Orai pela paz em Jerusalém – sobre o espírito do conflito

Acordo de paz em Israel?

Quando vejo alguém dizer, a respeito do conflito na faixa de Gaza, que os dois lados devem estabelecer (e cumprir) algum acordo de paz, percebo que as pessoas não entendem nada a respeito do espírito do Hamas. Para esclarecer, vamos começar com parte do estatuto do Hamas:

“Os judeus nunca ficarão contentes, tampouco os cristãos, ao menos que se siga a religião deles. Dizei: ‘A orientação de Alá é a orientação certa.’ Mas se seguirdes os desejos deles, depois de saberdes quem foi que veio até vós, então não tereis a proteção e a guarda se Alá. (Alcorão 2- 120).

Não há solução para o problema palestino a não ser pela jihad (guerra santa).

Iniciativas de paz, propostas e conferências internacionais são perda de tempo e uma farsa. O povo palestino é muito importante para que se brinque com seu futuro, seus direitos e seu destino. Como consta do Hadith: “O povo de Al-Sha’m é o açoite (de Alá) na Sua terra. Por meio dele, Ele se vinga de quem Ele quer, dentre os Seus servos. Os hipócritas não podem ser superiores aos crentes, e devem morrer em desgraça e aflição.”

Notem que o Hamas foi construído sobre a premissa de que iniciativas de paz e conferências internacionais são uma farsa. Outra premissa é que a única solução é a jihad. Mais adiante vamos ver nesse mesmo documento que o objetivo é a aniquilação dos judeus. Eles realmente acreditam que os judeus são do mal e que devem ser exterminados (utilizam um trecho do Corão para justificar isso). Logo, não há “acordo de paz” ou forma de coexistir um estado israelense e um estado palestino enquanto um dos lados achar que a única saída é a aniquilação do outro lado e que vale tudo para que isso aconteça. Então, é mais do que compreensível que, mais cedo ou mais tarde, Israel resolva destruir o Hamas. E fazer isso enquanto a organização está fraca (pois perdeu apoio dos países vizinhos) seria uma ideia interessante, se não houvesse outro ponto importante nesse espírito do Hamas: vale tudo pelo objetivo.

O Hamas é uma organização criada com um propósito claro: destruir os judeus e tomar posse do país inteiro. Seus membros são doutrinados a viver e morrer por essa causa. Eles aprendem que judeus são inimigos cruéis e que, por isso, qualquer atitude é válida para destruí-los. Inclusive o uso de escudos humanos. Além de esconderem seus arsenais propositalmente em escolas e hospitais, eles usam seus próprios filhos e a população civil para que sejam mortos e virem mártires na televisão. Há no estatuto várias passagens que exaltam a morte dos que forem sacrificados na jihad. É algo nobre morrer (ou ser morto) pela causa, mesmo que o morto seja civil ou criança. Eu estranho o fato de que a maior parte das vítimas palestinas sejam civis e muitas crianças estejam envolvidas, pois não é assim que Israel age e nem faria sentido que atacassem esse tipo de alvo, sendo que isso faz com que a opinião pública se volte contra eles. O espírito do Hamas quer gerar em todos o mesmo ódio e indignação contra Israel que ele tem. Mas quando a emoção está envolvida (e o que causa tanta emoção quanto ver crianças feridas?) todo mundo para de pensar.

É estranho para nossa realidade ocidental imaginar um grupo que coloque seus filhos e sua população civil no meio de uma guerra deliberadamente, não acredite em iniciativas diplomáticas de paz e busque a morte daqueles que pensam diferente deles. Eles não fazem isso por mal, eles fazem isso porque acreditam e são doutrinados a isso desde a infância. O espírito que orienta isso tudo não está nem aí com o número de pessoas que ele vai conseguir levar. O que ele quer é destruir os judeus (e quem está lutando por isso crê que luta pela posse total do território para a Palestina). O que, obviamente, não acontecerá (ou a Bíblia deixaria de existir, já que faz promessas para o futuro de Israel), mas nada o impede de tentar. O Hamas acredita que os “infiéis” devem ser mortos e glorifica os muçulmanos que morrem pela jihad. Então, morrer pela Palestina é algo positivo para eles. E entendem que os palestinos que eles mesmos matam serão recebidos como mártires pelo deus deles. Veem como honra, pois lutam por um ideal. Mais um trecho do estatuto do HAMAS:

“o Movimento de Resistência Islâmica (HAMAS)  aspira concretizar a promessa de Alá, não importando quanto tempo levará. O Profeta, que as bênçãos e a paz de Alá recaiam sobre ele, disse; “A hora do julgamento não chegará até que os muçulmanos combatam os judeus e terminem por matá-los e mesmo que os judeus se abriguem por detrás de árvores e pedras, cada árvore e cada pedra gritará: Oh! Muçulmanos, Oh! Servos de Alá, há um judeu por detrás de mim, venha e mate-o, exceto se se tratar da árvore Gharkad, porque ela é uma árvore dos judeus.” (registrado na coleção de Hadith de Bukhari e Muslim).

O Lema do Movimento de Resistência Islâmica

Art. 8º Alá é a finalidade, o Profeta o modelo a ser seguido, Alcorão a Constituição, a Jihad é o caminho e a morte por Alá é a sublime aspiração.”

Ao ler o trecho acima, imediatamente me lembrei do trecho abaixo, do Antigo Testamento, em que Deus fala contra os Edomitas (descendentes de Esaú, que não existem mais) e a favor de Israel (filhos de Judá e casa de Jacó):

“Mas tu não devias ter olhado com prazer para o dia de teu irmão, o dia da sua calamidade nem ter-te alegrado sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem ter falado de boca cheia, no dia da angústia; não devias ter entrado pela porta do Meu povo, no dia da sua calamidade; tu não devias ter olhado com prazer para o seu mal, no dia da sua calamidade; nem ter lançado mão nos seus bens, no dia da sua calamidade; não devias ter parado nas encruzilhadas, para exterminares os que escapassem; nem ter entregado os que lhe restassem, no dia da angústia. Porque o Dia do SENHOR está prestes a vir sobre todas as nações; como tu fizeste, assim se fará contigo; o teu malfeito tornará sobre a tua cabeça. Porque como bebestes no Meu santo monte, assim beberão, de contínuo, todas as nações; beberão, sorverão e serão como se nunca tivessem sido. Mas, no monte Sião, haverá livramento; o monte será santo; e os da casa de Jacó possuirão as suas herdades.” (Obadias 1.12-17)

No vídeo abaixo, o porta-voz do Hamas admite o uso de escudo humano. (As legendas estão em inglês, mas a transcrição está logo abaixo.)

 

Transcrição do vídeo, em português:

Âncora: As pessoas ainda estão indo para os telhados?
 
voz do repórter Ayad Abu Rida: Testemunhas nos disseram que é uma grande reunião e que as pessoas ainda estão indo para a casa da família Kawari, a fim de evitar que os aviões Sionistas atinjam a área.
 
Âncora, para Sami Abu Zuhri: Qual é seu comentário a respeito disso? As pessoas estão adotando o método de escudos humanos, que provou ser bem-sucedido nos dias do mártir Nizar Riyan.
 
