Formatura no Godllywood este sábado

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Neste sábado, teremos um evento só para mulheres no Templo de Salomão: a formatura (minha e de muitas outras meninas) no Godllywood. Para quem não sabe, o Godllywood é um grupo fechado, só para mulheres, e que tem o objetivo de ajudar no crescimento pessoal e espiritual.

Não é fácil entrar, o processo seletivo (chamado Rush) dura seis meses. Por isso, amanhã será um dia de celebração. Porém, eu não vejo esse evento como uma formatura comum, em que as pessoas se parabenizam pelo fim de um ciclo e se acham importantes por ganharem um diploma. Pelo contrário. Para mim, é um momento solene em que encaro uma imensa responsabilidade.

Essa reunião marca meu ingresso oficial no Godllywood, depois de anos brigando comigo mesma e não me sentindo à altura desse desafio. Sempre admirei o grupo e quem fazia parte dele, mas achava que não tinha nascido com o aplicativo de feminilidade que as meninas do grupo tinham.

Elas pareciam tão meiguinhas, doces, fofas e organizadas… E eu, uma criatura estabanada, que não sabe falar sem fazer careta…ia me sentir uma ogra no meio das outras rs. Sem contar que eu achava que não teria tempo e que me enrolaria toda nas tarefas mensais, não queria me comprometer com mais nada (porque eu já faço um milhão de coisas ao mesmo tempo!).

Então, ano passado percebi que era tudo desculpa esfarrapada. Se queremos melhorar, a resistência não faz o menor sentido. O que eu tinha a perder entrando no grupo? De que eu tinha medo? De falhar e ter a confirmação de que minhas crenças negativas a meu respeito estavam certas? Sacrificar o preconceito que eu tinha contra mim mesma foi o primeiro passo.

E os seis meses de Rush exigiram um esforço enorme para lutar contra os pensamentos que me diziam que eu não ia conseguir, que era melhor desistir, que o Godllywood não era para mim e que eu estava querendo dar um passo maior que a perna. Esses pensamentos vêm para todo mundo. Aprendi a ignorá-los e terminei o Rush muito mais forte e vacinada contra eles. Porque a cada mês, a cada tarefa cumprida, eu tinha a confirmação de que aqueles pensamentos estavam querendo me enganar. Era a voz do ladrão tentando roubar minha autoconfiança.

Comecei 2015 aprendendo a ser minha amiga e chego ao final do ano aprendendo mais sobre meu próprio valor. Cada ano tem sido de desenvolvimento, crescimento, fortalecimento e descobertas. Isso pode acontecer com você, também. Convido todas as mulheres à reunião deste sábado à noite no Templo de Salomão. Começa às 19h (chegue cedo) e a entrada é gratuita.

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PS: A palestra das mulheres será transmitida para todo o Brasil. Clique aqui para saber mais.

PS: Homens, não se sintam desprezados. Haverá uma reunião exclusiva para homens no próximo sábado, dia 7, no Templo de Salomão (Av. Celso Garcia, 605) às 10h. E será transmitido para vários outros estados. Clique aqui para saber mais.

PS2: Foi aqui que tudo começou, no final do ano passado: Uma amiga no momento mais difícil – Lembram desse post?

O que aconteceu de bom?

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Notícia ruim vende. Desgraça dá audiência (e audiência traz dinheiro). O mundo atual, movido pelo dinheiro, supervaloriza a tristeza, a tragédia e o caos. O problema é que, a partir do momento em que nos permitimos mergulhar nessa atmosfera de tensão e horror, transformamos nossas mentes em geradores de negatividade.

Já ouviu a expressão “você é o que você come”? Somos aquilo de que nos alimentamos. Se alimentamos nossa mente com coisas negativas, é com olhos negativos que vamos ver o mundo e interpretar as situações que nos cercam.

Você passa a se focar mais naquilo que não está bom na sua vida. Só enxerga aquilo que não tem. Só consegue perceber o que falta, o que não pode, o que não dá. Até conquista alguma coisa, recebe uma resposta de Deus, mas, pouco tempo depois, está lá, afundado na mesma lama, por dar ouvidos às vozes de negatividade e dúvida.

Como interromper esse ciclo de terror? A primeira sugestão que eu dou é: mude sua dieta mental. Fuja de notícia ruim. Não aceite participar de conversas negativas. A segunda sugestão é um desafio que tenho feito a mim mesma: faça uma lista das coisas que você fez. Vou explicar.

Costumo anotar na agenda, antes de dormir, tudo o que preciso fazer no dia seguinte. De manhã, leio a lista de afazeres e risco os itens conforme for completando. No entanto, eu não tenho uma rotina fechadinha. Às vezes tudo fica emaranhado, afazeres alienígenas pousam suas naves espaciais e uma guerra interplanetária acontece. Aí, tenho que repetir a lista no dia seguinte. Ver itens repetidos é desmotivador. Terminava o dia exausta e com a sensação de não ter feito quase nada.

Então, além dessa, adotei outra estratégia. No final do dia, escrevo no papel todas as coisas boas e úteis que fiz. Da primeira vez que fiz isso, me assustei, pois enchi uma página inteira da agenda com as atividades do dia e fiquei supermotivada. Tenho vontade de fazer mais e encher mais linhas no dia seguinte (começo a competir comigo mesma rs). Nem eu sabia que era tão produtiva.

Então, estendo o desafio: Sugiro que anote (anote, mesmo. Papel e caneta. Tem uma agenda? Melhor ainda!) no final de cada dia tudo o que fez e tudo o que aconteceu de bom (inclusive o que aprendeu, viu ou leu de bom). Faça isso por, pelo menos, um mês. Sem perceber, você vai treinar seu cérebro a procurar coisas positivas e a encontrar formas de fazer mais. A ansiedade vai diminuir, a motivação aumentará, assim como a energia diária.

Coloque seu foco no que é bom, positivo e útil e toda a sua forma de enxergar o mundo irá mudar. Aproveite que estamos no final da semana e pare um pouquinho agora mesmo para pensar nas coisas que fez esta semana e nas coisas legais e positivas que aconteceram. Faça um esforço e anote até mesmo as que parecerem minimamente positivas. Depois, me diga o que percebeu do seu balanço da semana. Essa será sua nova dieta para desintoxicar seus olhos e sua mente. Falaremos mais sobre isso depois, mas, por agora, esse é o seu desafio. Faça isso todos os dias e irá se surpreender.

