Dando crédito à voz do gremlin

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Li hoje, por acaso, um texto que postei em outro Jejum de Daniel, uns dois anos atrás (vou colar ao final desse post), era a resposta ao seguinte comentário de uma leitora do blog do Bispo:

“Bispo eu já não suporto mais viver como vivo! São 13 anos que vou à igreja, praticamente nasci nela, que peguei firme mesmo e resolvi me entregar fazem 2 anos! Logo no começo me enganei achando que tinha o Espirito de Deus e estava convencida na igreja e não convertida! Todos os meus frutos eram maus, ao chegar o ponto de minha mãe que tbm é da igreja dizer que depois que comecei a ficar mais na igreja e aparentemente envolvida com as coisas de Deus, eu estava bem pior do que antes! Ah bispo isso me matou por muito tempo, até que resolvi realmente ter um encontro com Deus! Mas eu não tenho força, não tenho ânimo para as coisas de Deus, eu O desejo, mas não consigo tirar de mim toda essa frustração.

Eu sou aquela velha criatura que faz, faz mas nada nunca acontece na minha vida, sou um rio seco, parado no tempo! Ouço tantas pessoas dizerem dessa Água insesgotável, e eu nunca VIVI nada parecido, e parece que nunca vou viver! Pra mim a minha vida é essa, parece-me que não sou uma escolhida de Deus, por isso tamanha luta. Comecei o jejum firme e forte, mais isso foi só os 3 primeiros dias! Agora já nem oro mais, pois nada acontece pra mim. Bispo me ajuda, eu estou abaixo do poço, e já não tenho mais saída a não ser aceitar a minha condição!

Ana Carolina

( Vou colar a resposta ao final desse post, calma.) Achei que valeria a pena publicar novamente, pois creio que pode ajudar a outras pessoas que estão na mesma situação. Mas talvez eu respondesse hoje de forma mais incisiva, porque quando li o comentário da guria (sério, não me lembrava), fiquei irritada com a quantidade de palavras negativas. (Já fui viciada nesse tipo de linguagem. Hoje em dia, tenho alergia a isso.)

Além do que eu escrevi, também diria: pare de ficar com pena de si mesma! Você só vai receber o Espírito Santo quando parar de ouvir a voz do diabo e começar a ouvir a voz de Deus. O segundo parágrafo do comentário é praticamente psicografado! Consigo imaginar direitinho um demônio bem asqueroso, com cara de gremlin, empoleirado no ombro dela, dizendo aquelas coisas no ouvido dela (foi mal aí, caro leitor. Arranjei um “problemão” para você. Agora você nunca mais vai conseguir pensar esse tipo de coisa impunemente. Toda vez que pensar “nada nunca acontece na minha vida”, “não tenho mais saída a não ser aceitar minha condição”, “não vai dar certo”, “não vou conseguir”, você vai imaginar um gremlin falando isso empoleirado no seu ombro hahaha).

Como receber o que Deus quer dar a você se dá mais crédito à palavra do mal do que à palavra dEle? Dá vontade de chacoalhar a pessoa e dizer: amiga! ACORDA! Para andar com Deus a gente também tem que renunciar à nossa vontade de conversar com gremlins. Porque às vezes é legal conversar com gremlins. A gente sofre, sim, dói, mas o foco está todo em nosso sentimento. Dá uma estranha sensação de importância. É como se eu fosse a atriz principal de uma novela mexicana.

Não pense que sou insensível.Estou falando isso porque por anos fui vítima do complexo de vítima dirigido por gremlins de outra dimensão. Um dia vou colocar aqui alguns trechos dos meus diários de adolescência e das poesias que eu escrevia na época e você vai entender por que fiquei com trauma desse tipo de erro de pensamento. Eu sei que a pessoa está sofrendo de verdade. Mas sejamos honestos: se você realmente quer sair desse buraco, tem que colocar sua fé em prática. E a fé é AGIR sobre a Palavra de Deus, independentemente de sentir ou não. É reivindicar de Deus o cumprimento da promessa dEle porque sabe que Ele é verdadeiro e cumpre Sua Palavra.

Não sei o que aconteceu com a Ana Carolina, mas espero que tenha conseguido vencer a si mesma, derrotando a voz dramática interior e esteja em plena atividade na luta para ajudar outras pessoas a se livrarem dos seus próprios gremlins. Se não fosse alguém potencialmente perigoso para o mal, ele não se esforçaria tanto para neutralizá-la.