Sami Abu Zuhri, Porta-voz do Hamas: Isso atesta o caráter de nosso nobre povo combatente da Jihad, que defende seus direitos e suas casas com seus peitos nus e seu sangue. A política de pessoas enfrentando o avião de guerra israelense com seus peitos nus, a fim de proteger suas casas provou ser eficaz contra a ocupação. Essa política também reflete o caráter do nosso bravo e corajoso povo. Nós no Hamas convocamos o nosso povo a adotar essa prática, a fim de proteger as casas palestinas.

Por esse pensamento, tantos civis palestinos estão morrendo. Por que a estratégia havia se provado eficaz contra a ocupação? Israel não pretendia atingir civis. Porém, se quiser evitar o pior, terá de enfrentar o pior. O Hamas é determinado, tem um objetivo bem claro, acredita nele, é perseverante e não poupará meios de atingi-lo. E, principalmente, tem convicção de que a única maneira de conseguir a posse total da terra (e eles não querem dividi-la com os judeus) é por meio da jihad, da guerra que poderíamos entender como suja, mas que eles veem como limpa e santa. Como Israel está bem familiarizado com os objetivos do seu oponente, não dá para estranhar que não queiram baixar as armas. Posso não gostar de guerra, mas entendo a situação ali.

Israel entrou por terra, para evitar mísseis em escudos humanos. A guerra começou. É claro que ninguém (além do Hamas) está feliz com a guerra, mas ela era inevitável (e ainda há muita água para rolar debaixo do Apocalipse até que tudo se resolva). No entanto, é necessário evitar entrar na conversa de parte da mídia em relação a isso, que tem ignorado as intenções do Hamas, por ignorância ou por beber do mesmo espírito. E, sem emocionalismos, sigamos racionalmente o conselho bíblico:

“Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam. Reine paz dentro de teus muros e prosperidade nos teus palácios. Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: haja paz em ti! Por amor da Casa do SENHOR, nosso Deus, buscarei o teu bem.” (Salmos 122.6-9)

 

 

Elogio

Ser direta para ganhar um elogio do marido é uma boa estratégia. Ao cortar o cabelo, perguntar “cortei o cabelo, ficou bonito?” é mais eficiente do que esperar que ele repare. Mas é importante saber que não dá para controlar em qual embalagem o elogio virá…rs.

Dia desses fomos à feira, o tiozinho cobrou oito Reais por um coco – três a mais do que na semana anterior. Nos olhou dos pés à cabeça e falou o preço duas vezes. As outras barraquinhas, com o preço anotado, pelo menos são mais justas nesse aspecto, você sabe o preço exato do negócio e pode até pechinchar para ele diminuir, mas não corre o risco do feirante aumentá-lo loucamente e fazer um preço para cada cliente, com critérios que só ele conhece.

Apesar disso, foi um agradável iniciozinho de manhã, nos divertimos do nosso jeito de casal velhinho (porque temos oitenta anos de casados, vocês sabem), compramos raízes tuberosas, comemos pastel (apesar do glúten) e tomamos caldo de cana. Ao chegar em casa, me olhei no espelho e – momento raro na vida de uma mulher – gostei do que vi. Querendo ganhar um elogio, fui direto ao ponto:

– Estou bonitinha, né? – E o Davison:

– Você está tão bonita que até inflacionou o preço do coco!

 

Sobre o desafio dos Guerreiros da Escrita

Durante o Jejum de Jesus, tivemos a magnífica ideia de fazer um desafio para o grupo Guerreiros da Escrita. Cada um deveria escrever um post por dia em seus blogs e postar no grupo. Eu, como todo bom líder deve fazer, fui a primeira a aceitar o desafio. E resolvi andar mais uma milha: ainda escreveria uma mensagem por dia, exclusivamente para o grupo, com um texto bíblico que tivesse algo a ver com o que estávamos fazendo.

Tudo muito lindo se não fosse um problema: eu não tinha tempo para absolutamente nada além das coisas que eu já estava fazendo. Não só porque tenho bastante trabalho, mas também porque eu trabalho com leitura e escrita, então cansa a cabeça…quando chega no final do dia, é bem complicado escrever qualquer coisa. E não, eu não havia escrito previamente…rs.

Mas ok, valeria a pena. Eu precisava ver qual era o espírito daquelas pessoas e precisava ver também como elas estavam escrevendo. O primeiro passo para aprimorar a escrita é escrever diariamente, não tem jeito. Quanto mais você escreve, melhor consegue escrever.

Então, lancei o desafio, toda feliz. Para a minha surpresa, fui solenemente ignorada…hahaha… Lá estava eu, matando preciosas horas de sono para conseguir escrever uma mensagem especialmente inspirada e um post por dia e… nenhum retorno. É nessas horas que você prova a sua fé. Eu sabia que o desafio era algo que iria fazer a diferença, então preferi não dar bola para o que eu estava vendo (ou melhor, para o que eu não estava vendo) e seguir na certeza. Muitas vezes você vai ter de fazer coisas que aparentemente ninguém está vendo, sem esperar retorno algum, só confiando naquilo que você determinou que aconteceria. Aparecia para mim uma lista de pessoas que visualizavam as mensagens. Algumas até curtiam. Outras, comentavam os posts. Mas nada de alguém aceitar. Foram poucos dias em que me desafiei sozinha (rs) mas pareceram uma eternidade. Em vez de desistir, fiquei revoltada e decidi que me recusaria a duvidar.

Então, apareceu um. E depois, outro. E outro. E mais outro. Logo já tínhamos quase uma dúzia de participantes. O desafio foi maravilhoso! Percebi alguns textos tímidos no início, mas o pessoal tinha boa capacidade de argumentação e fiquei bastante animada. Com o passar dos dias, os textos foram melhorando e eu tenho visto o interesse e a vontade de se desenvolver. Eu faço questão de ler todos e anotar mentalmente os pontos fortes e fracos de cada um, pois isso será trabalhado nas próximas etapas. O resultado é que adotei todo mundo…rs. Então, além de tudo o que eu já fazia antes e o que eu estava fazendo para o desafio, peguei meus livros e artigos técnicos sobre escrita para estudar uma forma de passar aquele conteúdo de uma maneira prática na segunda etapa do desafio.

O que mais me chamou atenção – e que me motivou a fazer mais por eles – foi ver o empenho daqueles que abraçaram o desafio. Se já não era fácil para mim, era muito menos fácil para eles, que não tinham a prática que eu tinha com a escrita. Mas eles foram realmente guerreiros. Só o fato de aceitarem, publicarem posts e darem a cara para bater, assumindo o desafio, já é um ato de bravura. Alguns não conseguiram fazer todos os dias, mas fizeram o máximo que puderam, outros escreviam dois ou três por dia para compensar o que perderam, e alguns se mantinham escrevendo mesmo quando não tinham inspiração, quando estavam cansados ou quando não queriam escrever – o que sempre rendia bons posts. :-)

E eu consegui entender melhor a Deus. Sério. Assim como eu fiz, Ele também faz um convite ao desafio. O convite é feito a todos, mas só alguns aceitam. São esses os que se fazem escolhidos. Esses poucos escolhidos se esforçam para obedecer, para fazer o que precisam fazer mesmo quando não estão sentindo vontade. E Deus olha para esses poucos escolhidos com o mesmo amor com que eu olho para esses meus poucos escolhidos. Ao ver a entrega deles, o esforço e a vontade de se aprimorar para ser mais útil no Reino de Deus, minha reação é querer fazer mais, me doar mais por eles, sem olhar para o cansaço, para as dificuldades ou qualquer outra coisa. Ainda que no início eu tenha tido que sacrificar sozinha, a partir do momento em que outros sacrificaram também, eu passei a reagir ao sacrifício deles. Se eles estão dando o seu tudo, não é justo eu não dar o meu tudo. E é assim com Deus, também. Ele sacrificou primeiro, mas a partir do momento em que sacrificamos também, nos entregando a Ele, Ele passa a reagir ao nosso sacrifício. E a reação dEle é diretamente proporcional à nossa entrega.

