Os cinemas vazios do UOL

No Market Place: não se fazem mais salas vazias como antigamente... (Foto: Demetrio Koch)

No Market Place: não se fazem mais salas vazias como antigamente…                        (Foto: Demetrio Koch)

A campanha contra o filme Os Dez Mandamentos continua a todo vapor, capitaneada pela dupla dinâmica UOL/Folha de São Paulo. A coisa funciona mais ou menos assim: eles vão a campo, coletam dados já filtrados por seu preconceito e montam o texto de modo a manipular a opinião dos leitores para que se encaixe à deles. Texto 100% opinativo disfarçado de informativo.

A estratégia da vez é divulgar que as sessões que estavam esgotadas na pré-venda ficaram vazias na estreia. Para isso, usaram como exemplo UMA sala de cinema de São Paulo… São Paulo, aquela cidade que tem quase 300 salas de cinema…você leu direito, quase TREZENTAS. Os últimos dados dão conta de 282, mas são de dois anos atrás. Uma em 282 é menos que 1%. Acho que deveriam ensinar estatística no curso de jornalismo.

O texto do UOL tenta jogar com a percepção do leitor: “Em São Paulo, porém, algumas salas que já estavam com as entradas esgotadas não lotaram. (…) o Cinemark do shopping Boulevard Tatuapé, na zona leste de São Paulo, computava quatro sessões esgotadas: 12h45, 15h30, 17h15 e 18h15. O local é um dos preferidos pelo público que mora na região e também um dos mais próximos ao Templo de Salomão, que pertence à Igreja Universal do Reino de Deus”.

As palavras não foram escolhidas por acaso. A intenção é dar a entender que esse shopping fica do ladinho do Templo e que (olha a lógica) seria a escolha mais óbvia para quem é da Universal. Assim, o leitor é induzido a acreditar que se alguma sessão desse cinema estivesse vazia, seria indicativo de que algo estava errado.

No entanto, o Boulevard Tatuapé fica a quase 4 km de distância do Templo de Salomão (mesma distância dos Shoppings Lar Center, D e Center Norte, que também têm cinema). E mesmo se fosse perto: qualquer deslocamento em São Paulo é um parto e a proximidade das coisas vai depender do meio de transporte que você costuma usar, do horário e do dia em que se aventura a sair e de onde você vem. E, não sei se os repórteres do UOL sabem, mas os pastores não nos mantêm guardados em potinhos dentro do Templo de Salomão. Sei que deve ser um choque para o UOL essa informação, mas cada membro da Universal mora em sua respectiva casa.

A matéria “analisa” duas sessões: exatamente na hora do almoço (11h45 e 12h45) em um dia de semana. Segundo o redator, na bilheteria restava apenas um ingresso para compra, mas a sala não chegou à metade da lotação (sim, o que eles chamam de “vazio” é uma sala meio cheia). No entanto, segundo a gerência do cinema, “a reportagem do portal entrou em uma sala que não fazia parte da pré-venda, e sim com ingressos vendidos hoje de forma avulsa, na qual os espectadores ainda entravam quando foi tirada a foto”.

Sinceramente, pelo nível de apuração do jornalismo do UOL, confio muito mais na informação da gerência do cinema. E esse dado (que o jornalista não apurou ou ignorou conscientemente?), desmonta todo o argumento do texto: se a sala não fazia parte da pré-venda, então não pode dizer que “salas cujos lugares se esgotaram na pré-venda” estavam vazias. Não visitou nenhuma sala cujos lugares se esgotaram na pré-venda. E algum outro jornalista visitou? Como saberemos?

Aí você analisa o restante da mídia e dá vontade de se mudar para Marte. Todo mundo reproduzindo a matéria do UOL e a matéria da Folha (que, veja só que lindo, também cita a matéria do UOL), em uma demonstração do pior jornalismo-preguiça que você pode imaginar. Ninguém apura nada, ninguém pesquisa nada, ninguém vai atrás de novas informações. É o jornalismo-fofoca em último grau. Estado terminal. Eu teria vergonha de assinar uma matéria assim.

Alguém já viu repórteres contando o número de pessoas nas salas de cinema na estreia de algum outro filme nacional?  Quem está acostumado a ir ao cinema em estreia, sabe que há sessões que lotam e há sessões que não lotam e isso é tão natural que jamais seria notícia. Com o aumento da procura, novas salas foram liberadas e, com isso, mais lugares vazios à disposição para serem comprados.

É possível que algumas das pessoas presenteadas com ingressos por membros da igreja não tenha ido ao cinema? É possível, mas se isso realmente tivesse acontecido em massa, o pobre jornalista do UOL não precisaria ir láááá no shopping Tatuapé na hora do almoço em um dia de semana para conseguir o clique de metade dos bancos vazios. Nem o outro precisaria recorrer a um cinema cuja projeção parou no meio e foi vaiado pelo público (o escriba deu a entender que o público vaiou o filme…pensa…o filme é tão ruim que o público vaia quando a exibição é interrompida? Se fosse ruim, o pessoal teria aplaudido o problema técnico rs). O problema, na verdade, é mais embaixo…e, para entendê-lo, precisaremos descer à crítica da Folha de São Paulo.

O texto do crítico de cinema da Folha, Inácio Araújo, é deprimente. O cidadão comete um texto tão mal estruturado que parece ter sido rabiscado no pacote de pipoca. E no escuro. Diz que o filme deveria se chamar “Os Dez Mandamentos – O Pesadelo”, possivelmente por ter dormido durante toda a exibição, a julgar pela análise superficial em parágrafos tão mal conectados que nem merecem comentário, exceto pela frase final, que mostra com clareza qual lente ele usou para assistir ao filme: a do preconceito. Segundo ele, não era para ser um bom filme, um bom divertimento ou um ato de fé, “era para ser uma demonstração de força da Igreja Universal proporcional à torniturante e onipresente trilha musical”.

[Confesso que não sei o que me incomoda mais: se a clara demonstração de preconceito ou se um texto ruim terminar pior ainda, no mais canino eco: universAL proporcionAL musicAL… AL…AL…AL.

Who let the dogs out?]

Essa frase é reveladora. Nela está a razão de todos os ataques que o filme vem recebendo. Quem critica Os Dez Mandamentos não está indo assistir a ele como assistiria a outro título, porque acha que o objetivo não era fazer um filme e, sim, mostrar a força da Universal. Logo, não se importa em avaliar o filme, mas em atacar, na tentativa de reduzir a força da Universal. Por isso, o desespero em mostrar salas vazias, em tentar dizer que não temos tanta força assim, afinal.

Por isso, os argumentos deles parecem nonsense para nós. Estamos indo ver uma coisa, eles estão indo ver outra. Mas qual é o interesse de veículos de comunicação em atacar uma igreja? Por acaso são representantes de outra igreja que serve a um senhor diferente? Seria a única explicação a fazer sentido.

Porque os ataques não são contra a Record. Ela entra no balaio por causa da igreja (tanto é que, sempre que há menção da Record, vem junto de “a emissora do Bispo Edir Macedo” ou “a emissora da Igreja Universal”), mas não é ela o alvo principal. Não se trata de uma briga entre emissoras ou grupos de comunicação. Os veículos de comunicação são apenas a voz. A mente por trás dessa voz é que tem extrema necessidade (beirando o desespero, como se vê) de fazer com que as pessoas acreditem que não há força na Universal. O grupo Folha (do qual o UOL faz parte), a Globo et cetera estão ali apenas de papagaio de pirata.

Sabemos que, não importa se a mensagem do filme é positiva, se a produção foi boa, se a novela foi um sucesso incontestável e se o filme bateu recordes de bilheteria, não tem como agradar quem está do lado negro da força. E nem temos interesse nisso (aqui falo como membro da Universal, mas acho que a igreja tem essa opinião, também). Mas, por uma questão de ética, é nossa obrigação divulgar a verdade, mostrar os fatos como eles são. A mídia, infelizmente, há muito tempo não tem esse compromisso.

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PS: No final das contas, o desespero fez com que passassem vergonha na internet. A Record já respondeu e o pessoal começou a mandar fotos das salas lotadas (clique aqui para ver a resposta e a galeria de fotos no portal Universal.org).

Sobre o filme Os Dez Mandamentos

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Assisti ao filme Os Dez Mandamentos e não poderia deixar de dar minha opinião aqui. Primeiro, a edição foi excelente. Eu temia que pudesse ficar com cara de trailer e perder partes importantes, mas não foi o que aconteceu. A direção de conteúdo privilegiou a narrativa bíblica, o que faz desse o filme mais fiel ao original de todos os que já assisti sobre Moisés. Aliás, se você quiser aproveitar melhor o filme, aconselho que esqueça a novela, os personagens secundários (e alguns principais) e as tramas paralelas e tente assistir como se não tivesse visto nenhum daqueles personagens ainda. Entenda cada um deles do modo como o filme os apresenta e não da forma como a novela retratou. A experiência será bem mais completa.

Acho que uma das coisas mais legais dessa versão de Os Dez Mandamentos (tanto o filme quanto a novela) é que é a primeira vez que eu vejo um Moisés coerente com a descrição que a Bíblia dá sobre ele. Um Moisés mais contido, o homem mais manso que havia na terra.

Sempre que lia, ficava imaginando que tipo de líder ele seria. Que terreno fértil e rico para a imaginação de um escritor é um líder manso, educado e civilizado à frente de um povo rebelde, cabeça-dura e um tanto selvagem. As vezes em que Moisés perde a paciência estão muito acima do nível de tolerância que costumamos ter. Em outras palavras, já teríamos arrancado a cabeça de todo mundo e Moisés ainda estava começando a se irritar.

A produção da Record conseguiu levar para a tela exatamente o que eu imaginei. E a interpretação de Guilherme Winter deu o tom exato do Moisés bíblico. Os personagens, aliás, foram um dos (muitos) pontos altos da trama.

Antes de pensar em ser escritora, eu queria ser atriz. Estudei interpretação e uma das similaridades que vejo entre o trabalho do escritor e o do ator é a construção de personagem, que começa por dentro. Você entende a mente do personagem, a maneira de pensar, as lentes que usa para ver o mundo. Daí, parte para suas ações e palavras. Muito do mundo do personagem é interior e nunca será visto pelo público ou pelos leitores, mas é o que faz diferença na credibilidade que ele terá. E isso a gente percebe nos personagens de Os Dez Mandamentos. É isso que dá profundidade às cenas.

O filme é, basicamente, a história da libertação dos hebreus contada ao povo por Josué (com algumas narrações em off que ajudam a avançar a história). Assim, o foco se mantém nos principais acontecimentos, que são mostrados em uma sequência bem montada.

Fora a vontade de que o filme não acabasse nunca, a principal razão de eu realmente achar que poderia ter uns 30 minutos a mais era para mostrar melhor as pragas, pois senti falta do link que a novela fez entre cada uma e as crenças egípcias, mostrando claramente que Deus estava esmigalhando uma a uma das mitologias daquele povo. Essa explicação ficou restrita apenas à das trevas espessas. Mesmo assim, a apresentação das pragas teve um bom ritmo. Todas foram mostradas, sem pular nenhuma (como aconteceu no filme de Cecil DeMille) e sem o modo videoclipe (como aconteceu na animação Príncipe do Egito).