 

 

Você checa seu celular tantas vezes assim?

Não sei vocês, mas eu achei esses dados assustadores: Uma pesquisa feita pela Deloitte aponta que o brasileiro olha seu smartphone, em média, inacreditáveis 78 vezes por dia.

As mulheres, 89 vezes. Os homens, 69. Jovens de 18 a 24 anos olham, em média, 101 vezes por dia, duas vezes mais que as pessoas entre 45 e 55 anos. A pesquisa ainda mostrou que 57% checam o celular nos primeiros cinco minutos depois de acordarem (sem contar quem olha o aparelho apenas para desligar o despertador).

Ao ver esses dados, me lembrei de um rapaz que contou que sua esposa passa o dia inteiro no celular a ponto de isso estar prejudicando seriamente o relacionamento. Ele já reclamou, já falou, mas ela reage agressivamente, como se tivesse o direito de passar o dia colada ao aparelho ignorando o marido. Desculpe avisar, ninguém tem. A criatura está em um estado zumbi, tão desprovida de cognição que não percebe o casamento escorrer pelos seus dedos enquanto segura o smartphone. Um excelente marido que não terá paciência para sempre.

As pessoas andam tão dependentes de seus gadgets que não percebem a escravidão. Não se dão conta de que suas vidas estão sendo roubadas, suas mentes estão sendo roubadas e seu tempo está sendo roubado. Estão perdendo muito, sem sequer notarem. Quando abrirem os olhos, talvez culpem o azar, talvez culpem os outros. Mas, sem estarem acordados, jamais perceberão o próprio erro.

O maior problema dessa escravidão é que ela dá a ilusória sensação de liberdade, de controle. O excesso de informação e as distrações são dois entorpecentes. Enquanto está sob os efeitos desses tóxicos, você não sente a dor, você se desliga dos seus problemas. Você se sente importante (veja quantas curtidas! Quantos seguidores! Quantos concordando, quantos discordando…). Você se sente amado.

Você cria uma vida para consumo externo. As viagens são todas ótimas. Todos os dias são lindos. A vida fica mais bonita com um filtro. Mais dramática. Mais alegre. Você está sempre dando a volta por cima, sempre forte, sempre rindo. Sempre cercado de amigos. Sempre conversando. Como convencer uma pessoa assim a desligar o celular e encarar sua vida vazia?

Smartphones e tablets foram feitos para sugar seu cérebro e o deixar escravizado à rede. O recurso de saber se sua mensagem foi ou não visualizada o obriga a responder e a se manter na conversa, a se manter disponível mesmo quando você não está. Se cair nessa, é um poço sem fundo.

O segredo – que não é segredo algum – é tomar as rédeas da situação e colocar as coisas em seus devidos lugares: a tecnologia é uma excelente ferramenta, mas quem tem de estar no controle é você. Caso contrário, a tecnologia será um meio e você será a ferramenta a ser manipulada por quem realmente está no controle da coisa toda.

E se perceber que sua vida sem internet é vazia e sem graça, e que você acaba fugindo para o mundo virtual sempre que precisa enfrentá-la, pare agora mesmo. Pare tudo. Encare sua realidade e assuma o compromisso de mudar. Identifique o problema e trabalhe por sua libertação. Sacrifique o que for preciso para isso. Está ao alcance das suas mãos.

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PS: Eu tenho uma teoria sobre onde isso tudo vai parar. E ela me convenceu tanto que faz parte da história de um dos livros que eu estou preparando (e que – prometo – ficarão prontos antes de Jesus voltar rs), uma ficção ambientada em um futuro próximo.

Tradição, hospitalidade e sonegação de impostos

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Em setembro, o jornal italiano Il Fatto Quotidiano denunciou: um número considerável de conventos e monastérios da igreja católica que funcionam como hotéis sonegam milhões de Euros em impostos na Itália. A reportagem descreve esses hotéis como uma mistura bizarra de hotel de luxo, freiras e imagens religiosas. O ambiente favorece a valorização dos locais como uma opção de hospedagem com apelo histórico.

Domus Sessoriana, por exemplo, era um mosteiro do século 10, anexo à Basilica di Sante Croce in Gerusalemme. Hoje, um hotel cuja diária chega a custar 140 euros (cerca de seiscentos reais), tem wi-fi, ar condicionado, lavanderia, restaurante, piscina… No site do hotel, o ambiente é vendido como um dos maiores atrativos do local: “Única em seu gênero, concilia o charme da história que a atravessa com a funcionalidade de um hotel. Venha se envolver nesta atmosfera sugestiva!” — convida a propaganda.

Enquanto se aproveitam da estrutura religiosa para cobrar valores de mercado, em concorrência desleal com outros hotéis (que não contam com edifícios medievais como atrativo), esses estabelecimentos se declaram ao governo como “abrigos sem fins lucrativos” para se isentarem de impostos. Um “abrigo sem fins lucrativos” que cobra seiscentos reais por noite…imagina se tivesse fins lucrativos! O rombo nos cofres públicos chega a 800 milhões de euros ao ano (algo em torno de 3,4 bilhões de reais).

Questionado durante entrevista à rádio portuguesa Renascença, o Papa deu uma resposta bem política. Disse que às vezes “a tentação do deus dinheiro” pode falar mais alto. Segundo ele, não há problema em um convento funcionar como hotel “desde que pague imposto, caso contrário, o negócio não é limpo”. O comentário de um leitor do jornal Il Fatto Quotidiano resume meu pensamento ao ler a declaração do Papa: “então, por coerência, pague!”. Mas, obviamente, até agora ninguém pagou nada.

Há menos de dois anos, o mundo estava chocado com as denúncias do vatileaks, documentos que escancararam o que havia de mais podre dentro do Vaticano: disputa de poder, corrupção, conspirações e denúncias de lavagem de dinheiro — inclusive da máfia. Difícil acreditar que haja, realmente, interesse em negócios limpos. Os escândalos que culminaram com a renúncia de Joseph Ratzinger e com a eleição de Jorge Bergoglio para o papado foram convenientemente abafados pelo esforço midiático de marketing em torno do novo papa. Porém, de vez em quando temos esses vislumbres da realidade: o Vaticano continua o mesmo.

