Limites e limitações

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Limites são linhas estabelecidas para nos proteger de nós mesmos, dos outros ou de alguma situação (boa definição que peguei quinta-feira, da palestra do casal CrisRenato). Já limitações são situações que existem para nos impedir de chegar a algum lugar. É importante saber diferenciar esses dois, pois confundir traz sempre péssimos resultados.

Se respeitarmos os limites, eles nos ajudarão a progredir e avançar. Se nos curvarmos às limitações, elas nos aprisionarão. Na ânsia de provar que é livre, muita gente desrespeita os limites por vê-los como limitações. E, na vontade de ser correto, há quem aceite limitações, pensando que, assim, conseguirá crescer com segurança.

Se desrespeitarmos limites, jamais seremos livres, mas, sim, escravos de nossas vontades e impulsos. Respeitar limites exige esforço consciente, autocontrole e sacrifício. Isso nos faz mais fortes e nos ajuda a crescer. Se aceitarmos as limitações, jamais nos desenvolveremos. Limitações nos fazem escravos de nossos medos e angústias. Aceitá-las não exige nenhum autocontrole, é só se render ao medo.

Como diferenciar um limite de uma limitação? Limites não causam medo, não nos dão vontade de correr para um lugar seguro. Eles desafiam nossas emoções e exigem que liguemos nosso autocontrole. O limite de velocidade em uma rodovia não causa medo, ele apenas exige de você o máximo de seu autocontrole para não meter o pé no acelerador e sair voando feito um urubu desgovernado. Meu marido estabeleceu um limite para mim em nosso relacionamento logo no namoro. Estávamos no carro e, durante uma discussão, eu fiquei quieta e olhei para fora do carro. Era um hábito que eu tinha. Quando percebia que a conversa não estava evoluindo, simplesmente parava de falar. Ele, então, parou o carro e, calmamente, me disse:

 – Olha, eu não suporto gente emburrada. Grita comigo, briga, mas fala alguma coisa. Se for ficar emburrada, me avisa agora, que a gente termina tudo agora mesmo. Eu não vou casar com você e passar por isso todas as vezes em que a gente discutir.

Eu não tinha percebido que aquilo era um problema. Claro que, depois disso, nunca mais fiquei emburrada…rs. Era algo que eu havia feito minha vida toda, que tinha visto minha mãe fazer, meu avô fazer…mas consegui me controlar. E consigo até hoje. :-)

Isso era um limite, porque desafiou minhas emoções e minha vontade de me fechar na minha concha silenciosa e obrigou meu autocontrole a dar o seu melhor para que eu conseguisse respeitar aquela linha.

Uma limitação causa medo, dúvida e tenta obrigar você a se enquadrar em uma caixinha limitante. Achar que não gosta de ler, por exemplo, é uma limitação, porque pegar um livro causa em você uma angústia, uma sensação de que não vai conseguir ler até o final que, você não sabe, mas é nada mais nada menos do que um medo de não conseguir e se deparar com aquela sensação horrorosa de incapacidade. Para vencer isso, é necessário usar seu autocontrole para crer que você vai, sim, conseguir. Lutar contra sua resistência e contra a sua dificuldade, para ultrapassar aquela barreira e conseguir superar.

Tanto respeitar os limites quanto ultrapassar as limitações trazem o mesmo resultado: crescimento e segurança.

Depois da meia-noite

Ontem, quando cheguei em casa, ainda tinha uma lista de coisas a fazer, mas depois de ter aula de manhã até o período da noite, percebi que não conseguiria me manter acordada. Não era só sono, estava realmente exausta e me sentindo mal. Foram vários dias indo dormir de madrugada e acordando cedo, e, no meu planeta, se Vanessas dormem depois da meia-noite por mais de três dias seguidos, elas viram abóbora. No meu caso, eu já tinha virado doce de abóbora. Aí, usei a cabeça.

Ok, eu tinha um bilhão de coisas a fazer, e se ficasse acordada, faria, mas não conseguiria ter atenção suficiente para um resultado de qualidade e, no dia seguinte, estaria operando abaixo da minha capacidade habitual. A outra opção era ir dormir àquela hora (22h) e permitir que meu corpo e- principalmente – minha mente se recuperassem. Assim, eu teria energia e atenção para fazer alguma coisa no dia seguinte e estaria forte para segunda.