Segue minha resposta ao comentário (escrita em 2015, mas ainda válida):

Ana, quando o Bispo Macedo diz que os sedentos são escolhidos a dedo pelo Espírito Santo, ele não está dizendo que algumas pessoas são escolhidas e, para as demais, não tem mais chance. O que ele quer dizer é que Deus viu alguma coisa naquelas pessoas e, por isso, as escolheu. Somos nós que nos fazemos escolhidos. Quer saber realmente como resolver essa situação? Pare de se focar no que você não consegue, nas suas frustrações, no passado e comece a se focar naquilo que você quer.

Se você quer essa Água, então você já está sedenta. PARE de dar ouvidos à voz que diz “nada acontece para mim”, “eu não sou escolhida por Deus”, “nunca vou viver isso”, “não tenho mais saída a não ser aceitar a minha condição”. Isso é a voz do diabo! É o maldito espírito enganador que não quer perder você. Não se engane, esses pensamentos não são seus, são plantados na sua mente para tentar parar você. Não espere sentir ânimo para as coisas de Deus. Vá até Ele e diga tudo isso que você escreveu aqui nesse comentário.

Passei pelo que você passou, até obreira fui sem ter nascido de Deus. Sabe quando eu tive um encontro com Deus? Quando decidi que iria me esquecer de tudo o que eu achava que sabia e de toda a minha vivência dentro da igreja até então (meu raciocínio era: se até agora eu não O encontrei, é porque não entendi nada direito! Então, não valeu de nada o que eu achava que sabia).

Pedi a Ele que me ensinasse do zero, eu ia me esforçar para manter a mente limpa como alguém que está chegando na igreja hoje. Ia à igreja sem condições físicas para tal, sem sentir vontade, sem ânimo algum, mas acordava às cinco da manhã para pegar a primeira reunião, no frio do inverno de Porto Alegre, de ônibus, porque nosso carro resolveu quebrar justo nessa época (por que será, né?). Ia para ouvir o que Ele tinha para me ensinar. Isso já era sede, ainda que eu não soubesse. Mesmo não sentindo vontade de ir, a minha atitude mostrava a minha decisão. Escolhi esquecer todo o passado e ignorava qualquer sensação que viesse contrária ao que eu havia decidido.

Eu queria nascer de Deus, como você quer. E lutei contra meus pensamentos e contra meus sentimentos. Me fiz de doida, mesmo. E decidi que não iria desistir enquanto não mudasse. Aí não tem jeito, quando você DECIDE e se mantém firme (parecia teimosia, mas era perseverança. Contra o diabo a gente pode teimar rs), é impossível não chamar atenção de Deus. Ele é quem seleciona. Ele é quem escolhe. Não importa o que você fez no passado (mesmo que esse passado tenha sido há duas horas), mas o que decide fazer HOJE. Como em um processo seletivo, quem se dedica mais é escolhido. O Reino dos Céus é tomado por violência. Somos escolhidos não pelo que fazemos do lado de fora, mas pelo que mostramos para Ele do lado de dentro. Não uma perfeição ou extrema santidade, mas humildade, sinceridade e desejo de estar com Ele.

Não se deixe enganar pelo mal, pegue toda essa energia que você mostrou nesse comentário e que você tem usado para destruir sua confiança, lembrando do passado e alimentando a frustração e a negatividade e a use para agarrar a corda que está aí no poço com você. Sacrifique esse passado aí e a vontade de ficar remoendo o que aconteceu e se achando a última das criaturas. Não deixe mais o diabo enganar você. Aceitar a miséria espiritual NÃO É ALTERNATIVA. Dê um chutão no diabo, agarre a corda e use todas as suas forças para ser 100% honesta com Deus, sair do poço e se tornar uma fonte de Água Viva.

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PS: Vale a pena ouvir também o podcast de hoje da Cristiane Cardoso “Nada é por acaso”— clique aqui para ouvir.

#JejumdeDaniel  #Dia5

 Amanhã tem novo post aqui.

** Estamos em uma jornada de 21 dias de jejum de informações e entretenimento chamado Jejum de Daniel. Durante esses dias, os posts no blog serão diários e voltados exclusivamente para o crescimento espiritual. Leia este post para entender melhor.