No entanto, até pelo filme ter apenas duas horas, não há enrolação. As cenas são ágeis e os acontecimentos seguem a Bíblia (o mínimo que se espera de um filme baseado em um livro é fidelidade ao original, apesar das recentes adaptações bíblicas de Hollywood se esquecerem desse “detalhe”). E, como na novela, os diálogos foram muito bem escolhidos. Nas palavras de Anrão ao filho, nas palavras de Moisés ao povo, a cena do clamor… é fácil perceber o quanto os seres humanos são parecidos, não importando a época. Os conflitos humanos são os mesmos há milhares de anos.

A teimosia, o medo, o orgulho, as dúvidas, a coragem, o amor, a fé, a gratidão, a fidelidade…o que temos de mais forte em nós, tanto para o bem quanto para o mal, acompanha os humanos desde que vivemos neste mundo. E, para aprender a lidar com todo esse pacote, eliminando o que é ruim e fortalecendo o que é bom, precisamos da disciplina representada pelos Dez Mandamentos, pela Palavra dada por Deus.

Não se trata de um conjunto de regras moralistas para aplacar a ira de um deus malvado (como muitos mal informados pensam), mas, sim, princípios éticos capazes de transformar um povo semisselvagem em uma nação estruturada e correta. Um presente de um Deus misericordioso, para dar a possibilidade de futuro que eles jamais teriam sem legislação, disciplina e instrução.

Da mesma forma, com a mente escravizada por uma mídia corrupta (o quarto poder, que é o verdadeiro Faraó deste planeta), o povo hoje sofre, mergulhado na injustiça que ele mesmo ajuda a criar quando acredita naquilo que ouve.

A libertação é apenas o primeiro passo. A jornada de Moisés e dos hebreus foi longa e complicada porque a escravidão física é muito mais fácil de resolver do que a escravidão mental. E a mente daquele povo ainda estava no Egito. A escolha que temos de fazer hoje não é diferente da escolha do passado. É necessário romper com os conceitos antigos, com a velha maneira de pensar, para seguir em frente em uma nova vida. Caso contrário, estamos condenados à morte. Não à morte do corpo, mas a viver como os zumbis deste mundo, guiados pelas circunstâncias, sem razão para viver, sem o foco em nada maior do que eles mesmos.

Os Dez Mandamentos é um filme atual. Nunca houve um tempo em que tantos reclamadores, murmuradores, críticos vazios e irresponsáveis preguiçosos tiveram voz e espaço nas redes sociais e na mídia formal, apontando dedos e fazendo análises rasas sobre questões que desconhecem.

O filme não fala de religião. Fala dessa escolha entre nos conformar com o que nos empurram diariamente ou fazer o sacrifício necessário para mudar. Abrir mão da mentalidade de escravo não é fácil, principalmente porque nos obriga a assumir responsabilidade por nossas escolhas. E essa é a essência de Os Dez Mandamentos: a responsabilidade pessoal.

O responsável pelas pragas não cessarem foi o Faraó inflexível. O responsável pelo sofrimento do povo por tanto tempo foi o próprio povo que se afastou e deixou de clamar ao Único que poderia livrá-lo. A responsabilidade de proteger sua casa com o sangue do cordeiro era de cada um. A responsabilidade de estender o cajado para abrir o mar foi de Moisés. A responsabilidade de se manter firme no deserto era do povo, ao aprender a confiar e manter a certeza de que Deus providenciaria tudo. Deus manteve Sua palavra até o fim, mesmo diante de um povo que não queria fazer sua parte. Que insistia em jogar sobre os outros a responsabilidade que era sua, reclamando, murmurando e desobedecendo continuamente.

A obediência à Palavra que receberam era a prova da confiança de que Deus faria a Sua parte na Aliança. Viver nessa fé era responsabilidade pessoal e intransferível de cada hebreu que saiu do Egito. Era a única garantia de liberdade e a única garantia de vitória sobre os inimigos. Por isso, a história foi registrada. Por isso, ela deveria — e deve — ser contada e compreendida.

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PS: Achei que o post com minhas impressões deveria vir antes do post chutando o UOL (neste final de semana, sem falta). O filme é mais importante que os haters da mídia.

PS2: Ok, o filme não fala sobre mídia, mas esse assunto está na minha cabeça e, assim, não tem como desvincular. A gente assiste ao filme com as lentes que leva para a sala de cinema. Entenda isso ao ler qualquer crítica. Quais lentes a pessoa usou para assistir ao filme? As lentes do preconceito? As lentes do ateísmo? As lentes da religiosidade? Todo ser humano carrega consigo sua bagagem sociocultural e emocional (e espiritual) e lê o mundo através dela. É possível contorná-la e lidar com ela ao conhecê-la bem. Mas não tem como deixar do lado de fora.

Sobre a campanha ridícula contra Os Dez Mandamentos

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Uma das coisas mais idiotas que já li nos últimos tempos (e olha que a internet tem nos brindado com muitas coisas idiotas nos últimos tempos) foi que a Igreja Universal nos obriga a comprar ingressos para o filme Os Dez Mandamentos. Na verdade, o jornalismo-preguiça ainda não se decidiu. Uma hora dizem que a igreja nos obriga a comprar ingressos para o filme, outra hora diz que a igreja compra ingressos para distribuir entre a gente. Decidam-se, é uma coisa ou outra. Não dá para ser as duas.

A verdade é que a imprensa está horrorizada e procura razões, dentro de seu saco de preconceitos, para explicar o enorme sucesso da pré-venda do filme, que já ultrapassou a casa de dois milhões e bateu vários recordes. E, provavelmente também esteja ofendida, porque, segundo a Folha de São Paulo, não haverá “sessões para críticos de cinema antes da estreia, como é de praxe no meio”.

Por nunca terem se interessado em saber como somos de verdade, fora das páginas distorcidas da Veja, Folha, Globo & Cia, esse pessoal não tem dados suficientes para entender o fenômeno. Primeiro, o público de Os Dez Mandamentos não é só a Universal – e isso é fato. Falam como se a novela não tivesse sido um sucesso absoluto, liderando audiência no horário nobre inclusive quando concorria diretamente com a novela das nove – principal produto da Globo. Coisa que nunca aconteceu na história da emissora dos Marinho (a novela “Pantanal”, da Rede Manchete, só começava depois da novela da Globo terminar…ninguém nunca teve coragem de bater de frente).

Vi gente sem noção argumentar que ninguém vai ao cinema para assistir a uma coisa que já assistiu na TV…oi? Em que mundo vocês vivem, pessoas azuis? Quantas vezes já assisti “De volta para o futuro” na TV? Milhões de vezes…e na sessão da tarde! E quando passou no Cinemark, lá estava eu, meu marido e a sala de cinema cheia para assistir ao filme i-gual-zi-nho ao da TV. Por que fomos? Porque amamos o filme e queríamos vê-lo na telona. Imagina se não iria querer muito mais ir ao cinema ver o que ainda não vi! Sim, porque eu vi uma novela. A edição necessária para se transformar quase duzentos capítulos em duas horas de filme cria, inevitavelmente, algo completamente diferente. Tem de ser muito desprovido de capacidade cognitiva para não entender isso.

Sem contar que, se fôssemos seguir esse tipo de “raciocínio” dessas pessoas, os cinemas iriam à falência. Porque hoje em dia, pouquíssimo tempo depois do lançamento, qualquer filme já está disponível para baixar e assistir na TV. E alguém deixa de ir ao cinema por isso? A experiência do cinema é algo que absolutamente nada é capaz de substituir. Eu poderia ter esperado para assistir ao novo Star Wars na TV, mas fui ao cinema – e DUAS vezes.

Porém, além do público não Universal da novela Os Dez Mandamentos, é lógico que existe um público enorme que é da Universal (eu, incluída. Membro da Universal há exatos 16 anos e um mês). E vou dizer um pouquinho como somos. Nossa cultura é de compartilhamento. Tudo o que nos faz bem, queremos compartilhar com os outros. AMAMOS a novela Os Dez Mandamentos porque vimos uma história tão importante sendo retratada com delicadeza, inteligência, competência e respeito. E, quando amamos alguma coisa, queremos passá-la adiante.

Por isso você vê membros da igreja comprando, do próprio bolso, ingressos para levar pessoas que não têm condições de ir. E você sempre vai ver isso. Quer seja em um lançamento de livro, quer seja em uma estreia de filme. Você sempre vai ver pessoas que têm mais condições (ainda que não muitas) ajudando quem tem menos. Compramos dez exemplares de livros para doar, se pudermos. Mas quem entende isso nesse mundo egoísta em que a mídia vive?

E, para não ser injusta, preciso dizer que isso não é exclusividade da Universal. Ou como vocês acham que os padres cantores/escritores vendem tantos livros? Já presenciei a cena diversas vezes, e a última delas nem foi em lançamento. Uma senhora católica chegou na livraria e pegou uma pilha de livros do padre Marcelo, dizendo que sempre comprava para doar a amigos e vizinhos. Mas talvez a mídia não fale disso por achar que, vinda de católicos, a generosidade é válida e espontânea. E isso não é preconceito?

Sei que há membros que se dispuseram a comprar ingressos para pessoas que nunca foram ao cinema na vida. Mesmo se você não estiver nem aí para a história bíblica, é impossível negar a importância cultural disso. Pessoas que não têm condições de pagar uma entrada de cinema (a preços absurdos, principalmente em São Paulo, onde um ingresso pode custar mais de vinte reais) estão tendo a oportunidade de assistir a uma produção nacional por causa da generosidade de um grupo de desconhecidos.

Eu não fui obrigada a comprar ingresso nenhum – e nem precisaria. Assim como quase todo mundo que acompanhou a abertura do Mar Vermelho na Record, desde o primeiro anúncio que vi do filme, já decidi comprar. Já adquiri o meu e o do meu marido na pré-venda e duvido que vá uma vez só. Como já disse, se assisti a Star Wars duas vezes, iria apenas uma ao cinema assistir a Os Dez Mandamentos?

E, para os sem-noção que perguntaram por que a Record não passa o filme em igrejas em vez de nos cinemas, eu realmente não acredito que preciso responder a isso… quanto maior a exposição, maior o público alcançado. A quem interessa agir como se o conteúdo bíblico fosse algo menor ou menos digno que a mitologia grega ou uma história de super heróis? Ou por que uma porcaria distorcida como o filme Noé, do Aronofsky, pode estar no cinema sem sofrer represálias e há uma campanha tão ridícula contra uma produção nacional de qualidade como Os Dez Mandamentos?

Eu sei de onde vem essa oposição e sei que ela é inevitável. Porém, não deixo de me indignar quando alguém tenta subestimar minha inteligência tentando descredibilizar o filme antes mesmo da estreia. Graças a Deus, outra característica nossa é a personalidade bem definida. Eu sou muito do contra. Se vem campanha midiática tentando minimizar o sucesso do pré-lançamento, aí é que me dá vontade de fazer mais.

