O complexo de incômodo

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Muitas pessoas têm esse tipo de problema. Sempre acham que estão incomodando ou que serão mal interpretadas. O medo do julgamento alheio pode fazer com que você não queira se arriscar, não queira fazer nada fora da zona de segurança, a terrível zona de conforto. Terrível porque ela nos engessa, nos congela e não permite evolução e desenvolvimento. Em outras palavras, você vira uma múmia trancada em um museu.

O engraçado é que isso dificilmente acontece com aqueles que criticam. Esses são cara-de-pau. Falam as maiores barbaridades, desrespeitam e não se incomodam com isso. No entanto, eu recebo muitos e-mails e mensagens (muitos mesmos) de pessoas falando coisas muito legais e quando eu respondo (geralmente um tempo considerável depois, por causa do trabalho), elas comentam que acharam que eu não tinha gostado, que tinham me incomodado e que por isso eu não havia respondido. Não pensem isso, pessoas! Todos os seres humanos gostam de ouvir coisas boas.

Não faz muito sentido evitar falar coisas boas para as pessoas por medo de ser mal interpretado. Se vão achar você exagerado ou se alguém vai te achar puxa-saco, amigo, o problema é de quem olhar você com maus olhos, não é, não? É claro, a gente não vai expor a outra pessoa ou incomodá-la, mas também não pode achar que qualquer interação da sua parte é um incômodo! Eu tinha esse problema (e ainda tenho que lutar contra ele vez ou outra) de achar que estava incomodando o tempo todo. Se eu telefonar, estou incomodando. Se mandar um e-mail, estou incomodando; se aceitar um convite, estou incomodando (e no auge da minha insegurança, eu chegava ao cúmulo de pensar que a pessoa estava me convidando por educação!); se citar a pessoa em algum lugar, estou incomodando. Se eu falar, estou incomodando. Se eu não falar, estou incomodando. Não há saída. Você se transforma em um incômodo ambulante e, na insegurança que o faz ser artificial, acaba realmente incomodando.

Então decidi me livrar desse complexo de incômodo, que, na verdade, é uma insegurança. Eu não faço nada por mera educação. Se aceito algo, é porque quero aceitar. Se convido, é porque quero convidar. Se ofereço, é porque quero oferecer. Procuro não evitar falar coisas positivas e ajudar às pessoas. Procuro não antecipar a reação dos outros. “O que o fulano vai pensar, o que vai achar, etc.” Faço com sinceridade, para ajudar, para fazer o bem. O que a pessoa vai achar, não é da minha alçada. E procuro acreditar nos outros. Se a pessoa diz que quer que eu vá, eu tenho que acreditar que ela realmente quer. Se a pessoa me oferece alguma coisa, eu tenho que acreditar que ela quer dar.

Porque, pense bem, se você acha que a pessoa vai pensar mal de você, é você quem está pensando mal da pessoa. Você está olhando os outros com maus olhos. Está achando que a pessoa é falsa, porque ela fala uma coisa na sua frente e você acha que ela pensa outra coisa pelas costas! Uma coisa que você nunca vai conseguir é ler os pensamentos dos outros. Nunca, nunca, nunca. Então, por favor, pare de tentar. A sua obrigação é olhar todo mundo com bons olhos, pensar o melhor dos outros, assim como você gostaria que os outros pensassem o melhor de você. Ter com os outros o mesmo olhar misericordioso e benevolente que você gostaria de receber. É assim que eu penso. Se as pessoas não forem tão boas assim, não sou eu que tenho que definir previamente.

É uma guerra. É uma luta contra os nossos próprios pensamentos, uma guerra que acontece dentro da nossa cabeça, e que a gente tem todas as condições de vencer. Outro problema é que costumamos desenvolver hábitos em cima dos complexos e das inseguranças. Como, por exemplo, não tomar a iniciativa de mandar um e-mail para alguém, ou esperar que a outra pessoa entre em contato primeiro. Então, mesmo depois de ter vencido os seus pensamentos, o próximo passo é monitorar seus hábitos para ver o que você adquiriu porque faz parte de você e o que você adquiriu por insegurança, mas que gostaria de remover de sua vida.