Ferramentas para sobrevivência espiritual, física e mental

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“E repousará sobre Ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor.” Isaías 11.2

Todas essas características do Espírito Santo são coisas necessárias para nossa sobrevivência (e manutenção da saúde mental) neste mundo. Tendo sabedoria, conhecimento, entendimento e conselho, temos as ferramentas necessárias para tomar qualquer decisão de forma acertada. Por meio dessas ferramentas, você consegue usar a cabeça na hora de escolher alguém para se casar, por exemplo. Só vai errar se ignorá-LO e decidir seguir o seu coração.

Por meio dessas ferramentas, é possível avaliar se um negócio é bom ou não para você, é possível antecipar suas próprias reações e não colocar os pés pelas mãos na hora de fazer uma escolha importante. Você tem discernimento e condições de entender quando está saindo do caminho certo — a tempo de conseguir voltar sem grandes sequelas.

Você tem discernimento para saber quando se afastar de determinadas amizades e ambientes e recebe conselho para lidar com situações difíceis. Também consegue dar o conselho certo para o aflito, ajudar com sabedoria (sabedoria de verdade, a que vem do Espírito, não a sabedoria humana, que é uma porcariazinha) a quem precisa de socorro. Sua mente se desenvolve de verdade.

Ele também é espírito de fortaleza, para que você consiga resistir no dia mau, se mantendo firme mesmo em meio às perseguições, injustiças e tribulações que vêm para todos nós. E, por Ele ser espírito de fortaleza, esses desertos fortalecem sua fé — e não a destroem. Você sai mais forte dos desafios, mais experiente, mais dependente dEle e, consequentemente, menos dependente dos outros e de si mesmo.

Ele também é espírito de temor do Senhor, o que faz com que você se desvie do mal e preserve a sua alma. Você obedece, tem humildade para entender que deve guardar a fé e a salvação e tem cuidado dela. Você sabe que tem um Senhor que vê todas as coisas e que conhece seus pensamentos e, por isso, irá sempre fazer o que é certo, mesmo quando mais ninguém estiver por perto para observar, controlar, elogiar ou avaliar. Tudo o que você fizer, fará para Ele e, por isso, Ele irá cuidar de você.

Com esse Espírito dentro de você, dirigindo sua vida, orientando a cada passo, você começa a saber o que é vida, de verdade. Há paz em seu interior e alegria que ninguém tira; as pessoas podem estar apedrejando você, o mundo pode estar pegando fogo, o Sol pode derreter e a lua se partir em mil pedacinhos, mas por dentro você continua em paz.

Em vista disso, se você ainda não tem o Espírito Santo, deveria priorizá-LO acima de tudo. Como vai fazer alguma escolha sem o Espírito de Sabedoria? Como se manter forte sem o Espírito de Fortaleza? Como ser salvo sem o Espírito de Temor do Senhor? Só quando tiver real noção do quanto necessita dEle, vai conseguir largar absolutamente tudo e se agarrar a Ele, dizendo, como Jacó: “não saio daqui enquanto o Senhor não me abençoar!”. Sua vida depende disso.

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Sintonizando na frequência certa

A gente gosta da pessoa, mas se o pensamento não combina, se as coisas que ela faz são contrárias às que nos interessam, se as conversas que ela engata não têm nada a ver com a gente, se ela nunca segue nenhum conselho bom que a gente dá (e continua reclamando), qual é a afinidade? Não adianta só gostar, não dá para ter amizade com quem não tem nada a ver com você, não tem os mesmos interesses, não está na mesma “vibe”.

Com Deus também é assim. Para andarmos com Ele, é preciso entender como Ele é e ajustar nossos interesses aos dEle. Mesmo antes de receber o Espírito Santo, você pode (e deve) fazer isso. Aliás, é o novo nascimento que antecede ao batismo com o Espírito Santo. Funciona mais ou menos como um rádio. Para você conseguir ouvir uma determinada programação, precisa sintonizar o rádio na estação correta. Para receber o Espírito Santo, é preciso sintonizar o seu espírito com o dEle.

E não pense que isso é exclusividade de quem ainda não recebeu o Espírito Santo, isso é algo que todo mundo precisa fazer, senão daqui a pouco a transmissão começa a ficar com chiado e, quando você se dá conta, já não consegue mais ouvir a voz de Deus. É como no rádio, se a sintonia não estiver perfeita, aquela distorção começa a ficar insuportável para os ouvidos e a tendência é se afastar.