Optei por ir dormir e acabei descobrindo que foi uma excelente escolha, pois eu estava pior do que pensava.

Racionalmente, tirei parte do domingo para descansar minha cabeça (o curso desta semana foi muito bom, mas graças a Deus que acabou, pois não seria muito saudável manter esse ritmo todos os dias com a rotina que tenho).

À tarde, fomos ao Templo e aproveitei o tempo pré-reunião para meditar e escrever o post de ontem (este), o de hoje e mais algumas coisinhas que eu precisaria ainda para hoje. A ideia era ter tudo pronto e, ao chegar em casa, só digitar e enviar. Talvez conseguisse ainda lavar alguma louça (depois de 3 dias sem água. Obrigada, Alckmin) e dormir antes da meia-noite.

Às vezes precisamos parar e avaliar qual é a maneira mais inteligente de lidar com um pepino que brotou do nada no meio da sua vida. No meu caso, passar mal por dormir tarde não estava na programação que fiz semana passada (embora eu já pudesse ter imaginado que isso aconteceria).

Não vou me limitar, ficando com medo de dormir depois da meia-noite sempre, com receio de passar mal (evitando ir a uma vigília, por exemplo, ou desmarcando algum voo importante), mas vou gerenciar melhor meu tempo nos dias regulares para não ir dormir tarde quando não houver extrema necessidade. Digamos que eu tenha uma cota reduzidíssima de acordada-depois-da-meia-noite e tenha que economizar ao máximo, consumindo com moderação. Não admito viver com medo ou limitada, mas não posso desrespeitar limites. Então, temos que saber diferenciar limites de limitações e lidar com os dois como eles exigem. Mas isso é assunto para o próximo post… :-)

A melhor maneira de economizar na Black Friday (ou fora dela)

turista3*Eu, no Rio (segundo o Davison, “vestida de cigana”), em  2004.

Economizei MUITO na Black Friday este ano: trabalhei o dia inteiro, à noite tive curso e não comprei nada.  100% de economia! 😀

Meu e-mail ficou abarrotado de SPAMs de todas as lojas do universo. Todas oferecendo grandes promoções para que eu economizasse nesse momento especial. Segui a ideia à risca, e economizei, mesmo…rs. Mas fiquei pensando, depois, sobre a forma que eu encarava esse tipo de coisa no passado. Eu era viciada em promoções. Não podia ver uma, e já precisava aproveitar. Na verdade, eu era viciada em preços baixos. Comprava minhas roupas pelo preço (e, por isso, me vestia com coisas esdrúxulas, como esse look do post que abre o blog), fazia compras na internet como se não houvesse amanhã e, muitas vezes, acabava gastando duplamente, por ter de comprar peças de reposição quando a porcaria que eu havia comprado estragava (o que acontecia com bastante frequência).

Na época em que morei no Rio, fazer compras nas Lojas Americanas era quase uma terapia. Uma terapia altamente inútil, mas a sensação momentânea era boa. Eu entrava lá e comprava um monte de quinquilharias baratinhas: cadernos, meias, chocolates, canetas e mais qualquer coisa que parecesse um bom negócio. Comprei muita coisa inútil, acumulei muita tralha e gastei muito dinheiro. Não comprei nada duradouro ou bom naquele tempo e ainda deixava meu marido mais doente aumentando nossas dívidas no cartão de crédito. Ele, que sempre foi tão controladinho com essas coisas. E eu, que nunca tive nem ideia do que era a tal educação financeira. Cresci em uma família sem recursos, minha mãe nos criou sozinha e era um parto conseguir qualquer dinheiro com o meu pai. Um terror, mesmo, ele reclamava de tudo, até de pagar escola. E sempre atrasava o pagamento. Atrasar pagamentos, pagar juros, cartão de crédito no rotativo e empréstimos bancários eram coisas comuns de ver (como são, aliás, até hoje. É só dar uma voltinha por aí e você vê muita gente encalacrada com essas coisas).

