, demos início à verdadeira redemocratização, com a quebra de hegemonia da globo e o início de uma verdadeira força popular, pela libertação das mentes. Serra e a globo me convenceram que esse processo não pode parar. A ignorância ainda é muito grande, mas aos poucos o Brasil desperta da maldição de seu sono eterno em berço esplêndido. Obrigada Serra, obrigada rede globo, folha de são paulo, PSDB e simpatizantes, pois me levaram a conhecer uma Dilma que eu não conhecia: uma mulher que luta pelo que acredita e que foi capaz de arriscar a vida por amor ao seu país e que hoje é vítima de uma perseguição injusta por parte de quem não tem o menor escrúpulo de tentar apagar a memória de um país que levou tanto tempo para construir sua identidade. Se não fosse por isso, talvez eu ainda estivesse indecisa.


Ps1: Links:

Clique aqui para ler a carta de Dilma à Folha de São Paulo, sobre a tal ficha falsa.

Clique aqui para ler o comentário de Paulo Henrique Amorim sobre a reportagem de Época.

Clique aqui para ler o ótimo “Por que votarei em Dilma Rousseff”, do Celso Barros. E clique aqui para ler o blog do Celso Barros.


Clique aqui para ver o primeiro programa eleitoral de Dilma na TV, dizendo, com muito orgulho, que participou ativamente da resistência à ditadura. E Época realmente quer que acreditemos que ela “evita falar a respeito”? Ela evita falar com Época. No que faz muito bem.

Clique aqui se você mora em Porto Alegre, gosta de bombom e vai votar no Serra, procure esse pessoal no centro de Porto Alegre, antes que eles sejam presos.

Clique aqui para ver a primeira parte e aqui para ver a segunda parte da esclarecedora entrevista de FHC ao programa Hard Talk, deixando claro que sua preocupação é com a classe média “que tem acesso à informação”. “Normal citzen” não conta. O que conta é “abnormal citzen”, decerto…risos… Aliás, depois dessa entrevista, FHC deve ter demitido quem quer que o tenha convencido a participar desse programa.

Clique aqui para ler o ótimo “dez falsos motivos para não votar em Dilma”, de Jorge Furtado.

Clique aqui para ler o texto em que Brizola Neto fala da propaganda eleitoral de Serra no rádio, que ataca Dilma e usa o áudio de um elogio feito por alguém que imita a voz do presidente Lula!! Isso merecia um processo!

Clique aqui para ler a excelente análise dessa reportagem da Época.



PS2: Recado aos para-quedistas: Sei que o texto é longo, mas ele deve ser lido na íntegra e bem compreendido. Não faça uma leitura superficial, ou eu vou te mandar ler novamente e você vai ficar bravo comigo. Não comente antes de concluir a leitura, respire fundo e continue a ler até o final. Os comentários deste blog são moderados para evitar spam, então comentar por impulso para ver sua opinião publicada não surtirá efeito e você ficará frustrado. Nesse caso, escreva um texto no seu blog.


UPDATE: Não se esqueçam de divulgar a lista de emails falsos contra a Dilma, com os links para os textos que provam que são falsos, estou atualizando à medida em que recebo novos hoaxes. Clique aqui para ver Quer votar em outro candidato? Fique à vontade, mas vote por motivos verdadeiros, e não pelas mentiras.

Deixo também esse vídeo:

Como se tornar um 171 inescrupuloso e desprovido de ética em 7 lições

Tive a infelicidade de me deparar hoje com um texto intitulado “Aprenda a pechinchar em 7 lições”.  Como não consegui comentar lá, resolvi publicar minha opinião aqui. O assunto me interessou, afinal de contas, também sou consumidora. Estava tudo normalzinho até que eu leio: “os pechinchadores mais escolados chegam a recolher cartões de visita ou panfletos de lojas e escrever neles valores fictícios para apresentar em outros estabelecimentos e pedir que tal oferta seja coberta” hein? Estava apenas começando.

O texto ensina o consumidor a ser “malandro”, mentir, fingir, enganar, trapacear, dizendo que TODOS os produtos têm um valor extra que pode ser retirado como desconto sem prejudicar ninguém, o que não é verdade. A “lição” 6 ainda diz:

““Como se sabe que o menor preço possível foi atingido? Isso acontece no momento em que o vendedor já está transtornado, louco da vida, e ainda assim entrega o produto”, afirma o professor Sarfati. “O melhor método é ir forçando o valor para baixo; só se descobre o limite quando o vendedor fica exasperado.”