Dica para produzir conteúdo decente

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Eis algo que, infelizmente, anda em falta até entre jornalistas: apuração. O que mais se vê hoje em dia é jornalismo-preguiça, que acredita na primeira fonte que vê pela frente e publica primeiro, para pesquisar depois. Sempre que resolver escrever sobre um assunto, pesquise.

Mas não confie em apenas uma fonte, pesquise mais. Existem milhões de opiniões sobre cada coisa neste mundo. Existem inúmeras linhas de pesquisa sobre o mesmo assunto, umas mais consistentes que outras. Há poucos consensos no mundo.

Leia, tente se inteirar bem sobre o assunto, entenda aquilo que vai dizer e saiba adequar a pesquisa à mensagem que você quer passar. Ao pesquisar, talvez a pauta até mude ou você encontre material para mais textos. Seja como for, o importante é passar os dados da maneira mais correta possível para o leitor.

Seja muito curioso e até um pouco chato. Cheque datas, nomes, citações e locais. Se for citar uma música, um versículo, uma expressão em outro idioma, uma frase famosa ou qualquer coisa que você conheça de cor, não confie em sua memória. Jogue no Google. Não custa nada.

E — óbvio — não use textos dos outros como se fossem seus (nem sequer um trecho), é desonestidade intelectual. Se for citar algo escrito por outra pessoa, coloque entre aspas e dê os créditos. Coloque o nome do autor e o link de onde você tirou aquela citação. Seja ético.

Se você está falando sobre um assunto polêmico ou se um hater surgir pelo seu caminho, pode ter certeza de que ele vai checar todas as informações, procurando um furo para usar contra você no tribunal (ou na caixa de comentários). Antecipe-se a ele. Seja seu próprio hater buscando furos. Tape os buracos.

Se vai usar uma palavra que não conhece muito bem, não confie no que ela parece significar para você. Você não a conhece direito. Vá buscar informações a respeito. Fale com o pai dela. Consulte um dicionário.

Não confie em matérias de jornais ou de revistas. Pesquise. Verifique tudo o que puder. Pode ser que você erre em um texto ou outro, ninguém é perfeito. Mas, pelo menos, vai saber que fez o seu melhor.

Os atrasildos do Enem e as prioridades

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Foto: R7

Como acontece em absolutamente todos os anos, estudantes perderam a prova do Enem por atraso. Alguns colocaram a culpa no ônibus, outros, no trânsito e até na falta de orientação sobre o local da prova.

Não entra na minha cabeça que alguém se atrase para uma coisa que considere extremamente importante. O ideal é se programar para chegar com pelo menos uma hora de folga. Assim, se acontecer algum imprevisto e você se atrasar, ainda chegará antes. No entanto, nem todo mundo consegue entender isso. Provavelmente porque chegar uma hora antes significa que você vai ter de sacrificar uma hora da sua vida em que não poderá fazer mais nada. Mas o sacrifício faz parte da jornada de quem quer alguma coisa importante na vida.

Uma moça em São Paulo foi fazer compras na 25 de março e não encontrou lugar para estacionar a tempo. Outra esqueceu a caneta e não voltou a tempo para o local de prova. A mesma coisa aconteceu com a garota que esqueceu o documento no carro e, quando voltou para pegar, os portões se fecharam. Um casal no Piauí foi comer um pastel antes da prova e chegou com 15 minutos de atraso.

Incrível como as pessoas vivem no piloto automático e não sabem estabelecer prioridades. O Enem é a oportunidade para entrar na universidade e crescer na vida, certo? Isso parece algo bastante importante. Ele acontece apenas uma vez por ano, o que aumenta ainda mais sua importância. Se perder o deste ano, só ano que vem. Então, essa prova vale, no mínimo, um ano da sua vida. Aí você vai e troca por um pastel. Um ano da sua vida e o ingresso na faculdade por um pastel!!!! Ou por compras na 25 de março, coisas que podem ser feitas em qualquer um dos outros dias do ano…

O engraçado é que quando é para um show, para um jogo ou evento a que esses jovens queiram muito ir, eles não poupam esforços. É comum ver barracas montadas dias antes desses eventos. Quando o Backstreet Boys veio ao Brasil fazer um show este ano, teve quem aguardasse 36 horas em uma fila para não correr o risco de ficar atrás. Para o show da Katy Perry, foi pior: mais de vinte dias antes do show, os jovens já estavam com barracas montadas, se revezando em vigília, esperando o grande dia.

Há quem abandone emprego, há quem perca namoro, há quem abra mão de viagens. Sacrificam o que for preciso pelo que desejam. E é isso o que determina o que é importante: o quanto estamos dispostos a sacrificar para ter.

Muitos estão vivendo sem noção de prioridades. Jogam fora tempo precioso com coisas inúteis, preocupações, picuinhas, os pasteis e as 25 de março. Não percebem que, na vida, todos nós estamos participando de um processo seletivo muito maior, que exige sacrifício diário e muito foco. E, nesse processo seletivo, se você se descuidar e chegar atrasado, vai perder muito mais do que um ano de esforço.

Os estudantes atrasildos perderam a prova do Enem. Mas ano que vem terão uma nova chance e poderão fazer certo. Porém, as reportagens sobre os atrasos e o desespero daqueles que não entraram porque eles mesmos não sacrificaram o suficiente me fizeram lembrar da história das virgens néscias, que não se prepararam para o momento mais importante de suas vidas. E perderam a chance da eternidade.

As escolhas que você faz é que mostram o que realmente é importante. Pense no que você quer. Olhe o que está fazendo por isso hoje. Quais sacrifícios precisa fazer para viabilizar o que você quer? O que pode antecipar? O que realmente for prioridade irá guiar suas escolhas.

