Para 2013

Foram 366 dias.  Ou 8.784 horas. Hoje é dia de todo mundo fazer retrospectiva, analisando o que deu certo e o que não deu no ano que se encerra. É dia também das famosas resoluções de ano novo. Aquele momento em que você faz uma lista do que deseja mudar em 2013, do que quer conquistar. E se compromete a fazer o que for preciso para que essas resoluções se tornem verdade, pois elas não caem do céu.

Então o dia primeiro de janeiro finalmente chega. Todo mundo solta fogos, faz uma barulheira. Uma galera vai beber horrores, como se isso garantisse alguma felicidade ou alegria no ano que se inicia (Só vai garantir uma bela ressaca no dia seguinte). Pessoas se abraçam, telefonam, dizem aquelas palavras decoradas “feliz ano novo”, “feliz 2013”, “muita paz, alegria, prosperidade”. Isso é o que todo mundo deseja para todo mundo.

Aqui está o que eu desejo para 2013: que a gente não perca tempo. 2012 viu muito sofrimento desnecessário, muito questionamento inútil, muito medo paralisante, muito tempo jogado no lixo. Foram 366 dias. Você se lembra de todos eles? Foram 8.784 horas. O que você fez com cada uma delas? Quantas horas passou chorando? O que isso adiantou? Quanto tempo ficou se lamentando, ou se sentindo fraco, se sentindo inadequado, se sentindo isso ou aquilo? Quanto tempo discutindo inutilmente, tentando provar seu ponto de vista?

366 dias, e você ainda achou que 2012 foi curto. 2013 terá um dia a menos. 365, de um ano normal. 8.760 horas, para você distribuir da maneira que achar mais adequada. 8.760 horas nas suas mãos, dependendo de boas escolhas para serem bem aproveitadas.

Não é necessário fazer apenas grandes coisas com o tempo que você tem, mas se executar bem as pequenas coisas que tem a fazer, verá a diferença. Buscar o melhor e ser prático. 2013 será apenas um período de colheita do que plantamos nos anos anteriores, e de plantio para os próximos anos. Entendendo que a responsabilidade pelo seu futuro está em suas mãos e que as possibilidades são infinitas (algumas realmente maravilhosas), defina o seu objetivo, escolha as melhores sementes e siga em frente, sem se desviar.

PS: 2012 também viu muuuito tempo de muita gente escoando ralo abaixo em joguinhos, e também no Facebook e no Twitter, com coisas que amanhã já se tornarão obsoletas…2013 quer ver mais leituras úteis, mais organização, disciplina e otimismo. Maior crescimento espiritual. Você não pode admitir terminar 2013 sendo a mesmíssima pessoa desse final de 2012. Cada ano é uma oportunidade de nos tornarmos versões melhores de nós mesmos. :-)

O verdadeiro significado da cruz

Nesse período de festas de final de ano as pessoas ficam emotivas e subitamente religiosas. Gente que torce o nariz para igreja no restante do ano, admira presépios e reverencia o “menino Jesus” no natal, embora o foco esteja, é claro, nos presentes e na comida da ceia. No entanto, esta festa jamais foi instituída na Bíblia.

O acontecimento mais importante da vida de Jesus para os seus seguidores, não é seu nascimento, mas sua morte e ressurreição. Nasci ouvindo que “Jesus morreu por nós”, que “o sangue de Jesus lavou nossos pecados” e que “Jesus venceu a morte”, mas demorei muitos anos para entender exatamente como aconteceu essa coisa toda. Provavelmente se eu tivesse lido um livro tão claro como “O verdadeiro Significado da Cruz”, (Editora Unipro), de Marcelo Crivella, teria entendido bem antes. Espero que os trechos do livro e meus comentários lhe ajudem a entender, também. E vale muito a pena ler (e reler) este livro para uma compreensão mais profunda.

O livro começa explicando como era o mundo e a condição espiritual do ser humano antes da morte de Jesus. A ideia original de Deus, ao criar o homem e o mundo, era algo bem distante do que vemos hoje. O universo foi feito para que a Terra tivesse condições de existir. Tudo foi criado com perfeição e era bom. Até o momento em que o homem, que tinha toda a autoridade sobre a criação, passou essa autoridade ao mal através de um ato de desobediência, ao dar ouvidos à voz do diabo. Toda a criação passou a estar sob o domínio do mal, e essa é a razão da situação decadente do mundo atual. Jesus é a nossa única chance de restabelecer essa ligação que foi perdida, retomando, a autoridade sobre este território que é nosso, mas está dominado pelo inimigo.

“No início, todos os minerais e metais, todas as pedras preciosas e as formas de produção de energia – como o vento, a água, o carvão, a eletricidade, os combustíveis e todas as leis da Física e da Química – estavam apenas esperando para serem dominados pelo homem. (…) O homem precisou de milhares de anos para descobrir a eletricidade – que já existia desde o início, mas ninguém podia ver – e como extraí-la dos ventos e quedas d’água. O resultado da nossa distância de Deus é estupidez e tempo perdido. Aquilo que Ele revelaria ao Seu filho amado em poucos dias, no paraíso, demorou séculos para ser descoberto, por motivo de Sua ausência no homem.”

Aqui eu me lembro daqueles que querem parecer muito “inteligentes” alegando que Deus e ciência são opostos. Não são e nunca foram. A ciência equivocada, aquela que rejeita tudo o que possa sugerir a existência de uma inteligência superior por trás do que conhecemos, esta, sim, é oposta a Deus, por não ser sequer ciência. O problema é que as pessoas confundem Deus e religião e dirigem ataques ao primeiro por conta de questões relacionadas à segunda.

