Como realmente receber atualizações das páginas que você curte no Facebook

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Você sabia que ao clicar em “Curtir” em uma página do Face você não é avisado sempre que a página postar um conteúdo novo? Estranho, não? Se a gente clica em uma página é porque quer ver todas as atualizações em nosso Feed de notícias, como se fizesse uma inscrição. No entanto, não é isso o que o Facebook faz. Só cerca de 1% (ou menos) dos fãs tem acesso ao que a página publica. Se a página quiser que mais gente veja (dentro de sua própria lista de fãs) precisa pagar ao Facebook para “impulsionar” as postagens. E mesmo se a página fizer isso, a gente não recebe todas as postagens (a menos que a pobre página pague para divulgar todos os posts).

Uma maneira do Facebook liberar acesso de mais gente a uma postagem é ela ser muito curtida, compartilhada, clicada ou comentada. Ou seja, se você interagir com o post, estará ajudando o dono da página a tornar o conteúdo mais visível a outras pessoas. Se você gosta do conteúdo (se for uma página do bem), vale a pena clicar, curtir, comentar ou compartilhar. Está ajudando a página a divulgá-lo a mais gente. Se não gosta do conteúdo (se for uma página de haters, uma página “vamos torturar criancinhas” ou algo do tipo), melhor ignorar solenemente. Quanto mais interagir, mais divulgado ele será.

Além disso, para ter certeza de que receberá as atualizações da página (que você curtiu justamente com a intenção receber atualizações), clique em “obter notificações” e “adicionar às listas de interesse”, logo abaixo do botão em que você clicou para curtir a página (a aba abre quando você clica em “curtiu”), como na imagem abaixo:

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Assim, teoricamente, você receberá as atualizações das páginas em que se inscreveu, o que, na minha opinião, faz todo o sentido do mundo. Depois de deixar bem claro ao Facebook que “oi, eu quero receber atualizações das Fan Pages que eu acompanho”, crie o hábito de dar uma olhadinha nelas pessoalmente de vez em quando – só para garantir, né?

 

 

 

PS: Meus leitores são fofos, estão acima da média da população em termos de comportamento na internet. Clicam nos links que eu coloco na página com bastante frequência (eu sou muito fã dos meus leitores, porque são pessoas que me procuram em busca do conteúdo. Eles realmente leem o que eu escrevo, querem um maior desenvolvimento pessoal, se esforçam e interagem. Eu valorizo muito esse tipo de interesse), como resultado, os posts da minha Fan Page têm um alcance muito maior do que costuma ser normal das páginas, mas, mesmo assim, beeem menor do que o número de pessoas inscritas. Meus posts que alcançam menos chegam a uns 10% do meu número de fãs (é sério, leitores, vocês são especiais) porque o comportamento deles (clicar em coisas) faz com que o Facebook entenda que tem que mostrar os posts a mais inscritos. Mas, ainda assim, se você está inscrito na minha página talvez não esteja recebendo as atualizações. E ainda que receba da minha, talvez não receba de outras que gostaria de ver. Acho que vale a informação.

PS2: Há um artigo dramático e meio alarmista do Clube do Hardware sobre isso. Clique aqui para ler. Como eu disse, acho as opiniões do autor dramáticas e alarmistas, mas vale a leitura para entender melhor os dados objetivos de como a coisa funciona, colocando de lado as opiniões dele, para planejar um pouco nosso comportamento como usuários nas páginas que gostamos.

Interpretação de texto é habilidade em extinção

Interpretação de texto é habilidade em extinção

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Eu já tinha percebido a extrema dificuldade que as pessoas têm em entender o que um texto está dizendo. Eu não sei exatamente por que o cérebro delas faz associações que não existem e deixa de fazer as que existem. Estudos sobre leitura afirmam que a interpretação depende do contexto sociocultural do leitor. Se ele tiver as mesmas informações de base de quem o escreveu, conseguirá compreender o que o escritor quis dizer. Por isso, o escritor tem de ser o mais claro possível e, de preferência, pensar em como leitores de outros contextos entenderão o que ele escreveu, para alterar o texto de modo a alcançar o maior número de pessoas (se o cidadão quiser ser lido, é claro).