 

Qual é o seu talento?

 

As pessoas têm dificuldade de descobrir seu talento porque geralmente a gente não dá bola para aquilo que faz desde sempre. A minha dica para isso é responder a algumas perguntas: o que você gostava de fazer na infância? O que você costuma fazer quando tem tempo livre? Sem o que você não conseguiria viver? Muito provavelmente, seu maior talento é desprezado justamente por ser algo que você faz com facilidade. Pode ser cozinhar, desenhar, vender, trabalhar com madeira, organizar…

Desde o início da minha vida fui muito estimulada a desenvolver talentos artísticos porque todos os meus irmãos cantavam, desenhavam e tocavam algum instrumento. Eu comecei desenhando, depois me apaixonei pelo teatro e pela literatura. Também aprendi a fazer escultura e a cantar. E fazia tudo ao mesmo tempo, sem conseguir me definir…rs. Durante algum tempo achei que seria atriz e me preparei para isso, mas certo dia eu me dei conta de que eu conseguiria viver sem cantar, sem ouvir música, sem desenhar, sem interpretar e sem ir ao teatro e ao cinema, mas não sem escrever.

Mesmo quando eu fazia de tudo para ficar de recuperação (é, teve isso…eu tinha paixonite por um menino da escola, que sempre ficava de recuperação, então era a chance de ter mais alguns dias perto dele…facepalm para little me), minhas redações eram elogiadas. Eu era uma coisa para os professores de português e outra para todos os outros professores. Isso porque eu escrevia todos os dias. Tinha o meu diário, tinha as poesias que eu datilografava (dinossaura) e o bendito romance ambientado na segunda guerra mundial que atravessou toda a minha adolescência porque eu gostava muito de escrevê-lo, reescrevê-lo e pesquisar sobre aquela época (em uma era pré-internet, em que as pessoas pesquisavam em livros…).

Escrever era tão fácil para mim que só aos vinte anos decidi me profissionalizar e procurar livros e cursos a respeito. Vi que não era por ser fácil para mim que tinha que ser eternamente intuitivo. E nessa época eu já tinha dezenas de cadernos escritos com histórias, artigos e poesias. Assim que você identifica o seu talento, começa a investir nele. Talvez ele esteja desnutridinho, mirradinho e esgualepado, mas você começa a dar comidinha para ele e fazer com que ele cresça e se desenvolva. Você educa o seu talento, fazendo com que ele passe a ser mais do que intuitivo. Eu descobri que, como já tinha facilidade, consigo absorver a teoria e aplicá-la com muito mais rapidez. Em vez de procurar encaixar meu talento em uma caixinha, eu vou atrás de informações direcionadas que possam ser testadas imediatamente e integradas ao meu trabalho.

Primeiro você descobre o que sabe fazer de melhor, depois procura formas de aprender mais sobre aquilo, para acrescentar mais ao que você já sabe e se tornar perito naquilo que faz. Esse é o melhor caminho para ser um profissional FELIZ.

 

PS: A propósito, uma boa leitura de apoio é o artigo Você é mestre em…? (clique aqui para ler)

 

Recomeçar

Estou há alguns dias sem ir à academia e já percebo uma diferença absurda. A impressão que tenho é de que ter um resultado positivo é um processo lento, mas para um resultado negativo, é só parar duas semanas. Não sei se a impressão é real, mas acredito que seja muito mais fácil perder massa muscular do que ganhá-la.

É assim em tudo. Quando você está parado e começa a desenvolver alguma coisa, seja seu treino na academia, seja sua vida espiritual, seja o hábito de ler, de escrever, de acordar cedo, de comer direito ou qualquer coisa assim, o sacrifício é sempre maior. Luta contra a preguiça, luta contra os maus hábitos antigos, sacrifica a sua vontade, mesmo sem ver resultado nenhum no início – um verdadeiro ato de fé. Então, você consegue. Depois de muuuuuito sacrificar, os resultados visíveis começam a aparecer. E você se estabiliza. Nesse momento, o perigo. Porque há grande chance de deixar em segundo plano aquilo que era uma de suas prioridades. Parece que já está estabilizado, que já entrou na rotina, então você não se preocupa.

Aí, começa a regredir. Tudo o que não é exercitado, regride. Ou, pelo menos, deixa de se desenvolver. Mas ainda que as coisas não exercitadas permaneçam estagnadas, não ficarão por muito tempo. Nada parado permanece igual.Se você não mexer, vai involuir. Diminuir, até desaparecer. E, muitas vezes, quando perceber será tarde demais.

O esforço que preciso fazer para voltar a ir à academia não é tão grande assim. É só colocar a roupa e ir, pois dá para ir à pé e funciona 24 horas. O problema maior é encarar o esforço que preciso fazer lá dentro. As coisas que já estavam mais fáceis voltarão a ser difíceis e eu precisarei ter perseverança. Mas, no final, vai valer a pena. Sempre que precisar recomeçar, lembre-se do seu objetivo. Quem você quer ser daqui a um ano? A mesma pessoa que é agora? Se quiser ser diferente, terá de fazer o sacrifício necessário.

Ainda sobre romances

Eu estou com ideia fixa em relação a romances. Na verdade, não é bem uma ideia fixa, é uma espécie de revolta. Porque não encontro nada que traga alguma coisa realmente útil ao leitor. Nada que seja, ao mesmo tempo, entretenimento e um bom conselheiro. Por muitos anos eu fui defensora da literatura de entretenimento que é só entretenimento. No entanto, descobri que isso não existe. Se é literatura, não é só entretenimento. Inevitavelmente, ela vai falar alguma coisa para o leitor. Ela vai deixar alguma marca, de qualquer maneira.

O enorme poder dos livros sobre as pessoas já está mais do que provado, divulgado e experimentado. Mas é importante que aqueles que escrevem literatura entendam que além de divertir, devem influenciar. E que, além de influenciar, devem divertir. Uma coisa não pode vir dissociada da outra. Porque o que eu vejo em alguns escritores que têm interesse claro de influenciar positivamente, como os cristãos, é um descaso inexplicável com a qualidade literária. É como se pensassem: “o que importa é a mensagem, então, vamos escrever de qualquer jeito”.

Eu me lembro de ter visto no blog da editora Mundo Cristão (infelizmente o post não existe mais, eu já procurei) um post se lamentando de não haver mercado para romances cristãos no Brasil e dizendo que estavam apostando em dois novos títulos (na época), torcendo para que o público se interessasse. É só raciocinar um pouquinho. Como pode haver mercado para ficção no Brasil e não haver mercado para ficção cristã? Isso non ecziste! Se ficção cristã tiver qualidade (oi, Francine Rivers), vai vender. Se não tiver, não vai vender. Se bem que alguns, mesmo sem qualidade nem literária, nem de conteúdo (oi, Daniel Mastral), vendem.