Sem religião, provavelmente a ciência teria avançado mais rápido, mas sem Deus, só temos tido perda de tempo e atraso nas descobertas científicas. Se isso lhe parece incoerente ou contraditório, deixe para trás suas ideias pré-concebidas. Deus não é religião e religião não é Deus.

“A justiça de Deus requer que Ele Se separe daquilo que é errado e imperfeito. Esta grande separação entre a luz e as trevas, santidade e pecado, pureza e impureza, é a morte, às vezes chamada de grande abismo. (…) Deus não criou a imperfeição; quem a criou foi o diabo. Imperfeição não pertence à lógica original da Criação; está fora, fica do outro lado e permanece lá, pela Justiça de Deus”.

Hoje em dia as pessoas não querem saber como Deus é, querem definir elas mesmas como Deus deveria ser, de que tipo de deus elas precisam naquele momento, e tentam colocá-Lo na caixinha que fizeram. As religiões também fazem isso. A questão toda, para se entender Deus de uma forma não-religiosa, é saber que Ele é um indivíduo com características próprias e imutáveis. Ele é 100% justo e puro. Um ser que é 100% puro e justo não pode conviver com injustiça e impureza. A morte e a imperfeição na Terra vieram com a desobediência que afastou o homem de Deus.

Se Deus é vida, estar longe de Deus é a própria morte. Por isso, o pecado só podia ser perdoado se houvesse a morte de outra criatura, (um animal, pois os animais são inocentes, não têm pecado) sobre o qual, simbolicamente, o pecador arrependido lançasse o seu erro, sua própria morte. Aquela criatura, então, morreria no lugar do pecador, e levaria o seu pecado, fazendo com que Ele tornasse a ser puro e justo diante de Deus…até o próximo pecado (já que para ser um sacrifício perfeito e que valesse para sempre, o substituto teria de ser outro ser humano adulto e sem pecado).

Quando Deus disse a Adão e Eva que se comessem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, certamente morreriam, estava falando sério. A desobediência os afastou de Deus, o que é a melhor definição possível de morte.

“A morte é o lugar longe da presença d’Ele. Jesus sabia que Deus não iria estar lá com Ele, e que só voltaria se fosse perfeito, vencendo como ser humano todas as tentações e fraquezas. Ele, e somente Ele, enfrentaria a morte. Nunca havia estado lá e Deus não O ajudaria, porque na cruz o Senhor Jesus era a imperfeição do homem.”

Lá estava Jesus, simbolizando aquela criatura inocente, sem pecado, que deveria ser sacrificada levando sobre seu corpo os pecados da pessoa arrependida. Ali Ele carregava os erros, falhas e desobediências de toda a humanidade, para restabelecer o elo que havia sido quebrado entre o homem e Deus, quando o homem foi infiel pela primeira vez. O sacrifício dEle foi perfeito, porque Ele era homem, o único homem que se manteve sem pecado, e pode substituir perfeitamente toda a humanidade, seus iguais, que através de sua morte, ganharam o direito de escapar da morte, da separação de Deus.

“Não era o sacrifício físico, mas a verdadeira morte que Lhe afligia. Não foram a coroa de espinhos, as chicotadas, os pregos, a cruz e os socos dos soldados que causaram no Senhor Jesus uma dor indescritível, mas a morte sem Deus e sem o Espírito Santo.”

Maior tortura do que ferimentos físicos é o sofrimento espiritual de estar afastado de Deus. Sofrimento esse que faz com que a pessoa pense que a morte poderia aliviar sua dor e lhe trazer um pouco de paz (sinto muito, mas não pode. Morte é o que você experimenta agora, essa angústia, esse desespero. Desligar o seu corpo não lhe trará paz, apenas perpetuará essa morte, aumentando a angústia, o desespero, a dor e o sofrimento. A única saída para a morte que você está experimentando enquanto respira, é a vida que Deus lhe oferece aqui, agora, e da qual você só poderá tomar posse enquanto ainda respirar).

Esse sofrimento e essa dor, maiores do que qualquer sofrimento físico, Jesus experimentou naquele dia no calvário. A mesma angústia e agonia que estavam em mim, quando eu me sentia esmagada e dilacerada por dentro, achando que não havia uma saída para aquela depressão, aquele vazio, aquela tortura sem fim. Eu não sabia que Ele já tinha sofrido tudo aquilo por mim e me conquistado o direito de viver longe daquela morte. Ele morreu para que eu não precisasse continuar morta. Mas esse direito só foi conquistado porque Ele se manteve sem pecado e por isso pôde ressuscitar, vencendo a morte. Conquistou a vida da qual hoje podemos desfrutar, se aceitarmos esse pacto com Deus.

Uma coisa maravilhosa, e que não tenho como transcrever aqui (ou seria expulsa do site por excesso de caracteres…hahaha…) é a análise que Marcelo Crivella faz de Salmos 22, a oração o Messias, revelada a Davi muitos anos antes, e que, em conjunto com outros trechos bíblicos (inclusive Isaías 53), formam a base da descrição da crucificação no livro.

A conexão restaurada com Deus, que nos vê perfeitos e justos por causa do sacrifício de Jesus, desde que nos mantenhamos em obediência (um pacto é selado com compromisso de ambas as partes. Nossa parte é obedecer, entregar nossa pseudovida para receber a vida que Ele nos oferece), tem como consequência a vitória sobre o mal, inclusive sobre as doenças e demais sofrimentos. A partir do momento em que você aceita participar desse pacto, é substituído por Jesus e torna-se filho de Deus. Então esqueça a ideia de “provação”, pois nenhum pai prova um filho com doenças:

“É errado quando um cristão diz que está lutando para derrotar o diabo na sua vida. O diabo já foi derrotado por Jesus, na cruz. Em vez disso, as pessoas deveriam dizer que estão lutando contra as suas próprias dúvidas e temores, para assumirem a Sua vitória, porque quando cremos e assumimos esta vitória em Cristo, ela se torna a nossa vitória.”

