Como manter o foco

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Você estabeleceu suas prioridades. Finalmente, se deu conta do que precisa ser feito e em que ordem seus afazeres e interesses precisam vir para que tragam o resultado que você quer. Você anotou tudo direitinho, uma coisa linda.

Então, a correria começa. Todo mundo quer atenção. Não só as pessoas, mas as situações, também. Os aplicativos, as redes sociais, os acontecimentos, as notícias, as fofocas, as inutilidades e milhões de ladrões de tempo aparecem, do nada, como em um jogo de sustos. Tudo é urgente. Absolutamente tudo. Como se milhares de janelinhas pipocassem na sua frente, no grande Windows da vida. O que fazer? Como agir? Como se manter focado no meio de tantas distrações que gritam seu nome e ameaçam se matar se você não se casar com elas?

Simples: mantenha a sua mente e as suas forças direcionadas à sua prioridade. As outras coisas virão, não tem jeito: pensamentos, pessoas, situações, notícias, todas aquelas coisas que citamos no parágrafo anterior e muitas outras. Saiba que elas virão. E será sua responsabilidade dizer “não”. Dizer “não” é fechar a janelinha intrometida. É clicar no “x” libertador. Se precisar muito retornar àquele assunto ou situação, anote na agenda. Marque um compromisso posterior com aquele negócio. Mas se for algo que aparece apenas para colocar você para baixo, não tenha receio de clicar no “x”.

A primeira pessoa para quem você tem de dizer “não” é você mesmo. Dizer não ao medo. Dizer não à vontade de se preocupar com o que os outros vão pensar ou deixar de pensar a seu respeito. Dizer não à vontade de se criticar. Dizer não às dúvidas. Dizer não às fofocas. Dizer não às reclamações. Dizer não aos maus olhos. Dizer não à vontade de pegar um atalho. Dizer não à vontade de manipular as situações. Dizer não ao impulso de agir sem ética. Dizer não às notícias que só querem cutucar suas emoções. Dizer não a conversas fora de hora. Dizer não aos ladrões de tempo.

Lembre-se: tempo e energia são recursos limitados. Escolha bem onde irá empregá-los para que se multipliquem, e não sejam sugados. É como aprender a fazer um bom investimento. Ninguém pega um maço de dinheiro e joga dentro da churrasqueira pensando em poupar. Porém, muitos fazem isso com seu tempo e sua energia, ao colocá-los em coisas que não têm nada a ver com suas prioridades ou com o que dizem querer.

É uma guerra dentro da mente. Dizer “não” dói. E, para pessoas como eu, dizer “não” aos outros dói até mais do que dizer “não” a si. Nessas horas, a fé, a convicção de que você está fazendo o certo e o foco no resultado que irá alcançar o manterão firme. Se você sabe para onde está indo e por que está fazendo o que faz, fica muito mais fácil entender e sustentar as decisões que toma e os sacrifícios que precisa fazer para se manter no caminho.

A polêmica do copo da Starbucks

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Alguns cristãos norte-americanos estão indignados com a rede de cafeterias Starbucks por causa do copo de natal. Segundo eles, o copo todo vermelho, sem nenhum dos símbolos natalinos tradicionais, seria uma atitude “anticristã” da rede, que tem filiais no mundo inteiro. A tempestade nesse copo de café já conta até com o apoio de cristãos de outros países e adesão de gente famosa, como o empresário e apresentador Donald Trump, que defendeu o boicote à marca. Como se pinheiros, velas, bolas coloridas e papai noel fossem, de fato, símbolos cristãos.

Se o problema dessas pessoas com a Starbucks é o copo não trazer símbolos cristãos no natal, é irônico não se importarem com o logotipo da empresa, que representa uma entidade nada cristã. É uma sereia conhecida como Melusina, um “espírito das águas”. Na cultura africana, a mesma figura aparece em representações de Yemojá (Iemanjá, no Brasil), quando retratada com duas caudas.

Com o passar dos anos, a empresa a modificou para ficar mais apresentável. No início, era bem esculhambada, com os seios à mostra e uma pose pornográfica, com as caudas abertas; cópia de uma ilustração alemã de um livro impresso em 1480. Com o passar dos anos, fez algumas lipos, plásticas, jogou ocabelo sobre os seios…um legítimo makeover, que a transformou em algo mais simpatiquinho e politicamente correto. Mas, se reparar nas laterais…as caudas continuam lá. E a coroa de “rainha do mar”, na cabeça.Mas, afinal, por que uma sereia como símbolo de uma loja de café?starbucks-logo-history

Essa dúvida é tão comum que o site da empresa tem até uma resposta pronta. A inspiração do nome e do logotipo teria vindo da vontade de seus donos de “homenagear a tradição marítima do café”. O nome da cafeteria foi tirado de um personagem do livro Moby Dick, o senhor Starbuck, primeiro-piloto do navio Pequod. Então, eles criaram uma cafeteria com o nome de um personagem masculino e tascaram uma sereia como logotipo…faz sentido? Nenhum! Não há sequer uma personagem-sereia no livro.

