Jogando lixo no Templo

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Estava tentando explicar a importância da alimentação para a saúde (inclusive complementação nutricional) em conversa com uma pessoa, e ela achou que eu estava falando de uma espécie de bruxaria. Como se “medicina nutricional” fosse algo como “a cura pelas pedras”. Má alimentação prejudica os neurônios, definitivamente. Para que a pessoa acha que a nutrição serve? A gente não come para encher a barriga, a gente come para dar ao nosso organismo os nutrientes necessários para que todas as células dele funcionem a contento. Aliás, é para isso que a gente toma água, também. Pense em seu corpo em um nível microscópico. Cada alimento tem coisinhas minúsculas que servem para dar combustível às  coisinhas minúsculas que fazem seu corpo funcionar. O organismo humano é um conjunto de milhões de coisinhas minúsculas que precisam de coisinhas ainda mais minúsculas, que estão presentes em comida de verdade.

Quando come coisas que não são comida de verdade (industrializados cheios de conservantes, corantes, acidulantes, realçadores de sabor, açúcar refinado, adoçantes artificiais e gordura hidrogenada), está enchendo seu organismo de toxinas que, na melhor das hipóteses, atrapalharão o funcionamento dele e causarão deficiência dos nutrientes de verdade, que Deus fez para que seu corpo (que Ele também fez) funcione bem. A Bíblia compara o corpo humano a um Templo. Diz que nosso corpo é Templo do Espírito Santo.

A pessoa se alimenta mal, por isso o corpo entrou em um processo inflamatório generalizado (meio que pedindo socorro) e começa a aparecer um problema após o outro.  Acaba não conseguindo fazer a Obra que tem que fazer porque as engrenagens começam a emperrar. Por culpa dela. Entenda o seguinte: quando você se entope de porcarias industrializadas (e aqui eu incluo a maioria das coisas que você encontra no supermercado…leia o rótulo), cheias de corantes, conservantes, glutamato monossódico e gordura hidrogenada, está depredando o Templo. É mais ou menos como quando você se droga, se prostitui ou vira madrugadas enchendo a cara. Você está entrando no Templo com uma picareta e arrancando lascas das pedras de revestimento. Você está riscando as cadeiras do Templo com caneta Bic. Você está passando cocô nas paredes dele e enchendo o Altar de lixo. O mínimo que podemos fazer pelo Templo é mantê-lo limpo, bonito e bem conservado. Por dentro e por fora. É entender que ele não é nosso, é de Deus, está emprestado para nós, para que possamos fazer o que o Dono do Templo nos comissionou a fazer neste mundo.

É uma grande falta de respeito tratar a casa dos outros de qualquer jeito, jogando lixo no chão e passando porcaria na parede. É falta de respeito fazer suas escolhas de alimentação com base no que você tem vontade, simplesmente, como se esse fosse um prazer sem consequências. Quando cuidamos daquilo que Deus nos deu, mostramos a Ele o quanto O consideramos.

Quando você entende como funciona o corpo humano, o papel dos micronutrientes, como o corpo absorve os nutrientes e o que faz com eles depois…o processo de glicação, o processo de oxidação, como o seu corpo lida com as toxinas que você ingere…você começa a entender a delicadeza do Templo maravilhoso que Deus fez. Como tudo é tão perfeito, tão grandioso, mas ao mesmo tempo, tão delicado.  E mesmo que não entenda nada disso, você ainda é capaz de perceber que temos a máquina mais fantástica já concebida em nossa posse temporária e temos o dever de cuidar dela da melhor maneira que pudermos.

Quando a pessoa não bebe água suficiente, quando come mal e não se cuida, o pessoal que trabalha na segurança (defesa) e na manutenção do Templo fica sem comida (eles são obrigados a comer lixo), sem cimento, sem material básico para reconstruir o que os vândalos destruírem. Como os suprimentos são poucos e de baixa qualidade, alguns trabalhadores são mandados embora, porque não há como manter todos. Assim, o Templo fica à mercê dos bandidos e dos vândalos (os vírus, as bactérias, as inflamações, degenerações e doenças, em geral). Então, em vez de dar condições aos trabalhadores para resolverem os problemas, você reclama deles e procura uma indústria para dar uma solução mágica, mas só o que ela consegue lhe vender é um paliativo. Estacas que seguram a marquise que está caindo (mas quando vai consertar, se não tem concreto, se não tem vigas, se não tem trabalhadores?), óculos que não deixam você perceber o estrago (anti-inflamatórios e analgésicos, que não resolvem o problema)…em breve, o Templo, construído com tanto cuidado, já parece ter cem anos de idade, mesmo tendo menos de trinta. E você vai reclamar do construtor? Vai reclamar dos trabalhadores? Vai fugir da sua responsabilidade? Até quando? Essa não é uma forma inteligente de lidar com algo tão importante.

O Templo de Salomão é tão lindo e foi feito com tanto cuidado, com tanto amor…sacrificamos tanto para vê-lo como está hoje, grande, imponente, forte e maravilhoso. Por que não podemos sacrificar pelo Templo que o próprio Deus construiu e estabeleceu como Sua casa?

 

PS: A Katia escreveu no blog da Cris um post muito legal, que sintetiza o que penso sobre esse assunto: Detox à moda antiga.

PS2: Esse é um problema que eu tive por muito tempo. E hoje eu sei que tenho que sacrificar por uma razão maior. Reduzi o consumo de coisas que não são comida de verdade e comecei a fazer exercícios. Me forço a tomar a quantidade necessária de água. Tudo é hábito, meus amigos. E hábito é um negócio que a gente pode mudar e trocar por outro. Simples assim.

 

O descanso…

Fiquei de contar como foram meus dois dias de descanso. Bem, talvez as pessoas normais não considerem descanso, mas eu estou descansando…rs. Descansar não é dormir o dia inteiro (embora eu tenha dormido algumas horas ontem depois do almoço, até ser acordada com os gritos quando acabou a prorrogação – sim, porque aqui na zona norte é impossível não saber dos jogos do Brasil, ainda que a gente não assista – mas não conta, já que eu tinha acordado antes das cinco da manhã para ir ao laboratório com meu esposo, para fazer exame de sangue), o mais importante, pelo menos no meu caso, é descansar a cabeça. Todo o meu descanso este final de semana foi mental. :-) Sem cobranças da minha cabeça, sabendo que minha única obrigação sábado e domingo seria “descansar”.

Não posso esperar que eu passe um dia inteiro sem ler nada ou sem escrever nada, mas tentei não mexer com trabalho, para tentar fazer como se fosse um final de semana de gente normal.  Hoje fui à igreja bem cedo, li com calma vários blogs quando voltei e ainda consegui adiantar algumas mensagens que eu teria de escrever durante a semana, o que vai me deixar mais tranquila para trabalhar.

Você nunca vai me ver defendendo feriados e longos períodos de férias, mas tenho que admitir que desacelerar pelo menos um dia é importante, desde que você também use esse tempo para colocar sua cabeça no lugar, avaliar o que tem passado por ela e o que você deve mudar para se cansar menos durante a semana, senão é meio inútil. Eu, por exemplo, percebi que tenho que me livrar de um péssimo hábito (identifiquei um robozinho drenador de energia): às vezes escrevo um e-mail e não envio imediatamente; salvo como rascunho. Deixo para ler novamente depois, com um olhar mais fresco e ver se precisa de alguma edição. Isso é um hábito mais ou menos recente, mas não é nada legal, porque, na correria da vida humana na terra, com frequência eu esqueço de fazer a tal edição e o e-mail não sai dos rascunhos (mais recentemente ainda, comecei a fazer isso com comentários em blogs. Salvo no word para enviar depois e acabo não enviando). Neste fim de semana, percebi que isso é uma espécie de dúvida. Como escrevo, mas não envio e deixo o troço pendente, vou acumulando dúvida dentro de mim e me treinando a hesitar. É um treinamento para fortalecer a insegurança. Nada esperto. Não é de se espantar que eu esteja me cansando mais do que o normal. A fé é travada pela hesitação.