Antigamente, eu parcelava TUDO em, no mínimo, 3 vezes. Se fosse sem juros, eu poderia parcelar qualquer valor em 10 ou 12 vezes fácil, fácil. Resultado: ficava quase um ano pagando coisas que, muitas vezes, nem existiam mais quando eu parava de pagar. E, ao parcelar tudo o que comprava, perdia facilmente a conta e o controle e começava a acumular as parcelas mensais que, somadas, davam valores absurdos. Acho que isso era um legítimo espírito devorador. Ou eu nem precisava de devorador, já que me comportava como um. Hoje, é muito raro eu comprar alguma coisa em parcelas. Se não tenho dinheiro, não compro. Simples assim. Então, não adianta as lojinhas da Black Friday me oferecerem a possibilidade de pagar as comprinhas em até 12 vezes sem juros. Eu não vou comprar, nem se dividirem por mil. Quando sua forma de enxergar muda, tudo muda.

Considero o fato de ter me tornado uma pessoa super consciente do que gasta e do que deixa de gastar quase como uma mudança de personalidade. Meu marido me diz que sou outra pessoa e hoje confia totalmente em mim. Fiquei três anos sem cartão de crédito por vontade própria. Só esse ano aceitei que ele fizesse um cartão adicional.

Eu consegui entender o que me levava a comprar quinquilharias que eu não precisava e entulhar minha casa (literalmente) com poucos anos de casada. Tento me policiar diariamente para que isso não aconteça novamente em nenhum grau, embora considere que, para os meus novos padrões, o que eu gasto em livros e cursos seja um valor elevado. Mas, parando para pensar, é uma evolução. Antes, eu gastava com quinquilharias, doces, balas, refrigerantes, maquiagens que eu não ia usar e porcariazinhas mil. Hoje, gasto com livros que, de fato, leio, e com cursos que me ajudam muito no meu trabalho. As minhas decisões de compras se tornaram mais racionais e menos emocionais. Isso, com certeza, é algo que me deixa muito mais feliz do que qualquer coisa que eu pudesse comprar em uma super liquidação.

O problema sem solução

1420376_84264715Imagem: Phostezel

Resolvi falar sobre algo que eu já resolvi há bastante tempo, mas que pode ajudar alguém. Me lembrei disso por ter lido um trechinho de um livro que tenho aqui em casa. É um livro beeeeem antigo (da década de 60) de R. Schuller , que nem é vendido mais nas livrarias (está fora de catálogo há um tempão) e é bem desatualizado, chamado “O pensamento da possibilidade conduz ao êxito” (Move ahead with possibility thinking). Eu gosto da forma dele diferenciar as pessoas pela maneira de pensar. Segundo ele, existem os pensadores da possibilidade e os pensadores da impossibilidade. Segue a definição desses últimos:

“Os pensadores da impossibilidade são pessoas que fazem exames rápidos e completos sobre uma ideia proposta, esquadrinhando-a com um agudo olho negativo, vendo somente os aspectos desagradáveis. Procuram motivos por que algo não dará resultado em vez de visualizar os meios pelos quais poderia dar resultado. Assim, inclinam-se a dizer ‘não’ a uma proposta, jamais dispensando à ideia uma atenção razoável.

Os pensadores da impossibilidade são pessoas que imediata, impulsiva, instintiva e impetuosamente reagem a qualquer sugestão positiva com um conjunto de motivos de ordem geral, não estudados, irresponsável, por que a sugestão não pode ser realizada, ou por que é uma ideia má, ou como alguém mais que tentou realizá-la e fracassou, ou (e este é, geralmente, o argumento a que  se apegam) quanto vai custar! São pessoas que sofrem de uma perigosa malignidade mental a que chamo de complexo de impossibilidade. São imaginadores de problemas, previsores de fracasso, visualizadores de dificuldade, pressentidores de obstáculos, estimadores de custo exagerado.

A atitude deles produz dúvida, estimula o medo e gera um clima mental de pessimismo e fadiga. São criadores de preocupação, esvaziadores de otimismo, esmagadores de confiança. O resultado final? Ideias positivas sepultadas, sonhos desfeitos e projetos torpedeados.”

Eu era exatamente assim. Esse foi meu pior diagnóstico. Isso cansa e acaba trazendo problemas de saúde, inevitavelmente. Sem contar que seu mundo fica cinza e você colhe os frutos da sua forma de ver as coisas. Tudo realmente fica mais difícil e os relacionamentos vão se deteriorando, porque você se torna meio insuportável. Só quem o ama muito permanece por perto – e, às vezes, nem esses. É normal (embora não recomendável) ser meio assim na adolescência, porque adolescentes tradicionalmente são emocionais e o cérebro ainda está se desenvolvendo. Mas manter isso depois dos 18 anos é uma escolha imbecil, me desculpe dizer, porque só quem quebra a cara com isso é a própria pessoa. Ela irrita os outros ao seu redor, mas dificilmente prejudicará a alguém mais do que a si mesma.