Em uma entrevista, o designer responsável pelo logotipo disse: “É uma metáfora para a sedução da cafeína, as sereias que atraíam marinheiros para as rochas”. Estranha metáfora, já que, nos mitos, as sereias atraíam marinheiros para espatifá-los contra as rochas…seria um aviso para que os clientes se mantivessem longe da cafeína antes que ela os matasse? O site dele ainda tenta florear: “Terry Heckler encontrou a metáfora perfeita do ‘canto da sereia’ do café que nos seduz para o copo”. Não faz muito sentido querer vender café usando essa comparação. Se o canto da sereia servia para tirar o autocontrole dos marujos, usá-lo como metáfora para o produto é quase um antimarketing. Mas, então, qual é a dessa sereia?

Não se pode afirmar que os criadores do logotipo sabiam que estavam reverenciando uma entidade, mas em todas as culturas, desde épocas remotas, seres metade gente, metade peixe (ou, em alguns casos, serpente) são a representação de uma mesma divindade, com nomes e gêneros diferentes: entre os cananitas e filisteus, Atargatis, Derketo e Dagom (o mesmo da imagem que Deus fez cair e se espatifar diante da Arca da Aliança, quando raptada pelos filisteus); Oannes, na Babilônia; Matsyāṅganā, na Índia; Mixoparthenos, na Grécia; Kianda, na Angola; Melusina e Lorelei, na Europa; Ningyo, no Japão; Yemojá, na África; Iemanjá, no Brasil, entre outros nomes nesses e em outros lugares.

As divindades femininas dessa lista também eram chamadas de “Rainha do mar” ou “Mãe d’água”, adoradas como deusas da fertilidade. Por aqui, a representação oficial desse espírito ganhou um vestidinho, para sincretizar melhor com as imagens católicas e esconder dos senhores de escravos o culto a essa entidade, mas as representações em que sua cauda aparece são bem comuns.

As lendas e as aparências se modificaram com o tempo, cada cultura desenvolvendo sua tradição, mas o espírito representado permanece. O mesmo espírito de Atargatis, Melusina, Dagom e Iemanjá é reverenciado na imagem da sereia.

O mais incoerente dessa história é que nenhum daqueles cristãos indignados questionou (ou pelo menos estranhou) a presença de uma deusa pagã dando tchauzinho com as duas caudas, bem diante de seus narizes, em seus tão amados copos de café. Pelo contrário, se unem para reclamar de não haver itens pagãos o suficiente neles!

Infelizmente, o “canto da sereia” de nosso tempo, o espírito que envolve esse mundo, tem cegado muitos cristãos a ponto de eles nem conseguirem mais enxergar o que Deus considera importante. É muito mais fácil se apegar a tradições e confundi-las com cristianismo, pois isso não exige nenhum sacrifício, não há preço a se pagar. Por outro lado, também não traz benefício algum para ninguém.

Para quem olha de fora, o movimento pseudocristão contra os copos vermelhos parece fanatismo religioso, sem sentido ou propósito, o que só vacina contra o verdadeiro cristianismo. Garanto que Jesus jamais perderia Seu tempo brigando para colocar o bom velhinho ao lado de Iemanjá no copo da Starbucks.

Dagom

Dagom

Mixoparthenos

Mixoparthenos

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O Mar Vermelho e Faraó vivo

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A abertura do Mar Vermelho, na novela Os Dez Mandamentos, foi uma sequência extraordinária. Não só pelos efeitos especiais, foi muito mais do que isso. Todo o Brasil parou para ver. Não apenas a abertura, na terça, mas o fechamento, na quarta. Participamos de um momento histórico, sem dúvida. E foi muito legal ver os comentários do pessoal ao vivo no Twitter. Toda a sequência, desde a aproximação do Faraó até sua volta ao Egito foi memorável.

As palavras de dúvida de Datã, Corá e Abirão, a fé de Moisés “Não tenham medo…fiquem calmos e vejam o livramento que o Senhor dará….Deus lutará por vocês”. A resposta de Deus, deixando claro que a atitude de fé é que moveria a mão dEle. Se ninguém caminhasse em direção ao mar, ele não se abriria: “Por que estão clamando? Diga ao povo que marche!”.

A arrogância do Faraó, ordenando a perseguição mesmo diante do mar aberto, mesmo diante do poder inegável do Deus dos hebreus. O povo hebreu dependendo 100% de Deus, caminhando pelo meio do mar (exatamente como na descrição Bíblica: pés enxutos, parede de água à direita e à esquerda)…a perseguição e o encerramento, com o mar se fechando sobre o exército egípcio. O exército provavelmente morreu esmagado pela água, sem nem chance de se afogar. Ramsés observando, sozinho e derrotado. Nos olhos de Moisés, o pesar pelas escolhas erradas do ex-amigo. E o alívio pelo fim da perseguição. Foi de tirar o fôlego.

Porém, algumas pessoas ficaram confusas, dizendo que a novela estava errada, pois, na Bíblia, o Faraó morria. Isso não é verdade. A Bíblia diz que os cavalos e cavalarianos do Faraó morreram, mas não fala nada do Faraó ter morrido. Diz que ele estava com o exército, mas só menciona a morte do exército, olha só: “Porque as águas, tornando, cobriram os carros e os cavaleiros de todo o exército de Faraó, que os haviam seguido no mar; nenhum deles ficou.” (Êxodo 14.28)

Se ler desde o início do capítulo, vai perceber que diz que Faraó foi até lá com o exército, mas não o menciona entrando com ele no meio do mar. Provavelmente ficou observando e saiu sozinho e envergonhado, mesmo. Se viu impotente diante do poder de Deus e se viu reduzido ao que realmente era: humano. O que, convenhamos, foi muito mais forte do que se tivesse morrido.