A lição do furacão Patricia

 

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Ontem convocamos uma corrente de oração pelo povo do México por causa da ameaça do pior furacão da História. O Patricia, que começou como uma tempestade tropical e, em menos de 24 horas, escalou ao posto de furacão grau 5, perdeu força no início da madrugada (hora em que começamos a orar) e foi novamente rebaixado ao posto de tempestade tropical, do qual nunca deveria ter saído.

Claro que a primeira coisa que eu pensei quando soube disso foi: “não tem como ser coincidência”. E não tem como, mesmo. Ontem eu disse que a oração é um recurso muito poderoso — e subutilizado. Se você soubesse o poder que tem nas mãos, por meio da sua fé, sua vida seria bem diferente.

Quantas vezes você não viu isso? Um problema que começou pequeno de repente se torna um monstro potencialmente destruidor. Nesse momento, a pessoa tem duas alternativas:

1 – Reação emocional. — Se desespera, se entrega à ansiedade, à depressão, tem um troço qualquer. Toma atitudes impensadas. Sai de casa. Se descontrola. Pega um empréstimo com o agiota. Culpa Deus. Se mata. Mata a família.

2 – Reação da fé. — Entrega a situação a Deus, pede uma direção a Ele e confia. Mantém a certeza de que há uma saída e que Deus vai agir. Consegue manter a cabeça fria para tomar decisões com o raciocínio ligado. Assume as responsabilidades e, sabendo que Deus está no comando, se recusa a desistir e se recusa a embarcar no desespero.

A primeira alternativa é a que traz destruição e faz com que um problema temporário (e não há UM problema que passemos neste mundo que não seja temporário) se transforme em uma catástrofe sem retorno.

A segunda alternativa é a que transforma um furacão em tempestade e transforma a tempestade em calmaria. Essa é a que permite que a gente saia mais forte de situações horrorosas — e com uma história de superação para contar.

Pode até parecer difícil optar pela segunda alternativa em um momento de decisão, mas, na verdade, não é. Quando você entende que é a única forma de conseguir um resultado decente, você sacrifica o que for preciso (inclusive o seu medo e seu impulso de se descontrolar e dar piti) para fazer a escolha certa.

Isso me lembra de outra tempestade:

“E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia. [Nota da Vanessa: ou seja, um problemão ficando cada vez pior] E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-No, dizendo-Lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos? [NdV: discípulos dando chiliquinho “o Senhor não está vendo que vamos morrer?” Não raciocinaram, né? Se Ele os chamou para uma missão que ainda não tinham terminado de cumprir, como morreriam? Ele estava ali no barco, como assim estavam perecendo? Mas quem olha para as circunstâncias só vê as circunstâncias…]

E Ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te.  [NdV: Ele falou com o mar. Ele repreendeu o vento. Como disse J.Edington no livro “50 tons para o sucesso”, tudo tem ouvidos para a fé] E o vento se aquietou, e houve grande bonança.
E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? [NdV: Aqui Ele explica…vocês estavam se desesperando à toa, por timidez. Tenham coragem e coloquem sua fé em prática para saírem das encrencas]

E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este, que até o vento e o mar Lhe obedecem?” [NdV: amiguinhos não entenderam nada. Se soubessem quem Ele era, não teriam tido medo, para começar. E saberiam que, por meio da fé, nada é impossível. O vento e o mar obedeceriam a eles também, se tivessem usado a fé. Esse foi o puxão de orelha que Jesus deu e que vale para todas as vezes em que nos deixamos levar pelo medo.]

Marcos 4:37-41

PS: Me perdoem pelo título com eco. Sério, isso me incomoda horrores. Vou escrever sobre isso, para que vocês se incomodem junto comigo rs. 😛

O pior furacão da História e o que podemos fazer

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Em menos de 24 horas, o Patrícia foi do posto de tempestade tropical ao cargo de pior furacão da História. A previsão é de que o furacão atinja 400 km/h, gere chuvas torrenciais e espalhe destruição pelo México. Especialistas se surpreenderam com a evolução da tempestade. A essa altura, não dá para ter ideia exata do que irá acontecer, mas com tão pouco tempo para se preparar (e como é que se prepara pra um furacão desses?), a probabilidade é de morte e destruição em massa.

Organizações com tanto dinheiro, tanta tecnologia, governos com tanto poder…e, neste momento, ninguém pode fazer nada. Apenas monitorar e esperar para lidar com os resultados depois que o furacão for embora.

Nessas horas é que percebemos a fragilidade de nossa estrutura. Não apenas da vida, mas de toda a estrutura que permite a sobrevivência da sociedade. Toda ciência, todos os especialistas e especialidades, toda sabedoria, toda cultura, todas as interações sociais. Em questão de horas, sem que ninguém tenha previsto, uma mudança climática maluca vai lá e destrói tudo. E aí? O que sobra?

É por isso que Salomão escreveu: “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração” (Eclesiastes 7.2). No momento em que o fim se escancara, é que nos damos conta do que realmente importa.

O furacão já chegou ao México e agora só resta fazer o melhor que podemos fazer à distância: orar pelos que estão lá, para que a catástrofe não se confirme e os danos sejam menores que o esperado. E “orar” não é pouca coisa. A oração é a única maneira de um ser humano interferir positivamente na vida de outro e em situações sobre as quais não temos poder algum. No momento em que nos sentimos tão impotentes…há um recurso poderoso. Não o ignore. Já vi coisas extraordinárias acontecerem por meio da oração.

 Nossa obrigação é essa. Tentar dar àquelas pessoas o apoio que podemos dar. A igreja está lá e depois do furacão terá muito trabalho a fazer. Enquanto a coisa toda está acontecendo, podemos dar suporte, mesmo à distância, aos que estão clamando neste momento (e precisam de quem ore por eles), para que se mantenham firmes. E que o Patrícia (ou seja qual for o nome do chefe) não consiga ceifar as milhares de almas que ele planejava.

 

 

 

Uma taça de vinho ou um copo de água?

 

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Uma das coisas de que mais gosto na novela Os Dez Mandamentos é o conteúdo dos diálogos. Todos os dias somos presenteados com discursos profundos, mas que soam naturais. Incrível como a autora conseguiu colocar Moisés anunciando as pragas ao Faraó (e Faraó respondendo) às vezes dizendo versículos inteiros, com a linguagem bíblica, de forma totalmente natural e se encaixando no contexto.

