Livros que não são o que parecem – A divina revelação do inferno

Se a resenha anterior, da infinita série “Livros que não são o que parecem” era de uma ficção não-religiosa, a desta semana não poderia ser mais religiosa. Há algumas semanas, nossa leitora Andressa me perguntou a respeito desse livro, que ela leu quando era de outra denominação. Aproveito para usá-lo como representante de todos os outros livros contemporâneos de gente que diz que foi para o céu ou para o inferno.
Não haveria problema algum em ler este livro como uma ficção, uma alegoria de como as pessoas continuam sofrendo fisicamente no inferno depois da morte, DESDE QUE o leitor saiba que, ao contrário da afirmação da autora, ela não vivenciou essas coisas. É ficção e deve ser lido como ficção (se alguém quiser ler). 
A Bíblia nos fala claramente sobre o inferno. Diz que ele não foi feito para os seres humanos, mas para o diabo e os demônios. Depois que o homem desobedeceu a Deus e passou a seguir o diabo, suas próprias ações o levam ao inferno, a menos que se arrependa e aceite a salvação oferecida por Jesus. Jesus descreve o inferno como “fogo inextinguível, onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga”(Marcos 9:45,46). Mas Mary Baxter foi para lá?
  “Além disso, por um período de 30 dias Jesus levou-me ao inferno. O Senhor apareceu à mim em 1976 e disse-me que eu havia sido escolhida para uma missão especial. Ele disse: “Minha filha, me manifestarei a você para que tire as pessoas da escuridão para a luz. OSenhor Deus a escolheu com o objetivo de escrever e registrar as coisas que lhe mostrarei e falarei. Vou revelar-lhe a realidade do inferno, para que muitos possam ser salvos, muitos se arrependam dos seus maus caminhos, antes que seja tarde. Sua alma será tirada do seu corpo por mim, o Senhor Jesus Cristo, e transportada ao inferno e a outros lugares que eu quero que você veja. Mostrarei também a você algumas visões do céu e outros lugares, e lhe darei muitas revelações.”  

 Vamos por partes. Jesus esteve aqui na Terra e sabia que isso ficaria registrado em quatro livros, certo? Se era tão importante assim dar detalhes sórdidos sobre o inferno, por que Ele não o fez enquanto estava por aqui? Por que não baseou seus ensinamentos nisso? Aliás, eu considero que o que ele achava importante dizer sobre o inferno, ele disse. 

O Jesus de Mary Baxter fala muito parecido com ela mesma. Eu, sinceramente, não vi grande diferença entre os dois personagens, o que é um indicativo de história inventada por quem ainda não tem muita habilidade com escrita. Usa as mesmas palavras, as mesmas frases, o mesmo estilo. Outra coisa estranha é que furou o disco do Jesus que acompanhava a mulher. “você está aqui para que o mundo saiba que o inferno é real”, “o que você está vendo é real”, “o inferno é real”,  “isso é real”, “o mundo deve saber que é real”. 

Há muitos pontos questionáveis neste livro e que me mostram que ele veio da cabeça da autora e não de uma revelação espiritual. Como, por exemplo, o momento em que ela conta uma visão (pág.107) que Jesus teria lhe dado do trono de Deus:

“O ar ao redor do trono estava cheio de pequenos querubins, cantando e beijando o Senhor na face, nas mãos e nos pés […] O querubim tinha línguas de fogo sobre as suas cabeças e nas pontas de cada asinha.”

Note que é uma figura pequena, infantil. E, de fato, no original, ela diz: “was filled with baby cherubim, singing and kissing the Lord upon His face, His hands and His feet”.

Essa figura de querubim-bebê é uma criação do catolicismo, com base em um deus pagão romano, o Cupido, deus do desejo sexual descontrolado e do “amor” erótico. A figura de um bebê alado, na mitologia pagã, se chama “putto”, seria um cupido jovem. Por que ao redor do trono REAL de Deus alguém veria figuras mitológicas pagãs em vez de anjos como os descritos na Bíblia (adultos, pra começar).

O inferno que o livro descreve tem características diferentes do que está na Bíblia (formato, local, seções, atividade, etc.), Na imaginação da autora, o inferno teria braços, pernas, estômago, mandíbulas, como um corpo humano. 

A estrutura do livro A Divina Revelação do Inferno foi copiada de A Divina Comédia (“comédia” era uma história que terminava bem, enquanto “tragédia” era uma história que terminava mal), poema clássico da literatura publicado em 1472, por Dante Alighieri (que trabalhava para a igreja romana). Algumas similaridades: Dante é guiado por Virgílio (que ele chama de Mestre) ao inferno, purgatório e céu, assim como Mary Baxter é guiada por Jesus ao inferno, ao céu e a outros lugares, como o planeta das crianças abortadas e o futuro apocalíptico.

Em A Divina Comédia, o inferno é formado por diversos círculos e cada uma dessas partes do inferno tem características próprias, que ele descreve; assim como em A Divina Revelação do Inferno o inferno tem a forma de um corpo humano e cada uma de suas partes tem características próprias, que a autora descreve. 

Em A Divina Comédia, em cada uma das partes uma alma atrai a atenção de Dante, que ouve o “testemunho” dela e explica ao leitor a razão daquela alma estar ali, com um ensinamento final. É exatamente a dinâmica do relato de A Divina Revelação do Inferno, em cada uma das partes uma alma atormentada atrai a atenção de Mary Baxter, que ouve o testemunho dela e explica ao leitor a razão daquela alma estar ali, com um ensinamento final. 

Em ambos há descrições de celas e de diferentes tipos de torturas (e há religiosos no inferno de Dante, também). Os demônios estão à vontade, as imagens são parecidas e as sensações e questionamentos, também. No inferno, Dante tem muita pena das pessoas e muito medo do que vê, como Baxter. Mas Dante mistura mitologias, tem um desenvolvimento mais complexo e algumas alegorias.

Ele foi mais honesto, pois sempre deixou claro que escreveu ficção (ainda que com intenção de despertar as pessoas para a realidade espiritual — do jeito católico dele), enquanto Mary Baxter afirma categoricamente que sua experiência foi real. Ela passou inclusive a viver das palestras que era convidada a fazer como profetisa, contando suas visões e revelações do inferno e do céu.

