Uma grande mudança

Quando planejei o período de férias do blog, ainda não sabia o estava por vir. Infelizmente não poderei contar em detalhes, mas farei o possível para mantê-los informados. Fiz a pausa porque estava no propósito do Jejum de Daniel, no qual passamos 21 dias buscando a Deus, meditando em passagens bíblicas, nos envolvendo com as coisas de Deus e nos abstendo de internet, televisão, jornais, revistas e notícias seculares, para priorizar o crescimento espiritual. É claro que por causa do trabalho eu tinha que checar emails, fazer uma ou outra atualização, mas deixei posts antigos agendados para publicação automática no Lampertop.

Essa pausa foi muito importante para arejar minha cabeça, até porque eu havia acabado de sair de um trabalho em uma empresa que quase me levou ao Burnout. E se eu não cuidar, mergulho na internet em um caminho sem volta, já que minha mente é extremamente ativa e rápida e quer absorver toda a informação do universo de uma só vez. Receita para ansiedade. Por isso eu precisava do Espírito Santo, para renovar minhas forças…e esse propósito veio na hora certa.

Durante os 21 dias de Jejum perguntei a Deus o que Ele queria que eu entregasse, o que me faltava sacrificar? A resposta veio rápida, como uma certeza dentro de mim: “a sua vida”. Mas como? Eu não havia entregado a minha vida? Se Ele estava pedindo, provavelmente não. Então as últimas semanas eu tirei para fazer essa entrega total, me despojando de tudo para ficar à disposição de Deus. Não sabia que seria literal.

Para muitos essas coisas  podem não fazer o menor sentido. Eu realmente não estou minimamente preocupada com isso, já que essa é a realidade em que eu vivo e o fato de você não compreendê-la não significa que ela não seja válida.

Semana passada a vida mudou, e quanto a isso ainda não entrarei em grandes detalhes ou este post ficará gigantesco. O engraçado é que começamos o ano determinando que e 2011 haveria uma grande mudança em nossa vida…hahahahahahaha…Deus tem senso de humor. No final da semana passada recebi um convite irrecusável. Não por causa do salário, mas por causa da oportunidade. Sim, um convite. Eu não pedi, ninguém sabia que eu não estava trabalhando, nem que eu queria voltar a trabalhar como escritora. Só Deus sabia.

O convite foi feito na quinta e recebi a confirmação na sexta…começaria já na segunda. Nenhum tempo de avisar ninguém. Correria total para arrumar as coisas e estar às 7h30 dentro de um avião rumo a São Paulo, definitivamente. O Davison continua em Porto Alegre organizando as coisas para a mudança (jogando fora as bagunças…risos…e arrumando o que efetivamente será transportado). Eu passei os últimos dias alucinada, às voltas com papelada para contratação e buscando um apartamento de dois dormitórios para alugar, que seja próximo de metrô.

Só falta encontrar o bendito apartamento, telar as janelas e o Davison envia os gatinhos assim que concluírem o tratamento da última crise de rino (chegando o inverno em Porto Alegre o povinho já começa a espirração). Agora começo a receber mensagens de amigos chateados porque não foram avisados. Não consegui avisar ninguém! Não deu tempo, falei com pouquíssimas pessoas, só as que encontrei pelo caminho, mesmo. E olhe lá!

Hoje é feriado e teve quem me convidasse para passear, para que eu não ficasse sozinha. Que fofas! Não sei se são as pessoas com quem estou convivendo, mas achei São Paulo uma cidade muito calorosa. O pessoal da redação me recebeu muito bem. Hoje eu pedi para ficar em casa para tentar escrever a quem me pediu detalhes do ocorrido, para acalmar o pessoal que ficou em Porto Alegre e também para atualizar meus perfis e meus sites, pois isso era algo que estava me incomodando e possivelmente não conseguirei fazer tudo hoje, até porque quero começar a trabalhar no projeto para o qual me chamaram, fazendo um esboço do que pretendo desenvolver, e já escrevendo as primeiras páginas.

Outra coisa legal de São Paulo é o espaço. É uma cidade espaçosa, espalhada…tem muito mais a ver comigo. Sem contar que hoje é feriado, mas as lojas abrem!!! O único supermercado 24 horas de Porto Alegre (que já fechou, by the way) fechava no feriado, o que era muito nonsense.

Só me falta descobrir onde ficam as coisas e como faço para chegar até elas…risos…mas eu me divirto com essa coisa exploratória, desbravando as matas inexistentes desta cidade. Meus dias têm sido incrivelmente neuróbicos…terminarei o ano com dez vezes mais neurônios do que eu tinha ao chegar.

Por enquanto é isso, pessoal…com o passar dos dias escreverei sobre São Paulo, nos intervalos do meu trabalho (se eu conseguir fazer algum intervalo…risos…).


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Em letras garrafais

Aproveitando as férias do Lampertop e a sensação de que enquanto estou agendando publicações futuras ninguém está lendo, ressuscito um texto de Josephine (retirado do Save The Planctons) do qual eu particularmente gosto muito…eu, particularmente, já que mais ninguém demonstrou algum apreço por tal texto… o pior é que apesar de meus esforços contínuos para ser uma pessoa mais organizada, minhas roupas continuam a ser acondicionadas em garrafas hermeticamente fechadas…ou ao menos é o que parece…

Sábado, Março 27, 2004

Em Letras Garrafais

Como todo Lunático, Edmund é extremamente organizado. As roupas são todas numeradas, para facilitar a identificação e as gavetas todas têm etiquetas com seu conteúdo esmiuçado.

Eu não sou lunática, mas também sou organizadíssima. A meu modo, é claro. No meu guarda-roupa as roupas ficam todas guardadas dentro de garrafas de diferentes cores. Quando alguém me encontra na rua e pergunta se a blusa que estou vestindo foi retirada de alguma garrafa, respondo sempre com a verdade.

Isso aconteceu hoje, uma amiga perguntou, ao me ver com a blusa vermelha ligeiramente amarrotada (na opinião dela): “Josephine! De qual garrafa você tirou essa blusa???” Sem entender exatamente o porquê de ela querer tal informação, respondi: “Terceira garrafa à esquerda, na segunda gaveta, de cima para baixo”.

Pode não parecer muito prático, mas esse sistema das garrafas poupa bastante espaço no guarda-roupa e estudo usá-lo para a organização de outros lugares, como por exemplo a mesa do computador.

Colocar todos os textos impressos que quase me impedem de conseguir ler algo no monitor neste momento em garrafas pode dificultar um pouco na hora de retirá-los, mas certamente manteria minha sala mais…digamos, respirável.

Penso que poderiam ser feitas garrafas um pouco maiores para nos poupar de outros tipos de superlotação. Engarrafar pessoas em um show, por exemplo, seria bastante útil para aumentar o espaço real. “Trânsito engarrafado” teria novo significado se esse sistema fosse posto em prática.

Poderiam ser feitas garrafas em novos formatos, como por exemplo, garrafas horizontais, para poupar espaço vertical. Poderia engarrafar Edmund, ele é muito alto e ocupa muito espaço vertical, que poderia ser usado para pendurar coisas importantes no teto.

Porém a idéia de ter um namorado engarrafado, parafraseando Edmund, “não me proporciona encanto”. Apesar de ele ter de andar abaixado, quase encurvado, no supermercado porque algum baixinho resolveu montar aqueles imensos ovos de páscoa sobre as nossas cabeças, as desvantagens de ter um namorado engarrafado superam quaisquer vantagens que eu possa visualizar.

Eu sei, engarrafar namorado não tem nada a ver com usar garrafas para organizar o guarda-roupa, mas de uma certa forma usamos garrafas para organizar a sociedade. Crescemos engarrafados e gostamos de engarrafar pessoas e tascar-lhes um belo rótulo.

Sair da garrafa, antes de um ato de baderna, é um ato libertário (embora seja recebido como ato de baderna, em primeira instância). Talvez- e só talvez- manter a bagunça sobre a mesa do computador e dentro do meu guarda-roupa, sem garrafa, sem caixa, sem nada, seja uma forma de liberdade não aceita pela sociedade.

Por que devemos guardar as coisas em gavetas? Eu sempre encontro as coisas quando elas não estão guardadas, e sempre as perco quando estão. Querem nos fazer acreditar que perderemos aquilo que deixarmos fora das caixas, gavetas e garrafas enquanto sabemos que é bem o contrário. Por que nos dobramos a isso então? Por que dobramos?

Por que dobramos as roupas nas gavetas? Por que simplesmente não as deixamos emboladas, como elas gostam de ficar, naturalmente?

Tento trazer esses questionamentos ao Edmund há pelo menos seis meses, mas não tem surtido efeito algum. Ele ainda dobra, meticulosamente, peça por peça e guarda tudo em gavetas.

Eu ando espalhada, fora minhas garrafas de roupas no armário. Por dentro sou assim, não sou uma pessoa dobrada. Alguém me disse que nosso armário revela quem somos por dentro. Seria preocupante, se eu já não soubesse.

Gavetas

Já que estou ressuscitando posts (férias no Lampertop abrem pretexto para Vanessa publicar “pedacinhos de mim”), ressuscito um que pulou de blog em blog…desde que recolhi as cositas da Josephine do Diário e realoquei no Save The Planctons...post de 2004…mas como estou em um momento de faxina (foi bom para ver que melhorei…minha bagunça agora está mais seletiva…consegui aprender a jogar fora algumas coisas obviamente inúteis…bem, depois de SETE ANOS era o mínimo a se aprender…)

Outra coisa: os posts de Josephine têm todo um contexto, que acabou se perdendo quando a anta aqui resolveu retirá-la do Diário acreditando que assim Edmund voltaria a escrever. Se eu soubesse que o Diário ficaria abandonado, teria permanecido por lá, ainda cantando: “tá dominado, tá tudo dominado…”

Terça-feira, Setembro 07, 2004

Gavetas

Andei fazendo uma limpeza nas gavetas de casa e me impressionei com a quantidade de quinquilharias que guardo. Não falo apenas dos cartuchos vazios da impressora ou das canetas bic e grampos de cabelo, porque isso todo mundo guarda, acho.

