Série Aprendendo a Dirigir

A série mais comentada de minha extinta coluna na Revista Paradoxo, “Aprendendo a Dirigir” recebe novos comentários e acessos até hoje. Só agora me dei conta de que seria uma boa ideia reunir todos os links em um só post, para facilitar a vida daqueles que querem ler toda a saga.  Divirtam-se:

Aprendendo a Dirigir I:

http://lampertop.com.br/?p=1054

Aprendendo a Dirigir II – o retorno à autoescola:

http://lampertop.com.br/?p=1056

Aprendendo a Dirigir III – persistir é o lema

http://lampertop.com.br/?p=1058

Aprendendo a Dirigir IV – a saga continua

http://lampertop.com.br/?p=1063

Aprendendo a Dirigir V- o império contra-ataca

http://lampertop.com.br/?p=1061

Aprendendo a Dirigir VI – o examinador vive

http://lampertop.com.br/?p=1065

Aprendendo a Dirigir VII – a batalha final

http://lampertop.com.br/?p=1067

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Veja tem medo

veja*

Hoje a tag #Veja TemMedo esteve em primeiro lugar no Twitter por um tempo considerável. A revista atravessa seu pior momento. Sua face distorcida está sendo revelada à população pensante através de seus contatos injustificáveis com o bicheiro Carlos Cachoeira.

Não sou ingênua de pensar que Cachoeira era o único contraventor a plantar matérias na Veja. Estou certa de que não era o único e realmente torço para que toda a trama seja exposta e possamos descobrir quantos outros Cachoeiras estavam por trás das “denúncias bombásticas” e falsas feitas pela Veja não apenas sobre governo e política, mas sobre todos os outros assuntos.

Recentemente, Marco Antônio Araújo escreveu um artigo em seu blog¹, impressionado com o desespero de Civita ao encomendar um ataque a Edir Macedo menos de 24 horas após o Domingo Espetacular ter ido ao ar com denúncias sérias contra a revista Veja. O espanto de Marco Antônio não foi compartilhado por mim. Eu já esperava essa atitude. Civita fez o que Civita sempre faz.  Desde a compra da Rede Record, a Veja, movida pelos interesses da Globo (são a mesma coisa, e fazem as mesmas coisas, como todos sabemos), tem atacado o Bispo Edir Macedo e a Igreja Universal, na esperança de atingir a Rede Record, que anunciou desde o início sua intenção de brigar pela liderança (há vinte anos, o sbt, segundo lugar no Ibope na época, mantinha uma larga distância da então líder absoluta Rede Globo, sem a menor intenção de tomar o primeiro lugar. A ameaça era inédita).

Enquanto Veja, Globo & companhia limitada (entram aí a Folha de São Paulo e todo o PIG conhecido) moldavam o que o senso comum pensaria a respeito do proprietário da Rede Record, da IURD e dos membros da IURD (entre os quais me incluo há 12 anos, tendo minha inteligência insultada pela Veja durante todo esse tempo), grande parte do país acreditava que suas matérias eram verdadeiras. Pelos acordos com o governo tucano, a Editora Abril se julgava garantida.  Sua primeira grande derrota foi a eleição de Lula, apesar de esgotar seu estoque de capas e matérias sensacionalistas ao extremo. De lá para cá, a queda foi vertiginosa. Mesmo doando assinaturas a quem se cadastrasse e espalhando seus exemplares como quem não tem contas a pagar, a revista perdeu prestígio.

Claro, ainda existem aqueles que acreditam em tudo o que a Veja diz e creem, piamente, que não há o menor problema em um jornalista ter um bandido como fonte, mesmo diante das evidências de que não se tratava de uma fonte, mas de um semeador de notícias falsas. Também estes acreditam que não há problema em divulgar grampos cujos áudios jamais apareceram, nem entrevistar ex-funcionários, demitidos por justa causa, que falam mal de seus antigos patrões (sério? Me espantaria se falassem bem), nem em distorcer fatos para que pareçam ser o oposto do que realmente são.