E, por fim, ele fala sobre o Espírito Santo:

“O Espírito Santo vem para completar o plano de Deus e salvar as nossas almas. No nosso dia a dia, é Ele quem nos dá forças quando estamos fracos; consolação quando estamos tristes; coragem quando sentimos medo; arrependimento quando cometemos pecados; entendimento quando temos dúvida em tudo e por tudo. Ele precisa estar tão presente na nossa vida hoje como o Senhor Jesus esteve presente na vida dos Seus discípulos, quando pregava em Israel.”

Esse é o fundamento de nossa fé. É disso que você deve se lembrar quando este ano terminar. O próximo ano só será de vitórias, saúde, paz, prosperidade e tal se você tiver vida. Se não tiver, de nada adiantam os desejos vagos que as pessoas trocam na virada do ano. Você pode decorar todos os clichês de reveillon, que assim que terminar a digestão da ceia e passar o porre do champagne, aquela pedra invisível continuará em cima da sua cabeça e pesando em suas costas, ameaçando lhe esmagar até a morte. Mas se você tomar a decisão agora, de deixar os erros (e não só os mais óbvios, mas também os que só você conhece, pois estão em seu coração) e entregar-se àquele que pagou um preço muito alto pela sua vida, então você terá a oportunidade real de conhecer em 2013 a verdadeira alegria, a verdadeira paz, a verdadeira prosperidade.

Meu desejo para esse próximo ano é, na verdade, uma oração. Que você que ainda não aceitou esse presente, não deixe passar a oportunidade. E que você que já aceitou, agradeça esse presente da melhor maneira possível: levando, com sua vida e seu comportamento, esse convite àqueles que ainda não O aceitaram. Lembro-me de que há alguns meses o Bispo Renato escreveu em seu Twitter que talvez a nossa vida seja a única Bíblia que algumas pessoas irão ler. Que tenhamos esta responsabilidade em mente no final deste ano e no tão esperado ano novo.

Vanessa Lampert

Quer ler todas as resenhas? Clique aqui.

PS: Sei que eu falei bastante aqui, encompridando os trechos do livro com meus comentários…rs…mas é que o livro faz nossa cabeça trabalhar a mil, compreendendo cada ponto desse assunto tão importante. São 92 páginas claras, escritas com uma linguagem leve, de fácil assimilação, com a sensibilidade típica do estilo literário do Bispo Marcelo Crivella. Vale muuuito a pena ler, mesmo que você já tenha alcançado a salvação, pois o conteúdo desse livro vai te auxiliar a ajudar outras pessoas.

PS2: Antes que alguém me pergunte onde comprar este livro: Se não tiver na sua IURD, você pode encomendar pelo Arca Center. Clique aqui para ver.

PS3: Falando no sofrimento físico ter sido grande, mas menor do que o espiritual, eu tenho verdadeiro horror do filme “A Paixão de Cristo”, do Mel Gibson. Ainda mais depois que descobri que a a base que ele usou não foi a Bíblia.Clique aqui para ver o trecho em que falava sobre isso, e que acabei tirando da resenha (pois virou um post…rs…).

Publicado originalmente no site Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.

Livros que não são o que parecem – Ele veio para libertar os cativos

“Ele veio para libertar os cativos”, de Rebecca Brown, é considerado um “clássico da literatura evangélica”… Poucas vezes vi tanta confusão antibíblica reunida em um livro. Distorce a guerra espiritual de tal maneira que o leitor corre o sério risco de perder anos de sua vida divertindo o diabo e acreditando ser um grande guerreiro espiritual.

“Satanás fará tudo para impedi-lo de ler. Tentará impor sonolência, confusões, interrupções constantes e muitas outras coisas.”

Neste caso específico, não é o diabo que vai te impor sonolência e confusões, é a narrativa chata da Rebecca. Não duvido que a pessoa passe mal, e até manifeste com um espírito maligno lendo esse livro, sabe por quê? A fé é a energia que move o mundo espiritual, tanto para o bem, quanto para o mal. Isso é uma lei natural, estabelecida pelo próprio Deus. Quando a pessoa lê o trecho acima, e fica impressionada, coloca sua fé naquilo, tem certeza absoluta e começa a esperar que aquilo aconteça. Assim, é um prato cheio para que o diabo tome conta

A história do livro, resumida, é a seguinte: Rebecca era residente de medicina em um hospital. Conhece Elaine, uma “bruxa satanista”, que foi casada com lúcifer, se converte e continua perseguida pelos demônios, sendo salva por Rebecca.

Pesquisando a respeito da autora, descobri que a licença médica de Rebecca Brown foi cassada depois de uma longa investigação do conselho de medicina. O psiquiatra do conselho a diagnosticou com esquizofrenia paranoide (aqui sou tentada a lembrar que o livro começa escrito em terceira pessoa, depois passa para primeira e até agora estou tentando entender quem escreveu “Rebecca isso”, “Rebecca aquilo” no primeiro capítulo). Foi afastada do trabalho por conta disso. É claro que ela e Elaine (tida pela família como mentirosa compulsiva e mentalmente desequilibrada) viam em tudo isso um complô satanista (poderia mesmo ser perseguição, se o conteúdo do livro fosse diferente).