Uma coisa que eu acho que vale a pena treinar é o hábito de tomar a iniciativa de dizer coisas boas e sinceras quando você tem coisas boas e sinceras para falar. As pessoas ouvem tantas coisas negativas no dia a dia, que você não deveria se envergonhar de dar um sorriso e fazer um comentário agradável quando tiver oportunidade. Não tenha medo do que vão pensar ou falar de você. Seja com os outros a pessoa com quem você gostaria de conviver. Sempre vai ter quem não goste de você, isso é normal, faz parte do pacote. Mas se agir assim, você vai fazer bem a muitas pessoas e ainda será muito mais feliz. :-)

 

 

PS: Por alguma razão, esse post foi publicado ontem sem estar ainda pronto. Estava nos rascunhos, incompleto e esquisito e hoje descobri que havia sido publicado e o completei. Peço desculpas a quem recebeu notificação de novo post e esperava um novo post. Realmente não entendi e espero que não aconteça novamente, pois tenho uma porção de rascunhos no wordpress, de anotações que eu penso que podem render um texto bacana. Se todas elas fossem publicadas do jeito que estão, certamente seria muito esquisito.

Anotação misteriosa

Encontrei esse texto de 2007, da minha coluna na falecida Revista Paradoxo.

 

Anotação misteriosa
O tempo apaga tudo
por Vanessa Lampert de Porto Alegre[17/01/2007]

Em visita à casa da minha avó, descobri uma velha caderneta de anotações, aparentemente pertencente a uma das minhas tias, embora contenha a letra de uma porção de gente. Uma única data: 13 de maio de 1973, cabeçalho de um texto que nunca foi escrito.Um imenso número de folhas vazias e, lá pelo meio, rabiscos de crianças, desenhos de adultos, números de telefone e algumas anotações esparsas. Uma delas me chamou a atenção. Era uma carta, de alguém para alguém, sem assinatura, sem data, sem muitas pistas. Minha mãe não reconheceu a letra, nem grande parte dos nomes, e a história permanece uma incógnita, a amarelar-se pelo tempo. Transcrevo aqui, para relatar meu espanto.

“André avisou-me que Tuco quer nos colocar longe da Geida. Pedrinho acha que ‘eu’ influencio Geida ao desquite. Tuco já pediu que eu afastasse aos poucos e falasse para você fazer o mesmo, que ele acha que Geida, ficando só, volta para ele. Isto é ‘tara’, o homem é perigoso. Eu acho que no caso nós não devemos nos afastar de maneira nenhuma, pois ela fará uma loucura. Mas o perigo é que ele pode nos prejudicar de algum modo, não é? Já pensei nisso, pressinto algo bem horrível, já pensei até que ele poderá falar com meus pais, estou desesperada. Geida não quer que a deixemos em hipótese alguma, chorou e se agarrou a mim, ela prefere que Tuco a mate. Ela está querendo viajar agora! 

Suely…e agora, o que vamos fazer? Tenho medo dele. Vamos pedir a Deus que nos ajude. Vamos falar com o Felix, também, sei lá… nem sei o que penso. Ele no desespero que está é capaz até de matar. Geida está me esperando lá fora, por favor, depois do culto vá à casa dela, ela fica desesperada só em pensar que você pode se afastar.
Tchau e até lá”.

Suely pode ser uma das primas de minha mãe, o Pedrinho, talvez, o tio dela, a dona da carta provavelmente seja minha tia, e o Felix era tio da minha avó. Apenas essas pistas. Não sei quem é Geida e Tuco e nenhuma desgraça houve na família com essas pessoas. Um problema enorme, que torturava a remetente da carta, desesperava a pobre Geida, perseguida pelo ex-marido, e ameaçava uma série de vidas, hoje não é nada.