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UPDATE: Nosso leitor Tales citou Salmos 134.15, que poderia sugerir que Faraó morreu: “mas derrubou a Faraó com o seu exército no Mar Vermelho(…)”. Essa é uma descrição poética, uma música feita muitas gerações depois. O relato histórico está em Êxodo, escrito por quem viu os fatos.  Em Êxodo 15.4, a canção de Moisés diz que “Lançou no mar os carros de Faraó e o seu exército; e os seus escolhidos príncipes afogaram-se no Mar Vermelho”. Se Êxodo dá a entender que Faraó chegou até lá, mas quem se afogou foi o exército que ele levou, não daria para a autora colocar Faraó no meio do mar. Sinceramente, não creio que Moisés se esqueceria de anotar esse detalhe.

A propósito, eu sou totalmente a favor do autor ser criativo para preencher as lacunas e conseguir transpor a história bíblica para o roteiro. Não tolero distorções como o filme Noé, mas não sou crente xiita que acha que as únicas falas de Moisés deveriam ser as que ele mesmo escreveu ou que personagens e cenas extras não deveriam ser criados. Porém, na escolha de manter o Faraó vivo, não foi esse o caso. Então, achei que valeria esclarecer.

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PS: Sim, sumi por alguns dias, mas já voltei, tá? Nos dias em que tenho que fazer pesquisas mais extensas, não sobra muito cérebro para fazer algum post no blog. 😛

PS2: Tem artigo meu na página 2 (Ponto de Vista) da Folha Universal desta semana (edição 1231), uma versão condensada do texto sobre os atrasildos do Enem (condensada e bem melhorada…não sei por que não me imponho limite de caracteres aqui no blog também rs. Os textos ficam melhores quando os edito psicoticamente).

PS3: É bem capaz de eu voltar a esse assunto da abertura do Mar Vermelho. Ainda estou processando a informação rs.

Repita isso para si mesmo

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Nas escavações arqueológicas feitas por mim na antiga cidade de RenatoCardosópolis, encontrei a seguinte frase: “Repita isso para si mesmo: “É o que eu faço que mostra o que eu quero.” Guarde isso. Ponha num quadro e pendure na parede”.

Aproveito para pendurar isso na parede aqui no blog, também. Isso mudou minha forma de enxergar a vida e me fez assumir responsabilidades. Depois de entender isso, comecei a avaliar minha vida à luz das minhas atitudes.

Quando estamos habituados a seguir o nosso coração, nossos impulsos e vontades, vivemos levados pela correnteza, como se não tivéssemos controle sobre coisa alguma. Queremos várias coisas – ou dizemos que queremos – mas nossas atitudes mostram o contrário.

O que você diz que quer combina com o que você está fazendo? Como uma pessoa que realmente quer isso agiria?

PS: Vá direto à fonte e leia o texto: Um truque que você tem que saber – e nunca cair nele (clique, é um link). Se você já leu, leia novamente. Vou escrever sobre o processo de leitura aqui em outro post, mas já adianto que se você nunca experimentou ler a mesma coisa mais de uma vez, faça o teste com um texto que tenha gostado. Leia novamente, prestando atenção como se ainda não tivesse visto o texto.

Vanessa Lampert

Será que você alimenta o mal?

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Escrevi dia desses que nem sempre tudo vai dar certo. Porém, às vezes as coisas resolvem dar irritantemente errado em sequência. Hoje foi um desses dias e isso me fez lembrar de que, antigamente, eu me sentia perseguida pela tal Lei de Murphy. Parecia que, se alguma coisa poderia dar errado, com certeza daria errado comigo. Eu não ficava me fazendo de vítima; achava graça e fazia piada com isso, mas, é lógico, ninguém gosta de sentir que nasceu com dois pés esquerdos.

O engraçado é que vamos construindo crenças a respeito de nós mesmos com o passar do tempo e, ainda que comecem como brincadeira, elas acabam guiando a nossa vida. Por isso, às vezes é difícil mudar. Você sente que aquelas crenças que tem sobre si mesmo refletem o que você é. E isso não é verdade. Eu não era perseguida pela Lei de Murphy, apenas acreditava que tudo dava errado para mim e, por isso:

  • Aceitava quando as coisas davam errado
  • Procurava sinais que reforçassem a minha opinião de que tudo dava errado
  • Olhava apenas o lado negativo de tudo
  • Ignorava as coisas que davam certo
  • Não me esforçava para fazer com que as coisas dessem certo
  • Desistia à primeira dificuldade, o que fazia com que eu parasse antes de conseguir

Como vê, eu fazia aquela profecia negativa se autorrealizar. E é isso que a gente faz. Aquelas coisas que incomodam, mas que não conseguimos mudar, como se estivessem fora do nosso alcance, provavelmente estão sendo alimentadas por nós. Você pode estar alimentando o monstrinho dentro de uma jaulinha no porão da sua mente, sem perceber. Identificar as crenças negativas que você tem a respeito de si é o primeiro passo para matar de fome o monstrinho.