Você mantém o complexo de impossibilidade reagindo sempre da maneira descrita acima. E começa a quebrá-lo ao fazer um esforço consciente para mudar a sua reação. Sua escolha racional de ser um pensador da possibilidade.

“Os pensadores da possibilidade perceptivelmente examinam cada problema, proposta e oportunidade a fim de descobrir os aspectos positivos presentes em quase todas as situações humanas.

São pessoas exatamente como você, que, quando se defrontam com uma montanha, não desistem. Continuam lutando até que a transponham; encontram uma passagem, um túnel – ou simplesmente ficam ali e transformam a montanha em uma mina de ouro.

Por que têm êxito?

Elas se prepararam para procurar as possibilidades em todas as áreas da vida. Aprenderam a maneira de:

  • Vencer os complexos de inferioridade e viver confiantemente
  • Dar atenção a novas ideias e avaliá-las com cuidado
  • Localizar as oportunidades e agarrá-las com coragem
  • Aceitar os problemas desafiantes e resolvê-los de maneira criativa
  • Enfrentar as tragédias pessoais com serenidade de espírito, se possível, e usá-las construtivamente

Grande gente! Esses construtores da fé, propulsores da esperança, criadores de confiança, geradores de entusiasmo, espalhadores de otimismo!

A história os denomina: Promotores da paz, quebradores de recorde.

(…)

Dê apenas ma olhadela nos monumentos inspiradores que eles deixaram atrás de si:

  • Casamentos bem-sucedidos e famílias felizes
  • Empresas lucrativas e grandes instituições
  • Drogas que salvam vidas e procedimentos cirúrgicos
  • Arranha-céus que se levantam acima da linha do horizonte
  • Satélites que navegam silenciosamente pelos mares insondáveis do espaço
  • Crianças risonhas em lares felizes mediante o poder do amor de Deus

(…)

Torne-se um pensador da possibilidade e, assim, se torne alguém num mundo onde há ninguéns em demasia, um sucesso numa multidão de fracassos.  Se observar os princípios dos pensadores da possibilidade, você também pode

  • Tornar os sonhos em realizações excitantes
  • Tornar os problemas em projetos lucrativos
  • Tornar os obstáculos em oportunidades raras
  • Tornar as oportunidades em ricos empreendimentos
  • Tornar as tragédias em triunfos inspiradores.

Siga por este caminho cuidadosamente e sua vida assumirá um novo e extraordinário poder.”

Quando li isso pela primeira vez, entendi por que minha vida estava do jeito que estava. E, sendo membro da Universal há quase dez anos, consegui identificar quase imediatamente que aquilo que o livro descrevia era o que conhecíamos por “viver pela fé”. De repente, na minha frente surgia a chave para conseguir colocar a fé em prática: mudar minha forma de enxergar o mundo e de reagir às situações. Depois me dei conta de que isso já estava claro na Bíblia, quando Paulo diz: “Transformai-vos pela renovação da vossa mente para que experimenteis qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.” (Romanos 12.2) Sem contar Filipenses 4, é claro, que descreve o que deve ocupar nossa mente, listando apenas coisas bem positivas.

É engraçado porque, quando se conversa com um pensador da impossibilidade clássico, é inútil tentar dar um conselho ou uma ideia de solução para o problema. Ele logo responde com um outro problema, a forma mais negativa possível de imaginar sua solução colocada em prática. Mesmo sofrendo com a situação, ele não se esforça para se livrar dela. Apesar de já ter agido assim, não sei exatamente o que esse tipo de gente quer. Talvez atenção, talvez alguém que diga: “é isso mesmo, que situação horrível” e o faça se sentir melhor, confirmando que não haveria nada que ele pudesse fazer para se livrar do problema – mesmo que isso não seja verdade.