Ou fica perfeitamente sintonizado, ou você não vai mais querer ouvir. Vai achar que está sintonizado, mas começará a se cansar…ou vai desligar literalmente (sair) ou simplesmente desligar a atenção, fazendo as coisas mecanicamente, mantendo as aparências, mas com o espírito desconectado (muito útil isso, né? Serve para quê?). Temos que ficar atentos diariamente para permanecer em sintonia com Ele. E isso só é possível por meio da decisão de obedecer, dia após dia. Ele disse: “Vós sereis Meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando” — João 15.14.

Como eu disse, obedecer. Mas obedecer a quê? Pode começar com isso aqui:

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” Miqueias 6.8

“Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas. E nenhum de vós pense mal no seu coração contra o seu próximo, nem ameis o juramento falso; porque todas estas são coisas que Eu odeio, diz o Senhor.” Zacarias 8.16,17

“Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas.” Mateus 7.12 (Como sempre, Jesus sendo objetivo e resumindo as coisas.)

Não é nada tão complicado, né? Então, neste Jejum de Daniel, além de se abster de conteúdo secular e se envolver com as coisas de Deus, observe seu próprio comportamento. Deus não espera que você nunca erre, mas Ele espera que você se empenhe em acertar, por amor a Ele. Medite nesses versículos e comece a se esforçar para agir assim (se quiser, pode escrever em algum lugar e carregar sempre consigo. Assim, poderá ler durante o dia e avaliar suas atitudes e, principalmente, suas reações).

Obedecer é crer. Obedecer é servir. Obedecer é sacrificar. Você terá que dizer “não” a si mesmo várias vezes (por exemplo, quando ficar com vontade de falar mal de alguém — ou de alimentar algum pensamento ruim em relação a alguém; quando tiver vontade de se vingar e, em vez disso, decidir perdoar…). Quanto mais dessintonizado estiver, mais “não” terá que dizer. Mas faz parte do processo. E vá conversando sobre isso com Deus durante o dia, pedindo forças para conseguir agir de modo correto com as pessoas, com Ele e consigo mesmo.

Paz, justiça, verdade, benignidade e humildade diante de Deus são as qualidades que precisamos desenvolver para andar com Ele. Humildade, é claro, porque sem humildade, ninguém obedece. Sem humildade você vai querer fazer as coisas do seu jeito, entortando um pouco ali, outro pouco aqui, para ficar mais confortável… Mas com humildade, vai se empenhar em dar o seu melhor pelo melhor dEle. Vai sacrificar o que for preciso, inclusive as conversinhas desnecessárias e os pensamentos esquisitos. Mas a recompensa é inigualável.

Essa é uma limpeza interior que talvez faça com que você descubra algumas coisas meio feias dentro de si, que nem sabia que tinha. Então, terá nojo do que descobrir e pedirá a ajuda de Deus para se limpar do que não conseguir sozinho. Mas pode ter certeza de que Ele estará ao seu lado (aliás, já está, simplesmente por você demonstrar interesse em se aproximar mais dEle) para ajudá-lo a entrar na frequência certa.

 

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Abrindo mão da própria vida

Abrir mão da própria vida, no cristianismo, não é amarrar explosivos ao corpo e explodir sinagogas. Abrir mão da própria vida é, voluntariamente, deixar velhos hábitos, pensamentos e reações para agir de acordo com a justiça e os princípios éticos da Palavra de Deus. Aí o crente lê isso e já pensa: “ah, isso eu já fiz! Já parei de usar drogas, de beber, de fazer isso e aquilo…já larguei a prostituição, a vida do crime e hoje faço x, y e z na igreja”. E a criatura realmente acha que isso é abrir mão da própria vida…

Mudança de hábitos não é mudança de caráter. O que a gente mais vê por aí é crente que tem toda a aparência e fala evangeliquês, mas destila crueldade, preconceito e malícia. Tudo porque nunca entregou porcaria nenhuma. Ou melhor, só entregou porcaria. A vida, mesmo, que é bom, nada. Eu já fui uma dessas. 

Das coisas ruins, a gente abre mão com facilidade. O problema é abrir mão das coisas boas. Quando entendi que tinha que entregar toda a minha vida a Deus, entendi também que o que valesse a pena manter, Ele mesmo colocaria de volta, mas agora, no seu devido lugar. Fiz o que nunca havia feito. Abri mão até do que eu mais gostava, que era escrever. Estava há um tempo sem escrever (porque estava doente), então vivia ansiosa por retomar essa parte da minha vida que era tão importante para mim e para a qual eu tinha me preparado tanto. Mas quando decidi entregar minha vida, entreguei também aquela ansiedade. Estava disposta a não ser mais escritora, se Ele achasse que era melhor.

