Das coisas que eu não entendo

Indo para o supermercado, passamos pela Av. Paulista. Um palco gigante montado para o “show da virada” (patrocinado pela prefeitura, porque o dinheiro está sobrando, né?), dezenas de banheiros químicos sob o MASP (nunca vi tanto banheiro químico na minha vida), caixas de som e telões por quilômetros…o que leva os seres humanos a se amontoarem no meio da rua para ficar pulando ao ritmo de um som ensurdecedor, bebendo e gritando no meio de um monte de gente desconhecida?

Tudo para verem fogos…uma profusão de luzes e barulhos que são sempre iguais. Não tem um objetivo, não tem uma utilidade prática…e eu me sinto, pra variar, um alienígena ao imaginar que realmente milhares de terráqueos se reunirão na avenida e farão filas nas portas dos desconfortáveis banheiros no meio da rua. Sem contar os riscos de se estar no meio de uma multidão de desconhecidos bêbados.

Se você acha isso o máximo, ok, eu respeito. Não entendo, mas respeito. Que bom que isso te faz feliz. Espero que mude a sua vida e que tenha um impacto muito positivo no novo ano. Mas quando vejo esse tipo de coisa me lembro da política do pão e circo. Mais circo do que pão no Brasil, você há de convir.

 Imagens dos anos anteriores:

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Uma multidão reunida com o objetivo de prejudicar a audição com músicas absurdamente altas, apertada (muito apertada, veja que há pouca ou nenhuma distância entre um terráqueo e outro) entre desconhecidos que estão lá com objetivos semelhantes (ou não).

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Note que essa galera que está muito no fundo (a maioria, já que o evento reúne mais de um milhão de terráqueos) fica vendo a coisa toda por telões que, pela quantidade de pessoas e largura da avenida, poderiam ser chamados de “telinhas”… E ouvem por caixas de som… Esses estão aí pelo prazer de ficar de pé entre outros terráqueos, já que se fosse pelo show propriamente dito poderiam ter experiência semelhante no conforto de suas casas em frente à TV (o que seria igualmente bizarro, mas menos cansativo).

 

PS. Alguém decidiu que toda a população se interessa por esse tipo de coisa.  A mídia ganha com isso, o governo ganha com isso (aka pão e circo), as estatísticas de acidentes ganham com isso… e a população?

PS2.  Todo ano aguardo o retorno da Nave mãe.

 

 

Diálogos Insanos – Sabedoria

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Imagem: Leo Cinezi

Davison, em um momento de seriedade extrema, durante uma conversa sobre produtividade, liderança e empreendedorismo:

– O trabalho bem feito você tem que procurar para ver. Já o trabalho malfeito é bem fácil de ver. Ele vem, dá um tapa na tua cara e sai correndo dando risada. Muitas empresas investem em procurar defeitos para resolver, mas as empresas que se saem melhor são aquelas que valorizam as pessoas que estão fazendo o trabalho bem feito. Tão importante quanto resolver os problemas é valorizar os pontos que já são fortes. Porque algumas pessoas estão fazendo certo, mas os olhos estão todos naquilo que está errado, então quem faz o certo pode se sentir desestimulado.

– Você é uma pessoa muito sábia, Davison.

– Por quê?

– Porque você fala coisas muito legais.

– Ele responde, voltando ao normal:

-Eu tenho um estoquezinho de coisas legais dentro de uma gavetinha. De vez em quando eu tiro uma e dou para você. O resto do tempo, fico quieto para parecer sábio.

 

PS: Para mais Diálogos Insanos, clique aqui.

PS2: Decidi ressuscitar essa categoria, porque todos os dias surgem diálogos memoráveis que merecem ser guardados para a posteridade e divulgados internacionalmente, para rabiscar nossa biografia com giz de cera.

 

O espírito do natal

 

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 Cartum: Davison Lampert

Olha que lindo! Hoje já é dia 24 de dezembro, o espírito do natal bate à porta… Não vamos deixar entrar, não, eu, hein!

Para mim, é uma libertação não comemorar essa data. Os shoppings estão lotados, um estresse absurdo…eu não tenho saído, mas meu marido foi ao supermercado e comentou que todo mundo parecia agitado e irritado. Não tinha ninguém feliz, em paz, e toda aquela frescurite em que o comércio quer que a gente acredite. Porque o “espírito do natal” não traz paz, não. 

Brigas em família, bebedeiras, acidentes, crimes passionais, suicídios, desgraças de todos os tipos se multiplicam nessa época do ano, muito além do que é considerado “normal”. As pessoas ficam mais emotivas, mas também mais passionais e esquisitas. Dá para esperar qualquer coisa. Mágoas, dívidas, confusões, pessoas se entregando a simpatias nonsense. A única coisa realmente boa desse período de festas é encontrar comidas que a gente não vê em outras épocas do ano. Cereja de verdade, por exemplo. Eu detesto cereja em calda, mas o Davison comprou dia desses um saquinho de cereja in natura e é completamente outra coisa. Veja só, é sempre possível conseguir um ângulo positivo em absolutamente tudo. :-)

Comentando a coisa toda de natal e blá blá blá:

 

Estou em outra “vibe”, então é estranho ver as pessoas ligadas no “modo tradição mecânica”. Tenho que citar Deus aqui, amiguinhos, afinal de contas, dizem que é aniversário do filho dEle: “Este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios Me honra, mas o seu coração está longe de Mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu”  (Isaías 29.13). O espírito que faz com que o povo aja assim é o mesmo espírito do natal. Parece que tomei a pílula vermelha de uns anos para cá e saí da Matrix.