No entanto, olhando alguns comentários de vídeos do Youtube (não façam isso, é masoquismo e faz a gente perder a fé na humanidade), percebi que essa dificuldade de interpretação se estende ao texto falado, também. O que é incrível. Diz a lenda que o texto oral é muito mais facilmente compreendido do que o escrito, já que existem itens de apoio como tom e modulação de voz e, no caso de vídeos, linguagem corporal, expressões faciais etc. etc. etc. Ou seja, além de tudo o que está sendo expresso com palavras, existem outras formas de expressão que nosso corpo capta. Ou deveria captar.

Por alguma razão obscura, está cada vez mais difícil alguém entender o que as pessoas querem dizer. Eu tenho minhas teorias a respeito, apoiadas em pesquisas que li recentemente, como a que as pessoas não conseguem mais manter a atenção por mais do que três minutos (exceto aqueles seres especiais que conseguem controlar seus impulsos, pois sua cabeça ainda está no controle). Sem atenção, você só entende as coisas superficialmente. Entendendo as coisas superficialmente, você capta apenas o que quer captar. Geralmente, com base em seus preconceitos e estereótipos particulares.

Vi muito isso no canal do Renato Cardoso. Um vídeo específico, a respeito do que os homens esperam das mulheres gerou um auê. Ele dizia, basicamente, para a mulher respeitar o marido e deixá-lo se sentir como o líder da equipe. O problema aqui – eu entendi na hora – foi que as pessoas que comentaram não tinham a base do contexto em que ele falava, embora fosse possível entender se elas prestassem atenção sem a presença de seus preconceitos. Já acharam que ele estava mandando a mulher ser capacho do marido e se anular para que ele fosse o tal. Porém, se tivessem prestado atenção, entenderiam que uma coisa não leva à outra. Em um relacionamento saudável, a mulher não se anula, nem vira capacho. Mas também não fica competindo com o marido como se eles fossem rivais. Fazem parte de uma equipe em que não há ninguém “mais importante” ou “menos importante”. Apenas cumprem papéis diferentes (aqui eu me lembro que é uma questão cultural brasileira ter dificuldade de entender isso. Até pouquíssimo tempo atrás, o cara que era chefe de um departamento se achava mais importante que seus subordinados. Graças a Deus, recentemente, a globalização nos trouxe nova visão do que é ser um líder – Obrigada, James Hunt! – hoje, só os chefes ultrapassados pensam assim. Uma nova geração de líderes inteligentes tem feito o país desenvolver nessa área). Mas para que entender tudo isso? Se é mais fácil colocar na caixinha “discurso machista!” e xingar?

Mas até aí tudo bem. É uma questão polêmica, um discurso cheio de argumentos lógicos e estruturados, que necessita de bastante atenção para ser corretamente interpretado e absorvido. O problema é quando você encontra o mesmo padrão de dificuldade de interpretação de texto em uma coisa aparentemente ridiculamente simples de se entender. Vou contar a história. Resolvi pesquisar se um bom produto de limpeza que já estava acabando aqui em casa ainda existe. Acabei caindo no vídeo de um comercial do Harpic Ultra Cloro Gel. O texto é bem idiota e o vídeo tem 32 míseros segundos. Segue a descrição:

Em frente a um porta-retrato em que se vê uma figura masculina vestindo uma camisa branca abotoada, uma mulher diz:

– Eu sempre sonhei com um marido bonito, alto, inteligente… (Enquanto ela diz isso, a figura se modifica: aparece uma gravata, endireita a postura, surge um jaleco e um estetoscópio.)

A narradora completa: “Você sempre sonha com o melhor”. Muda para a cena em que a mulher abre o armário de produtos de limpeza, em que se vê um sabão em pó, cloro e alguma outra coisa ilegível. A narradora continua: “Com a casa é a mesma coisa” Os três produtos se fundem em um só e a narradora vai dizendo, enquanto as cenas de limpeza se alternam. “Chegou Harpic Ultra Cloro Gel, o primeiro cloro em gel que adere até em superfícies verticais, removendo as manchas. A espuma ativa do detergente limpa melhor e deixa um cheirinho de limpeza. Afinal, você merece o melhor.”

Cena da mulher arrumadinha na cozinha, enquanto o rapaz chega com cara de “eu sou lindo”, e diz:

-Vamos?- A moça olha para a câmera e dá uma piscadinha. Some o casal e aparece apenas a embalagem do Harpic em fundo infinito.

Narradora: “Novo Harpic Ultra Cloro Gel. Mais que cloro. O cloro dos seus sonhos.”