‘O homem continuou: “Senhor, algumas pessoas da minha família acabarão vindo para cá, porque também não se arrependerão. Por favor, Senhor, deixe-me ir dizer a eles que devem se arrepender de seus pecados enquanto eles ainda estão na terra. Não quero que eles venham para cá.” Jesus respondeu: “Eles têm pregadores, professores e pastores —todos ministrando o Evangelho. Esses falarão a eles. Eles também têm as vantagens dos modernos meios de comunicação e muitos outros meios para aprenderem de Mim. Eu enviei obreiros para que eles possam crer e serem salvos. Se eles não acreditarem no Evangelho, tampouco serão convencidos, mesmo que alguém se levante dos mortos.”  

Opa! Plágio! Plágio! Já li isso em algum lugar…mas em vez de Jesus, era Abraão…lembra da história do rico e do Lázaro?  

 “No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado, e tu em tormentos. E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós. Então replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento. Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Mas ele insistiu: Não, pai Abraão, se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se ao. Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos. “(Lucas 16:23-31)  

Em vários pontos do Novo Testamento, cita-se “Moisés e os Profetas” como sinônimo de “Escrituras Sagradas” (Lucas 24:44, Atos 28:23) Ou seja, Abraão estava dizendo que se a Palavra de Deus não era suficiente, então não adiantaria mandar mais ninguém! Ao copiar esse trecho Bíblico, o Jesus de Mary Baxter se contradiz. Porque se não se convencerão mesmo que alguém se levante dos mortos, o que ela foi fazer no inferno?

 Para completar, o Jesus de Mary Baxter a abandona e ela é arrastada por demônios. Torturada, sente dores horríveis, como a carne sendo arrancada de seu corpo… Quando ele finalmente volta:  
 ‘Jesus respondeu carinhosamente: “Minha filha, o inferno é real, mas você jamais poderia ter certeza plena até que você mesma o experimentasse. Agora você conhece a verdade e sabe o que é estar perdida no inferno. Agora pode falar aos outros sobre ele. Tive que deixar você passar por tudo isso, para que você viesse a conhecê-lo sem nenhuma dúvida.”‘  

Mas também não faz sentido. Se ela jamais poderia ter certeza plena até que ela mesma o experimentasse, de que adiantaria falar aos outros sobre ele? 

Em seguida, o trecho que me fez ter vontade de mandar Mary Baxter para a sessão do descarrego:

 “Quando acordei no dia seguinte, estava muito doente. Durante quatro dias eu recordei os horrores do inferno com os seus tormentos. Durante a noite eu acordava gritando e dizendo que haviam vermes rastejando em mim. Fiquei com muito medo do inferno. Fiquei doente por muitos dias após ter sido largada nas mandíbulas do inferno. Tinha que dormir com a luz acesa. Precisava ter a Bíblia comigo o tempo todo e a lia constantemente. (…) Jesus dizia: “A Paz, aquieta-te” e a Paz entrava em minha alma. Mas, poucos minutos depois eu acordava gritando, histérica de medo. (…) Sentia tanto medo de voltar ao inferno, que tinha até medo algumas vezes de ter Jesus perto de mim”  

Como se tudo isso não fosse o bastante, o livro termina com uma “visão” de um futuro muito doido. Distopia, Big Brother (livro 1984, de George Orwell) e apagador de mentes:  

 “Quando olhava, vi um outro homem no escritório muito zangado com a besta. Ele exigiu falar com ele (a besta é um homem). Ele gritava com toda força. A besta apareceu e parecia bem educado quando disse: “Vem , posso ajudá-lo a resolver os seus problemas.” A besta levou-o, então, para uma sala grande e pediu que se deitasse numa mesa. A mesa e a sala lembravam uma sala de emergência de hospital. Deram-lhe uma anestesia e o transportaram para uma máquina grande. A besta prendeu alguns fios na cabeça do homem e ligou a máquina. Na parte superior da máquina estavam as palavras: “Este apagador de mentes pertence a besta, 666.” Quando o homem saiu da mesa, seus olhos tinham um olhar vazio e seus movimentos lembravam os de um zumbi num filme. Vi uma grande mancha branca no alto da sua cabeça, eu sabia que a sua mente tinha sido cirurgicamente alterada, para que deste modo ela pudesse ser controlada pela besta. A besta disse: “E agora, senhor, não está se sentindo melhor? Eu não lhe disse que cuidaria de todos os seus problemas? Eu dei-lhe uma mente nova. Não terá mais problemas nem preocupações.” O homem não respondeu.”  

A prova final de que Mary Baxter inventou tudo isso é o seguinte trecho, que ela escreve antes de descrever sua experiência de ser torturada pela segunda vez (ah, é, o “Jesus” a abandona pela segunda vez, sem explicação plausível):  

 “O que você vai ler agora, o deixará assustado. Oro para que isto o assuste o suficiente para fazer de você um crente. Oro para que você se arrependa de seus pecados, a fim de que nunca venha para este lugar.”  

Comoassim, Mary? “Oro para que isto o assuste o suficiente para fazer de você um crente”?? Então um crente nada mais é do que um incrédulo assustado? Veja o perigo de se tentar fazer a obra de Deus na força do braço.  

A conclusão final: o livro é uma ficção ruim. Uma tentativa de fazer um A Divina Comédia Gospel, usando a carta de “revelação” para que ninguém possa contradizê-la (sob o risco de estar contradizendo Jesus, imagina!). É o relato ficcional de uma mentirosa bem-intencionada. Se você quiser ler como ficção, fique à vontade. Só não saia por aí dizendo que Jesus realmente levou a mulher para o inferno.
 
Apesar da forma como ela decidiu apresentar essa ideia ser errada, o inferno é real, sim. A palavra de Deus é bem clara a respeito dele. Não sabemos se ele tem alguma forma (pouco provável) ou subdivisões. Nele, há fogo, choro e ranger de dentes. Há tormento que não se compara ao sofrimento que a pessoa passou neste mundo, afinal de contas, no mundo há coisas boas, mas no inferno não há mais nada de bom. Há fogo que queima e não consome nem ilumina. Há escuridão e trevas de tal forma que se alguém realmente fosse até lá, não enxergaria nada para contar a história (seria um livro bem esquisito). Não há plataformas em que se possa andar. Não há salinhas de isolamento. Há fogo, dor e tormento. Por toda eternidade. 
 