Parece “melhor” do que ser confrontado com o fato de você só estar sofrendo por ter preguiça de fazer algo, de fazer o sacrifício necessário para se livrar da situação. Minha irmã costumava terminar a conversa (e me irritar) com a seguinte frase: “Bem, então seu problema não tem solução”. – E não tinha mesmo. Seu problema só terá solução quando você decidir encarar o que precisa ser feito para solucioná-lo. Fazer mais, sofrer menos. Fazer mais, reclamar menos. Fazer mais, relutar menos. Não esperar que a mudança venha dos outros, nem colocar sobre eles responsabilidades que são suas. Olhar mais para você, menos para os outros. Fazer mais, julgar menos. Uma boa dose de humildade deve ser tomada antes da decisão de se tornar um pensador da possibilidade. Mas, se você quiser ser alguém na vida e fazer algo útil com sua existência, não existe outro caminho.

 

“Eu preferiria tentar algo grande e falhar, a tentar fazer nada e ter êxito.”

 

PS: É importante esclarecer que apesar desse livro ser bom, Robert Schuller pirou na batatinha pouco tempo depois, então não o considero um autor recomendável. A coisa subiu à cabeça e ele realmente saiu de sintonia, chegando a se unir ao catolicismo e ecumenismo. Acho que esse é o único livro dele que faz sentido biblicamente falando. É um belo alerta: não adianta você pensar direito e usar a fé se a base for seu ego, e não Deus.

 

 

Eu não quero ter sorte

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Você deve achar que eu enlouqueci. O problema é que as pessoas acreditam que sorte é o contrário de azar. Logo, quem não quer ter sorte, automaticamente quer ter azar. No entanto, sorte e azar são exatamente a mesma coisa: fruto do acaso. O dicionário Houaiss confirma isso de um modo muito curioso. O verbete “sorte” é definido primordialmente como: “Força invencível a que se atribuem o rumo e os diversos acontecimentos da vida”.  Já o verbete “azar” começa com a interessante definição de: “Sorte contrária; revés, infelicidade, infortúnio.”

Azar, então, pode ser definido como “sorte contrária”. É o outro lado da mesma moeda. É a mesma força, agindo de forma oposta. Quem depende da sorte, pode ser alcançado pelo azar, pois está se expondo à mesma influência. Eu estava escrevendo sobre isso e me deparei com o post de hoje do Renato Cardoso, em que ele fala sobre “sorte no amor”. E o que ele diz tem absolutamente tudo a ver com isso:

“Note uma coisa ao seu redor: as pessoas mais azaradas no amor são aquelas que deixaram seu destino amoroso à mercê da sorte. “

Eu participo das palestras semanais e ingressei no programa de 21 dias “Do errado ao certo” porque eu sou um ser humano feliz que participa das coisas. Não tem nada de errado no meu casamento, pelo contrário, as coisas vêm se endireitando cada vez mais, mas justamente por isso eu continuo investindo no meu relacionamento, porque não quero ter sorte, quero ver o resultado dos nossos anos de trabalho conjunto. Ingressei no programa de 21 dias para consertar o que não está do jeito que eu queria em outras áreas da minha vida. É um programa de desenvolvimento pessoal, então não serve só para quem está com tudo errado na vida amorosa. Pelo menos, é assim que vejo.

E percebi recentemente que são poucas as pessoas que enxergam as coisas dessa maneira. Ainda que digam que confiam em Deus, na verdade, confundem Deus com sorte. Acham que “esperar em Deus” é sentar em uma poltrona e cruzar os braços. Esperar em Deus é depositar sua esperança nEle e, com a certeza do que deve ser feito, executar a sua parte no acordo. É uma parceria, pois Deus não é garçom, Ele não vai trazer seu pedido em uma bandeja enquanto você espera sentadinho à mesa. Pode esquecer, meu amigo. Ele é parceiro, o maior sócio que você poderia ter em seus projetos, pois tem todos os contatos, todo o know how e todo o poder para fazer até a situação mais absurda se tornar real. Você acha mesmo que iria firmar uma parceria com um sócio assim sem precisar fazer nada?

Muitos crentes bem-intencionados por aí confundem a “graça” de Deus com receber coisas de graça de Deus. Não é bem assim. Há um preço a se pagar. E esse preço é se esforçar violentamente. Sacrificar sua vontade de ficar deitado no sofá recebendo uvas na boquinha e ir à luta, sempre colocando sua esperança e sua confiança nEle, não em outras pessoas, nem na força do seu braço. Mas o seu braço não pode parar de trabalhar. Ele prometeu abençoar o trabalho das suas mãos. Então, mãos à obra. Em todas as áreas da sua vida. Pode tratar de se mexer. Que a sorte se mantenha à distância. Que o acaso vá ver se eu estou na esquina. Eu faço o meu destino. Eu sou livre para fazer minhas escolhas. O que preciso é de sabedoria para conseguir fazer essas escolhas da melhor maneira possível, de uma maneira que beneficie outras pessoas. Mas, sabendo o que tenho de fazer, vou lá e faço.