Então, enquanto todo mundo está correndo, histérico, para comemorar o aniversário do menino papai noel, nós estamos  tranquilos em casa. Eu, trabalhando, como se fosse dia normal (e é, quem disse que não?), o Davison planejando as comidas normais que vamos comer (a pessoa é chique, tem marido chef), tranquilos, sem precisar mergulhar na areia movediça de dívidas de fim de ano.  

Ah, e não preciso montar uma árvore brega na sala (vai por mim, você só acha decoração de natal bonita porque tem memória afetiva dessas coisas natalinas…imagine colocar aqueles penduricalhos em qualquer época do ano e vai se dar conta de que é um troço esquisito) …ou melhor, me livro de ficar triste por não poder montar uma árvore de natal em casa porque, convenhamos, o Tiggy e a Ricota jamais permitiriam que bolinhas coloridas ficassem penduradas em uma árvore de plástico no meio da sala impunemente…

 

 

 

PS: Se você comora o natal, não se sinta ofendido. Essa é a minha opinião, você ainda tem o mundo inteiro para concordar com você. Eu sou minoria. :-) Mas aconselho fortemente a todos que assistam ao vídeo da Marelis Brum (clique aqui para ver) explicando por que ela não comemora o natal. Faço minhas as suas palavras, Marelis, falou tudo o que eu queria falar. Vídeo divertido e claríssimo. Dá para entender um pouco melhor meu posicionamento.

PS2:  Lembro da ceia de natal em uma igreja em que eu fui certa vez…tinha um leitão assado em cima da mesa com uma maçã na boca, que me tirou completamente a fome… O ápice da falta de noção é a pessoa assar um porco inteiro para – supostamente – comemorar o aniversário de um judeu…

O verdadeiro Espírito do Natal

Cura

A diferença entre o celebrar o nascimento de Jesus e comemorar o Natal

Davison Lampert

Belas decorações, uma ceia farta e distribuições de presentes entre familiares e amigos. Quem não pensa nessas coisas quando se fala em Natal? Em grande parte do mundo, essa é a visão que existe sobre o dia em que, por tradição, celebram o nascimento de Jesus. Na teoria, seria o aniversário dEle, mas isso só é lembrado na hora de montar o presépio, quando sentem pena do recém-nascido na manjedoura.

Ao observar a correria das pessoas nas semanas que antecedem a essa data, se espremendo em lojas superlotadas, comprometidas em garantir os presentes e os itens da ceia de Natal para suas famílias, vemos que o foco é a festa. Para a maior parte delas, o Natal não passa de uma grande festança que, combinada com o réveillon, define o final de um ano e o início de outro. Um marco no calendário, repleto de exigências e tarefas a serem cumpridas.

Mas…qual é mesmo o papel do suposto aniversariante nessa história? Ou melhor, há um papel para Ele nisso tudo?

Em um mundo onde existem pessoas que acham que Joana d’Arc era a mulher de Noé e que as epístolas eram as esposas dos apóstolos, é fácil entender por que algo que deveria ser compreendido espiritualmente é observado de um ponto de vista meramente comercial e consumista. A visão de um velhinho de barba branca vestido de vermelho que distribui presentes pelo mundo guiando um trenó puxado por renas mágicas voadoras é, com certeza, muito mais fascinante para as crianças do que celebrar o nascimento de alguém que viveu há 2.000 anos – e decididamente muito mais lucrativo para o comércio.

Para disfarçar a ausência de sentido da festa, falam de um “espírito do Natal”, um ideal de paz, caridade e amor, que deveria unir os seres humanos nessa data (avise isso aos que, bêbados, brigam durante a ceia). Mas o que não compreendem (ou se recusam a compreender) é que não há verdadeira paz, caridade e amor quando tais coisas não provêm de Deus. Ao retirarem Jesus de suas comemorações, reduzem o significado de Sua vinda ao mundo a emoções passageiras que não fazem diferença na vida de ninguém.

O significado esquecido do nascimento de Cristo

Em nenhuma parte dos evangelhos está registrado que Jesus comemorou seu aniversário. Na verdade, durante os três anos de Seu ministério na Terra, dia e noite Ele anunciou a Palavra de Deus ao mundo e buscou pessoas que celebrassem o Seu sacrifício e ressureição, pois através deles é que a humanidade foi resgatada. A única celebração que Ele instituiu não foi de Seu nascimento, mas de Sua morte. A Santa Ceia.