O tal professor Sarfati, dono do método para formar um bom estelionatário, é, segundo o texto, professor especialista em negociação da FGV (Fundação Getulio Vargas). Tá ruim, hein, FGV? Imagino que ele tenha sido consumidor toda a vida e talvez nunca vendedor. É a única explicação que encontro para que ele crie um abismo tão grande entre a teoria e a prática. Ou então a tal Denise Godoy, que escreveu o texto, é daquele tipo de jornalista que distorce a opinião do entrevistado, pinçando trechos de modo a fazer com que se percam do contexto. Segue meu comentário:

Que bonitinho, um texto que ensina o consumidor a mentir, enganar e ser desonesto! Vamos deixar uma coisinha bem clara aqui: geralmente, em empresas legalizadas, a margem de negociação – quando existe – é bem baixa. Acontece muito de o pobre vendedor, comissionado, ser obrigado a tirar de sua comissão para dar o “desconto inimaginável” ao cliente. Muitas vezes o vendedor só recebe comissões, não ganha salário. Então você não está dando uma de esperto para cima da loja, da revendedora, montadora ou construtora (dependendo do produto), mas se aproveitando do trabalhador que precisa vender para se sustentar. O pior é fazer isso utilizando-se de mecanismos desonestos!!

Quando o vendedor já está “exasperado” é porque está tirando de sua comissão o que não poderia, às vezes para bater as metas da empresa, pois ele é obrigado a vender. Geralmente vendedores inexperientes, inseguros ou que estão em situação financeira precária, com contas a pagar se acumulando. E imagino o indivíduo (cliente) que sai feliz de uma compra dessas, se achando “o esperto” por ter tirado dinheiro de um cara que provavelmente está mais ferrado financeiramente do que ele.  Sociopata ou, no mínimo, sem ética. Vendedor seguro, experiente ou que está ganhando bem com o que faz, não vai diminuir preço além da margem de negociação (que às vezes nem existe). Tem de se ter bom senso, educação e ética na hora de tentar um desconto. Às vezes não tem desconto, mesmo. O texto dá a entender que sempre tem desconto e que o vendedor é um mentiroso que quer enriquecer às suas custas. NEM SEMPRE os preços “embutem uma gordura”.  Empresas legalizadas pagam muitos impostos e encargos e o lucro não é exorbitante como pensamos. Achei que chegaria aqui e veria dicas de verdade, de profissionais sérios e honestos e não essa lista e “como se tornar um 171 inescrupuloso e desprovido de ética em 7 lições”.

Sou vendedora também, corretora de imóveis. Se tenho margem de negociação, sempre ofereço ao cliente. Mas se a pessoa começa a querer pechinchar além da margem de negociação, ofereço um produto mais barato. Não vou me estressar e sair de uma venda extenuada e sem dinheiro porque a criatura quer “descontos inimagináveis” que não existem. Quero trabalhar com qualidade de vida, mantendo minha saúde física e mental. Prefiro focar nos bons clientes, que conhecem o mercado e sabem quando algo está realmente caro e quando está no preço. Um bom vendedor quer o melhor para o seu cliente, sem se prejudicar. Um bom cliente quer fazer o melhor negócio, sem prejudicar ninguém, e entende  vendedor como alguém que está ali para ajudá-lo. Essa é a única maneira de manter uma relação comercial saudável, e disso os bons vendedores não abrem mão.

UPDATE:

Vi este post na lista dos mais recentemente lidos do blog e resolvi reler. Por curiosidade, voltei ao texto que originou esta resposta, da Denyse Godoy. Fiquei espantada ao descobrir por lá um comentário da jornalista, que não entendeu (ou não quis entender, não acredito, sinceramente, que as pessoas sejam tão desprovidas de capacidade de interpretação de texto assim, ainda mais jornalistas!) o que eu escrevi.  Segue:

Denyse Godoy20/08/2010 12:51
Certo. Quem pechincha é sociopata, diz a leitora Vanessa. Será que a melhor estratégia, então, é, antes de comprar algum produto, perguntar primeiro para o vendedor como está a situação finqanceira dele? Porque, se ele responder que o aluguel está atrasado, o consumidor pode se oferecer inclusive para pagar o dobro do valor para ajudá-lo, né.Responder
O seu comentário está aguardando moderação.
Vanessa Lampert23/09/2011 14:16 A jornalista Denyse Godoy, pelo visto, realmente não é muito boa em interpretação de texto. Não disse que quem pechincha é sociopata, releia meu texto com atenção (não vou explicar de novo, está bem explicadinho). Qual é a melhor estratégia? – você me pergunta – Ter ética, ser honesto e utilizar o bom senso ao pechinchar. Não enganar, mentir e agir como um sociopata, como sugere este artigo deplorável. Leia novamente.

Denyse Godoy 20/08/2010 12:51

Certo. Quem pechincha é sociopata, diz a leitora Vanessa. Será que a melhor estratégia, então, é, antes de comprar algum produto, perguntar primeiro para o vendedor como está a situação finqanceira dele? Porque, se ele responder que o aluguel está atrasado, o consumidor pode se oferecer inclusive para pagar o dobro do valor para ajudá-lo, né.