Quando deixei de me guiar pelo acaso e percebi que poderia tomar as rédeas da situação, por menor que fosse, por pior que fosse, a sensação foi de liberdade. Não, eu não carregaria aquela carga sozinha nos meus ombros, mas eu teria uma parte a cumprir no plano de ação para que pudesse ver aquilo que eu queria se materializar, finalmente. Hoje, isso me parece óbvio, mas sei que não é óbvio para a maioria. Acho que é uma tendência natural do ser humano se acomodar e se deixar levar pela correnteza. De vez em quando percebo uma área ou outra da minha vida tentando entrar nesse fluxo comum, mas tenho que manter a vigilância constante, para estar sempre em movimento, sempre buscando melhorar, crescer, desenvolver, aprimorar. Tudo. Absolutamente tudo. Então, você vai me ver aprendendo coisas novas, fazendo cursos, participando de palestras, lendo, escrevendo, criando, imaginando. Permanecer em movimento é o melhor antídoto contra a sorte. E a melhor maneira de fazer as coisas darem certo. E – repito – isso vale para todas as áreas da vida.

Se eu fizer o meu melhor, resolver os problemas que aparecem, lutar para minimizar as limitações que tentam boicotar meu trabalho, meu relacionamento e meu desenvolvimento pessoal, se eu colocar toda a minha força em tudo o que eu fizer…por que raios vou precisar de sorte? A sorte, na verdade, é o nome que pessoas desatentas deram ao resultado do esforço diligente de alguns poucos que faziam o que é certo. Eles plantaram sementes de tomates e colheram tomates. Desavisados viram os tomates e os chamaram de “sorte”. Mas eles eram apenas os frutos inevitáveis do que foi plantado. A consequência natural.

 

 

PS: Durante os próximos 17 dias, eu irei escrever aqui sobre esse esforço de consertar as coisas que estão tortas na vida. Uma dessas coisas é a dificuldade que venho enfrentando de organizar melhor meu tempo e conseguir escrever diariamente no blog. Então, o desafio é quase metalinguístico…rs

PS2: Para entender o que é o tal programa de 21 dias de que eu falei, clique aqui.

Você não pode relaxar

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*Fotos: a pequena Vanessa, aos 11 e aos 13 anos.E em 2014.

Eu tinha um sério problema em minha arcada dentária. Todos os meus dentes eram separados e projetados para frente, tanto os de cima quanto os de baixo. Não era nada impossível de se resolver, não tinha dentes tortos, não precisei extrair dente nenhum. Mas, esteticamente, incomodava às outras pessoas.

Eu continuava a sorrir e a me movimentar feito um polvo (terrível fase da vida em que não sabemos onde estão nossos braços e pernas). Apesar de me achar feia, eu era um tanto quanto incapaz de ficar complexada a ponto de me fechar. Pelo menos até os 13 anos, foi assim que eu vivi.

Usei aparelho uma vez, mas, após tirá-los (aos 17), os dentes voltaram a separar. Coloquei aparelho mais duas vezes, foi um total de 7 anos, fora outros 3 com o aparelho móvel (uso contenção fixa internamente, na arcada superior e inferior, forever). O problema era que minha língua empurrava os dentes, pois eu falava errado, engolia errado…a língua era flácida, mas suficientemente forte para movimentar minha arcada dentária. A solução era fazer sessões de fonoaudiologia até resolver o problema.

Pois bem, fiz as sessões. Não tantas quanto deveria, mas o suficiente para resolver o problema. Ao menos, aparentemente. Tinha adesivos colados em meus cadernos me lembrando de fechar a boca, de colocar a língua para dentro da boca… eu vivia me policiando para que nada saísse do novo script. Eu já sabia todos os exercícios, então, poderia repeti-los em casa. A teoria, pelo menos, era ótima. E assim foi, durante algum tempo. E todo mundo sempre ficava espantado quando eu contava que antes falava igual ao Lula e que, com a fono, consegui corrigir isso. Devo ter repetido essa história por uns dez anos. Até que percebi que as pessoas ficavam com uma expressão esquisita quando eu dizia isso. Davam um sorriso amarelo e o espanto não parecia mais tão sincero.