Hoje meu foco está no que dá certo, mas não foi uma coisa automática. Precisei me esforçar para mudar o hábito. Minhas reações não reforçam mais aquele pensamento negativo. Hoje, eu:

  • Não aceito quando as coisas dão errado
  • Procuro sinais que reforcem a minha opinião de que tudo tem um lado bom
  • Olho apenas o lado positivo de tudo
  • Ignoro as coisas que dão errado (ou tento tirar o melhor delas)
  • Me esforço para fazer com que as coisas deem certo
  • Não desisto nunca. De nada. Vou até o fim, não importa o esforço que tenha que fazer. Entendo que não se pode parar antes de conseguir. Logo, enquanto não consigo, não desisto.

O processo é bem semelhante, mas o sinal é invertido. Em vez de alimentar a escuridão, você acende a luz.

Vanessa Lampert

O melhor remédio contra ansiedade

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Vivemos o reinado da ansiedade. Em 2007, o consumo do ansiolítico clonazepam (Rivotril) no Brasil era de 29 mil caixas por ano. Em 2015, esse número chegou aos 23 milhões. Já vivi essa realidade e sei o quanto a ansiedade pode ser esmagadora e paralisante. Porém, encontrei uma forma de não apenas driblar ou mascarar, mas resolver definitivamente aquela sensação que não conseguia controlar.

Há, em um livro milenar, o registro de um ansiolítico de longa duração e sem efeitos colaterais. Claro, exige mais esforço do que engolir uma pílula, mas, o resultado é garantido (até porque não tem nada mais frustrante do que tomar remédio por anos e não ver grande progresso). No final do primeiro capítulo de Provérbios, a Sabedoria (sim, ela própria) diz: “Mas o que me der ouvidos habitará seguro, tranquilo e sem temor do mal”. 

Em outro livro, o mesmo autor comenta: “A sabedoria protege como protege o dinheiro; mas o proveito da sabedoria é que ela dá vida ao seu possuidor” (Eclesiastes 7.11). A sabedoria é melhor que dinheiro, porque além de servir de proteção (e, por isso, quem dá ouvidos a ela habita seguro), dá vida – coisa que o dinheiro não é capaz de fazer.

Por que a sabedoria protege? Porque, com ela, você não fica mergulhado em dúvidas e conflitos. Não tem medo do futuro. Não é guiado pela insegurança. Sabe como reagir. Sabe o que fazer. Tem direção, não vive perdido. E – principalmente – sabe o que evitar. Não cai em furadas, em ciladas, em armadilhas. E, não sei se você já percebeu, a vida é cheia de armadilhas. Um campo minado. As coisas ficam explodindo nos pés das pessoas o tempo inteiro e não é de se espantar que elas vivam ansiosas e com medo.

O livro de Provérbios é totalmente dedicado à sabedoria, então creio que é um bom ponto de partida para entendê-la. O primeiro capítulo do livro fala de sabedoria, instrução e ensinamento. Não fala de mero acúmulo de conhecimentos. O mundo entende “inteligência” e “sabedoria” como acúmulo de conhecimentos adquiridos em uma faculdade ou em livros, mas a verdadeira inteligência diz respeito a receber instrução de Deus e absorver Seus ensinamentos para adquirir sabedoria. (Não preciso dizer de novo que é instrução de Deus, e não de religião, né?)

Quando começa a conhecer a Deus, você naturalmente se interessa (ou deveria se interessar) em entender como Ele é, o que pensa, o que quer e do que Se agrada. É esse interesse que gera em você a abertura necessária para receber essa instrução e adquirir sabedoria. O conhecimento se acumula, mas a instrução transforma. A instrução entra em nossos poros, modifica nosso íntimo, nosso caráter, nosso modo de agir, reagir, pensar e até mesmo sentir.

Uma pessoa que guardava mágoa se torna perdoadora, uma pessoa que tinha ódio agora é compreensiva, alguém que enganava faz um pacto com a verdade e não engana mais. Uma pessoa ansiosa aprende a confiar e a viver tranquila. Quando a instrução encontra terreno fértil dentro de alguém, os ensinamentos se entranham de tal forma que modificam a pessoa. 

A voz da Sabedoria, no livro de provérbios, é a voz do próprio Espírito de Deus, o arquiteto de tudo o que Ele criou (Provérbios 8.30). Dar ouvidos a essa voz (estou falando de colocar em prática o que ela ensina, e não de ouvir vozes, tá?) é o primeiro e mais importante passo que você pode tomar para transformar sua vida.

Uma nova vida, sem ansiedade, com segurança, com tranquilidade e progresso. Uma vida que não apenas faz bem a si mesma, mas que também faz bem a outras vidas. Você pode deixar de ser um peso-morto ou uma criatura destrutiva para se tornar uma pessoa construtiva. Um arquiteto de relacionamentos. Você pode ter ao seu lado a mesma sabedoria que esteve com Deus no início de tudo. É exatamente essa a proposta dEle. E a proposta do livro de Provérbios. Realmente, vale qualquer sacrifício. Não é à toa, que diz:

“Adquire sabedoria, adquire inteligência, e não te esqueças nem te apartes das palavras da minha boca. Não a abandones e ela te guardará; ama-a, e ela te protegerá.
A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento. Exalta-a, e ela te exaltará; e, abraçando-a tu, ela te honrará.
Provérbios 4:5-8

De uma vez por todas: fé não é religião

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Experimente repetir a palavra “Caneca” diversas vezes seguidas. Em determinado momento, ela lhe parecerá estranha, você mal entenderá o que significa. Da mesma forma, de tanto algumas palavras serem repetidas em um contexto religioso, elas acabam perdendo o sentido para quem as ouve. É como se caíssem no setor religioso do cérebro humano, uma vala na qual todo raciocínio desaparece. As palavras se tornam meras repetições desprovidas de sentido.