Mas encontrei embalagens blister de produtos do tipo lixas de unha, a caixa do mouse, dezenas de etiquetas recortadas das roupas (eu detesto etiquetas), lacinhos e florzinhas recortados das roupas de baixo (por que eles insistem em costurar aquelas coisinhas inúteis nas calcinhas e sutiãs?) e uma infinidade de papeizinhos e folhetos sem utilidade alguma.

Prometi a mim mesma nunca mais pegar um mísero folheto na rua, nem em consultórios médicos, lojas de celular, nada, nada, nada! Tinha um folheto explicativo, altamente elucidativo, sobre o tratamento da asma com um determinado medicamento. Ocorre que não tenho asma. Nem eu, nem Edmund, nem ninguém que more comigo. Por que raios peguei aquele folheto no consultório médico? Ou pior, por que eu o guardei por mais de seis meses na gaveta? Não me pergunte, não faço idéia.

Talvez seja reflexo de nossa vida enlouquecida, cada vez mais maluca e corrida, que nos impede de ter papeizinhos realmente úteis para guardar, como uma carta de amor, um bilhete apaixonado, um cartão de agradecimento, um pedido de desculpas escrito em um guardanapo…

Tudo reflete a carência afetiva da nossa sociedade. O folheto do consultório, na verdade, era uma carta de declaração de amor do medicamento a mim, prometendo me livrar de uma crise asmática, caso eu tivesse uma. Talvez meu subconsciente tenha visto assim “alguém se importa comigo”.

Cada folder, cada cartãozinho, cada jornal de ofertas de supermercado deixado na caixa de correio, representa o trabalho de diversas pessoas e eu simplesmente não me sinto à vontade para jogar todo esse trabalho, suor, investimento humano e financeiro no lixo. Mantenho na gaveta por algum tempo, até que fique obsoleto, mas antes de se tornar uma peça com valor histórico. Então jogo fora.

Peças com valor histórico não podem ser jogadas fora, portanto tenho que revirar todas as gavetas antes que seja tarde demais e eu tenha que guardar aquela notinha da compra de um refrigerante no supermercado, datada de cinco anos atrás.

É uma tarefa árdua. Mexer nas gavetas é como mexer em mim mesma, lá no fundo da alma, nas coisas que guardo, lembranças, sentimentos, momentos passados. De vez em quando devemos fazer isso. Jogar fora os papeizinhos e etiquetas acumulados, guardar só o estritamente necessário e deixar espaço para coisas novas.

Estou profunda hoje. É, talvez este texto nem caiba aqui, mas se eu não colocar este texto aqui hoje, possivelmente amanhã existirá uma multidão reunida na porta deste blog, protestando como a Marguerita (dona Pizza )…ops, Margarita :) nos comentários do post anterior, ” Post Novo Já!!”

Pretensão de Josephine. Realmente gostaria de acreditar que alguém sente minha falta neste blog. Alguns leitores, porém, têm me escrito indignados com minha falta de amor próprio, por eu achar que só Edmund é importante. Mas é que este blog é dele e tem se falado mais em Josephine do que em Edmund. Entretanto, agradeço. Suas opiniões tem feito diferença para mim.

Ainda faltam duas gavetas. Preferi escrever antes já sabendo que ia ser um texto pseudo-profundo. Se esperasse mais uma gaveta, ficaria insuportável, filosofando sobre as gavetas da alma, sobre as etiquetas da vida e os cartões vencidos de nossa existência breve.

Edmund conseguiu convencer o Cabide a esperar mais uns seis meses antes de se mudar para o meu apartamento. Acho que isso quer dizer alguma coisa. Edmund diz que isso quer dizer que o Cabide vai pensar mais um pouco. Para quem não se lembra, o Cabide e o Criado-Mudo de Edmund não se dão nada bem. O Cabide é um lorde, educado, polido, e o Criado-Mudo é arrogante, mal-educado e irônico, sempre acabam discutindo. Há algum tempo tiveram uma discussão feia e o Cabide ameaçou mudar-se para a minha casa. Agora, mais calmo, concordou em pensar mais um pouco.

Devo salientar que ainda não consegui fazer com que falem comigo. Esses móveis só se comunicam com Edmund, ele diz que eles são tímidos na presença dos outros, mas aos poucos o Cabide está se sentindo mais à vontade perto de mim, é um avanço.
No começo o Criado-Mudo não ia com a minha cara, mas eu sei que no fundo, no fundo, ele é legal. Talvez lá bem no fundo de sua gaveta, talvez se eu vasculhasse as coisas que ele guarda, me surpreenderia positivamente. Quem sabe um dia ele se abra para mim?

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Comentários deste post:

“É eu as vezes acho cada coisa no mu guarda roupa! Nas gavetas ja achei coisas tão velhas quuanto eu! Hehehehhehe, é engraçado.”
Alencar 09.08.04 – 1:31 am

“Minha amiga sente dó quando passo pelas pessoas na rua e recuso seus panfletos. Vou fazer o que com papeizinhos de dentistas oferecendo extrações a 10,00, restaurações a 7,00, ou bidus como “Mãe Dinah fala sobre seu futuro, fazemos amarrações”, etc. Melhor jogar e não se prender a nada.
Parabéns pelo blog!”
CARLA 09.09.04 – 12:19 am

“Olá senhora Butterfly! Quanto tempo! Ainda com o grande Edmund? É bom ver vcs junots (mas vcs n tinham terminado?)… Mundo estranho.
M16 09.09.04 – 11:11 am

“eu kero o criado mudo, gostei dele, parece muito com meu armário, já o cabide, este se parece com a quina da cama que eu insisto em dar joelhadas e ela pede “desculpas”…. Tah tah, eu vou trabalhar, eu sei, tenho que dormir… aiai…. fuies”
Faboides 09.10.04 – 12:56 pm

“Ei, eu sou um drink, não uma pizza! :)
Obrigada pelo post, Josephine, agora posso sobreviver mais algumas semanas sem crise de abstinência lunática. Ah, e posso me sentir uma pessoa organizada, também… ”
MargariTa 😉 09.15.04 – 2:22 pm

“Sabe que já se passaram-se bem mais de uma semana?? Escreva por favor! ”
aryadne

PS: Os donos deste blog não se responsabilizam pelos comentários deixados pelos leitores, como os transcritos acima

Sem descanso

Ressuscitando mais um texto esquecido da extinta coluna Sala de Estar, na Revista Paradoxo…
Sem descanso

A vida secreta das palavras

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre
[30/08/2007]

Somos torturadores de palavras. A palavrinha está lá, na dela, bem feliz e de repente alguém resolve colocá-la em um contexto estapafúrdio para que ela se torne ainda mais estapafúrdia que a própria palavra “estapafúrdio”. Temos o poder de transformar as palavras em qualquer coisa que quisermos, dependendo de como resolvemos usá-las e isso deve apavorar as coitadas.

Aliás, retiro o que disse. Nenhuma palavrinha pode estar na dela, feliz e saltitante, isso é impossível. As palavras vivem em constante estado de tensão, pois raramente são bem utilizadas. Sabem do poder do ser humano (aquele monstro) sobre elas e estão sempre de sobreaviso, apavoradas, não esperando menos do que o pior. Há quem diga que palavras são esperançosas. Não são. Elas se reinventam para renovar o disfarce, só isso. Mas vivem sempre assustadinhas, sem motivo aparente, antevendo o que nem existe.

Como a gatinha da minha mãe, a Lili. Nunca esteve na rua, nunca foi ameaçada, nunca foi maltratada, mas se esgueira pelos cantos, neurótica, esperando um ataque que nunca virá. Lili é uma palavrinha felina. A outra gatinha, Bianca, vive brincando e aproveitando a vida, descobrindo novas coisas dentro de casa há cinco anos. Se enrosca nos fios do computador e se diverte quando eu ou minha mãe chamamos sua atenção, sai correndo, se engalfinha em um ratinho de brinquedo no meio da sala e vive em um grande playground interessante, até cansar e dormir, em cima da cama, enquanto a Lili, na varanda, mia dramaticamente chamando a Bianca, que a ignora, sabendo que não é para tanto.

Lili vive em um constante stress. Palavras são estressadas. Minha mãe levantou a hipótese de ela ter desenvolvido um problema de visão e se assustar porque vê tudo distorcido. Campo Grande é uma cidade desprovida de oftalmologista veterinário, portanto, só saberemos o dia em que a Lili, rica e famosa, resolver viajar para uma consulta no Rio de Janeiro.

Talvez as palavras não enxerguem bem em seu estado normal, precisam ser guiadas, pois vêem borrões distorcidos (um borrão distorcido é um troço bem borrado mesmo). Devem ser tratadas com carinho e paciência e devidamente orientadas pelos caminhos mais seguros. Palavras são tão sensíveis, delicadas, frágeis e expostas quanto gatos. Infelizmente, é impossível castrá-las e não dar acesso à rua. Se telássemos as janelas e não deixássemos as palavras na rua precisaríamos delas na saída, dos gatos não precisamos lá fora. E as palavras, mesmo assustadas, precisam sair e encontrar outras palavras, os gatos só saem por curiosidade, vivem bem felizes dentro de casa.