Deus não quer que ninguém vá para o inferno — nem para avisar a outras pessoas. O ser humano abriu seu caminho para lá quando se afastou de Deus. Passaremos a eternidade ao lado de quem escolhemos servir e viver durante nossa vida neste mundo. A morte pode chegar a qualquer momento e devemos escolher, ainda neste mundo, onde iremos passar a eternidade. Esta vida deve ser um treinamento para nos tornarmos cidadãos do Reino de Deus, seguindo as Palavras do verdadeiro Senhor Jesus, o da Bíblia. Só assim teremos condições de viver com Ele para sempre. 
 
 
 
.
 
Vanessa Lampert  
 
PS:  Essa resenha deu alguns filhotinhos. Tem mais um trechinho deste livro em outro texto, ainda mais absurdo e perigoso, “Pessoas não são demônios”. (Clique aqui para ler). E o texto “Sobre viagens ao inferno e ‘Profecias’ em geral” Clique aqui para ler.

 

Rompendo o silêncio

free

Crianças, adolescentes e adultos abusados e que preferem esconder, como se o silêncio fizesse com que o passado deixasse de existir. Mulheres agredidas por maridos e familiares e que preferem manter o silêncio ou não ir até o fim em seus direitos, acreditando que o silêncio as protegerá.

Manter o silêncio é dar ainda mais munição ao agressor. É dar-lhe a ilusão de impunidade. É manter o veneno corroendo a sua alma, lhe matando por dentro enquanto você não consegue perdoar, nem seguir em frente, pois aquele que lhe feriu continua lhe ferindo mesmo depois de parar de respirar.

Para isso surgiu o Projeto Raabe: lhe ajudar a romper o silêncio com segurança, lidando com a situação dentro de você e do lado de fora, também. Nosso objetivo é transformar vítimas em sobreviventes.

Não passei por violência doméstica. Não tive essa experiência. No entanto, a dor de uma mulher é a dor de todas as mulheres. Não há como não se solidarizar com essa causa. Vi mulheres idosas, jovens, adolescentes e crianças que têm (ou tiveram) a violência como realidade. Vi a destruição que o silêncio pode causar e a transformação e liberdade que o Projeto tem trazido a essas pessoas.

Neste sábado, dia 24 de novembro, às 12h, teremos a II Caminhada Rompendo o Silêncio. Acontecerá em várias capitais do Brasil e em algumas cidades do mundo. Aqui em São Paulo será às 12h, saindo do Largo 13, em Santo Amaro, até a Rua João Dias, 1800, onde teremos um evento de conscientização sobre o combate à violência doméstica e familiar, que terá palestras, depoimentos, apresentação de uma pequena peça teatral e atendimento profissional.

O evento é aberto a todos os que quiserem participar, a caminhada também. Então, fica aqui o convite a quem se sensibiliza com essa causa. O problema da violência doméstica é de toda a sociedade, pois pode acontecer em qualquer família e tanto a prevenção quanto o tratamento merecem nossa atenção e esforço.

Mais informações no site do projeto: www.projetoraabe.com

Como ler até o fim?

Eu leio rápido. Sim, eu leio muito rápido. Exige bastante da minha cabeça, mas posso ler um livro de 200 páginas em poucas horas, se hiperconcentrar. Não é uma habilidade especial de X-Men, não sou uma super-heroína…rs…minha teoria é que isso é fruto do hábito. Quanto mais você lê, mais rápido você lê. No entanto, a pergunta dessa leitora merece um texto-resposta, pois pode ajudar outras pessoas:

Ei Vanessa, como vc consegue ler tantos livros? Comecei ler amor de redenção há 3 meses e ainda não terminei.

Esta pergunta engloba aquelas que dizem que não têm tempo para ler. Ela ainda não tinha percebido que seu problema não era a falta de tempo para ler, ou alguma dificuldade com a leitura, mas o fato de ela não estar valorizando.  Quanto mais você se habitua a ler, mais rápido você lê. Mas como criar esse hábito? Pergunto: se alguém te dissesse que ao final da leitura de Amor de Redenção, você ganharia um milhão de Reais, em quanto tempo você o leria? :-)  No entanto, o que a gente ganha com a leitura vale muito mais do que um milhão de Reais, mas como não vem em cédulas, muitas vezes a gente não dá valor.

Você deve olhar como uma atividade importante, tem que valorizar. Sim, eu leio muito rápido, pela prática, mas mesmo sem ler rápido, se você lesse três folhas por dia, por exemplo, terminaria Amor de Redenção antes mesmo desses três meses. Uma pessoa normal deve levar uns cinco a dez minutos para ler isso, ou menos, sei lá. Já pensou? Se você dedicar míseros dez minutos do seu dia à leitura, logo, logo saberá o final da história :-) .

É a questão de organizar o tempo, de fazer novas escolhas. Trocar um pouco do tempo que a gente fica no Facebook ou no Twitter, ou na televisão, por exemplo, por ler nem que seja três páginas por dia (o que ainda é ridiculamente pouco…rs…). Talvez você se empolgue e leia mais…rs…mas tudo é na base da perseverança e do sacrifício, principalmente no começo. :-)

Não pense em ler rápido, mas pense em ler até o fim. O importante é ter pequenas metas. Talvez isso funcione bem para quem está iniciando o hábito. Ao invés de se cobrar ler o livro inteiro e se deixar levar pela ansiedade ao ver que a coisa nunca acaba, coloque a meta de ler no mínimo três folhas por dia. Se você se empolgar e ler mais, não tem problema. No dia seguinte, a meta volta a ser no mínimo três folhas. Não pode ler menos do que isso. Mais do que isso, pode.

Entendo arrastar a leitura de um livro chato. Existem livros com linguagem complicada, mais técnica, mais sisuda, e que ficam mesmo complicados de ler. Mas livros com linguagem mais leve (Amor de Redenção só é arrastado no começo…tendo paciência e perseverança, a leitura deslancha rapidinho), o sacrifício vai diminuindo com o passar dos dias, como um músculo atrofiado que volta a ser exercitado.