 

Não há grande dificuldade em se interpretar esse texto, pois ele é tão simples que chega a ser simplista. O comercial só está fazendo a comparação do produto de limpeza (que, no caso, eles consideram ser o melhor) com o marido “perfeito” (tanto que diz: “você sempre quer o melhor”). A superficialidade rege todo o texto, desde dizer que “o melhor” = bonito, alto e inteligente, até dar a entender que médico = inteligente e comparar marido a produto de limpeza. Mais clichê, impossível. Porém, o que me espantou foi a “interpretação” do povo que comentou. Alguns exemplos (omiti a identidade das criaturas), com minha análise – que, obviamente, eu não coloquei lá, pois seria inútil.

A.C (mulher)- Deviam ter vergonha da publicidade que fazem! Discursinho medíocre e machista.

Concordo com a primeira parte. Deviam ter vergonha da publicidade que fazem, pois é muito inferior à qualidade do produto. (Sem contar que o gel é tão líquido que duvido que realmente adere a superfícies verticais. A menos que estejam comparando com o cloro líquido.) Sim, o discurso é medíocre. Mas não é machista! O que tem de machista em um discurso desses?

A.A (homem)- MULHERES! LIMPEM A CASA E MEREÇAM O MELHOR!!! Será que a publicidade reforça o Machismo? Comerciais assim deveriam ser denunciados!!!!!!

Sinceramente, ONDE no texto dá a entender isso? “Mulheres, limpem a casa e mereçam o melhor”?????? ONDE?

M.S. (homem) – Este comercial é preconceituoso quer dizer que só é inteligente quem é bonito,alto ..”vc sempre sonha com o melhor” quer dizer que quem tem estatura baixa não tem os outros adjetivos?!

Sim, esse comercial poderia ser considerado preconceituoso por dizer que os altos são melhores, maaaas…NÃO, esse comercial não pode ser considerado preconceituoso por dizer que só é inteligente quem é bonito, alto. Porque ele não diz isso. Vamos analisar novamente. A mulher diz:

– Eu sempre sonhei com um marido bonito, alto, inteligente…

Narradora: Você sempre sonha com o melhor.

Logo, a única coisa que conseguimos inferir desse texto é que marido bonito, alto e inteligente = melhor. Só. Não é possível dizer que só é inteligente quem é bonito. Isso seria um desvio de lógica. Bonito, alto e inteligente são qualidades do marido dos sonhos dela. Mais ou menos assim:

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Considerando o universo dos homens (conjunto A).

Dentro desse conjunto existem vários outros, tá? Cito apenas os do comercial, para explicar por que a interpretação do sr. M.S está equivocada.

Dentro do universo dos homens, existe o grupo dos altos (B), dos bonitos (C) e dos inteligentes (H). Nos pontos de intersecção existem os que fazem parte de mais de um grupo. Então, temos:

A: Homens. (Inclui B,C,D,E,F,G e H)

B: Altos (Inclui D,E e F, mas tem outros fora desses grupos, logo, são altos, mas não são nem bonitos, nem inteligentes)

C: Bonitos (Inclui D,F e G, mas tem outros fora desses grupos, logo, são bonitos, mas não são nem altos, nem inteligentes)

D: Altos e bonitos (mas não inteligentes)

F: Altos, bonitos e inteligentes (o marido Harpic). Segundo a propaganda, esse é o conjunto “MELHORES”

G: Bonitos e inteligentes (mas não altos)

H: Inteligentes (inclui E,F,G, mas tem alguns fora desses conjuntos, logo, existem inteligentes que não são altos, nem bonitos)

Quando M.S. diz “quer dizer que só é inteligente quem é bonito, alto”, ele está querendo dizer que só faz parte do conjunto H quem faz parte do conjunto B e C. O que, ao olhar o quadro acima, você percebe que não faz sentido algum.  E quando ele diz: “Você sempre sonha com o melhor’ quer dizer que quem tem estatura baixa não tem os outros adjetivos” ele está dizendo que a existência do grupo F significa que não há bonitos e inteligentes que não sejam altos. O que, se você observar a lógica que o texto apresentou (os conjuntinhos acima), vai ver que também não faz sentido algum. Provavelmente M.S. é baixinho e se sentiu pessoalmente atacado, o que fez com que reagisse emocionalmente e não conseguisse estabelecer uma lógica adequada para entender o que ouviu.