Em um ato de desespero, a revista tentou manipular as últimas eleições – para variar – e se surpreendeu com a força da campanha na internet. Na época, uma reportagem em particular me indignou, sugeria que Lula imitava Fidel Castro e “provava” suas alegações utilizando a “lógica” de Veja. Para mostrar o quão absurda era a tal lógica, escrevi o seguinte post: http://lampertop.com.br/?p=820

Agora, no auge do escândalo Cachoeira, em que a Veja tem a cara-de-pau de tentar tirar o corpo fora, se fazendo de vítima, a internet volta a mostrar seu valor. Com a Record como a única emissora a ter coragem de enfrentar o partido a imprensa golpista, todos os canhões estão apontados para ela e para a mobilização feita via Twitter e blogs.  Desesperada, a revista cria o seguinte infográfico: http://veja.abril.com.br/multimidia/infograficos/fraude-no-twitter , tentando convencer seus leitores de que somos robôs, insetos (mania de insultar a inteligência alheia)… Veja pode espernear à vontade. Não há volta para o processo que se iniciou. A tag de hoje mostra que todo mundo já percebeu o que está acontecendo. Quem não deve, não teme. E Veja tem medo do que ela não pode mais controlar.

Vanessa Lampert

*Imagem: Arte do Capitão Óbvio em cima da capa de Veja, com o “detalhe” que ela esqueceu de incluir.

¹ Merece também destaque o outro artigo do Provocador, sobre Policarpo, em que ele cita Veja como “O Diário Oficial da Nova Inquisição, termo perfeito para a publicação.

PS: As always, aviso que os comentários são moderados, só serão aprovados depois de lidos por mim e quando vejo ofensas, nem leio. Digo isso porque leitores cegos de Veja não sabem respeitar opiniões contrárias.

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A Esperança de Uma Mãe

(Esta resenha contém pequenos spoilers) Por ser da mesma autora de Amor de Redenção, Francine Rivers, é natural que comparemos as duas obras, até porque têm praticamente o mesmo número de páginas. “A Esperança de uma mãe” (Her mother’s hope), ao contrário de Amor de Redenção, demora a engrenar. Talvez por se tratar de um projeto pessoal da autora, um romance baseado em mulheres de sua família, ela tenha se preocupado demais em colocar todos os elementos reais: detalhes dos lugares, um pouquinho de drama, fatos históricos…e se esquecido de desenvolver a narrativa com alguma leveza que fizesse a história andar.

O começo pode parecer chato e arrastado, e você fica torcendo para que a pobre menina chamada Marta, tão maltratada pelo pai, cresça logo e tenha uma vida interessante para você ler. Então, finalmente a garota cresce e  vai morar fora, recebe a notícia do grande trauma de sua vida, relacionado a sua irmã que sempre foi fraca e superprotegida. No entanto, continua sua vida sem voltar para casa…eu, mulher em uma fase de querer ler historias bonitas, vibro quando ela finalmente encontra um rapaz e começa a namorar…mas se você quer ver romance, esqueça, Francine pula toda a fase do namoro e vai direto para o casamento, me deixando muito brava por causa disso. Se a coisa mais legal de Amor de Redenção é ver a força do amor sacrificial, a conversa de A esperança de uma mãe é a força da mulher e o relacionamento entre mãe e filha. Se bem que a impressão que tenho é que o livro não foi escrito para deixar alguma mensagem, mas simplesmente para registrar uma história.

Posso estar sendo dura com a autora, mas o relacionamento entre Marta e seu esposo, por exemplo, é tudo o que você não deve fazer com seu marido. Leia o livro e faça tudo ao contrário. Ela o desrespeita o tempo inteiro e o reduz a um Zé Banana. Ele fica chateado, tenta brigar, parece muito triste, mas a autora nos leva a crer que os dois eram felizes assim, à sua maneira. Desculpe, não consigo acreditar que um homem consiga ser feliz com uma mulher tão chata dentro de casa. Isso me irritou, então talvez minha impressão do livro tenha sido prejudicada por essa irritação, mas no geral a história é bem construída, personagens convencem, mas parece ter informação demais condensada em suas quase quinhentas páginas, com Francine mastigando a história para você em alguns pontos, e fazendo saltos absurdos no tempo em momentos importantes da trama.