O livro em que eles apostavam era “Acontece a cada primavera”, de Gary Chapman e Catherine Palmer e a premissa parece muito interessante. Gary Chapman tem um livro chamado “As quatro estações do amor” e a ideia era fazer um romance (depois descobri que era uma série) mostrando, na prática, os ensinamentos do livro de Gary.  Quase como aquele especial da Record baseado no Casamento Blindado. Eu realmente me empolguei com a ideia e comprei o livro, cheia de boas intenções de fazer uma resenha e tal.

Nunca demorei taaaaaaaaanto para ler um romance. Na verdade, não consegui chegar ao fim até hoje. E olha que eu sou a doida que leu “Amor de Redenção” em poucas horas. “Acontece a cada primavera” tem um ritmo extremamente arrastado e faz tudo o que você não deveria fazer ao escrever um livro: uma porção de cenas desnecessárias e diálogos inúteis. Já havia passado da metade do livro e confidenciei ao meu marido:

– Barbaridade, estou lendo esse “Acontece a cada primavera”, que livro mais chato! Já passei da metade e até agora não aconteceu nada! – E ele, sério:

– Decerto ainda não chegou a primavera.

Hahahahaha…esse é o Davison. Eu já deveria saber…rs. Então, um recado às editoras cristãs: um romance não vai vender horrores só porque ele é cristão. Se ele for bom, certamente vai vender bem, sendo cristão ou não. Se ele for chato, vai vender só até os leitores comprarem e perceberem que é chato. E se as editoras cristãs não abrirem os olhos para essa realidade, as editoras seculares, sempre mais espertas, vão aproveitar para investir nesse mercado com bons títulos de autores cristãos. Eu, particularmente, não vejo problema nenhum nisso, desde que bons títulos que tenham boas mensagens e excelente qualidade literária estejam a nosso alcance nas livrarias. Porque eu tenho um sonho, amigos, de poder entrar em uma livraria e encontrar opções para leitores como eu, exigentes no quesito “qualidade” e no quesito “conteúdo”. E sou do tipo que acredita que sonhos podem se tornar reais. :-)

A propósito, como me perguntaram aqui e no Facebook, vim atualizar o texto: sim, eu resolvi fazer alguma coisa a respeito e já estou escrevendo um romance. Dois, na verdade. Não falo muito sobre isso (embora esteja lá no PS do outro post) porque meu tempo é muito escasso e escrevo nas poucas horas vagas, então eu não faço a menor ideia de quando vou conseguir terminar. Mas vai ser algo que vai interessar tanto a meninas quanto a meninos. Sem cara de “livro de crente”. É fazer pelos outros o que eu gostaria de receber: um livro normal, interessante e saudável. Darei mais informações assim que tiver alguma informação para dar…rs.

 

PS. Caso ainda não tenha lido, clique aqui para ver o que escrevi sobre romances da última vez em que mencionei o assunto, também falando para o público cristão.

Os meus 18 anos

Dia desses alguém me disse que eu não entendia as coisas por ser muito novinha. Ela não disse por mal, apenas me julgou ingênua. Depois, comentou que meu jeito lembrava ela mesma aos 18 anos. Provavelmente uma época em que ela era ingênua e achava que as coisas eram muito melhores do que descobriu que eram, depois que coisas não muito boas aconteceram em sua vida. Então, achei importante falar a respeito de como eu era aos 18 anos. Espero que ajude alguém.

Estava escrevendo sobre algumas passagens da minha vida (depois coloco aqui, aos poucos), então resgatei um diário antigo (para ver se tinha alguma coisa que valesse a pena transcrever) e me deparei com uma pessoa muito diferente de mim. Ela vivia em torno de si mesma, se enganava com paixões platônicas para não pensar em sua história e em sua vida. Quando perdeu as coisas frágeis em que se apoiava, desabou.

Eu tinha 18 anos. Culpava a todo mundo por minhas frustrações. Minhas irmãs eram insuportáveis. Minha mãe era amiga, mas não tomava partido. Meus irmãos eram legais, mas viviam a vida deles. A relação com meu pai era de atritos. Eu não sabia me defender sem ser agressiva. O inferno fazia a festa na minha vida.

Não vou detalhar todas as coisas que passei na vida, ou o post não teria fim. Mas para quem não conhece minha história, apenas um resumo: meus pais se separaram quando eu tinha um ano, minha mãe ficou sozinha com os 5 filhos. Aos 18 anos, eu já tinha passado 4 anos doente, já tinha feito uma cirurgia cardíaca, tinha perdido quatro tios e meu avô (estou me referindo ao lado da minha mãe, pois não tive contato com a família do meu pai) em um período de 7 anos, com direito a um assassinato a tiros, pelas costas, não esclarecido até hoje, um rapaz de 32 anos morrendo de infarto, um acidente de carro que, dizem, não foi acidente, um câncer que matou em 3 meses,  e uma leucemia que torturou por mais de um ano.

Já na área amorosa, eu não tinha visto uma família feliz. Mesmo os casais que se amavam, viviam brigando. Adultério era muito comum, quase tradição. Ou seja, eu tinha problemas de verdade com que lidar. Mesmo assim, resolvi arranjar alguns problemas imaginários com as paixões platônicas, que, na verdade, eram apenas uma desculpa para eu me esconder. Apesar de ter sido uma criança alegre e comunicativa, aos 18 anos eu era fechada, tímida e muito depressiva. Alguns trechos do diário fizeram com que eu me perguntasse como sobrevivi. Dá vontade de sacudir a guria e mandar ela acordar! Dê uma olhada em duas amostras…são trechinhos retirados dos seguintes dias:

02/07/98

“Ela não entende que todo esse meu jeito, todas as minhas cobranças não são apenas manifestações de uma adolescente intolerante e um pouco rebelde, mas isso e minha irresponsabilidade e desinteresse são um pedido de ajuda! A cry for help! Porque eu quero sair desse abismo horroroso no qual eu caí, eu queria que acontecesse algo na minha vida, alguma coisa que mudasse a minha vida, qualquer coisa que a mude para melhor, porque para pior é impossível e mesmo se fosse possível eu não suportaria.

Minha vida perdeu seu rumo e eu perdi a força, a coragem e a esperança, só o que eu quero fazer agora é deitar, descansar e desistir.”

07/07/98

“Hoje estou menos deprimida, mas não consigo me sentir totalmente feliz aqui e sei que nunca conseguirei, só que o problema nem está tanto na cidade, está em mim, não sei o que fazer, não sei se isso tem solução, no momento me contento em dormir e chorar, só não quero mais preocupar mamãe.”

Eu leio essas coisas e hoje sei qual seria a resposta para todas essas angústias. Eu me lembro da angústia. Me lembro de como era terrível aquele vazio, de como eu me sentia infeliz, sozinha e pressionada. Eu me lembro de minha forma negativa de encarar as coisas e de como tudo era um problema. Lembro de como eu me sentia desamparada e de como não conseguia explicar essas coisas para ninguém, eu só sentia e escrevia no meu diário. Eu me lembro de como era pessimista, de como declarava coisas ruins e de como achava que nunca iria ser feliz. Eu me lembro de todas as minhas formas erradas de pensar e, sinceramente, me sinto uma sobrevivente. Eu vivi 100 anos em 28 (até o momento em que nasci de novo, há 5 anos) e dou graças a Deus por ter conseguido aproveitar a chance de ter uma nova vida.