Parei de frequentar redes sociais, deixei meu blog às moscas e interrompi todos os projetos ligados a escrita. Não fazia sentido decidir nada para a o meu futuro naquele momento se estava entregando tudo. Já estava doente e parada, mesmo, então entreguei absolutamente tudo. Minhas convicções antigas e recentes, minhas decisões, meu passado, presente, futuro, as coisas que eu havia aprendido nas outras igrejas e também na Universal (nessa época, eu já tinha dez anos de Universal e a vida inteira de cristianismo), as dúvidas, o meu jeito, meus hábitos, vontades e relacionamentos.

De algumas coisas eu realmente gostava, mas como já estava de saco cheio de viver aquela mesma vidinha complicada que de tempos em tempos simplesmente travava em depressão, entendi que nenhum preço era alto demais a se pagar. Afinal de contas, o que estava em jogo era muito maior e mais duradouro do que qualquer coisa que eu tinha para entregar.

Esse foi o começo de tudo. Quando decidi zerar tudo e agir como se estivesse chegando agora. Admiti que se eu tivesse entendido alguma coisa direito antes, minha vida não estaria daquele jeito. Se estava, era porque eu tinha entendido tudo errado. Então, era hora de começar a acertar.

Não é difícil fazer isso. É parecido com morrer. Se eu decido morrer, nada mais me importa. Não se leva nada para o além. Então, o que você deixaria para trás se morresse é exatamente o que precisa deixar para trás para nascer de Deus e receber o Espírito Santo, vivendo uma nova vida neste mundo. Mas isso exige uma dose considerável de confiança, não é? E é justamente isso que faz a diferença.

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Por que o início do Jejum não é fofinho?

Você achou que iria começar o Jejum de Daniel e asinhas cresceriam nas suas costas, todo mundo ficaria fofo e pombinhas brancas passeariam ao seu redor. Mas mal o Jejum começou e parece que os espinhos surgiram até em cogumelos inofensivos. Já vou avisando: não espere que o Jejum de Daniel seja tranquilo, pelo menos no começo. Pense bem, você decidiu se afastar de todo conteúdo secular para buscar a Deus e se encher dEle. Pensa mesmo que o espírito deste mundo acha isso bacaninha? É claro que não. E é natural que haja resistência. É natural que, justamente no momento em que você mais tenta se concentrar no que é bom, puro e justo, apareçam pessoas tentando te irritar, coisas que você não queria ver pulem na sua frente e pensamentos negativos surjam do nada. O importante é ficar ALERTA, identificar a ameaça e reagir a ela corretamente.

Por via das dúvidas, considere todas as coisas esquisitas e chateações que acontecerem nesse período como resistência do mal aos seus esforços de fazer o Jejum. E decida não guardar raiva de ninguém, não cair em provocação, não desviar sua atenção. Se os pensamentos negativos, pensamentos de medo, de dúvida, de insegurança ou lembranças de coisas ruins surgirem, decida não alimentá-los. Não pense neles. Resista imediatamente, se tranque no banheiro e peça a Deus que os arranque da sua cabeça (não que arranque sua cabeça, leia de novo, que arranque os pensamentos ruins da sua cabeça). Fale com esses pensamentos (podemos parecer malucos de vez em quando, mas funciona), diga, em voz alta, que os rejeita e se recusa a continuar pensando neles. E invoque Deus. Invoque, mesmo. Ele promete responder aos que O invocam.

Não se espante por essas aparentes dificuldades que surgem, isso é só para tentar distrair você, afinal de contas, você decidiu se afastar das distrações da TV, livros seculares, revistas, internet… Largou essas distrações, outras aparecem: fica sabendo que alguém falou mal de você, se lembra de alguma coisa ruim que lhe disseram, se preocupa com alguma situação que não pode controlar, fica com medo de alguma coisa ruim que ameace acontecer… o diabo não quer saber com o que você está distraído, ele só quer que você se distraia e não descubra a força que está à sua disposição. Quanto mais indefeso você estiver, melhor para ele.