O início do livro conta a história de Rebecca e Elaine, depois fala sobre o que ela descreve como “batalha espiritual” e demonstra uma reverência fora do comum ao diabo:

“Nunca subestime o poder de Satanás ou trate-o com desrespeito. (…) Não estamos dando qualquer glória ou honra a Satanás, porém, ele é um adversário astuto e é muito mais inteligente do que nós. Não se esqueça do que Deus disse quando criou Satanás.“…Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura.” (Ezequiel 28.12). Satanás é a mais linda e inteligente criatura que Deus criou. Não podemos esperar vencê-lo com a nossa pequena inteligência humana, ou entender suas táticas. Devemos permanecer totalmente dependentes do Senhor para revelá-las a nós. Podemos resistir e superá-lo somente através do poder de Jesus Cristo. Quando uma pessoa deixa de respeitar Satanás, ela se torna descuidada e a porta fica aberta ao orgulho e muitos outros enganos do inimigo.”

Isso porque não estava dando qualquer glória ou honra a satanás, imagina se estivesse! Quando Deus criou Lúcifer, ele era, sim sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura, e diz: “perfeito eras em seus caminhos, até que se achou iniquidade em ti”. Quando caiu, perdeu tudo o que tinha de bom e tornou-se satanás. Não há nenhuma virtude nele que mereça respeito ou admiração. É nossa obediência a Deus que nos livra do mal, e não o respeito ao diabo! Nossa proximidade com Deus é que nos dá condições de não cair nas armadilhas dele, pois Ele nos protege, orienta e dá sabedoria.

“Ele é uma das mais poderosas e inteligentes criaturas criadas por Deus. A inteligência humana não se compara em nada à dele.”

Se isso não é dar louvor, glória e honra ao diabo, o que é, então? Não posso fazer uma análise cuidadosa da inteligência do diabo, porque não tenho tantos dados assim a respeito. Vejo nele apenas um trabalho repetitivo e bem organizado, e tem a vantagem de anos e anos de experiência (e de ser invisível). Eu não subestimo o diabo, ele está tempo suficiente neste mundo para fazer seu trabalho de maneira eficiente aos seus propósitos, mas diante de Deus, ele é menos que uma pulga! Por que merece respeito?

Eu realmente acho que ela acredita no que diz. O problema é gente normal embarcar na dela e acreditar, também. O que ela relata em todo o livro podemos chamar de “misticismo esquizofrênico pseudocristão”. Está espalhado pelo mundo evangélico como uma gosma grudenta que cresce desordenadamente.

“não esperando que, realmente, algo acontecesse, sentiu uma opressão demoníaca como nunca antes. Rebecca sentia vir contra ela um incrível e invisível poder. Era como se uma mão gigantesca tentasse esmagá-la contra o chão e uma força invisível tentasse sugar toda a vida de seu corpo.”

Se fosse normal acontecer isso com pessoas cheias do Espírito Santo e que utilizem a autoridade dada pelo Senhor Jesus, Ele e seus discípulos viveriam sendo esmagados contra o chão. E não teríamos nenhum de nossos pastores vivos para contar a história. Muitos crentes acreditam que em um lugar repleto de demônios, eles (os crentes) devem se sentir mal. No entanto, quem tem de passar mal são os demônios, ora essa! Você não está cheio do Espírito de Deus? Quem tem de sair correndo, atormentado, é o mal e não você!

“Comecei a me preocupar intensamente com Elaine, à medida em que o tempo passava, porque os demônios estavam destruindo-lhe o corpo. Sempre que perguntava ao Pai quanto tempo duraria aquela situação, Ele respondia: “Até que vocês tenham aprendido o bastante.” Finalmente, chegou o dia em que Ele me disse para chamar o pastor Pat para a libertação completa dela. Assim, eu o fiz. ”

Então peraí, para tudo! A mulher passou oito semanas sem dormir direito, sendo perseguida e oprimida por demônios, correndo risco de morte, sendo torturada, agredida, maltratada, pisoteada, estrangulada e esfaqueada (literalmente) porque Deus queria que elas aprendessem? O deus de Rebecca Brown é esquisito.

Por fim, o tal pastor Pat conseguiu expulsar o demônio após DEZ HORAS de oração e imposição de mãos, leitura da Bíblia e cânticos!!! Só a autoridade do nome de Jesus não basta? Imagina se precisássemos de dez horas para expulsar os demônios de uma pessoa? Nossos pobres pastores não fariam mais nada na igreja…rs…

Rebecca confunde as definições de alma e espírito, pega I Coríntios 15:44, isola a segunda parte do versículo, que diz: “Se há corpo natural, há corpo espiritual” e usa essa frase para construir toda uma teoria de que existe um “corpo espiritual” que pode sair do nosso corpo físico e guerrear contra os demônios. No entanto, se você ler todo o contexto, verá que Paulo está falando sobre a ressurreição dos mortos, na volta de Jesus. Alguns perguntavam se os ressuscitados teriam corpo. Paulo explica que o corpo não será igual ao corpo que tínhamos antes da morte, mas um corpo transformado. É claro, não dá para levar um corpo tridimensional corruptível como o que temos para o céu!

Logo, derrubamos a teoria de que “corpo espiritual” é uma espécie de extensão da própria pessoa em outra dimensão. Como posso levar em consideração a palavra de alguém que deliberadamente tira um texto de seu contexto para criar uma teoria? Não é porque um livro tem versículos bíblicos que ele tem base bíblica.