Dá vontade de comprar dezenas de ingressos e sair distribuindo entre quem quer ir e não tem como, coisa que eu faria, se pudesse, e torço para que pessoas que possam sair fazendo isso, realmente o façam. E, assim, eu entendo bem quem tem condições e resolve comprar 22 mil ingressos, como o UOL diz que alguém fez em Recife (se é que essa informação é verdadeira, porque, enfim, é o UOL). Com toda essa campanha contra, a gente não desiste, não se intimida. Só se fortalece mais e fica com ainda mais vontade de ver esse filme ser o maior lançamento da história do cinema nacional.

Porque é isso que nós aprendemos com Moisés e com o Deus que enviou as dez pragas para libertar o Seu povo. É uma história de perseverança, de força, de generosidade, de permanecer firme contra a oposição, de manter a fé, de crer no que não vê, da criação de um povo com identidade sólida… É uma história que se conecta comigo, que sou da Universal, mas que também se conecta com o católico, o espírita, o budista, o ateísta, etc. porque não se conecta com rótulos, mas com seres humanos. Por isso eu realmente fico indignada ao ver todo o esforço por divulgar um conteúdo de extrema qualidade (não apenas técnica) sendo reduzido a uma conversinha de comadres nesses sites de fofoca notícia “a Universal está pagando”, “a Universal está obrigando”, como se fôssemos um grupo de zumbis descerebrados.

Vamos deixar, então, que, a partir de quinta-feira, os cinemas falem por si. E eu realmente espero, de todo o meu fígado (que é maior que o coração), que o filme fique muito, mas muito tempo em cartaz. E que bata todos os recordes a que tem direito. E que traga uma mensagem positiva, de fé e de força, para variar um pouquinho. Coisas que não vemos noticiadas, porque, enfim, não vendem jornal.

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Será que você realmente sacrifica?

Diz que sacrifica, mas não quer dar a cara a tapa. Diz que sacrifica, mas se preocupa mais com o que os outros vão pensar de você do que no tanto de gente que vai alcançar ao se expor.

Diz que sacrifica, mas não vê a hora de dar o horário de ir para casa. Diz que sacrifica, mas suas vontades, seus medos, seu orgulho ou sua insegurança estão acima do que Deus lhe pediu. Diz que sacrifica, mas olha com maus olhos, julga com base em informações dadas por terceiros, sem conhecer. Diz que sacrifica, mas não consegue segurar a língua ao comentar da vida alheia. Diz que sacrifica, mas dá um jeito de revidar sempre que se sente ofendido. Diz que sacrifica, mas guarda ressentimento. Diz que sacrifica, mas continua seguindo seu coração.

Diz que sacrifica, mas não abre mão de sua vontade nas coisas mais básicas. Diz que sacrifica, diz que se entregou, mas só faz o que quer. Diz que sacrifica, mas arranja desculpas para não fazer o que precisa ser feito. Diz que sacrifica, mas não quer sair da zona de conforto. Diz que sacrifica, mas dá mais valor à aparência do que àquilo em que sabe que precisa mudar. Diz que sacrifica, mas acha muito difícil obedecer.

Sacrificar é entregar tudo. Sua vontade, seu eu, seus achismos, sua teimosia, seus medos, suas inseguranças, seu orgulho, sua vida, sua reputação. Colocar um uniforme é muito fácil. Aprender os jargões de um grupo e se parecer, por fora, com um membro fiel, é mais fácil ainda. O difícil é colocar esse uniforme dentro de você. O difícil é assumir tudo aquilo que vem com o compromisso: a entrega, o morrer para si mesmo – de verdade, não da boca para fora.

As portas do Reino de Deus estão abertas para você, apenas esperando esse primeiro passo. Esse passo que mais ninguém irá ver, só você, pois é algo que não é possível ostentar. Abrir mão de coisas materiais é muito fácil. Agora, abrir mão daquilo que você já se acostumou a fazer, da sua reclusão, da sua timidez, da sua teimosia, daqueles hábitos que você gosta tanto, daqueles pensamentos que são seus há muito tempo…ah, isso exige o verdadeiro sacrifício.

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”
Romanos 12:1

PS: Eu já escrevi sobre sacrifício em um texto que foi publicado no blog do Bispo. Se você ainda não leu, clique aqui para ler.

Cuidado com o Evangeliquês – Parte 1

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Todos os grupos têm uma linguagem própria. Advogados têm seus jargões jurídicos, médicos têm seus jargões, funkeiros têm seus jargões, adolescentes têm seus jargões…não importa o tipo de grupo. A linguagem ajuda a unificar internamente e a diferenciar externamente. Provavelmente por isso temos no meio evangélico uma série de jargões e uma linguagem própria tão peculiar que eu chamo de evangeliquês. Em algumas igrejas, é quase um dialeto à parte.

Os problemas disso são infinitos. Eu mal conseguiria começar a listar. O principal deles, porém, é que falar evangeliquês vai contra um dos principais mandamentos do cristianismo, que é espalhar o Evangelho. Como você vai espalhar o evangelho adequadamente usando uma ferramenta que serve principalmente para fechar o grupo em um gueto e afastá-lo das pessoas de fora? E nem é por mal. Chega um momento em que você está tão envolvido com as atividades da igreja que começa a falar lá fora do mesmo jeito que fala no meio do seu grupo. É natural.

Há uma linguagem dentro da igreja que é perfeitamente compreendida pelo público interno. Mas ao estender isso para quem não está na mesma vibe que você, surge o choque cultural. Você começa a ser mal compreendido. As pessoas já não entendem mais suas palavras. Elas já o acham ET por ir tanto a uma igreja. Agora começam a achá-lo ET por estar falando coisas sem sentido (na cabeça delas).

Absurdamente, muitos cristãos não são perseguidos na família ou no trabalho por seu comportamento correto, mas, sim, por seu linguajar esquisito. Parecem, aos olhos dos outros, fanáticos. Principalmente quando, além das palavras esquisitas, começam a falar de assuntos que ninguém de fora entende (e nem quer entender).

O marido (não cristão) fala alguma coisa negativa para a esposa cristã e ela já responde com um: “Tá amarrado, em nome de Jesus!”. Ou fica falando “Deus isso”, “Deus aquilo” em momentos totalmente fora do contexto. Quanto mais ouvimos uma palavra, menos atenção damos a ela. Não gaste o nome “Jesus” ou a palavra “Deus” à toa, por favor.

Temos que ter equilíbrio e entender que a vida cristã começa de dentro para fora. Não é pelo muito falar que você irá converter alguém. Não precisa falar de igreja o tempo todo, não precisa dizer “ungido”, “aleluia” e “glória a Deus” o tempo inteiro para provar que é de Deus. Nem chamar os outros de “perturbados”, “pervertidos” etc. Devemos nos diferenciar pelo nosso comportamento, pelo nosso caráter.

Somos ETs pela nossa maneira de pensar, porque nossos valores são diferentes, porque nossa visão de mundo é outra, não porque falamos esquisito e nos vestimos com sacos de batata. Nossa linguagem deve ser limpa, sem a pobreza de palavrões, mas também sem o evangeliquês, que também empobrece o discurso.

E não são apenas os exemplos extremos, como “aleluia” e “tá amarrado”, mas também os termos que usamos no dia a dia. Se eu disser para alguém de fora da igreja que fulano é “muito de Deus”, o que você acha que essa pessoa vai entender? Talvez entenda o que eu quero dizer, mas talvez não entenda. De qualquer forma, meu linguajar vai causar estranhamento o que, por si só, prejudica a comunicação.

Tente descrever o que é alguém “muito de Deus”. O que você quer dizer com isso? Que tipo de pessoa você está descrevendo? Pense um pouquinho mais e traduza seu pensamento em palavras que a pessoa esteja habituada a ouvir, para que ela entenda sem restrições e com o mínimo possível de barreiras.

O próprio apóstolo Paulo se esforçava para adequar seu discurso aos ouvintes. Ele não poderia falar como judeu para os não judeus, porque quando a linguagem que você usa para falar é diferente da linguagem que seu interlocutor está habituado a ouvir, você cria um ruído que corta o canal de comunicação:

“E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei.
Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei.
Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.
E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele.”
1 Coríntios 9:20-23

E outra coisa, você ganha a atenção das pessoas muito mais por suas atitudes e pelas coisas boas que tem dentro de você do que por qualquer discurso. Todos nós já conhecemos pessoas que se diziam cristãs, mas tinham mágoa, eram maldosas, desonestas ou descontroladas. Isso porque eram fluentes em evangeliquês e viviam dentro de uma igreja, mas não se preocuparam com o seu interior. Então, se quiser ajudar alguém, é exatamente nisso que deve focar: no tipo de pessoa que você quer ser.

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O maior poder que você tem

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“Bom dia Vanessa!!! Eu estou passando por um momento difícil, é como um teste de paciência, não tem como ir para lugar algum, esperando que os dias passem e o jeito é só confiar em Deus. Às vezes, parece tão difícil confiar em Deus, porque para tudo que vamos fazer temos de ter o Espírito Santo, e eu ainda não tenho. Fico com medo de desistir de Deus, porque eu não quero envergonhar Ele. Ás vezes, não entendo nada de como é o ‘crer’, como é a ‘fé’, para eu entender as coisas espirituais, eu preciso ser espiritual e como vou ser espiritual se ainda não tenho o Espírito Santo? Quase todos os obreiros da Igreja sabem da minha vida, porque tenho que pedir orientação para quase tudo e já estou com vergonha disso. Obrigada!!!”

– Larissa Souza

Nãããããããããããão!!!! Quem disse para você que precisa ter o Espírito Santo para confiar em Deus??? Ou que precisa ter o Espírito Santo para ser espiritual? As coisas são tão mais simples do que isso, Larissa. Não complica, não rs. Olha só: todo mundo que recebeu o Espírito Santo não tinha o Espírito Santo quando O recebeu. Ninguém nasce com o Espírito Santo.

Lembre-se de que tudo o que a Bíblia diz antes do livro de Atos (ou seja, quase toda a Bíblia) foi dito ANTES de termos acesso ao Espírito Santo. Ou seja, foi escrito para pessoas que não eram batizadas com o Espírito Santo. Logo, tudo o que a Bíblia diz que é possível fazer, é possível fazer mesmo sem ter o Espírito Santo.

E isso inclui: confiar em Deus, obedecer à Palavra dEle, entender o que Ele diz, discernir o certo do errado, se arrepender, se consertar, se voltar para Ele, pedir a direção dEle (e receber a direção) e até mesmo nascer de novo! (Nicodemos não tinha o Espírito Santo e Jesus se espantou de ele não entender sobre o Novo Nascimento.) Claro que, para se manter nessas coisas, você vai precisar do Espírito Santo. E é justamente aí que você O recebe.

Você colocou na cabeça que é difícil e que não consegue porque não tem o Espírito Santo (será que foi você que colocou isso na cabeça, mesmo? Desconfie desses pensamentos de impossibilidade…) e, por isso, está tão confusa. Mas você tem aí tudo o que precisa ter para fazer a sua parte. Mesmo sem o Espírito Santo dentro de você, é a sua decisão que define o seu futuro, inclusive espiritualmente.

