Da série “Onde foi parar sua dignidade?”

Gatos são conhecidos por exibirem um alto grau de independência e por deixarem bem claro aos seus donos que, por mais que os amem, certas coisas estão completamente fora de cogitação. Uma dela é “agir como um cachorro”.

Os cachorros são criaturas maravilhosas e seu forte instinto de matilha os fazem ver seu dono como seu amo, mestre e senhor, digno de toda a obediência. A felicidade para um cachorro é ter o seu lugar bem definido na matilha e todo dono deve criar situações onde seu bichinho possa exercitar essa necessidade, como lhe ensinar truques e lhe dar recompensas por bom comportamento. Isso faz bem para a cabecinha deles e privá-los de uma hierarquia bem definida dentro de casa é quase um tipo de tortura.

Todo gato, em contrapartida, ao nascer, recebe um manual contendo instruções específicas de como agir para fazer parte da SSFD, ou “Sociedade Secreta dos Felinos Domésticos”. É uma sociedade mundial com um rígido código de honra ao qual todo gato deve jurar respeitar e zelar por toda sua existência.

Os donos de gatos, por sua vez, conscientemente ou não, devem se submeter alegremente a todas as regras e estatutos da SSFD, caso desejem usufruir da felicidade e do senso de realização que tais nobres criaturas trazem às suas vidas.

Exemplos dessas regras  de conduta podem ser vistas no ótimo Hallmarks of Felinity, de Brooke McEldowney:

Um gato sempre deverá andar (com graça e leveza) por locais onde sua presença será mais notada.

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Um gato jamais deverá permitir que seu humano durma além do horário

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Um gato deverá sempre ocupar os mais importantes lugares da residência.

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E por aí vai…

Mas como foi dito, a regra de ouro, aquela que está acima de todas as demais e que todo gato JAMAIS deverá esquecer, é que ele não poderá agir como um cachorro. Sob hipótese alguma.

Certamente o Grafitte (não sei se é esse o nome dele, mas soou legal), o gatinho do vídeo abaixo, perderá sua carteirinha de sócio da SSFD.  Pobre Graffite, onde foi parar sua dignidade?…

Os desatinos da mente

O cérebro é um órgão muito curioso. Em todos os sentidos.

Curioso do ponto de vista científico, pois ainda é um grande mistério, e também curioso por estar sempre atrás de novidades, à procura de significados em cada informação que recebe e com uma capacidade incrível de preencher as lacunas com informação tirada de nenhum lugar além de sua imaginação.

Um desses esforços imaginativos recebe o nome de pareidolia. Apesar do nome feio, esse fenômeno psicológico é simplesmente a tentativa do cérebro de identificar algum padrão em uma imagem que, a princípio, não significa nada.

Quem alguma vez já não encontrou carinhas e figurinhas diversas nos azulejos do banheiro enquanto tomava banho? Quem nunca brincou de olhar para olhar as nuvens pra descobrir formas de coisas conhecidas? Pois é, brincávamos de pareidolia e nem sabíamos.

Algumas pareidolias não são muito fáceis de ver, requerem um pouco mais de imaginação por parte do pareidologista (se essa palavra não existe, deveria existir, pois é muito útil). Outras, porém, são tão realistas que fica difícil crer que se tratam de ilusões da mente.

Talvez uma das mais impressionantes seja essa foto antiga, onde parece existir o rosto de um homem barbudo e com os olhos fechados entre um casal:

Face-pareidolia

Essa realmente não precisa de muita imaginação para ver. Mais difícil é entender quais são as formas reais que compõem a ilusão. A foto com alguns elementos coloridos deixa claro que a face do homem é na verdade um bebê e seus cabelos são alguns arbustos que estão entre as pessoas:

Face-pareidolia-cores

Outras pareidolias na natureza são tão convincentes que se tornam uma vantagem para algumas espécies. O caranguejo Heike, do Japão, tem a oportunidade viver sua vida com tranquilidade por exibir em sua carapaça uma formação muito peculiar, semelhante a face de um samurai, o que o torna uma caça indesejável para os pescadores locais, pois crêem que esses animais são a reencarnação de antigos guerreiros que morreram afogados naquele local. Essa é a face do intragável:

Caranguejo samurai

Há inúmeras outras pareidolias famosas, como imagens de santos e santas em vidraças, torradas, mofos de parede e até mesmo em traseiros de animais.  Há quem diga que certos programas jornalísticos e determinadas revistas de notícias não passam de mera pareidolia, mas aí já são outros quinhentos…