E palavras nunca morrem. Um gato na rua pode ser atropelado, envenenado, torturado, maltratado, atacado, e nunca voltará. Uma palavra na rua pode ser atropelada, envenenada, torturada, maltratada, atacada e continuará, higlander, sua jornada milenar e sem descanso, esgueirando-se pelos becos ou sem esperança, sem alma, em bocas rasas, ou mesmo escondida, nas entrelinhas. Entrelinhas são submundos das palavras, sociedade paralela na qual palavrinhas sujas e esfarrapadas reúnem-se em redor de fogueiras, esquentando nojentas salsichas, cercadas de cinza e sombras. Não há luz solar nas entrelinhas, e vive-se reptilianamente, trogloditando pelos dias. Vida difícil.

Aprendendo a dirigir VII – A batalha final

Como os arquivos da minha extinta coluna na Revista Paradoxo desapareceram após remodelagem do site, aproveito o período de férias do Lampertop para agendar a publicação desta saga aqui…espero que ajude outras pessoas que estejam passando por situações parecidas…

Aprendendo a dirigir VII

A batalha final

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre
[22/06/2007]

Hoje era um daqueles dias em que tudo estava programado para dar errado, e se eu acreditasse nisso, teria dado, mesmo. Não consegui dormir cedo, tive aula às sete da manhã e consegui apenas três horas de sono. Fiz aula no mesmo lugar do exame, Intercap, ontem e hoje, o que foi muito importante para que eu me familiarizasse mais com as ruazinhas apertadinhas, todas iguais. Confesso que não estava muito confiante, não havia a menor razão para acreditar que eu passaria, exceto o fato de eu saber dirigir direitinho. O problema é que o exame prático não avalia se você sabe dirigir, se é um motorista prudente, se tem condições de ir para o trânsito, a única coisa que o exame, do jeito que é feito, com examinadores despreparados e regrinhas burras avalia é seu estado emocional no momento da prova. Se você estiver nervoso, reprova, se estiver calmo, passa, não importa o quanto dirija.

Eu realmente não acreditava que, naquele estado de nervos, teria algum resultado positivo. Cheguei em casa e dormi até o almoço, ignorando a outra aula que me tomaria toda a manhã. Ao invés de descansar, acordei exausta, pois tive os pesadelos mais horrorosos envolvendo trânsito. Sonhei, inclusive, que dirigia um ônibus estranho, e estava sentada em um banco ao lado do banco do motorista. Nem conto os malabarismos que tive de fazer para alcançar o freio e a embreagem, quando percebi que era eu a única motorista da coisa. Sonhei que havia sido multada pela Polícia Militar durante o exame, de madrugada, na chuva. Sonhei com conversões à esquerda, com mudanças de marcha, com baliza, com conversões à direita, com todos os erros e acidentes possíveis e imagináveis.

Acordei com o coração disparado como se toda aquela confusão onírica fosse real, então resolvi respirar fundo, tentar me acalmar, conversei com Deus, pedi para Ele preparar tudo direitinho e fazer o que fosse melhor para mim. Comi uma pizza feita pelo meu marido, comemoramos três anos de casamento, eu queria muito a carteira de motorista como presente nesta data especial, o que aumentava ainda mais a ansiedade.

Quando cheguei à auto-escola, todo mundo já havia ido para o exame – é um sinal – pensei, e já estava remarcando meu teste para a semana seguinte quando um garoto entrou dizendo que o Fernando, outro instrutor, combinara voltar para buscá-lo. Resolvi ir junto, e enquanto esperávamos, conversei com o rapaz. Ele estava muito, muito nervoso, era seu quarto teste. Finalmente, nossa carona chegou, o Fernando ficou na auto-escola esperando uma aluna retardatária e outro instrutor, o Diego, nos levou. Ele me contou, no carro, que o examinador era…o Adriano!

Para quem não se lembra, o Adriano é o examinador que não me deixou fazer o exame por meu nome estar abreviado, história contada no texto “Aprendendo a dirigir V”. Ao chegar, constatei que ele estava certo, era a mesma criatura com quem eu me desentendera há três semanas. O Claudio disse que eu poderia escolher outro examinador, pois já conversara com ele a respeito. Duvidando que ele pudesse ser profissional na avaliação, eu realmente estava entre fazer o exame semana que vem ou arriscar outro examinador. Encontrei colegas repetentes de testes passados, e todos reprovaram novamente, um a um. O garoto que veio comigo, que estava extremamente nervoso, passou. Ele disse que quando colocou na cabeça que se não desse, não teria problema, faria dez vezes até conseguir, se tranqüilizou. Eis aí todo o segredo.

Ouvi algumas pessoas reclamando de instrutores, dizendo que trocariam de instrutor, que tantos alunos de fulano passaram, tantos de beltrano reprovaram, e tive de interferir. Uma das coisas que aprendi nos desastrosos exames anteriores é: você pode ter o melhor instrutor do mundo, se não conseguir controlar seu estado emocional na hora do teste, não adianta nada. O trabalho do instrutor é importante para que você aprenda a dirigir direitinho, com confiança, sem medo. Ao chegar no teste, você deve estar tecnicamente preparado, ou não estaria lá. O trabalho do instrutor já terminou, ele não tem responsabilidade alguma a partir dali. Quem tem de trabalhar, então, é você. Se passar, é mérito seu, se reprovar, também.

O único profissional que realmente pode atrapalhar um exame é o examinador, que tem o poder de te tranqüilizar ou de te deixar mais nervoso durante o teste. Por isso ele deve ser inteligente, ter discernimento, domínio próprio e deixar a arrogância em casa, se a possuir. Felizmente ainda existem alguns (poucos) assim, que sabem o que realmente devem avaliar, levando sempre em consideração o fato de a criatura estar naturalmente apavorada.

Fiquei por último. Felizmente, peguei um examinador simpático, jovem, que fez questão de que eu ficasse tranquila, não foi nada arrogante e pelo menos se esforçou em não me deixar mais nervosa do que eu já estava. Eu estava certa de que erraria coisas ridículas, porque estava ansiosa. Fiz a baliza direitinho, até porque eu sou a miss baliza, acho que ninguém nunca fez tanta baliza quanto eu, em toda a Via Láctea. Mas, como Murphy sabe, sempre havia a possibilidade de dar uma zebra, e eu estava preparada. Depois, a garagem, também certinho, o examinador entrou no carro e eu disse, aliviada: “bem, sobrevivemos à baliza”.

Fiz 90% da prova em primeira e segunda, colocando a terceira apenas uma vez. Indo mais devagar, dava para controlar o nervosismo e fazer o que eu sabia fazer. A maior dificuldade no Intercap é a falta de sinalização horizontal nas ruas (para quem fugiu das aulas teóricas, sinalização horizontal é aquela feita com tinta na via, para separar as pistas, para marcar travessia de pedestres, etc.), temos de adivinhar onde acaba uma pista e começa a outra, quais ruas são mão única e quais são de mão dupla (sim, muitas daquelas ruazinhas apertadinhas têm dois sentidos!), e, como diria o Padre Quevedo, faixa de pedestres ali é algo que “non ecziste”.

O examinador conversou comigo bem tranqüilo, sobre um cachorro que latira, sobre o fato de morar em Canoas, claramente para que eu relaxasse, e funcionou. Andamos bastante ali por dentro (ou não, porque tudo sempre parece interminável quando estamos nervosos), e eu realmente achei que havia reprovado por algum motivo desconhecido e que ele, para não me deixar nervosa, evitou comentar antes do término do exame. Tomei o cuidado de repetir em voz alta o lado para o qual ele me mandara virar, e dar o sinal assim que ele avisava. Felizmente dar sinal e parar em placa de Pare e em final de rua já é automático para mim. Não passei na frente de ninguém, não há tempo máximo para o percurso, não há necessidade de apressar nada.

Quando avistei a praça e ele me mandou estacionar, gelei. Parei o carro e ele disse, sorrindo: “como tu disseste, sobrevivemos”. “Espero que sim” – respondi. Descemos do carro e ele me perguntou se achei que tinha errado, fui sincera e disse que eu poderia ter feito melhor. Ele me parabenizou por ter passado no teste e ainda completou, para o Claudio “Ela dirige tri bem”. Para quem não está familiarizado, dizer que alguém faz algo “tri bem” aqui em Porto Alegre é um grande elogio. Fiquei feliz, agradeci ao Claudio, que disse que o mérito era todo meu. Não é, eu sei. De ter passado, pode ser, mas sem ele eu jamais teria chegado até aqui. Ele acreditou em mim mais até do que eu, e minha vitória não deixa de ser dele, também. Depois, não comemorei demais em solidariedade aos colegas que reprovaram. Eu sei o quanto é frustrante não conseguir passar no exame, e uma criatura saltitante ao lado não deve ajudar muito.

Chegando em casa, contei, com muito suspense, ao Davison, e ele ficou eufórico com a notícia, ele me apoiou muito, e eu também não teria conseguido sem ele. A melhor coisa do dia foi poder dar de presente de aniversário de casamento ao meu marido a notícia da minha aprovação, pela qual ele tanto torceu. Depois, contei para a minha mãe, que também esperava a novidade. Escolhi dividir a alegria com as três pessoas que mais me apoiaram, antes de vir aqui, dividir com vocês, que tanta força me deram, por e-mail, pelos comentários aqui na coluna, ou por meu blog pessoal. Foram três tentativas, e até as frustrantes reprovações serviram para que eu aprendesse um bocado. Vale a pena enfrentar os medos, valeu a pena ter feito aulas antes dos exames, valeu a pena até o super pesadelo que tive. Ainda que pareça que nada vai dar certo, alguma hora as coisas começam a entrar nos eixos, e descobrimos que tudo muito é mais simples do que parece quando paramos de nos boicotar.