“Há uma urgente necessidade de jovens que se disponham a ficar na brecha por seus ministros, e que também peçam ao Senhor que os deixe lutar por eles. Em outras palavras, quaisquer ataques demoníacos direcionados ao pastor, deverão, primeiro ir contra você. O que significará sofrimento tanto físico, como emocional”

Observe a estratégia. Já que não consegue atingir um pastor que está com sua vida 100% no altar, o diabo convence essas pessoas incautas de que se orarem pelo pastor, podem esperar, aceitar e abrir-se para ataques demoníacos. Ou seja, ele já não conseguiria atingir o pastor, de qualquer maneira, então pelo menos conseguirá atingir você. Se fosse assim, o povo das igrejas a quem Paulo escrevia cartas viveria doente, pois estavam sempre orando por ele…

“Você já passou por um período de intensa oração intercessória em que se sentiu extremamente exausto depois? Isso acontece, porque enquanto estava orando com o corpo físico e a mente, Deus levou o seu corpo espiritual e o colocou em combate com as forças demoníacas contra as quais você estava orando. A fadiga que é sentida, é o reflexo do “stress” experimentado pelo corpo espiritual. As feridas infligidas a seu corpo espiritual, com freqüência, manifestam-se através de vários sintomas em seu corpo físico.”

Não, amiguinha, isso acontece quando você tenta lutar na força do seu braço. Isso, aliás, é o que na realidade Rebecca ensina a fazer, do começo ao fim do livro: lutar na força do braço. É legal pensar que seu sofrimento é por você estar lutando contra o diabo, e que tem a aprovação de Deus. Mas não é verdade. Se você está sofrendo (depressão, tristeza, perturbações, doenças, miséria, desgraças), busque a Deus, para aprender a lutar corretamente e não ser vítima dos ataques do inimigo.

Aqui ela tenta embasar-se usando o exemplo de Daniel, quando (em Daniel 10.7-18) relata a visão que teve. Nos versículo 16 e 17, ele diz: “E eis que uma como semelhança dos filhos dos homens me tocou os lábios; então passei a falar e disse àquele que estava diante de mim: meu senhor, por causa da visão me sobrevieram dores, e não me ficou força alguma. Como, pois, pode o servo do meu senhor falar com o meu senhor? Porque, quanto a mim, não me resta já força alguma, nem fôlego ficou em mim”

Leia todo o capítulo 10 e você verá que Daniel teve uma visão assustadora, ficou apavorado e desmaiou (você também ficaria, se visse o que ele viu, leia lá em Daniel 10). Depois diz que sente dores e fraqueza. Uma descarga alta de cortisol causa isso! Mas dona Rebecca, a distorcedora de trechos bíblicos, diz que Daniel estava com dores físicas por ter lutado espiritualmente. No entanto, neste mesmo capítulo de Daniel, a Bíblia é bem clara em dizer que a batalha espiritual acontecera não entre Daniel e os demônios, mas entre os anjos e os demônios. Daniel estava orando por uma resposta em relação à primeira visão que tivera, não tinha a menor ideia da guerra que se travava em outra dimensão.

Concordo 100% com a constatação do Bispo David Higginbotham em seu livro “Crentes possessos”:

“A única conclusão que chego sobre aqueles que estão envolvidos em guerras espirituais, mas que também estão sob a opressão, é que eles mesmos estão endemoninhados e ainda não conhecem a plenitude da presença de Deus em suas vidas. “

Quando eu achava que ela já tinha chegado ao ápice dos absurdos, Rebecca me surpreende.

“O Senhor mostrou-me que o esgotamento em nossos corpos físicos cria uma aguda perda de proteínas. Se não tivermos todo cuidado de elevar o consumo de proteínas de alta qualidade durante os períodos de intensa batalha espiritual, ficaremos consideravelmente fracos.”

What? Então não é a fé, não é o Espírito Santo, não é a autoridade de Jesus, é a ingestão de proteínas…bem que Deus poderia ter escrito isso na Bíblia: “Comei proteína e vivei”.

“Desde que Deus, através de sua aliança com Noé, ordenara-lhe a comer carne, Satanás e seus demônios tentam fazer com que as pessoas deixem de comê-la.”

Deus não ORDENOU a Noé que comesse carne, apenas disse que ele poderia comer tudo o que quisesse (Gênesis 9:3) Foi uma permissão, não uma ordem! Você pode decidir o que vai comer. Depois disso, com o povo no deserto, Deus restringiu a dieta. Aí, sim, foi uma ordem, dizendo quais tipos de animais o povo não deveria comer. No novo testamento, ampliou novamente o leque, e manteve a proibição apenas da carne com sangue (adeus galinha ao molho pardo), da carne de animais sufocados e da comida sacrificada aos ídolos (Atos 15:29). Mas não impediu ninguém de se abster de alguma coisa, se assim escolher.

Acha mesmo que se fosse imprescindível comer carne, ele não teria escrito: “Não vos alimenteis apenas de vegetais” ou coisa do gênero? Conheço quem come carne e que vive doente e fraca por não dormir direito e não fazer exercícios! Você come proteína no grão de bico, na soja, nas castanhas, na combinação de arroz e feijão, no ovo, nos laticínios, na suplementação de glutamina (hehe) e…na carne.

“Satanás está sempre enganando e mentindo. Nada é o que parece ser. Seus servos mais eficazes são os supostos cristãos mais fortes, os que vão à igreja regularmente e os mais bem sucedidos, respeitados e honrados membros de sua comunidade.”

Pois é…e que escrevem livros sobre “batalha espiritual” que se tornam best-sellers, influenciando igrejas por anos a fio.

“De fato, diante do Senhor, é responsabilidade sua, como indivíduo, estudar cuidadosamente tudo o que os outros dizem a você. Deve verificar se o que lhe é ensinado está dentro do contexto bíblico. E isto inclui este livro, assim como tudo o que é dito pelos pastores.”

Com isso eu concordo. É o que estou fazendo. Então que ninguém reclame.

“Não se esqueça, que Satanás e seus demônios tentarão, sempre, enganar você, especialmente no que diz respeito a assuntos espirituais.”

Para ninguém dizer que o demônio que inspirou esse livro não avisou.

