Meu desafio a Pezão

Meu desafio a Pezão

Ao ser questionado, em sua página do Facebook, sobre o fato de estar misturando política e religião, criticando a Universal, Pezão, que disputa o governo do Rio de Janeiro com Marcelo Crivella, responde que está apenas alertando os eleitores a respeito do parentesco entre Marcelo Crivella e Edir Macedo (como se Crivella algum dia já tivesse escondido isso) e sobre a Universal estar “por trás de sua candidatura” (o fato de Crivella ter uma trajetória política é sumariamente ignorado). E faz uma acusação ridícula:

“Muitas vezes, essa organização beneficia apenas seus fiéis em projetos públicos e sociais.”

Ooooopa, peralá!!! Perceba o nível da argumentação. “Muitas vezes”…quais vezes? “Em projetos públicos e sociais” Em quais projetos públicos e sociais? Eu NUNCA vi a Universal beneficiar apenas seus fiéis em projeto público e social algum. Pelo contrário, os projetos públicos e sociais da Universal são voltados para a população necessitada. A maioria dessa população nunca sequer entrou em uma Universal antes de ser ajudada. Repito: sou membro da Universal desde dezembro de 1999 e NUNCA vi a igreja beneficiar apenas os seus fiéis em projetos públicos e sociais.

O trabalho com moradores de rua é feito apenas com moradores de rua que são membros da Universal? Rs. É bom avisar que não demora muito para que um morador de rua que se torna membro da Universal deixe de ser morador de rua. Logo, se fosse voltado apenas aos membros o “Anjos da Madrugada” rapidamente não teria a quem dar roupas, alimentos e atendimento. Os inúmeros projetos sociais da Universal são feitos prioritariamente para quem não é da igreja. Embora possam beneficiar também os membros, nós (os membros) não somos o público-alvo por razões óbvias. Trabalho com moradores de rua, alfabetização de adultos, apoio a mulheres vítimas de violência doméstica, apoio a adolescentes grávidas, apoio a quem quer sair dos vícios (esses são alguns exemplos)…imagina-se que um membro não precise mais desse tipo de trabalho, mas se precisar, obviamente, também será atendido. Agora, eu desafio o sr. Pezão a dizer nominalmente QUAL projeto social público da Universal beneficia somente seus membros. Desafio, mesmo. Quero o nome do projeto social público da Universal que não beneficia pessoas de fora da igreja. Porque em 14 anos de igreja, tendo morado em Campo Grande – MS, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, nunca vi um único projeto público social da Universal que beneficiasse apenas seus membros.

Nem mesmo as reuniões e palestras são feitas pensando apenas em seus membros! Qualquer pessoa pode ir a uma Universal e ser ajudada, ainda que nunca tenha entrado lá e nunca mais volte. E ele sabe muito bem disso, apenas joga esse tipo de argumento vazio na tentativa tosca de dar a entender que Crivella vai governar apenas para membros da Universal. Como se algo na trajetória política de Crivella desse margem a crer nisso. Recentemente, entrou em vigor uma lei que determina que motoboys têm direito a 30% de adicional de periculosidade. Sancionado pela presidente Dilma, o projeto é de autoria de Marcelo Crivella. Por acaso o projeto diz que o adicional de 30% é apenas para motoboys da Universal? Tenha dó, né? Esse tipo de argumento subestima a inteligência do povo do Rio de Janeiro e escancara a tentativa de manipulação e o preconceito de Pezão. E, claro, sua tentativa desesperada de desviar a atenção da população do estado, para que não se lembrem de que há pouquíssimo tempo estavam gritando “Fora, Cabral!” com direito a hashtag bombando no Twitter #ForaCabral, e um movimento que ficou conhecido como “Ocupa Cabral”. Sérgio Cabral, ex-governador, que renunciou recentemente, sendo substituído por quem? Luiz Fernando Pezão. Elegê-lo é basicamente manter aquilo que a população do Rio não queria que se perpetuasse. Isso sim é importante. Isso é o que ele não quer discutir:

Meu desafio, na verdade, nem é apenas que ele dê o nome do tal projeto público social da Universal que só beneficie os membros da igreja, porque isso eu sei que ele não vai conseguir, pois não existe. Eu proponho um desafio igualmente difícil para ele: Que tal começar a usar a pauta certa, em uma disputa ética e honesta, candidato? Que tal respeitar a inteligência do povo do Rio de Janeiro?