Aprendendo a dirigir VI – O examinador vive

Como os arquivos da minha extinta coluna na Revista Paradoxo desapareceram após remodelagem do site, aproveito o período de férias do Lampertop para agendar a publicação desta saga aqui…espero que ajude outras pessoas que estejam passando por situações parecidas…
Aprendendo a dirigir VI

O examinador vive

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre
[09/06/2007]

Reprovar pela segunda vez no exame de direção é uma prova a mais, após o teste de direção, testa-se a auto-estima, o autocontrole, a paciência. Pensemos pelo lado positivo, pelo menos eu não morri na baliza. A baliza foi até bastante agradável, por sinal, tudo direitinho, no tempo, com luz do sol e clima fresco. Logo antes do exame, que começou ligeiramente atrasado, um examinador fez a mesma palestra do da semana passada, porém, ao contrário do outro, não pareceu simpático ou amigo, mas impaciente. Perguntou, por obrigação, se alguém tinha alguma dúvida. Infelizmente, algumas pessoas tinham. Na hora de responder, visivelmente contrariado, ele incluía um irritado “é fácil, é super fácil” entre as frases. Pelo menos descobri que a tal fundação que aplica dos exames do Detran, substituindo a Fundatec é a Fundae.

Enfim, como dizem os gaúchos, eu “rodei”. Claro que a reação natural é buscar culpados e eu poderia apontar dedos para o examinador, para o fato de ele ter ensaiado encrencar com o nome novamente, no início, para meu nervosismo desde a hora em que ele reclamou do sobrenome abreviado, crescente durante o trajeto, pois conforme eu errava, ele se impacientava.

Porém, minha tendência ao perfeccionismo suicida faz com que eu tente apontar todos os dedos para mim, porque não consegui manter a calma e tive uma seqüência de emburrecimento, algo bem semelhante ao que acontecia durante minhas aulas na outra auto-escola e que relatei na crônica Aprendendo a dirigir, de novembro de 2005.

Tive raiva de mim, vontade de desistir para me punir, como a mãe que tira a televisão do filho desobediente. Não errei por não saber, errei por nervosismo e isso é imperdoável para alguém que preza tanto o domínio próprio. No entanto, após raciocinar, me dei conta de que a culpa não é apenas de um indivíduo, mas de uma série de fatores, todos já citados acima, com seus graus de importância. A conseqüência de uma ação depende da própria ação e de nossa reação a ela. São dois fatores causais.

Enxerguei diante de mim duas opções: ou me desespero e bato a cabeça em um tronco de árvore ou me conformo com o resultado, imaginando que tudo tem uma razão de ser. “Em tudo dai graças”, ensina o apóstolo Paulo em ITessalonicenses 5:18 É difícil dar graças em uma circunstância que nos traz tanta frustração, mas acredito que aí esteja a maior lição a se tirar de uma situação dessas. Saber que não temos o controle, que nem tudo está em nossas mãos e que devemos aproveitar as adversidades para nosso crescimento.

Fiz uma lista mental de tudo o que me atrapalhou durante o percurso, para trabalhar nisso até o próximo exame, no dia 21. Tenho de aprender a não ficar tão esquentada caso alguém encrenque com uma coisa burra como “não é permitido abreviar o sobrenome”. É óbvio, racionalmente, que essa proibição se aplica apenas aos nomes que, por extenso, cabem no campo destinado a esse fim no sistema do Detran, logo, que apenas os portadores desses nomes sejam incomodados. Quem tem dois nomes e quatro sobrenomes longos não tem outra alternativa, portanto, deve ser deixado em paz para evitar stress e nervosismo desnecessários.

Porém, conforme o examinador Adriano deixou bem claro na semana passada, funcionários são proibidos de pensar, então, como bons robozinhos, jamais entenderão um raciocínio de tamanha complexidade. Tenho de aprender a ter paciência e não me abalar com esse tipo de coisa, também devo exercitar a calma e me livrar do trauma do antigo instrutor estressado e, mesmo se pegar um examinador da mesma espécie, manter minha tranqüilidade e dirigir como sei dirigir, não como um polvo descoordenado. E, caso ele enfie o pé no freio quando achar que eu não conseguiria fazer a conversão na frente de um monza caindo aos pedaços que vem na via onde quero entrar, não preciso tomar um susto tão horrendo a ponto de achar que o coração saiu pelo ouvido esquerdo e se enfiou em uma boca-de-lobo para se esconder. Depois disso, com as pernas tremendo, fiz todos os erros que poderia fazer e também os que não poderia. Foi bom, pensemos pelo lado positivo, esgotei minha cota de erros e não os tenho mais para gastar no dia 21, só me resta acertar e passar no exame.

O Claudio ficou tão ou mais chateado do que eu, porque acreditava muito na minha capacidade, até porque ele me dá aula há bastante tempo e sabe que eu já aprendi, já perdi o medo de pedestres, de caminhões, de ônibus, ciclistas, cachorros e passarinhos na pista. Algumas pessoas vão para o segundo, o terceiro, o quarto exame sem marcar nenhuma aula extra, eu preferi marcar. Não que eu tenha dinheiro para isso, mas prefiro pagar muitas aulas e treinar bem do que apenas pagar taxas de teste, que não me trarão experiência maior do que reprovar.

Reprovei, mas pelo menos tenho a oportunidade de aprimorar o que já sei fazer e consertar os bugs que ainda existem. Marquei mais algumas aulas, umas duas à noite, para aprender a dirigir no escuro, outras durante o dia. O Claudio comentou que teremos de treinar ele colocar o pé no freio no meio de uma manobra. Não sei se foi brincadeira ou a sério, mas achei a idéia interessante, acho que vou seguir a sugestão do Davison, meu marido, e pedir ao Claudio algumas aulas terroristas, para que eu consiga alguma malandragem e jogo de cintura para lidar com qualquer tipo de examinador, sem dar uma de florzinha histérica, que isso não combina comigo.

Infelizmente (ou felizmente, depende do ponto de vista), caros leitores, vocês terão de agüentar ainda mais duas semanas dessa epopéia. Depois, assim espero, estarei habilitada não apenas para dirigir, mas também para escrever sobre outros assuntos.

PS: Esse texto foi escrito em 2007…amanhã o capítulo VII será publicado.

Aprendendo a dirigir V – O Império contra-ataca

Série de posts, escrita em 2007, que desapareceu com a hecatombe sofrida por minha antiga coluna na Revista Paradoxo e que ressuscita aqui, para apreciação da posteridade.

Aprendendo a dirigir V

O império contra-ataca

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre
[01/06/2007]

Meu teste prático estava marcado para o dia 30. Cheguei no horário, peguei a etiqueta e meu histórico do Detran, para provar que meu nome está abreviado no Sistema (se o seu não estiver, não se preocupe com isso. Se estiver, leia atentamente esta crônica). O exame estava marcado para as 15h no Intercap, onde foi meu exame anterior, existem mais uns dois lugares onde os testes podem ser aplicados, escolhidos uns dois dias antes por sorteio. São todos bem parecidos: uma pracinha mal cuidada, cercada por ruazinhas estreitas e igualmente mal cuidadas (geralmente de mão dupla), com paralelepípedos irritantes.

Havia outra auto-escola terminando seus exames, a nossa levou seus cinco carros e cerca de 48 alunos (segundo informações extra-oficiais) que, como eu, marcaram o exame com bastante antecedência. Para nossa surpresa, havia apenas três examinadores para avaliar os testes, um deles parecia legal e nos fez uma preleção sobre a importância de mantermos o emocional sob controle, porque “quem reprova o aluno é o próprio aluno, não o examinador” e porque “o exame é simples e só é cobrado o que vocês já sabem fazer”, deixou bem claro também que eles não estavam ali para prejudicar ninguém, que eram nossos amigos e só faltou pedir para que nós os levássemos ao nosso líder.

O exame só começou às 16h30, uma hora e meia após o combinado, provavelmente pela quantidade ínfima de examinadores e a lentidão de todo o processo. Sim, o exame é rápido, os examinadores, não. Percebi uma certa movimentação por volta das 17 horas, quando fui chamada, já preocupada com o horário, pois não me encantava a idéia de fazer baliza no escuro. O Claudio estava chateado, tentando argumentar com o examinador, o indivíduo encrencou com o meu cadastro e não queria me deixar fazer a prova.

Eu não acho, mas dizem que meu nome é imenso, talvez seja verdade, pois nunca cabe em nenhum campo de formulário, o destinado a “nome” do cadastro do Detran não tinha espaço suficiente para escrever, por extenso, Vanessa Stella Rodrigues Santana de Resende Lampert. A única saída, óbvia, foi abreviar. Desde a auto-escola anterior, em 2005, sou identificada no sistema do Detran como Vanessa Stella Rodrigues S. de R. Lampert. Assim fiz e passei no primeiro exame teórico, mas no segundo exame teórico, neste ano, tive de voltar à auto-escola para pedir um email do Detran autorizando a abreviatura. Um ridículo “documento”, apenas um email comum impresso.

Quem mandou o Detran não ter espaço suficiente no campo “nome”? Provavelmente fui eu, pois estou sendo punida por isso até hoje. Devo, em um de meus ataques de sonambulismo, ter encurtado a lacuna, de alguma forma. Achei que não me incomodaria mais com esse problema, na prova prática do dia 9, o examinador inclusive perguntou o que significava o S e o R que estavam abreviados e comparou com a identidade. Porém, não tive a mesma sorte com o de ontem; após um diálogo surreal, sua última tentativa de se esquivar da obrigação de oferecer um argumento lógico e inteligente que justificasse aquela proibição ridícula, foi apelar para o “a regra é essa e ponto”, com um tom arrogante e inflexível, que eu ouço como “somos todos robôs e é proibido raciocinar”.