A palavra “fé” tem andado tão atrelada ao contexto religioso, que muitas pessoas não entendem do que falamos. Ouvem “fé” e já pensam que é sinônimo de “acreditar em Deus” ou mesmo de “religião”! A fé emotiva é aquela que não faz o menor sentido. A pessoa chora na igreja, diz que acredita em Deus, mas vive mais pelo que sente. Seu coração é seu deus. Para ela, o fato de ter uma religião significa que ela tem fé. Não poderia estar mais equivocada. Biblicamente, fé é “a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem” (Hebreus 11:1) Mas mesmo isso pode não fazer sentido algum quando repetido religiosamente.

Pense bem: o que é a certeza de coisas que se esperam? Você só espera aquilo que não tem, aquilo que não vê, não é verdade? Não pode esperar a chuva se já estiver chovendo. Não pode dizer que está esperando o táxi se já estiver dentro dele.

O natural diante de algo que se espera é a incerteza. Ter certeza de algo que se espera, é ir além do natural. Para conseguir ter certeza do que espera, essa certeza precisa estar fundamentada em algo muito sólido. Se alguém em quem você confia muito promete alguma coisa, você vai ter certeza de que aquilo irá acontecer. Essa certeza estará fundamentada na palavra daquela pessoa, na confiança que você tem de que ela não mente.

O que é a convicção de fatos que não se veem? Como você pode ter convicção de que passou no vestibular enquanto não vir seu nome na lista dos aprovados? Como pode estar convicto de que está curado enquanto não vir o resultado dos exames?

O natural diante de um fato que não se vê é a dúvida, a desconfiança. Ter convicção de um fato que não se vê, não é natural. Um fato é algo real. Porém, como pode ser real sem poder ser visto? Para que você creia que algo é um fato, ou você viu ou soube por alguém em quem confiava.

Então, no final das contas, tanto a certeza do que se espera quanto a convicção do fato que não se vê estão intimamente conectadas à confiança na palavra de alguém. Essa palavra precisa ter credibilidade para você, ou não será possível sustentar a sua certeza nos momentos em que, além de não ver o que espera, você vir o contrário do que espera.

Quando você espera que as coisas melhorem, mas só vê piorar, por exemplo. Se a palavra de quem prometeu que as coisas melhorariam não tiver credibilidade para você, certamente a dúvida vai se instalar. E a dúvida corrói a certeza, traz a ansiedade, o medo, o desespero…

A fé é essa certeza, fundamentada na confiança que você tem no fato de que Deus não mente. E na credibilidade que a Palavra dEle tem para você. Por isso, quando se deixa levar pela dúvida, pelo medo e pelo desespero, você não está usando a sua fé. Não está colocando em prática a melhor arma que você tem. Essa certeza é a conexão entre você e Deus. É essa certeza que faz com que Ele possa agir em sua vida.

Não adianta frequentar uma igreja, fazer orações, jejuns, promessas e outros rituais religiosos se não confia no que Deus prometeu. Não adianta acreditar na existência de Deus. Acreditar na existência de Deus não muda a vida de ninguém. Ainda que a pessoa diga que não acredita na existência de Deus, se der crédito à Palavra dEle, será ouvida e respondida. Há mais chance para um agnóstico ou um ateísta sincero do que para religiosos que não querem abrir mão da fé emotiva.

A única maneira de superar os limites, de se libertar do pensamento religioso e ter uma vida que faça sentido é apertar o botãozinho que liga o cérebro e aprender o que é, de fato, viver pela fé. Dê crédito DE VERDADE à palavra dAquele a Quem você diz seguir

Sobre o fim de Uri

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Ontem, em um dos capítulos mais intensos e fantásticos da novela Os Dez Mandamentos, Uri encontrou seu fim. As últimas cenas de Uri foram tão profundas e impressionantes que eu não poderia deixar de comentar. Depois de fazer o ridículo papel de homem-abajur durante a nona praga, Uri chegou ao anúncio da décima praga ainda se iludindo com a possibilidade de continuar no palácio. Mergulhado em dúvidas e medo, ele ainda se apegava ao que podia ver. Reconhecia o poder e a autoridade do Faraó, por causa do brilho das pedras, mas se recusava a crer no poder e autoridade de Deus.

Uri não representa apenas os materialistas, mas também aqueles que ficam com um pé na igreja e outro no mundo. Querem ser salvos, mas querem mais a honra dos homens. Não querem sacrificar. Não querem o deserto.

Eu disse no outro post que Uri era escravo. E, em suas últimas cenas, ele mostrou que eu estava certa. Escravo do medo, escravo da dúvida, escravo do que seus olhos podiam ver. Por um momento, ele cedeu. Até o último dia, se apoiava na esperança de que a praga não viesse tirá-lo do comodismo. Porém, a família veio avisá-lo de que a morte viria naquela noite. Ele, mesmo relutante, aceitou partir com eles para a vila.