Então, eu decidi uma coisa para esta semana, que comecei a aplicar desde sábado. Vou enviar qualquer e-mail que eu escrever. Se eu cheguei a escrever, ele deve sair dos meus rascunhos. Caso contrário, é melhor nem escrever. É uma atitude pequena, mas as raposinhas é que destroem toda a vinha, não é mesmo? Da mesma maneira que uma atitude negativa aparentemente insignificante pode destruir, uma atitude positiva aparentemente insignificante pode trazer grandes transformações. Estou à caça de toda duvidazinha que aparecer pela minha frente, para eliminar tudo aquilo que possa boicotar minha fé. :-)

O inimigo está chegando! Eba! :-D

Qual é a sua reação quando descobre que estão tramando algo contra você? Se desespera? Se apavora? Deixa o medo entrar e permite que a ansiedade devore suas entranhas?

“Os meus olhos veem com alegria os inimigos que me espreitam, e os meus ouvidos se satisfazem em ouvir dos malfeitores que contra mim se levantam.” (Salmos 92.11)

O salmista ficava feliz ao ver que tinha inimigo à espreita. Eba! Guerra à vista! Como pode? Na verdade, ele sabia de toda a dificuldade que teria de enfrentar na batalha, mas a certeza de que Deus estava com Ele era tanta que, ao ver os inimigos se aproximando, tudo o que ele via era uma oportunidade de ver o que Deus iria fazer. Ele tinha certeza da vitória e da força que Deus lhe havia dado. Aliás, com o versículo anterior e o seguinte a gente entende muito bem o contexto:

“Porém, Tu exaltas o meu poder como o do boi selvagem; derramas sobre mim o óleo fresco. Os meus olhos veem com alegria os inimigos que me espreitam, e os meus ouvidos se satisfazem em ouvir dos malfeitores que contra mim se levantam. O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro do Líbano.” (Salmos 92.10-12)

Isto é, “o Senhor me fortaleceu, me encheu do Espírito dEle, da Sua capacidade…então, quando eu vejo o inimigo chegando, fico tri feliz (o salmista era gaúcho…rs) porque sei que sairei vitorioso, crescerei e ficarei ainda mais firme e forte”. Não é fácil, mas a guerra, meus amigos, é uma grande oportunidade. :-)

 

 

Resolução de fim de semana

O dia hoje foi muito estranho. Eu tinha muito trabalho a fazer, mas estava com um cansaço fora do normal (desta vez, causado pelas noites maldormidas) e TePeêMicamente irritada (provavelmente por causa do cansaço fora do normal). Mesmo assim, tive que fazer o que eu tinha que fazer (post de ontem sendo colocado em prática [mode on]). E cá estou eu, indo dormir de madrugada, novamente.

Então, tive que tomar uma decisão bem racional: final de semana eu farei final de semana. Pois é, porque geralmente não faço. Sei de toda aquela história de que o corpo precisa descansar e tal, mas eu acho que traumatizei. Descansei demais, dormi demais nesta vida. Vou descansar depois da morte, então tenho uma certa urgência em recuperar o tempo perdido. Porém, eu preciso admitir que a produtividade sofre um pouco com a falta de descanso. Então, vou desacelerar pelo menos nos próximos dois dias, pelo bem da minha produtividade durante a semana (e pelo bem da saúde mental do meu querido marido).

Os posts no blog continuam, mas no modo “cabeça da Vanessa descansando”. Tenho certeza de que isso tudo é culpa dos hormônios, esses terríveis. No final de semana digo como foram meus dois dias de “descanso” (ha ha ha).

 

PS. Escrevi um texto novo no blog da Cristiane:  http://www.cristianecardoso.com/pt/2014/06/27/sobre-o-livro-de-jonas/

Fuja dos robozinhos drenadores de energia

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Existe um momento em que eu realmente tenho sérias dificuldades para escrever: quando estou exausta. Ou quando a mente está cansada demais ou quando o corpo está cansado demais. Mas geralmente minha mente é que cansa o meu corpo. Aí eu realmente tenho que parar e ir dormir. Mas às vezes não tem como, eu tenho que terminar o negócio ou não está na hora de dormir, minha cabeça é que cansou rápido. Então, eu tenho que me esforçar e ir contra o que estou sentindo, ir contra até o que está realmente acontecendo. Ligo os dois fiozinhos dentro da minha mente e faço funcionar por mais algum tempinho. É, eu sei que isso não é o ideal. Então resolvi analisar o porquê de alguns dias minha bateria mental se esgotar mais rápido do que em outros.

Descobri que isso acontece principalmente quando eu me distraio com alguma coisa negativa. Por algum tempo, as coisas negativas vinham da minha própria cabeça. Pensamentos de que não ia dar certo, de que não ia dar tempo, de que eu não era capaz, de que eu não conseguiria… Isso drena a sua energia, meu amigo. Aprenda a dar um chute nesses pensamentos e se fazer de doido quando necessário.

Depois que esses pensamentos perceberam que minha cabeça não era mais a casa da mãe joana, as coisas negativas começaram a vir de outras pessoas ou lugares. O Davison é uma pessoa muito positiva, então eu não tenho esse problema dentro de casa. Mas existe o telefone. E ele toca. Existem e-mails. E eles surgem na caixa de entrada. Existem sites de notícias. E eles só noticiam coisas negativas (não estou lendo nesse período de Jejum, então percebo a diferença absurda que faz não acompanhar o noticiário). Então, os robozinhos drenadores de energia passaram a ser enviados pela cegonha. E tenho que lidar com eles sem permitir que drenem minha energia. O principal é usar a fé e blindar o coração. Eu tenho que ser bem criteriosa com o que vou deixar entrar na minha mente.

Nesses 40 dias pode aparecer uma tonelada de coisas para tirar você do foco. Mas só vai conseguir se você deixar. Se você estiver atento e vigilante não será pego de surpresa e poderá fazer as escolhas certas para manter sua energia concentrada e não se desviar nem para a direita, nem para a esquerda. Não adianta eu ficar me forçando para escrever com a mente exausta. Eu preciso usar a sabedoria e evitar essa exaustão, me desviando de tudo aquilo que sei que vai me fazer desperdiçar energia.

 

PS. Estou no desafio de escrever diariamente aqui no blog. Então, quem está acompanhando já pode saber que todo dia tem post novo. :-)

 

Até tu, Salomão?

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Estava pensando sobre a situação do rei Salomão. Foi o rei mais poderoso, rico e sábio que Israel já teve. Sua sabedoria foi dada pelo próprio Deus e ele é o autor da maioria das pérolas de sabedoria do livro de Provérbios e também do livro de Eclesiastes. Ele entendia altas coisas, Deus apareceu para ele duas vezes – e para falar coisas bem legais. Ele foi escolhido para colocar em prática o plano de seu pai Davi (ah, teve essa também, o indivíduo era filho do rei Davi!) e construiu o primeiro Templo para Deus, templo esse que ficaria conhecido por seu próprio nome: “Templo de Salomão”.

Durante a construção do Templo, Salomão demonstrou grande temor, respeito e amor a Deus. Ao pedir ao rei de Tiro ajuda com os materiais, mostrou como enxergava o que estava para fazer: “A casa que edificarei há de ser grande, porque o nosso Deus é maior do que todos os deuses.” (2Crônicas 2.5). E, com o Templo já pronto, fez uma oração lindíssima e humilde, pedindo a Deus que consagrasse aquele lugar (leia em 2Crônicas 6). Sempre foi aberto a dar ofertas e sacrifícios a Deus, e recebeu dEle uma resposta à altura (leia em 2Crônicas 7), em que Deus prometeu estar com os olhos abertos e os olhos atentos à toda oração que se fizesse no Templo, se agradou dele e aceitou aquele lugar como Sua casa. E também disse que se Salomão andasse nos caminhos dEle, o reino seria confirmado em suas mãos. Mas se ele se desviasse, o reino seria arrancado de suas mãos e a casa seria destruída.

Mesmo com tanto conhecimento, sabendo a importância de manter o temor e a fidelidade, Salomão não resistiu aos anos de paz e às más companhias. Anos e anos sem guerra (ele chegou a dizer “Porém a mim o SENHOR, meu Deus, me tem dado descanso de todos os lados; não há inimigo, nem adversidade alguma” (1 Reis 5.4)) e mais as más escolhas na vida amorosa (ou, como disse o Davison, “não bastasse ter casado mal, ele casou mal mil vezes”) fizeram com que ele pirasse o cabeção e chegasse à velhice construindo santuários para os deuses dos povos das mulheres com quem Deus já tinha dito que ninguém de Israel deveria casar. Porque não tem jeito, quando você casa com uma pessoa, você traz para a sua vida tudo o que está na vida daquela pessoa.