“C. (provavelmente mulher): Por que “bonito, alto e inteligente” é o melhor? Que ridículo isso, quanto MACHISMO! Chega de só mostrar mulheres destinadas aos serviços domésticos! Chega de padrões! Chega de discriminação! Esses é só mais um comercial machista entre muitos, mas nós não vamos desistir, vamos continuar lutando contra eles!”

O primeiro questionamento é legítimo. “Por que bonito, alto e inteligente é o melhor?” Sim, faz sentido. A continuação escorrega no tomate… Ela afirma que o comercial é machista e justifica sua opinião: “Chega de só mostrar mulheres destinadas aos serviços domésticos”. Vamos pensar nisso. O comercial mostra a mulher destinada aos serviços domésticos? Não, ele mostra uma mulher que tem uma casa que, como todas as outras casas do planeta Terra, precisa ser limpa. E quem limpa a casa, normalmente, é a pessoa que mora na casa. Exceto quando contrata outra pessoa para isso. Vamos para a maravilhosa terra da lógica, porque eu amo esse lugar. O comercial é de quê? Produto de limpeza. Logo, ele só pode mostrar alguém limpando a casa. Escolheram uma mulher, como a maior parte dos comerciais escolhe, pois se apoiam nas pesquisas que dizem que a mulher é a responsável pelas decisões de compra. Quem trabalha com vendas certamente já percebeu isso. Eu sou mulher, limpo minha casa, me vejo representada na propaganda e compro o produto.

Então, ela ainda se indigna: “Chega de padrões! Chega de discriminação!” No entanto, ela mesma discrimina, ao não considerar que o comercial (que NÃO mostra a mulher com roupa de faxina, nem sequer fazendo a bendita faxina. Você não sabe se foi ela que limpou a casa ou alguém que ela contratou) possa estar retratando a realidade de muitas casas por aí. E qual é o problema de eu, que sou mulher e faço serviços domésticos, ser representada em um comercial? A mulher que faz serviços domésticos não pode ser representada pela propaganda de maneira respeitosa? Isso configura machismo? Só por REPRESENTAR uma mulher fazendo serviços domésticos?

E termina com um tom de patrulhamento ideológico que foi o que a impediu de interpretar corretamente o texto.

“Esses é só mais um comercial machista entre muitos, mas nós não vamos desistir, vamos continuar lutando contra eles!”

Ela conclui, de maneira ainda mais simplista que o comercial, mostrando que esse tipo de “feminista” não entendeu ainda contra o que, exatamente, deve lutar.

Variações do mesmo tema:

F.O (homem): Comercial machista e discriminatório, só médico é inteligente? Quer dizer que o sonho da mulher é casar com um médico que lhe compre harpic para esfregar a casa. LIXO! Por um mundo melhor***

O comercial diz que inteligente = médico, mas não diz que SÓ médico é inteligente. E também não disse que é o médico que vai comprar o harpic. (De onde a criatura tirou isso?)

V. (Mulher): Claro que toda mulher sonha com o melhor: um homem branco, forte, médico e com o cloro dos seus sonhos. FALA SÉRIOOOOOOOOOO????

Primeiro, o “branco, forte, médico” ela tirou da informação visual, não do que a personagem diz. Segundo, ONDE que a propaganda diz que TODA mulher sonha com isso? Diz apenas que a personagem sonha com um homem assim e que isso é normal porque “você sempre sonha com o melhor”. Ponto. Agora, podemos questionar por que raios “melhor” significa “alto, inteligente e bonito”? Podemos. Até porque esses adjetivos são subjetivos. Cada um pode ter sua definição de “inteligente” e “bonito” – e até de “alto”. Mas se não entendermos exatamente o que o comercial quis dizer, nossa indignação se perderá nas interpretações equivocadas e nem conseguiremos questionar o que realmente estiver errado, nem conseguiremos aprender com o que estiver certo. No caso do comercial da Harpic, perde-se um bom produto de limpar o vaso sanitário. E que não vai me fazer menos mulher por isso. No caso do vídeo do Renato Cardoso, perde-se uma excelente oportunidade de ter uma vida feliz com um relacionamento no qual marido e mulher são uma equipe, e não adversários.