No momento em que todos estavam felizes (tadinhos!), ele disse que, primeiro, iria ao palácio buscar suas coisas. A família insistiu para que ele deixasse tudo para trás e os seguisse. Porém, ele insistiu. Nesse momento, meu marido disse: “ih, ele vai morrer”. Porque era possível ver naquela insistência o medo de deixar tudo para trás. Estava claro que, se voltasse ao palácio, não teria coragem de sair.

Quando Deus chama, o certo é seguir imediatamente, sem olhar para trás. Caso contrário, acontece o que aconteceu em seguida. O rei soube e mandou chamá-lo. A conversa que se seguiu foi absurda. O rei fez a legítima proposta do diabo para Uri. Tentou convencê-lo de que a praga não viria, de que não adiantaria fugir e acenou com a proposta de aceitar sua família de volta no palácio, tudo o que Uri queria!

E não é exatamente isso o que acontece com a gente? Quando decidimos seguir o que é certo, primeiro toda a resistência se levanta. Se a pressão não funciona, o mal tenta acordos. Vai acenar justamente com o que você mais desejava. E foi esse o engano que enredou Uri. A partir do momento em que surgiu uma possibilidade a que ele pudesse se agarrar, Uri engatou uma sequência de erros. Delatou os hebreus, traiu a família, e, quando se deu conta da bobagem que fez, colocou remorso no lugar do arrependimento, se culpou e decidiu ficar no palácio!

No fundo, ele sabia que a praga viria, mas o medo e a dúvida o cegaram. O amor pela família não foi mais forte do que o medo de sacrificar a vida antiga. Em um último segundo de lucidez, ele pega suas coisas e ameaça sair, mas olha para trás e não tem coragem. Deu uma agonia imensa vê-lo voltar para a cama, decidindo ficar, sabendo que aquele seria o fim. Deu vontade de sacudi-lo.

Uri não precisava morrer. Ele era hebreu, ele tinha informação de como se salvar, ele até ajudou a salvar outra família — a de Chibale. Ele viu seus amigos egípcios sacrificarem tudo para ir com os hebreus. Ele sabia o que tinha de fazer, mas não teve coragem.

A história de Uri é uma excelente metáfora da história de muitos de nós. Um homem que tinha tudo para ser feliz, mas que cavou sua própria destruição por não saber valorizar o que realmente tinha valor. Estava apegado à sua velha vida, sem perceber que o prazo de validade já tinha vencido. E sem perceber o presente que tinha nas mãos: a chance de descobrir uma nova vida, ao lado da família e de pessoas que realmente gostavam dele pelo que ele era, não pela posição que tinha.

Infelizmente, hoje há mais Uris neste mundo — e nas igrejas — do que eu gostaria de admitir. Quem vive mergulhado em dúvidas não tem como ter um final feliz. Troca a salvação por um punhado de papel, por uma posição, por um relacionamento, por um vício, por uma zona de conforto quentinha, por uma ideologia, pela glória que vem dos homens. Aposta sua vida em um jogo insano no qual é impossível vencer. Preso ao que não tem o menor valor, Uri se permitiu cegar. Ele não enxergava sequer o que não podia ser negado.

Uri foi avisado que aquela seria sua última noite, mas não creu. Você não sabe quando será sua última noite. Pode ser esta. E será que não está fazendo exatamente o que ele fez? Em vez de seguir sem olhar para trás, será que não está se apegando ao que não tem o menor valor e negligenciando o mais importante? Será que o orgulho, o medo e a dúvida irão vencer a guerra pela sua alma, pelo seu futuro? Só se você quiser. Só se, conscientemente, se deitar para dormir no momento em que deveria se levantar e, com coragem, seguir adiante.

Fiquei dividida entre a raiva e a indignação pela burrice de Uri, o profundo pesar pelas escolhas erradas (é difícil ver alguém caminhando para o precipício) e uma identificação mais profunda ainda, porque, de certa forma, já fui Uri. Felizmente, no último momento, não olhei para trás. E sou muito grata por isso. Então, volto a sentir um pesar ainda mais intenso. Dessa vez, não pelo Uri, mas por tantas pessoas reais que têm agido como ele, com a mesma cegueira, com a mesma intransigência. O que podemos fazer é passar a informação e orar por elas, torcendo para que sejam mais inteligentes do que Uri foi.

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PS: E a cena da morte dele? Que cena foi aquela? Quase perdi o fôlego junto com aquele último suspiro. Nem sei explicar o quanto foi forte toda essa história.

Por que não oramos pelos mortos

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Apesar do que diz um hoax espalhado por aí, a Universal não faz oração pelos mortos no dia dos finados (nem em dia nenhum). Não há na Bíblia nenhuma indicação de que deveríamos fazer. Pelo contrário, diz que todas as chances de salvação se encerram com a morte e que não há mais possibilidade de ser ajudado depois que sua vida acaba. Há céu e inferno, nenhum lugar intermediário. E não se pode passar do céu para o inferno ou vice-versa. A situação após a morte, seja ela qual for, é imutável.