Nem merecia resposta, certo? Pois é, mas eu sou uma criaturinha feliz e acabei respondendo…


Vanessa Lampert 23/09/2011 14:16

A jornalista Denyse Godoy, pelo visto, realmente não é muito boa em interpretação de texto. Não disse que quem pechincha é sociopata, releia meu texto com atenção (não vou explicar de novo, está bem explicadinho). Qual é a melhor estratégia? – você me pergunta – Ter ética, ser honesto e utilizar o bom senso ao pechinchar. Não enganar, mentir e agir como um sociopata, como sugere este artigo deplorável. Leia novamente.

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É brincadeira, não? Eu comentei sobre o lado do vendedor, porque fazia parte de minha realidade na época, e não tinha como não ter empatia. E a pessoa utilizou isso para desqualificar todo o meu comentário… Eu não sou contra pechinchar, tanto é que me interessei pelo texto (não leio sobre assuntos que não me interessam), sou contra a desonestidade e o comportamento predatório. Não trabalho mais com vendas, mas continuo tendo empatia. Eu sempre me coloco no lugar do outro e não gosto de fazer com os outros o que não gostaria que fizessem comigo. Sei respeitar os limites, principalmente os que delineiam a ética, a honestidade e a responsabilidade. E posso ser muito idiota por isso – sempre serei, faço questão – mas não abro mão desses princípios básicos por dinheiro nenhum. Não vale a pena.

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Esclarecendo o novo rumo deste blog

Recebi um comentário criticando um post que fiz no facebook para avisar que o Lampertop estava com novo layout e que o Alguém Testou estava no ar. Acho que o rapaz tinha tomado uns comprimidinhos suspeitos, mas mesmo assim, ele disse uma coisa que não me deu vontade de responder, mas de comentar, por isso aproveito a oportunidade de um post.

“Boa sorte, dudette, e vê se maneira no spam. Esse post no Facebook agora não chega a sê-lo, mas é um declive escorregadio…”

Se fosse alguém do Twitter, eu até entenderia, pois acabei mandando o link do Alguém Testou e do Lampertop duas vezes, o que seria suficiente para vislumbrar o tal declive escorregadio à frente. Mas o comentário dele me levantou uma questão engraçada. Continuar lendo

Ignorância mata mais do que toxoplasmose

Inspirada pelo post anterior, que comentava das keywords de grávidas preocupadas com piolho de pombo, pensei em fazer um post sobre Toxoplasmose e gatos. Não sei como ainda não entrou ninguém procurando por isso aqui, mas caso entre, vamos esclarecer algumas coisinhas para te tirar da ignorância em que a maioria da população está submersa, copiando o email que enviei a um médico muito imbecil que deu uma entrevista mais imbecil ainda ao site do Drauzio Varella, em 2006. Na época reunimos algumas gateiras na comunidade Cuidando de Gatos, no Orkut, e a troca de informações foi absolutamente positiva. Segue o email:


“Jamais imaginei ler uma entrevista de tamanha ignorância em um site tão conceituado. O Dr. João Silva Mendonça, infelizmente, mostra-se totalmente despreparado para informar as reais formas de contágio da toxoplasmose, prestando um belo desserviço à população e à causa animal, a despeito de presidir a sociedade de infectologia (acaba de prejudicar a credibilidade da instituição, em minha opinião). Perdeu uma bela oportunidade e informar os leitores. Ou de ficar calado.

Primeiro, a forma mais comum de contágio, e o infectologista deveria saber, é por ingestão de verduras cruas mal lavadas e carne contaminada mal passada. Por quê? Porque é necessária a permanência das fezes do animal no ambiente por cerca de 48 horas para que os ovos esporulem e se tornem infectantes.

O que o doutor deveria ter esclarecido é que gatos de apartamento, ou de casa sem acesso à rua e alimentados exclusivamente com ração, sem contato com carne crua, não correm risco de serem infectados com o toxoplasma. Deveria ter usado seu espaço para afirmar a importância de se manter os gatos dentro de casa, não dar carne crua e castrá-los, para que fiquem tranquilos em ambiente indoor.

Também esqueceu de dizer que a população deve lavar bem os vegetais antes do consumo e não deve comer carne crua ou mal passada. O tal médico deveria se atualizar, pois está somente repetindo velhos e ultrapassados conceitos que não só não ajudam a população a evitar a toxoplasmose, como também colaboram com o preconceito contra os gatos, com o abandono e com a criação errada, que prevê gatos não castrados, com acesso à rua e comendo carne contaminada, ou seja, incentiva a contaminação felina e possível contaminação por ingestão de fezes antigas em areias de parquinhos infantis, hortas caseiras…

Será apenas ignorância? Ou será que não é de interesse de alguns profissionais que a população REALMENTE saiba evitar doenças como a toxoplasmose? Talvez eles precisem da doença para manter o fluxo de pacientes. Será que alguém que deveria estar informando e ajudando a salvar vidas, se interessaria em prejudicar vidas para manter seu negócio? Sinceramente, prefiro acreditar na hipótese da ignorância e da falta de estudo e atualização. Lamentável não apenas a postura deste médico, mas também a do site, que divulga esse tipo de informação equivocada, contribuindo para a desinformação de população. Realmente lamentável.