O fato é que muitas pessoas fizeram dessa curiosidade um meio de lucrar uns dinheiros na internet, vendendo “falsas” pareidolias, como o senhor proprietário de uma máquina de fazer torradas em série com a face de Cristo:

Face na torrada-pareidolia

Embora sejam as mais famosas, a pareidolia não se restringe a imagens. Ela existe em músicas e sons em geral. Algumas músicas, aliás, quando tocadas ao contrário, parecem conter “mensagens ocultas”, o que dá margem à todo tipo de interpretação e teorias.

O Youtube está cheio dessas pérolas sonoras. Fica a dica para quem está sem nada melhor pra fazer e quer botar fora alguns minutos de sua vida que jamais voltarão.

O menor dos animais domina o mundo

Escrevi esse texto para a Revista Paradoxo, em 2006. Depois de tudo o que vimos nos últimos meses, essa minha teoria se mostra bastante atual.

O menor dos animais domina o mundo

A culpa é do dedo opositor

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre
[09/03/2006]


Estou certa  de que o ser humano é um dos animais menos evoluídos do nosso planeta. Quando assistimos aos documentários sobre animais da selva na TV, nos impressionamos com a organização, senso de grupo, inteligência e  capacidade de comunicação daquelas criaturas. Até mesmo programas sobre a vida dos insetos embasbacam bípedes que se desdobram para fazer, em escala, metade do que aqueles pequeninos seres fazem em seu dia-a-dia.

Quando convivemos com gatos, cachorros, furões, peixes, cavalos, e coisas do gênero, nos surpreendemos ainda mais com eles. Nos entendem mais do que nós a eles, se comunicam, demonstram afeto, demonstram desagrado, conversam entre si e tentam entrar em contato com formas inferiores de vida [no caso, nós, os humanos]. Sempre superiores, compreendem nossa natureza cheia de falhas.

Os animais, em geral, são muito mais sérios e centrados do que o imbecil ser humano. São sensíveis, estão tão integrados à natureza que conseguem prever desastres naturais pela simples observação de alterações no ambiente.  Têm faro mais apurado, tato mais apurado, olfato mais apurado, instintos mais aflorados. O homem é o animal mais desprovido de recursos naturais, fisicamente frágil, sem garras, dentes, sem músculos fortes, sem sensibilidade, sem instintos decentes, com um cérebro duvidoso. Mas – você me pergunta- se eles são tão melhores assim, por que o homem é que domina o planeta? A resposta é: movimento de pinça, o único recurso que o homem realmente tem, e o que fez toda a diferença nos últimos milhares de anos.

Não estamos aqui, nesta posição, por conta de nossa inteligência, capacidade de pensar [quem convive com animais sabe que eles são muito mais capazes de pensar do que muita gente por aí] capacidade de comunicação, de senso histórico ou qualquer outra bobagem dessas que contam por aí. Não existe prova alguma que, por exemplo, um rinoceronte não tenha consciência de sua existência, assim como não há provas de que a vizinha do apartamento ao lado tenha.  Conhecemos pouco sobre os outros animais, portanto, alardear nossa superioridade sobre eles é, no mínimo, arrogante. Na verdade o único responsável por não estarmos acorrentados à casinha dos humanos sendo alimentados por cachorros é o movimento de pinça, o dedo opositor.

Apesar do nome, o dedo opositor não é, propriamente, da oposição. Ele não briga com os outros dedos, não se opõe ideologicamente, apenas faz oposição, digamos, geográfica, aos seus irmãos. A presença do polegar, fazendo oposição aos outros quatro dedos, possibilita ao homem pinçar objetos a seu bel-prazer, pressionando o polegar contra qualquer um dos outros dedos. Você jamais imaginou que um movimentozinho desses fosse assim tão importante, não é mesmo?

Por culpa do movimento de pinça, o homem conseguiu fabricar armas, caçar, costurar roupas, fazer fogo, fazer churrasco, construir aparelhos que suprissem suas outras fragilidades e o transformassem na espécie dominante do planeta. Tudo bem, se soubesse fazer as coisas direito. Mas, sendo a criatura mais despreparada do universo, aparentemente a única que se rebelou totalmente contra a natureza e seu criador, não é de se espantar que ele tenha feito uma bobagem atrás da outra, a ponto de maltratar outros bichos, desperdiçar recursos naturais, investir em guerras inúteis [sim, porque algumas são úteis], enxergando seus próprios irmãos como inimigos, fazendo sofrer a quem diz amar por um punhado de papel pintado, destruindo o planeta e sua própria vida, ignorando que o tempo passa, todo mundo morre e as traças, espertas, comem todo o papel pintado do mundo.