Para os curiosos, segue o vídeo do Renato:

 

E do Harpic:

 

PS: Sobre ler e interpretar decentemente, recomendo o excelente “Essa tal leitura analítica… Reparando algo estranho!”, da Ana Thais. Não sou a única a ficar confusa com comentários alheios…rs

 

Como lidar com um problema

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Ontem (quarta) fui surpreendida com uma crise violenta de sinusite. Na verdade, não foi bem uma surpresa. Eu já estava me sentindo um pouco estranha, com sintomas que podem ser de qualquer coisa e de nada. Quando o nariz começou a ficar trancado, eu deveria ter partido para o plano de ataque – a odiosa lavagem nasal com água e sal, que eu acho muito medieval (uma rima natural), mas funciona e me manteve longe de crises (e de antibióticos) por muito tempo. Porém, eu ignorei. No fundo, sabia o que deveria fazer, mas não fiz. Às vezes a gente acha que ignorar um problema fará com que ele desapareça, mas é uma ilusão.  Ignorar o problema faz com que ele cresça sem ser incomodado – só isso.

Aí, acordei com muita tontura, mais cansada do que no dia anterior, com dores musculares, dores nos olhos, dores nos dentes, dores, dores, dores… Por ter passado todos esses dias ignorando, fiz coisas que pioraram a situação: comi mais doces, tomei menos água e não me alimentei tão bem. Resultado: desequilíbrio eletrolitico, o que explica metade dos sintomas. Nosso corpo, como tudo em nossa vida, precisa estar em equilíbrio. Ignore um problema e o desequilíbrio se instalará.

Claro, eu estava certa por um lado. Realmente não deveria me preocupar com aqueles sintomas e ocupar minha cabeça com eles. Até porque, se tivesse feito isso, provavelmente eles cresceriam e eu começaria a pensar que era coisa pior, abrindo espaço para coisas piores. Por outro lado, não está certo ignorar. Qual é o ponto de equilibrio? Fazer alguma coisa em relação aos sintomas, mas não me ocupar com eles ou sentir alguma coisa em relação a eles. É a mesma questão com os problemas. Não perca tempo com eles, nem gaste energia sentindo que todo esforço é inútil, que a barreira é intransponível etc. Simplesmente, faça algo a respeito. E se acha que não há o que você possa fazer, eu cito duas atitudes:

 

1- Monitorar suas reações para escolher bem como reagir. – Isso, aliás, é algo que só você pode fazer.

2 – Orar. – Pode não ter braços, nem pernas, nem movimento algum do queixo para baixo, pode ser cego, surdo e mudo, mas, se você está consciente, ainda pode orar. E isso não é pouco. Isso é tudo. A oração abre portas inimagináveis. Não estou falando de uma reza decorada ou de um discurso religioso pontuado de jargões. Estou falando de uma conversa sincera e direta com o Criador de tudo. Deus nos deu seu celular pessoal. Esse celular é a oração. Sem intermediários, sem secretária. Você pode fazer muito por você e pelos outros com essa ferramenta poderosa.

 

Se você pudesse fazer alguma coisa, qualquer coisa, em relação a esse problema que está passando agora, qual seria? Faça uma lista. Pode ser algo bem esdrúxulo. Pense em tudo o que conseguir pensar a respeito, das coisas mais absurdas até as mais comuns.

E se esse seu problema fosse três vezes pior? Pense nesse problema triplamente piorado. Imagine como ela seria se fosse pior. E se você pudesse fazer qualquer coisa para resolver pelo menos uma parte dele, o que seria? Anote tudo o que vier à sua mente em relação a esse problema. Dependendo do que for, esse exercício de extrapolar pode dar bom resultado. Você ultrapassa a barreira do “problema impossível” pensando em uma versão piorada dele e consegue, dessa lista maluca, tirar algum plano de ação. A criatividade tem uma certa relação com o exagero, com romper limites e atravessar portais invisíveis. Também tem a ver com desligar os filtros do senso de ridículo e do medo do julgamento alheio e do julgamento próprio. Dentro da sua cabeça você pode ser ridículo à vontade, meu amigo. E, às vezes, até fora.

E se você não está com nenhum problema gritante, fique atento aos sinais. Assim como eu, no fundo, sabia que tinha uma crise de sinusite a caminho, você talvez saiba, no fundo, que está fraco espiritualmente. Você faz lá seus rituais religiosos, mas sabe, no fundo, que seu coração não é mais o mesmo. Ou talvez você já tenha percebido que aquela amizade que está surgindo no trabalho pode ser potencialmente perigosa para o seu casamento ou sua vida amorosa. Sua consciência avisa, ainda que bem baixinho, que você está fazendo algo errado, perigoso ou destrutivo. Você se percebe andando na beira do precipício. Lá no fundo, uma luz amarela pequenininha se acende e você tenta se convencer de que é só um vaga-lume.