Deixo uma palavra de quem entende de gatos e de zoonoses:

“Os gatos tem o hábito de limpar-se, não deixando restos de fezes pela pelagem, e enterram seus excrementos. A possibilidade de contaminação dos seus proprietários é mínima ou inexistente. Acariciar um gato ou tê-lo como animal de companhia não representa perigo. Mordidas ou aranhões do gato também não transmitem toxoplasmose.”

http://www.sampaonline.com.br/saude/toxoplasmose.htm

A propósito, espero que esse médico não coma alimentos como kibe cru e carpaccio porque desta forma correrá muito mais riscos de se contaminar com a toxoplasmose, mesmo que não chegue nem perto de gatos e de casas com gatos. Muito mais risco do que se tivesse cinquenta gatos em casa, castrados, sem acesso à rua, comendo apenas ração e dormindo em sua cama. Ignorância não escolhe escolaridade, formação acadêmica, credo, etnia ou idade. É extremamente democrática.”


Algum tempo depois, recebi o seguinte email em resposta:


“Cara Vanessa,

Lamentamos seu descontentamento e agressividade. Já recebemos e-mails de
internautas descontentes com algumas informações sobre esta entrevista, mas
o Dr. João mandou cópias dos estudos feitos pelas revistas Science, Lancett,
entre outras, consideradas da maior credibilidade mundialmente, confirmando
as informações prestadas. Sugerimos que as acesse.

Eduardo

Site Drauzio Varella


Detalhe: Dr João mandou cópias dos estudos? E por que esse tal de Eduardo não repassou essas cópias para mim? Estudos organizados por quem? Em qual século? Em quais números dessas revistas? Quais revistas são as “entre outras”? E chamar de ignorante não foi agressividade, foi constatação. Eu dei duas opções. A menos pior era a ignorância.


Minha resposta ao Eduardo, porém, encerrou o assunto:


“Caro, Eduardo,

E onde eu acessaria esses artigos? Esses estudos foram orientados por quem? Publicados em quais números das revistas? Quais são as revistas “entre outras”? Esses estudos foram feitos em que século? Era o tipo de artigo escrito em 1815, que deve ser a data da última atualização do Dr. João.

O bioquímico holandês Wilhelm Gottschalk afirmou, no V Fórum Social Mundial que o HIV não existe. E ele afirma ter uma porção de estudos científicos que comprovariam essa teoria. E não está sozinho. Vocês o entrevistariam, com base nisso e em artigos que ele certamente lhes mostraria? Ou acreditariam que isso seria um desserviço à população e que seriam, assim, colaboradores da desinformação, que, nesse caso, mata?

Na entrevista, o dr. João diz que existem “duas formas de contágio”, mas passa a entrevista toda falando de gato e omite totalmente a segunda forma? Ué, se existem duas, por que ele se ateve apenas a uma suposta forma (equivocada, aliás)? Toxoplasmose não se pega por exposição ao ambiente, não fica no pêlo do gato (o que torna absurda a afirmação do tal médico de que o contato da mão de uma pessoa com o sofá onde o gato DEITOU seria o suficiente para o contágio, caso a pessoa colocasse a mão na boca).

Gatos sem acesso à rua e alimentados exclusivamente com ração não têm a menor possibilidade de se infectar com o toxoplasma, ao contrário do que afirma o médico João na entrevista. Duvido, sinceramente, que haja algum estudo sério e atualizado que confirme essas informações depois de tudo o que se sabe a respeito do toxoplasma gondi.

No site do Instituto de Pesquisa Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz, existe a informação correta, que confirma o que estou dizendo, sugiro que entrem em contato com os pesquisadores sérios do Evandro Chagas para maiores esclarecimentos sobre o tema:

http://www.ipec.fiocruz.br/pepes/toxo/toxo.html

A Fiocruz tem um laboratório de toxoplasmose, deve saber o que está dizendo.