Li, certa vez, que o homem é o único animal capaz de modificar o meio em que vive, é o que o difere dos animais e prova sua inteligência superior. Balela. Primeiro, o homem só altera o meio por causa do movimento de pinça, conforme já expliquei, e é o que o difere dos animais. A causa, não a conseqüência. E isso só prova que ele realmente não raciocina muito bem. Os animais, muito mais inteligentes, sempre souberam que nunca houve a menor necessidade de que o meio fosse modificado. Estava tudo muito bem, até aparecer o macaquinho pelado com dedo opositor no pedaço.

Se o golfinho, por exemplo, tivesse nascido com pernas, braços e dedos com movimento de pinça seria, sem dúvida nenhuma, um bicho bastante estranho, mas muito provavelmente viveríamos em um mundo muito melhor.

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Aparências, aparências

cabelos

De vez em quando eu tenho uns desesperos por mudar a cor dos cabelos, ou para mudar o layout do blog. Passei cinco intermináveis anos sem tingir, nem colocar química alguma em meu cabelo e fiquei com cachinhos  castanho escuros lindos, brilhantes e felizes, mas baixou a Vanessa de novo e no início deste ano eu não só alisei como também fiquei loira. Lógico que achei lindo no começo, mas esquisitíssimo depois, até porque eu me esforço para ter esses impulsos de mulherzinha e hidratar, ir ao salão, etc. etc. mas isso rapidamente me enche o saco e eu prefiro fazer tudo em casa.

Felizes são vocês, homens, que se lavam o cabelo com sabão, secam feito trogloditas esfregando a toalha (não sei como não arrancam a cabeça fora, tamanhã violência) e conseguem ficar lindos, com as madeixas brilhantes e a aparência impecável. Eu profundamente gostaria de poder fazer isso (fora a parte de quase arrancar a cabeça com a toalha), mas se eu lavasse só com xampu, por exemplo, pareceria um cruzamento de Madame Min com uma vassoura de piaçava. Essa coisa de ficar loira detona o cabelo, o meu não cacheia mais (mesmo depois da porcaria progressiva, que o deixava esticadão, ter saído) e eu resolvi ficar ruiva.

Toda aquela coisa da campanha me deu uma avermelhada na cabeça e eu taquei a coisa mais rubra que encontrei pela frente, para esperar a vitória da Dilma. O problema é que desbota rápido e eu fico com cabelo de pobre. Prates me defenestraria, gritando: “hoje em dia qualquer miserável pinta o cabelo! É culpa desse governo que facilita o crédito”. Então, agora eu estou pensando em novas mudanças capilares. E de repente me deu horror daquele layout horroroso que eu estava usando e eu coloquei outro, mas estava escuro demais. Precisava de mais cor. Só que agora eu coloquei um laranjão mucho loco e eu gostaria de saber se alguém  se incomoda com essa cor. Vou pegar um tempinho e fazer um layout que me acalme por mais alguns meses, mas enquanto ele não fica pronto, será que dava para ficar com esse mesmo?


PS: Uma pausa para um post metalinguístico…hahaha…prometo que o blog agora volta à sua programação normal. Este foi praticamente um post-parêntese. Só espero que alguém me responda a respeito do cabeçalho-fanta e não me deixe falando sozinha neste lugar.

PS2: Para quem não teve o desprazer de ver o vídeo do Prates, o tiozinho limítrofe que foi expulso do hospício, não perca o post de amanhã, em que comentarei a respeito.

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De graça? Mas nem que me paguem!

Na sequência da série “Desespero de Veja”, recebo hoje um email oferecendo seis edições gratuitas de Veja. Assim é fácil manter tiragem-monstro, não é, não? Porque eles fazem isso há anos! Há alguns anos eu fiz um cadastro para recebimento de revista Veja e Caras aqui em casa, na casa da minha mãe e na casa do meu sogro (deixemos os detalhes da motivação para depois…hahahaha… foi uma fase “eu quero quinquilharias digrátis”, felizmente já superada).