A vida passa rápido. O que na época era uma desgraça assustadora, hoje é apenas uma anotação misteriosa em uma folha amarela cheirando a barata. Sem assinatura, sem data, sem continuidade, um problema esvaziado pelo tempo. Trinta anos passaram depressa, carregando o que encontraram pelo caminho, sem medo, sem pena. O tempo apaga, muda o sentido, altera a importância.

Olhei para a minha vida, para meus problemas enormes e insolúveis, para minhas cartas desesperadas a um destinatário mudo qualquer e achei graça. Vi meus dramas reduzidos a anotações sem importância, apagando-se pelos dias, histórias que a história despreza. Não vale a pena agarrar-se a coisas tão pequenas, enquanto o tempo continua passando, a amarelar nossas folhas vazias. Nosso tempo, por mais longo que seja, é curto demais para que o gastemos à toa. O bilhete que Suely nunca recebeu me lembra de que devo levar a vida de forma mais leve, porque tudo, absolutamente tudo, passa.

Graças a Deus.

A sociedade da preguiça

Dia desses, vi o anúncio de um telefone celular, que orgulhosamente divulgava algo como: “Você não precisa tocar no celular, ele obedece à sua voz”. Fiquei tentando entender qual seria o problema de tocar no celular.

Esta semana me surpreendi com outro anúncio “fantástico”: “Com o objetivo de facilitar a vida dos usuários” (vida difícil a de apertar um botão), a empresa x (não vou fazer propaganda) fez alterações em sua nova linha de Smart TVs” (Smart TV= TV esperta. O que significa que a minha é burra). Os usuários poderão “voltar à tela anterior e fazer uma pausa no vídeo apenas movimentando o dedo no sentido anti-horário (…) Os comandos de voz terão funções reduzidas, como a mudança de canal, que será realizada simplesmente dizendo o número, sem precisar falar ‘Mude o canal’”.

Só eu acho isso bizarro? Não, não sou contra o avanço da tecnologia, é realmente incrível que uma TV faça tudo com tão pouco. O problema é que os aparelhos estão ficando mais inteligentes para que a sociedade fique cada vez mais burra.

É provado pela neurociência que quanto mais você usa o seu cérebro, mais ele se desenvolve. Então, quanto menos você usa o seu cérebro, menos ele se desenvolve. A nossa sociedade está caminhando para um emburrecimento em massa e os poucos cérebros que ainda funcionam se dedicam a criar engenhocas que tornem possível aos demais cérebros se acomodarem em sua preguiça. Vivemos a cultura da preguiça mental, das informações superficiais, das facilidades que criam mentes flácidas que sequer sobreviveriam se tivessem que viver há cem ou duzentos anos, sem computadores, geladeiras e smartphones.

As pessoas vêm sendo treinadas a não se esforçar mentalmente para absolutamente nada, a não sacrificar por coisa alguma. Querem que tudo caia do céu por um simples comando de voz. Estão condicionando suas mentes a um estado de embotamento e dependência. Esse “treinamento” tem se estendido até ao sistema educacional, fazendo com que pessoas consigam alcançar altos níveis de escolaridade com pouquíssimo uso do cérebro. Seres cujo máximo esforço feito será girar o dedo em sentido anti-horário. Escrever, ler e pensar serão atividades restritas apenas àqueles que desejam dominar e manipular essa massa.

Uma sociedade assim torna-se um exército de zumbis pronto a obedecer ao que a grande mídia determinar. Pronto a seguir o líder que ela apontar. Sem pensamentos próprios, sem senso crítico, repetindo os pensamentos de outros, com suas mentes derretidas pela indústria do entretenimento e pela lei do menor esforço. O pior é que sequer se dão conta disso e ainda ficam bravos se alguém sugere que sacrifiquem seu tempo, esforço e vontade por alguma coisa, por maior que seja.

Cabe a cada um de nós, heróis da resistência (pelo menos é assim que eu me sinto), remar que contra a correnteza e manter o nosso direito de exercitar nosso cérebro, desenvolvendo nossas próprias opiniões e ajudando os que querem ser salvos desse entorpecimento, lhes ensinando o maravilhoso caminho de enfrentar e vencer desafios. Porque se o preço de “facilitar a vida” é se tornar parte do exército de mortos-vivos, meus amigos, eu sempre vou preferir o sacrifício.