Portanto, não se deixe levar nem pela ansiedade de terminar rápido, nem pelo desânimo de não terminar a leitura. As pessoas conseguem ficar uma hora em frente à TV vendo novela, conseguem ficar uma hora e meia em frente à TV vendo futebol, isso sem contar o tempo absurdo que é jogado fora nas redes sociais…nas horas em que você está online, tem a sensação de bem-estar, mas para onde vai esse tempo? É diferente de ler artigos que tragam algo útil para a sua vida. As informações nas redes sociais são voláteis, tenha consciência disso.

Não é errado ter perfis em redes sociais, mas se você passar o tempo todo vendo a timeline no twitter e o feed de notícias do Facebook (ou jogando conversa fora no msn), não fará mais nada na vida e não construirá nada com isso. Tudo deve ser feito com equilíbrio e autocontrole. A propósito, o Davison encontrou a seguinte tirinha para ilustrar o que estou dizendo…rs…

armadilha

Cuidado com essas armadilhas da internet, que sugam seu tempo e sua energia e lhe impedem de fazer o que você realmente gostaria de estar fazendo, se tivesse consciência do quão pouco tempo nos resta, na prática, neste mundo.

.

Livros que não são o que parecem – Cinquenta tons de cinza

Abro parênteses na série “Livros que não são o que parecem” para tratar de um que não é religioso. Nesse caso, é um livro que parece ser bom – por estar no topo dos mais vendidos de ficção – mas é uma porcaria. Eu achei que não precisasse resenhar Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey). Para mim, todo mundo já sabia do que se tratava: um romance sem valor literário, com cenas de sexo sadomasoquista. Mas nem todo mundo sabe. Tenho recebido perguntas a respeito e fiquei preocupada. Achei melhor escrever uma resenha. Caso alguém lhe pergunte, você também saberá o que dizer.

O livro é ruim. Sob diversos aspectos. Cenas arrastadas, construção pobre, a personagem passa muito tempo com os mesmos questionamentos e frases repetidas, o que o torna cansativo. A linguagem às vezes é muito forçada…A autora cria diálogos dignos dos piores livros de banca de jornal. O problema não é um livro ter cenas de sexo, porque é como os filmes, se formos deletar todos os que têm cenas fortes, ficaríamos com pouquíssimas opções de entretenimento. Mas as cenas de sexo de Cinquenta tons de cinza vêm em uma quantidade excessiva e descontextualizada e são descritivas demais, algumas beirando o ridículo. Coisas como (um trecho neutro, of course. Temos menores de idade aqui):

Com um movimento suave, ele ajeita o seu corpo, de modo que, o meu torso está descansando na cama ao lado dele. Ele joga a perna direita sobre as minhas duas pernas e bota o seu antebraço esquerdo na parte de baixo das minhas costas, segurando-me para baixo, assim eu não posso me mover.

Amigos, eu não sei se o problema é comigo, mas eu não sou muito visual. Eu simplesmente não consigo visualizar isso e em minha cabeça, na terceira frase, os dois já estão embolados em um perfeito nó, como se fossem dois polvos enroscados, jogando batalha naval, sem o menor romance.

Mas esse não é o problema.

Acho impressionante como no século 21, em que falar de “submissão” em termos bíblicos causa espanto e horror, um livro que trate de submissão em termos degradantes faça tanto sucesso. Quero dizer, uma submissão que valorize a mulher é descartada à primeira menção, mas uma “submissão” que a desvalorize e a transforme em mero objeto é fascinante? Isso faz algum sentido?

A mulher tem uma necessidade natural de se sentir segura, amada, cuidada, protegida…tem a necessidade natural da submissão saudável a um homem que lhe dê essa segurança. A sociedade aboliu a submissão saudável, mas não consegue tirar da mulher a necessidade de segurança…sendo assim, a submissão distorcida e doentia encontra espaço suficiente para instalar…e essas distorções tornam-se normais, aceitáveis e até desejáveis!

Christian Grey é um homem  lindo e rico. Anastasia Steele é universitária e inexperiente. Eles se apaixonam e ela descobre que ele é um dominador sádico e quer iniciá-la.  Se fosse apenas isso, talvez o livro não fizesse tanto sucesso. Ele teve uma infância difícil, maltratado pela mãe biológica,  adotado aos quatro anos, foi abusado aos 15 anos por uma amiga casada da mãe adotiva. Essa amiga lhe apresentou o sadomasoquismo, e esse foi o único tipo de relacionamento que ele conheceu. Anastasia quer ajudá-lo. Não é amor – não o amor verdadeiro – mas um punhado de emoções e sensações que mexe com a cabeça das leitoras carentes e as prepara para aceitar relacionamentos doentios com homens desajustados.

Há uma necessidade de confiança entre os dois, para que ela se entregue totalmente a ele. Um relacionamento baseado em confiança e entrega…não é tudo o que as mulheres querem? Ele abre a porta do carro, se preocupa com sua segurança, está sempre pronto a protegê-la, a cuidar dela, lhe dá 100% de atenção e se preocupa em satisfazê-la…preenchendo todas as necessidades que as “mulheres modernas” têm desprezado…Só tem um “detalhe”: ele a oprime, a persegue e tem prazer em bater nela! E ela se tornou sua escrava.

Vê o tamanho do problema? O quanto é perigoso para a cabeça de mulheres carentes? Percebe o tamanho do perigo de romantizar um relacionamento doentio?  De ver isso como normal? Ao aceitar um relacionamento abusivo, você se priva de conhecer o verdadeiro amor e tudo de maravilhoso que ele traz…o amor faz o bem ao outro, não o mal. Em questões comportamentais, principalmente quando se trata de relacionamentos, obras de ficção têm, sim, um grande impacto. Pode apostar que muitas mulheres flexibilizarão seus limites por terem visto algo de “bonito” e “excitante” no relacionamento de Anastasia e Christian Grey.

Anastasia submete-se ao mais degradante, para não perder Christian. E tenta compreender o incompreensível, dizendo que ele sofre, se esconde em suas sombras… Desculpe, mas depois de conhecer as histórias reais das mulheres no Projeto Raabe, eu não consigo ver nenhum lirismo nisso. Isso não é submissão. Isso não é bonito. Anastasia não está feliz com o relacionamento, sente-se usada, sente-se mal, sente-se culpada e há um esforço por parte dele em tentar fazer com que ela se livre do sentimento de culpa. E a autora mostra tudo como se fosse lindo, como se fosse amor, como se fosse legal e prazeroso.