“Sendo já velho, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era de todo fiel para com o SENHOR, seu Deus, como fora o de Davi, seu pai.” (1 Reis 11.4)

Seguiu aos deuses daquelas mulheres “Assim, fez Salomão o que era mau perante o SENHOR e não perseverou em seguir ao SENHOR, como Davi, seu pai” (1 Reis 11.6). Comoassim, Salomão???? Depois de tudo o que você viu, ouviu e escreveu?

Aí, claro, Deus não poderia continuar sendo com ele, senão viraria festa da uva. Avisou que o reino seria dividido, sendo que só deixaria uma tribo com seus descendentes por amor a Davi e a Jerusalém. Depois, Deus levantou dois adversários contra Salomão (1 Reis 11.14;23) e, finalmente, ele teve problemas para resolver. Quem sabe ali tenha se arrependido e consertado a cabeça antes de sua morte.

Mas fiquei pensando…se o cara para quem Deus apareceu duas vezes, que entrou para a História por sua sabedoria e por ter tido a honra de construir o Templo escorregou desse jeito a ponto de fazer essas abominações – que ele sabia que eram abominações, por ter se deixado levar pela conversa das suas mulheres, ninguém está livre de esculhambar sua vida desse jeito, se não se cuidar e se não souber fazer as escolhas certas. A solução é levar tudo muito a sério e nunca achar que está bem e que não precisa se cuidar. Vigie e fique bem atento, principalmente em tempos de paz. Não foi por falta de sabedoria. Foi por falta de usar a sabedoria. Na hora de escolher suas mulheres, ele usou o coração e deixou a sabedoria na estante. Provavelmente desligou o cérebro por ter se acomodado na falta de problemas.  Não vale a pena fazer escolhas com o coração e embarcar em uma canoa furada que fará você perder tudo aquilo que conquistou. Melhor ficar sozinho do que se perder em um mau relacionamento; melhor viver na guerra do que morrer por causa da paz.

Não precisava ter sido assim. Se Salomão cuidasse de sua vida amorosa com a sabedoria que recebeu, e seguisse o que ele mesmo escreveu a respeito de temer a Deus, jamais teria colocado tudo a perder.

 

 

 

Eu preciso de inspiração para escrever?

Algumas pessoas acham que para escrever é necessário ter uma inspiração especial. Há uma ideia corrente de que a inspiração é uma coisa que “vem”, que “surge” e que, sem ela, o escritor se torna inútil. Não vou dizer que com algumas pessoas não seja assim. Eu mesma já fui assim. Mas isso é muito triste, porque significa que você não tem o menor controle do seu processo criativo – e não, desculpe, isso não é lindo, não é certo e se você se acomodar a essa ideia será sempre um amador dominado por suas emoções.

Sim, porque essa “escrita mediúnica”, que simplesmente “vem” não é uma inspiração que vem de fora, não se engane. Ela vem, na verdade, de dentro, das suas emoções. Por isso é instável. Para assumir o controle de seu processo criativo é importante que ele seja consciente. Fruto, antes de mais nada, da sua consciência de que você quer escrever; de que você acredita que é importante escrever. Você quer escrever, então você senta em frente ao computador pensando “eu vou escrever”. Daí você escreve. É, simples assim, sem frescuras.

Mas sobre o que vou escrever? – Você me pergunta. Se você não tem um tema definido, pode escrever sobre qualquer coisa. Sobre absolutamente qualquer coisa. Não há limites. Não precisa usar palavras bonitas ou complicadas, não precisa falar de coisas profundas ou grandiosas. Pode escrever do jeito que as palavras vêm à sua mente, então você vai relendo o que escreveu, pensando se vai fazer sentido para o leitor. Assim, começa a aprender a organizar as palavras que escreve, para que cada frase se conecte e construa o que você quer dizer.

Você tem que ter as ferramentas devidamente afiadas para que elas possam ser usadas. Por isso eu digo que não importa sobre o que você vai escrever, desde que escreva. O treino é diário e vai fazer com que você tenha habilidade com as palavras. O que será absolutamente necessário quando você tiver algo importante a dizer. Escrever diariamente faz com que você desenvolva o hábito, aprenda a articular as palavras e frases escritas e, naturalmente, faz com que você aprimore seu texto. Você só vai escrever melhor escrevendo. Obviamente ler também é fundamental. Se você não quer ler o texto dos outros, como querer que alguém leia o seu? Seria injusto. Se esforce, então, para ser melhor leitor e melhor escritor.

Mas se você não quer ser um escritor profissional, por que desenvolver o hábito da escrita? Porque você precisa se comunicar com clareza por esse meio. Só não é importante se você for uma pessoa vazia e não tiver nada a dizer, mas se você tem conteúdo para passar e quer transmitir isso de forma clara, tem de dominar a linguagem escrita. E não precisa ter frequentado o ensino formal para isso, não interessa a sua escolaridade. Só o que interessa é sua vontade, esforço e empenho. Tudo o que você precisa ter é um cérebro. Já tem todas as ferramentas dentro dele, basta desenferrujá-las e se esforçar para fazer funcionar. E se soltar, dando liberdade à sua mente para aprender a brincar com as palavras e desenvolver intimidade com elas. Esse é o primeiro passo para aprender a gostar de escrever e conseguir controlar o processo. Depois, se conhecendo melhor, você faz as regras para aumentar a produtividade.

No meu caso, a única coisa de que eu realmente preciso é de concentração e – de preferência – silêncio. Porque é uma atividade mental e meu cérebro não funciona bem com grandes interferências (eu fazia escultura e pintava bonecas ouvindo música, mas para escrever, dependendo do texto eu prefiro que não tenha som nenhum, mas isso varia de pessoa para pessoa). Mas já aconteceu de ter de escrever no meio do caos e eu escrevi. Várias vezes, aliás. A experiência mais recente que posso citar foi na Folha Universal. Artigos inteiros foram escritos e reescritos no meio do furacão de um fechamento de jornal. Não só eu, mas toda a equipe. Já pensou se a gente esperasse uma inspiração?

 

Recadinho específico aos cristãos:

 A quem está no Jejum e se pergunta o que isso tem a ver com crescimento espiritual: TUDO. Se você é cristão, tem o dever de aprender a se comunicar para que as pessoas conheçam o que está dentro de você e entendam o que você está falando. Estamos na internet; até mesmo em um simples comentário, você tem de conseguir expressar o que está realmente querendo expressar. Quer você esteja falando alguma coisa espiritual, quer você esteja orientando alguém, quer você esteja falando sobre qualquer outra coisa, suas palavras são capazes de mostrar o seu espírito. Então, o mínimo que você precisa saber é articular essas palavras de forma clara e compreensível. A menos que queira se esconder em uma caverna e não falar com ninguém. Aí, sinto informar, você não é cristão. O cristão tem de seguir a ordem de levar as boas novas a toda criatura, e não é possível fazer isso sem se comunicar. Tem o dever de ser um exemplo de caráter e de conduta – e é impossível fazer isso na internet sem se comunicar. E mesmo fora da internet…quem escreve melhor, pensa melhor, argumenta melhor. Você só tem a ganhar se, a partir de hoje, começar a escrever diariamente.

E a diversão, onde fica?

amigo.

Como o mundo está mergulhado em futebol, verde-e-amarelo, êÊÊÊêêêêêÊêê, vai Brasil, etc. etc. Chorando com novelas, ficando bravo com os noticiários (depois as pessoas não sabem por que vivem estressadas, ansiosas e depressivas, né?) e vivendo nessa vibe emotiva ao extremo, parece que aqueles que decidiram se desconectar dessas coisas e colocar na cabeça apenas coisas que promovam crescimento espiritual são uns chatos.

E pode ser que a dificuldade que as pessoas vejam em algo assim nem seja tanto de ficar sem as informações, mas sim de ficar o tempo todo sério e compenetrado, em pose de “crescimento espiritual”. Acho que é bom avisar para essas pessoas que para ser sério e estar concentrado em alguma coisa não é necessário viver de cara fechada, com aparência de quem está carregando um peso gigantesco nas costas ou mesmo de quem já foi para o céu e esqueceram de içar o corpo.