Era uma promoção de recebimento de revistas sem necessidade de colocar dados bancários ou número de documento. Essa é a promoção, a de receber a revista sem necessidade de dados. O recebimento de revistas sem pagamento, mas com fornecimento de CPF é comum, não é promoção, você encontra isso em qualquer época do ano.  Daí a minha teoria de que a Abril tira seu lucro de outra fonte que não as revistas. A última informação que eu tive falava de 50.000 assinaturas gratuitas!! Depois da notícia da compra de assinaturas e revistas encalhadas pelo governo de São Paulo, minha teoria começou a fazer sentido. Então eles precisam distribuir a revista, para que ela seja lida. Dinheiro não é o foco aqui, só o dos anunciantes (já que a revista tem um número estratosférico de páginas de anúncio).

A qualidade jornalística de Veja é pífia. E isso não apenas nas reportagens sobre política, mas é muito raro encontrar uma reportagem decente, bem escrita, pesquisada, sem manipulação, sem distorções. Depois de encontrar reportagens toscamente argumentadas em praticamente todos os assuntos da revista, eu passei a desconfiar de todas as reportagens. E nos assuntos que eu não domino? Será que não estão querendo manipular minha opinião, também? A julgar pelo meu último post, estão. Nas palavras deles mesmos, estão.

A propósito, olha o Aecinho com chifrinho na capa, como salvador da Veja do PSDB:

PS: Isso já foi assunto em julho, no blog do PHA, clique aqui para ler.

Veja que senso de humor

Recebi umas quatro vezes  o email abaixo, me convidando para renovar uma assinatura de Veja que eu nunca tive.  O email tem o sugestivo título: “O que vale mais? O que você ouve ou o que você lê?”

O universo tem grandes mistérios. Um deles é: por que raios recebi este mesmo email em um dia, uma semana depois e nos dois dias seguintes? Quatro vezes o mesmo email! Eu havia recebido anteriormente um outro pedido de assinatura, me dizendo que eu não poderia perder a oportunidade de assinar Veja pela metade do preço, que seria somente aquele dia. O Aecinho Neves sorria para mim na capa, abrindo sua camisa para mostrar o uniforme de Super Homem, com um chifrinho formado pelo “V” de Veja atrás de sua cabeça. Apelativo, mas não foi suficiente. Olhar a cara do Aécio só me fez lembrar que Veja…bem, que Veja é Veja.

Eis que agora recebo quatro emails oferecendo a assinatura pela metade do preço. Ué, não era só aquele dia? Também recebi um email anunciando a lindíssima edição especial, falando sobre “os desafios da presidente eleita”. Estava nos Spams.

Colo o email abaixo, com meus comentários destacados. E please, alguém me diga se também recebeu isso e se isso é realmente um email da Veja, ou se é alguma brincadeira de mau gosto…

Primeiro, algumas partes realmente “relevantes” e meus comentários, depois o troço na íntegra:

” Nesse tempo, vimos o país crescer, a partir de cidadãos conscientes – como você – que entendem o processo democrático e o consolidam a cada dia.”

– Sim, tanto que votei na Dilma, para melhor consolidar o processo democrático.

“Oferecer a notícia pura e simples é pouco.”


Veja só que frase linda. Como pouco? Oferecer a notícia pura e simples é suficiente! Não é esse o objetivo de informar? Aqui Veja confessa que não tem o menor interesse em oferecer a notícia pura e simples. Prefere oferecer a notícia impura, maculada, poluída, de uma maneira complexa, para melhor manipular o leitor.

“A fim de dar mais elementos para você ter a sua opinião, é preciso que os fatos cheguem já selecionados e analisados, dando a dimensão de como poderão mexer com o seu dia a dia.”


Tradução: “Como você, leitor, é burro, ignorante e desprovido de capacidade de julgamento, não é suficiente passar a informação pura e simples. É preciso que a Veja selecione e analise os fatos para você, ou seja, nós lemos e entendemos por você e te dizemos o que você deve pensar, direcionando sua visão e dizendo em que aqueles fatos afetam a sua vida. É claro! Fazemos por nossos leitores o que eles não sabem fazer sozinhos. Colocamos o fato em nossa boca, mastigamos por você e o vomitamos em sua boca, semi-digerido. Temos certeza de que isso te será extremamente agradável.” Sério mesmo. Será que sou só eu que percebo o quanto Veja subestima a inteligência de seus leitores? Subestima, não, despreza mesmo. Veja te despreza, caro leitor. Por que você também não a despreza?