”Não desperdice sua energia em culpa, sentimentos de injustiça, etc. Nós somos adultos responsáveis e o que nós fazemos a portas fechadas está entre nós. Você precisa liberar a sua mente e escutar o seu corpo.”

Isso é uma tremenda enganação. Vai acreditando que “liberar sua mente e escutar o seu corpo”, fazendo qualquer coisa, não terá consequências. Sim, somos adultos, e por isso mesmo devemos pensar, e não agir por instinto, por emoção, não devemos nos guiar por sensações e por nossa mera vontade…se começarmos a agir assim – e é o que o mundo nos cobra – nos transformaremos em seres bestiais. Parece um quadro digno de ser pintado pelo diabo.

E eu vejo nisso o que a sociedade em geral tenta nos empurrar goela abaixo:

“ Siga o seu coração, querida, e por favor, por favor, tente não pensar demais sobre as coisas. Relaxe e aproveite. Você é tão jovem querida, você tem tanto para experimentar, apenas deixe acontecer.”

Amiga, faça isso e se encrenque pelo resto da eternidade. Me parece a própria voz do diabo, dando a receita para um futuro infeliz. Sim, siga o seu coração, não pense, relaxe e aproveite. E estatele-se ao cair do precipício. Sim, porque é para lá que o “siga seu coração e não pense” nos leva, pode crer. Mas Hollywood e toda a conspiração do entretenimento emburrecedor insiste nessa tecla infinitamente.

O livro  ilude e tenta romantizar o que na vida real não tem absolutamente nada de romântico.  E eu me pego pensando que já temos porcarias demais no mercado literário e na cabeça das pessoas para que precisemos desse tipo de coisa. São mais de quatrocentas páginas, amigos. Quatrocentas e oitenta páginas do seu tempo, que não voltam mais. Tenho certeza de que você tem coisa mais importante para ler em 480 páginas. Se tiver bom senso, passe longe desse livro. É o melhor conselho que posso dar.

Agora temos uma porção de garotinhas (e mulheres mais velhas também, por incrível que pareça) suspirando pelo fictício Christian Grey, sonhando com  chicotes, espancamentos e sessões de sexo selvagem e vazio descritas como danças de polvos malucos que uma hora estão de pé, em outra estão de cabeça para baixo (já disse que simplesmente não consigo visualizar descrições longas). E eu prefiro nem pensar no que pior esse mundo ainda pode inventar, como novo “fenômeno literário”.

Vanessa Lampert

Para ler as resenhas arquivadas, Clique aqui. E para ler as recentes, clique aqui.

PS: Falando em “coisas melhores para ler”, me lembrei de um livro (que muitos de vocês sabem que é um de meus preferidos) que fala de amor de verdade e é extremamente bem escrito. Se você ainda não leu o “Amor de Redenção”, dê uma lida na resenha,clique aqui para ler.

Originalmente publicado no blog Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.

Eu mereço ter dinheiro!

Pegando carona no assunto da minha colega de quintas-feiras Patrícia Lages (com quem tenho aprendido bastante, a propósito :-) ), a resenha de hoje é sobre o livro Eu mereço ter dinheiro! (Editora dsop), de Reinaldo Domingos. Um livrinho curto, divertido e bem instrutivo. Apesar de ser direcionado a mulheres, a mensagem pode ser aproveitada por qualquer pessoa! E mais uma vez apelo, como sempre, aos homens inteligentes que nos leem: não sejam preconceituosos com “literatura feminina”. Vocês podem ajudar suas esposas, namoradas e futuras namoradas ao ler livros direcionados a elas, como o A Mulher V ou Eu mereço ter dinheiro (a menos que vocês gostem muito de ter mulheres que não saibam lidar com dinheiro, não saibam se valorizar, não queiram melhorar e não sejam dignas de confiança… :-) ).

Antes de falar sobre o conteúdo, devo confessar que o que chamou a minha atenção de longe foi a capa. Mais chamativa, impossível! Ela simula um espelho com o título “Eu mereço ter dinheiro!” escrito com “batom” que eu acho que é rosa choque e o Davison afirma categoricamente que é vermelho. Então, para não brigar com meu marido, digamos que o batom seja um vermelho com um discreto reflexo rosado…rs… Mas a capa é lindamente escandalosa.

O autor explica os princípios básicos para se conquistar uma vida financeira estável, com bom humor, usando como exemplos as mocinhas dos contos de fadas. Quando li isso na sinopse, meu lado ranzinza já pensou: “ih, deve ser uma bobagem…” Mas como meu lado ranzinza há muito perdeu espaço para meu lado feliz, saltitante e aberto a novidades, achei que poderia ser uma grande sacada, para alcançar até mesmo as garotas mais novinhas e consumistas ou as mais velhas e bem humoradas (como eu). E acertei na mosca! (Tadinha da mosca.)

Você nunca imaginou que Branca de Neve, Cinderela, Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho e suas amigas pudessem ter algo a ensinar sobre sua vida financeira, né? Elas são usadas de forma divertida, ilustrando os ensinamentos do autor. Ao ouvir isso, você pode achar que o livro parece infantil, mas não é! Aliás, Reinaldo Domingos tem livros infantis sobre educação financeira (ideia genial, se eu tivesse aprendido sobre isso na infância, teria evitado problemas sérios no meu casamento, anos depois), mas este livro, especificamente, é para mim e para você, mulher, não tente fugir e entregar para a sua sobrinha…rs…

Infelizmente, é muito pequeno o número de mulheres que têm independência financeira de verdade, porque o conceito de independência financeira pressupõe mais do que “ter o seu próprio trabalho e ganhar o seu próprio dinheiro”. Só é independente financeiramente a mulher que puder dizer que, se algo lhe acontecer e ela tiver que parar de trabalhar, ainda assim ela terá como manter seu padrão de vida hoje e no futuro. Ou seja, uma mulher que não dependa do marido, mas que tampouco dependa do trabalho para se manter. Uma mulher que tenha realmente dinheiro!