Depois de 98, aconteceram coisas que mudaram a minha vida para pior, e eu suportei. E foram essas mesmas coisas que me mostraram a porta de saída do abismo. E hoje eu leio essas coisas e penso em quantas pessoas não estão lá fora, do mesmo jeito que eu estava. Por fora, aparentemente bem, lúcidas e agressivas. Ninguém quer chegar perto delas, ninguém quer conviver com elas, porque elas aparentam não precisar de ninguém. No entanto, por dentro estão dilaceradas. Talvez não saibam expressar o que sentem por escrito, como eu fazia, mas sentem. Sentem a dor, sentem o abandono, sentem o desespero, sentem a angústia. Querem, desesperadamente, que alguma coisa mude suas vidas, enquanto a mudança está ao alcance de suas mãos – e elas não sabem.

O que eu diria para essa Vanessa de 18 anos? Puxa, que oportunidade se eu tivesse aberto os olhos tão cedo assim! Eu diria: Olha, não vai ser fácil. Mas se você for realmente tão inteligente quanto diz ser, vai olhar para dentro de você e perceber que está tudo errado. Está tudo errado. A sua forma de enxergar as coisas está errada. Suas prioridades estão erradas. Você está errada. Toda essa escuridão está errada. A sua vida vai ser aquilo que você determinar que ela vai ser. Se você só olhar para os problemas, só terá problemas. Um atrás do outro. A vida tem possibilidades infinitas, e você só vê as impossibilidades porque sua visão está distorcida. Você tem que jogar tudo fora e começar de novo. Tirar o foco do seu umbigo. Está na igreja e acha que é de Deus, mas não tem nenhum fruto que confirme isso. Criou um deus para você, como acha que ele deveria ser, e acha que isso é o máximo que pode alcançar dEle. Não dê ouvidos às vozes negativas que dizem que você já tentou de tudo e que não tem mais jeito. Você precisa nascer de novo. Esquecer tudo o que acha que sabe, abrir mão de tudo o que você acha que é. Porque você esteve anos dentro da igreja, mas nunca conheceu Deus.

Cogite a hipótese de não ter entendido nada durante o tempo em que esteve lá. Você estava errada o tempo todo. Você pode ter uma vida nova, pode ser uma nova criatura, com uma nova mente, mas, para isso, terá de abrir mão dessa vida velha aí. Comece do zero. Acompanhe sua mãe à Universal e não perca mais seu tempo. Mas vá como se não conhecesse nada, como se nunca tivesse ido em igreja nenhuma. Casar não vai resolver o seu problema. Sair de casa não vai resolver o seu problema. Ter sucesso não vai resolver o seu problema. É possível viver sem esse vazio, sem essa angústia. Você pode ter paz interior e começar a ver a vida com outros olhos. Começar a viver, de verdade. Não espere por ninguém. A decisão é sua.

 

UPDATE:

Pra variar, encontrei algo no blog do nosso amigo Renato Cardoso (sim, porque ele aparece tanto por aqui que já é amigo do blog) que tem tudo a ver com esse post. Transcrevo aqui um trechinho que vai fazer com que você entenda exatamente por que a mudança na minha mente possibilitou uma mudança radical em toda a minha vida. Minha mente antes era guiada pela dúvida. Hoje, pela fé. “Fé” não como sinônimo de religião, mas como sinônimo de “certeza de coisas que se esperam”. Essa é a velha Vanessa confrontada com a nova Vanessa:

“A dúvida vê os obstáculos. A fé vê o caminho. A dúvida vê a escuridão da noite. A fé vê o romper do dia. A dúvida receia dar um passo. A fé voa nas alturas. A dúvida pergunta, ‘Quem acredita?’ A fé responde, ‘Eu’.”

 

Imagine viver todos os dias tendo a certeza de que tudo vai dar certo e de que tudo vai melhorar, sempre. Imagine acordar tendo a certeza de que você será melhor naquele dia do que no dia anterior. Imagine viver sabendo que você pode fazer tudo o que você quiser, e conseguindo conquistar o que você determinou, ainda que com muitas lutas. Imagine saber que o Todo-Poderoso está com você, não para consolar, mas para guerrear as suas guerras. Imagine conseguir enfrentar seus medos e vencer, imagine conseguir superar até as coisas mais insuportáveis, imagine conseguir encarar as coisas com leveza e sorrir mesmo em meio à guerra. Imagine ter estabilidade emocional. Imagine não ser escravo do medo. Imagine não ser escravo de ninguém. Deu para entender agora por que hoje sou tão feliz? Clique para ler o texto inteiro no blog Renato Cardoso.

Tempo para tudo

Depois daquele lendário final de semana em que consegui descansar, ainda fiquei bem durante uma semana inteira. Mas há alguns dias, estou indo dormir no limite das minhas forças físicas. É como se, no final da noite, minha bateria já tivesse esgotada e ainda me restassem uma porção de coisas para fazer. E eu faço, né? Pelo menos o máximo que consigo fazer dessas coisas. Então, vou dormir de madrugada, mas no dia seguinte não posso acordar tarde… acordo cedo…ou seja, durmo pouco.

Obviamente, se eu não quiser virar um patê de salsicha, preciso resolver essa questão hoje. Nada de deixar para amanhã ou para o final de semana. Consegui adiantar algumas coisas que, nos dias anteriores, ficaram a cargo da madrugada, e vou dormir um pouco mais cedo. Amanhã, vou adiantar mais coisas e ficar ainda mais feliz. Não dá para descuidar, senão tudo descamba com a maior facilidade para o modo “monstros comedores de tempo” e eu acabo escrava de meus afazeres, até tarde da noite. E não tenho mais idade para isso. Até os 24 anos, eu podia dormir de 3 a 4 horas por noite (sério, aloka) e acordava a mil por hora. Hoje, não funciona mais assim. Tenho que dormir antes da meia-noite, ou viro abóbora.

É aquela coisa do equilíbrio, que todo mundo diz que existe. Há tempo para tudo debaixo do sol, como diz nosso amigo Salomão. Acho que o que me faz não ficar doida é ter essa certeza de que o dia seguinte vai ser melhor, ou que semana que vem as coisas estarão mais organizadas, ou que amanhã vou acordar bem, esse tipo de coisa. E estou sempre procurando maneiras de melhorar aquilo que não está bom, porque não adianta só identificar o problema e não lutar para resolvê-lo.

Hoje, por exemplo, eu vou dormir mais cedo. Não tão cedo quanto eu gostaria, porque tivemos uma porção de coisas para fazer à noite, inclusive uma consulta médica (é, no início da noite. Nossos médicos são doidos). Mas muito mais cedo do que ontem, do que antes de ontem, do que antes de antes de ontem… Então, sei que amanhã estarei melhor. E isso já é uma vitória! Eu não me contento com essas pequenas vitórias, mas comemoro cada uma delas. Elas me motivam a alcançar mais uma pequena vitória. Porque as vitórias gigantes são feitas de milhares de vitórias pequenininhas. Se você aprender a valorizar as coisas que conseguiu alcançar, certamente terá muito mais forças para alcançar muito mais.