Demorou bastante tempo até que eu fizesse um vídeo com o celular recém-comprado e percebesse o motivo: eu estava novamente falando com a língua entre os dentes! Foi um choque. Eu não fazia ideia de que aquilo pudesse acontecer. Todo o trabalho com a fono parecia ter sido jogado no lixo. Agora, minha arcada dentária estava em risco e eu teria de fazer alguma coisa (na verdade, eu já estava sentindo a pressão sobre os dentes e creio que se não fosse a contenção fixa, eles teriam separado novamente).

Não sei por que fiquei tão chocada, sinceramente. Era óbvio que isso aconteceria. O resultado não se manteria sozinho. Eu deixei de vigiar, deixei de ficar atenta ao que a minha língua estava fazendo na minha boca, deixei de fazer os exercícios para fortalecê-la…assim, aos poucos, sem que eu percebesse, tudo foi voltando a como era antes.

Da mesma maneira, qualquer mudança que quisermos que seja definitiva deve ser acompanhada, para sempre, de uma boa dose de vigilância. Inclusive -e principalmente – as mudanças em nosso comportamento. Não pense que, só porque mudou, agora pode relaxar. Não pode. Para manter sua mudança, é necessário permanecer atento. Seja um problema que você não quer mais que atrapalhe seu casamento, seja um vício de que você demorou para se livrar, sejam aqueles quilos a mais que tanto o incomodavam, seja um problema de saúde que piorava com alimentação errada. Você não pode relaxar!

Não é que você deva viver se policiando porque já teve esses problemas. A verdade é que todo mundo deveria se policiar nisso, você só tomou consciência disso por causa dos problemas que teve. Você é privilegiado. Tem a oportunidade de manter-se longe daquilo que tanto o incomodou por tanto tempo. Melhor do que não ter consciência nunca e, um dia, ser pego de surpresa por alguma dessas coisas.

Vigilância constante. Exercícios frequentes. Se eu mantiver essa rotina, certamente voltarei, em pouco tempo, a domesticar a minha língua, falando corretamente. Como pretendo gravar vídeos e podcasts, não tenho muita escolha. Se você realmente quiser fazer mais e se desenvolver, terá de se esforçar para melhorar. E manter a vigilância sobre os resultados. A história conta que Jesus estava passando um perrengue (não com essas palavras, claro). Era o dia mais complicado da vida dEle até então. Estava prestes a ser preso, torturado e morto. Resolveu ir até o Getsêmani orar. Era um lugar aberto, então disse a Pedro, Tiago e João: “A minha alma está profundamente triste até à morte. Ficai aqui e vigiai comigo.” (Mateus 26.38) Quando voltou, os três estavam dormindo! Peraí, né? Ele já havia avisado que estava para morrer, acabou de dizer que estava triste e as criaturas dormem? Ele mesmo se indignou, dizendo algo (em tradução Vanessística): “Barbaridade! Nem uma hora vocês podem vigiar comigo?” E, avisou:  “vigiai e orai, para não cairdes em tentação” (Mateus 26.41). Sem esse exercício de vigiar e orar, nossa fé fica flácida e tudo começa a dar errado. Quando você menos perceber, já caiu e está voltando a fazer tudo o que já tinha deixado de fazer.

Não sei quanto tempo fiquei falando com a língua entre os dentes sem me dar conta. Quando você deixa de vigiar, sua capacidade de percepção diminui, pois sua atenção não está mais focada naquilo. Assim, as ervas daninhas começam a crescer sem que você veja. Analise agora tudo o que você já mudou em seu comportamento e seu caráter. E veja se, realmente, as coisas ainda estão no lugar em que deveriam estar ou se algo retrocedeu sem aviso. Ainda dá tempo de corrigir e voltar ao que você deveria ser.

 

PS: Para você entender exatamente como deve manter sua atenção nas coisas, talvez valha a pena ler o post “Atenção”.

PS2: Já usei essa foto maior em outro post sobre ter sido alvo de bullying. O post é Embalagem e Conteúdo (clique para ler).