Quando Faraó, ao pedir o fim da praga dos gafanhotos, pede “tire de mim esta morte”, eu, sempre que lia, achava meio exagerado. Sempre estranhei essa frase, mas na novela, com todo o contexto, ficou muito natural. Excelente trabalho de direção, de atuação e de toda equipe, sem dúvida. Mas o texto se encaixar é fundamental.

Então, hoje tivemos uma conversa entre o cozinheiro Gahiji e Homem-Abajur Uri sobre a diferença entre a “alegria” que se vive no palácio e a alegria que eles experimentaram entre os hebreus. Uri, que, mesmo depois do papelão ao qual se submeteu durante a nona praga, ainda não se convenceu de que não é egípcio e seu título de nobreza não vale coisa alguma, tentava argumentar com Gahiji que a vida no palácio é melhor que a vida dos hebreus.

Em certo ponto da conversa, o cozinheiro do Faraó diz que a alegria dos hebreus é muito mais profunda que a dos egípcios e explica: “Para ficarmos alegres, nós precisamos tomar vinho!”. Para mim, essa frase sintetizou a diferença entre a “felicidade” superficial e ilusória que o mundo oferece e a paz interior que tem quem vive pela fé.

Não vejo problema prático em alguém gostar do gosto de vinho, cerveja, licor (embora, por ter paladar extremamente apurado, eu ache qualquer bebida alcoólica horrorosa), etc. O problema é que em 99% das vezes as pessoas não bebem porque o gosto do troço é bom. As pessoas bebem porque querem se sentir bem. Elas precisam da sensação que a bebida traz. E, muitas vezes, confundem apreciar a sensação com apreciar o sabor. Sentimentos, emoções e estímulos sensoriais têm o péssimo hábito de se entrelaçar e se confundir, mesmo.

Mas isso não acontece apenas com bebida alcoólica. Acontece com tudo o que estimula sensorialmente e gera uma sensação agradável ou emoção positiva. Ainda que seja rápido. Ainda que por alguns instantes. Ainda que cause sequelas desagradáveis. Música. Danças. Namoro. Sexo. Internet. Remédios. Passeatas. Compras. Festas. Drogas. Filhos. Religião. Livros. Viagens. Trabalho. Comida.  Nem todas essas coisas são ruins; algumas são até muito boas e necessárias. O problema é que a maioria as utiliza como um gatilho de alegria momentânea.

Muitos apoiam sua felicidade em coisas, momentos e pessoas. Acreditam que alegria é um sentimento e, por isso, vivem em uma gangorra emocional angustiante. Já passei por isso e, por um lado, entendo o fato de Uri não entender a descoberta de Gahiji. Meu estado constante era de melancolia, entrecortado por momentos esporádicos de alegria. E, para piorar, o mundo dizia que era assim que as coisas tinham que ser.

Em um daqueles ditados que a gente não sabe de onde vêm, mas que as pessoas tomam como verdade incontestável, eu ouvia que “não há felicidade, o que existem são momentos felizes”. E — dizia o mundo — o jeito é se conformar com isso.

Uri não conhece nada diferente e se conformou com isso. O vazio que existe dentro dele é compensado pelo brilho das pedras do palácio. Gahiji, que sempre esteve em busca de algo melhor, não se conforma com o vazio. Ele conhece a felicidade trazida por uma comida saborosa e bem preparada. Mas sabe que a alegria de um banquete desaparece assim que a barriga se esvazia. Uri conhece a alegria trazida por uma joia bonita. E o engano dessa alegria é que ela depende do que os olhos veem. E os olhos mantêm por mais tempo a ilusão.

Gahiji percebeu nos hebreus uma alegria que independe do que se come e do que se vê. É como a água que Jesus ofereceu à samaritana: “quem beber da água que Eu lhe der, jamais terá sede”. A pessoa que conhece essa nova forma de viver, não depende mais de estímulos sensoriais, de sensações, de emoções.  Alegria profunda e paz interior como estado constante, a certeza de que absolutamente nada poderá destruir o que você tem dentro de si, pois se fortalece a cada luta, a cada dificuldade.

Trocar o vinho da alegria passageira pela água que extingue a sede eternamente pode ser uma decisão difícil quando o que se vê é apenas um copo de água e uma taça de vinho. Mas quem consegue perceber o que está por trás de cada uma dessas escolhas, sem se guiar pelo que seus olhos veem ou seu corpo sente, descobre o quanto vale a pena.

O boato do sabonete ungido e a imbecilidade humana

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Soube que viralizou a “notícia” de que a Universal estaria vendendo “sabonetes ungidos” a 110 reais pela internet. A pseudonotícia foi comentada em um site “gospel”, inclusive com comentários de um pastor de outra denominação, invocando Lutero e dizendo que tem “vergonha da barganha promovida pelos adeptos da teologia da prosperidade”. Eu tenho vergonha é da irresponsabilidade de quem publica e comenta boatos sem o mínimo de apuração.

Porque, caro leitor, você não precisa ser jornalista para fazer uma apuração básica. Hoje em dia, todo cidadão é gestor de conteúdo e tem a obrigação de aprender a checar a veracidade das informações que recebe, até para não se transformar em massa de manobra.

Eu não precisei de dez minutos para pesquisar a notícia e descobrir que era um boato descarado. O tal site que vendia os sabonetes não tem nada a ver com a Universal, tanto que comercializa sabonetes com o logotipo de outras denominações. E o tal sabonete não custa 110 reais, esse valor é o pacote com 500, o que me leva a crer que o site seja de algum sem-noção que não sabe como funcionam as campanhas e resolveu ter um “lucrinho” tentando vender sabonetes a granel.

Porém, o boato foi suficiente para que preconceituosos de plantão saíssem compartilhando e opinando como robozinhos pré-programados. Isso apenas escancara o que está dentro dessas pessoas. O que me deixa muito indignada com esse tipo de comportamento é a total falta de cuidado com as palavras. A total falta de ética de quem distorce a verdade e propaga boatos. A pessoa acha que, porque (na cabeça dela, pelo julgamento dela) o outro é desonesto, ela pode ser, também. Pode falar a bobagem que for, sem o menor interesse em procurar a verdade.