 

 

Sobre como eu vejo o mundo

Eu não sou deste mundo, vocês sabem. Muitos de vocês também não são. E eu tenho uma forma peculiar de enxergar o mundo. Uma forma cada vez mais peculiar. De vez em quando, encontro livros que confirmam algumas das coisas que fazem com que eu enxergue o mundo dessa maneira esquisita. Alguns até me dão mais argumentos para deixar as coisas  ainda mais estranhas.

Pensei que, em vez de simplesmente me sentir um ET ao olhar a forma padronizada com que as pessoas costumam enxergar o mundo, eu poderia começar a fazer alguns posts mostrando minha maneira de enxergar o mundo e a teoria por trás (dos outros ou minha própria). Às vezes vai parecer brincadeira (talvez, em alguns casos, até seja), mas aos poucos você vai pegando o espírito da coisa.

Quem sabe eu descubra outras pessoas que pensam parecido. Ou ajude alguém que tem uma certa dificuldade de entender o mundo em que vivemos e que encontre, em minhas teorias, algumas respostas – ou perguntas mais interessantes. Ou, quem sabe, possa reunir mais pessoas dentro desse universo peculiar e me sinta menos ET. Sei lá. É uma coisa que eu nunca fiz, então, terei resultados que nunca tive.

Também vai ser bom para que as pessoas que gostam de tacar todo mundo dentro de caixinhas e tascar um rótulo em cima tenham muitas pecinhas perdidas para juntar dentro da cabeça. Se eu conseguir fazer uma dessas pessoas quadradinhas entenderem que as pessoas não são rotuláveis, já terá valido a pena. Mais uma alma liberta da escravidão das caixinhas.

 

PS. Não, não é uma série sequencial de posts, necessariamente, mas a inauguração de uma nova categoria de posts. Duas, na verdade. A “visão de mundo” e a “Direto da Dimensão Zeta”, que é de onde eu olho as coisas.

 

Cordilheira

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Ela fechou dezesseis anos em duas malas e deixou na porta de casa. Assim, sem bilhete de despedida. Sem avisar que a partir daquela noite ele não dormiria mais em casa. Não que dormisse, na verdade. Perdeu as contas das vezes em que ele não aparecera. Cansou de perguntar, questionar, cobrar, insistir. As desculpas que ele inventava não passavam mais pela garganta. E apodreceram desde que começaram a esfarrapar. De lá para cá, ele não inventava mais. Não dizia nada. Simplesmente entrava pela porta, como se fosse um estranho. Como se a voz dela o irritasse. Ela se irritava.

As malas, do lado de fora. Como se elas fossem as culpadas de tudo. Exiladas no corredor, gritando por socorro. Fechou a porta. Atravessou a sala de paredes brancas e geladas, vazias, como ela se sentia agora. Na cozinha, a pilha de louça suja denunciava o descaso. Era seu protesto silencioso ao se sentir ignorada. Mas agora, com as malas na porta e a alma lavada, ela lavaria a louça, também. Ninguém mais a ignoraria. Sabia do seu valor. Não precisava de homem algum para ser feliz. Não era mais tão jovem, mas tinha sua independência, poderia muito bem escolher o seu futuro. Sem ele.

A pilha de louça se espalhava pela pia e já não era justo chamá-la apenas de “pilha”. Era uma montanha. Uma cordilheira. Tantos copos, pratos, panelas, talheres e coisas indecifráveis, amontoados e mergulhados em lodo, fungos e gosmas que deviam ter se formado na pré-história. Aquela louça parecia ter servido a um batalhão de homens das cavernas, se eles usassem louça naquela época. Mas era só dos dois. Não se lembrava há quanto tempo estava lá, mas era só dos dois. Detergente na esponja. Espuma. A água e o copo. Como aquilo foi acontecer? Como tudo chegou naquele estado?

No início, era o verbo. Amava. Ponto final. Ele era o centro de seu universo, ela o admirava e queria agradá-lo. Ele a admirava, elogiava – às vezes com palavras, às vezes com os olhos. Começaram a namorar ainda muito jovens, mas queriam crescer juntos. Quando vinham as brigas, ela se calava. Tentava evitar atrito a qualquer custo, e escondia os problemas, acreditando que depois que se casassem tudo se resolveria. Se casaram. E a avalanche começou.

Não, ela não sabia como tinha chegado naquele estado. Mal conseguia ver a colher por baixo daquele limo. Uma gosma marrom que a deixava enojada. Aquelas coisas cresceram ali, do nada. Ninguém colocou uma semente de gosma no meio da louça. Não tinha nenhum pedaço de gordura de rinoceronte encravado em algum garfo. Era louça normal, de pessoas normais, que comem comida light. E a gosma crescia.

Nunca tiveram grandes problemas. Eram sempre as discussõezinhas que surgiam em um dia e eram sufocadas pelo silêncio. Elas ressurgiam dali a algumas semanas, como monstras em filmes de terror. Geralmente maiores do que da primeira vez. A sensação de que estava sendo injustiçada fazia com que tentasse punir o marido. Nos primeiros anos, com o silêncio. Nos últimos anos, com gritos e cobranças. Ele não poderia fazer isso com ela, não poderia dizer tal coisa, ela precisava disso, ela queria aquilo… E ele… bem, ela não sabia exatamente o que ele pensava. No início, ele tentava falar. Agora, se calara.

Sacrificou seus dedos e renunciou ao nojo e à sua dignidade, por uma dignidade maior e mais duradoura. Retirou o maldito limo com as mãos e passou a esponja com detergente naquela colher. Derramou cloro na cordilheira de louças podres. Um sopro de ardência fechou seus olhos. Gotas salgadas na pia.

Quando começou a puni-lo sem explicar o que acontecia dentro dela? Quando desistiu de tudo? Deixar aquelas coisas na pia faria com que se lavassem sozinhas? Será que outro relacionamento não repetiria o fracasso desse? Por que pensava que alguma coisa poderia ser diferente? Será que foi uma boa ideia jogar cloro nesse negócio?

Correu para abrir a janela. Pronto! Não bastava a gosma pré-histórica de filme de terror, ela tinha que criar uma atmosfera com fumaça tóxica. Assim que ele abrisse a porta, pensaria que ela havia se suicidado. Algo como “tome suas malas, vá embora, agora eu vou me matar e a louça suja fica com a casa”. Riu.

Voltou para a louça. Já tinha muita coisa no escorredor, mas a pilha parecia do mesmo tamanho. Cordilheira. Quando iria acabar? Esponja. Detergente. Espuma.

No começo, aprendeu a cozinhar. Não foi fácil, mas tinha alguma coisa de amor em temperar o feijão, cozinhar o arroz e fritar um bife, e quanto maior era sua vontade de demonstrar o que sentia, maior era sua busca por novos sabores, novas texturas. Vê-lo se deliciar com o que suas mãos haviam preparado era sublime. Essa era a palavra. Su-bli-me. Encostava a ponta da língua nos lábios e dava aquele sorriso que era só dele. Como gostava da expressão satisfeita e dos olhos tranquilos com que ele a olhava depois do jantar! Ela sabia que, mais tarde, ele iria querer retribuir aquela satisfação da maneira que ele conseguia fazer. Que só ele conseguia fazer.