Por que você diz que tem medo de desistir de Deus? Mais uma vez eu vou pedir: desconfie dos seus pensamentos. Esse é um tipo de pensamento que vem rastejando, sutilmente, fazendo você achar que é tão inconstante que, a qualquer momento, pode dar a louca e desistir de Deus. A intenção é colocar uma sementinha dentro de você que alimente esse medo até convencê-la a realmente desistir. E, aí, você vai pensar que foi ideia sua… Mas não foi. Pensamentozinho bem encomendado esse, viu?

O antídoto para o pensamento de medo é sempre fazer o contrário do que o medo pede. Nesse caso específico, é só decidir que nunca vai desistir. Pronto. Bem teimosa, mesmo. Na época em que eu estava bem confusa assim, em um raro momento de inteligência espiritual tomei duas atitudes que eu creio que estão dando frutos até hoje: eu pedi para Deus não desistir de mim. (Hoje sei que Ele não desiste de ninguém, mas eu fiz um pedido bem específico, porque também tinha medo de fazer bobagem.)

E completei esse pedido com um compromisso, eu disse: “eu decido nunca sair da igreja. Decido nunca desistir. Por mais difícil que pareça, aconteça o que acontecer, eu vou ficar aqui até morrer”. E esse foi o pacto que eu fiz com Deus: Ele nunca desistiria de mim e eu nunca desistiria dEle. E isso foi muito antes de eu conhecê-Lo de verdade.

O maior poder que temos é o poder de decisão. O diabo não tem força nenhuma contra isso. Ele só pode entrar onde a gente permite. Por isso, planta pensamentos, sugere ideias, nos incita a tomar atitudes de acordo com os planos dele…assim, nos leva a abrir as portas que ele quer. Somos nós que abrimos as portas. E quando usamos nosso poder de decisão a nosso favor, fechamos a porta na cara do inferno inteiro.

Você tem tudo o que precisa para conseguir o que quer. Para ser espiritual, você não precisa ser batizada com o Espírito Santo, você precisa decidir se tornar a pessoa que Ele quer que você se torne. Você vai às reuniões na igreja para ouvir o que Deus quer lhe falar. Leve um caderninho para anotar o que Ele disser. A Palavra que o pastor prega não é um discurso dele. Se você for à igreja ouvir o pastor, você só vai ouvir o pastor. Mas se for com a intenção de ouvir Deus, as coisas que o pastor disser terão um significado diferente para você. Só você e Deus saberão.

Talvez você não entenda tudo no começo. Grande coisa. Não tem problema nenhum, quem disse que precisa entender tudo? Entenda um pouquinho que seja e pratique o que entendeu. Viva aquilo que entendeu. No Reino de Deus, tudo o que a gente cultiva, se multiplica.

Não queira se encaixar em padrões, achar que precisa ser obreira, que precisa entrar no grupo X ou Y, que precisa dar três pulinhos em um pé só, ou sei lá mais o quê. As coisas são simples. Um passinho de cada vez. Um degrauzinho de cada vez. Uma decisão de cada vez. Uma palavra de cada vez. Sabendo que todas as coisas estão indo para o lugar certo, pois Deus está aí, ao seu lado, ajudando a cada etapa. A fé é isso aí. :)

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PS: Escrevi isso esses dias, mas vai que alguém não leu… A verdade sobre seus pensamentos (clique para ler)

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Sendo menos animalzinho

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Tenho sérias dificuldades com nosso ritmo contemporâneo. Preciso de tempo para pensar, questionar, analisar, pesquisar, ler e escrever. Nossa sociedade não valoriza o tempo para pensar. O silêncio, o ficar sozinho, o analisar profunda e cuidadosamente. Tudo tem de ser na correria, com mil aplicativos abertos ao mesmo tempo, uma enxurrada de entretenimento, indignação artificialmente plantada pela mídia e conversas nonsense de Facebook.

Consequentemente, estamos ficando mais superficiais e com conflitos cada vez menos resolvidos. Intelectualmente, as pessoas estão virando bichinhos. Vivem à base da emoção e suas opiniões são aquelas que o Jornal Nacional ou a Revista Veja dizem que elas devem ter. Já recebem as opiniões mastigadas da mídia, então, atuam como se realmente soubessem do que estão falando. E preferem gastar seu tempo com joguinhos, bate-papos que não levam a lugar nenhum, redes sociais e entretenimento vazio. O prazer momentâneo, acima de qualquer outra coisa. Um docinho rápido para disfarçar a fome que aumenta.

Intelectualmente desnutridas, essas pessoas se tornam cada vez mais carentes e vazias. Suas carências e seus vazios são temporariamente supridos por mais balinhas, oferecidas pela indústria do entretenimento, pela indústria da beleza, pela indústria do sexo, pela indústria religiosa e por uma infinidade de outras indústrias perniciosas que se reproduzem feito moscas no lixo da nossa sociedade, corroendo o que há de melhor dentro daqueles que buscam nelas a solução para sua fome.

No entanto, essa fome não pode ser suprida por sentimentos ou sensações, muito menos por coisas materiais ou atenção. Essa fome é profunda e só pode ser saciada quando você consegue parar, ficar sozinho e analisar o que está acontecendo dentro de você. Se entupir de doces não vai resolver seu problema. Um novo parceiro não vai resolver seu problema. Passar o dia no Facebook não vai resolver seu problema. Encher sua cabeça de barulho não vai resolver seu problema. Encher sua agenda de atividades não vai resolver seu problema. Não se esconda no caos. O caos só faz o problema aumentar, sem que você perceba.

O que ninguém quer ver é que essa fome é espiritual. E a única forma de saciá-la é indo à Fonte. A busca por Deus não é a busca por si mesmo. A busca por Deus não é a busca por uma religião. A busca por Deus é a busca por Deus. Não há muitos caminhos para isso. Assim como se você quiser me conhecer, o único caminho que pode tomar é vir até mim e me conhecer, se você quiser conhecer a Deus, a única forma é ir até Ele e conhecê-Lo.

Porém, e aquelas pessoas que já conheceram a Deus, mas continuam nessa busca desenfreada por sensações, mergulhados no Facebook, Whatsapp, Twitter, Instagram, aplicativos, jogos, vídeos, televisão e demais estímulos emocionais e sensoriais? São usados pela tecnologia, manipulados pelos interesses alheios, tanto quanto as outras pessoas que buscam nessas coisas o preenchimento de sua vida e de seu tempo, para não pensarem na própria vida. Não querem ficar sozinhas um segundo. Não querem ter de se encarar.

O que você mais alimenta, é o que vai crescer. Se alimentar sua inteligência, ela crescerá. Se alimentar suas emoções e sensações, elas se desenvolverão e tomarão conta da sua vida. O segredo de tudo é o equilíbrio, somos racionais justamente para que nossa mente seja capaz de liderar nosso corpo e nossas emoções. Não inverta essa equação, ou não haverá diferença entre você e um gambá.

Os animais têm uma inteligência, um certo raciocínio, a capacidade de resolver problemas e enfrentar situações inusitadas que exigem mais do que mero instinto. E são capazes de se comunicar, também. No entanto, seus comportamentos são guiados basicamente por emoções, sensações e instinto, deixando a inteligência em segundo plano. Eles reagem irracionalmente muito mais vezes do que agem racionalmente. Respondem aos seus sentimentos sem questionar, como muita gente que você conhece.

Os humanos têm milhares de anos de desenvolvimento filosófico e de raciocínio, o que lhes daria uma vantagem em termos de capacidade de utilização racional. Mas, intencionalmente, esse desenvolvimento tem sido barrado e sufocado a ponto de as novas gerações (e as velhas, também) estarem cada vez mais superficiais. A intenção, seguramente, é formar um exército de pessoas desprovidas de capacidade cognitiva, guiadas pela vontade de uma minoria. Já essa minoria, obviamente, investe pesado em sua própria formação intelectual.

Por isso, pular fora do gira-gira deste mundo pode machucar no começo, mas é a única maneira de conseguir uma vida interior decente. Pouquíssimas pessoas farão isso. Porque o ritmo deste mundo traz um certo prazer, já que é voltado para isso. Mas também cobra um preço alto. O efeito rebote não compensa todo o prazer que você recebeu. Melhor uma vida equilibrada, sobre a qual você tenha algum controle, do que viver de extremos, de picos e vales, sendo guiado por alguém que quer sugar tudo o que você tem e transformá-lo em uma casca vazia.

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A mente do escritor

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Escritores não são pessoas especiais ou alvos inatingíveis, hoje eu creio que qualquer pessoa pode se tornar um escritor, desde que aprenda a pensar como um escritor e, obviamente, a passar seus pensamentos por escrito como um escritor. Mas qual é o modo de pensar do escritor?

A mente de alguém que tem a literatura como atividade prioritária funciona um pouquinho diferente. O escritor observa o mundo à sua volta com atenção aos detalhes que ninguém vê. Uma folha seca presa a uma placa de trânsito pode render um texto. A folha pode representar qualquer coisa, desde a natureza até a própria pessoa que escreve ou mesmo o tempo. A placa de trânsito também pode representar qualquer coisa, desde as mais óbvias até as mais esdrúxulas.

O escritor deve ser capaz de fazer conexões lógicas entre coisas absurdas. Uma meia suja pode ter a ver com uma alga marinha, você só precisa construir uma conexão lógica entre os dois elementos. E isso é o texto literário. Isso é o despertar da criatividade. Abrir espaços. Romper conceitos pré-estabelecidos. Abrir as portas e as janelas. Costurar o ilógico com a lógica. Brincar com as palavras, procurar o humor.

O escritor observa. Observa o mundo, observa as pessoas, observa as interações, observa tudo. Não julga, a princípio, apenas observa e absorve. Ele é curioso, interessado, como um pesquisador de outro planeta. O escritor é de outro planeta.

O escritor é detalhista, ainda que seja impulsivo e hiperativo. Se não é detalhista para descrições, é detalhista para sensações e definições. Ele é detalhista para o raciocínio, para colocar no papel exatamente aquilo que quer transmitir.

 O ato de escrever é mais do que simplesmente ajeitar as sentenças no papel. As palavras pulam, conversam, discutem, dão ideias para o texto. Sentença, no texto, não é aquela dada pelo juiz, com a carga dramática de destino definitivo. Sentença, no texto, é a frase que se arranja, orgânica, com vida própria, e que nós temos que aprender a controlar, a domesticar.

Não sou partidária do texto selvagem, doido, gerado por emoções e cavalgando alucinadamente como um cavalo que fugiu do hospício. Sou fã do texto racional, que usa a emoção a seu favor, mas jamais abusa dela. O texto limpo, sem lugar-comum, evitando frescuras que tentem mostrar erudição do autor. O texto não diz respeito ao autor, mas ao leitor.

Sou entusiasta do texto que acrescenta ao leitor, jamais subtrai. O texto ladrão, pobre e infeliz, que rouba o tempo, rouba a alegria e rouba o entusiasmo merece o meu desprezo (e o seu, também). Mas as palavras que constroem, que abrem portas, implodem muros e ampliam espaços são as que realmente têm meu respeito.

