O gatinho no colo

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O gatinho no colo me adormece a perna. Não consigo me mover sem dor, então não me movo. Ele respira, suspira, mergulha no profundo e curto sono que somente os gatos sabem sonhar. Meu pé formigando embaixo de sua barriga e ele aprofunda-se ainda mais em seu sonho macio, como se quanto mais incomodada eu estivesse, mais satisfeito ele ficasse, ou como se quanto mais incomodada eu estivesse, mais tranquilo ele aparentasse, para equilibrar aquela equação.

Gatinho esconde a cabeça em meu braço, alheio ao barulho de meus dedos no teclado. Gatinho respira profundamente, ronca, anestesiado, como minhas pernas, que nada sentem mais. Aninhado em meu colo, aquele gato enorme transforma-se novamente em um gatinho pequeno, filhote, minúsculo, indefeso, alheio ao mundo, concentrado em sua fofura nata, incontrolável, inconsciente. Gatinho é um potinho de amor derretendo-se em meu colo, tranquilo por simplesmente ter minha presença.

Meu colo desliga o gatinho, que se transporta para outra dimensão, enquanto ronca, em plena segurança de que ali ninguém o incomodará, nenhum mal jamais o alcançará. Gatinho busca sempre minhas pernas, meu colo, meus braços, busca se apoiar em um pedacinho que seja de mim para dormir em paz e para me transmitir sua paz contagiosa, contagiante, e me derreter ao se derreter em mim. O gatinho no colo é uma de suas muitas formas de dizer que me ama.

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