“A influência deles é muito grande e conseguem fazer grandes estragos porque os cristãos são preguiçosos para estudar a própria Bíblia e checar o que eles ensinam.”

Por isso ela colocou um monte de textos fora do contexto. Sabia que seus leitores não iriam checar. :)

“Está você disposto a dizer ao Senhor, na enfermidade de um de seus irmãos: “Senhor deixe-me levar a carga de meu irmão, deixe-me, literalmente, ter um pouco da fraqueza ou da dor para que ele possa sarar mais rapidamente.”

De onde ela tirou isso? De mais um texto bíblico tirado de seu contexto e retorcido. Isso nunca foi sugerido por Deus na Bíblia, e imagine os apóstolos curando paralíticos e ficando, eles mesmos, “um pouco paralíticos”? Jesus já levou sobre si todas as nossas enfermidades e nossas dores, dizer que devemos também carregar as dores e enfermidades dos outros é negar o sacrifício de Jesus!

Com essas ideias, poucos abraçarão o “ministério de libertação” e os que fizerem, o farão na força de seus braços e apoiados nesses misticismos. Dessa forma, o tal ministério será ineficaz, e os demônios poderão agir livremente (inclusive naquele que acha que está sendo usado para libertar). Mas se a libertação for aplicada da forma que funciona, os crentes mais emocionais acharão sem graça. Como assim o demônio sai na hora? Como assim não há retaliação, dores físicas, doenças, perturbações, visões de vultos, audições de vozes e depressão? Como assim você tem paz interior, dorme direitinho, é feliz, próspero e saudável? Sem nenhuma emoção? Que sem graça!

O espírito que usa Rebecca Brown é um espírito estranho, muitas de suas ideias sobre Deus são equivocadas, e sua doutrina é antibíblica.

“Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o pai como o filho” (2João 1:9)

Então que ninguém me condene por dizer que Rebecca Brown não tem Deus. A própria Bíblia diz isso.

 

UPDATE:

Me lembrei de que em uma igreja da qual participei, uma das pastoras (esposa de pastor lá era pastora) sofreu um aborto espontâneo e me disseram que aquilo acontecia com a primeira gravidez de todas as pastoras, por “retaliação do diabo”. O diabo sacrificava o primogênito de todos os pastores há anos e todo mundo achava natural! Clique aqui para ler “O sacrifício de estar envolvido com libertação”, um trecho do livro “Crentes Possessos”, que deixa clara a nossa posição a respeito desse pensamento.

 

Vanessa Lampert

Quer ler todas as resenhas? Clique aqui. 

 

PS: Quer uma dica de um excelente livro sobre libertação? Crentes Possessos, do Bispo David Higginbotham. Tem no Arca Center.

PS2:  Se achou o texto longo, saiba que ele era três vezes maior. 😀 Foi o livro que mais rendeu trechos absurdos. Levei dois dias para fazer esta resenha, mais tempo para cortar do que para escrever. Enquanto lia o livro, preenchi dezesseis páginas do Word só com os trechos mais gritantemente absurdos, embora houvesse trechos absurdos em absolutamente todas as páginas do livro…pouquíssimas coisas se salvam, sem brincadeira.

PS3: Quero salientar que quando um livro entra para o rol dos “livros que não são o que parecem” por conta de ter sido claramente inspirado por um espírito enganador, você deve colocar todos os outros livros do autor no mesmo saco. Então, aproveite os livros da Rebecca Brown para acender a churrasqueira. :)

PS4: Para quem ainda não leu, segue o link para o texto “Tenho que respeitar o diabo?”  tem a ver com o assunto.

UPDATE 2: Tenho recebido comentários de crentes perdidos, que ou acham que eu não acredito em guerra espiritual e libertação de demônios (essas pessoas não leem o texto inteiro, não é possível!), ou vêm com a falácia de “o Espírito Santo trabalha do jeito que Ele quiser, não vai ser sempre do mesmo jeito” – como se Deus fosse um maluco com múltiplas personalidades. Primeiro, gostaria de dizer que todos temos chamado para obra de libertação, pois esse chamado veio do Senhor Jesus na Sua Palavra: “curai os enfermos e expulsai os demônios”. O que muitos crentes não entendem é que Deus é Quem Ele é. Deus não é uma coisa aqui e outra coisa ali. Deus não tem dupla personalidade. O tipo de experiência que Rebeca teve (ou diz que teve) não tem NADA a ver com o Deus da Bíblia. Simples assim.

O mundo espiritual existe, a guerra espiritual existe, mas o que Rebeca descreve, se for verdade, é uma experiência com um espírito enganador, não com o Espírito de Deus. E note a certeza que alguém deve ter para afirmar isso. Só existe um Deus: o Deus da Bíblia. E Ele não muda. Eu tenho visto diariamente pessoas sendo libertas da maneira que Jesus e Seus discípulos faziam. De maneira simples, eficiente e com autoridade. A Palavra de Deus nos alerta que nos últimos tempos muitos iriam preferir dar ouvidos a fábulas em vez de seguir a Palavra de Deus. Eu lhes mostrei um exemplo de fábula neste livro, para abrir os olhos dos sinceros. Cabe a você escolher a qual grupo quer pertencer.

 

Sobre escrever, insegurança e comunicação

writing

Conversando na sexta-feira com uma linda moça a respeito de escrever, ela me disse que tem muita facilidade em se comunicar, mas quando escreve, tem uma certa dificuldade em se expressar de maneira clara – ou pelo menos acha que tem. Escreve, muda de ideia, apaga, tenta escrever de outro jeito, escolhe as palavras, e não consegue manter uma naturalidade.