– Por que não pode aceitar meu histórico, que tem todos os meus dados?

– Esse papel não vale, está escrito que não tem efeito legal, eu preciso de uma autorização do Detran.

– Mas o histórico é muito mais seguro, e tem mais valor do que um email impresso, se o histórico não tem efeito legal, o email não tem efeito nenhum.

– Não posso porque a regra é assim, a norma é essa, não posso fazer nada contra a norma.

– Sim, mas dá para raciocinar em cima da norma. – Eu disse, porque era óbvio que ele não estava fazendo nada errado, ou eu não estaria em meu segundo teste prático. Ele não ficou feliz com meu comentário:

– Eu sei raciocinar, mas sou funcionário!

– Ah, tá, então funcionário não pode pensar? É proibido?

Claro, para dizer isso eu já sabia da impossibilidade de ele dar o braço a torcer. O Claudio estava com dor de cabeça de tanto stress pela dificuldade de conseguir um prosseguimento de raciocínio da criatura. Lembrem-se que o Claudio é um instrutor calmo e paciente, mas se esforçar para fazer com que alguém entenda algo que não quer entender, esgota qualquer um.

Ligamos para a auto-escola, ao menos para avisar que o histórico não tinha feito nem cócegas na burrocracia. Para a minha surpresa, ao saber da confusão, um dos donos da auto-escola reimprimiu o tal email do Detran e foi até o Intercap. Pelo celular, brigou com os responsáveis pelo exame, reclamando da falta de respeito de marcarem teste para dezenas de alunos, disponibilizarem apenas três examinadores, começarem com uma hora e meia de atraso, e ainda criarem problemas.

Quando me liberaram para fazer a prova já estava escuro e eu preferi deixar para a próxima quarta, até porque, estranhamente, o tal examinador com quem discuti, estava reprovando à granel, provavelmente para se auto-afirmar depois daquela palhaçada toda, demonstrando seu pseudo-poder. Até agora não entendi por que raios essa autorização para abreviar os sobrenomes excedentes já não consta em meu cadastro no sistema. Ela deveria vir impressa na etiqueta em que o Detran autoriza meu exame. Já que é tão difícil assim aumentar o campo destinado ao nome, deveriam pelo menos grudar a informação em algum lugar para que eu não precisasse pagar ad infinitum por um erro que não foi meu.

Eu já estava xingando o Detran quando descobri que ele não é mais o responsável pelos exames teóricos e práticos, desde 1998 esse serviço é terceirizado. No site do Detran consta que os exames são aplicados pela Fatec, mas soube que há bem pouco tempo é outra fundação que tem feito esse trabalho, só não consegui descobrir ainda qual.

Depois, algumas dúvidas povoaram minha mente. As taxas que pagamos supostamente ao Detran, na verdade são recolhidas por essas fundações. Peço licença para perguntar, cá entre nós, o que elas fazem com o dinheiro? São R$40,24 pelo exame teórico e R$ 69,90 pelo exame prático, por aluno. Em Porto Alegre, segundo o site do Detran, existem 36 auto-escolas, todas abarrotadas de alunos, cada um deles paga essas taxas obrigatoriamente, calcule, por cima, o valor arrecadado.

O dinheiro não é reinvestido em nada que possamos ver ou nenhum serviço de qualidade que possamos identificar, nem uma área isolada para o exame prático eles são capazes de oferecer, um local fechado onde seja possível fazer baliza sem correr o risco de ser atropelado pelos carros alucinados da vizinhança, com iluminação e segurança suficientes, bancos para que os alunos possam aguardar sentados e protegidos da chuva, do sol forte ou do frio, uma lanchonete para que não morram de sede e fome e onde tenham um sanitário à disposição, ou seja, uma estrutura mínima para que sejam dadas condições decentes e justas de aplicação do exame prático.

Ficamos lá, das três da tarde às sete da noite, esperando em pé, congelando, com sede, fome e vontade de fazer xixi. Por volta das cinco e quarenta, o sol se pôs e ficamos no escuro, com a iluminação ridícula das ruas e inexistente da praça, em um local sabidamente perigoso…deveríamos, em vez de pagar taxa para a FATEC (ou quem quer que seja), receber um adicional de insalubridade. Às sete da noite, quando saí de lá, ainda havia uma porção de gente para fazer o teste e chegaram “reforços”: um examinador a mais. Pouco depois, os instrutores, preocupados com a segurança dos alunos, resolveram encerrar, eles mesmos, o exame.

Esperamos que na próxima quarta a tal fundação tenha, pelo menos, a dignidade de marcar o exame para as 13 horas, como costumava ser. E mande no mínimo um examinador para cada carro. É muito fácil trabalhar assim, arrecadam, não investem, não se esforçam, apresentam um trabalho amador, de qualquer jeito, e depois, o órgão que contratou o serviço é que recebe os xingamentos. Ao que eu saiba, fundações não visam lucro, auferem lucro, mas não visam…eu acreditaria nisso se cobrassem, pelo parco serviço que oferecem, o que ele realmente vale, uma taxa simbólica de – superfaturemos – cinco Reais. Ainda assim, convenhamos, sobraria dinheiro para investir.

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Aprendendo a dirigir IV – A saga continua

Série de posts, escrita em 2007, que desapareceu com a hecatombe sofrida por minha antiga coluna na Revista Paradoxo e que ressuscita aqui, para apreciação da posteridade.

Aprendendo a dirigir IV

A saga continua

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre
[17/05/2007]

Eu gostaria de escrever que reprovei por ter derrubado a baliza, por ter passado em uma placa de PARE, por ter esquecido de dar pisca sei lá quantas vezes, mas não tenho nenhuma história bonita de fracasso por ação, tentativa e erro. Minha história é mais imbecil e, conseqüentemente, menos nobre. Era uma tarde fria e chuvosa. Muito fria e relativamente chuvosa. Saiu uma população da auto-escola para o local do exame. Dúzias e dúzias de pessoas. Minha intenção era ficar o mais calma possível e não me preocupar com nada, para não me desesperar.

Havia uma gatinha filhote na rua, de uns oito meses, linda, provavelmente abandonada. Muito dócil e bobinha, confesso que fiquei mais preocupada com ela do que com a prova. Tentei não entrarem conversas sobre o exame, mas foi em vão. Sem que eu percebesse, lá estava eu tocando no assunto. Das três pessoas que conversaram comigo, apenas uma passou. Não tive absolutamente nada a ver com essa estatística, juro. A gatinha continuava a se arriscar no meio das pessoas e eu sofria por não ter uma bolsa de transporte vazia para seqüestra-la. Em um determinado momento, ela foi para sei lá onde e me chamaram para a prova.

Eu estava calma. Acho que meu problema foi estar calma demais. Olhei para o retrovisor e vi muito pouca coisa. Apagaram a luz do mundo. Apesar de não ser nem seis da tarde (acho que nem cinco), estava muito escuro e chuvoso. Meus dedos, congelados, tinham pouca comunicação com o cérebro. Mesmo assim fiz tudo direitinho, só não sabia disso porque não consegui ver o meio-fio. E ainda fiquei pensando, tentando me lembrar se alguém teria que me dizer alguma coisa, se eu podia puxar o freio de mão, enfim, enrolei. Fiz a baliza e quando fui fazer a garagem, não consegui alinhar. Teria conseguido entrar manobrando, mas…meu tempo acabou.

Isso mesmo, eu estourei o tempo na baliza. São cinco minutos. Reprovei por burrice e lentidão. Terei de pagar uma taxa para o detran, para fazer nova prova, que só pode ser marcada quinze dias depois, ou seja, minha nova prova está marcada para dia 30 (são quinze dias, mas como a prova é só as quartas…). Até lá, pretendo fazer mais algumas aulas, para ver se dessa vez passo, ou, se reprovar, “reprovo bonito”, como disse o Claudio, meu instrutor.

O problema é a droga do medo. Fiquei com medo de não ter entrado direito na baliza (porque a visibilidade estava ruim), fiquei com medo de subir na calçada, de derrubar a baliza, de estar esquecendo alguma coisa importante…o medo nos faz alcançar tudo aquilo que tememos. Ele acaba trabalhando contra si mesmo, é um auto-boicote. O sucesso e o fracasso não existem antes da tentativa, o medo faz brotar o fracasso, por geração espontânea. O medo nunca gera sucesso. Sim, eu sei que estou parecendo aqueles odiosos livros de auto-ajuda, mas me desculpem, não consigo explicar isso de uma forma mais inteligente. Volto às aulas com o objetivo de ser capaz de fazer essa baliza em menos de cinco minutos até no escuro, de olhos vendados. É uma questão de honra.

Aprendendo a dirigir III – persistir é o lema

Agendei a publicação desta série, que foi originalmente publicada em minha extinta coluna da Revista Paradoxo em 2007, quando descobri que a interface da revista foi totalmente modificada e os arquivos de minha coluna se perderam. Como muitas pessoas me disseram que essa série foi de extrema importância para elas, decidi trazer todos os capítulos para cá, e postar um por dia. Enjoy.
Aprendendo a dirigir III

Persistir é o lema

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre
[02/05/2007]

Não marquei aulas para o feriado e hoje alguns coleguinhas fizeram a tão temida prova prática do Detran. Espero que amanhã eu ainda me lembre de como se coloca um carro em movimento. Tenho esse problema de esquecer as coisas, é como se o espaço de armazenamento de coisas realmente úteis fosse ínfimo em meu cérebro. Grande mesmo é o compartimento para entulhamento de bobagens, lá até estão alguns fatos que me lembro em seqüência cronológica (com datas, inclusive), cuja precisão costuma irritar muita gente. Porém, só Deus sabe o porquê, a seqüência de simples movimentos mecânicos demora séculos para se grudar em meu córtex.