São essas que encontram espaço nos leitores e fazem com que o trabalho do escritor seja realmente útil. São elas que constroem as pontes e abrem as cavernas em que nos recolhemos para escrever. São elas que fazem o escritor deixar de ser um mero repetidor de si mesmo para transmitir o que é universal e que, muitas vezes, o leitor ainda não percebeu.

E, entre todas as ferramentas que um ser humano pode ser, de construção e de desconstrução, a mais bonita delas é uma caneta. Capaz de moldar culturas, transformar sociedades, influenciar gerações, traçar caminhos, desenhar futuros. Todos temos a semente de um Escritor dentro de nós. Todos somos capazes de desenvolver essa habilidade. No entanto, por alguma razão, um esforço descomunal tem sido feito para convencer as pessoas de que escrever é algo reservado a uns poucos iluminados. Assim, aqueles que têm algo a dizer acabam com medo de dizer, pois não fazem parte dos “escolhidos” pela Pena Sagrada.

Escrever é ampliar a voz. É espalhar a voz. Não é reunir palavras ordenadas por regras, simplesmente. Não é engessá-las e reduzi-las a um amontoado de letras formais. É imprimir sentido, é entrelaçar linhas coerentes, é dizer o que se quer dizer de uma forma que os outros, que estão fora de sua cabeça, compreendam. É descobrir o outro. É entender melhor. É encontrar os óculos certos e ajudar a enxergar.

“Vai, pois, escreve isso numa tabuinha perante eles, escreve-o num livro, para que fique registrado para os dias vindouros, para sempre, perpetuamente.” Isaías 30.8

“O Senhor me respondeu e disse: escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo.” Habacuque 2.2 — Se fosse hoje, acho que Deus mandaria escrever um blog. 😉

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O que sustenta em uma situação difícil

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Antigamente, qualquer problema ou situação difícil já era motivo para eu desabafar no blog. Hoje em dia, muita gente faz isso nas redes sociais. Em vez de lidar com a situação e resolver, fica se lamentando em público, sem se dar conta de que essa atitude só atrapalha, pois dá ainda mais atenção ao problema. Dê atenção apenas ao que você deseja que cresça na sua vida.

Minha reação hoje é bem diferente. Se estou diante de uma situação difícil, fico quieta e foco minhas energias em sair da tal situação. Recorro diretamente a Deus, para me ajudar a lidar com o problema, para resolver a situação ou pelo menos para me orientar.  Se for o caso, depois conto o que aconteceu, mas, na maior parte das vezes, não me interessa gastar tempo com o que passou.

A vida ficou mais leve, os problemas duram menos tempo, as situações complicadas nem parecem mais tão complicadas assim e eu consigo aprender com as coisas que acontecem. Sem contar que os dramas diminuem! As pessoas se metem menos na minha vida, mantenho a paz de espírito e não saio jogando meus problemas nas costas de ninguém. E a vida não parece mais uma novela.

Estou escondendo meus problemas? De jeito nenhum! Apenas não estou mais focando neles. Conscientemente desvio meu foco para aquilo que é bom, agradável, justo, legal… É o que tem ocupado meus pensamentos. É um esforço consciente e, hoje em dia, nem exige mais tanto esforço assim.

E olha que excelente efeito colateral: como recorro a Quem realmente pode resolver, geralmente as encrencas se desfazem sem grandes dificuldades. Quando há alguma dificuldade e a coisa fica emperrada, eu continuo tranquila. Do lado de fora, pode estar o caos e tudo de cabeça para baixo, mas do lado de dentro eu estou na maior paz. É mais ou menos o que Davi quis dizer quando escreveu:

“O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei? Quando os malfeitores me sobrevêm para me destruir, meus opressores e inimigos, eles é que tropeçam e caem. Ainda que um exército se acampe contra mim, não se atemorizará o meu coração; e, se estourar contra mim a guerra, ainda assim terei confiança.” Salmos 27.1-3

Como sempre digo, nunca se esqueça de que ele não estava falando de um modo figurado. Ele era guerreiro, então poderia literalmente estourar contra ele uma guerra ou um exército se acampar contra ele. Agora, imagina se Davi fosse do tipo que faz uma tempestade em qualquer copo d’água? E se ele ficasse olhando as situações com lente de aumento e achando que tudo é muito pior do que realmente é?

Ele fazia o contrário disso. Porque estava com Deus (um pouco depois, ele diz que Deus o esconderia em Seu pavilhão), conseguia enxergar as coisas da perspectiva de Deus. Tudo ficava pequeno.  O exército inimigo era insignificante. Quem poderia fazer mal a ele? Por que medo, desespero e dramas? Não que ele se achasse alguma coisa. Está bem claro que a razão de sua confiança era a certeza que ele tinha de que Deus o protegeria.

E não era um “eu tenho Deus comigo” descompromissado, vazio, religioso e inútil que muita gente diz hoje. (Tipo a música da Valesca Popozuda, esculhambando “as inimigas”, falando coisas horríveis para elas e depois dizendo “acredito em Deus, faço Ele de escudo”, completando com: “late mais alto que daqui eu não te escuto”… Oi? Não, né? Assim não funciona, miga.) Era uma convicção fundamentada no relacionamento que ele tinha com Deus, em se esforçar para ser justo e agradar a Ele, em conhecer mais dEle e buscá-Lo. Havia um esforço consciente de Davi por trás daquela confiança.

É isso o que sustenta em uma situação difícil. É por essa confiança que a pessoa não desaba, que aproveita a tempestade para se aproximar mais de Deus, para fortalecer mais sua fé. Assim, as dificuldades a deixam mais forte, com mais estrutura, mais resistente, cada vez mais difícil de derrubar.

Você simplesmente sabe que não importa o que aconteça, tem Alguém para defender sua causa, para guardar sua vida e fazer com que todas as coisas cooperem para o seu bem. E você simplesmente não acredita em nada que tente lhe fazer pensar o contrário. Porque Ele prometeu e você confia, tudo vai cooperar para o bem.

 

Dica para aproveitar o tempo sem TV

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Depois que você se livra do vício de TV e redes sociais, ganha um tempão que não existia antes. O que fazer com ele? É o que a leitora Francianne de Fátima me pergunta:

“Por morar sozinha e não ter com quem conversar (de carne e osso…rs), assistir televisão era o que me entretia. Mas hoje vejo que não preciso me entreter com coisas perecíveis e que não me acrescentam nada.(…) Imagine-se numa casa, sozinha, o dia inteiro, no maior silêncio (me refiro aos sábados e domingos), sem poder ver qualquer programa. Não é fácil, mas é extremamente produtivo e fortalecedor. Sobrevivi sem esse “entretenimento” e não quero mais me prender. (…) Se você puder me dar umas dicas de como aproveitar o meu tempo nesses dias em que fico em casa sozinha, será de muita alegria. Não quero recorrer à televisão e quero deixar de ver novelas.”

Coincidentemente, nem preciso me imaginar nessa situação. Além de passar por isso quando meu esposo viaja, ao vir para São Paulo fiquei três (longos e intermináveis) meses sozinha em casa, até que ele pudesse vir definitivamente. E eu nem tinha televisão. Agora tenho, mas quando meu marido está fora, ela tira férias rs. Vive desligada. E a melhor dica que posso dar é a que também aplico: Livros! 😀

Para começar a desenvolver o hábito de ler, duas coisas são necessárias: sacrifício e bons livros. Não tente começar a ler com um livro chato ou desinteressante. Vai achar que o problema é você e desistir. E vá a um oftalmologista, para ver se tem astigmatismo ou alguma outra ametropia. Se tiver, use os óculos que ele recomendar para ler, ainda que ele diga que é pouquinho e não precisa. Eles dizem isso para mim, mas se leio sem óculos por muito tempo, sinto sono e dor de cabeça por causa do astigmatismo.

Como leio muito, meu problema é falta de tempo para a quantidade de coisas que quero ver. No começo, pode demorar um pouco para engrenar, mas não desista! Quando perceber, passaram-se horas e você nem se deu conta. Além de tudo, a leitura é uma espécie de musculação para o cérebro, literalmente. Seus neurônios fazem mais conexões, sua memória é estimulada…ler exercita seu cérebro como nenhuma outra atividade é capaz de fazer.

Nosso cérebro não sabe diferenciar experiências vividas de experiências imaginadas, então ele absorve o que você lê como se realmente tivesse vivido aquilo (escolha bem suas leituras rs). O resultado é inteligência desenvolvida e muito mais experiência de vida do que você de fato tem. E, se é uma leitura cristã de qualidade, ainda tem o plus de aprimorar o seu espírito de uma maneira muito mais intensa, pois a palavra escrita fala diretamente ao nosso espírito.

Desenvolver sua habilidade de leitura faz com que você consiga entender melhor até a Bíblia. É claro que você precisa do Espírito Santo para dar interpretação correta do que está escrito, mas precisa também de um cérebro bem calibrado (Ele fez o cérebro da gente por algum motivo, né? Não é só para fazer peso dentro da caixa craniana). Faça a sua parte, pelo menos. Olha esse cidadão cara-de-pau que se dizia pastor e garantia que a Bíblia mandava adulterar…cérebro descalibrado dá nisso:

 

(Vergonha alheia…) A religião se alimenta da ignorância. Por isso, o apelo de Deus é à inteligência…completamente contrário ao da religião. Ele quis criar uma nação de seres pensantes e não uma estrutura religiosa. Amo o jeito que a Bíblia King James descreve o apelo dEle em Isaías 1.18: “Come now, and let us reason together”… “Venha agora e raciocinemos juntos”. É um apelo à razão…Deus dizendo: “amiguinho, pensa aqui comigo”. Acredito que por isso Ele sempre deu tanto valor à leitura e à escrita. Ele sabe muito bem como as coisas funcionam.

Outra coisa que a leitura traz: você amplia o vocabulário e sua capacidade de se comunicar, o que é extremamente importante para cristãos que pretendem continuar vivendo no planeta terra, no meio de terráqueos. Vai conseguir se expressar melhor por escrito e até mesmo oralmente. Vai aprender a dominar as palavras e perceber que falar difícil não é falar bonito rs. O mais importante é se comunicar em uma linguagem que seja claramente compreendida, sem margem para confusão. E a leitura nos ajuda a selecionar bem e naturalmente nossas palavras.

O mundo não vai entender. Mas o mundo é burrinho, não entende nada, mesmo. Esses dias li um trechinho de algo que escrevi em meu diário aos 16 anos, comentando sobre o livro que estava lendo, “O Legado de Schindler”:

“Até hoje enfrento a ignorância do povo (…) algumas perguntas idiotas como: ‘Ler por ler?’ e ‘ tem de estar com a cabeça muito boa para ler porque deve ser difícil de entender’ ou ‘ ler pra quê?’, ‘ para que você quer saber sobre isso?’ e até ‘se não é trabalho de escola, que importância isso tem?’ As pessoas estão cada vez mais ignorantes e fúteis, os mais velhos se espantam mais com o fato de eu ser uma adolescente de 16 anos sem namorado, que lê um livro chamado ‘O legado de Schindler’ sobre a história de alguns sobreviventes do holocausto que estavam na lista e escreve um romance ambientado na segunda guerra mundial, do que eu com o fato de eles não entenderem nada disso.”