O livro também mostra o nascimento dos filhos do casal. Hidelmara é a segunda filha, ela é frágil e tímida, tem o temperamento semelhante ao do pai, mas Marta acha que ela parece com sua irmã Elisa, e teme que ela tenha o mesmo destino…para que isso não aconteça, passa a ser mais dura com Hildemara, que se sente rejeitada. Então você vê a menina crescendo, seu relacionamento com a mãe, sua personalidade…ela  conhece um rapaz e o romance também passa correndo diante dos seus olhos, porque Francine quer terminar logo o livro. Hidelmara tem seus filhos, adoece e a mãe se prepara para cuidar dela…no próximo livro. Sim, há uma continuação, mas ainda não foi publicada em português. Escrevi para a Editora Verus perguntando se há previsão de chegada do “Her daughter’s dream” ao Brasil, mas ninguém me respondeu até agora. “A Esperança de uma mãe” é um bom livro, mas não o compare com “Amor de Redenção”, nem espere muito romance. É um drama. Espere drama e você ficará feliz…rs…

PS: Como sempre, essa é a minha opinião. O ideal é que você leia o livro e volte aqui para dar a sua opinião. Isso se gostar de drama, é claro. A propósito, esse não é o tipo de drama que faz chorar,  ele faz pensar – e isso é bom.

Vanessa Lampert

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Embalagem e conteúdo.

1993

Estávamos no ônibus, indo para o passeio de final de ano da escola, em um clube chamado Colônia de Férias, em Campo Grande. Ela me chamou, eu olhei para trás, com minha carinha feliz de sempre, e fui surpreendida com o flash. Fiquei até mais bonitinha na foto do que era ao vivo, o ângulo me favoreceu, acredite. A menina que tirou essa foto se dizia minha amiga e eu soube que enquanto eu me recuperava da insolação que peguei aquele dia (com direito a queimaduras de segundo grau no corpo todo e rugas na testa aos 13 anos. Obrigada, sol), ela se divertia mostrando a foto para o menino mais bonito da sala, dizendo “Olha aqui a sua namorada”, enquanto todos riam (menos ele , é claro).

A vida não era fácil naquele tempo. Não eram apenas as pessoas da sala que faziam o que hoje chamamos de Bullying, era a escola inteira. Virou uma espécie de moda fingir que levava um susto – ou fazer o sinal da cruz – ao passar por mim no recreio.  Isso foi dos 11 aos 15 anos. Me mudei da primeira escola por causa disso, dos apelidos, das risadas, dos garotos me chamando de feia, das agressões verbais. Para o meu espanto, na escola nova tudo se repetiu. Era o mesmo espírito maldoso naquelas crianças…achei que tinha alguém da escola velha em minha nova sala, mas não tinha. O problema era a minha aparência e eu não havia me dado conta. Comecei a me comparar com aquelas meninas. Elas realmente eram muito mais bonitas do que eu. Eu era exageradamente magra, a pele muito branca, a boca muito grande por causa dos dentes projetados e separados, meu nariz era esquisito também por causa da arcada dentária, a língua, flácida, não cabia dentro da boca e minha dicção era horrenda por conta disso.

O problema é que eu não conseguia agir como uma pessoa complexada. A timidez só veio depois, por causa de uma igreja doida pela qual passei no ano seguinte (o pessoal sabia destruir a auto-estima das adolescentes por lá) e foi embora por causa do que encontrei na igreja em que estou hoje. Na época do Bullying, no entanto, eu não conseguia ficar sem rir, ou esconder os dentes enquanto ria, mesmo sabendo que eles eram horríveis e que meu sorriso deformava ainda mais o meu rosto. Também não conseguia falar sem gesticular e era totalmente desengonçada, não sabia onde colocar pernas e braços (se bem que acho que até hoje não sei…rs…), o que piorava ainda mais as coisas.