A vida tem que ser leve. Na verdade, tudo pode estar desabando ao redor, você pode ter um milhão de responsabilidades a cumprir, mas fazer tudo com leveza é fundamental. Manter o senso de humor, manter a disposição de criança para ver alegria nas situações, nas palavras, na vida, em geral. Não deixar de alimentar o lado lúdico, criativo, tão necessário à imaginação. O mundo do lado de fora pode estar pesado e complicado, mas do lado de dentro tudo tem que ser leve.

Todas as vezes em que tentei abafar esse meu lado lúdico/criativo, me dei mal. Não que você precise ficar rindo e brincando o tempo inteiro, eu não estou falando necessariamente de algo que se veja de fora, estou falando de uma disposição que está dentro da cabeça da gente. Você pode até estar longe de qualquer entretenimento; a diversão está dentro de você. Está no seu olhar, na sua mente. Aquele desprendimento que o faz perder o medo de deixar os outros verem a sua simplicidade, até porque as melhores coisas da vida são as mais simples. Sem a preocupação de parecer o que não é, a vida fica muito mais divertida.

Por que demorou tanto para ter um encontro com Deus?

Estava relendo o texto que escrevi ontem e uma coisa me chamou atenção: Eu conto toda aquela história dramática do meu marido desenganado e da primeira vez que eu consegui usar a fé bíblica, com direito a fazer um pacto com Deus, e em seguida digo “Ainda demoraria mais quatro anos para que tivéssemos nosso encontro com Deus.” Por quê? Porque depois daquela experiência ainda tivemos que encarar mais quatro anos para que cumpríssemos a nossa parte do contrato? Acho que isso merece uma explicação.

Não pense que Deus demorou quatro anos para querer se manifestar na nossa vida. Não pense que passamos quatro anos buscando até que pudéssemos encontrá-Lo. Quando chegamos em casa, com os cuidados do dia a dia, eu mergulhei na situação em que vivíamos e simplesmente me esqueci daquela fé. A ponto de não ir mais na igreja, e, quando ia, chegava com uma hora de atraso e não prestava atenção em nada. A única reunião de que me lembro essa época foi uma de domingo de manhã em que o bispo Emerson nos desafiou a dizer o que ele havia pregado na semana anterior. Obviamente, eu não fazia ideia, assim como a maioria das pessas. Então, ele disse que nós não estávamos prestando atenção, que estávamos nos comportando como meros ouvintes da Palavra, e não praticantes, então nada iria acontecer. Naquele dia eu fiquei com vergonha e me dei conta de que eu ia à igreja inutilmente, já que estava com o corpo ali e a cabeça em qualquer lugar. Religiosamente.

Era como se a fé só pudesse ser usada em situações-limite, quando a água batia no pescoço. Por que demoramos quatro anos para ter um encontro com Deus? Por causa da nossa cabeça-dura. Por algum motivo, achamos que dava para continuar a vida na força do nosso braço e que não precisávamos sacrificar mais nada. Assim, vivemos na corda-bamba por mais quatro anos. A única área da nossa vida que estava intacta era o casamento, porque a nossa base era racional. O resto, estava desmoronando.

O bom é que Deus é realmente maravilhoso e levou em consideração o fato de eu ser tão tapada, porque se Ele fosse me julgar pela minha ingratidão, eu estava ferrada. Enfim, quatro anos depois, já no fundo do fundo do poço, finalmente deixamos o orgulho de lado e conseguimos entender que se não abríssemos mão de tudo aquilo que tínhamos, que éramos, que pensávamos e que achávamos que sabíamos, nunca sairíamos do lugar. Então, tivemos que sacrificar. Tudo, começando com o que tínhamos dentro da gente. Eu já não tinha muita coisa, porque até a memória estava começando a perder. Mas todo o fundamento religioso que tinha dentro de mim foi para o lixo. Eu decidi nada saber. Eu iria aprender do zero.

Quando a Palavra se cumpre

Preciso de um post inteiro só para explicar como caiu minha ficha e como foi meu encontro com Deus. Mas já adianto que no mesmo dia em que resolvi voltar para a igreja e realmente me coloquei no Altar, eu tive um encontro com Deus. No mesmo dia! Então, só demorou quatro anos porque eu fui cabeça dura e não quis fazer isso antes.

No entanto, ontem eu estava meditando nisso tudo que aconteceu e percebi que Deus leva muito a sério a Sua Palavra e também a nossa palavra. Eu dei a minha palavra a Deus, e Ele deu a Palavra dEle. Ele cumpriu a Palavra dEle, e esperou que eu cumprisse a minha. Antigamente a palavra de alguém tinha muito valor. Só gente mau caráter empenharia a palavra e não cumpriria depois. Hoje, é comum empenhar a palavra, prometer alguma coisa, e depois se esquecer. Mas se você quiser alguma coisa de Deus nesta vida tem de aprender a honrar a sua palavra, porque a palavra que sair da sua boca perseguirá você. Tenha consciência de tudo o que sai da sua boca.

Deus teve muita misericórdia de mim, pois se Ele tivesse decidido desistir de mim, teria toda razão. Mas não foi isso que Ele fez. Porque se houver uma mínima chance de você abrir os olhos e despertar, Ele não vai desistir de você. Mas não ache que isso é uma licença para sair vivendo do jeito que quiser e esperar que Deus tenha misericórdia. Não arrisque o que você não tem. Eu andei quatro anos na corda-bamba e saí dela um segundo antes que ela se arrebentasse. Gostaria de ter tido oportunidade de ouvir isso antes.

 

 

PS. Em tempo:

Não acho que eu seja o modelo de membro perfeito dentro da igreja, mas para fazer um contraponto com a criatura totalmente desconectada do próprio corpo que descrevi logo acima, vou dizer como faço hoje. Quem sabe ajude alguém. Primeiro, faço questão de chegar antes da reunião. De preferência, uma hora antes ou meia hora antes. Aprendi isso com o Davison. Se estou indo me encontrar com o Rei, não posso chegar atrasada ou ir de qualquer jeito. Hoje, quando vou à igreja, me certifico de estar lá por completo. Minha mente tem de estar ali também. Presto atenção em cada palavra, e anoto o que não posso esquecer. Vivo cada uma daquelas palavras, faço das músicas minhas orações (presto atenção na letra), faço minhas orações de modo a prestar atenção no que estou fazendo, falando com Deus como se eu falasse com um amigo meu, com uma pessoa que eu considero muito, de modo racional (sinceramente, não me preocupo muito com como estou parecendo para quem vê de fora. Às vezes tenho que tampar um ouvido para me concentrar melhor, e prefiro correr o risco de parecer esquisita para quem vê de fora, mas não perder a oportunidade de falar com Deus).

Vou à igreja pensando: “o que será que Deus vai falar comigo hoje?” Vou querendo ouvir Deus. E Ele sempre fala quando nos dispomos a ouvir. E eu saio de lá já pensando em como colocar em prática o que aprendi. Aí, não tem como esquecer. Ah, e presto atenção na hora da oferta, também. A hora da oferta não é um intervalo, é um momento extremamente espiritual e você precisa de total atenção para fazer a coisa direito – ou decidir não fazer, que é melhor do que fazer de qualquer jeito. Aliás, em relação às coisas de Deus, é sempre melhor não fazer do que fazer de qualquer jeito, mas a melhor opção mesmo é fazer da melhor maneira possível, com toda a sua força. Fazer o melhor que você consegue é o primeiro passo para conseguir fazer mais do que você pode agora.

 

 

Dez anos de casados

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Hoje completamos dez anos de casados. Encontrei o texto que escrevi no primeiro aniversário e voltei no tempo. Eu não sabia o que viria pela frente. Seis meses depois de eu escrever o texto, meu marido foi internado por causa de uma periapendicite, os médicos demoraram muito para diagnosticar e ele teve que ser operado às pressas, um dia depois da virada do ano. Ele tinha sido internado na véspera de natal e ficamos quase dez dias no hospital com diagnóstico errado. Eu estava sozinha, pois sabia que algo estava errado, mas os médicos cometiam um erro atrás do outro e ainda ficavam bravos com os meus questionamentos. Chegaram a dizer que as dores excruciantes que ele sentia eram psicológicas. Eu sabia que não eram.