Se já estava assim vinte anos atrás, imagina agora! E isso eu ouvia de pessoas de todas as idades… Com todo esse “incentivo” da sociedade, que praticamente diz que, se você lê, é um alienígena de três olhos e cinco braços, outra coisa que a leitura desenvolve é a sua personalidade definida. Você lê porque sabe que é importante para você e não está nem aí com a opinião de quem acha que saudável é ficar obcecado por ver mensagens em um aparelhinho a cada cinco minutos. Esse povo fragmenta a atenção de tal forma que se torna superficial e facilmente manipulável.

Por isso, a partir desta semana, retomarei as resenhas de livros no blog. 😀 A ideia é fazer pelo menos uma vez por semana e abordar vários gêneros. Também pretendo fazer aquelas resenhas dos “Livros que não são o que parecem”, pois, tem muita propaganda enganosa por aí, principalmente na estante de livros cristãos.

Além de falar do livro, vou mostrar o que ele tem a passar (sem grandes spoilers, of course) ou o que ele passa de errado e qual é o certo rs. Mais ou menos o que eu fazia no blog da Cristiane, mas de forma mais resumida, condensada, objetiva, até para conseguir, de fato, fazer resenhas com uma periodicidade decente.

Aliás, o hábito de ler me deu ferramentas para escrever. Essa prática também nos ajuda a conseguir desenvolver melhor os argumentos e fazer bom uso das ferramentas mentais que Deus nos deu. Não importa seu grau de escolaridade ou se teve experiências anteriores desastrosas com a leitura. Não há critérios sobrenaturais para alguém se tornar um leitor. Como tudo na vida, basta a sua decisão e comprometimento com a causa. Que tal esse novo desafio para 2016? :)

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#JejumdeDaniel #Dia21

PS: Para quem tem preguicite, recomendo a leitura de “Como vencer a preguiça de ler”: http://blogs.universal.org/cristianecardoso/pt/como-vencer-a-preguica-de-ler/

PS2: Mas, pelamor, né, quem acompanha este blog diariamente não pode dizer que tem preguiça de ler rs. Já está fazendo um belo aquecimento para sua vida de super leitor. 😀

PS3: Meu comentário sobre o tiozinho do vídeo:

 

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O que tem alimentado sua mente?

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Amanhã termina o Jejum de Daniel. Porém, eu não tenho o menor interesse em voltar para o ritmo que as pessoas consideram “normal”. Não quero saber quem matou, quem morreu. Não quero saber dos horrores selecionados pelo noticiário, que define o que é e o que não é importante para mim sem sequer me conhecer. Não quero ficar vendo comentários raivosos das pessoas contra o governo (como se todos os problemas do mundo fossem culpa da Dilma), não quero me contaminar com os ânimos exacerbados, a indignação burra e as piadas desmioladas.

Entro no Facebook como a gente entrava no Orkut, antigamente: direto no link do perfil. Meu link de entrada do Facebook é fb.com/vanessalampert Assim, não vejo a timeline e não sou sugada para dentro do monstro comedor de tempo. Entro nas páginas de que gosto também pelo link delas, como se fossem sites normais. Salvo em meus favoritos e, assim, é só clicar. Não tenho aplicativo de Facebook e Twitter no celular e desabilitei a função de fazer barulhinho no celular quando alguém me manda e-mail (ou fico doida). E me treinei a não checar o whatsapp a qualquer bip (ou fico mais doida ainda). Amo exercitar o autocontrole. Me sinto muito autocontrolada quando faço isso rs.

Estar no controle do meu próprio tempo foi algo que o Jejum de Daniel me ensinou, desde o primeiro que fiz, por conta própria, em 2009, até o primeiro oficial, em 2011. Eu era completamente viciada em internet e totalmente sem noção. Passava horas nas redes sociais (comunidades do Orkut, na época) e me enchia de informação inútil.

Depois de 2009, comecei a ter mais controle e utilizar a internet como ferramenta de apoio, e não me deixar ser abduzida por ela. Nessa sociedade que idolatra o entretenimento, conseguir se libertar dessas coisas é uma vitória e lhe sobra tempo para coisas realmente úteis. No meu caso, Deus, trabalho, leitura, família, igreja e estudo. E, eventualmente, minhas estranhas atividades de lazer offline.

Você tem que ter consciência do que está fazendo e de que está se alimentando. Tudo o que lemos, ouvimos e a que assistimos alimenta nosso espírito ou nossa alma. É exatamente como funciona com a comida: se eu coloco para dentro um monte de porcaria, açúcar, gordura hidrogenada, frituras, refrigerantes e aditivos químicos, não posso estranhar quando ficar doente.

E doença por má alimentação não acontece de uma hora para outra, é gradual. O organismo entra em um estado de inflamação crônica e as coisas começam a se esculhambar lentamente. É mais ou menos isso o que acontece com a nossa cabeça, também. Se você vive na televisão e nas redes sociais, se fica lendo porcaria por aí e ouvindo música tosca (dessa lista, acho pior televisão e redes sociais), vai engordando suas emoções e entrando em um estado de inflamação crônica mental/espiritual. O resultado é um espírito fraco e uma alma doente.

Para resolver o problema, só com uma dieta de desintoxicação mental, tirando essas porcarias e substituindo por alimentação com alto valor nutricional. Foi justamente o que fizemos durante o Jejum de Daniel. Depois desses 21 dias de dieta restrita, já temos autocontrole suficiente para saber que não vamos morrer por não assistir ao noticiário ou por não ficar checando o Facebook o tempo inteiro. Então, podemos nos permitir um ou dois brigadeiros de vez em quando, sem que aquilo nos prejudique, pois a base de nossa alimentação tem alto valor nutricional: o conteúdo espiritual de qualidade.

Então, aproveite para eliminar de sua vida aquilo que realmente não lhe faz falta e ajustar o acesso às coisas que voltarão à sua rotina. Que esses 21 dias tenham lhe mostrado o caminho para uma vida mais equilibrada e para uma busca mais intensa por Quem realmente interessa.

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#JejumdeDaniel #Dia 20

PS: Parece que não, mas o post de amanhã ainda é da série do Jejum de Daniel rs

PS2 : Depois do Jejum, vou continuar com os posts diários aqui no blog. 😀

PS3: Quero agradecer a quem deu sugestões de posts. Vou abordar todos os assuntos que me pediram (obviamente não tudo de uma vez e não apenas esses, mas entraram na lista – e me ajuda muito ter uma lista dos assuntos de maior interesse dos leitores deste blog :) )

PS4: Já fiz essa analogia entre conteúdo consumido (no caso, livros) e alimentação. Caso você não tenha lido, pode gostar dos posts  Alimentação Literária  e Será que você sabe ler?  .

PS5: Dia desses a Cristiane fez um texto absolutamente necessário sobre comportamento online e, na minha opinião, seria muito importante que todo mundo lesse e compartilhasse: 7 dicas para educação online

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Como realmente mudar sua vida

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Você está cansado de sofrer, cansado de chorar, sua vida não tem razão de ser, seus dias são problemas em cima de problemas. As palavras do Senhor Jesus: “Aquele que vier a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37) são a garantia de que, se você vier até Ele, será aceito e terá o direito de viver uma vida nova aqui nesta Terra. Seus problemas provavelmente serão substituídos por outros (nunca ficaremos totalmente sem problemas — nem queira isso — mas os problemas que temos quando estamos com Deus são bem diferentes dos que temos quando estamos sem Deus), mas você terá condições de enfrentá-los, de vencê-los, se fortalecendo a cada novo desafio.

Mas não adianta só vir até Ele e querer manter nas costas sua mochila com a vida velha, a velha forma de pensar, de agir e de reagir. Só chegar até Jesus não vai mudar a sua vida. Quantas pessoas estão dentro das igrejas e não tiveram nenhuma mudança de vida? Ou até experimentaram uma ou outra melhora, mas continuam sendo as mesmas pessoas vazias por dentro? O que fará com que a transformação realmente alcance você é entregar a sua vida, se rendendo a Ele de todo o seu coração, com todas as suas forças, de todo o seu entendimento, com toda a sua alma.

Eu demorei muito tempo para aprender isso (se você acompanha meu blog, deve ter percebido que demorei muito tempo para aprender tudo rs). Como se entregar de corpo, alma e espírito? Como abrir o coração? Como deve ser essa entrega?

Precisei ir para o fundo do fundo do poço, abrir um alçapão, cavar mais um pouquinho…até que cheguei àquele momento em que você percebe que não tem mais força alguma e que não tem mais em que se apoiar. Não há mais recurso algum. Na verdade, nunca houve, mas a gente se ilude achando que alguma coisa pode ser recurso para resolver o problema. Naquele momento, eu disse: “chega, não aguento mais!”.

É o ponto em que muitos se suicidam, porque estão exaustos e acham que não tem mais saída. Mas a verdade é que ninguém quer morrer. Querer morrer vai contra o instinto mais básico do ser humano: o de autopreservação. O que a pessoa realmente quer é uma nova vida. E, como não sabe como conseguir isso, seu instinto de autopreservação a leva a querer destruir aquela vida insuportável, porque ela acha que nada pode ser pior. — Mal sabe ela…

Porém, tendo consciência de que eu não tinha como garantir que o que me esperava depois da morte realmente era melhor que a minha vida (ou, pelo menos, neutro), eu sabia que precisava de uma saída. Aí, decidi dar crédito à Palavra que ouvia e, em vez de tirar a minha vida, render a minha vida.

Como o ladrão, ao ser surpreendido pela polícia, já sem munição, exausto, se rende? Ele levanta os braços, se entregando, sem se importar com o que os policiais irão fazer, sem se importar com o que vão dizer ou pensar dele. Ele admite que não tem mais o que fazer por si mesmo, entra na viatura, e se entrega para que a justiça faça o que tiver de ser feito. Ele não pode segurar alguma coisa, nem impor condições à polícia. Para garantir a sua vida, ele tem de se entregar. Para ter uma chance, ele se rende. Enquanto ele tinha munição, atirou, se esforçou, mas não foi suficiente, e ainda correu o risco de perder sua vida.

Seja sincero, enquanto você confiou em sua força, em seus parentes, em suas condições, em seus estudos, em sua inteligência, você resolveu seus problemas? Você preencheu seu vazio? Você se libertou da depressão, da angústia, da ansiedade, do pânico, das perturbações, da apatia? Não. Então, se renda. Entregue tudo o que você é, tudo o que você tem, tudo o que você pretende ser ou ter.

O ladrão se entrega para ser preso, mas se você se entregar a Deus, será liberto e perdoado. E, com sua vida nas mãos, Ele faz de você uma nova criatura. Arranca do seu peito a energia negativa e liberta você do seu passado triste, da agonia e da depressão que têm tornado seus dias amargos.

E, vale lembrar: se você entregou, não pegue de volta. Se não sabia viver antes, quem disse que sabe agora? Sem a orientação e a direção de Quem conhece nossos caminhos, vivemos tropeçando e dando cabeçada na parede. Pare com essa insanidade e se renda, de uma vez por todas.