A notícia, interpretada em todos os ângulos, está nas páginas de VEJA, a maior, a mais lida, a mais influente revista do país.”

Argh!   Não, isso não pode ser sério: “A notícia, interpretada em todos os ângulos, está nas páginas de Veja” Não precisa ter mais de dois neurônios fazendo uma mísera sinapse para se sentir ofendido com essa carta. “Interpretar” notícia? Isso meu cérebro faz, cara Veja, não preciso de revista para me “interpretar notícia”, preciso de revista que me passe a informação. Pura e simples, aliás. A interpretação do texto meu cérebro faz muito bem, obrigada.

“As páginas esclarecedoras de VEJA vão ajudar nas suas decisões pessoais e profissionais.”


Bonitinho, né? Não basta dizer em quem devo votar, agora Veja quer me ajudar nas minhas decisões pessoais e profissionais? Mamãe!!! Veja quer ser minha mãe. Mas eu vou fazer 31 anos, Veja, minhas decisões pessoais e profissionais não são da sua conta, eu mesmo as tomo. Vejam só a imagem que Veja faz de seus leitores. Além de ignorantes e incapazes de interpretar um texto e de entender uma informação sem ajuda dos universitários, eles também são profissional e pessoalmente incompetentes, precisando de um “guia” que os oriente em suas decisões. Em SUAS decisões, caro leitor. Quer vender sua alma para a Veja?

“Sobretudo agora, com novos governantes no Brasil… Mudanças impactantes nos EUA, na Europa, na Ásia… Luta do planeta pela sustentabilidade… Avanços surpreendentes da tecnologia…Novos desafios para as empresas, novas oportunidades no mercado de trabalho…”


E o Quico? Veja quer me ajudar nas minhas decisões profissionais e pessoais, já que temos novos governantes no Brasil, mudanças impactantes no exterior, luta do planeta pela sustentabilidade, avanços na tecnologia,novos desafios para as empresas, novas oportunidades no mercado de trabalho…ou seja, é muita informação para o leitor da Veja absorver, por isso ele pre-ci-sa que a revista o ajude a tomar suas decisões. Help me, Veja!

“Você tem uma grande história pela frente com VEJA.”


Vixe, olha a Veja jogando praga! Tá amarrado, em nome de Jesus!

“A VEJA das reportagens que repercutem no Brasil inteiro, a VEJA das entrevistas marcantes, a VEJA que vigia a conduta de todos os governos em todos esses anos. A VEJA que tem colunistas renomados, como Roberto Pompeu de Toledo, Stephen Kanitz. J. R. Guzzo, Diogo Malnardi, Lya Luft…”


[Vontaderrir] “A Veja das reportagens que repercutem no Brasil inteiro”. Tem razão. Basta descer a barra de rolagem e ler os últimos posts deste blog. “A Veja das entrevistas marcantes”, sim, a mais marcante, para mim, foi aquela que o Eduardo Viveiros de Castro não deu à Veja. Clique aqui para ler. “A Veja que vigia a conduta do governo”??? Veja é ridícula! Como assim “vigia a conduta”? Veja é mãe, Veja é polícia política… sério, mesmo?


Deveria ser: ” A Veja que persegue governos que não a beneficiam”, “A Veja que persegue igrejas que incentivam seus membros a pensar por conta própria – ao contrário do que a Veja faz”, ” A Veja que usa grampos sem áudio e testemunhas compradas para embasar suas reportagens”, “A Veja que não se importa em destruir vidas e famílias para ‘provar’ as acusações que inventa”. “A Veja que distorce fatos, condena o suspeito, executa o investigado e passa por cima da justiça”. “A Veja que só procura leitores, já que dinheiro ela consegue com o governo do estado de São Paulo”.


A lista dos “Colunistas renomados” é risível e foi uma das muitas partes do email que me fez acreditar que ele era fake. Primeiro, porque onde está o Reinaldo Azevedo? Segundo, Diogo Mainardi não foi abduzido de volta ao planeta dele?

“Assine agora e leia toda semana a sua VEJA de sempre, ágil e bem escrita.”


Ou uma coisa, ou outra. Se é a “Veja de sempre”, não é ágil e bem escrita. E se o convite é para ler a Veja de sempre, obrigada, declino.