Na época eu não entendia nada e me sentia nas mãos deles. Estava perdida e me senti ainda mais perdida quando eu o vi saindo na maca, pálido, com os lábios azulados, indo para a sala de cirurgia. Naquele mesmo instante, a mãe e a irmã dele chegaram, a tempo de se despedirem dele. Meu primeiro pensamento foi: “Ele vai morrer”. Era um pensamento, um medo e quase uma certeza. Quando o médico chegou, depois de seis horas de cirurgia, estava exausto. Não nos deu esperança nenhuma. Mas ali eu me lembrei do que ouvia na Universal e percebi que podia escolher em quê eu preferia acreditar. Depois que o médico saiu, eu disse à minha sogra que ela estava proibida de acreditar nele. Ela e minha cunhada voltaram para casa para orar. A gente sabia que só Deus poderia fazer alguma coisa.

A infecção já tinha se espalhado por toda a cavidade abdominal e também pela caixa torácica. A peritonite trouxe uma septicemia e o Davison foi mandado para a UTI, praticamente desenganado. Ninguém me deu esperança. Ninguém. Naquela mesma madrugada, eu o vi entubado, respirando com a ajuda de aparelhos e cheio de fiozinhos. A visão foi impactante e amedrontadora, eu nunca vou me esquecer. Mas também não vou me esquecer do que aprendi naquele dia. Decidi ignorar o que eu estava vendo e agir como se o que eu queria que acontecesse já tivesse acontecido. Decidi crer que ele sairia vivo. Foi a primeira vez que usei a fé pela qual vivo hoje do jeito que eu a uso hoje (eu já estava na Universal há cinco anos, mas a ficha ainda não tinha caído).

O médico da UTI também tentou me “avisar” que provavelmente ele não sobreviveria às primeiras oito horas. Eu disse a ele: “eu tenho certeza que ele vai melhorar e vai sair daqui logo”. Ele me olhou com tristeza, como se eu fosse a coitadinha que queria acreditar em algo impossível.

Saindo dali eu subi para o quarto. Naquela noite eu não dormi. Passei a noite lutando com Deus, como Jacó. Pedi a Ele mais uma chance. Parecia uma grande injustiça perder um marido tão maravilhoso apenas um ano e meio depois de casada. Entreguei nas mãos dEle, mas disse que eu iria crer até o fim. Se Ele quisesse que o final fosse diferente, eu aceitaria depois, mas seria escolha dEle e não minha. Minha escolha era lutar até o fim e eu me recusava a ficar de luto por meu marido vivo. Eu iria crer. Orei, orei, orei, orei…chorei, fiquei brava, me ajoelhei, pedi, clamei, lembrei de todos os versículos que eu conhecia e que diziam que Deus ouve a oração do aflito. Eu estava aflita e me coloquei em cada um daqueles versículos.

Quando me faltaram as palavras, pois já tinha dito absolutamente tudo o que eu estava pensando, querendo e desejando, já tinha exposto meus medos, minhas dúvidas e toda a minha vontade, já tinha derramado todo o meu coração naquela cama de hospital e ele já tinha escorrido para o chão e se espalhado por cada canto daquele quarto, abri a Bíblia, sedenta por uma Palavra que desse direção para o meu espírito. Sequei as lágrimas para conseguir enxergar o que estava lendo e, imediatamente, parei de chorar. Era o salmo 86, e fiz dele a minha oração. Naquele salmo, em um momento eu era eu, em outro, eu era o Davison. Em um momento era o presente, em outro, o futuro. Eu não conhecia a Deus ainda, só de ouvir falar. E vejo esse salmo se cumprir em nossa vida até hoje. Ele era a nossa oração para Deus e também a resposta de Deus para mim. Era mais do que um conjunto de palavras. Aquela foi a primeira vez em que a Palavra se tornou viva diante dos meus olhos:

“Inclina, SENHOR, os ouvidos e responde-me, pois estou aflito e necessitado. Preserva a minha alma, pois eu sou piedoso; Tu, ó Deus meu, salva o Teu servo que em Ti confia. Compadece-Te de mim, ó Senhor, pois a Ti clamo de contínuo. Alegra a alma do Teu servo, porque a Ti, Senhor, elevo a minha alma. Pois Tu, Senhor, és bom e compassivo; abundante em benignidade para com todos os que Te invocam. Escuta, SENHOR, a minha oração e atende à voz das minhas súplicas.

No dia da minha angústia, clamo a Ti, porque me respondes. Não há entre os deuses semelhante a Ti, Senhor; e nada existe que se compare às Tuas obras. Todas as nações que fizeste virão, prostrar-se-ão diante de Ti, Senhor, e glorificarão o Teu nome. Pois Tu és grande e operas maravilhas; só Tu és Deus! Ensina-me, SENHOR, o Teu caminho, e andarei na Tua verdade; dispõe-me o coração para só temer o Teu Nome. Dar-Te-ei graças, Senhor, Deus meu, de todo o coração, e glorificarei para sempre o Teu Nome. Pois grande é a Tua misericórdia para comigo, e me livraste a alma do mais profundo poder da morte.

Ó Deus, os soberbos se têm levantado contra mim, e um bando de violentos atenta contra a minha vida; eles não Te consideram. Mas Tu, Senhor, és Deus compassivo e cheio de graça, paciente e grande em misericórdia e em verdade. Volta-Te para mim e compadece-Te de mim; concede a Tua força ao Teu servo e salva o filho da Tua serva. Mostra-me um sinal do Teu favor, para que o vejam e se envergonhem os que me aborrecem; pois Tu, SENHOR, me ajudas e me consolas.”

Eu li esse salmo colocando essas palavras dentro de mim, uma a uma, até dar a hora da visita. Desci já crendo que ele estava vivo. Esse era o sinal do favor de Deus: aquela certeza dentro de mim. A convicção daquilo que eu ainda não estava vendo. Entrei na UTI e ele ainda estava entubado, mas consciente. O prontuário dizia que o estado era grave.  Mas eu estava feliz, alegre e confiante. Ele também. Tinha feito um pacto com Deus antes da cirurgia. Pediu perdão por seus pecados e entregou sua vida para Jesus. E disse que se tivesse alguma chance de ter uma vida de qualidade e não se perder, ele queria permanecer vivo. Mas se ele fosse se perder, preferia morrer logo e morrer salvo. Quando acordou, entubado e na UTI, abriu os olhos e pensou: “estou vivo! Então é porque vou sair daqui”. O sinal do favor de Deus já operava dentro dele, também.

Ainda demoraria mais quatro anos para que tivéssemos nosso encontro com Deus, mas quando leio que pedi “Ensina-Me, SENHOR, o Teu caminho, e andarei na Tua verdade; dispõe-me o coração para só temer o Teu Nome” e prometi: “Dar-Te-ei graças, Senhor, Deus meu, de todo o coração, e glorificarei para sempre o Teu nome” percebo que naquele momento eu fiz um pacto ainda mais profundo do que eu pensava. Eu me lembro de ter prestado atenção em cada palavra e de ter dito aquilo de forma consciente. Eu realmente estava prometendo aquilo; eu realmente estava pedindo aquilo e me comprometendo a andar no caminho que Ele me ensinasse. Nós dois fizemos um pacto com Deus naquela noite. Um pacto eterno. E eu posso dizer que cada uma dessas palavras se cumpriram em nossa vida. Ele livrou nossa alma do mais profundo poder da morte. Do mais profundo poder da morte.

Essas coisas me vêm à memória porque hoje em dia ainda enfrentamos guerras, mas eu sei que nada – absolutamente NADA – pode apagar ou abalar essa fé que está dentro de mim. Se eu a mantive naquele tempo, sem conhecer nada do que eu conheço hoje, simplesmente por ter acreditado com todas as minhas forças, sem duvidar e sem me deixar levar pelo medo, quanto mais a manterei hoje, que eu SEI em Quem tenho crido. E hoje me lembrei de tudo o que Deus me prometeu. Esses primeiros dez anos foram os mais felizes da minha vida. E eu sei que os próximos dez anos serão mais felizes ainda. Conversamos sobre isso hoje, sobre como Deus é maravilhoso e está nos dando a oportunidade de vivermos ainda melhor os próximos dez anos (e quantos mais tivermos pela frente) do que os dez primeiros.