Mas, se a Bíblia é contra essa prática, de onde isso surgiu? Essa, especificamente, veio de uma tradição pagã celta. Durante o festival de Samhain, que ia de 30 de outubro a 2 de novembro, as pessoas homenageavam os mortos e os deuses que, para os celtas, também eram seus ancestrais. O cristianismo iniciou sem nada dessas coisas, mas depois que foi institucionalizado e absorvido pelo catolicismo, começou a fusão com práticas pagãs. Assim, o festival de Samhain se dividiu em Dia dos finados (homenagem aos mortos) e Dia de todos os santos (homenagem aos deuses).

Como sempre digo, é importante saber por que você faz as coisas que faz — antes de decidir continuar ou não fazendo. A base do ato de orar pelos mortos está na crença de que existe o purgatório, um lugar intermediário, entre o inferno e o céu, para onde a pessoa iria purgar seus pecados até poder entrar no céu. Convenientemente, seria necessário pagar missas, fazer orações e comprar indulgências, caso quisesse sair mais cedo do purgatório.

Se cremos que a Bíblia deve ser respeitada como base para a nossa fé, não cremos no purgatório, já que ela é bem clara quanto a haver apenas o céu e o inferno como destinos finais da alma, e não cita purgatório algum*. E, se não cremos no purgatório, não faz o menor sentido orar pelos mortos. Deus não ouve essa oração, pois ela não tem fundamento. Se Deus não ouve essa oração, para quem você está orando?

A cultura é tão arraigada aqui no Brasil que há cristãos protestantes que visitam túmulos nesse dia. Alguns se sentem culpados se não o fizerem. Sou contra essa prática, primeiro por ser originada de um culto pagão (o que, por si só, já mostra que tipo de influência espiritual rege essa celebração). Segundo, porque não creio que, espiritualmente falando, faça bem a alguém visitar o túmulo de um parente morto. Primeiro, porque a pessoa não está mais ali. Segundo, porque não vai adiantar orar por ela – muito menos acender velas. Terceiro, porque vai trazer de volta à sua memória tudo o que você viveu e isso fragiliza emocionalmente. A fragilidade emocional é uma porta aberta para o mal que vem desenterrar culpas, dores, mágoas e tristeza.

O período do luto é importante, para processarmos a perda. Mas ele deve acabar pouco tempo depois da morte da pessoa e não ser renovado uma vez por ano. O que você tem de fazer pelos seus parentes, faça enquanto estão vivos. Depois de mortos, não vai adiantar esforço algum para aplacar sua consciência levando flores ao túmulo e tendo conversas post-mortem que não teve durante a vida.

Lide com o fato de que você fez o que sabia fazer com os recursos que tinha. Por exemplo, hoje eu teria outro tipo de relacionamento com o meu pai. Mas, quando ele morreu, eu não sabia o que sei hoje. Então, o relacionamento que tive com ele foi o que eu sabia ter. O que me resta é fazer o meu melhor por quem está vivo hoje. E ensinar outras pessoas a entenderem seus próprios pais e não exigirem deles mais do que eles têm condições emocionais de dar.

Lutamos por outro tipo de mortos: aqueles que, apesar de ainda respirarem, terem um corpo e caminharem por este mundo, estão longe de Deus. Porque, se Deus é vida, quem está longe dele está morto. Por esses mortos vivos ainda podemos orar. Eles valem nosso esforço. Eles valem nossas noites em claro, nossas orientações, nosso direcionamento. É por eles, os sofridos deste mundo, que oramos e lutamos. É pelos que vivem angustiados, deprimidos, desanimados e cansados que buscamos.

Esses vivos mortos podem tornar a viver, por isso, lutamos por eles. E não acendemos velas por eles, mas acendemos nossa própria luz, para que nos vejam e enxerguem o caminho. Ao ganharem vida novamente, isto é, ao terem uma experiência pessoal com Deus (não uma experiência religiosa), tudo mudará. Serão vivos. E, quando o corpo morrer, eles continuarão a viver, pois estarão com o Autor da vida. É isso que significa “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em Mim, nunca morrerá” (João 11.25,26).

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*Antes que algum católico surja do além aqui citando Macabeus para dizer que há base bíblica para a doutrina do purgatório, explico: Macabeus é apócrifo e não faz parte da Bíblia original (e nem da que utilizamos hoje, está presente apenas na Bíblia católica, à qual foi acrescentado). O próprio autor do livro sabia que ele não era divinamente inspirado, tanto que escreveu: “…finalizarei aqui minha narração. Se ela está felizmente concebida e ordenada, era este o meu desejo; se ela está imperfeita e medíocre, é que não pude fazer melhor” (2 Macabeus 15).

Nem sempre tudo vai dar certo

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A formatura no Godllywood foi inesquecível. A expectativa era chegar às 16h50, encontrar minhas convidadas, guardar o celular, entrar no santuário, sentar nas primeiras fileiras e meditar antes da reunião começar. Para não correr o risco de me atrasar, fui ao cabeleireiro no dia anterior e fiz as unhas em casa na noite de sexta. Deixei a bolsa, a roupa, o sapato e a maquiagem preparados para o dia seguinte.