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De: Revista VEJA<revistaveja@abrildirect.com.br>

Data: 3 de novembro de 2010 15:27

Assunto: O que vale mais? O que você ouve ou o que você lê?

Para: vslampert@gmail.com

VANESSA,

É um prazer reencontrar você, que já foi assinante de VEJA, num momento tão especial.

Neste ano, VEJA completou 42 anos, registrando e documentando a história de seu país e da sua vida. Nesse tempo, vimos o país crescer, a partir de cidadãos conscientes – como você – que entendem o processo democrático e o consolidam a cada dia.

Oferecer a notícia pura e simples é pouco. A fim de dar mais elementos para você ter a sua opinião, é preciso que os fatos cheguem já selecionados e analisados, dando a dimensão de como poderão mexer com o seu dia a dia.

A notícia, interpretada em todos os ângulos, está nas páginas de VEJA, a maior, a mais lida, a mais influente revista do país. A terceira maior revista semanal de informação do mundo, depois de Time e Newsweek.

As páginas esclarecedoras de VEJA vão ajudar nas suas decisões pessoais e profissionais. Sobretudo agora, com novos governantes no Brasil… Mudanças impactantes nos EUA, na Europa, na Ásia… Luta do planeta pela sustentabilidade… Avanços surpreendentes da tecnologia…Novos desafios para as empresas, novas oportunidades no mercado de trabalho…

Você tem uma grande história pela frente com VEJA. A VEJA das reportagens que repercutem no Brasil inteiro, a VEJA das entrevistas marcantes, a VEJA que vigia a conduta de todos os governos em todos esses anos. A VEJA que tem colunistas renomados, como Roberto Pompeu de Toledo, Stephen Kanitz. J. R. Guzzo, Diogo Malnardi, Lya Luft…

Enfim, a VEJA que você não pode perder. E a VEJA que não quer perder você. Por isso, nosso convite para você é especial:

R • 50% de desconto para você assinar por 1 ou 2 anos. Em vez de pagar R$ 8,90 por exemplar, você paga apenas R$ 4,45.

• Outros presentes exclusivos para nossos assinantes: sempre que VEJA lançar Edições Especiais, com temas que interessam a toda a família, você vai recebê-las GRÁTIS.

Assine agora e leia toda semana a sua VEJA de sempre, ágil e bem escrita. Será uma grande alegria entregá-la em sua casa. Receba novamente as nossas melhores boas-vindas!
Marcia Donha
Gerente de Assinaturas – Revista VEJA


Minhas conclusões:

Veja é deliberadamente escrita para gente burra e sem senso crítico, com preguiça mental. É essa a ideia que ela faz de seus leitores. Disso eu já tinha desconfiado e comentei a respeito no post “A lógica de Veja” (clique aqui para ler, embora esteja logo ali)

Veja não quer sua assinatura, Veja não quer o seu dinheiro. Veja quer a sua alma.

PS: Oi, leitores! Estou feliz em vê-los aqui, leio os comentários e quero conseguir dar um feedback para todo mundo, assim que puder.

PS2: Davison é terrível. Ao ler o email, me disse que era assinado por uma tal M. Donha. :-)

PS3: Pesquisei e descobri que o texto não só é real, como também é antigo, e a Veja, cara-de-paumente, continua enviando malas diretas com esse apelo. Clique aqui para ler um post do ano passado, de alguém que também se indignou com o “interpretamos a notícia para você pela metade do preço”

PS4: Respondendo à pergunta de Veja: “O que vale mais? O que você ouve ou o que você lê?” O que for verdade.

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O que é um petista?

Já faz um tempinho que quero escrever a respeito disso. Pessoas tentam desqualificar meus argumentos (e os seus, também, provavelmente) dizendo que “vêm de uma petista”. Eis mais uma frase que faz com que o cérebro da criatura, aos meus olhos, encolha até se transformar em uma ervilha.

De uma vez por todas: uma coisa é votar na Dilma, ou no PT, outra completamente diferente é ser petista. Até onde eu sei, petista é uma pessoa filiada ao PT e com histórico de militância. Eu não sou filiada a partido político, e só participei da campanha, muito discretamente, em 2002, por conta própria, com minha irmã, porque queríamos tirar o PSDB do governo. Na era FHC, em 99/2000, eu estava na universidade federal e o governo não liberava verba para nada, a intenção era matar as universidades de fome, para forçar uma privatização. Só se falava nisso, e já nos preparávamos para começar a receber boletos de mensalidades. A parca verba que a UFMS recebia era concentrada na faculdade de Medicina e, o que sobrava, na de direito, e mesmo lá, faltava muita coisa.