No link “medidas de prevenção”, as informações que deveriam ter sido dadas pelo dr. João, caso ele fosse realmente bem informado e se preocupasse em orientar corretamente a população. Sugiro que apaguem aquela entrevista e consigam uma fonte melhor informada. Copiando do site do Ipec:

Toxoplasmose
MEDIDAS DE PREVENÇÃO

1) Lave bem as mãos antes de mexer com os alimentos;

(entre um tópico e outro tem fotos, vocês podem ver no site. No email elas ficaram inseridas)

2) Não coma carne crua ou mal cozida;

3) Ao mexer com a terra ou caixa de areia lave bem as mãos ou use luvas;

4) Só beba água filtrada ou fervida;

5) Frutas, verduras e legumes crus devem ser bem lavados.

OBS.: A Toxoplasmose tem cura. O fato de apresentar exame positivo para toxoplasmose não significa que você esta com a doença. Na maioria das vezes, indica a presença de anticorpos.

OBS.: Os gatos domésticos se infectam caçando pequenos animais infectados, como ratos e aves. Desta maneira, os gatos que não vão as ruas para caçar, e que comem apenas ração industrializada NÃO oferecem perigo. Mas, alguns cuidados como limpar sempre a caixa de areia, lavar bem as mãos antes de manusear o alimento e não dar carne crua ou mal cozida para os gatos são medidas importantes. “

Sigam o belo exemplo de divulgação de informações corretas do site da Fiocruz. A população humana e felina só tem a ganhar com isso. E tanto o site de vocês quanto o dr. Drauzio Varella, também.

Sugiro que leiam também a carta da especialista Elizabeth de Souza Neves (Crm 52-34588/9) à jornalista Cora Rónai, colunista do jornal O Globo.

http://cora.blogspot.com/2003/09/e-para-que-no-restem-dvidas.html

Faço das palavras dela as minhas:

“Por favor, consultem os profissionais especializados e deixem os pobres gatos em paz.”

Isto é, se a intenção for realmente esclarecer a população.

Grata pela atenção, aguardo a retirada das informações equivocadas do site.

Vanessa Lampert.”


Não recebi resposta. Vocês acham que a entrevista saiu do ar? Está lá,  desde 2006, disseminando a ignorância sob o disfarce de ciência. O que me leva a crer que não, a intenção não era a de esclarecer a população.

Repito aqui um trecho do primeiro email…que fique como reflexão:

Será apenas ignorância? Ou será que não é de interesse de alguns profissionais que a população REALMENTE saiba evitar doenças como a toxoplasmose? Talvez eles precisem da doença para manter o fluxo de pacientes.  Será que alguém que deveria estar informando e ajudando a salvar vidas, se interessaria em prejudicar vidas para manter seu negócio?

Sinceramente, prefiro acreditar na hipótese da ignorância e da falta de estudo e atualização. Lamentável não apenas a postura deste médico, mas também a do site, que divulga esse tipo de informação equivocada, contribuindo para a desinformação de população. Realmente lamentável.”

PS: Infelizmente o site do Laboratório de Toxoplasmose da Fiocruz não existe mais, ou pelo menos não está mais no lugar em que estava em 2006, quando este email foi escrito.

Você quer mesmo saber?

Sempre me surpreendo ao olhar, nas estatísticas do StatCounter, as keywords utilizadas para chegar até este blog. De vez em quando me dá vontade de comentar, para responder às estranhas dúvidas das pessoas que caem aqui de pára-quedas. Hoje é um desses dias.

Chegaram a este blog procurando por:

“quero vender imovel o que me impede?”

Boa pergunta. Aliás, ótima pergunta. Se você tem um imóvel para vender e quer vender, o que te impede? Procure uma boa imobiliária ou um corretor de confiança. Se o seu imóvel está em Porto Alegre (ou se você quer comprar um imóvel em Porto Alegre), me mande um email, que como corretora de imóveis eu posso te ajudar  rial.vanessa@gmail.com  Agora, se você quer vender imóvel dos outros, ou seja, atuar como corretor, pode ser que o que te impeça seja a falta de CRECI. Yes, tem de ter registro. Para isso, você precisa ou estar matriculado ou ter concluído um curso de TTI (técnico em transações imobiliárias).

“O que fazer para não ficar sem assunto?”

Ler. Quanto mais você ler, mais informação terá. Quanto mais informação tiver, menores serão as chances de faltar assunto. Leia sites de notícias, leia revistas, mas acima de tudo, leia livros. Bons livros. Leia os livros ruins, também, para saber diferenciá-los dos bons. Leia bulas de remédio. Leia rótulos dos produtos que você compra. Leia tudo, sem preguiça. Se esforce. Ler é muito bom. Ler é legal, você é que não tem o hábito. Crie o hábito.

“Quais são as atividades de um corretor de imóveis?”

Han…oferecer imóveis à venda e intermediar negociações de compra e venda de imóveis. Basicamente. E tudo o que envolve essas coisas, inclusive a parte chata de documentação, cadastro, divulgação, etc. etc. etc. Alguns estão habilitados a avaliar imóveis.