Uauuu…isso foi um soco no meu fígado, Reinaldo! Quantas mulheres podem dizer que são realmente independentes? E se você levar em consideração essa definição, verá que até mesmo as que optaram por ser donas de casa precisam de educação financeira, para ajudar seus maridos a alcançarem essa independência (ou pelo menos para não atrapalhar, instalando um ralo ligado a um buraco negro nas contas do casal).

Já contei aqui que eu tinha uma relação complicada com o cartão de crédito e descontava minha ansiedade em compras inúteis. Não comprava um monte de sapatos, nem bolsas, mas era doida por liquidação. De qualquer coisa. Desde camisetas e meias nas Lojas Americanas, até chocolates, cremes para cabelo, maquiagens e cadernos, muitos cadernos. Eu tinha um relacionamento 100% emocional com o dinheiro.

Mas não era apegada, não mesmo. Era tão desapegada que dava todo o dinheiro que eu tinha e que eu não tinha para qualquer loja que me entregasse uma bugiganga em troca..hahaha… Esse livro também trata desse tipo de problema,  lhe ensinando a ter uma relação mais racional com suas finanças. Ele fala em “amar seu dinheiro” não no sentido de fazer dele o seu deus, mas de não agir como se o odiasse (mal chega em suas mãos e você já quer passá-lo adiante). Aprender a ter uma relação mais racional é isso:

A partir de hoje, quando você passar pela vitrine de uma loja sem cair em tentação, saberá que está abdicando de ter uma bota de cano alto da grife do momento, por exemplo, porque está trocando um pequeno prazer imediato por um sonho maior e mais importante. Ou seja, você estará trocando a gratificação momentânea por algo melhor no futuro. Lembre-se: quando você se guia por impulsos, você erra!

Esse é o caminho que sempre funciona: renunciar, racionalmente. É um caminho doloroso, porque abre mão do prazer imediato por uma satisfação maior, mas que levará um pouco mais de tempo. É aquela velha luta que exercita nosso domínio próprio.

O que ele diz abaixo serve para diversas áreas da vida, desde o gerenciamento financeiro, uma reeducação alimentar, até a nossa vida espiritual! Leia isso quantas vezes precisar, saber colocar isso em prática pode fazer a diferença entre vencedores e perdedores:

Por isso, às vezes, é mais sábio ir pelo caminho mais longo para obter um sonho de consumo, sem se deixar influenciar por agentes externos, juntando o seu dinheiro primeiro para, então, de posse dele, fazer a aquisição desejada. Ao longo do processo de aplicação prática do que você está aprendendo neste livro, muitas pessoas vão lhe dizer que isso tudo é uma bobagem, que seu esforço não vai dar em nada. Suas colegas irão convida-la para praticar shopping-terapia em seus momentos de maior fragilidade, tentando desvia-la do caminho. Mas lembre-se!Os vencedores só são vencedores porque não perdem de vista uma coisa chamada resistência. Resista! Resista! E…resista!

Você está trilhando uma jornada pessoal. Ela é só sua! Ninguém mais poderá entender o que a move. Então, deixe as outras pessoas fora dela. As que realmente forem suas amigas e a amarem, certamente estarão ao seu lado lá na frente. Deixe que digam que você se tornou careta ou que anda meio desenturmada! Nada disso importa agora, porque, lá na frente, daqui a alguns anos, você estará bem de vida, e, talvez, muitas dessas pessoas que hoje a criticam não terão a mesma sorte. Se necessário, reveja seu círculo de amizades, os lugares que tem frequentado e os produtos que anda consumindo. Será que essas escolhas cotidianas realmente a fazem feliz, ou são apenas tentativas furadas de impressionar (a quem?) ou se sentir aceita (onde?)?

É tomar as rédeas da sua vida, se valorizar, assumir suas escolhas, manter o foco e seguir em frente, rumo à inevitável vitória.

Vanessa Lampert

Para ler as resenhas arquivadas, Clique aqui. E para ler as recentes, clique aqui.

PS: Me chamaram a atenção as ilustrações divertidas, economicamente espalhadas em algumas páginas, que dão um ar mais leve ao livro. Beeem antigamente, era comum encontrar ilustrações em livros adultos, hoje o trabalho desses profissionais nem sempre é valorizado. Ponto para a editora dsop, que investiu no trabalho da  ilustradora Luyse Costa.

PS2: Todo mundo já sabe como faz para que sua foto apareça ao lado do comentário? Quem ainda não fez e quiser fazer, clique aqui e siga as instruções do post :-) Mas não é obrigatório, obviamente, pode comentar em paz sem foto…rs…

Originalmente publicado no blog Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.

Gatinho para adoção no Rio de Janeiro

fussolini

Essa criaturinha minúscula é o Fussolini, seus irmãozinhos já conseguiram um lar, agora é a vez dele :-)A empregada de minha amiga Claudia Letti conseguiu salvar uma ninhada que a vizinha ia “jogar fora”. A mulher já estava saindo com os gatinhos, foi por pouco…como tem gente ruim nesse mundo, viu? Depois não sabem por que as coisas ruins acontecem. O ser humano tem responsabilidade sobre os outros seres vivos. Crueldade e irresponsabilidade jamais atrairão algo de bom, não é verdade?

427884_437732156284375_1017959030_nFussolini é um gatinho alegre, brincalhão e carinhoso, mal deve ter dois meses. É um bebê. Bebês gatinhos são engraçados, bonitinhos, mas não são de brinquedo. Fussolini vai crescer e se tornará um gato lindo, grande amigo de quem tiver a sorte de adotá-lo.  Marcará para sempre a vida de quem conviver com ele. Quem sabe você esteja diante de seu futuro amigo, de seu gatinho especial?

Conosco aconteceu assim. Nosso primeiro contato com o Tiggy foi através de um anúncio de blog. Como Fussolini, ele havia sido abandonado ainda bebê. O Davison se apaixonou pela foto daquele gatinho orelhudo e adotamos o meu grande amigo felino, o gato mais carinhoso do universo, e em dezembro fará oito aninhos! A Claudia Letti, que está hospedando o Fussolini, foi quem me doou a Ricota, em 2005. A ela eu devo minha amiguinha desmiolada.

