O menor dos animais domina o mundo

Escrevi esse texto para a Revista Paradoxo, em 2006. Depois de tudo o que vimos nos últimos meses, essa minha teoria se mostra bastante atual.

O menor dos animais domina o mundo

A culpa é do dedo opositor

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre
[09/03/2006]


Estou certa  de que o ser humano é um dos animais menos evoluídos do nosso planeta. Quando assistimos aos documentários sobre animais da selva na TV, nos impressionamos com a organização, senso de grupo, inteligência e  capacidade de comunicação daquelas criaturas. Até mesmo programas sobre a vida dos insetos embasbacam bípedes que se desdobram para fazer, em escala, metade do que aqueles pequeninos seres fazem em seu dia-a-dia.

Quando convivemos com gatos, cachorros, furões, peixes, cavalos, e coisas do gênero, nos surpreendemos ainda mais com eles. Nos entendem mais do que nós a eles, se comunicam, demonstram afeto, demonstram desagrado, conversam entre si e tentam entrar em contato com formas inferiores de vida [no caso, nós, os humanos]. Sempre superiores, compreendem nossa natureza cheia de falhas.

Os animais, em geral, são muito mais sérios e centrados do que o imbecil ser humano. São sensíveis, estão tão integrados à natureza que conseguem prever desastres naturais pela simples observação de alterações no ambiente.  Têm faro mais apurado, tato mais apurado, olfato mais apurado, instintos mais aflorados. O homem é o animal mais desprovido de recursos naturais, fisicamente frágil, sem garras, dentes, sem músculos fortes, sem sensibilidade, sem instintos decentes, com um cérebro duvidoso. Mas – você me pergunta- se eles são tão melhores assim, por que o homem é que domina o planeta? A resposta é: movimento de pinça, o único recurso que o homem realmente tem, e o que fez toda a diferença nos últimos milhares de anos.

Não estamos aqui, nesta posição, por conta de nossa inteligência, capacidade de pensar [quem convive com animais sabe que eles são muito mais capazes de pensar do que muita gente por aí] capacidade de comunicação, de senso histórico ou qualquer outra bobagem dessas que contam por aí. Não existe prova alguma que, por exemplo, um rinoceronte não tenha consciência de sua existência, assim como não há provas de que a vizinha do apartamento ao lado tenha.  Conhecemos pouco sobre os outros animais, portanto, alardear nossa superioridade sobre eles é, no mínimo, arrogante. Na verdade o único responsável por não estarmos acorrentados à casinha dos humanos sendo alimentados por cachorros é o movimento de pinça, o dedo opositor.

Apesar do nome, o dedo opositor não é, propriamente, da oposição. Ele não briga com os outros dedos, não se opõe ideologicamente, apenas faz oposição, digamos, geográfica, aos seus irmãos. A presença do polegar, fazendo oposição aos outros quatro dedos, possibilita ao homem pinçar objetos a seu bel-prazer, pressionando o polegar contra qualquer um dos outros dedos. Você jamais imaginou que um movimentozinho desses fosse assim tão importante, não é mesmo?

Por culpa do movimento de pinça, o homem conseguiu fabricar armas, caçar, costurar roupas, fazer fogo, fazer churrasco, construir aparelhos que suprissem suas outras fragilidades e o transformassem na espécie dominante do planeta. Tudo bem, se soubesse fazer as coisas direito. Mas, sendo a criatura mais despreparada do universo, aparentemente a única que se rebelou totalmente contra a natureza e seu criador, não é de se espantar que ele tenha feito uma bobagem atrás da outra, a ponto de maltratar outros bichos, desperdiçar recursos naturais, investir em guerras inúteis [sim, porque algumas são úteis], enxergando seus próprios irmãos como inimigos, fazendo sofrer a quem diz amar por um punhado de papel pintado, destruindo o planeta e sua própria vida, ignorando que o tempo passa, todo mundo morre e as traças, espertas, comem todo o papel pintado do mundo.

Li, certa vez, que o homem é o único animal capaz de modificar o meio em que vive, é o que o difere dos animais e prova sua inteligência superior. Balela. Primeiro, o homem só altera o meio por causa do movimento de pinça, conforme já expliquei, e é o que o difere dos animais. A causa, não a conseqüência. E isso só prova que ele realmente não raciocina muito bem. Os animais, muito mais inteligentes, sempre souberam que nunca houve a menor necessidade de que o meio fosse modificado. Estava tudo muito bem, até aparecer o macaquinho pelado com dedo opositor no pedaço.

Se o golfinho, por exemplo, tivesse nascido com pernas, braços e dedos com movimento de pinça seria, sem dúvida nenhuma, um bicho bastante estranho, mas muito provavelmente viveríamos em um mundo muito melhor.