Estamos vindo de uma correria e, muitas vezes, de uma rotina repleta de distrações, é natural que sua fé precise ser fortalecida ao pisar no freio. É este o único momento do Jejum em que o mal teria maior possibilidade de conseguir alguma coisa, afinal de contas, daqui a pouco você já estará tão envolvido com as coisas de Deus que só irá se encher do Espírito da Paz e se fortalecer cada vez mais. Entenda que a resistência do mal significa não só que você está no caminho certo, mas também que vai ter resultado. Então, interprete as dificuldades como sinal para continuar firme. Afinal de contas, você não está sozinho.

“Invoquei o Senhor na angústia; o Senhor me ouviu, e me tirou para um lugar espaçoso. O Senhor está comigo; não temerei o que me pode fazer o homem.”

Salmos 118:5,6

Na batalha do dia a dia, nossa fé é escudo e a Palavra de Deus é a espada. Guarde o que está escrito nesses dois versículos. Medite neles e use sempre que precisar. Se você se sentir ameaçado por alguém ou se sentir sozinho, lembre-se de que Ele está com você. Se você se sentir angustiado, diga: “na Tua Palavra está escrito que o Senhor ouve e livra quem Te invoca, então eu Te invoco agora”. Aproveite as lutas para colocar em prática o que tem ouvido. Faça do limão uma torta de limão com cobertura de chantilly.

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Sobre o primeiro Jejum de Daniel de 2017

Quem me acompanha desde 2011 sabe que de tempos em tempos eu faço um jejum de informações de 21 dias chamado Jejum de Daniel, em busca de renovação espiritual. O primeiro que fiz não tinha esse nome e foi feito por conta própria em 2009, quando percebi que precisava parar tudo e me concentrar apenas na reconstrução do meu interior, que estava meio detonado. Durou bem mais de 21 dias, mas valeu a pena. Finalmente consegui me livrar em definitivo da maldita depressão que me seguia desde 1997 e com ela se foram os antidepressivos e todos os outros psicofármacos que eu tomava na época (essa foi minha fase de dependência química…drogas lícitas, prescritas, mas que, na retirada, se comportaram como verdadeiras drogas, com síndrome de abstinência e tudo o mais. Um dia escrevo sobre isso).

Então, em 2011 veio o primeiro Jejum de Daniel, organizado pela Universal, já com a orientação de ser um tempo de 21 dias sem redes sociais, sem notícias seculares, sem entretenimento secular (livros, filmes, séries, etc). Fora o que fosse obrigatório para trabalho ou estudo, todo consumo de conteúdo deveria ser cristão. Aquele Jejum foi tão forte, mas tão forte que decidi tirar uns dias de folga do trabalho (eu tinha saído da empresa anterior e estava trabalhando por conta) para me dedicar apenas ao Jejum. Esse Jejum virou minha vida de cabeça para baixo — ou melhor, de cabeça para cima, para me colocar onde Deus queria que eu estivesse.

O Jejum de Daniel começa nesta quinta-feira, dia 9 de fevereiro de 2017 e eu estou dentro, sem dúvida. Tenho a vantagem incomensurável de trabalhar justamente com conteúdo cristão (Yay!!! Não é sorte, é fruto da entrega incondicional que fiz da minha vida no primeiro Jejum), então meu trabalho só ajuda. Mas não posso me limitar a isso. Neste jejum, farei o que fiz no primeiro. Foco total. Escreverei aqui no blog o que fizer e o que for aprendendo, para compartilhar com quem também está nessa fé. Serão posts curtos, mas com certeza irão ajudar a quem também quiser tirar o máximo proveito dessa oportunidade.

Eu sei que há quem tenha receio de passar 21 dias sem internet e televisão, acreditando que vai se tornar alienado ou vai perder alguma coisa (em 21 dias! Se o mundo acabar, garanto que a gente vai ficar sabendo mesmo sem ver TV, tá?). São 21 dias para ganhar algo muito mais importante do que qualquer coisa que pudéssemos “perder” nesse período. A bem da verdade, agora a gente vai passar 21 dias na realidade! Porque esse mundo de redes sociais e notícias seculares não tem nada a ver com a realidade. As pessoas estão sendo manipuladas sem perceber. Alienado é quem se alimenta das informações deste mundo e não tem nem tempo de pensar. Engole os pensamentos dos outros e acha que são seus. Não consegue mais ver as coisas com o distanciamento necessário para um pensamento crítico real. Não consegue mais diferenciar o que é realidade do que é interpretação da mídia ou do marketing. É preciso se distanciar. É preciso mudar sua rotina física, mental e espiritual. Se você fizer direitinho esse programa de 21 dias, eu du-vi-do que sua vida continue a mesma.