Um dia cheguei em casa chorando porque não aguentava mais os apelidos e o desprezo dos colegas que me tratavam como uma sub-espécie. Minha mãe sempre me dizia que ela era o patinho feio na infância e que depois ficou bonita e os rapazes se apaixonavam por ela. O que ela me disse naquele dia fez toda a diferença:

– Vanessa, criar corpo cedo demais não é bom, quando você tiver dezoito anos vai estar linda e essas meninas que riem de você provavelmente não estarão mais. Não se preocupe com aparência agora, se preocupe em desenvolver sua inteligência, quem você é por dentro. Isso ninguém nunca vai tirar de você e é o que realmente importa.

Eu não sei por que, mas acreditei nisso com todas as minhas forças. Alguns anos depois, coloquei aparelho, fiz fono e consegui arrumar os dentes e a língua, apesar de ter de refazer o tratamento aos 21 anos, até consertar de vez. Consegui um corpinho decente aos 17, quando as modelos magérrimas entraram na moda e eu também. Mas sempre foi estranho ser tratada como “bonita” (as pessoas são delicadíssimas com meninas consideradas bonitas e super grossas com aquelas que são vistas como feias ou esquisitas, eu me irritava muito com isso e estive sempre do lado dos fracos e oprimidos…rs…), nunca gostei de garotos que se aproximavam de mim por minha aparência porque eu, mais do que ninguém, sempre soube do quão vazio era esse critério.

Demorou para que eu aceitasse minha nova aparência e conseguisse me enxergar no espelho e ver que aquela era eu. Por algum motivo, o tratamento ortodôntico consertou também o formato do meu rosto e o meu nariz. Outra coisa que minha mãe me ensinou e que contribuiu para que eu não tivesse minha autoestima destroçada foi: “Vanessa, a gente não é feita de pedacinhos. Não importa se você não gosta do seu nariz, a beleza é um conjunto. Não se olhe com uma lupa, o importante é o conjunto”.  Lembro de ouvir isso várias vezes, algumas enquanto eu me debulhava em lágrimas por causa do meu nariz ou da minha boca.

Hoje me vejo como um simpático conjunto animado. O que as pessoas acham bonito em mim – elas não sabem – é algo que não dá para ver. E se alguém resolve me atacar apontando algum defeito em minha aparência, sou a primeira a rir e a apontar mais uns cinco. Conheço todos os meus defeitos, por fora e por dentro. Me incomodo muito mais com os de dentro do que com os de fora. Gosto de estar bonitinha, arrumadinha, mas tenho total consciência de que o que você tem por fora é casca. É embalagem. Não te define, não te diminui.

Existem centenas de qualidades interiores que podem te fazer bonita ou feia, independente dos traços do seu rosto ou das medidas do seu corpo. Não entendo quem se acha no direito de ridicularizar outro ser humano por sua aparência, assim como não entendo exaltar alguém pelo formato de seu corpo ou pelo seu rosto estar dentro dos padrões. Não espere ser aceito pelos outros, valorize aquilo que você tem de melhor, aquilo que você tem por dentro e que ninguém – nem mesmo o tempo – poderá tomar de você. No final das contas, é o que realmente importa.

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Leitura democrática

Triste ver a pouca importância dada para o estímulo ao hábito da leitura …e não falo de governo, falo das pessoas, em geral, e jornalistas, em particular. Entre o grupo que parece desestimular o interesse em leitura, existem aqueles que não dão importância alguma e outros, que preferem que o hábito de leitura seja restrito a um pequeno grupo, então fazem análises críticas que levam o leitor comum a achar que ler é chato e coisa para intelectuais. A leitura não pode ser comparada com nenhum outro hobby, pois ela funciona quase como um medicamento para o cérebro! Como já escrevi neste texto, ler é o melhor exercício cerebral que existe.

Tenho recebido emails de pessoas que sabem da importância de ler, mas que acreditam na mentira que muitos repetem para si mesmos: “não gosto de ler”. Como também já escrevi no post anterior, não é “não gostar”, é não ter o hábito. A televisão é um entretenimento muito mais fácil da nossa mente digerir, porque não exige nenhum esforço intelectual, então muitas vezes nos acomodamos a esse tipo de passatempo e achamos chato qualquer coisa diferente disso.