 

*Publicado na coluna “Ponto de vista” da edição 1136 (12 a 18 de janeiro de 2014) do jornal Folha Universal

 

PS: Como recebi mensagens de pessoas achando que eu estava criticando os aparelhos eletrônicos, acredito que tenho que explicar que o texto não está criticando a tecnologia moderna. Na verdade, a tecnologia moderna só tem se moldado à preguiça mental da sociedade (que quer nos convencer de que temos de buscar “mais facilidade” e “mais praticidade”) e ninguém acha isso estranho. Sem aparelhos mais inteligentes, seria bem difícil viver preguiçosamente, mas eles não são a causa do problema, são apenas consequência. Eles vêm substituir as funções mentais que estão deixando de ser usadas. E isso é o mais preocupante, pois não se resolve boicotando a nova tecnologia. Se elas continuassem a ser usadas mesmo com a presença dos aparelhos, não haveria problema algum.

Quem são os escolhidos de Deus?

Descubra como funciona o processo seletivo do qual todos nós estamos participando

 Por: Davison Lampert

A vontade de ser especial, de vencer na vida, é o que motiva muitos a batalhar por seus sonhos. E, na luta para se distinguir na multidão e alcançar o topo, nenhum sacrifício parece grande demais. Estão prontos para abrir mão do lazer, de horas de sono, de vida social e de inúmeras outras coisas que consideram importantes, tudo para não ser só mais um nesse mundo.

Porém, quando a questão é fazer parte do Reino de Deus, o pensamento que prevalece é o de que não há necessidade de se esforçar para ser aceito. Acreditam que se Deus é amor e se a Sua misericórdia é infinita, Ele certamente estará esperando todos de braços abertos, não importando como viveram suas vidas. Mas será mesmo?

O critério de Deus

Quando Jesus diz, ao concluir a parábola das bodas (Mateus 22.1-14), que “muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”, Ele deixa claro que existe um critério para definir essa seleção. Mesmo que a vontade de Deus seja de escolher todos – pois Jesus morreu para salvar toda a humanidade –, Ele diz que muitos serão rejeitados no final.

E qual é o critério usado para determinar quem será salvo e quem se perderá? Serão os anos de igreja? Conhecimento da Bíblia? Faculdade de teologia? Árvore genealógica? Seus belos olhos azuis? Par ou ímpar? Na verdade, o critério de seleção do Reino de Deus é mais parecido com o utilizado em um concurso vestibular.

No vestibular, ao se inscrever, o candidato recebe um manual onde está descrito o que ele precisa estudar e fazer para estar preparado no dia da prova. Se vai ler ou não; se vai seguir ou não, são outros quinhentos. A Universidade está dando a ele uma oportunidade. Se ele passar seus dias dormindo, ou em festas, ou se entretendo nas redes sociais em vez de meter a cara nos livros e estudar, sacrificando sua vontade de fazer todas essas coisas, como espera estar entre os escolhidos?

Por outro lado, o aluno que se dedica, prestando atenção ao que lê, se esforçando para entender mais do que simplesmente decorar; aquele aluno que abre mão das distrações e foca no seu objetivo, que sacrifica uma vida indisciplinada e se submete à disciplina de seu programa de estudos, certamente irá colher o resultado de seu esforço. Ele mostrou a sua vontade com atitudes que o habilitaram para a vaga. Por isso, foi escolhido entre tantos inscritos.

A eleição

No Reino de Deus é a mesma coisa. Os escolhidos por Ele são aqueles que se habilitam a essa condição, por meio de suas próprias atitudes e esforços. A diferença é que não se compete com ninguém para ser eleito por Deus. A luta é contra a própria vontade, e as provas são: negar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir a Cristo. O mundo, que despreza qualquer tipo sacrifício para Deus e só consegue admitir sacrifício para si próprio, tentará impedi-lo de passar nessas provas. Eis a importância de pautar as atitudes em uma fé racional e, crendo na Palavra de Deus, tomar posse de Suas promessas. É dessa qualidade de fé que vem a força para vencer a si mesmo e o mundo. Um candidato com uma fé emotiva ou religiosa não terá condições de se qualificar. Mais cedo ou mais tarde abandonará a disputa.