Ainda dá tempo de fazer aquele troço esquisito com água e sal no nariz (metaforicamente falando. Salmoura metafórica no nariz metafórico) e se livrar da dor de cabeça que você teria depois, se não evitasse aquela crise de errite. A crise de errite é mais perigosa que a de sinusite. A sinusite pode complicar, infeccionar o olho ou atingir o cérebro e evoluir para uma meningite. Já vi gente morrer disso. Mas a errite pode infeccionar seu coração, atingir sua alma e evoluir para uma consciência cauterizada. Uma consciência que não funciona mais não produz arrependimento. E, sem a capacidade de enxergar seu erro e se arrepender, não há salvação. Favor jogar água e sal aí enquanto há tempo. Algumas coisas só se resolvem com uma boa dose de sacrifício. Não tenha receio de sacrificar. Pode arder horrores, pode ser difícil, você pode até ter a sensação de que vai se afogar e morrer, mas é melhor passar por isso rapidamente e resolver seu problema do que ficar sofrendo no longo prazo ou – pior – achar que não precisa mais de ajuda.

PS: Para quem tem curiosidade, procure “lavagem água e sal sinusite” no youtube e veja… Alguns vídeos mostram a pessoa fazendo a medievalice na maior tranquilidade, como se não incomodasse nada. Depois de muito treino isso até acontece, mas no começo, eu sempre molhava tudo e meio que me afogava no copo d’água (ok, ainda faço isso às vezes….hahaha)

 

Você escolhe o tempo inteiro

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Durante um longo período de nossa vida (na de alguns, mais longo que na de outros) somos empurrados pela correnteza, levados a acreditar que alguma coisa parecida com sorte ou destino deve definir o que vai acontecer. O acaso se desdobra em outras dezenas de acasos e, de alguma forma, esperamos que Deus orquestre nossos acasos e os transforme em alguma música que gostemos de ouvir. No entanto, o que não percebemos é que cada acorde do que chamamos de “acaso” é, na verdade, fruto de nossas próprias escolhas.

Tudo, absolutamente tudo, da hora em que você acorda até a hora em que vai dormir, é escolha sua. Se vai ou não ler aquele e-mail, se vai ou não entrar naquele site, se vai ou não acessar aquele perfil e ler sobre aquela pessoa, se vai ou não ligar a televisão e entregar àquela emissora o poder de decidir o que você vai ver, como vai interpretar aquele tema e o que vai sentir a respeito (as notícias são montadas para causar determinada reação em você). Se vai ou não atender àquele telefonema (sim, você tem escolha), se vai ou não fazer aquele telefonema, se vai ou não fumar aquele cigarro, se vai ou não aceitar aquele convite, se vai ou não dizer aquela ofensa, se vai ou não oferecer aquele sorriso, se vai ou não dar aquele beijo, o que vai beber, o que vai comer, como vai enxergar determinado problema e qual reação vai ter a determinada situação. Escolhas, pequenas ou grandes, estão à nossa disposição diariamente. Nos servimos delas e pagamos o preço.

No entanto, não o pagamos sozinhos. Nenhum de nós, por mais isolado que seja, colhe sozinho os frutos de suas próprias escolhas. Estamos todos, de certa maneira, conectados. E, assim, não temos como saber qual impacto nossas decisões podem ter naqueles que nos cercam. E, se temos pessoas próximas a nós, cujas vidas estão, de alguma forma, envolvidas com a nossa – parentes, amigos, pais, filhos, funcionários, discípulos, equipe, seguidores -, cada pequena escolha pode se desdobrar em consequências imprevisíveis para essas pessoas, também. Por isso, Salomão, quando assumiu o trono de Israel, percebeu a necessidade de sabedoria. Ele era jovem e inexperiente e estava assumindo a responsabilidade por uma nação inteira.

Parece incrível que, diante do convite do Todo-Poderoso: “Pede-Me o que queres que Eu te dê”, tendo infinitas opções a escolher, o cara responda que quer sabedoria. Mas, se você parar pra pensar nas milhares de escolhas que faz por dia, no impacto que isso tem sobre a vida de seus filhos, de seus amigos, seus pais, seus subordinados, sobre a sua vida, seu futuro…se parar pra pensar no preço de cada uma dessas escolhas, em infinitas possibilidades que você sequer conseguiria conceber, o incrível é que não façamos esse pedido todos os dias. Sem sabedoria, como poderemos ter certeza de que estamos fazendo a melhor escolha?