Infelizmente o espaço destinado à literatura na em revistas e jornais é muito mal aproveitado. Falar de literatura para pessoas “normais” é mal visto, e a “elite intelectual” quer mantê-la longe do acesso dos “menos favorecidos”. Literatura estimula a inteligência e se outras pessoas pensarem tanto quanto eles pensam, talvez descubram que ser “intelectual” não é tão elitizante assim, não te faz um ser superior.

Sou a favor da democratização da leitura e de ajudar as pessoas a manejar essa ferramenta com sabedoria. Isso não é papel do governo, exclusivamente, é papel de todos nós. Por falta de um espaço democrático na mídia convencional, os blogs de leitores crescem com suas resenhas pessoais, e a internet, mais uma vez, preenche uma lacuna deixada pela mídia, cada vez mais obsoleta.

Ler é um hábito saudável, como outro qualquer. É escovar os dentes pela manhã, é tomar um copo d’água, é fazer uma caminhada, é lavar o rosto antes de dormir. Ler é tomar suas vitaminas, é fazer a barba, é passar batom. Não é um bicho de sete cabeças, nem algo reservado a poucos escolhidos. É algo que pode abrir seus horizontes, ou fechar suas janelas. Ler é uma caixinha de surpresas, uma ferramenta extraordinária, mas que precisa ser bem manejada. Ao invés de mantê-la fora do alcance de qualquer cidadão, deveríamos apresentá-la da melhor maneira possível, da maneira mais natural e desprovida de frescura.


Como vencer a preguiça de ler

Texto originalmente postado na seção Livros, no site de Cristiane Cardoso. (Clique aqui para ver a postagem original)

Ao responder à pergunta que minha nova amiga Sandra, de Moçambique, me enviou pelo Twitter, imaginei que poderia ser a dúvida de muitas leitoras e achei que valia um post nesta coluna. Eis a pergunta:

“Olá minha querida. Eu detesto ler, tenho preguiça mas SEI que preciso mudar isso. Me diga, que faço para contrariar isto?”

Minha resposta: A mesma coisa que a gente faz quando sabe que precisa fazer algo, mas não tem vontade: sacrifício. Coloque um livro na bolsa e se determine a ler todo dia um pouco. No começo vai ser difícil, pois é uma luta contra sua vontade.  Só tire da cabeça que você não gosta. Não é não gostar, é não ter o hábito. Quando desenvolver o hábito, vai amar :-)

Pelo que ela me explicou, sabe que precisa ler alguns livros que farão a diferença na vida dela (você também sabe, não é?), mas a preguiça e a falta de hábito a fizeram acreditar que não gosta de ler. Quando você acredita que não gosta de ler, qualquer leitura se torna uma tortura.

O hábito de leitura é como um músculo que precisa ser desenvolvido. Se você não usar seus braços ou suas pernas por meses e depois disso tentar fazer um movimento com os músculos atrofiados, vai sentir dor, incômodo, exaustão…será chato pra caramba. Aí você vira para mim e diz: “Eu não gosto de me mexer!” Não é verdade. É incômodo pela falta de exercício, mas se você se sacrificar e ignorar o incômodo com o foco no objetivo maior, terá uma super recompensa ao final do esforço.

Tem outra coisa: livro é amigo. A-mi-go. Você tem se sentir à vontade com seu amigo. Coloque dentro da bolsa, não se preocupe em não amassar…claro, você não vai detonar o livro e pisar em cima, mas se tiver de se preocupar em não dobrar aqui, não amassar ali, é complicado se sentir à vontade. Posso estar errada, sei lá, mas essa é a minha teoria.

A principal dica é mesmo o sacrifício. Não importa se você está lendo um livro, um artigo de jornal ou um post em um blog: quando cansar de ler, pare um pouco, mas não abandone a leitura. Não pense em como se sente ao ler, mas no quanto você vai saber mais depois de terminar de ler. Tome um café, brinque com o cachorro, com o gato ou vá ao banheiro, depois volte e continue a leitura, tentando entender o que está escrito. Qualquer texto é o autor conversando contigo, então é falta de educação abandonar a leitura e não voltar para concluir, é como se deixasse alguém falando sozinho ou desligasse na cara da pessoa.  Se for um blog, só comente depois de ter lido todo o post, pois às vezes a resposta à sua pergunta está no que você não teve paciência de ler.