Eu sou assim falando pessoalmente…rs…demora alguns encontros até que eu consiga encontrar a naturalidade. A raiz disso é a insegurança. Minha cabeça funciona muito rápido, então quando converso, ou falo muito pausadamente, tentando encontrar as palavras certas para expressar o que estou pensando (o que às vezes irrita um interlocutor mais ágil), ou desembesto a falar e gesticular, e tenho total consciência disso, então acho que todo mundo está me vendo como uma maluca – porque, na realidade, é assim que me sinto, é o julgamento que faço de mim mesma, então acho que todo mundo está fazendo.

Então, quando você escreve e fica se policiando, achando que não está sendo suficientemente claro, talvez esteja projetando nos outros o que você mesmo pensa a seu respeito. Acredita que não consegue se expressar por escrito, então nunca consegue se expressar por escrito, pois o seu cérebro sempre vai lhe boicotar, para cumprir a sua expectativa. (Ou seja, se eu continuar achando que pareço uma maluca ao conversar com desconhecidos, meu cérebro sempre me fará parecer uma maluca ao conversar com desconhecidos, para cumprir minhas expectativas…desconfio que depois de racionalizar isso, minhas conversas com desconhecidos nunca mais serão as mesmas 😀 )

No entanto, estou convencida de que qualquer pessoa que queira e se esforce, conseguirá se comunicar por escrito. Isso exige uma área do cérebro que todo mundo tem. Coloque na sua cabeça que você está aprendendo a escrever, que você está adquirindo mais facilidade nisso, pegue um texto bacana, que tenha gostado de ler e tente copiar aquele estilo, até desenvolver o seu próprio.

E escreva. Escreva, escreva, escreva. Sem cobranças, sem pretensões. Apenas escreva. Escrever é treino, é hábito, é prática. Quanto mais você escrever, mais escreverá. Você tem de ver o ato de escrever como parte de você, tão parte de você quanto o ato de falar (Vanessas, vejam isso ao contrário: o ato de falar com desconhecidos é tão parte de vocês quanto o ato de escrever), são apenas duas formas diferentes de comunicação.

Escrever é simplesmente traduzir para a linguagem escrita o que já está dentro de você. A única coisa que pode atrapalhar isso é  a tal insegurança, que age como uma interferência em seu canal de comunicação. Então agora que a identificamos, vamos jogá-la fora!

Mas – você diz – e se eu não sei realmente escrever? Cometo erros ortográficos, não sei diferenciar sujeito de predicado, não entendo nada de linguagem escrita, nem terminei o ensino médio! Isso não é uma sentença de morte. Esse tipo de coisa nem sempre se aprende na escola (e a julgar pelos erros que vejo de pessoas já formadas, a escola tem ensinado língua portuguesa muito mal). Você tem a internet, com muitos textos de professores de língua portuguesa para tirar suas dúvidas, existem livros também com essa finalidade (eu recomendo a série “Guia Prático do Português Correto”, do Claudio Moreno, editora L&PM).

No entanto, uma das coisas mais importantes para se escrever corretamente é: ler. E prestar atenção no que se lê. Assim, se você ler: “começou” com cedilha, jamais escreverá “comessou”  com dois “ésses”. É natural, seu cérebro ficará condicionado à grafia correta das palavras, em vez de tentar transpor para a língua escrita o que ouve da linguagem oral.



PS: No próximo texto, retomarei esse assunto. :-)

Seus Limites

Já que vocês estão com uns três mil novecentos e cinquenta e cinco livros para ler (haha), posso aproveitar esse espaço para falar sobre algo de extrema importância, relacionado – pra variar – com a leitura e com a sua vida.

Percebi que a melhor maneira de estimular a ler era abrir o livro aqui no blog e conversar enquanto lemos juntos, colocando trechos dos livros e comentando. Isso fez com que as resenhas ficassem mais divertidas e produtivas, mas teve um efeito colateral: os posts ficaram mais longos. Mesmo assim, os mais corajosos encararam o desafio, embarcaram na leitura – e não se arrependeram.

Existe um número impressionante de pessoas adultas escrevendo (e dizendo) coisas sem sentido.  Elas têm dificuldade com raciocínio lógico e, naquela ansiedade da correria comum em nossa época, têm preguiça de ler um texto mais longo e acabam não entendendo nem os curtos. O problema não é ser assim, o problema é ser assim, se acomodar e não querer mudar!

Para alcançar os leitores dentro de suas limitações, até as propagandas mudaram! Tenho uma edição da revista Cruzeiro da década de 40, e as propagandas eram cheias de texto! Quando visitei o Museu do Ipiranga, entrei em uma sala repleta de anúncios bem antigos. Reparei que quanto mais velhos, maior a quantidade de texto, explicando, racionalmente, por que você deveria comprar determinado produto.

Hoje em dia, a propaganda te lança uma frase curta – que geralmente não diz nada – , uma imagem atraente, alguma tentativa de manipulação e – nas mídias modernas – uma música que mexa com alguma parte não racional do seu ser. É a cultura do desligamento do cérebro. Para completar, a escola ainda coloca como leitura obrigatória livros totalmente incompatíveis com a idade (e com a linguagem) das crianças e adolescentes, o que faz com que gravem a informação errada de que ler é chato.

Então as pessoas vivem sem pensar muito em nada, se deixando levar pelas emoções e repetindo como raciocínio próprio o que veem na televisão e nas revistas. Muitos se convertem e encontram igrejas que seguem a mesma cartilha do mundo: emoção, emoção, emoção. E os livros que leem estão cheios de…emoção, emoção, emoção. Só se exercita a emoção, e por isso  vivem em uma gangorra emocional (e espiritual).

No entanto, não podemos aceitar que o povo de Deus, que foi chamado para fazer a diferença, tenha essa mesma limitação. Por isso decidi que escreveria para aqueles realmente interessados em desenvolver sua inteligência e ser uma ferramenta ainda mais útil nas mãos de Deus. Quanto mais habilidades você desenvolver, mais usado será.