Pensa: “é, eles são ladrões e enganam os otários”, veem um Hoax que diz isso e compartilham, não porque aquela notícia tem fundamento, mas porque ela confirma seus preconceitos. Conferem as informações que recebem com seus próprios preconceitos, como se o preconceito fosse um bom juiz.

Viu uma denúncia e teve vontade de compartilhar? Faça um favor à humanidade: respire fundo, desconfie e vá pesquisar um pouquinho no Google. Se você tem um site ou um blog, faça uma pesquisa básica antes de dar sua opinião. Caso contrário, avise aos seus seguidores que o que você mantém é uma página de fofoca.

Suponhamos que eu esteja preparando um artigo sobre uma denúncia contra determinado cidadão. Não é nada bombástico, é uma notícia fria, o cara está sendo investigado há bastante tempo. Porque já estou suficientemente indignada com as coisas que descobri a respeito e meus ânimos estão inflamados, pesquiso informações e opiniões que possam inocentá-lo aos meus olhos e me deem um novo ângulo da situação, para tentar entender os dois lados, tirar minha conclusão e passar uma opinião sensata ao leitor. Se, depois de tudo isso, minha opinião se mantém, poderei passá-la ao leitor com base e argumentos. Entendo que isso é comportamento ético e respeitoso com quem investe seu tempo em ler o que escrevi.

Se não tenho tempo de fazer isso, simples: não compartilho. Escrevo sobre outra coisa que não exija pesquisa, em que eu não corra o risco de cometer uma injustiça. Se os outros têm tempo para fofoca (porque isso é o que notícia não confirmada é), problema é deles; eu tenho certeza de que aqueles que são da Verdade, têm compromisso com a verdade. E quem tem compromisso com a verdade, não admite ter parte com mentiras.

Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem o engano.
Salmos 34:13

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PS: A Universal respondeu oficialmente, desmentindo a tal “notícia” do site gospel. A propósito, salve aí nos seus favoritos o link em que essas notas são publicadas: http://www.universal.org/unicom 

PS2: A quem é cristão de verdade, eu recomendo que não perca seu tempo com esses sites “gospel”. De “gospel” eles não têm nada.

A lição do Homem-Abajur

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Uri, o Homem-Abajur

Assistindo à novela “Os dez mandamentos”, fiquei realmente revoltada com a situação de Uri. Como único hebreu do palácio, só ele conseguia manter uma tocha acesa durante a praga das trevas espessas. Ele passou o capítulo inteiro de Homem-Abajur, achando que, assim, conseguiria provar sua fidelidade ao rei. Que papelão! Se humilhando e sendo humilhado por não querer abrir mão do comodismo.

Uri não aceitou ir para a vila com sua família, preferindo ficar no palácio, vivendo a ilusão em que acreditou a vida inteira. É óbvio, para quem acompanha a novela, que as pragas estão aumentando o abismo entre os egípcios e os hebreus e eu não duvido que ele acabe expulso do palácio ao fim da última praga simplesmente por ser hebreu.

Muitos se iludem com a falsa sensação de bem-estar e, como Uri, se submetem a situações pelas quais não precisariam passar. Por orgulho, covardia ou falta de visão. O caminho para uma vida melhor é estreito, muito estreito. Não há liberdade sem uma boa dose de sacrifício. A zona de conforto pode parecer quentinha, mas se derrete.

Quando a pessoa não entende a lógica do sacrifício e acha que pode encontrar uma forma de ficar segura e escapar do deserto pela força do seu braço, não percebe que está se enfiando em uma grande enrascada. Porque o melhor da travessia é o deserto. É nele que a gente cresce. É ele que prova quem é quem. É ele que fortalece mesmo os mais fracos. É passando por ele que aprendemos a confiar.

Não estou aqui advogando em favor da dificuldade. Muito menos dizendo que é legal ser pobre. Muito pelo contrário! O que Uri não enxerga é que ele não é livre. Ele não é nobre. Para os egípcios, ele sempre será um hebreu arrumadinho que eles toleram porque, enfim, é joalheiro do rei. Uri pensa que seu talento seria desperdiçado no deserto. Isso se chama falta de visão. Ele quer, com sua visão de formiga humana, definir o que é ou não possível e os limites de Deus. Porém, dessa maneira, ele só limita a si mesmo.

O quanto poderia ser útil se fosse com seu povo! Lembre-se dos spoilers da Bíblia: Bezalel e Aoliabe foram escolhidos por Deus (chamados pelo nome) para fazer a Arca da Aliança e os utensílios do Tabernáculo e contaram com a ajuda de outros hebreus. Uma grande honra para qualquer pessoa estar no meio desse grupo para fazer uma obra tão maravilhosa (e que acabou sendo registrada no maior best-seller de todos os tempos).

Ele não quer arranjar encrenca com o rei e realmente acha que, se ficar na dele, subserviente, tudo voltará a ser como antes. Mas entenda uma coisa: depois que começa a batalha (e já começou há milênios, se é que você não percebeu), não há muro sobre o qual se empoleirar. Não há muro. Cedo ou tarde, vai ser preciso se posicionar. Espero que não resolva agir tarde demais.

Uri limita seu crescimento pelo medo, pela acomodação. Caminha para o abismo, achando que está seguro. A cada passo, seu mundo desmorona e ele amarra a venda sobre os olhos, ainda mais forte, para não ver o óbvio. O inevitável. O que Uri não enxerga é que os hebreus não são mais escravos. O escravo, na verdade, é ele.

O medo-fantasma

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Algum tempo atrás, vi um comentário em uma página do Facebook e anotei para escrever a respeito. A Bruna conta que perdeu tudo o que tinha no antigo relacionamento e, mesmo hoje estando com uma pessoa que a apoia em tudo, continua assombrada pelo medo de perder tudo novamente. E conclui o comentário dizendo que espera superar logo.

Isso é o que eu chamo de medo-fantasma. A situação que causou o medo não existe mais. A probabilidade dela se repetir é ínfima, para não dizer nula. Mas a impressão de medo permanece lá, como uma espécie de “seguro contra o perigo”.