Se você está no Rio de Janeiro, quer um gatinho e gostou do Fussolini, mande um email para claletti@gmail.com

fussolini2Se você não pode adotá-lo, pode ao menos divulgar! Você pode fazer a diferença na vida desse bichinho e na vida de alguém que terá a alegria de ter a companhia dessa fofura pelos próximos vinte anos! Divulgue este post e ajude o Fussolini a encontrar seu humano particular! :-)

Veja, em raro momento de honestidade

O título do vídeo é autoexplicativo: “Propaganda de 2003 mostra leitor de Veja como idiota manipulável”. Ainda estou um pouquinho impressionada com o grau de realismo que enxergo nesta peça publicitária e com o fato de ninguém ter percebido o potencial ofensivo a um possível futuro leitor. Impressionada.

Se o vídeo abaixo não abrir, clique aqui para assistir no Youtube

Já falei de outro momento de honestidade da Veja, assumindo que acha o leitor idiota e manipulável. Clique aqui para ler.

The Love Walk 2 – A missão

love.landscape2

Como tivemos uma boa experiência com a primeira edição da Caminhada do Amor, ficamos bem animados ao saber que teria uma segunda edição ainda este ano. Confesso que cheguei a pensar que a conversa seria mais rápida, já que o último The Love Walk  foi há meros sete meses, mas a impressão que eu tive é que desta vez conversamos mais – e melhor.

Tive muito mais facilidade em responder até mesmo às perguntas mais complicadas. Estou convicta de que esta segunda edição foi ainda mais proveitosa por já termos participado da primeira. (Mal posso esperar pela terceira!…rs…) O Love Walk não me ajudou apenas a conhecer melhor o meu marido, mas a mim mesma. Da mesma forma, ele me conheceu melhor, e também fez um exercício de autoconhecimento. Foram três horas de uma conversa franca, agradável e profunda. Ainda melhor do que da primeira vez (quando me senti uma mulher das cavernas, que mal conseguia se abrir, dizendo “uga…buga”, batendo um pedaço de osso no chão…argh).

Você tem a oportunidade de trazer o outro para mais perto do seu mundo…ainda que acredite que vocês estão suficientemente unidos, vá por mim: uma experiência dessas lhe mostrará o quão mais próximos vocês podem estar. Não conheço nenhum casal mais unido, amigo (e grudado) do que eu e o Davison, e mesmo assim, terminamos a caminhada infinitamente mais íntimos do que começamos.

As perguntas do kit são simples, mas não subestime o resultado de uma caminhada dessas, quando se leva em conta o conjunto perguntas+regras+disposição. Entre as regras, não ficar na defensiva, não acusar, deixar o outro falar (e ouvir atentamente) e manter o tom positivo.

Um dia fantástico… Como disse o Davison, aparamos novas arestas. E vamos assim, com um relacionamento redondinho, cumprindo todos os acordos que fizemos hoje. O progresso que tivemos em uma tarde de diálogo direcionado, provavelmente demoraria meses – ou anos – para acontecer sem comunicação. E olha que nos comunicamos bastante! Mas não sei explicar, estar ali só para isso, com esse foco, uma lista de perguntas a seguir, com regras, sem brigas, com tolerância e amor, cria as condições ideais de temperatura e pressão para que as coisas se desenvolvam.

Objetivos alinhados, arestas aparadas…entendemos as raízes de problemas que não tínhamos identificado antes e saímos do Ibirapuera com a convicção de que conseguiremos superar todos os desafios, com a ajuda um do outro. Tenho certeza de que subimos mais um degrau em nosso relacionamento, que só tem melhorado desde que nos tornamos alunos da Escola do Amor. Agora sei em que posso ajudá-lo. Agora ele sabe em que pode colaborar comigo. Somos um time mais forte, mais unido e – certamente – mais vitorioso.

Somos todos filhos de Deus?

“Somos todos filhos de Deus?” (Editora Unipro), do Bispo Macedo, é um livro completo e de fácil leitura. O título é polêmico, embora um dos fundamentos do Cristianismo seja o fato de que as pessoas não nascem filhas de Deus. São criaturas de Deus e só se tornam filhas depois de nascerem de novo.

Com o passar dos anos, essa lógica parece ter se perdido nas religiões. Hoje todo mundo cresce convicto de que é filho de Deus. Poucos questionam. Então quando alguém afirma o contrário, o choque é inevitável. Mas está escrito: “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”(João 1:12). Ele não precisaria dar-lhes poder de serem feitos o que já eram, não é verdade? Deus deu ao homem capacidade de reproduzir-se e  desde então a responsabilidade de fazer ou não filhos é da mãe e do pai. Nascemos filhos de nossos pais.  Só nos tornamos filhos  de Deus quando nascemos do Espírito, isso é fruto de uma escolha consciente.

O livro não gasta muito tempo com a pergunta do título. Ele a responde, explicando por que nem todos são filhos de Deus, e ensina a como nascer de Deus, como recebê-lo, como ser um desses que têm a honra de ser feito filho de Deus. Entre outras coisas, fala da atuação dos espíritos malignos e da libertação, do batismo nas águas, batismo no Espírito Santo e novo nascimento, do caráter cristão e dos perigos da religião. Sim, porque muitos acreditam que pelo simples fato de frequentarem a igreja, lerem a Bíblia e executarem rituais religiosos, estão próximos de Deus, são filhos dEle ou nasceram de novo. Olhe esses trechos:

Nicodemos não foi reconhecido como um homem de Deus e isso mostra que nem todos os que ocupam cargos religiosos, ainda que sejam os mais importantes, estão na condição de pessoas nascidas de Deus. O nascido da carne acredita que seu trabalho religioso na igreja o faz aprovado como alguém espiritual. E isso não o difere daqueles que fazem caridade pelos aflitos no intuito de agradar a Deus. Obviamente, a caridade é muito bem vista diante do Altíssimo, mas não é suficiente para se alcançar a salvação. Da mesma forma, o trabalho religioso não garante a salvação de ninguém. Para Deus, o importante não é o que a pessoa faz, no que se refere às obras, mas o que ela é.

(…)

“E o Senhor lhes respondeu: “Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição” (Marcos 7.9). Os religiosos não estão preocupados com o interior ou com o relacionamento com Deus, mas em satisfazer o exterior com suas tradições e aparências, que para nada servem.