Obrigada, Davison, por se manter comigo nessa fé. Obrigada, meu Senhor, por tudo o que tem nos ensinado e por tudo o que tem feito por nós. E, principalmente, pelo sinal do Teu favor, que se mantém dentro de nós.

 

Abaixo, o texto que poderia ter sido escrito hoje (aliás, hoje eu estava escrevendo um muito parecido…até que encontrei o texto abaixo e me senti plagiadora de mim mesma…rs):

 

21 de junho de 2005   UM ANO!

Quando você resolve casar, a humanidade se divide em duas partes: uma parte te parabeniza, a outra diz que você não bate bem. Mas não se engane: a parte que te parabeniza também acha que você não bate bem, só que nem sempre diz. E ainda ouve uma porção de depoimentos do tipo “ah, você está feliz porque é começo, vamos ver como vai estar daqui a um ano…” Claro, ouvir esse tipo de coisa dá um certo pavor, discreto, e se você já não está lá muito seguro, pode realmente ficar esperando para ver a desgraça anunciada. Mas se você é uma criatura teimosa que realmente não bate bem, vê aquilo como um desafio e decide ser feliz, só de pirraça.

Então os dias passam. A cerimônia de casamento é a parte menos importante do próprio (ok, eu ainda não tive uma cerimôôônia propriamente dita, mas sei disso mesmo assim), o mais complicado e prazeroso é o relacionamento no dia-a-dia. Hoje, felizmente, já não ouço tanto as pragas de que daqui a não sei quanto tempo vou me arrepender de ter casado, acho que o pessoal já desistiu, vendo que não há em mim nem um mísero traço de arrependimento.

Não sou mais a mesma pessoa que era há um ano. Mudei muito, em muitos aspectos…aliás, em todos os aspectos. Ele também mudou, claramente, nitidamente. Pelo menos todas as nossas mudanças foram para melhor. Continuamos em eterno processo de transformação, continuamos namorando e nos transformando, crescendo. Desta maneira não há a menor possibilidade de cair na rotina (…) Então a humanidade já parece ter aceitado o fato de que não vamos nos separar, não vamos nos desgastar, não ficaremos infelizes, nos aturando dia após dia. Aquele sistema de cultivar o relacionamento diariamente, não deixar acumular problemas, resolver os conflitos assim que eles aparecem, conversar o tempo todo sobre tudo, passear, curtir as coisas mais simples juntos, como namorados, e se esforçar para ser uma pessoa melhor e fazer o outro feliz tem funcionado. Funciona bem quando os dois estão comprometidos com a causa.

Então fechamos um ano de casados com nosso relacionamento infinitamente mais sólido do que no dia 21 de junho de 2004. E muito mais felizes e apaixonados do que naquela época, acredite se quiser, eu não tenho razão nenhuma para mentir ou enganar ninguém. Hoje é dia de comemoração, mas acima de tudo, de agradecimento, porque temos a consciência de que não fizemos nada sozinhos. Deus desde o começo esteve à frente de tudo, desde o momento da escolha, a amizade, o namoro, o noivado, o casamento. E é a Ele que devemos toda essa felicidade e a sabedoria para não deixar esse amor tão bonito que vivemos se perder no dia-a-dia.
(…) E passou um ano…continuo achando que o meu melhor amigo é o homem mais inteligente, legal, sensível, amável, doce, alegre, talentoso, divertido e sábio do mundo, o admiro muito e acho incrível a capacidade que ele tem de melhorar cada vez mais. Ele foi o único homem que realmente não teve o menor medo de mim e que, por isso, me fez ter um considerável medo dele, razão pela qual acabei me apaixonando e grudando nele pelo resto da vida.

É uma pessoa tão incrível, tão especial, que tudo o que eu puder fazer para que ele fique feliz é pouco. Não sou mais a pessoa que eu era há um ano, não sou mais quem eu era há um ano e dez meses, quando começamos a conversar. Mudei tanto, mas tanto, mas tanto, que leio nossas conversas daquele tempo e- sinceramente – não me reconheço. Completa, inteira, sendo transformada pela sutileza de seu amor escancarado, que nunca se escondeu de mim, que me conquistou pela honestidade, pela clareza, pela sinceridade, pela sensibilidade, pela segurança de quem sabia o que queria.

E para aquela parte da humanidade que tentava ser legal, nos alertando com certa antecedência da grande burrada que estávamos fazendo com a nossa vida (juro, teve quem dissesse isso, só porque a gente resolveu casar), desculpe decepcioná-los, mas o casamento pode ser infinitamente mais legal do que o namoro, se a gente acreditar que ele pode ser infinitamente mais legal do que o namoro e não aceitar menos do que isso.

Ao mesmo tempo em que parece que os meses passaram rápido e que eu casei ontem, também parece que estamos juntos desde sempre, como se hoje fizéssemos cinquenta anos de casados e não apenas um. É um paradoxo temporal que só ocorre entre aqueles que se amam demais e que têm um relacionamento tão intenso que desafia todos os conceitos físicos, químicos e matemáticos. Nada é exato, nem o tempo, nem o espaço…um metro de distância é tão longe quanto duzentos quilômetros, um abraço pode fundir dois corpos como se fossem um estranho plasma, ainda desconhecido pela nossa ciência. Números não significam absolutamente nada.

E eu não estou aqui para definir o amor, o tempo, ou o que quer que seja. Nem mesmo estou aqui para definir um ano. Na verdade, eu nunca sei exatamente por que estou aqui, mas certamente não é por nenhum desses motivos. Sempre disse que idade é apenas número. Idade de gente, de bicho, de relacionamento, de cidade, do que quer que seja. A gente escolhe o que vai fazer com o tempo que tem. Nós escolhemos ser feliz e garanto que não é assim tão difícil.

Então, parabéns para nós!!! :) Porque um ano é só o começo. Continuo dizendo que casar com esse cara foi a melhor coisa que fiz na vida. Me deu novo ânimo, novo olhar, novos horizontes, uma alegria genuína e felicidade verdadeira. Não é nada mais ou menos, nada pela metade.

Davison, tenho certeza de que nossa vida vai continuar sendo maravilhosa assim para sempre, e que alcançaremos ainda mais do que sonhamos, porque já tivemos provas suficientes de que nada é impossível.

PS: Davison, obrigada por tudo o que você tem sido em minha vida, e por ter me ensinado uma nova e mágica forma de ver as coisas. Nosso mundo é o único lugar em que eu queria estar hoje. E poderia permanecer nele 24 horas por dia, se não fôssemos obrigados a sair de casa e viver em sociedade…risos…

 

PS de 2014:  Se você também quer aprender a cuidar de seu casamento, hoje temos ferramentas que eu ainda não tinha nessa época, mas que têm tudo a ver com minha forma de pensar. Recomendo muito o Casamento Blindado.

Como tudo era lindo e se esculhambou

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A ideia era fazer um mundo perfeito, sem morte, sem sofrimento de espécie alguma. O homem foi criado para administrar o restante da criação de Deus, ele seria um representante de Deus aqui na Terra. A terra daria tudo de que o homem necessitasse, não haveria corrida desenfreada pelo poder, não haveria ganância, nem maldade, nem miséria. Tudo estava em perfeita ordem e a ideia era que o desenvolvimento da Terra e da Humanidade se desse nessa mesma perfeição.

Gosto de como o bispo Marcelo Crivella escreveu a respeito em seu livro “O verdadeiro significado da cruz”, olha só:

“Era o sonho do paraíso, onde Deus viria ao pôr-do-sol, dia após dia, para ensinar à Sua criatura todo o conhecimento (…) Deus fez o homem segundo a Sua imagem e semelhança, e com o potencial para um dia ser como Ele mesmo, conforme está escrito: “Eu disse: sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo.” (Salmos 82.6) (…) Você se imaginaria sendo capaz de compreender toda a Ciência, e sendo tão perfeito que jamais usaria o seu poder para fazer o mal? Tendo pleno conhecimento de todas as coisas e o perfeito amor? Parece impossível, mas eu lhe digo: Este é o objetivo final de Deus!”