“passo a passo rosto humano biscuit”

Povo, vocês não têm noção. Não dá para fazer um PAP de rosto humano em biscuit! Isso é virtualmente impossível! Eu posso fazer um vídeo mostrando como eu faço, mas jamais um PAP! Não tem como! Não é algo que envolva bolinhas e coxinhas como os bonequinhos que a gente está acostumada a ver em revistas de biscuit. São técnicas de escultura, coisas mais complexas e melecadas (água, muita água), noção de proporção, etc. Não estou querendo desestimular ninguém, mas abrir os olhos para a realidade: se alguém te prometer passo-a-passo de rostos humanos (ou de reprodução de rostos) em biscuit, está querendo te enganar. Não sei como é possível passar todas as sutilezas de esculpir um rosto humano em uma massa tão chatinha quanto o biscuit em uma série passo-a-passo. Não acredito que seja possível. Se for, eu desconheço tal técnica.

Além de milhõõõões de keyords de biscuit, esculturas e Flávia Pina, também recebi muita keyword-dúvida sobre piolho de pombo e grávidas. Algumas daquele jeito de “oráculo do Google”, do tipo:

“estou gravida e tive contato com piolho de pombo, o que fazer?”

Não sei por que esse povo tem tanto medo de doença que acha que pode pegar de bicho e não se preocupa muitas vezes com as porcarias que come por aí. Segue então o post Pombos São Ratos de Asas? que esclarece algumas coisas.

Chega de Abobrinha

Encontrei esse texto em uma comunidade do Orkut e lá fui eu atrás do nome do verdadeiro autor (claaaaro que estava assinado como “Autor Desconhecido”, aquele nosso velho amigo…muito mais velho do que amigo, diga-se de passagem). Descobri o porquê de as pessoas publicarem textos que não são seus em seus blogs: preguiça de escrever. Esse é um assunto sobre o qual eu realmente tenho vontade de escrever, mas ultimamente tenho sofrido de preguicite aguda (que já está ficando crônica) de elaborar um texto. Mas já comecei a escrever algo a respeito, em breve publicarei.



Do livro: Alimentação Vegetariana

“ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA:
CHEGA DE ABOBRINHA!

Autor: De Rose

Jamais declare-se vegetariano num hotel, restaurante, companhia aérea ou na casa da sua tia-avó. É que todos eles têm a mesma vivacidade e vão responder:


– Eu gostaria de lhe preparar uma comida decente, mas já que você
não come nada vou lhe servir uma saladinha de grama.

E, por mais que você tente explicar que vegetariano não é isso o que a esvoaçante fantasia do interlocutor imagina, sua probabilidade de sucesso é nula. Na caixa-preta dele já está selado, carimbado e homologado que vegetariano só come salada e ponto final.

Há vinte anos envio cartas e faço visitas de esclarecimento à comissária e aos nutricionistas de uma conhecida companhia aérea. Mas nada os demove da sábia decisão de que conhecem melhor o vegetarianismo do que os próprios vegetarianos. E tome discriminação. Os mal-entendidos já começam ao fazer a reserva. Basta solicitar alimentação lacto-vegetariana, cujo código é VLML, para que o solícito funcionário do outro lado da linha registre alegremente:


– Ah! Vegetariano? Perfeitamente, senhor.

Só que a alimentação vegetariana, para as companhias aéreas, tem outro código, VGML, que designa um sistema bem diferente e absurdamente intragável que só existe na cabeça dos nutricionistas dos caterings. Fico a pensar se VGML é a sigla para VegMeal ou se significa: Você Gosta Mesmo dessa Lavagem?

E se o passageiro sabe mais do que o atendente e adverte-o para que use o código certo, VLML, invariavelmente é deixado na linha esperando enquanto ocorre uma conferência nos bastidores. Às vezes, o som vaza e pode-se escutar:


– Diz prá ele que esse código não existe. Não é vegetariano? Então é
VGML.

Certa vez, numa viagem internacional, minha mesinha já estava posta quando tive a infeliz ideia de informar a comissária de bordo que o pedido de alimentação vegetariana era meu. Ato contínuo, ela retirou da minha mesa o queijo, a manteiga, a maionese, o pão, o biscoito, o chocolate, a sobremesa e tirou até o sal e a pimenta. No lugar, colocou uma lavagem de legumes cozidos à moda de isopor.

Por que a gentil senhorita fez isso com este simpático cavalheiro? Será que ela pensa que queijo é carne? Que manteiga, maionese, chocolate são algum tipo perigosíssimo de carne de vaca-louca camuflada?

O pior nas viagens aéreas é que se você pedir alimentação VGML ou VLML, o pessoal do catering tira a sua sobremesa como que a puni-lo por ter-lhes dado trabalho. É como se estivessem a ralhar com o passageiro:


– Menino mau. Já que não come a sua carne, vai ficar sem sobremesa.