Você, então, receberá a paz. Ainda que do lado de fora tenha guerra, você conseguirá pensar e fazer as escolhas certas, por causa da paz que recebeu. O peso que vinha arrastando por tantos e tantos anos não existirá mais, porque se cumprirá em sua vida a Palavra de Deus: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36).

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UPDATE: A leitora Thaiany me perguntou nos comentários e, como pode ser a dúvida de outros leitores, colo minha resposta abaixo:

“Olá,Vanessa .É a primeira vez que comento aqui. COMO eu faço isso ? Me entregar,é no dia a dia ,em uma oração ?

Thaiany”

Como fala com Deus, Thaiany? É em uma oração, sim, mas não em uma oração religiosa. Você vai não só conversar com Ele, mas render toda a sua vida a Ele, desistindo de sua vida, mesmo, para que Ele tome o controle de tudo. É como morrer. Precisamos morrer (figuradamente, é claro) para a nossa vida, para recebermos a vida dEle.

E a entrega no dia a dia, é quando vêm os problemas, os desafios, e você abre mão de reagir impulsivamente para entregar a situação a Ele e pedir Sua direção. Todo nosso contato com Deus é em nossa mente, tendo certeza de que Ele está nos ouvindo (pois disse que nos ouviria).

Não adianta só dizer que entrega, tem que mostrar que entregou. E a forma de mostrar no dia a dia é obedecendo ao que Ele diz. Por exemplo, eu fui ofendida por alguém e fico com vontade de ficar magoada (o que seria a reação natural), mas, como sei que Ele disse para perdoar, decido perdoar, mesmo contra a minha vontade, confiando que, assim, Ele vai fazer o melhor para mim. Isso é se render no dia a dia.

Se você está nessa situação, converse com Ele, de uma forma bem honesta, com suas palavras, mesmo que sejam algo como: “Deus, eu não faço a menor ideia de como me entregar, mas eu quero me entregar. Cansei dessa vida, cansei do meu jeito, cansei de dar cabeçada na parede, não suporto mais! Eu me rendo. Quero que o Senhor saiba que não quero mais viver sozinha. Ninguém consegue resolver meu problema, nada do que eu tenho ou pretendo ter vai resolver o meu problema. Se é verdade isso que a Vanessa falou, eu quero entregar minha vida para que Jesus seja o meu Senhor, para que eu tenha essa vida nova e essa paz. Eu preciso que o senhor me salve dessa porcaria de vida que estou levando, desse vazio, dessa angústia. Toma a minha vida e faça de mim o que o Senhor quiser, porque eu me rendo.”

A oração pode ser feita na sua casa, mesmo, não precisa ser na igreja. Pode ser aí, onde você está, agora, mesmo. Pode ser em um banheiro, um lugar onde ninguém irá interromper. Pode falar “Deus, eu não Te conheço, nem sei direito se o senhor existe, mas eu quero entregar a minha vida porque não tenho mais nada a perder”, se for esse o caso. Pode dizer a Ele, pois Ele conhece você. Não tem fórmula para isso, o que vale é a sua sinceridade. Seja 100% honesta e Ele vai te ouvir.

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#JejumdeDaniel #Dia19

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Moisés morreu

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“Moisés, Meu servo, é morto” (Josué 1.2) Assim Deus começa sua primeira conversa com Josué, sucessor de Moisés. Provavelmente Josué estava cabisbaixo, chateado pela morte recente do líder que os guiou pelo deserto por tantos anos. Deus, então, chega sem emoção, sem meias palavras. O interessante é que a única referência que Ele faz a Moisés durante a conversa, é essa. Daí para diante, Ele só fala do presente e do futuro.

Em outras palavras, o passado não importava mais. O que aconteceu, aconteceu. O que passou, passou. O passado morreu. Você não pode andar adiante se carregar dentro de si o passado.

“Moisés, Meu servo, é morto”. Não adianta ficar se lamentando, sentindo a falta, curtindo o sentimento de pesar pela morte de uma pessoa querida. Não adianta ficar sofrendo por alguma coisa que aconteceu ou por algo que você fez e não pode desfazer. Não dá para voltar no tempo e alterar as coisas. Então, olhe para frente. Deus foi duro nessa forma de falar? Sim, mas a fé é dura, não tem sentimentalismo, ela olha para frente. Deus foi objetivo, prático.

Você se enfraquece e se fragiliza quando tenta unir fé e sentimento. Não funciona, pois enquanto a fé se esforça para impulsionar você para frente, o sentimentalismo puxa você para baixo e para trás. E, infelizmente, o padrão negativo é mais forte para o ser humano do que o positivo. Se colocar a vida em piloto automático, o sentimentalismo vai ganhar e você será arrastado para baixo. Aliás, tentando unir fé e sentimento, na melhor das hipóteses você vai ficar estagnado, sem sair do lugar. A única forma de andar para frente é por meio da fé, sem dúvidas, sem medo, sem choro nem vela.

“Moisés, Meu servo, é morto; dispõe-te agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que dou aos filhos de Israel.” (Josué 1.2)

Depois de encerrar o assunto “Moisés” (em cinco palavras), Deus dá uma ordem: “dispõe-te agora”. Não é depois de chorar, não é daqui a pouco, nem amanhã ou semana que vem. É agora! Pare de olhar para trás, o passado acabou. O que você tem é daqui para frente. Se disponha agora a deixar para trás o que passou e seguir adiante, olhando para frente.

 Deus já deu a terra, já deu Seu Espírito, já entregou o que prometeu. Mas nós precisamos nos levantar e seguir adiante, para conquistar o que já recebemos dEle. Temos uma porção de coisas a fazer, uma responsabilidade enorme nas mãos. Não dá para perder tempo pensando na morte de Moisés, pensando no que aconteceu, pensando no que não deu certo, no que você não fez ou no tempo que perdeu (perder tempo pensando no tempo que perdeu…vê se pode!). Você está aí, está vivo, está bem, está entendendo as coisas agora. Olha que oportunidade! Vá em frente e faça o que tem de fazer.

Aliás, olha a tranquilidade de Deus dando a ordem facinha para Josué: “segue agora com essa multidão e atravesse esse rio para tomar posse de uma terra cheia de gente que não vai querer sair”.  Oi? Como assim?

Que fácil, não? Primeiro, “atravesse o rio”. Como assim? A nado? De barco? Como a gente vai fazer? Deus não disse e Josué não perguntou. Simplesmente foi e obedeceu. Fez o que tinha que fazer porque sabia que Deus estava com ele. Quando Deus está com você, o difícil fica fácil, o impossível não existe. Ficar questionando como as coisas vão acontecer é um procedimento inútil quando quem lhe diz que vão acontecer é Quem sabe de todas as coisas. Só confie e vá em frente.

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#JejumdeDaniel #Dia18

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PS: Para os leitores que estão pedindo que eu publique meus livros: eu tenho vários projetos iniciados, preciso só me organizar melhor para concluir algum, pois faz muito tempo que não consigo mexer neles (falta de tempo, mesmo). Se puderem orar por mim, prometo que faço minha parte rs.

PS2: Por falar em orar, eu oro diariamente por todos os leitores do meu blog, para que Deus lhes dê entendimento e sabedoria e para que tenham intimidade com Ele. Façam a parte de vocês, praticando o que aprendem, que o resultado já está garantido. :)

Você tem feito o necessário?

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A vida é cheia de desafios. Um após o outro, outro após o outro. Uma sucessão de lutas e guerras a vencer. Não é à toa o ditado “matar um leão por dia”. Você passa o dia sendo perseguido pelo leão, brigando com o leão, finalmente mata a criatura e vai dormir exausto, só para acordar no dia seguinte e perceber outro leão no seu pé.

Sem Deus ou com Deus, as lutas existem e vão existir sempre. A diferença é que, tendo uma conexão ativa com Deus, elas podem até ser mais complicadas, mas você tem a Quem recorrer nos momentos em que parece que o leão vai arrancar sua cabeça. Você também fica mais atrevido. Não tem medo do leão. Sabe que ele está ali para morrer. Dia após dia. Duro deve ser viver assim, sabendo que vai morrer todos os dias. Pobre leão.

E, se não bastassem os desafios e a correria da vida, ainda temos as responsabilidades que assumimos na igreja. Quando você vê, o leão encontra uma leoa, têm leõezinhos e, daqui a pouco, você está tendo que matar dez leões a cada dia.

“E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, O recebeu em sua casa;

E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a Sua palavra.

Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se Te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.

E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;

E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.”

Lucas 10:38-42

O texto diz que Marta andava distraída em muitos serviços. Ela estava servindo a Jesus. Mesmo assim, a Bíblia afirma que aquilo era uma distração. Mas, como assim? A gente até entende Jesus mandando não ficar ansioso e afadigado com coisas do dia a dia, com coisas do mundo, com qualquer outra coisa…mas servir a Ele não deveria ser razão para elogios em vez de repreensão? Marta também pensava assim, tanto que esperava que Ele repreendesse Maria. Afinal de contas, ela não estava fazendo nada!

“Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária”

Qual é a única coisa necessária? A que Maria estava fazendo. Ouvir a Palavra dEle. É isso o que vai fazer diferença na sua vida. Por que Ele disse que Maria escolheu a boa parte e que essa boa parte não lhe seria tirada? Primeiro, foi um puxãozinho de orelha. “Eu não vou tirá-la daqui.” Depois, porque o que Maria estava absorvendo ali, ela jamais perderia. É eterno. Por isso é a única coisa necessária; é a única coisa que garante a salvação.

As pessoas acham que participar de vários grupos na igreja, ter várias atividades dentro da obra de Deus, é sinônimo de ser de Deus. Elas realmente acham que quanto mais fizerem, melhor. Quanto mais se esforçarem, mais aprovadas serão. Enquanto Deus está ali, esperando que elas parem e sentem no banco da igreja para ouvir e buscar.

Estão lá, correndo de um lado para outro, trabalham na reunião como obreiras, cuidam das crianças na escolinha, saem para evangelizar com o grupo, estão sempre se dispondo, sempre ajudando, gostam de ser vistas como pau-pra-toda-obra, acham que isso é lindo…mas, para quem estão fazendo? Se o Senhor dessa obra disse que a boa parte é sentar-se para ouvi-Lo, por que não obedecem?

Alguns chegam ao cúmulo de dizer que não têm tempo de buscar. Estão sempre tão atarefados, tão afadigados… mas, se você tiver que abrir mão de alguma coisa na sua vida, NUNCA abra mão do tempo que você tem para buscar a Deus. Abra mão de qualquer outra responsabilidade, mas não de se alimentar da boa parte. A boa parte não lhe será tirada, mas, se você negligenciá-la, poderá perder tudo aquilo a que tem se apegado. Porque as pessoas não caem da noite para o dia. Elas caem aos poucos. Esfriam, relaxam…sem perceber, porque andam distraídas em muitos serviços. Você acha mesmo que o mundo vai acabar se você obedecer a Deus? Acha mesmo que sabe melhor do que Ele como as coisas funcionam?