Meus planos eram tão bonitinhos! Tinham até uma pequena margem de segurança para o caso de um ou outro imprevisto. Porém, na realidade, a única coisa que se cumpriu foi a parte de chegar às 16h50 e guardar o celular. O resto saiu de minha programação de tal forma que, por uma sucessão de fatores, só estava liberada para entrar no salão às 19h, quando todo mundo já estava lá dentro e eu tive que ficar em uma das últimas fileiras. Com os pés doendo, as pernas cansadas e a maquiagem indo para o céu das maquiagens.

Se fosse antes, eu teria entrado arrasada e demoraria muito para conseguir prestar atenção à reunião. O fato de situações saírem do planejado fazia com que eu questionasse cada uma das decisões tomadas e me culpasse por todas elas. “Eu não deveria ter aceitado ajudar em tal coisa”, “devia ter dito não quando me chamaram”, “deveria ter controlado o tempo no relógio”, “como fui burra!”, “não deveria ter continuado em pé quando percebi que minhas pernas estavam doendo”, “será que eu fiz certo?”. Vivia e revivia a situação que não existia mais, me torturando pelo passado, sem perceber que aquilo só me levava a um lugar: para baixo.

Sim, se você considerar meu planejamento inicial como parâmetro para o “certo”, poderia dizer que deu tudo errado. Mas, hoje, depois de tudo, não posso dizer isso, pois ainda que eu não tenha sentado no lugar que eu queria, ainda que não tenha tido o tempo que eu precisava para desacelerar antes da reunião começar, o resultado foi positivo.

Pensei: ok, meus planos não deram certo. Mas as escolhas que fiz já foram feitas, não posso desfazer. O que posso fazer agora é escolher certo de agora em diante. A escolha errada seria ficar remoendo e me focar no que não deu certo. Por outro lado, a escolha correta seria aceitar que as coisas não saíram como eu planejava, mas que, nem por isso, eu tinha sido derrotada. Para sair dali com um resultado positivo, eu deveria prestar bastante atenção à palestra e praticar tudo o que aprendesse. Afinal de contas, era o que importava.

Então, esqueci tudo o que estava me incomodando: o fato de entrar em cima da hora, o fato de não conseguir enxergar perfeitamente a pessoinha no Altar de onde eu estava, o fato de não ter conseguido sentar junto com ninguém. Me foquei no que tinha de positivo: a visão panorâmica do fundo do Templo é incrível, sentar sozinha permite melhor concentração, e eu poderia anotar tudo sem chamar muita atenção.

No Altar, tivemos o Bp Macedo, D. Ester e Cristiane falando sobre a importância da mulher na sociedade e o papel crucial que temos na construção do Reino de Deus. E sobre como é necessário manter nossos pensamentos nas coisas do Alto, ajudando os aflitos e nos preparando para o dia de nos encontraremos com Deus, seja na volta de Jesus ou no dia da nossa morte, o que vier primeiro. O assunto, de uma certa forma, também teve tudo a ver com manter o foco no que realmente importa.

Nos preparamos tanto, planejei cada horário, cada detalhe…mas, se não conseguirmos lidar de forma sábia com as dificuldades, as situações adversas e os imprevistos, corremos o risco de perder o mais importante.

Porque nem sempre tudo vai dar “certo”, do jeito que você planejou ou acha que deveria ser. Às vezes, situações vão mudar diante do seu nariz. Uma curva brusca na estrada. Uma escolha equivocada. Uma omissão em hora de ação. Ou uma atitude em hora de análise.

O que importa não é o que já aconteceu e que você não pode mais mudar, mas, sim, como você escolherá reagir agora. Se continuar no padrão de reações emocionais, continuará errando. Mas se parar e decidir reagir com a cabeça, independentemente de como estiver se sentindo, alcançará o resultado positivo.

E, pelo menos para mim, a formatura não foi para celebrar a entrada das meninas no grupo, a aprovação no Rush ou qualquer coisa assim. Foi, na verdade, para honrar Deus pela oportunidade indescritível que Ele deu àquele pequeno grão de areia revoltadinho e inútil que Ele tirou do fundo do poço. A oportunidade de aprender a fazer as escolhas certas, mesmo depois das curvas fechadas e dos solavancos da estrada. A oportunidade de ensinar. A oportunidade de ser útil.

Isso não é mérito meu. A Vanessa, sozinha, só fazia bobagem. Foi com Ele que aprendi a colocar meu raciocínio a serviço do progresso. Foi com Ele que aprendi o segredo de usar a fé de modo racional e consciente, para que, até o que parecia destinado a dar errado, desse certo. Tive a exata compreensão disso quando chamaram as formandas à frente. E essa experiência fez da noite de ontem uma das melhores de toda a minha vida.

 

 

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PS: Cheguei tão esgualepada fisicamente que não consegui escrever no blog ontem. Sorry.

PS2: Vai entender…eu tiro selfies no carro quando estou vestida de mendiga para ir ao supermercado (ok, isso é um exagero, eu não me visto de mendiga para ir ao supermercado rs), mas me esqueci completamente de tirar uma selfie com o celular do meu marido na ida, com luz do sol e maquiagem bonitinha. Só fiquei com essa foto desfocada tirada com a câmera frontal do meu celular (não tem filtro, é a imagem dela à noite…), que abre o post. Eu estava exausta, com os pés doendo muuuito, por isso esse sorrisinho desmaiado rs. Mas estava MUITO feliz. :)