Aprendi, há bem pouco tempo, a lidar com essas limitações, meu lobo frontal não vai com a minha cara e terei de conviver com isso. Incrível como precisamos encarar nossas dificuldades, aceitá-las e tentar descobrir o que fazer com essas informações, para que algo enfim dê certo. Jamais imaginei que seria capaz de dar a partida no carro com tanta facilidade.

Sim, riam de mim, há pouquíssimas semanas eu era totalmente incapaz de fazer uma troca de marcha e olhar no retrovisor ao mesmo tempo. Com a inestimável ajuda do Claudio, o instrutor legal, parei de ter chiliques ao me aproximar de veículos monstruosos como ônibus e caminhões, também não fico totalmente paralisada quando um pedestre (ou um cachorro) se joga na minha frente.

Os pedestres de Porto Alegre são suicidas. Sério. Eles andam no meio da rua, têm sérias alergias à calçada e faixa de segurança. No local em que faço baliza, além dos pedestres suicidas, também existem cachorros psicóticos. São pobres caninos abandonados que perderam o juízo (se é que algum dia o tiveram), andam em bando e perseguem os carros. Sim, perseguem os carros. Eles correm atrás dos carros das auto-escolas, latindo e ameaçando morder os pneus. Sinceramente, eu nunca os vi correndo atrás de outros carros, eles sabem ler. São, neste ponto (e em vários outros, imagino), muito mais evoluídos do que alguns motoristas que temos a infelicidade de encontrar no trânsito.

Lá estou eu, pseudo-apavorada, tentando aprender a dirigir, segura por estar em um carro bem sinalizado sobre a ausência de habilitação. Ando mais devagar do que os carros normais, faço as curvas e as conversões bem mais lentamente do que o resto da humanidade, troco as marchas com menos habilidade do que quem dirige há duzentos anos e, eventualmente, posso apagar o carro no sinal. E as criaturas não têm a menor paciência, buzinam histericamente, xingam, fazem careta e batem as mãos no volante.

Eles não sabem ler, eu não sei dirigir, estamos quites. Se está com pressa, não pare atrás de um carro de auto-escola. Se parar, favor respeite, respire milhões de vezes e não fique assim muito perto, pode ser perigoso. Total incapacidade de se colocar no lugar dos outros. Será que eles nasceram sabendo dirigir? Ou acordaram um dia, aos cinco anos de idade, e tiveram uma revelação:

– Mamãe, mamãe, se eu pisar fundo na embreagem, engatar a primeira marcha, soltar até a metade, acelerando, eu coloco o carro em movimento!

Ou, quem sabe, sejam mutantes grudados aos carros. Eles e os carros sempre foram uma coisa só, mas uma coisa tão amalgamada que lhes parece absurdo que alguém, veja só, ainda esteja tentando coordenar seu mísero par de pernas e seus dois braços aos comandos do automóvel.

Sua capacidade motora se desenvolveu tanto que não sobrou espaço para o cérebro. Não percebem que buzinar para um carro de auto-escola, no qual se encontra uma pessoinha que ainda está aprendendo a dirigir, faz com que ela fique ainda mais nervosa e demore o dobro ou o triplo do tempo para sair do lugar. Eu ainda apago o carro quando um infeliz começa a buzinar enlouquecidamente atrás de mim no semáforo. São os únicos momentos em que ainda meto os pés pelas mãos (quase literalmente) e confundo tudo o que tinha de fazer.

No entanto, já consegui vencer tanta coisa e estou tão feliz por dirigir feito gente (ou quase), que nenhum motorista abilolado vai fazer com que eu desista. Se tudo der certo, na próxima quarta farei meu exame. Se der errado, continuo com as aulas, torturando os motoristas analfabetos apertadores compulsivos de buzinas. Sem sofrimento.


PS: Texto originalmente publicado em 2007. Aguarde continuação amanhã.

Aprendendo a dirigir II – o retorno à auto-escola

Série originalmente postada em minha extinta coluna Sala de Estar, da Revista Paradoxo.

Aprendendo a dirigir II

O retorno à auto-escola

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre
[25/04/2007]


Quem acompanha esta coluna há algum tempo deve se lembrar desta crônica, em que eu relatava minha experiência corrente e desastrosa nas aulas práticas de direção. Pois bem, retorno hoje, um ano e cinco meses depois, para dar continuidade à história. Como se percebe naquele relato, eu estava indo mal, mas com uma incrível vontade de aprender e superar o medo.

Infelizmente, o segundo instrutor não era tão paciente quanto eu imaginava, e logo mostrou que sua falta de simpatia escondia uma grande facilidade de se estressar. Eu errava, ele se estressava, eu ficava nervosa e errava de novo. No meio do trânsito, ele me dizia: “Você viu o que fez?” Sem tirar os óculos e sem olhar para mim, não me dizia o que raios eu havia feito de errado e eu continuava sem saber. Me sentia a criatura mais burra e inútil da face da Terra e o cara mal falava comigo.



Perto da vigésima aula, ele sugeriu que eu suspendesse tudo e procurasse a psicóloga da auto-escola. Aceitei e fui conversar com a mulher. Ela perguntou da minha vida, eu contei toda a saga Vanesseana, para, ao final, ela me perguntar se eu não achava que estava me dedicando demais aos outros e esquecendo de mim, não gostou da atenção que dispenso ao meu marido, nem da minha mania de falar de planos para o futuro como se o casamento fosse para sempre. Saí de lá tentando entender o que isso tinha a ver com o fato de eu não conseguir aprender a dirigir. Não voltei mais.



No mês seguinte, meu marido foi internado com peritonite e passamos trinta dias no hospital. Quase no final desse período, tivemos a visita de um amigo dele, que me convenceu de que o problema era o instrutor, não eu, e passou o telefone de uma auto-escola que tinha um instrutor especializado em pessoas com medo de dirigir. Acabei não telefonando.

O tempo passou, e no início do ano minha cunhada me contou que estava tendo aulas de direção, apesar de já ter carteira de motorista, para ter mais segurança e perder o medo de dirigir. Conversamos bastante a respeito e no final das contas soube que ela já conseguia levar meu sobrinho à escola, guardar o carro na garagem e não matar ninguém no caminho. Me animei e resolvi voltar às aulas práticas, tentei ligar para o tal instrutor, mas ele agora só trabalha com quem já tenha carteira.

Procurei na lista telefônica e escolhi a auto-escola que dizia “especializada em pessoas nervosas” (CFC Dornelles). Para a minha surpresa, não precisei pagar tudo de novo, pude aproveitar minhas aulas teóricas, o que já foi grande coisa. Tive que repetir o exame médico e o psicotécnico, a prova teórica e prática. A prova teórica está muito mais fácil do que antes, e acertei 28 das 30 questões. Preferi, por razões óbvias, marcar algumas aulas práticas antes, perguntei qual era o instrutor mais acostumado com alunas histéricas e me indicaram o Claudio, fui orientada a marcar apenas uma aula, se gostasse dele, marcaria mais, se não, tentaria outro.

Aí vai a dica: não façam isso. Uma aula não dá tempo para nada, melhor marcar duas de 50 minutos, seguidas (a chamada “aula dupla”), menos estressante e mais fácil de notar se o cara é legal ou não. Apesar da correria, gostei muito do instrutor, é um cara muito inteligente, tranqüilo, simples e brincalhão, me deixou super à vontade, nem perto dos estressados da outra auto-escola. Voltei à recepção e marquei mais vinte aulas, ou melhor, dez aulas duplas, antes que alguém passasse à minha frente.

Como o cara é super tranqüilo, não se estressa, não me deixa histérica, conversa, brinca e gosta do que faz, estou conseguindo aprender e me livrar do pavor. Descobri que não tinha nem tenho medo de dirigir, na verdade, desenvolvi uma insegurança absurda por conta de um profissional mal preparado.

Lendo os comentários deixados pelos leitores, percebi que o maior problema é justamente o despreparo dos instrutores, que acham que tudo ali tem de ser tão óbvio para nós quanto é para eles, e não têm paciência para lidar com quem nunca trocou uma marcha na vida. O Claudio é um cara que gosta do que faz, tem um dom para ensinar (é um ótimo treinador), sabe se colocar no lugar do outro, respeitar a falta de experiência do aluno. Qual é a dificuldade disso? Por que é tão difícil encontrar um instrutor assim? Se o cara não tem paciência para lidar com quem está aprendendo, por que não trabalha em outra coisa?

Marquei mais oito aulas e farei a prova prática no dia 9 de maio. Coloquei na cabeça que não pensarei na prova, se não estiver segura, vou fazendo aulas até estar bem para fazer o teste. Ah, e semana passada tive um estalo: eu também sou um carro! No meio do trânsito, a gente tem a impressão de ser uma pessoa no meio de milhões de carros. Aquele trambolhão é só um troço que atrapalha. Só agora caiu na ficha que eu sou tão carro para eles quanto eles são para mim, então fiquei mais segura. Teremos mais uma quarta-feira e a prova do Detran é na outra quarta, portanto, o assunto continua. Torçam por mim.

PS: Texto originalmente postado em 2007 …aguarde continuação amanhã.