Pare de se enganar, acreditando que é um mero espectador da sua vida e assuma o seu papel. Tenha consciência dessas pequenas decisões diárias e busque sabedoria para fazê-las bem. Não delegue a outras pessoas as escolhas sobre sua vida, pois não será possível responsabilizar ninguém por elas no futuro. É ilusão procurar culpados ou tentar transferir as consequências. Peça sabedoria ao Único que pode lhe orientar. Saiba, porém, que Ele orienta, mas não faz as escolhas por nós. A escolha de ouvir e obedecer também é totalmente nossa.

Uma amiga no momento mais difícil

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Acho que não falei ainda sobre o que a Terapia do Amor tem feito por mim nos últimos meses. Primeiro, deixa eu explicar o que raios é essa “Terapia do Amor”. Embora o nome possa sugerir isso, não é uma terapia de casal. Nem tem terapeuta, aquele cara que fica anotando coisinhas no prontuário enquanto você fala sem parar em um consultório. Se você quiser aconselhamento, é possível (e gratuito) conversar com um conselheiro, mas não é obrigatório. Eu, por exemplo, nunca conversei. Procuro chegar bem cedo para sentar lá na primeira fileira (para manter atenção total) e fico quietinha, escrevendo ou lendo até começar.

Quando essas palestras específicas para a vida amorosa começaram a ser feitas no Templo de Salomão pelo Renato e pela Cris, eu estava em um momento bem complicado da minha existência. Meu marido decidiu fazer uma cirurgia importante que ele estava adiando há muitos anos. A experiência no hospital foi muito desgastante (ainda preciso escrever a respeito, com mais detalhes), emocional e fisicamente. Foram 15 dias intensos e saímos de lá já sabendo que teríamos um período lento de recuperação pela frente.

Quando voltamos para casa, eu já estava com três projetos importantes atrasados e amontoados. E não tinha nenhuma amiga por perto, porque…bem, nosso ritmo de vida acabava favorecendo o isolamento. Sei que não posso colher o que não plantei, logo, não dava para sair pedindo a amizade de ninguém naquele momento. E eu não podia buscar conforto nas palavras do Davison, porque ele precisava de mim. Ele precisava que eu estivesse forte. Ele precisava que minha fé estivesse em alta e eu não entendia por que ela parecia drenada ao final do dia, mesmo buscando a Deus. Então, veio a Terapia do Amor no Templo de Salomão. Confesso que fiquei “meio assim” de ir sem o meu marido. Mas não durou muito, porque, por favor, né? Eu não poderia perder a oportunidade. Eu tinha que ir lá e pegar o Espírito para a gente. Então, fui.

Eram 7 semanas da transformação da água para o vinho e desde a primeira quinta-feira, a transformação já começou dentro de mim. Eu achava que não tinha problemas de relacionamento, mas tinha, sim. Só que não com meu marido, mas comigo mesma. Eu era muito mais exigente comigo do que jamais fui com qualquer outra pessoa. Se você, que me conhece, acha que eu já fui exigente com você, multiplique por dez e terá uma vaga ideia de como eu era comigo. Naquela semana, por causa da Terapia, fiz uma lista das coisas que queria mudar. Eu queria ser menos exigente comigo, mas sem pender para o lado da autocomplacência. Não queria ser daquelas pessoas que acham que nunca erram e que perdoam (ou justificam) todas as bobagens que fazem sem aprender nada com isso, ou que se poupam ao extremo e acabam perdendo a chance de fazer mais do que a maioria. Eu gosto de forçar para ir além das minhas limitações, gosto, mesmo. Mas tinha que fazer isso de uma forma mentalmente saudável. Só não sabia como, mas pedi a Deus diariamente para me ajudar.

Então, naquela mesma semana, li uma frase em um livro da Lucy Beresford: “Converse consigo mesmo de maneira amorosa, respeitosa e solidária”. Porque eu já estava naquela “vibe” de achar uma maneira de me tornar menos exigente, as fichas todas caíram com apenas uma frase. Se o livro inteiro tivesse só essa frase, já teria sido suficiente. Era a resposta que eu procurava.

Percebi que a amiga de quem eu estava sentindo falta não estava do lado de fora, mas, de dentro.  Qualquer pessoa que me contar um problema que está passando, nunca vai ouvir de mim uma palavra negativa. Pelo contrário. A palavra que sai da minha boca é  de fé, de força, para cima. “Você pode, você consegue, vai dar certo”, etc. No entanto, para mim, eu dizia coisas terríveis. Exigia tudo de mim, mas não me dava nada. Nenhuma palavra de incentivo, nenhum gesto de afeto. Nada.