 

 

 

Minha livraria preferida em São Paulo

bourbon

Eu entendo toda a discussão em torno das Megastores e do que elas fizeram com as pequenas livrarias e tal. O problema é que, gostemos ou não, as Megastores oferecem ao leitor algo que ele AMA absurdamente: a oportunidade de sentar em um lugarzinho confortável, abrir um livro e LER, sem compromisso. Deve ser um bom negócio para as livrarias. Eu, particularmente, sempre compro alguma coisa que não havia planejado comprar, simplesmente por ter lido e gostado. E olha que eu detesto gastar e não é nada fácil me fazer comprar alguma coisa que eu já não estivesse planejando há meses.

As Megastores nos vendem o ambiente. E, nesse quesito, a Livraria Cultura do Bourbon Shopping, aqui em São Paulo, é campeã. Eu já sou propensa a gostar mais do ambiente da Cultura, porque a iluminação é confortável e a decoração é aconchegante (e vice-versa). A Saraiva, com suas cadeiras desajeitadas e iluminação ruim parece que está me mandando embora: “lê logo esse negócio aí e passa no caixa!” A FNAC está mais interessada em me vender algum eletrônico e também não gosta muito que eu fique folheando seus livros. A Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim era minha preferida antes da reforma. Lugar tranquilo e sofazinhos super agradáveis. Depois da reforma, encolheu, e não tive mais coragem de ir. As outras unidades ainda não conseguiram me ganhar, mas tentam ser simpáticas.

comidas2A Livraria Cultura conta com uma ajuda de peso para se tornar minha favorita: o “V Café”. Eu já fui tantas vezes lá com meu marido nesses quase 4 anos que tenho memória afetiva. E nada é mais forte do que memória afetiva. Pego vários livros potencialmente interessantes, empilho na mesa do V-Café enquanto o Davison vai buscar frapê, empada de palmito, pão de queijo, esfiha de ricota, suco de melancia, torta de limão e o que mais tiver de bom por lá. Eu não posso comer nada disso (exceto o suco de melancia), mas desligo minhas proibições em nome da memória afetiva.

Leio, pego meu caderno, faço anotações, busco ideias para o trabalho, faço pesquisas, descubro autores, analiso editoras, faço um saudável mix trabalho-lazer. Às vezes levo o computador ou aproveito para exercitar a escrita analógica. Davison também pega seus livros favoritos, com foco na seção infanto-juvenil, onde ele faz a mesma pesquisa na área de ilustração. Meu foco atualmente tem sido na seção de negócios, administração, motivacional, além, é claro, da seção de comunicação. Mas se tem uma coisa que eu gosto de fazer é passear por estantes que não têm absolutamente nada a ver comigo ou com o que eu esteja fazendo. Às vezes aparece algo interessante.

Durante o tempo que estou lá, tento não derrubar nada de comer nos livros. E como eu sei que se derramar frapê em um livro ruim, vou ter que comprar o livro, procuro ser ainda mais cuidadosa quando não me interesso. Sinceramente, acho que todo esse acolhimento é justamente para criar memória afetiva nos consumidores. Com aquela sensação de estar na sala da casa da sua tia, comendo chá com bolinhos enquanto ela deixa você ler os livros que quiser, pode ter certeza de que a probabilidade de comprar alguma coisa ali é sempre grande. Ainda que você não compre em uma visita, inevitavelmente comprará na outra. Vínculos são muito mais importantes do que uma decisão impulsiva de compra.

A Livraria Cultura é minha amiga. Eu sei que não é, mas eu sinto como se fosse. E esse é o foco de todo o esforço no relacionamento com o cliente. Tenho consciência de que ela só quer meu dinheiro…rs…mas as outras também querem, então fico com quem me oferece a melhor experiência enquanto lá estou. Infelizmente, não é um passeio tão frequente quanto gostaríamos, mas é tão frequente quanto podemos fazer.

O Bourbon é assunto para um próximo post. Shopping originalmente gaúcho, ele é uma espécie de portal para Porto Alegre. Lembre-se de que eu sou gaúcha por adoção e morei por seis anos a poucos passos do Bourbon da Assis Brasil, em Porto Alegre. Só por isso, as memórias afetivas que criamos lá são ainda mais afetivas.

 

selfiebourbon

PS: Não tenho patrocínio da livraria (antes que alguém me pergunte). A razão desse post é que eu coloquei no Instagram as fotos da minha visita mais recente à Livraria Cultura (tipo essa selfie ao lado… torta e desfocada porque minha mão treeeeeeeeeme muito) e me dei conta de que nunca tinha falado dela por aqui. Achei que seria legal falar um pouco do que eu gosto de fazer, assim vocês também participam. 😀

 

 

 

 

 

 

 

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