O religioso é extremamente preocupado com as aparências, e mede tudo por elas. Assim, se uma pessoa, um livro, uma música ou uma igreja tem aparência cristã, o religioso a aceita. Mas se não tem a aparência que o religioso esperava que tivesse, ele logo a rejeita. Julga, condena e executa a sentença.

Eu sempre ficava intrigado com o porquê de o Espírito Santo não realizar o novo nascimento imediato nas pessoas que vinham diante do altar oferecer-Lhe a vida. (…) Hoje tenho a resposta: o problema é que ninguém pode nascer estando vivo (…) Ninguém pode viver duas vidas simultaneamente!

(…)Não se pode ter duas vidas ao mesmo tempo! (…) Se quiser a vida nova oferecida pelo Espírito Santo, terá que abrir mão da vida velha e morrer. Mas, se quiser manter a vida antiga, jamais nascerá de novo! A morte a que nos referimos aqui não é uma morte física, mas espiritual. Em outras palavras, a pessoa tem que renunciar a si mesma, sua vontade, seu eu, e passar a obedecer à Palavra de Deus.

Muito forte, não? Como alguém pode nascer de novo sem ter morrido para a vida velha? O novo nascimento se vê pelos frutos. A nova criatura tem de ser, necessariamente, diferente de quando era uma velha criatura. Isso parece óbvio, mas muitos acham que essa diferença está apenas nos hábitos abandonados: ia para a balada, agora não vai mais. Tinha muitos namorados, agora não tem mais. Bebia e fumava, agora não bebe, nem fuma. Não ia à igreja, agora vai. Isso não é novo nascimento, é apenas mudança de hábitos.

O livro explica o quanto o novo nascimento é profundo. As mudanças vão além daquilo que você pode fazer por si mesmo. Você era nervoso, agora é tranquilo, era maldoso, agora tem prazer em ajudar os outros, era fofoqueiro, agora não gosta de ouvir da vida de ninguém, tinha maus olhos, agora olha a todos da melhor maneira possível, guardava mágoa, agora sabe perdoar, era depressivo, agora é alegre e emocionalmente estável, era desonesto, agora é confiável. Era descontrolado, agora tem domínio próprio. E daí por diante. Por não entender isso, a realidade é a seguinte:

De modo geral, dentro das igrejas evangélicas, as pessoas aceitam Jesus como Senhor e Salvador apenas na teoria. Na prática, fora da igreja, suas atitudes não têm nada a ver com a fé apresentada diante do altar.

Não só as atitudes. Eu  gastei horrores com antidepressivos que não resolveram nada (só davam muuuitos efeitos colaterais). Passei um tempão da minha vida culpando meus neurotransmissores, achando que o problema era físico. Hoje estou convicta de que o problema físico é consequência, e não causa. A causa está dentro da nossa alma. Enquanto houver espaços vazios, há lugar para que o mal se instale e bagunce nossos neurotransmissores. Então, se você está dentro de uma igreja, acha que é de Deus, e tem sofrido com depressão, não se engane. Seja humilde e parta do zero, seguindo o conselho do autor do livro, pois funcionou comigo:

Busque Aquele que tem o poder de curar a sua alma! Assim, quando Ele ocupar todos os espaços de sua vida, a depressão o abandonará para sempre.

Eis algo extremamente negligenciado por quem cai no sono da religiosidade: O filho se parece com o Pai. Talvez por não conhecer a Deus, não saber como Ele é, muitas pessoas têm dificuldade de medir isso, mas é necessário.

Não há como negar a obrigatoriedade de os filhos de Deus terem caráter semelhante ao do Senhor Jesus. Trata-se da imagem de Deus restabelecida no ser humano nascido do Espírito. Pois o mesmo Espírito que gerou Jesus gera os demais sem qualquer distorção de caráter. Quando alguém se posiciona como filho de Deus, mas tem comportamento contrário, certamente está enganando a si mesmo. (…) O primeiro ensinamento do Senhor, no Sermão do Monte, foi sobre a humildade. Ela foi estabelecida como condição básica para a entrada no Reino de Deus. “Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3).

A humildade é característica necessária desde o início, para admitir sua necessidade de nascer de novo, até o fim, para sempre ter a noção de que sua vida depende de Deus. Faz parte do caráter dos filhos de Deus, pois é a única forma de manter-se obediente a Deus, com bons olhos e firme na fé.

Para se tornar filho dEle precisa, antes de tudo, conhece-lo como Ele é. Engolir seu orgulho, vestir-se da mais sincera humildade e aprender como Deus é de verdade. A quem você quer enganar? Quanto tempo vai continuar fingindo ser quem você gostaria de ser, mas que não é, na verdade?

Passei anos assim. Anos. E não era um fingimento consciente, não, eu realmente achava que não precisava nascer de novo. Achava que era filha de Deus pelos anos que tinha de igreja, ou por minha atitude ética (não matava, não roubava, não fumava, não bebia, não me prostituía, não adulterava, odiava mentira, não fazia nada de “errado”, tinha um forte “senso de justiça” – que me fazia brigar com todo mundo…rs – em que tinha que mudar?).

Ao ler “Somos todos filhos de Deus?” Você vai entender que ser filho de Deus não é falar evangeliquês, cantar musiquinha gospel, condenar pessoas ao fogo do inferno, apontar o dedo para os outros e empreender cruzadas contra as pessoas que não são religiosas, como fazem aqueles que mais parecem contratados do exército inimigo para atrapalhar a causa. Ser de Deus, ser filho de Deus, é ter o caráter do Pai, estar disposto a renunciar a tudo, inclusive a si mesmo, para conhecê-Lo e poder ser chamado seu filho e seu amigo. E assim, naturalmente, fazer as obras do Pai e ajudar aos que sofrem.

Vale a pena ler ou reler. Eu tinha lido mais de uma vez, aliás, pois me lembro que um pastor fez até um estudo a respeito, mas relendo agora, em alguns pontos era como se eu não tivesse lido! Bons livros são assim, sempre nos trazem coisas novas, não importa quantas vezes os leiamos. :)

Vanessa Lampert

Para ler as resenhas arquivadas, Clique aqui. E para ler as recentes, clique aqui.

Originalmente publicado no blog Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.