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PS: Estou com alguns problemas técnicos no blog, por isso os posts estão saindo sem imagens. Mas em breve isso será corrigido. Por enquanto, fiquem com as letrinhas. 😛

Fazer o bem a quem nos fez mal?

 

Por que esperar retribuição? A gente tem que fazer o bem. Independentemente de receber reconhecimento ou retribuição. Independentemente de achar que o outro merece. A gente tem que fazer o bem porque o bem está dentro da gente. Se a pessoa não retribui ou não reconhece o bem que fiz, não vou pensar mal dela, porque nem estava esperando retribuição, mesmo. Gosto de ajudar, sigo a orientação bíblica de não cansar de fazer o bem, porque é o certo, não porque os outros merecem ou não merecem.

Se o meu foco está em fazer o bem para os outros (porque, afinal de contas, é o que eu tenho dentro de mim), ele não estará em meu próprio umbigo. E, se o foco não estiver em meu umbigo, não vou ficar ofendida porque a pessoa não fez o que eu achava que ela deveria fazer (até porque eu não achava nada). O resultado disso? Uma vida bem mais leve, simples e tranquila, um coração completamente blindado contra mágoa e inteiramente disposto a perdoar. E, inevitavelmente, coisas boas acontecem com quem age assim. 

Isso não quer dizer que devemos tolerar abuso. Aprendi isso, também. Sem mágoa e sem sentimento negativo algum, devemos saber colocar limites e não permitir a injustiça e o desrespeito. Fazer o que é certo. Mesmo que seja preciso tomar uma atitude mais enérgica (inclusive se afastar da pessoa), isso não exclui o “fazer o bem” — às vezes fazer o bem é dar ao outro a oportunidade de encarar as consequências de seu próprio erro (e ter chance de se consertar).

Perdoar também é fazer o bem. Ainda que a pessoa precise pagar pelo seu erro (estou pensando aqui até em casos graves, em que a criatura acabe presa), isso não nos impede de perdoá-la. Perdoar não a libera da consequência do que fez, isso é impossível. A consciência acusa e, querendo ou não, uma espécie de maldição persegue a pessoa, pois quem comete injustiça recebe injustiça.

Mas quem é justo não fica torcendo para o outro se dar mal (porque isso faria de você uma pessoa tão ruim quanto qualquer pessoa ruim). Quem é justo torce para que o outro se arrependa de verdade, enxergue o que fez, odeie o que fez e decida nunca mais agir daquela forma. Quem é justo espera que o injusto também se torne justo um dia. Torce sinceramente para que a pessoa se liberte daquele comportamento errado. O justo odeia o mal, odeia o comportamento ruim, mas não odeia as pessoas que apresentam esse comportamento ruim. Até porque, se você parar pra pensar, ninguém quer errar. Mesmo aqueles que se agarram ao erro, conscientes do que seria o certo, mas achando que sabem o que estão fazendo. Todo mundo quer acertar. 

Também não dá para ignorar o fato de que nós cometemos erros. E o erro do outro não é pior do que o meu só porque é do outro. Se quero ser perdoada, também preciso perdoar. Colhemos o que plantamos, então se você plantar desrespeito e intolerância, cedo ou tarde é o que irá colher. Aprenda isso. O que buscamos para os outros é o que encontraremos para nós: “O que cedo busca o bem, busca favor, mas o que procura o mal, esse lhe sobrevirá” Provérbios 11.27.

Perdoar pode até não ser fácil, mas é algo que podemos fazer. O perdão não depende de sentimento ou vontade, mas de decisão e atitude. Fazer o bem a quem nos fez bem é fácil. Fazer o bem a quem nos fez mal exige uma boa dose de abnegação e decisão de fazer o que é certo simplesmente porque fazer o certo é o certo a se fazer.

E, para quem se considera cristão: já tem uns dois mil e poucos anos que essa orientação foi registrada, contra a hipocrisia de quem se diz de Deus, mas faz o contrário do que Ele faz: 

“Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.”
Mateus 5:44,45

 

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PS: Do Dicionário Michaelis:

abnegação
ab·ne·ga·ção sf
1 Ato ou efeito de abnegar.
2 Ato caracterizado pela superação do egoísmo.
3 Desprezo ou sacrifício dos próprios interesses para atender ou satisfazer as necessidades alheias.

 

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