Dava raiva. Dava raiva daquele lodo, vontade de jogar a xícara no lixo. Vontade de jogar tudo no lixo e comprar louças novas. Mas de que iria adiantar se deixasse a louça nova na pia, acumulando restos não resolvidos? Gostava daquelas coisas. Gostava daquela história. Sacrificava seus dedos, renunciava seu orgulho por uma dignidade mais duradoura. As malas na porta. Já não sabia se queria aquele vazio na sala.

E quando ele a envolvia nos braços, a fazia se sentir segura. E entregue. Como se não precisasse de mais nada. Sabia que podia contar com ele quando estava bem. E sabia como fazê-lo ficar bem. Como fazia no começo. Quando começaram a reagir negativamente às reações negativas do outro? Quando aquela coisa nojenta começou a se espalhar? Aquele lodo que envolvia os pratos, copos e escondia os talheres, se espalhou pela casa e se colocou entre os dois. De repente, não estavam mais sozinhos. Era ele, ela, e o lodo que deixaram crescer. Ele não a ouvia mais, seus gritos eram muito altos. Ela não o via mais, o lodo era um espelho.

Parou de fazer o jantar e dizia que, se ele quisesse, esquentasse qualquer coisa no micro-ondas. Secretamente queria que ele se ajoelhasse em sua frente, pedisse perdão, implorasse pelo jantar e dissesse o quanto a comida dela era maravilhosa, o quanto o sentimento dela era indispensável, o quanto seu paladar ansiava pelo tempero que ela inventou quando se conheceram. Mas ele resmungava qualquer coisa e ia comer sei lá o que na frente da televisão. Ela foi trocada por um pedaço de pizza. Por uma Mac porcaria qualquer, pela marmita requentada de ontem. Nunca o viu suspirar por seu arroz.

Não conseguiria terminar tudo em um dia. Era impossível consertar em um dia o estrago feito durante sei lá quanto tempo. Levou dias, meses, anos para construir aquela cordilheira entre os dois, deixando crescer o lodo. Agora, precisaria ter paciência. O escorredor estava cheio. A pia, também. Mas talvez valesse a pena fazer um jantar. Nada muito espalhafatoso, para ele não estranhar. Algo simples, anunciando uma trégua. Não seria da noite para o dia. O inimigo não era ele, era o lodo. A gosma que tomara vida própria depois de anos de descuido. A vida não era da gosma, era dela. A tomaria de volta.

Não se importaria com o que sentisse ou achasse que sentisse. A espuma se desfazia com a água. Não jogaria nada fora. Nada. Não tinha o direito de salvar aquilo que tanto quis?

As malas na porta. As malas na porta. Fechou a torneira, secou as mãos, correu para a sala. Abriu a porta. As malas. Dezesseis anos. Sua vida era sua. Não precisava de homem algum para ser feliz, sabia seu valor. Mas queria sua vida. Tinha o direito de escolher o seu futuro. Com ele. Queria a vida que construiriam. Derrubar a cordilheira, destruir o limo. Fazer um jantar. À noite, seus braços. Talvez não esta noite, mas ela saberia esperar. Faria o silêncio, para ouvir sua voz. Queria ouvir sua voz. Ansiava por sua voz. Por sua vida. Por seu futuro.

As malas já dentro de casa. Trancou a porta, correu para levá-las ao quarto. Ele já estava para chegar.

O mês de julho

Este é o mês dos meses. Altas expectativas para o mês de julho. É o início de uma nova etapa na nossa vida, que esperamos por muito tempo. Estamos olhando lá na frente, sem focar nas dificuldades do caminho. Sabemos que todo grande passo exige sacrifício, e estamos vivendo essa verdade.

Julho começou com muitas dificuldades, com muitas lutas, mas tenho certeza de que o final deste mês será de muita alegria, alívio e agradecimento. Já estou agradecendo, antecipadamente. Aliás, é assim que a gente deve fazer. Sabe quando você quer muito alguma coisa e tem certeza de que vai acontecer? Então, se tem certeza, já pode agradecer a Deus. Imagine como vai ser alcançar aquilo que você tanto quer. Imagine a sua felicidade. Imagine a satisfação em ver, diante dos seus olhos, aquilo que você tanto sonhou.

De repente, dentro de você já não é mais imaginação. Já é real. Ainda que não possa ver, é real. E você aguarda. Mal pode esperar os dias passarem para ver materializado o que antes era apenas um sonho distante. E a espera é um momento doce. Nenhuma espera é de angústia quando se tem certeza. É a expectativa de coisas maravilhosas. De portas abertas, possibilidades infinitas, que serão inauguradas neste mês de julho. Tudo o que Deus nos prometeu, absolutamente tudo, começa agora. É o primeiro mês do resto de nossas vidas. Nosso primeiro mês de vida. E só o que me vem à mente é agradecer.

Olha a coragem dessa gatinha

Olha a coragem dessa gatinha

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Veja a atitude dessa gatinha nesse vídeo:

Se ela hesitasse um pouquinho, o estrago teria sido muito maior. Mas ela não olhou para o tamanho do oponente, nem para a aparente fragilidade dela…não dá para dizer se teve ou não medo, a única coisa que podemos dizer ao olhar é que, ao ver a ameaça, ela partiu para cima, decidida. Não havia tempo a perder. O “corajoso” que atacou perdeu a coragem rapidinho.

Não importa se você é um bichinho minúsculo e fofo (características que, convenhamos, não intimidam ninguém)…diante da injustiça, você mostra a sua força. Você não hesita. Você parte para cima. Vai para o tudo ou nada. Tem um objetivo muito maior.

Ela arriscou a sua vida pela vida dele. Deu seu tudo naquele momento. Foi com toda a sua força, ainda que pouca. Quatro anos antes, ela estava abandonada em uma praça, viu a família passando e os seguiu até a casa. Eles a acolheram. Mesmo a mãe sendo alérgica, aceitou a gatinha em casa. Ela, antes abandonada e desprezada, ganhou um lar. Anos depois, quando viu a injustiça na porta de sua casa, a ameaça contra quem lhe estendeu a mão, ela não pensou duas vezes. Arriscou sua vida por quem a salvou. Por sua verdadeira família.

 

 

*A propósito, feliz aniversário, Universal 😉

 

Ps: Quebrando paradigmas… quem disse que cachorro é o melhor amigo do homem ou que gato não liga para o dono? 😉

PS2: Encontrei esse vídeo naqueles rascunhos de que eu falei, dos meus e-mails…vê se pode!

 

 

Quem é o responsável por sua vitória ou por sua derrota?

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Como todo mundo sabe, não acompanhei os jogos do mundial. Mas aqui na Zona Norte é impossível não saber o resultado dos jogos. Pouco mais do que vinte minutos do início do jogo, um vizinho começou a gritar: “não, não”, desesperado, como se estivesse tendo um infarto. Na primeira meia hora, foram cinco gols da Alemanha. Estranhamente, todo mundo já agia como se a copa estivesse perdida. Depois disseram que os próprios jogadores estavam perdidos em campo, desorientados.

O gurizinho da casa ao lado (deve ter uns quatro ou cinco anos) estava gritando: “Amarelo, faz gol! Amarelo, faz gol!” E a mãe o repreendeu, irritada, dizendo que não adiantava, pois já estava cinco a zero.