E você é obrigado a comer legumes cozidos sem tempero ou salada fria com uma uva de sobremesa, enquanto assiste o vizinho de poltrona refastelando-se com um prato quentinho de strogonoff, suflé, parmegiana, milanesa, tudo arrumado com capricho, mais um apetitoso pudim e ainda tem que ouvi-lo comentar:


– Essa comida de bordo é uma porcaria…


Pensa que a discriminação é só no ar? Em terra firme é pior. Se num restaurante você se declarar vegetariano e consultar o maître sobre o  que ele sugere, o esforçado profissional poderá lhe dar duas respostas.
A mais freqüente é:


– O senhor é vegetariano? Nesse caso podemos lhe oferecer frango,
peixe… E a lagosta está ótima.

Inútil tentar fazê-lo entender que vegetariano não come carne de frango, nem carne de peixe, nem carne de crustáceo. Ele fará uma cara de ervilha encefálica e lhe oferecerá bacon. O leitor pensa que estou gracejando? Então faça a experiência. Entre no próximo restaurante e use a palavra mágica “vegetariano”. Garanto que à saída fará uma generosa doação para o Serviço de Proteção ao Vegetariano Incompreendido.


A outra resposta que omaître poderá lhe dar é a de que não tem nada
para vegetarianos. Então você lhe contrapõe:

– Tem batata frita? Tem couve-flor? Tem queijo? Tem farofa? Tem palmito? Tem espaguete? Tem champignon? Tem pizza? Se tem tudo isso e muito mais, porque o senhor declara que não tem nada para vegetarianos? – Aí, ele lhe serve uma sopa de cebola com caldo de carne.

Vamos, portanto, tentar esclarecer alguns equívocos consagrados pela opinião pública leiga sobre a alimentação vegetariana, incluídos aqui os nutricionistas, especialmente os das companhias aéreas e os chefs de cuisine de restaurantes e hotéis – e, certamente, as tias-avós de todos nós.


1. Vegetariano é aquele que não come carnes. Nem vermelhas, nem
brancas, nem azuis, nem furta-cor. Carne alguma. E é só isso.


O Vegetarianismo divide-se em três grupos:

a) Vegetarianismo propriamente dito (também chamado Lacto-ovo- vegetarianismo), que consiste em alimentar-se com absolutamente tudo o que é usado na alimentação comum, menos as carnes de qualquer espécie;


b) Vegetalianismo (também denominado Lacto-vegetarianismo), que
consiste no mesmo que a modalidade anterior, menos os ovos;


c) Vegetarismo (também chamado Vegetarianismo Puro ou Vegan),
que não aceita as carnes, nem os ovos, nem os laticínios.

O sistema mais comum é o primeiro. Quando alguém se declara vegetariano, em noventa por cento dos casos, está querendo dizer que apenas não ingere carnes, de espécie alguma.


2. Vegetariano não come salada. Só de vez em quando.

Um absurdo é supor que só pelo fato de uma pessoa não querer comer carnes de tipo algum tenha, por isso, que se abster de todos os demais pratos de forno e fogão tais como empadões, suflés, pizzas, massas em geral, panachés, rissolis, gratinados, dorés, empanados, milanesas, strogonoffs, fondues, farofas, molhos de tomate, acebolados, golf, rosé, maioneses e as 15.000 variedades de legumes, cereais, hortaliças, frutos, raízes, ovos, leite, queijos, iogurtes… mais toda aquela gama maravilhosa de especiarias tais como orégano, cominho, coentro, noz-moscada, tomilho, açafrão, gengibre, cardamomo, páprica, louro, salsa, cravo, canela, manjericão, manjerona, chili, curry, masala e uma infinidade de outros.

O vegetariano é um gourmet sofisticado e exigente que não faz questão apenas de saúde e higiene alimentar, mas também de prazer, como qualquer outro ser humano. Se não quer cometer uma indelicadeza, não lhe ofereça “uma saladinha”. Ele vai morrer de pena de você e talvez chegue até a aceitar, só por educação.


3. Vegetariano não come soja.

Só adota compulsivamente a soja o falso vegetariano, aquele vegetariano de boutique, quero dizer, de restaurante. Vegetariano de verdade, experimentado e informado não usa soja porque isso é uma mera bobagem. A não ser que essa leguminosa entre na composição de algum produto como kibe vegetal, etc. Soja é ruim, indigesta, desnecessária e contém um excesso de proteína.


4. Vegetariano não come só produtos integrais.
Claro que não come só produtos integrais! Ou será que os refinados deixam de ser vegetais e passam a ser algum tipo de carne?


5. “Para o doutor aqui sirva o chá sem açúcar que ele é
vegetariano.”