E, para o que se mantiver firme, a disputa não termina com a aprovação. Após o vestibular, o aluno deverá continuar se esforçando para conseguir se formar. E depois de formado, deverá se manter atualizado e se esforçar para permanecer um profissional de sucesso, até o fim. Assim é com relação a Deus. A carreira de um cristão só acaba quando não há mais luta, e só não há mais luta para um cristão quando ele parte desse mundo.

Combatendo o bom combate

Quando estava na prisão em Roma, pouco antes de sua morte, o apóstolo Paulo escreveu para Timóteo: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a Sua vinda” (2 Timóteo 4.6-8).

Quem mantém o foco na sua salvação, como o seu bem mais precioso, fará qualquer sacrifício para combater bom combate diariamente. Lutar contra as dúvidas, maus olhos e maus pensamentos, fortalecer sua fé, perdoar seus algozes, manter a consciência limpa e o coração puro, fazer pelos outros aquilo que gostaria que lhe fizessem, deixar de olhar para a situação e viver pela fé. A recompensa já está garantida aos que permanecerem fiéis até o fim. E, para melhorar, quem se dispõe a sacrificar por esse Alvo não estará sozinho. Terá sempre a ajuda dAquele que o chamou.

O sacrifício de Jesus abriu uma oportunidade para todos. Muitos são os chamados por Deus para fazer a diferença neste mundo, mas poucos são os escolhidos para o Seu Reino. Quem tiver a coragem de, pela fé, enfrentar esse combate, será excelente em tudo o que fizer e, quando completar a carreira, receberá o seu prêmio. Um prêmio maior do que qualquer coisa que esse mundo possa oferecer e pelo qual vale a pena qualquer sacrifício.

 

*Texto originalmente publicado na edição 1136 da Folha Universal (clique aqui para ver no portal)

A saga do livro “Use sua mente”

cultura3Escrevi uma resenha-diário de leitura para o blog da Cristiane sobre esse livro e, para poupar caracteres lá, resolvi explicar aqui a epopeia que vivi para conseguir concluir a leitura. Comprei na Livraria Cultura do Bourbon Shopping em uma segunda, comecei a ler na terça e na quarta as páginas já estavam caindo. Já era ruim de ler porque as letrinhas eram pequenininhas demais (cheguei a anotar, durante a leitura: “preferia que as letras fossem maiores, mesmo que o livro tivesse trezentas páginas), mas letrinha pequena e páginas caindo? Era demais para a minha paciência.

Coloquei uma reclamação no Twitter dizendo que a editora Integrare deveria trocar de gráfica e fui respondida pela Luciana Tiba. Ela me atendeu muito bem, me garantiu que a Integrare tem grande preocupação com a qualidade de impressão e que foi culpa de uma gráfica que havia dado problema. Ela se prontificou a me enviar outro exemplar.

Quando o livro chegou, eu levei um choque (sentido figurado, tá? Não era um livro elétrico nem nada assim). O exemplar era completamente diferente do meu, até no tamanho! A editoração foi feita de forma diferente, os cadernos eram costurados e colados. No que eu comprei, as folhas eram unidas por uma cola de baixa qualidade, por isso caíram. Pelo tamanho do que ela me enviou ser maior, as letras também ficam maiores, facilitando a leitura.

Claro, escrevi um e-mail “vanessístico”, beeem detalhado e com fotos, explicando as diferenças entre os dois livros, para saber qual das versões era a padrão. Ainda não recebi resposta, então preciso alertar meus leitores. Fiquem de olho, se não for o livro que tem orelhas, provavelmente é o que se desmonta. Então, a menos que o que se desmonta esteja em uma liquidação bem boa, eu recomendo que procure mais um pouco e compre o com orelhas.  Se o livro estiver embalado com plástico, não hesite em pedir para o vendedor abrir para você conferir.