Na faculdade de jornalismo, que eu fazia, não tinha verba para nada. Os computadores do laboratório de redação não davam para a metade da sala, não tinha verba nem para comprar papel higiênico, quem quisesse, levava de casa. A universidade vivia com mais da metade de suas luzes apagadas, para economizar, e também por causa do racionamento de energia. É uma região perigosa, e tivemos diversos casos de estupros e assaltos no campus. Não me lembro de ninguém na época que defendesse a continuidade daquele processo de depredação, embora a maioria realmente tivesse medo do Lula transformar o Brasil em uma ditadura comunista (coisa que ele teve 8 anos para fazer e não fez. Está, ao contrário, prestes a transformar o Brasil em uma potência capitalista), e outros torciam profundamente para que o Lula transformasse o Brasil em uma ditadura comunista, e devem ter se decepcionado profundamente…talvez hoje votem no PC do B ou no PSOL. Acabei, por conta disso, deixando a faculdade. Retomei o jornalismo em 2002, em uma universidade particular.

Desde que me conheço por gente, minha inclinação foi sempre para a esquerda, ou algo que se pode chamar de centro-esquerda. Sou protestante, o protestantismo é, em essência, revolucionário. Não existe possibilidade de extrema direita em meu contexto histórico. Hoje o PT é o que mais se aproxima de meu modo de ver as coisas, mas isso não me faz uma petista, acho que não tenho o direito de me denominar assim.

Vamos explicar também que “petista” não é ofensa, não é xingamento. Se você se deparar com um verdadeiro petista e chamá-lo de “petista” ele ficará bem feliz e lisonjeado. Eu acho que o elogio não me cabe, por isso não o aceito. E te acharei bastante imbecil por não saber a diferença entre um petista e um mero eleitor da Dilma. Eu sei a diferença entre um tucano e um mero eleitor do Serra, por exemplo. Ou o fato de você ter votado no Serra te transforma, automaticamente, em um tucano? Se você acha isso, está muito enganado.

As criaturinhas não perdem a oportunidade de nos chamar de “petistas” (como se fosse uma ofensa grave) só por declararmos voto à Dilma e combatermos o abuso e absurdo da manipulação do PSDB+Pig. Eu sei por quê. As pessoas gostam de criar rótulos e cada rótulo contém o título e uma descrição. Se te tascam um rótulo na testa, já automaticamente assumem que você se encaixa na descrição pré-concebida no rótulo.

Você vota na Dilma? É Petista! Acha que a Globo manipula? É Petista! Petista é quase que uma sub-espécie. Você deixa de ser humano e passa a ser meramente Petista. Então nada do que você diga é digno de crédito, afinal de contas, você é um Petista!  E se você é um petista – pensa a pessoa – eu não preciso me esforçar para pensar no que você diz e ver se faz sentido ou não. Simplesmente bloqueio tudo e não dou crédito, pois você é um petista.

Para mim isso é puro exercício de ignorância, de quem não admite que possa haver verdade em uma opinião contrária. Fecha os olhos, tapa os ouvidos e começa a cantar, bem alto: “lálálálálá-lá, você é petistaaaa, petistaaa”. Se você não votou na Dilma, e quando vê uma opinião contrária, já pensa: “é um petista!” Faça um favor à sua imagem pública: não externe esse tipo de pensamento.  Talvez no futuro você tenha a real noção do quão ignorante isso te faz parecer e se envergonhe. Melhor não deixar esse tipo de registro para a posteridade.


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PS: A maioria do pessoal que eu conheço e que militou na internet a favor de Dilma não é petista. Assim como eu, grande parte dessa militância só se engajou na campanha depois de se indignar com a postura agressiva e manipuladora da imprensa contra Dilma. Se a campanha da oposição tivesse sido mais educada e com menos participação do PIG, eu teria votado na Dilma de qualquer maneira (provavelmente, já que noPSDB eu jamais votaria, e após pesquisar suficientemente, não votaria na Marina), mas pelo menos não teria feito campanha, nem me esforçado para conseguir votos. A oposição deu tantos tiros no pé, desde o começo, que nem sei como ainda consegue andar.