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Aparências, aparências

cabelos

De vez em quando eu tenho uns desesperos por mudar a cor dos cabelos, ou para mudar o layout do blog. Passei cinco intermináveis anos sem tingir, nem colocar química alguma em meu cabelo e fiquei com cachinhos  castanho escuros lindos, brilhantes e felizes, mas baixou a Vanessa de novo e no início deste ano eu não só alisei como também fiquei loira. Lógico que achei lindo no começo, mas esquisitíssimo depois, até porque eu me esforço para ter esses impulsos de mulherzinha e hidratar, ir ao salão, etc. etc. mas isso rapidamente me enche o saco e eu prefiro fazer tudo em casa.

Felizes são vocês, homens, que se lavam o cabelo com sabão, secam feito trogloditas esfregando a toalha (não sei como não arrancam a cabeça fora, tamanhã violência) e conseguem ficar lindos, com as madeixas brilhantes e a aparência impecável. Eu profundamente gostaria de poder fazer isso (fora a parte de quase arrancar a cabeça com a toalha), mas se eu lavasse só com xampu, por exemplo, pareceria um cruzamento de Madame Min com uma vassoura de piaçava. Essa coisa de ficar loira detona o cabelo, o meu não cacheia mais (mesmo depois da porcaria progressiva, que o deixava esticadão, ter saído) e eu resolvi ficar ruiva.

Toda aquela coisa da campanha me deu uma avermelhada na cabeça e eu taquei a coisa mais rubra que encontrei pela frente, para esperar a vitória da Dilma. O problema é que desbota rápido e eu fico com cabelo de pobre. Prates me defenestraria, gritando: “hoje em dia qualquer miserável pinta o cabelo! É culpa desse governo que facilita o crédito”. Então, agora eu estou pensando em novas mudanças capilares. E de repente me deu horror daquele layout horroroso que eu estava usando e eu coloquei outro, mas estava escuro demais. Precisava de mais cor. Só que agora eu coloquei um laranjão mucho loco e eu gostaria de saber se alguém  se incomoda com essa cor. Vou pegar um tempinho e fazer um layout que me acalme por mais alguns meses, mas enquanto ele não fica pronto, será que dava para ficar com esse mesmo?


PS: Uma pausa para um post metalinguístico…hahaha…prometo que o blog agora volta à sua programação normal. Este foi praticamente um post-parêntese. Só espero que alguém me responda a respeito do cabeçalho-fanta e não me deixe falando sozinha neste lugar.

PS2: Para quem não teve o desprazer de ver o vídeo do Prates, o tiozinho limítrofe que foi expulso do hospício, não perca o post de amanhã, em que comentarei a respeito.

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De graça? Mas nem que me paguem!

Na sequência da série “Desespero de Veja”, recebo hoje um email oferecendo seis edições gratuitas de Veja. Assim é fácil manter tiragem-monstro, não é, não? Porque eles fazem isso há anos! Há alguns anos eu fiz um cadastro para recebimento de revista Veja e Caras aqui em casa, na casa da minha mãe e na casa do meu sogro (deixemos os detalhes da motivação para depois…hahahaha… foi uma fase “eu quero quinquilharias digrátis”, felizmente já superada).

Era uma promoção de recebimento de revistas sem necessidade de colocar dados bancários ou número de documento. Essa é a promoção, a de receber a revista sem necessidade de dados. O recebimento de revistas sem pagamento, mas com fornecimento de CPF é comum, não é promoção, você encontra isso em qualquer época do ano.  Daí a minha teoria de que a Abril tira seu lucro de outra fonte que não as revistas. A última informação que eu tive falava de 50.000 assinaturas gratuitas!! Depois da notícia da compra de assinaturas e revistas encalhadas pelo governo de São Paulo, minha teoria começou a fazer sentido. Então eles precisam distribuir a revista, para que ela seja lida. Dinheiro não é o foco aqui, só o dos anunciantes (já que a revista tem um número estratosférico de páginas de anúncio).

A qualidade jornalística de Veja é pífia. E isso não apenas nas reportagens sobre política, mas é muito raro encontrar uma reportagem decente, bem escrita, pesquisada, sem manipulação, sem distorções. Depois de encontrar reportagens toscamente argumentadas em praticamente todos os assuntos da revista, eu passei a desconfiar de todas as reportagens. E nos assuntos que eu não domino? Será que não estão querendo manipular minha opinião, também? A julgar pelo meu último post, estão. Nas palavras deles mesmos, estão.

A propósito, olha o Aecinho com chifrinho na capa, como salvador da Veja do PSDB:

PS: Isso já foi assunto em julho, no blog do PHA, clique aqui para ler.