Dê uma olhada na diferença, para conseguir analisar na loja:

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Não, o “i” de “Integrare” não é um pincel. A impressão foi ruim, mesmo.

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O livro menor é o que eu comprei, sem orelha, com impressão ruim e folhas coladas na lombada. O que me foi enviado tem orelha, impressão infinitamente superior, capa fosca e folhas montadas em cadernos costurados e colados

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Compre o livro maior, com orelha e sem a ficha técnica feiosa na quarta capa (abaixo).

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UPDATE: Pelo que apurei, existem essas duas versões no mercado. A versão menor e malfeita custa vinte reais. A maior custa quarenta e cinco. Desconfio que não seja uma “versão econômica”, ou o formato seria pocket (e teria qualidade, mesmo sendo menor. O livro não pode se desmontar na mão do leitor, não importa o preço pago…e vinte reais não é “dérreal”)… A razão de eu ter pedido para evitarem o livro menor foi a editora não ter me dito em nenhum momento que existiam duas versões do livro. O que me foi passado é que houve um problema com uma gráfica. Se isso for verdade, o erro foi colocar o livro malfeito nas livrarias a um preço muito menor, para se livrar do estoque. Apesar do conteúdo ter me agradado, me arrependi de indicar o livro. Se tivesse sido informada pela editora ao primeiro contato de que existiam duas versões, uma ruim mais barata e uma boa mais cara, eu não teria indicado, pois vejo nisso um desrespeito com o leitor de menor poder aquisitivo.

Minuto da editoração

Para complementar a questão do livro que se desmontou, segue abaixo a foto e a explicação, por alto, de duas formas muito comuns de montagem de livros, utilizando duas versões absurdamente diferentes do mesmo livro:

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Foto da lombada: o livro de baixo é o que comprei, se desmontando após dois dias de uso. Perceba que as folhas, desalinhadas, estão coladas com uma cola escurecida (ressecada, na verdade), com aparência de velha. Na verdade, de baixa qualidade. Por isso, com poucos dias de uso, as folhas já estavam caindo. Já o livro de cima, o que a editora me enviou após ver minha reclamação no Twitter, é formado por 7 caderninhos costurados ao meio e colados na lombada com uma cola mais clarinha – de melhor qualidade.

 

O processo de montagem que envolve cola e costura é mais sofisticado e mais seguro para o leitor, pois o livro dura mais. No entanto, há livros que são apenas colados e duram bastante – desde que a cola seja de boa qualidade e a impressão esteja longe do meio do livro (lombada interna), o que não obriga o leitor a forçar a abertura para ler – e preserva o livro mesmo com o passar dos anos.

 

 

 

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Na segunda foto, da folha central de um dos cadernos, é possível ver claramente a costura.

E também é possível ver o outro livro se desmontando. Atualmente, qualquer virar de páginas já o faz perder uma folha. Quando digo que está “se desmontando”, estou sendo literal.

Ainda que a editora quisesse fazer uma versão mais barata (por ser menor, embora não seja muito menor),  nada justifica tal falta de qualidade.

 

 

 

 

 

 

 

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Inteligências múltiplas

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Talvez você consiga entender bem com esse esquema, que o autor do livro chama de “mapa mental”.

O conceito de “inteligências múltiplas”, retirado do livro “Use sua mente”, de Tony Buzan:

“Essas inteligências são como músculos que podem ser treinados e aperfeiçoados, e todos têm potencial para desenvolver qualquer inteligência em alto grau.