Pois é, o “problema” é que para que o homem pudesse ter a imagem e semelhança de Deus, ele tinha que ter liberdade para escolher obedecê-Lo, pois Deus é livre e jamais obrigaria alguém a segui-Lo, ou teria um exército de robôs. E, infelizmente, a liberdade para escolher o bem tem como efeito colateral a liberdade para escolher o mal.

Para que o homem pudesse ter a oportunidade de mostrar sua fidelidade a Deus e manter a escolha certa, Deus colocou uma árvore no meio de muitas outras no jardim. Aquela era a única em que o homem não poderia tocar, era a árvore do conhecimento do bem e do mal, que pertencia a Deus. Se Deus não tivesse colocado aquela árvore ali, como o homem poderia ter a oportunidade de fazer sua escolha e se manter fiel?

No entanto, o mal já existia no mundo. Existia, mas não tinha poder algum sobre a Terra, já que toda autoridade tinha sido dada ao homem. O homem era o príncipe deste mundo.

Então, o mal se aproximou da mulher com uma conversinha esfarrapada:

“É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. – Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que nos dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. Abriram-se, então, os olhos de ambos; e percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si.” (Gênesis 3.1-7)

Nesse momento o homem fez a sua escolha. A infidelidade fez com que ele fosse imediatamente separado de Deus. A obediência a Deus o fazia servo de Deus; servo de um senhor bom, misericordioso e amigo. A obediência ao diabo o tornou servo do diabo. Servo de um senhor mau, perverso e canalha. Ao obedecer ao diabo, o homem entregou a ele o domínio deste mundo. A maldição que caiu sobre o homem, a mulher e a natureza não foi um castigo Divino, foi simplesmente a consequência da escolha estúpida que fizeram. Ao obedecer ao diabo, entregaram-se ao diabo, assim como entregaram tudo aquilo que tinha sido confiado às suas mãos.

Deus não é condescendente com o mal. Desde o começo está bem claro que só há dois caminhos. Deus é o bem, a justiça e a santidade. Por conta disso, Ele não poderia se relacionar com seres injustos. Quando desobedeceu a Deus o homem morreu, como Deus disse que aconteceria. Não morreu fisicamente, mas morreu espiritualmente. Quem está separado de Deus, está morto. Para que voltasse a ser puro diante de Deus, era necessário que alguém puro o substituísse nessa morte.

Então, o inimigo tomou a terra e Deus teve que criar um plano para trazer as coisas de volta à programação original…

 

 

Sobre o novo nascimento

Estávamos falando hoje sobre a diferença entre nascer de Deus e ser mero religioso e, por “coincidência” (eu não acredito em coincidência, tá?) no final da noite meu esposo me mostrou um áudio de uma reunião antiga do Bp. Jadson justamente sobre esse assunto. Aliás, hoje foi o dia internacional do Bp. Jadson, porque ouvi áudios dele o dia inteiro…rs.

O que mais tem nas igrejas é gente que não faz a menor ideia do que é nascer de Deus. Muitos acham que o fato de não fazerem o que faziam antes (não fumam mais, não bebem mais, não vão a baladas, não saem com várias pessoas, não usam drogas, etc. etc.) é indicativo de que nasceram de novo. Na verdade, mudança de hábitos qualquer um pode fazer, estando ou não em uma igreja. Esse é o religioso. Ele muda por fora e continua a mesma porcaria por dentro. E alguns se preocupam em “fazer”. Eles acham que pelo muito fazer serão justificados. Então se preocupam com as doutrinas de sua religião e em aprender a como se parecer com alguém daquela religião (e aqui estou colocando todas as religiões no balaio, sim, mas falando mais especificamente da religião evangélica). Ah, e também a criticar todo mundo que não é daquela religião, sem perceber que seu modo de agir só afasta as pessoas de Deus, porque elas acham que Deus tem alguma coisa a ver com aquele ser intolerante e irritante.

Ser religioso é fácil. Exige algum esforço, dependendo do quão complicadas são as doutrinas da igreja ou da religião em questão. Nascer de novo não é fácil. Nascer de novo é se transformar em uma nova pessoa. Sua forma de pensar muda. Sua forma de entender o mundo, de enxergar as pessoas…seu caráter é corrigido, seus pensamentos são outros, suas prioridades são outras…

Para isso, você deve estar disposto a abrir mão da sua velha vida, da velha criatura, do velho modo de entender a vida. É quando você não suporta mais a sua vida, não suporta mais quem você é e decide morrer. Aí em vez de fazer uma coisa estúpida como se suicidar, você decide formatar sua vida. Apaga tudo e faz de novo, mas desta vez, da maneira certa. É assim que pessoas aparentemente irrecuperáveis ganham uma nova chance e se transformam em cidadãos de bem. E pessoas que por fora pareciam pessoas de bem, mas por dentro eram terríveis, conseguem se livrar da vida de hipocrisia. Pessoas que mentem, que enganam, que enganam a si mesmas, que querem levar vantagem, que distorcem o que ouvem e o que veem, que interpretam tudo de uma forma negativa, que falam mal dos outros, que são pessimistas, maldosas, temperamentais ou emotivas demais se tornam equilibradas, honestas, positivas, pacientes e otimistas. Não é mágica. É sacrifício.

A analogia que o bp. Jadson fez com um pneu recauchutado, que a pessoa compra porque não quer pagar o preço de um novo, é perfeita. Para se tornar uma nova criatura, a pessoa tem que pagar o preço. Senão, só muda por fora. E qual é a graça? Nenhuma! A pessoa passa a vida dentro de uma igreja dizendo que é uma coisa (que talvez ela até queira ser), mas sendo outra, porque não quer ter de se esforçar, investir tempo e negar a si mesma para mudar. Porque, me desculpe, é muito fácil simplesmente mudar de hábitos. Não precisa de muito sacrifício, não. Não comparado a mudar a sua forma de pensar, de reagir, de encarar o mundo e de lidar com as outras pessoas.

E isso é muito sério. É absolutamente necessário que esse novo nascimento aconteça, porque a única forma de deixar de ser apenas criatura de Deus e se tornar filho dEle é nascendo de Deus. Essa transformação interior que nos afasta do que é negativo e nos aproxima do caráter de Deus é que nos garante tudo o que Ele reserva aos Seus filhos.

Eu demorei muito tempo para conseguir isso porque demorei muito tempo para querer isso e mais tempo ainda para perceber que precisava disso. É o problema de crescer como uma pessoa religiosa e achar que já está com Deus simplesmente por ir à igreja e decorar versículos. Quando eu percebi que precisava e decidi morrer para toda aquelas porcarias que tinham dentro de mim, não foi nenhum bicho de sete cabeças nascer de novo. Porque pensa bem, se você morre dentro de você e seu corpo continua andando por aí sem você nascer de novo, temos o início do apocalipse zumbi. Um morto-vivo caminhando em busca de cérebros para comer… Então, não tem muita escolha. Se chegou o momento em que a ficha caiu, você olhou para dentro de você e abominou o que viu, resolve morrer para este mundo, entregando a sua vida para Deus, você tem que nascer de novo, tem que lutar por essa transformação interior (antes de resolver trabalhar na igreja, ser obreiro, ou alguma coisa assim, por favor!) custe o que custar, para que possa ter vida. Negando a sua vontade de continuar fazendo as mesmas coisas de antes, pensando do mesmo jeito de antes, reagindo do mesmo jeito de antes…se colocando à disposição de Deus para que Ele transforme você na pessoa que Ele quer que você seja. Não vai ser fácil, mas eu garanto que o esforço vale a pena.

 

PS: A proposta que eu fiz nesses 40 dias do Jejum de Jesus (clique aqui se não sabe do que se trata esse Jejum) é escrever um pouco todo dia a respeito do que eu tenho meditado, aprendido ou feito.  O áudio da reunião que eu menciono no post é esse aqui: https://www.youtube.com/watch?v=8IyBXt8uUzU

 

 

Surdo para as vozes negativas

O segredo para alcançar as promessas de Deus é um só, desde o início dos tempos: crer naquilo que eu sei, independente do que sinto ou deixo de sentir, do que vejo ou deixo de ver. A crença que se baseia em sentimento não tem a ver com o “crer” de verdade, pois as emoções e as sensações são instáveis. Hoje você se sente forte, amanhã se sente fraco. Hoje você se sente confiante, amanhã sente medo. Hoje você se sente esperto, amanhã se sente burro. A certeza, não. A certeza se mantém porque está baseada naquilo que sabe. “Eu sei em Quem tenho crido”, diz Paulo na carta a Timóteo. Ele não somente sentia, ele sabia. Não importava o que estava vendo, sentindo ou vivendo. Crer é certeza. É agir de acordo com essa certeza. É só permitir em sua mente pensamentos que estejam de acordo com aquela certeza.