Dizia para mim coisas que eu nunca teria coragem de dizer a ninguém, do tipo me torturar quando atrasava algum projeto (detesto atrasar coisas e quem acompanhou meus anos de 2013 e 2014 pode imaginar quantas vezes me torturei) ou me chamar de burra ao cometer um erro por desatenção. Eu me sentiria uma monstra se dissesse a uma funcionária minha: “você é muito burra!” Nem consigo imaginar uma situação assim. Então, por que cargas d’água falava aquelas coisas para mim? Era como se eu não estivesse me considerando uma pessoa.

Comecei a falar comigo como se falasse com outra pessoa. Eu era minha mais nova amiga, minha funcionária, minha colega de trabalho, alguém que eu queria incentivar a crescer, alguém que eu queria aprender a admirar. Fui relevando os erros releváveis e vi que essa Vanessa errava, sim, mas queria muito acertar. Ela tinha uma vontade imensa de acertar, de fazer melhor, de ajudar. Assim como eu sempre gostei da companhia dela no cinema, na livraria e no happy hour, agora estava começando a gostar da companhia dela no trabalho, acreditando mais nela e me esforçando para enxergá-la como Deus a vê. E, a cada quinta-feira, ganhava mais uma ferramenta para me ajudar nesse novo relacionamento. Estava reconstruindo uma ponte quebrada, mas ela ficaria mais forte do que nunca.

No dia da Festa dos Tabernáculos, eu, finalmente, enterrei de vez a torturadora. Ainda estou nesse processo de construir hábitos mais saudáveis no meu relacionamento comigo mesma, mas se não fosse o que aprendi desde que comecei a ir à Terapia, em agosto, eu não teria conseguido atravessar o momento mais difícil deste ano, em que me senti mais sozinha e mais frágil. Não teria conseguido ajudar o meu marido no momento em que ele mais precisava de mim, quando ele se sentiu mais fragilizado, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Eu me esforcei para não transmitir a ele a guerra que estava enfrentando dentro de mim, e, graças a Deus, consegui.

Tentava lutar para manter minha fé em alta, mas me boicotava com a generalzinha na minha cabeça, dizendo que eu não estava fazendo nada direito. Não podia contar com o apoio do meu marido e enchia a paciência eterna de Deus diariamente, até que Ele me mostrou que isso era algo que eu precisava fazer por mim. E só eu poderia fazer. Minha fé só se manteve forte e nos ajudou a encarar os novos desafios porque aprendi a contar com minha amizade (e parei de me sabotar).

Você pode ser uma excelente pessoa, que se preocupa com os outros, que adora ajudar outras pessoas, que resgata gatinhos na rua, que ama conversar com velhinhos e cuidar de crianças, que dificilmente faz alguma coisa pensando em si mesma, que tem muito senso de humor e é bastante positiva, que detesta injustiça e tem o desejo de agradar a Deus, mas, se não falar consigo mesma com respeito, amor e consideração, se não for para si mesma a amiga que você gostaria de ter nos momentos mais difíceis, nos momentos em que você mais precisa de força, não vai adiantar nada. Olhe para dentro de você. Pode ser que, assim como eu, você ainda não tenha se dado conta do quanto tem sido monstrinho consigo mesmo. Tem gente que o diabo nem precisa se esforçar para colocar pra baixo, ela mesma faz isso, com seus próprios pensamentos. É muito legal e saudável buscar a excelência em tudo o que faz, mas não se esqueça de que se amar faz parte de ser excelente. E você tanto gera e fortalece quanto mostra seu amor próprio com atitudes de respeito e consideração para com você mesmo.

Tem sido muito legal poder contar com essa amiga. Meu relacionamento com meu marido saiu ganhando, meu relacionamento com Deus também melhorou, o nível de energia aumentou, assim como minha força interior. Percebi que se eu não der para mim mesma aquilo de que preciso emocionalmente, não tenho o direito de esperar isso de ninguém.

 

PS: Quinta, no início da Terapia, Renato e Cris falaram sobre o relacionamento que devemos ter conosco. E na sexta-feira ele postou o texto “O seu relacionamento com você”, que fala exatamente sobre isso (recomendo MUITO a leitura).