Você tem de estar focado e firme para poder servir, de verdade. Por isso, sempre aconselho: coloque toda a sua força em desenvolver estrutura espiritual e intimidade com Deus. Deixe todo o resto para depois. Grupos de evangelização, serviços na igreja…todo o resto é secundário, pois essas coisas só têm validade quando sua estrutura é sólida e você está conectado com Deus. Caso contrário, elas só servirão para dar uma sensação de dever cumprido e fazer com que você ache que está fazendo tudo certo enquanto, na verdade, está fazendo tudo errado.

Necessário é aquilo que uma pessoa inteligente faz primeiro, antes de tudo. Só depois de fazer o necessário, é que podemos fazer o opcional, o extra. Se você fizer todo o resto, mas não fizer o necessário, está sendo incompetente. A manutenção da nossa fé é indispensável. Não abro mão do meu tempo com Deus por nada, porque sei o que negligenciar isso trouxe na minha vida. E se eu não fizer a manutenção da minha fé, não consigo viver. Literalmente.

Eu leio esses versículos e fico com vontade de sacudir Marta: “Oi? Jesus está ali na sua sala, FALANDO, e você acha que tem coisa mais importante para fazer????”. Jesus não fazia questão nenhuma de nada daquilo que ela estava tentando preparar para Ele. Ele queria que ela O ouvisse. E ela, sem-noção, ainda ficou ofendida por Ele não chamar a atenção da irmã…

Talvez Deus queira usar você de outra forma. Talvez Ele queira que você faça algo que não é o que você está fazendo. Como vai saber se não estiver conectado a Ele? E, por favor, não pense que orar e jejuar, religiosamente, vai conectá-lo a Deus. O que ativa nossa conexão com Ele é nossa obediência e humildade em buscá-Lo e ouvi-Lo. É a única coisa de que precisamos. Caso contrário, nem o mísero leão diário conseguiremos matar.

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#JejumdeDaniel #Dia17

PS: Os comentários de vocês estão me animando a continuar com as postagens diárias depois do Jejum. Gostei das sugestões de temas que vocês me deram (espontaneamente! Não disse que os leitores deste blog são os melhores do mundo?): Batismo nas águas, novo nascimento, guardar o sábado, arrebatamento…o que mais? Se alguém tiver mais alguma sugestão, fique à vontade. Vou escrever sobre todos esses assuntos (e, pode deixar, falarei sobre escrita e língua portuguesa depois do Jejum, Jaiani, além das reflexões sobre a sociedade esquisita em que vivemos). :)

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Teste de DNA espiritual: quem é filho de Deus?

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O mundo diz que todos são filhos de Deus. Mas de onde raios tiraram isso? Não faço a menor ideia. Da Bíblia, não foi. Até porque ela diz, claramente, que nem todos são filhos de Deus. E não há meio termo. Ou a pessoa é filha de Deus, ou é filha do diabo. Explicando aqui, para evitar que as pessoas leiam “filha do diabo” e imaginem aquela crentona com cara de doida, olhos arregalados, enchendo a boca para dizer: “fiiilha do diaaaaabo”! Para qualquer guria de minissaia por aí. Nãããão! Não é isso que estou dizendo.

Filhos do diabo não são pessoas malvadas, “devassas” (essa palavra é engraçada) ou estereotipadas em qualquer formato que os estereótipos vierem. Como sempre digo, a coisa é muito mais interior do que exterior. Tem muita gente boa por aí que é vítima do diabo porque está sob o domínio dele. Muitas são boas e só fazem mal a si mesmas. Ele é um péssimo pai, odeia seus filhos. Tem muito filho do diabo dentro das igrejas, alguns até pregando o Evangelho e acusando os outros de pecadores e devassos.

Mas…como a Bíblia é fofa, não nos deixa enganados. Ela mesma nos dá condições de nos avaliar para saber se somos filhos de Deus ou não. É um teste de DNA, para checar a paternidade espiritual da criatura. Olha só o que diz nosso amigo João em 1 João 3.7-10 (como sempre, leia com bastante atenção):

“Filhinhos, não vos deixeis enganar por ninguém; aquele que pratica a justiça é justo, assim como Ele é justo. Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. [Nota da Vanessa: ou seja, quando você pratica o pecado, faz as obras do diabo. E se está fazendo as obras do diabo, está trabalhando contra o Filho de Deus…e se você se diz filho de Deus, por que está trabalhando contra Ele?]

Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. [Nota da Vanessa: o nascido de Deus não pode viver pecando porque dentro dele agora tem a natureza de Deus, a semente divina, o Espírito Santo. Ele vai agir de acordo com o que tem dentro dele.]

Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão.”

Note que é a atitude que revela quem é filho de Deus e quem é filho do diabo. Olha que fácil de entender. Praticar justiça é obedecer às cláusulas do contrato que fizemos com Deus. Essas cláusulas estão na Bíblia. Pode começar pelos dez mandamentos, mas eles não são os únicos. Entender o Espírito da Palavra nos ajuda a praticá-la (temos feito isso neste Jejum de Daniel). A prática da justiça é a prática da Palavra.

Pecar, todo mundo peca. Não existe um ser humano no universo (no universo, porque, segundo o site How Many People Are In Space Right Now, tem uns 6 homenzinhos no espaço enquanto escrevo este post) que não erre. Ainda que a pessoa não cometa uma atrocidade do tipo matar, roubar ou trair e ainda que nem costume mentir, os piores pecados são os que cometemos dentro de nós, ao deixar os pensamentos errados darem filhotinhos.

Quando ficamos com raiva de alguém e deixamos essa raiva escalar para o ódio, por exemplo. Quando ficamos chateados e deixamos essa chateação virar uma mágoa. Quando nos sentimos injustiçados e deixamos esse sentimento de injustiça virar um desejo de vingança. Quando nos sentimos tristes e deixamos essa tristeza se transformar em desejo de morte. Quando nos sentimos incomodados com alguém e deixamos esse incômodo se transformar em um comentário maldoso. Ou quando fazemos alguma coisa legal e deixamos essa sensação boa se transformar em uma certeza de que somos melhores do que os outros.

Ou quando vemos alguém fazer algo errado e começamos a criticá-lo e acusá-lo (para os outros ou dentro da nossa cabeça, mesmo) em vez de orar por ele e ajudá-lo. Ou quando, mesmo sabendo o que a Bíblia diz sobre alguma coisa, resolvemos seguir nossa própria cabeça ou nosso próprio sentimento, sob uma justificativa qualquer (a mente humana sempre encontra alguma). Ou quando desobedecemos a Deus por uma idiotice qualquer (como medo ou dúvida).

Há uma infinidade de formas de pecar e, enquanto pessoinhas, não estamos livres de nenhuma delas. Porém, pecar em momentos de distração ou bobeira é uma coisa, mas, viver no pecado é outra, completamente diferente.

Viver no pecado é quando essas coisas (não precisa ser todas, basta uma delas) são um estilo de vida. A pessoa que usa a mentira para escapar das dificuldades como padrão de comportamento, a pessoa que usa a vingança e a dissimulação como armas para se defender de uma ameaça, a pessoa que agride verbalmente como se não houvesse amanhã, a pessoa que fica alimentando os monstrinhos da mágoa, a pessoa que é infiel ao parceiro ou a Deus, a pessoa que vive desobedecendo, que não tem respeito pelas outras pessoas, por Deus ou por seu próprio corpo, que se volta contra os outros como se os inimigos fossem de carne e sangue, a pessoa que percebe que errou, mas não se arrepende etc. etc. etc. Se alguma dessas coisas faz parte do seu padrão habitual de pensamento, você tem vivido no pecado.

Biblicamente, filho é aquele que pratica as obras do pai. O caráter de Deus é seu DNA. São esses os marcadores que o teste vai comparar. Se o seu comportamento é semelhante ao comportamento de Deus (misericordioso, amoroso, justo, paciente, benigno, autocontrolado, humilde, racional, voltado principalmente para o espiritual), há grande probabilidade de você ser filho de Deus.

Já se o seu comportamento é semelhante ao comportamento do diabo (impaciente, descontrolado, maldoso, ansioso, orgulhoso, injusto, voltado unicamente para os desejos físicos e emocionais), você não é filho de Deus, porque Ele não tem nada a ver com essas coisas. Para se tornar, deve passar pelo processo que a Bíblia chama de Novo Nascimento, que vai substituir essa natureza torta pela natureza divina e consertar sua cabeça. E conserta, mesmo.

O primeiro passo é reconhecer o erro. Sem reconhecimento do pecado, não há arrependimento e, sem arrependimento, não há novo nascimento.

E, falando em reconhecimento e arrependimento: o fato de eu dizer que todo mundo peca não nos habilita a tolerar pecado em nós. Ser tolerante com o pecado faz com que a gente comece a abrir muitas concessões e, daí para começar a viver no pecado, é um pulo.

Erramos, somos falhos, sim. Mas nossa obrigação é procurar fazer as coisas certas, sem ficar abrindo espaço para o “errar é humano”. Faça de conta que não é e viva buscando acertar, sempre. Se acontecer de errar, não fique se culpando. Reconheça o erro, se comprometa a não errar de novo, peça perdão a Deus e se perdoe, também. E não faça mais. Bem simples, mesmo: Errou? Se conserte e não faça mais. “Vá e não peques mais”. Sem frescura, sem drama.

Nunca seremos perfeitos e muito menos melhores que os outros (na verdade, quanto mais você se enxerga como, de fato, é, mais percebe que não é melhor do que ninguém), mas sabemos que temos condições de dominar aquilo que nos leva ao erro.

Nada é mais forte que a decisão humana. Nem pecado, nem demônio, nem desejos, nem bioquímica. Nada. Não há desculpa para não fazer o que precisa ser feito. Até porque Deus é Quem mais quer que você se torne filho dEle, então vai ajudá-Lo nesse processo, no que for preciso. E continuará lhe ajudando a se tornar a pessoa que Ele quer que você seja, se você decidir se tornar essa pessoa. Olhe para a sua vida…você não tem nada a perder se aceitar o convite dEle.

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#JejumdeDaniel #Dia16

PS: Tenho um problema sério em escrever sobre pecado usando a palavra pecado. Porque, como tantas outras palavras, ela é compreendida sob o contexto religioso da tia crentona (ou catolicona) que descrevi. Aí talvez muitos não entendam e outros tenham resistência a esse tipo de linguagem. Mas não teve como não usar essa palavra e creio que consegui esclarecer o sentido dela no texto. Por isso, coloquei o link para o post “O que é pecado?” – clique se você não viu o link. E espero conseguir libertar muitas outras palavras da prisão religiosa que construíram para elas.

PS2: Mais leitores EPA (Escavadores de Posts Anônimos) comentaram no post anterior. Muitos que eu não conhecia, mas, pela fé, sabia que estavam ali. E outros que eu já conhecia e que fiquei feliz de saber que estão por aqui. Os leitores deste blog são selecionados pelo crivo de milhares de caracteres rs. E terminam a leitura com muitos neurônios a mais, pode crer. 😀 Vocês são a prova de que ninguém precisa ser mentalmente preguiçoso só por viver em 2016. :)

PS3: Estou contabilizando os votos para continuar postando diariamente depois do Jejum de Daniel rs. E eu nem sabia que estava tendo eleição! 😀

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