Por que sem açúcar? Por acaso açúcar é carne? Vegetariano não come é carne. Açúcar é vegetal. Não temos nada contra o açúcar. Procuramos apenas evitar exageros no uso de alimentos empobrecidos pelo refino. Portanto, solicitamos às companhias aéreas que parem com a mania de suprimir a sobremesa, o chocolate, e até o queijo, a manteiga e os biscoitos (que absurdo!) de quem só disse que não queria comer carnes.


6. “Vegetariano não toma refrigerante.”
Não estamos discutindo aqui se refrigerante é saudável ou não. Estamos denunciando o absurdo da colocação: “Quem se propõe a não comer carne não pode tomar refrigerante.” Se você concorda com essa lógica transversal, cuidado para não ser reprovado em testes psicotécnicos!


7. Tofu, missô e shoyu.

Isso não faz parte da culinária vegetariana e sim da macrobiótica. São elementos procedentes da cozinha japonesa, logo só devem ser usados em pratos japoneses. Ou macrobióticos, já que essa corrente criada por Oshawa é declaradamente nipocêntrica. Colocar algas, shoyu, missô, tofu e outros produtos macrôs em receitas que tenham a intenção de ser apenas vegetarianas, é uma gafe comparável à que cometem os estrangeiros que vêm ao Brasil falando espanhol!


8. A suposta falta de proteínas!

E, seja lá quem for ou que títulos exiba, se alguém se atrever a declarar que a alimentação vegetariana não fornece todos os aminoácidos essenciais, conteste com a indignação dos justos. Diga: “Estou convencido de que você não sabe o que é o vegetarianismo…”. Afinal, um sistema alimentar que reúna todos os legumes, frutas, verduras, cereais e raízes, mais leite, queijo, coalhada e ovos, não pode ser considerado carente.

Este autor que vos escreve parou de comer carnes aos dezesseis anos de idade. Depois disso, serviu o Exército na tropa; ao longo da vida praticou Judô, Karatê, Aikidô; começou a fazer Ginástica Olímpica depois dos cinqüenta! Já passou dos sessenta com mais saúde e energia do que a maioria dos da sua faixa etária.

Aliás, recordo-me com grata alegria, de um médico de Lisboa que clinicava aos 103 anos de idade! Era vegetariano. Lembro-me, ainda, do folclórico maratonista gaúcho septuagenário que todos os anos, comemorava seu aniversário correndo 24 horas seguidas com uma faixa no peito onde se lia uma única e significativa palavra: “VEGETARIANO”.

Vegetarianos foram também: Pitágoras, Sócrates, Ovídio, Kafka, Schopenhauer, Darwin, Rousseau, Bernard Shaw, Voltaire, Isaac Newton, Einstein, Abraham Lincoln, Benjamin Franklin, Thomas Edson, Mark Twain, Leon Tolstoi, Isadora Duncan, John Lennon, Linda McCartney e tantos outros que a história não registrou.

E ainda o são: Brad Pitt, Brigitte Bardot, Brooke Shields, Claudia Schiffer, Dustin Hoffman, Kim Basinger, Faye Dunaway, Martina Navratilova, Richard Gere, Sting, Madonna, Yoko Ono, Paul McCartney, Steve Jobs, Éder Jofre e muitos outros nomes famosos.

Não nos esqueçamos de que os maiores e mais fortes mamíferos terrestres são todos vegetarianos: o elefante, o rinoceronte, o búfalo, o bisonte e o nosso parente, o poderoso gorila.

Aliás, quando alguém vier com o argumento de que somos carnívoros porque temos dentes caninos, pergunte-lhe se ele já viu os caninos dos gorilas, esses enormes vegetarianos radicais, que só comem folhas.”

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ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA:
CHEGA DE ABOBRINHA!2

Jamais declare-se vegetariano num hotel, restaurante, companhia aérea ou na casa da sua tia-avó. É que todos eles têm a mesma vivacidade e vão responder:

– Eu gostaria de lhe preparar uma comida decente, mas já que você
não come nada vou lhe servir uma saladinha de grama.

E, por mais que você tente explicar que vegetariano não é isso o que a esvoaçante fantasia do interlocutor imagina, sua probabilidade de sucesso é nula. Na caixa-preta dele já está selado, carimbado e homologado que vegetariano só come salada e ponto final.

Há vinte anos envio cartas e faço visitas de esclarecimento à comissaría e aos nutricionistas de uma conhecida companhia aérea. Mas nada os demove da sábia decisão de que conhecem melhor o vegetarianismo do que os próprios vegetarianos. E tome discriminação. Os mal-entendidos já começam ao fazer a reserva. Basta solicitar alimentaçãolacto-vegetariana, cujo código é VLML, para que o solícito funcionário do outro lado da linha registre alegremente:

– Ah! Vegetariano? Perfeitamente, senhor.