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Aprendendo a dirigir

A interface da Revista Paradoxo foi toda remodelada, e os arquivos de minha extinta coluna (ainda a ressuscitarei…se o Mark não tiver me colocado em seu caderninho preto ad infinitum…risos…) Sala de Estar foram para o brejo… mas alguns posts são de utilidade pública, como a série em que contei minha saga para aprender a dirigir…e nesse período de férias do Lampertop, acho que vale a pena agendá-los para serem publicados, assim quem não leu, pode acompanhar…e quem está passando pelo mesmo drama, quem sabe se anime :-)   Em tempo: já tenho a CNH definitiva há uns três anos e dizem as boas línguas que sou excelente motorista :-)

Aprendendo a dirigir

Da necessidade de lidar com coisas novas

por Vanessa Lampert
de Porto Alegre

O máximo que eu sabia era girar a chave e ligar o carro. As aulas teóricas no curso de formação de condutores, vulgo auto-escola, foram uma festa. Como gosto de estudar, prestei atenção em cada uma delas e fiz um montão de exercícios. Passei no exame teórico mesmo com uma gripe horrenda e uma dor de cabeça pavorosa. Não via a hora de pegar um carro e aprender a dirigir. Mas nada é assim tão fácil.

Peguei um instrutor estressado, o que já foi, por si só, ruim. Estava nervosa e apavorada, confesso. Veja bem, eu tenho noção das coisas. Estava na direção de uma máquina pesadíssima, que pode colidir com qualquer coisa e matar, ferir, arrancar pedaço de quem atravessar seu caminho (ou estiver dentro dela).  Com esse primeiro instrutor, mesmo me esforçando para prestar atenção, fazia o contrário do que ele acabara de dizer.  Passamos três vezes pelo mesmo cruzamento e eu não percebi, fizemos conversão à esquerda e à direita quinze mil vezes e eu simplesmente me esquecia a ordem dos passos.

Como é mesmo? Liga o pisca, se tiver que parar, pisa devagar no freio, depois na embreagem até o fim. Coloca em primeira, solta a embreagem pouquinho, pisa no acelerador, solta a embreagem até o meio e vai. Só não pode esquecer de girar o volante e desligar o pisca. Solta o resto da embreagem e vai até os 20 Km/h para então pisar na embreagem até o fim e colocar na segunda marcha. Aí solta a embreagem e não se esqueça de colocar o pé esquerdo apoiado ao lado, jamais em cima da embreagem, ou perde ponto. Quando não precisar parar, dá para fazer uma conversão sem usar freio nem embreagem, em segunda marcha. Ele não passou comigo a terceira, a quarta, etc, etc…deve ter me achado burrinha demais para passar todas essas marchas de uma só vez. Muito provavelmente o Tico e o Teco colidiriam frontalmente. Sem contar que entrava à esquerda quando ele dizia direita e dava o pisca para a direita quando queria ir para a esquerda.

Pois bem, coloquei a culpa no carro e troquei o Celta pelo Palio. Para a minha surpresa, cada instrutor vinha grudado ao carro e agora tenho um novo instrutor. Ele não é exatamente simpático, acho que é proibido aos instrutores ter senso de humor, mas ao menos não é estressado e parece ser paciente. E, o melhor de tudo: usa óculos escuros o tempo inteiro, o que me impede de ver se ele está fazendo caretas oculares (sim, porque é possível notar se o cara está de saco cheio ou te achando uma imbecil apenas pelo olhar) e me dá mais segurança.

Justamente quando decorei o esqueminha dos pedais (embora minha coordenação motora não colabore muito) começamos aula de baliza. Não sei por que raios sempre achei que baliza era ficar desviando de cones. Não é. Baliza é entrar e sair de uma garagem feita de canos verticais, basicamente. E você não pode um monte de coisa. Várias coisas reprovam e a possibilidade de passar me parece praticamente nula, mesmo assim resolvi ir em frente e descobrir se eu realmente conseguia fazer aquele troço estranho.

Primeiro, você liga o carro e dá sinal para a esquerda. Aí gira todo o volante para a esquerda e logo já dá sinal para a direita. Ok, parece fácil. O problema é que para girar o volante totalmente para a esquerda é necessário aplicar uma força descomunal. Me senti como uma escrava magrela, fracote e faminta, remando em plena tempestade, na galé. Carregando praticamente sozinha um navio de trocentas toneladas. Mais ou menos isso. Depois, quando você acha que acabou, tem que girar todo o volante para a direita. Rema, rema, rema, rema…

Olha no retrovisor, cuidado para não bater na baliza. Olha para trás. Quando a segunda baliza estiver perto da terceira risca do vidro, pára. Sinceramente, não me lembro do resto. Tenho problemas gravíssimos com esquemas não-escritos. Para eu decorar e entender, tem que ser tudo por escrito. Meu maior problema neste curso é me sentir um cérebro imenso e confuso, que não sabia que tinha braços e pernas. Todas as minhas dificuldades se concentram na tal da coordenação motora. Foi por isso que desisti de aprender a tocar piano (geralmente a mão esquerda acompanhava a direita, como se fossem coladas). Aprendi a escrever com as duas mãos e usar os dois lados do cérebro, mas não ao mesmo tempo.

Pessoas incrivelmente idiotas aprendem a dirigir, não é necessário inteligência. Pessoas extremamente inteligentes também aprendem a dirigir, não é necessário ignorância. Pessoas com deficiências físicas aprendem a dirigir, não é necessário ter dois braços e duas pernas funcionando perfeitamente. O problema é que sempre que somos confrontados com situações jamais vividas anteriormente, o interruptor “medo” é acionado instantaneamente. É ele quem nos paralisa, para evitar o desconhecido, ele descordena absolutamente tudo o que for necessário para que lidemos com a tal situação nova. E lutar contra ele, no escuro, para apertar novamente o botão que nos coloca no controle de nossas emoções e movimentos, é a parte mais complicada.

A grande vantagem dos desafios, seja aprender a cozinhar, dirigir, mexer no computador, falar outras línguas, até arranjar um novo emprego, iniciar um novo relacionamento, morar em uma nova cidade, morar sozinho, casar, ter um filho, trocar a primeira lâmpada ou mesmo a primeira fralda, é que quando, finalmente, você consegue acertar (mesmo que depois de uma série de erros), descobre que é capaz e renova a auto-estima. O chato é todo aquele processo cansativo necessário para chegar ao ápice, que é descobrir que aquele monstruoso leão de sete cabeças, na verdade, era um inocente e inofensivo gatinho. De uma cabeça só.

[09/11/2005]

(UPDATE: Quer ver a continuação disso?  Clique aqui para acessar o post com os links da saga completa)


Mauricéia –  Salvador  –  10/11/2005 ~ 10:49
Eu na época que fiz auto-escola sabia fazer baliza, depois fiquei mto tempo sem dirigir e como tudo é treino nessa vida, esqueci como se faz as tais, agora tenho uma tática, só estaciono em esquina e em final ou início de garagem, pra que sofrer, não é mesmo? até pq meu carro não tem direção hidráulica, ai tem q suar. Beijos.

Hipácia –  Johannesburg  –  10/11/2005 ~ 14:59
Sempre fui de achar jogos eletrônicos uma grande bobagem, e de me gabar de não perder tempo com isso – enquanto minhas irmãs são capazes de passar horas seguidas em frente ao computador finalizando jogos com milhares de fases, que depois viram filmes de ação no cinema. No entanto, uma das primeiras perguntas que minha instrutora me fez, na primeira aula de direção, foi exatamente se eu tinha o hábito jogar. Não demorou muito para comprovar a razão que ela apresentou: ela disse que as pessoas que jogavam video-game tinham mais facilidade em memorizar e executar as seqüencias de ações necessárias para dirigir. Não fui exatamente mal nas aulas, e consegui obter minha carta na segunda tentativa – da primeira vez realizei o percurso inteiro sem trocar de marcha (pulei essa etapa, perdi uma vida), mas até hoje sinto que meu raciocínio é um pouco mais lento do que o ideal, em trânsito. :^(

mariana –  araçatuba sp  –  01/12/2005 ~ 17:32
oi tudo bem ,estou vivendo este dilema estou apredendo a dirigir e me acho um asno tudo q vc passou eu também estou passando e lendo a matéria me senti melhor por saber q ñ sou a única q tem dificuldades para aprender a dirigir

Emilia –  Umuarama/PR  –  06/12/2005 ~ 11:59
Finalmente encontro pessoas como eu, que sofrem pra aprender a dirigir. Sinto-me mais humana agora, achava que eu tinha algum problema…

Vanusa –  Betim  –  25/12/2005 ~ 19:14
Passei na legislação e estou com muitos estimulos para começar a dirigir! Li e gostei muito do seu texto, bem articulado, humorado e sincero. Aprendi muito. ¡Besitos!

elis –  Vila Velha(ES)  –  06/02/2006 ~ 11:10
Parabéns vc expressou exatamente o que estou sentindo,fico feliz em saber que não sou a única e afinal pasou na prova de trânsito? Abraço de Elis.

cristina –  cuiaba  –  13/02/2006 ~ 15:31
muuuiiiito legal! Comecei o processo de apreender a dirigir, estou em panico sinto-me incapaz a cada aula que faço, conheco molequinhos de 14 anos que só de olharem já sabem dirigir isso me deixa frustrada e o pior tenho carro a 02 meses e fica mais parado que andando. Imagina voce sair de casa pegar onibus entupido, pagar passagem, acordar cedo, enfrentar o sol de Cuiabá,e o carro parado!!!, não sei se é pior pagar a prestação do financiamento sem usufruir do bem ou ouvir comentarios do tipo voce ainda não conseguiu?!!! Olha só Deus para me ajudar mas eu creio que vou ainda sair para onde eu quiser com meu carro e ainda vou ajudar quem não apreendeu. Eu sei que essa fase vai passar!