É uma reação de autoproteção causada pela área mais pré-histórica do seu cérebro. O problema é que é uma reação totalmente emocional, sem nenhuma base na realidade e que não só não serve para nada, como também atrapalha, atrasa e causa sofrimento. Para que, então, continuar dando atenção a isso?

Quem tem esse tipo de medo-fantasma, entenda: você vai superar quando decidir superar e ignorar qualquer sensação que tente jogá-lo de volta para o medo. Quando aquele medinho bater lá no fundo, lembre-se de que esse medo é uma mentira (você acredita em mentiras?). Sua vida não é mais a mesma, você não é mais a mesma pessoa…não faz o menor sentido trazer coisas do passado que não existem mais.

A solução não vai cair do céu. Não espere sentir que superou o medo. Decida parar de acreditar nessa mentira, tome atitudes contrárias ao medo e a sensação de que o medo existe acabará desaparecendo aos poucos. Nada é mais forte do que nosso poder de decisão. Fantasma nenhum é capaz de vencer a decisão que é acompanhada de atitude sistemática.

Resista a ele. Não o convide para jantar. Não bata papo com fantasma. Mande-o embora. Faça o contrário do que sente. Não desista. Seja mais persistente que o medo. Seja mais persistente que o fantasma, por mais real que ele pareça. Pode ter certeza de que, quando você menos esperar, ele terá desaparecido.

Escolha bem as palavras

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Dos momentos dramáticos que minha profissão proporciona. Você precisa editar um trecho que diz, basicamente, que se você quer ser uma pessoa boa, não deve andar com pessoas ruins. Só que se depara com a palavra “caráter”. “Se você quer ser uma pessoa de caráter, não deve andar com (plural de mau-caráter)…” Como você completaria essa frase? Mau-caráteres? Maus-caráteres? Maus-caracteres? Maus-caráters? rs

A chamada “norma culta” (uma senhora muito educada rs) diria que o “certo” é dizer “maus-caracteres”, porque o plural de caráter é caracteres. No entanto, é algo que quase ninguém usa. Uma expressão que causaria estranhamento no leitor e o faria parar no meio do livro, encarar aquela palavra e dizer “oi? como é?”

Confesse, leitor! Você imaginaria caracteres! Símbolos tipográficos malvados, tipo uns %$@& do mal. Sorry, dona gramática normativa, eu nunca conseguiria escrever isso em um livro para pessoas normais em pleno 2015. Não dá. Porque eu tenho cer-te-za que o leitor tropeçaria naquele “caracteres” e estragaria o ritmo da coisa toda.

Aí lá vou eu tentar encontrar uma saída. Já me convenci de que não vai dar para usar os maus caracteres. Preciso encontrar uma boa solução para o problema que eu mesma criei. (Sim, porque um escritor/editor/revisor/redator/preparador de texto/jornalista normal não teria esse problema. Simplesmente tascaria “maus-caracteres”, porque “é o certo”, sem pensar que, além de deixar o texto bonitinho e “correto”, sua obrigação é manter a legibilidade.)

Uma boa saída para esse impasse geralmente é mudar tudo. Não adianta eu procurar uma palavra que substitua “maus-caracteres” porque não vou encontrar enquanto meu cérebro achar que é a única coisa que cabe nessa estrutura. Na melhor das hipóteses ele vai me sugerir que encontre uma forma de manter tudo no singular.

Poderia escolher “se você quer ser uma pessoa de caráter, não deve andar com pessoas sem caráter”. Sei que jornalistas que aprenderam o corte de palavras repetidas como uma das técnicas de edição me pendurariam no madeiro por essa escolha. Mas, em literatura, repetições propositais, conscientes, são bem-vindas (literatura, eu te amo).

No entanto, se eu fizer essa mesma edição em um texto mais engessadinho e não quiser que meu editor tenha uma síncope, posso pensar um pouquinho mais e optar por algo do tipo “Se você quer manter seu caráter intacto, fuja de quem tem desvios de caráter” ou qualquer opção que diga a mesma coisa com outras palavras. Pode até encontrar um sinônimo para “caráter”. Eu tenho um dicionário de sinônimos (do Antenor Nascentes) e ele me ajuda quando a criatividade está em baixa.

O que não pode acontecer é manter uma palavra que pode causar dúvida ou atrapalhar a compreensão do meu leitor. Não posso me dar ao luxo de escrever sem ter plena consciência de que minhas palavras realmente estão dizendo o que eu quero dizer. Ainda que eu esteja fazendo o certo, se existe uma outra maneira igualmente certa de resolver uma situação, mas que cause menos danos à compreensão do meu leitor, é minha obrigação encontrá-la.

Palavras são material de construção. Cada palavra é unida a outra e, juntas em um contexto, formam casas, constroem muros, fazem pontes. Somos nós que escolhemos o que vamos construir. Em um relacionamento, pontes são mais importantes do que muros. Casas são lugares de abrigo. Lugar de alimento. De proteção.

Em alguns momentos, você vai precisar optar por uma forma mais dura, que não gostaria de usar. Uma palavra complicada, em que seu leitor corre o risco de tropeçar. Use de forma consciente. Tente sempre manter a ponte intacta para que sua comunicação consiga fluir bem. Uma tábua cheia de pregos pode ser algo perigoso de se manter nessa ponte.

O objetivo do texto é ser compreendido. E esse, na verdade, é o objetivo de qualquer um que se comunique. Não é só uma questão de saber como se escreve a palavra “x” ou “Y”, mas de entender que o texto não é um amontoado de palavrinhas. Ele está ali com uma finalidade. Construa sua comunicação tendo seu objetivo em mente e seja suficientemente flexível para alterar frases e rumos a fim de não destruir sua meta.

Lembre-se de que seu interlocutor não está dentro da sua cabeça. Ele não tem obrigação de adivinhar o que você quer que ele saiba. Aprenda a construir pontes com palavras. Todos somos construtores. Relacionamentos são feitos de palavras, pensamentos e atitudes. Todas essas coisas devem estar conectadas, com as conjunções certas, com escolhas bem analisadas. A vida é um grande texto. Tudo está sendo escrito. São livros e mais livros que imprimimos desde nosso primeiro choro até nosso último suspiro.