A voz de Deus dentro da gente é identificada por essa certeza. A voz (ou o pensamento) que traz dúvida, medo, acusação, tristeza, ansiedade ou nos coloca para baixo, não vem de Deus. A voz de Deus traz paz, força e… certeza. Convicção daquilo que a gente espera. A voz de Deus nos coloca para cima, nos traz calma e nos dá esperança. Se eu ouvir a voz dEle e me fizer de surda para todas as vozes, não importa se é a voz do  medo, a voz da dúvida, a voz do diabo, a voz das circunstâncias ou a voz do meu próprio corpo, se eu me fizer de surda para todas as vozes negativas ou contrárias e escolher crer na Voz que me impulsiona, na Voz da promessa, Ele vai honrar minha fé.

Eu começo a ver Deus na minha vida quando, por manter a confiança irrestrita em Sua Palavra, eu abro mão de andar pelo que estou vendo e sentindo.

 

 

 

PS: Porque talvez eu precise explicar isso, no meio de tanta confusão religiosa que há por aí, talvez seja bom deixar mais explícito: quando eu falo em “ouvir a voz de Deus”, não estou falando em ouvir uma voz audível…não espere ouvir vozes, por favor. Na verdade, se você estiver ouvindo vozes, corra para uma igreja Universal e peça uma oração de libertação. A coisa é muito mais sutil. Para entender mais como Deus fala com você, dê uma lida nesse texto, que não foi escrito por mim, mas tem as informações que você precisa: http://www.renatocardoso.com/blog/2009/11/17/como-deus-fala-com-voce-3/

Fazer o que tem de ser feito

Hoje, particularmente, eu não queria escrever no blog. Não que eu não tivesse assunto; pelo contrário, eu tinha uma dúzia de assuntos diferentes para tratar. Mas estava fisicamente cansada e mentalmente cansada, também, por ficar lendo e editando coisas, e queria ficar quieta. Começava a pensar em algum assunto, mas não queria desenvolvê-lo. Se fosse antigamente, eu provavelmente teria desistido e deixado por isso mesmo. No entanto, eu continuei escrevendo. Escrevia um parágrafo, abria um novo post e escrevia um parágrafo, abria um novo post e escrevia um parágrafo…e agora tenho vários rascunhos começados de textos que serão desenvolvidos mais adiante. Não se perderão.

Mas percebi que deveria mesmo era escrever sobre o fato de fazer o que tem de ser feito. Eu sabia que tinha que escrever. Geralmente, quando chego nesse momento em que quero ficar quieta, os textos estão acumulados na minha cabeça. É como quando a gente manda imprimir um monte de documentos de uma só vez e a impressora trava. Muita informação para processar. Se eu ficar quieta, é pior, porque vou querer ficar cada vez mais quieta até o momento em que mal conseguirei me comunicar. Daqui a pouco estarei pintando mamutes em paredes de cavernas.

O jeito, então, foi me forçar a fazer o contrário do que eu estava com vontade de fazer. Eu não queria escrever, então comecei a escrever. Aliás, o objetivo de qualquer jejum é fazer o contrário do que você tem vontade, para que a sua vontade se submeta a algo maior do que ela. Assim, o seu espírito se fortalece, pois o seu corpo e as suas emoções (sua alma) estão no lugarzinho deles. Olha só, agora mesmo eu já fiquei com vontade de escrever sobre outra coisa. Outro assunto que pulou na minha frente dizendo “olha, não seria legal falar sobre isso? Esse assunto é muito importante!” Aí já coloquei ele na fila. Eu decidi falar sobre fazer o que você sabe que tem de ser feito.

Se você tomou uma decisão, se mantenha nela. Mantenha seu foco e não desvie, porque coisas legais e novas propostas surgirão a todo instante. Coisas complicadas e que precisam de atenção, também. Infelizmente, o universo não vai parar para esperar a gente concluir um raciocínio para, só então, sugerir outro. Ele vai jogando coisas na nossa cabeça, na nossa frente e na nossa vida como se fosse uma chuva de meteoros loucos e descontrolados. Quem tem de manter o controle é você. E a única maneira de fazer isso é com FOCO. Aliás, a respeito disso, olha que promessa interessante:

‘Tu, SENHOR, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em Ti.” (Isaías 26.3)

Quem tem propósito firme é definido. Não fica se desviando para a direita ou para a esquerda. Não fica se deixando atrasar pela dúvida, nem pulando de galho em galho. Quem tem propósito firme tem um objetivo diante de si e mantém o foco nele, não importa o que aconteça. Quem tem propósito firme não sai do caminho. Pode até demorar, mas não desiste. Pode até ser difícil, talvez ele tenha de fazer um esforço muito maior do que tinha imaginado no começo, mas encara como uma questão de honra: vai até o fim. Deus o conserva em perfeita paz porque isso é o que a confiança traz: paz. E traz paz porque não há espaço para dúvida. É a dúvida que tira a paz.

Quer ser conservado em perfeita paz? Mantenha seu propósito firme. Mantenha seu foco. Faça o que sabe que tem de ser feito, ainda que não esteja muito a fim. Vontade é algo instável demais para decidir alguma coisa na sua vida.

 

Amigo de Deus

Abraão é, seguramente, um de meus personagens bíblicos favoritos. Sempre admirei o relacionamento de Deus com Abraão e, no dia em que li um versículo em que o próprio Deus se refere a ele como “Abraão, Meu amigo” (Isaías 41.8), surgiu em mim o que desde então se tornou o meu maior sonho. Eu pensei…”se Deus pôde considerar um ser humano como Seu amigo, Ele não poderia me considerar assim também?”

É um privilégio maravilhoso: a possibilidade de ser amiga de Deus! Desde então, passei a observar a vida de Abraão, porque entendo que se ele conseguiu a confiança e a amizade de Deus, deveria ter alguma virtude que eu pudesse desenvolver, também. Eu identifiquei algumas, mas a maior delas é, sem dúvida, a fé. Sua forma simples e sincera de viver por essa fé. Quando eu falo em “fé”, por favor, entenda: estou usando a definição bíblica que diz “fé é a certeza de coisas que se esperam” e “é a convicção de fatos que não se veem”. Nada a ver com religião. Abraão não era um homem religioso (e a religião dos seus descendentes sequer tinha sido organizada ainda), ele era um homem de fé. Essa é uma capacidade que todos nós temos, e ainda que esteja minúscula e atrofiada, pode ser desenvolvida.

Abraão tinha uma certeza muito sólida a respeito do que Deus lhe dizia e de Quem Deus era. E uma confiança muito pura. Quando Deus disse a ele para sair de sua terra para um lugar que Ele ainda lhe mostraria (Gênesis 12), ele não desconfiou, não duvidou, não hesitou. A certeza fazia com que ele fosse corajoso e audacioso. E a terra em que ele morava, a terra de Ur, era bastante desenvolvida para a época, ele estava abrindo mão de uma cidade estruturada para se tornar um nômade que sequer sabia aonde estava indo. E ele aceitou o desafio de encarar o incerto. Simplesmente obedeceu.

Esse, na verdade, é o grande segredo. Que nem é segredo, porque o próprio Jesus disse com todas as letras: “Vós sois Meus amigos, se fazeis o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vos tenho dado a conhecer.” (João 15.14,15)

Então, esse privilégio está ao alcance das nossas mãos, ao alcance dos nossos ouvidos, ao alcance da nossa obediência. Não é um bicho de sete cabeças. E eu posso garantir que essa é uma amizade que vale absolutamente QUALQUER sacrifício.

 

 

PS: Até o dia 19 de julho, estou fazendo uma espécie de desintoxicação mental. O acesso à internet está limitado a trabalho e conteúdo específico para crescimento espiritual. Sempre que tiramos algumas semanas para isso, termino o período de jejum muito, mas muito melhor. Mais forte, mais tranquila, mais focada e “energizada”.