Tristinha –  Brasilia  –  08/03/2006 ~ 19:39
Hoje fiz meu exame de direção e reprovei.Chorei muito e quase tudo que você escreveu é exatamente o que sinto ou senti.Não sei se um dia serei apta mas vou tentar renovar minhas forças e fazer de novo. Me senti a pior pessoa desse mundo depois do dia de hoje. Obrigado pelo seu texto.

Ana paula –  belo horizonte  –  11/03/2006 ~ 19:11
Estou numa situação muito parecida com a que você descreveu ,não estou conseguindo entender baliza e nem dar ré estou apavorada,nunca dirigi já fiz 20 aulas

JU –  BH  –  13/03/2006 ~ 13:07
Olá… hoje foi minha primeira aula de direção. Tenho 24 anos e nunca havia sentado no banco do motorista. O cara já me colocou pra subir e descer morro, passar perto de escola… fiquei apavorada e cutuquei a internet pra ver se encontrava algum texto que me confortaria. Encontrei o seu. Depois de ler os dois últimos parágrafos, até fiquei mais animada. Acho que amanha estarei mais confiante. Valeu!!

Rô Nunes –  Curitiba  –  27/04/2006 ~ 17:22
Sabe qdo vc se identifica por completo com aquilo q está lendo? Foi assim, qdo li o seu, Vanessa. Até o detalhe do piano, igualzinho! E os esquemas não escritos, então? São as mesmas dificuldades que encontro. Vou para a 7ªaula e me sinto como um bebê sem a mãe. Credo! Mas,eu vou superar, principalmente depois que eu li seu texto, eu tenho certeza de que vou! Um abraço e obrigada por ajudar a tanta gente, sem saber.

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Recordar é…recordar :-)

Me deparei com um post que escrevi em meu aniversário de 29 anos e fiquei com vontade de postá-lo novamente, pois dois anos se passaram, mas continua sendo bastante atual para mim. Sei que deveria tê-lo publicado no dia 23 de janeiro, mas sinceramente…tanto faz. :-)  faça de conta que hoje é 23 de janeiro, me deu vontade de publicar, até porque ele estava no blog antigo, que está ameaçado de extinção, já que vira e mexe penso em tirá-lo do ar.

29 anos

Aos 29 anos, minha mãe esperava o terceiro filho. Já meu pai, aos 29 anos, se preparava para o nascimento do quarto filho. Com 29 anos, o Davison me conheceu e começamos a namorar. Aos 29 anos, minha avó acabara de ter a quinta criança. Aos 29 anos, Sylvia Plath tentou o suicídio pela segunda vez. Augusto dos Anjos morreu aos 29 anos, assim como a cantora Dolores Duran.

O Arco do Triunfo demorou pouco mais de 29 anos para ser construído. John Nash teve sua esquizofrenia diagnosticada aos 29 anos. O casamento de Bach durou 29 anos. O reinado de Ezequias em Judá durou 29 anos. Também aos 29 anos Sidarta largou sua vida de príncipe para virar Buda e se transformar na estatueta gorducha e careca, a passar a eternidade em posição de lótus. A Guerra dos Trinta Anos, quem diria, durou apenas vinte e nove.

Um pouco menos importante (apenas um pouco) do que A Guerra dos Trinta anos, John Nash, Bach e o Arco do Triunfo, eu completo hoje, dia 23 de janeiro, 29 anos de idade. Bem acompanhada, já que, além de mim e do meu pai, também nasceram no dia 23 de janeiro o cineasta Eisenstein, a princesa Caroline de Mônaco e o pintor Manet, isso sem contar as milhares de outras pessoas que também devem compartilhar essa data conosco.

Algumas coisas, no entanto, se explicam…em 23 de janeiro de 1875 morreu o Marquês de Sapucaí…pois é, eu nasci comemorando a morte do sambódromo :-) deve ser por isso que detesto carnaval. Também não gosto do surrealismo, e Salvador Dali escolheu o dia do meu aniversário de nove anos para se despedir deste mundo. Espero que tenha ido em paz.

No dia 23 de janeiro aconteceram algumas coisas importantes, embora não tão importantes quanto o meu nascimento. Entre essas coisas, gostaria de destacar o desembarque da família real portuguesa na Bahia em 1808, fugindo de Napoleão, fato esse que obrigou a colônia a se transformar em algo mais civilizado, permitindo, inclusive, as primeiras impressões de livros -ou coisa que o valha, já prevendo que 192 anos depois, nasceria uma leitora voraz, que não conseguiria sobreviver sem um mercado editorial nacional decente. No dia 23 de janeiro de 1896, Wilhem Röntgen descobriu o raio X, para que, 98 anos depois, eu pudesse fazer a documentação ortodôntica necessária para colocar o aparelho fixo e, finalmente, consertar meus dentes.

No dia 23 de janeiro de 2009 senti como se fizesse aniversário pela primeira vez. Foram tantas mudanças no ano que se passou que tive vontade de comemorar, com bastante entusiasmo, esta data querida. O Davison levou isso tão a sério que arrumou uns balõezinhos coloridos, para enfeitar nossa sala…risos…teve bolo, vela, parabéns, pizza, pãezinhos com patê de ricota com tomates secos e suco natural de frutas vermelhas :-) Ele fez tudo (exceto o bolo e as velas, que vieram prontos), preparou a festa inteira para mim, me dando o maior presente do dia (depois eu lavei a louça…risos…pelo menos isso, né?).

Ganhei um livro, um ventilador, vários tubos de tinta, lâminas para o meu estilete, alfinetes e um cortador de pizza (sim, meus presentes são esquisitos, mas há uma explicação lógica, racional e fora do senso comum para cada um deles, acredite). Fiquei felicíssima, pois era tudo o que eu queria (sério, ver conteúdo dos parênteses anteriores), e mais feliz ainda por ter comemorado de verdade meu primeiro aniversário. Mais tarde meu irmão telefonou e conversamos bastante, terminando meu dia da melhor maneira possível.

Ter 29 anos é esquisito, pois você se sente adulta demais para estar na casa dos vinte, mas ainda precisa aguardar um ano inteiro para chegar aos trinta. É como estar em uma sala de espera. Meu irmão, no alto de seus quarenta anos, me disse para aproveitar, pois ainda estou na casa dos vinte. Porém, não posso me utilizar disso, pois o segundo dígito já denuncia que os vinte não me pertencem mais, como se eu quisesse me aproveitar de uma maquiagem com o prazo de validade vencido. No entanto, sou ainda “muito nova” para todos aqueles que já passaram dos trinta, que me consideram ainda nos vinte, até pela minha aparência.

No final das contas, chego à conclusão de que não devo prestar a menor atenção a esses dois números. Eles só dizem há quanto tempo estou neste mundo, mas não definem absolutamente nada a meu respeito. Às vezes sou jovem demais, às vezes sou mais adulta do que imaginava, transitando, como tantas pessoas, entre várias faixas etárias, em diversas situações. Temos a idade que nossa mente se propõe a ter, uma idade que não é medida em números, mas em entusiasmo, energia, alegria e paz de espírito. Uma idade que é medida em sonhos, em confiança, em esperança, em certeza, em flexibilidade, em vontade de crescer, de mudar, de melhorar, de ajudar a quem precisa.

Eu não levo mais os dramas a sério, e a vida tem sido muito mais leve, mais clara, mais fresca, como se alguém tivesse ligado o ar condicionado. Deus leva meu fardo, e o dissolve dia após dia. Cada manhã tem se aberto para mim como um mar de possibilidades, e cada novo dia é um presente. Fiz uma escolha consciente, de não me intoxicar mais com o que me fazia mal, e foi como se eu pendurasse aqueles balõezinhos coloridos dentro da minha cabeça. Sim, é estranho imaginar isso, mas foi a melhor analogia que pude fazer assim, subitamente, por mais esdúxula que pareça.

Já disse Fernando Pessoa que todas as cartas de amor são ridículas. Na verdade, a felicidade é ridícula para o mundo de hoje, que cultua o sofrimento, a tristeza, as desgraças e a desesperança, como se alimentar sentimentos negativos e uma visão negativa da vida fosse prova de inteligência, de raciocínio, de pensamento crítico e profundo. Não tenho medo algum de estender a bandeira da felicidade, por mais ridícula e que ela pareça a quem está preso ao modo acinzentado que impera em nosso mundo.

Minha felicidade é racional, serena, bem humorada, é a felicidade de alguém que já estava de saco cheio da ladainha deprimente e superficial do culto à dificuldade, à tristeza, ao carregar de pesos sobre as costas. Minha felicidade é ter, neste vinte e três de janeiro, a certeza de que, não importa quantas velas estejam sobre o bolo, a vida está apenas começando.

niver29

Originalmente publicado em 23/01/2009 no blog Maquinando.

Aviso

Aviso que não entrarei na internet pelas próximas duas semanas a não ser por motivos de trabalho, mas deixei alguns posts programados para os próximos dias, eles serão inseridos automaticamente, para não deixar o blog às moscas…até porque elas não comentam. Minha intenção é retomá-lo na segunda quinzena de abril, e voltar a postar regularmente, já que este blog faz parte de meus projetos para o segundo semestre de 2011.

Espero que ao retornar, meus leitores tenham ressuscitado :-) Recebo os comentários em meu email para aprová-los, e como continuarei a acessar os emails, fiquem à vontade para escrever.

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