Impaciência e ansiedade são emoções, e emoções devem receber pouquíssimo alimento. Ceder a elas é alimentá-las até que fiquem fortes e tentem te estrangular. Emoções são como Gremlins, lembra daquele filme trash horroroso? Gizmo era um bichinho fofinho, mas se alimentado após a meia-noite ou molhado, gerava monstrinhos verdes destrutivos. Emoções são Gizmos necessários. Precisamos delas, mas bem domesticadinhas e pouco alimentadas. Já nosso espírito (que é nossa inteligência) precisa ser alimentado para ficar forte o suficiente para controlar os Gizmos. O melhor alimento para fortalecer o espírito chama-se sacrifício.

Deixar de fazer aquilo que você tem vontade para fazer aquilo que você não tem vontade, mas sabe que precisa, é a única maneira de desenvolver sua mente, crescer e se tornar uma pessoa melhor. Deus pede isso da gente o tempo todo, até porque a vida exige isso para não se tornar um fardo.  Fazer só o que você gosta e tem vontade é receita para a frustração, já que os Gremlins nunca se fartam, sempre querem mais e mais e mais…nada é suficiente para satisfazer a vontade humana. Então a partir de hoje em sua vida, seja na leitura ou em qualquer outra coisa que esteja difícil por não ter se tornado um hábito, decida sacrificar sua vontade e fazer o esforço. A recompensa vale o sacrifício! Você vai ver o quanto vai ganhar não apenas por ler, mas por se dispor a sacrificar.

PS: Eu não sou um “super ser” por ler bastante e gostar de escrever. Eu só me dediquei a essas duas coisas até que se tornassem parte da minha vida.

PS2: A gatinha da foto é a Ricota, ela tem 7 anos e está pensando se vale a pena ler esses dois livros… :)

Vanessa Lampert

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A Mulher V

Texto originalmente postado na seção Livros, no site de Cristiane Cardoso. (Clique aqui para ver a postagem original)

Eu não poderia deixar de resenhar o livro “A mulher V”, de Cristiane Cardoso, publicado pela Editora Unipro. A capa é de extremo bom gosto. A silhueta de Cristiane, extremamente feminina e elegante, o foco de luz sobre o pingente de pedra vermelha, remetendo à comparação da mulher virtuosa com o rubi, que você entende melhor logo no início do livro.

Já havia lido outros livros sobre o tema, alguns que até me impressionaram na época, mas o resultado era sempre o mesmo: eu não sabia como aplicar os ensinamentos do livro e me sentia frustrada e incompetente. Eu me cobro muito. Sou perfeccionista e exijo muito de mim, graças ao livro tenho aprendido a ajustar minhas expectativas e entendi que ser mais flexível comigo não me faz menos responsável. Desde que percebi o quão errada eu era e o quão longe estava de ser uma pessoa que fizesse a diferença positiva na vida daqueles que me cercavam, estou sempre querendo melhorar, mudar, crescer. Minha oração desde aquele dia tem sido: “Deus, me ajude a ser a pessoa que o Senhor quer que eu seja”, e fico atenta a todos os sinais que Ele me envia.

“A Mulher V” foi muito mais do que um sinal, foi um outdoor gigante caindo sobre minha cabeça. O livro destrincha o último capítulo do livro de Provérbios, que fala sobre a mulher virtuosa (a “Mulher V” do título). Cada capítulo detalha um dos versículos com as características da mulher virtuosa, confrontando com o que temos vivido hoje em dia e nos mostrando COMO desenvolver cada uma dessas características, de maneira bastante simples e prática. Uma frase que me marcou bastante é: “é difícil, mas perfeitamente executável”. Entende a profundidade disso? Simplesmente constatar que algo é difícil pode te paralisar, mas perceber que é perfeitamente executável te fortalece para colocar aquilo em prática, apesar da dificuldade.