Como Jesus comemoraria Seu aniversário hoje em dia? Certamente fazendo o que sempre fez, indo ao encontro dos necessitados, daqueles que estão dispostos a recebê-Lo. Ele passaria Seus aniversários nos presídios, nos hospitais, com os sem-teto e com todos os marginalizados e desprezados pela sociedade.  Não para fazer caridade, mas para levar a eles a Palavra viva, revolucionária, capaz de transformar a situação em que vivem. Trazer saúde, paz, a vida abundante que Ele tem para dar, e que não cabe no saco vermelho do “papai noel”.

Jesus comemoraria Seus aniversários fazendo a vontade de Seu Pai, mas o faria todos os dias, e não somente em uma determinada época do ano. E é isso que Ele espera daqueles que se consideram Seus servos, quando diz: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João 13.15).

Não são necessárias festas, decorações, presentes e grandes ceias para comemorar o nascimento de Cristo. É preciso somente obediência para atender a este mandamento: “que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei” (João 15.12). Quando leva o Evangelho ao oprimido, quando liberta os que estavam aprisionados pelo sofrimento, tal como Jesus fez, então você está verdadeiramente comemorando, não apenas o Seu nascimento, mas a Sua vida.

Não espere encontrar uma árvore de natal ou luzinhas piscantes anunciando “Feliz Natal” em uma Universal. No entanto, nesta quarta-feira, dia 25 de dezembro, aqueles que realmente se interessam pelo Espírito de Jesus terão a oportunidade de se aproximar dEle. Às 18 horas, na Universal mais perto de casa, todos poderão trazer a família e convidar alguém que precise conhecer o Senhor Jesus. Não aquele bebê indefeso na manjedoura (que só nasceu lá porque os hotéis estavam lotados), mas o Rei dos Reis, que transforma vidas. Você está convidado a fazer parte dessa festa diferente. Vamos celebrar nosso Senhor Jesus e compartilhar o presente que recebemos dEle. Não deixe que o aniversariante fique do lado de fora novamente.

“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.” (Apocalipse 3.20)

 

 

*Artigo originalmente publicado na Folha Universal desta semana.

PS: Algo bem útil quando a gente coloca o genérico “na Universal mais perto de você”: Clique aqui  e veja os endereços da Universal em todo o país.

O desafio

Deus olhou para o calendário e disse:

– Viu que hoje é sábado?

– Pois é, eu vi, essa semana passou voando e eu não consegui terminar isso ainda. – Respondi, sem tirar os olhos do que eu estava fazendo. Percebi que Ele deu um suspiro, daquele jeito que Ele faz quando precisa inspirar um pouco mais de Sua infinita paciência. Parei de digitar.

– Não vai fazer o texto para o blog?

– Ué, achei que eu estava dispensada de escrever no blog.

– Você não está incentivando outras pessoas a criarem seus blogs e escreverem?

– Estou.

– Como quer incentivar outros a fazerem se você mesma não dá o exemplo? – Antes que eu pudesse tirar minha resposta pronta da cartola, Ele destroçou meus argumentos, sem que eu sequer tivesse tido chance de desenvolvê-los:

– Você se lembra do que o Meu filho Renato disse, naquela reunião com os jovens? Peraí – e apertou o “play” em seu gravador. Pude ouvir a voz do bp. Renato dizendo algo como: “Eu escrevo seis vezes na semana. Por quê? Porque eu tenho muito tempo? Não!” – Deus parou a gravação, deu alguns segundos de silêncio para que eu pudesse meditar.

– Sim, mas eu achei que não se aplicasse a mim porque, o Senhor sabe, eu escrevo o dia inteiro e eu preciso entregar o…

– Vanessa, Eu sei de todos os seus prazos, de todos os seus trabalhos e também sei do seu tempo. Mas sei também que é possível tirar dez minutos para escrever alguma coisa no blog todos os dias.

– Dez minutos?

– É. Que tal o desafio? Dez minutos, todos os dias. O que conseguir escrever em dez minutos, pode publicar. Se não conseguir, continue no dia seguinte, desde que não seja menos de três vezes por semana.

– Mas para que isso?

– Você vai descobrir depois. Simplesmente faça.

– Mas sobre o que vou escrever?

– Qualquer assunto. Você vê notícias todos os dias. Escreva sua opinião a respeito delas. Desenvolva o argumento. Defenda suas ideias. Você lê textos ou livros, você passa por situações, faz comentários, você tem opinião sobre tudo, até sobre as coisas mais banais. Escreva. Pode ser depois do almoço ou pouco antes de dormir.

– Não precisa ser algo muito profundo?

– Não precisa ser nada que você julgue ser profundo. Tudo o que você escrever será útil, até o que for aparentemente inútil. Isso é um desafio. E Eu sei que você gosta de desafios.

– Combinado. Ainda não sei qual resultado isso trará, mas o Senhor tem razão, não posso cobrar dos outros o que eu mesma não fizer.

 

 

PS: Tenho que avisar: eu não ouço vozes, não tenho visões, essa é uma obra literária, não uma descrição de alguma experiência sobrenatural. (Pior é que eu realmente tenho que avisar isso…rs) Mas, de uma certa maneira, eu creio que Deus me disse algo assim. Logo, mãos à obra! 😛