Não se esqueça: a leitura é uma musculação para o cérebro. E como qualquer exercício, quando você começa a fazer, depois de aaanos de sedentarismo, dói aqui e ali, né? Talvez você precise pegar leve no começo, mas não pode desistir, nem se acomodar às suas limitações. E nem achar que já está expert e relaxar. Leve isso para toda a vida. Não se acomode. Se esforce, leve o tempo que for necessário, e comemore cada vitória.

Veja o comentário da leitora Gerlane no meu blog:

“Vi um post que a senhora fala que com a leitura nasce novos neurônios, (acho que é isso). Muitas vezes eu não conseguia ler seus posts até o final, me cansava porque era grande. Mas a cada resenha fui me interessando mais, eu tenho bastante livros, mas nem lia.. Eu disse “lia”..

Eu comecei a ler, mesmo sem vontade e fui insistindo.. Hoje pela primeira vez li um livro em menos de 2 semanas por sinal (NADA A PERDER), eu aprendi a gostar de ler e vejo que meu falar, minhas palavras são melhores, eu nunca gostei de português, me arrependo de não ter estudado corretamente nesta matéria, mas a minha leitura hoje é melhor, eu leio tudo, agora onde vou faço questão de ler, as palavras estão sempre a nossa frente e eu não me importava, e agora bom eu gosto muito de ler e agradeço por a senhora sempre ensinar que devemos perseverar.

Eu ainda escrevo algumas coisas erradas ainda gaguejo um pouquinho na leitura em voz alta, mas pode ter certeza, eu aprendi a ler com mais gosto, eu vi isso como um exercício e é mesmo. Desculpa escrever tanto, mas tenho que te agradecer. Seus posts me ajudaram a melhorar meu interior, sei que parece nada a ver, porque é apenas a leitura, mas agora tenho mais vontade até de ler a Bíblia com mais sede, mais amor… Eu entendi muita coisas, e amei..”

Terminei de ler isso dando pulinhos de alegria (quem me conhece pessoalmente sabe que isso pode ser literal…hahaha…) e derretendo como um chocolate feliz. :-) Note que ela diz que a vontade de ler a Bíblia aumentou, e a compreensão das coisas, também. Isso é consequência de se estimular a cabeça! Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi  “Eu comecei a ler, mesmo sem vontade, e fui insistindo”. Percebe a preciosidade dessa frase? Se você aprender isso, conseguirá superar qualquer limitação. É um esforço consciente. Lembra do convite de Jesus: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”? O que você acha que é “negar-se a si mesmo”? Não depender da vontade para fazer o que você sabe que é o certo!

Outra leitora, Ingrid Mello,  escreveu o seguinte e-mail:

” Oi Vanessa, gosto muito do que você escreve e queria lhe dizer que tem me ajudado muito! Antes estava com muitas dificuldades na leitura, e até mesmo para me expressar. Simplesmente as palavras não faziam muito sentido pra mim, lia mas não entendia o que estava lendo e graças a seus posts, as coisas começaram a mudar!!! Agora entendo o que leio e também procuro analisar se o que escrevo (ainda que seja em uma conversa) faz sentido… E seleciono bem mais o que vou ler, afinal, não devemos nos alimentar de qualquer coisa 😉 Enfim, tem sido uma mudança significativa!!”

Olha que maravilha! Assim como a Gerlane, ela já está acima da média da população que nos rodeia! Está se tornando mais consciente do que lê, do que escreve e do que fala! E superou as dificuldades com as palavras! Por quê? Por exercitar o cérebro! Os neurônios felizes e saltitantes dentro de sua cabeça davam boas vindas aos novos coleguinhas que apareciam para aumentar a inteligência da nossa amiga.

Assim começamos a construir um povo cada vez mais forte.

Eu não sou melhor do que você, amigo, por isso não aceito que eu consiga ler alegremente um post de dez mil caracteres e você não consiga chegar nem na metade.  Não aceite se curvar às suas limitações, seja em relação a leitura, seja em relação a qualquer outra coisa. Não pense que você não é capaz por não ter terminado seus estudos, ou por não ter um curso superior, ou por sua idade, ou por qualquer outro motivo. Não importa o seu passado, importa apenas quem você quer ser daqui para diante.

Anote mais uma coisa: inteligência não tem absolutamente nada a ver com ensino formal. Conheci muita gente burra com pós-doutorado e muita gente inteligentíssima que não tinha nem a quarta série. Quer saber o que difere um grupo do outro? A humildade. O humilde é inteligente (não importa a escolaridade). O arrogante se faz burro. Então esqueça os rótulos que o mundo quer lhe dar e aceite se transformar na pessoa que Deus quer que você seja: uma versão melhor de você mesmo.

O que eu faço aqui é mais ou menos o que faria um treinador bem exigente. Lembra daquele filme “Desafiando Gigantes”? Toda vez que se deparar com um texto grande ou com um grande desafio em sua vida, lembre-se desta lição (clique aqui para ver o vídeo).

Eu te digo, sem medo de errar, que sempre que você se esforçar para sair de sua zona de conforto, vai colher excelentes resultados. Pode ser complicado no começo, difícil, um grande esforço, mas vale muito a pena.

Vanessa Lampert

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PS: Ainda não respondi aos comentários, mas gostaria de dizer que estou anotando todos os livros que vocês me pedem.:-)

PS2: Aprenda outra coisa a respeito de livros e textos em geral: o mais importante não é o tamanho, mas o ritmo. Livros bem escritos voam. Você nem percebe, pois o ritmo do texto é ágil.

Post originalmente publicado no blog Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.