PS2: Minha luta nessa eleição foi principalmente contra parcela golpista da imprensa, e sempre deixei isso muito claro. É a minha tônica neste blog.

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A semana bipolar de Veja

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Pelo visto a Veja realmente acreditava na “virada” de José Serra. A edição de sábado traz uma caricatura horrorosa e desrespeitosa de Lula, de cueca, com a faixa presidencial pintada no corpo. Essa edição é toda em tom golpista e manipulatório, é nela que encontra-se a indignante e tão comentada matéria sobre a qual escrevi há três posts. Segue a linha da edição anterior, a do grampo sem áudio (mais um para a coleção de Veja), e faz acusações e insinuações do começo ao fim. Com a eleição de Dilma, não teve como fugir de uma edição histórica, se rasgando em elogios à nossa presidente. As duas edições circulam simultaneamente esta semana. Veja perdeu a vergonha. Mas o que é perder a vergonha, para quem já perdeu a decência e a credibilidade?


PS: Dizem que entre a capa da direita e a capa da esquerda, a editora Abril teve muita vontade de publicar essa aqui: http://twitpic.com/32xyo5

PS2: Não reclamo. Se Veja resolver ser menos sensacionalista, menos tendenciosa e passar a falar a verdade e fazer jornalismo (ou seja, se acontecer um milagre), ficarei bem feliz. Meu problema, agora, são as duas edições em tons tão divergentes circulando ao mesmo tempo.

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Vencemos

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Vencemos o preconceito, vencemos as mentiras, a manipulação, o jogo baixo. Agora é tentar conscientizar os que votaram no Serra por repulsa à Dilma e que neste momento, aguardam o Apocalipse. Espero que um dia eles percebam que compraram uma ideia equivocada e aprendam a não ir na onda de boataria, como foram.

Dilma entra para a história como a primeira presidente eleita do Brasil. Essa mulher, que suportou a tortura e a prisão na ditadura, conseguiu suportar a tortura psicológica desses dias de campanha. Agora as pessoas que tiverem interesse e boa vontade, poderão conhecer a verdadeira Dilma, não aquela dos videozinhos toscos editados e retirados de seu contexto, disponíveis no youtube só para endossar o preconceito. Também não aquela das edições da Globo, que ora quer mostrá-la como poste anencéfalo, ora quer mostrá-la como descontrolada, grossa e autoritária.

Agora, quem se interessar, poderá descobrir uma Dilma extremamente inteligente, com um raciocínio lógico afiadíssimo, bem humorada, um pouco tímida, mas forte, segura e firme em suas opiniões, ao mesmo tempo educada. Durante esse período em que me dediquei a pesquisar sobre ela, descobri uma pessoa de personalidade tão rica, que me parece uma estupidez tremenda alguém analisá-la de uma forma tão reducionista. Tão reducionista quanto analisam Lula, e o chamam de analfabeto só por ele não ter curso superior e por usar linguagem coloquial. Quando alguém me diz que Dilma não sabe falar (ou que Lula não sabe falar, ou que ele é analfabeto), logo me lembro de diversos pronunciamentos e entrevistas impecáveis que já assisti com eles e imediatamente a impressão que eu tenho é que o cérebro da pessoa, aos meus olhos, começa a encolher, encolher, até transformar-se em uma ervilha.

Essa campanha me fez repensar diversas coisas, ainda estou analisando tudo o que aconteceu. Vi o pior lado de algumas pessoas, mas também descobri que existe muito mais gente que gosta de pensar fora da caixa, que tem prazer em pesquisar e raciocinar, muito mais do que eu achava que tivesse. E isso me deu uma alegria incomensurável, uma esperança à qual me agarro: a de que nem tudo está perdido e que uma imprensa mais justa e informativa é possível. Valeu, Dilma. A luta continua. Não vou mudar de assunto tão cedo. Quem não gosta, que tire ferias do blog. Tem uma galera bem bacana conversando, e é com eles que quero continuar a falar.

Obrigada, Deus, por ter nos permitido essa vitória sobre as forças malucas do pior lado da direita, que se uniu para apoiar Serra.


PS: Dilma deu a primeira entrevista para a Record!!! Valorizou quem esteve ao lado da verdade, mostrou que é justa. AMEI! Adeus, PIG, recolha-se à sua insignificância.

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