Quando água se move sob seus pés

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No começo, foi como se eu tivesse perdido o controle do mundo. De repente, ele começou a girar de forma acelerada, em outra rotação, e tentei fazê-lo parar para eu descer, mas foi inútil. Então, resolvi tentar me adaptar. Talvez se eu tivesse aprendido a surfar, teria sido mais fácil. Manter-se em pé em cima de uma onda louca feita de água, que tenta se erguer e atirar seu corpinho minúsculo contra uma pedra qualquer. É mais ou menos o que a gente faz nesses períodos mais doidos da vida. É um desafio e você tem de ser firme, mas flexível. Nem tudo vai sair do jeito que você quer, mas sua obrigação é fazer o melhor que pode. O seu melhor talvez não seja o que você idealizou, mas o importante é que seja excelente. O melhor que consegue fazer naquele momento. Você pode aprender a fazer as coisas de uma maneira diferente por causa da dificuldade. Pode aprender que a forma do seu colega fazer um determinado trabalho (e que talvez não seja a maneira que você considera a melhor/mais perfeita/que você faria) tem suas qualidades (e talvez seja até mais eficiente do que a que você achava perfeita…).

Pode aprender tanta coisa se parar com essa mania idiota de querer ter o controle do universo. Não se deixe levar pela correnteza, mas não sofra por cada onda que não conseguir controlar. Lembre-se de que pode contar com a ajuda de Quem anda sobre as águas, acalma as ondas e, se a coisa fica muito complicada, abre um caminho impossível no meio do mar. Se sua confiança está em Quem sabe o que está fazendo, é muito mais fácil se manter de pé em qualquer onda. Ao parar de reclamar ou de sofrer por não ter o mapa do deserto, você aprende a tirar proveito até das dificuldades. O que antes era uma muralha à sua frente se torna uma parede ao seu lado, para delimitar o caminho e ajudá-lo a não se desviar.