As inteligências múltiplas incluem as inteligências:

  • Verbal: o desenvolvimento do “poder da palavra” e a habilidade em lidar com as infinitas manifestações do alfabeto.
  • Numérica: o desenvolvimento do “poder numérico” e a habilidade em lidar com o infinito universo dos números, assim como a habilidade de pensar logicamente.
  • Espacial: a habilidade em lidar com espaços tridimensionais e manusear objetos em três dimensões.
  • Pessoal: a autoconsciência e a habilidade em se amar – ser seu melhor amigo e orientador.
  • Social: a habilidade de obter sucesso em grupos, tanto em pequenos como em grandes grupos, assim como a habilidade em estabelecer relações duradouras.
  • Física: a “saúde médica” geral, assim como a força muscular, flexibilidade corporal e a boa forma cardiovascular.
  • Sensorial: a habilidade para usar os múltiplos sentidos para maximizar o poder e o potencial deles.
  • Criativa: a habilidade em pensar com toda a gama de capacidades de seus córtices e pensar de forma abundante, original, imaginativa, flexível, rápida e conectiva.
  • Ética/Espiritual: a compaixão e o amor pelas coisas vivas e pelo meio ambiente, caridade, entendimento, pensamento “global”, positividade e generosidade.”

 

A ideia de que o QI avalia muito pouco do potencial das pessoas faz todo sentido. Existem pessoas com QI médio que se dão muito melhor na vida do que pessoas com QI muito acima da média. Acredito que o resultado mede a eficiência. Não adianta você ter todo potencial do mundo, mas não fazer nada de extraordinário com ele. Prefira se esforçar para fazer melhor o que você consegue fazer, desenvolvendo ao máximo cada um dos recursos da sua mente. Ainda que seu QI não seja lá grande coisa, você tem total capacidade de se destacar.

Não é fantástico isso?

 

Atenção

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Imagem: Sigurd Decroos

O dicionário Michaelis define “atenção” como “Ação de aplicar o espírito a alguma coisa”. Descobrir essa definição me ajudou a ser mais atenta em tudo o que eu faço, então resolvi compartilhar. Até então, eu achava que “prestar atenção” era só olhar para uma determinada coisa e tentar entender. Mas quando eu via, meus pensamentos estavam voando para outros lugares. No entanto, quando soube que deveria aplicar o espírito àquilo que exigia minha atenção, aprendi a focar meus pensamentos.

Porque o meu espírito é o meu intelecto e é ele que deve focar na reunião, por exemplo, ou no livro que estou lendo, ou no texto que estou escrevendo, ou na louça que estou lavando (evita quebrar copos e pratos) ou mesmo na conversa que estou tendo com o meu marido. É meu espírito, não meu corpo, meus olhos ou meus sentimentos.

No cérebro, a atenção é a porta da memória. Se presta atenção, grava. Se não presta atenção, não grava. Se conscientemente eu aplico meu espírito ao ato de colocar os óculos na gaveta, por exemplo, naturalmente quando eu os procurar, saberei onde estão. Faça o teste. Se o seu espírito estiver presente em tudo o que você fizer, até mesmo nas pequenas coisas do dia a dia, você fará tudo muito melhor. E, como a memória é indispensável para o aprendizado, você conseguirá aprender mais, desenvolver novas habilidades e certamente fará tudo o que se dispuser a fazer.

Talvez para você isso já seja normal, mas para mim, sinceramente, foi uma revelação. Não que eu não fizesse isso naturalmente quando necessário, mas quando você tem consciência de como um processo funciona, é muito mais fácil colocá-lo em prática. Trazer para o nível consciente é adicionar uma nova ferramenta ao seu “cinto de utilidades” mental, que você poderá ter a seu alcance sempre que precisar. Poderá, por exemplo, prestar atenção em alguma coisa que você precisa fazer, entender, saber, ler ou aprender, mesmo sem estar interessado naquele assunto.

Me dei conta de que nunca havia escrito sobre isso, mas esse foi o exercício determinante para que eu saísse de um nível severo de “déficit de atenção” (que fez minha adolescência ser um desastre) e me tornasse a pessoa focada e perfeccionista que, no fundo (beeeem no fundo), eu era. E naquela época nem tinha total consciência de como o processo funcionava, eu o aplicava aos trancos e barrancos. Mas depois que descobri a “Ação de aplicar o espírito a alguma coisa”, somada ao meu entendimento sobre sacrifício, tudo se tornou possível. Até encontrar as minhas chaves. :-) Ainda tenho muito a desenvolver nessa área, mas pelo menos agora eu sei por onde começar.