Não é Deus quem escreve os livros da sua vida. É você.

Chocando a sociedade

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*Chocando a sociedade com uma garrafa de água mineral :D

Os revoltadinhos estão muito desatualizados. Com exceção de uma minoria congelada no tempo, ninguém mais se choca ao ver um corpo todo tatuado, ao ver uma mulher que resolveu não se casar e fazer uma produção independente ou ao ver uma moça vestida de periguete ou com cabelo azul. Muito menos se choca ao ver meninos e meninas ficando com vinte pessoas em uma festa. Sorry, isso é comum. Co-mum. Perder a virgindade aos 15 anos é a coisa mais banal no mundo de hoje. Se você quer chocar, mesmo, tem que ser diferente de verdade.

Durante minha vida inteira eu me senti fora da lei. Como qualquer adolescente, eu gostava da sensação de estar chocando a sociedade. Mas, ao contrário da maioria dos meus colegas, eu não estava minimamente interessada em chocar vovôs e vovós. O que eu queria mesmo era ser diferente daqueles que estavam ao meu redor. Eles não enxergavam que a repulsa que tinham por meu discurso e meu comportamento era exatamente igual àquela que queriam provocar nos adultos com sua “rebeldia”. Eu achava graça. Humanos são sempre iguais, afinal.

Rebelde entre os rebeldes, aprendi que era legal ser diferente. E isso se estendeu à vida adulta. Hoje nem é por ser legal, mas por já ter se tornado hábito viver fora das caixinhas da sociedade contemporânea. Porque viver fora da caixinha é viver fora da caixinha de 2015, não fora da caixinha de 1950. Não faz o menor sentido continuar a se rebelar contra os padrões de 1950 quando os padrões hoje são completamente diferentes. Você bebe? Grande coisa, todo mundo bebe. Você tinge o cabelo de rosa? Grande coisa, “jeans color” se acha em qualquer esquina. Você se enche de tatuagem? Ba-nal. Hoje tem velhinhas com tatuagens enrugadas por aí. Está cada vez mais difícil ser diferente.

Quando criança ouvia muito minha mãe dizer que eu não deveria ser Maria-vai-com-as-outras. Ela também não se chocava com nada. Acho que isso me fez prestar atenção ao mundo para fazer tudo ao contrário. Meus colegas bebiam? Eu fugia do álcool. Eles fumavam? Eu detestava cigarro. Ficavam com um por semana? Eu não ficava com ninguém. Gostavam de balada? Eu gostava de escrever no meu quarto. Não estavam nem aí para Deus? Eu vivia na igreja. Todo mundo falava palavrão? Eu não falava palavrão. E posso garantir que sempre fui vista como subversiva.

Porém, já aviso: não é fácil ser rebelde. Você tem de ser forte e precisa aprender a assumir suas opiniões de maneira realmente assertiva. Porque vão tentar todas as estratégias para fazer com que você se encaixe na forminha pronta que o mundo tem para pessoas da sua idade (seja qual idade tiver). Questionamentos, tentativa de ridicularização…todo tipo de golpe baixo é testado até que as pessoas vejam que você está falando sério e comecem a respeitá-lo. Por isso, mantenha-se firme.

É facinho chocar a sociedade quando ela é formada por velhinhas bitoladinhas que não assistem a TV (e mesmo essas nem sempre se chocam com coisas que já são banais. Só uma minoria ainda se choca. É sério). E a pessoa ainda quer encontrar sua própria identidade se rebelando contra o “status quo” do século passado, sem se dar conta de que a minoria já se tornou maioria há muito tempo. Forte mesmo é quem vai contra a correnteza do mundo de hoje, mantendo sua opinião contrária à da maioria. Mesmo sendo ridicularizado e perseguido, continua seguindo aquilo que pensa, aquilo que  crê.

Eu olho para os revoltadinhos desatualizados e me pergunto quando eles vão instalar as atualizações.

Tendas no deserto

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“Sete dias habitareis em tendas de ramos; todos os naturais de Israel habitarão em tendas, para que saibam as vossas gerações que Eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.”  (Levítico 23.42,43)

Note que, quando instituiu a Festa dos Tabernáculos, Deus falou sobre habitar em tendas. Fiquei meditando sobre o que isso significava. Entenda o que está escrito: “todos os israelitas habitarão em tendas, para que saibam as vossas gerações que Eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito”. Quer dizer, o povo deveria habitar em tendas por 7 dias para se lembrar de que Deus os fez habitar em tendas no deserto. Sim, eles deveriam se lembrar de que foram livres da escravidão, mas essa ordem de passar sete dias morando em tendas não tinha a ver apenas com a libertação da escravidão, mas com aprender a depender de Deus. E se lembrar do que essa dependência conquistou.

As tendas eram desmontadas quando a nuvem se movia e remontadas quando a nuvem parava. Era a presença de Deus que definia o movimento da vida de cada um. Não ter uma casa fixa é não depender das circunstâncias, não se acomodar e não se acovardar. É viver pela fé, pelo Espírito. É ter confiança e obedecer à direção que Ele dá. É parar de depender da força do braço. É sacrificar a ansiedade. É abrir mão de seguir nossa vontade ou nosso coração. É sacrificar.

No deserto, quando o povo tinha sede, dependia de Deus para receber água. Vivendo em tendas, eles aprenderam a depender do Senhor até para o mais básico. Aprenderam que tudo vinha dEle. Nossa sede mais profunda só pode ser saciada se, no deserto, dependendo de Deus, nos aproximarmos para beber da Água que Ele nos dá.

Às vezes a gente entrega tudo para Deus, mas vai pegando de volta as coisas no decorrer do caminho, por medo ou por insegurança. Fiz muito isso na minha vida, até entender que a maneira de estar mais segura é depender totalmente de Deus. Não quero saber o que vai acontecer depois. Se confio, entrego. Se entrego, confio.

Sei que, com Ele, saberei o que fazer. Saberei a hora de seguir e a hora de montar acampamento. Fazer minha casa na Rocha é habitar em tendas. Aos olhos do mundo, insegurança total. Pelos olhos da fé, a melhor garantia.