Agora, eu não sou deste planeta, mesmo. Quando soube que em menos de meia hora a Alemanha tinha feito cinco gols, sabe o que eu pensei? “Bem, que bom que ainda está no começo. Se em meia hora um time pode fazer cinco gols, nos 60 minutos restantes o outro time pode fazer dez gols.” Não é lógico? Se eu estivesse assistindo ao jogo, ficaria preocupada ao ver cinco gols do adversário sendo feitos nos últimos 30 minutos, não nos primeiros! Se a seleção fosse Vanessa, teria feito 10 a 5. Pode apostar. E imagina só como a glória seria muito maior: quantos jogos de futebol com placar 10 x 5 você já viu na vida? Quanto mais você perde no começo, maior é a sua vitória no final. Se foi possível para a Alemanha fazer cinco gols em 30 minutos, por que o Brasil não poderia fazer o dobro disso no dobro de tempo?

Aí eu fiquei pensando com os meus botões…se as pessoas que se dizem “torcedoras” desistem de torcer ao primeiro sinal de derrota, lá no comecinho do jogo, o que será que elas fazem em suas vidas? Na primeira dificuldade, já começam a reclamar, já veem as dificuldades, já querem desistir, já se enxergam perdedoras. Se agem assim ao torcer, é porque agem assim na vida, também. Seu padrão de pensamento não muda. O que você usa para uma coisa, com certeza vai usar para outra. Se você é negativo e desiste fácil, vai ver tudo sob uma ótica negativa e entreguista.

Não assisti ao jogo, mas é bem fácil imaginar por que a Alemanha conseguiu cinco gols em menos de meia hora. Os alemães são, culturalmente, um povo mais racional. Os brasileiros são puramente emocionais. Os alemães tinham em mente o objetivo: fazer gol. Os brasileiros possivelmente entraram em campo sem muito foco e depois do primeiro gol, perderam mais ainda o foco que não tinham. Certamente o descontrole emocional e a sensação de “estamos perdendo”, que tomou conta da torcida, tomou conta dos jogadores, também. Esse é o jeito que fomos ensinados a viver. E se não quisermos entregar ao adversário logo nos primeiros minutos um jogo que poderíamos muito bem vencer de goleada, temos de aprender uma forma diferente de ver as coisas. Acreditar que é possível, manter o foco e dobrar a força a cada dificuldade. Graças a Deus por hoje ter essa visão.

Na vida ou no esporte, a disputa é muito mais na mente do que no campo. O adversário fez um gol? Pense: “ah, é? Eu vou fazer dois!” E vá para cima. Essa tem de ser nossa atitude na vida. Você perdeu alguma coisa? Agora é questão de honra: amplie sua visão e busque coisas maiores ainda! E mantenha o foco. Não desvie sua atenção por absolutamente nada. Não desista daquilo que você quer. Até o último segundo, tudo pode mudar se você trabalhar para isso. Mas se você se acreditar perdedor e desistir, seu fracasso terá sido culpa sua. Que fique bem claro: se o Brasil perdeu hoje, a culpa foi dessa mentalidade tosca, e não do jogador x ou y.

Da série “A mente masculina, na prática”

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Eu, pensando profundamente a respeito de não querer fazer o que qualquer um pode fazer, de querer criar coisas novas e extraordinárias, determinei, em voz alta:

– Eu vou fazer aquilo que ninguém mais pode fazer, só eu. – Ao que o Davison prontamente respondeu:

– O quê? Ir no banheiro?

A lição de hoje é: homens nem sempre estão prontos a pensar em coisas profundas e cheias de significados existenciais. É claro que eles são capazes disso, mas a programação normal é pensar que você está falando de coisas triviais e mundanas. Uma mulher pegaria o assunto no ar e poderia tentar imaginar milhões de possibilidades para o que eu estava querendo dizer. Aliás, a maioria das mulheres tem essa coisa do “o que será que você quis dizer com isso” (eu não tenho muito). Homens geralmente só querem dizer aquilo que eles dizem. E só entendem o que dizemos. Logo, se eu quisesse manter essa conversa em um nível masculino, primeiro precisaria fazer uma introdução. Do tipo:

– Amor, eu estava pensando nos meus planos para o futuro e na minha forma de lidar com as coisas no meu trabalho e agora, mais do que nunca, eu não aceito fazer o que qualquer um pode fazer, não aceito fazer nada mais ou menos. Quero criar coisas novas e extraordinárias e, por isso, já determinei que vou fazer aquilo que ninguém mais pode fazer. Vou me desafiar. Não tenho medo de assumir grandes desafios.

Aí provavelmente ele se empolgaria e entraria no assunto. (Ou diria: “É isso aí!” rs) É, mulher, se nossas conversas são textos, homens são como leitores. Várias vezes já chamei um redator para conversar a respeito de um texto que não ficou muito claro. Pedia que o explicasse e ouvia uma explicação bem clara a respeito do trecho dúbio. Então perguntava se ele iria estar ao lado de cada um dos leitores para explicar aquilo. Não, né? Então, o seu texto tem de ser autossuficiente. E se tornou uma máxima que qualquer pessoa que escreva precisa ter em mente: “o leitor não está dentro da sua cabeça”. Da mesma forma, sinto informar: o homem, infelizmente, não está dentro da sua cabeça e é incapaz de adivinhar o que você quis dizer se você, de fato, não disse. :-)

 

 

PS: A leitora Laianne sugeriu que eu fizesse uma série “A mente masculina, na prática”. Boa ideia, Laianne. Vou adicionar à série “Diálogos Insanos“. Acho que material não vai faltar. :)

 

Faça agora

Voltar a escrever um post por dia no meu blog tem sido muito, muito útil para treinar o “faça agora”. Não vou ficar dias pensando em um texto fantástico, nem vou desprezar as ideias que parecem menores. Eu simplesmente me sento para escrever e escrevo. Normalmente, durante o dia, vou analisando situações, conversas, coisas que leio ou ouço e várias vezes penso: “puxa, eu preciso escrever sobre isso”. O que acontecia antes era que eu anotava a ideia em algum lugar e esperava o momento adequado em que eu tivesse tempo para sentar e escrever, com calma. Agora, não. A ideia veio, eu anoto e sei que hoje mesmo terei que arranjar um tempo para escrever sobre ela. Não pode passar de hoje. Ainda que seja na hora de dormir.

Às vezes a gente tem que planejar e analisar, mas na maioria das vezes, as coisas já foram exaustivamente pensadas, só precisam ser feitas. Você não vai encontrar o nome perfeito para o seu blog, você não vai achar o tema perfeito para o seu post, você não vai encontrar o momento perfeito para lançar aquele projeto, nem escolher os detalhes exatos do seu produto. Faça o seu melhor. Faça o melhor que puder fazer. E faça agora.

 

 

Ps. A única coisa em que não estou aplicado o “faça agora” são os textos mais longos e mais elaborados (ou histórias de ficção), quando o cérebro trava e eu não consigo destravar (às vezes acontece, principalmente porque eu escrevo pouco antes de dormir). Aí eu costumo parar um pouco antes de perceber que o sistema vai entrar em pane. No dia seguinte, continuo. Escrevo um pouco por dia. Só não dá para “esperar inspiração”.