Outra coisa importantíssima foi que este livro me ajudou a não ser tão exigente comigo mesma. Aprendi a apreciar meu esforço e não ficar apenas me chicoteando para fazer mais e mais e mais… É uma injeção de ânimo e autoestima de longa duração! Não só aprendi como devo ser, mas o que fazer para alcançar meus objetivos de ser melhor mulher, melhor esposa, melhor profissional e melhor amiga, e também descobri que sou capaz disso e que há esperança para mim!…rs…

É bom saber que você não está sozinha no universo, que os conflitos que você passa são comuns a muitas mulheres e que você é capaz de superar todos eles e se transformar na mulher que Deus quer que você seja. “A mulher V” tornou-se meu manual de instruções. Perdi a conta de quantas vezes reli seus capítulos. A cada vez que leio, mais uma portinha se abre na minha mente e mais um passo dou em direção ao meu objetivo. Meu marido notou a mudança que aconteceu em mim, pois foi significativa e em pouco tempo. Para aprender sozinha tudo o que aprendi com “A mulher V”, eu precisaria de alguns anos.

Concordo com a posição da Cristiane. O feminismo está ultrapassado, ele nos trouxe grandes conquistas enquanto gênero, no mercado de trabalho, abrindo um espaço que não existia. No entanto, já percebemos o quanto ele falhou ao anular a feminilidade da mulher, igualando-a ao homem naquilo que eles não são iguais. Sempre disse isso: mulheres e homens são diferentes, pensam de maneira diferente, agem de maneira diferente. Um não é pior ou melhor do que o outro, eles são apenas diferentes e isso é positivo, suas maneiras de pensar e agir se completam. Diga à mulher que ela deve ser igual ao homem em tudo e você terá uma mulher mutilada.

“A Mulher V” vem para reconstruir a figura feminina e encaixá-la em nosso contexto atual. Vem contra o que já está estabelecido na sociedade e que ninguém tem coragem de modificar, mesmo que os resultados tenham provado a ineficácia dessa cultura. Ao mesmo tempo em que jogou a mulher no mercado de trabalho sem dizer o que ela deveria fazer com o restante dos papéis que tem a desempenhar, a sociedade atual só sabe cobrar, cobrar e cobrar, ditando as regras de como deve se comportar, do que deve pensar a respeito dos homens, a respeito de cuidar da própria casa, impondo padrões estéticos, dizendo o quanto deve pesar, o que tem de querer, sem deixar espaço algum para que ela mesma faça suas escolhas e desenvolva suas opiniões.

A mulher V tem atitude, tem personalidade e nada contra a corrente, sendo a rebelde revolucionária no meio de um mundo em crise de identidade. E é esse fôlego de lutar contra a corrente fazendo suas próprias escolhas e criando sua própria cultura que o livro “A Mulher V” nos traz. Um livro para ler, reler e distribuir por aí. Já presenteei amigas e desconhecidas – cristãs ou não – com um exemplar. Meu critério de escolha é: vontade de ser uma pessoa melhor. Isso já te qualifica a ser uma feliz leitora de “A mulher V”.

No final de cada capítulo, há um exemplo de mulher, retirado da Bíblia. Cristiane desenterrou umas mulheres que eu nem me lembrava que estavam no texto sagrado. Fiquei impressionada com a disposição dela em tirar uma história motivadora de meia dúzia de versículos – ou até menos – você lê e pensa: “puxa, isso faz sentido”! “A Mulher V” é um livro sobre comportamento feminino que te coloca para cima, te diverte e abre seus olhos para infinitas possibilidades. Eu gostei tanto, mas tanto, que brinco sempre que meu objetivo é fazer jus ao título… “V” de Vanessa. :)

PS: Antes que alguém me pergunte onde comprar, você encontra “A Mulher V” em uma Igreja Universal. Não sei dizer se em todas ou se apenas nas catedrais, mas é só entrar e dizer para algum obreiro ou pastor: “Oi, eu queria comprar o “Mulher V” e você descobrirá. Também pode comprar pela internet, no site http://www.arcacenter.com.br

Vanessa Lampert

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