Você não precisa disso

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A dieta anti-gremlin — Parte 2

Falamos ontem que os gremlins* se alimentam do produto das nossas ruminações sobre os pensamentos que eles nos sugerem. Então, nosso esforço deve ser no sentido de parar de alimentar o gremlin (se você assistiu ao filme, sabe que alimentar o gremlin não é nada bom rs). Também citamos uma frase de grande sabedoria:

“Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a mim.”

Salmos 101.2,3

Você sai da posição passiva de aceitar tudo o que pula na sua cara para a posição de responsável por selecionar o que vai pôr diante de seus olhos (e ouvidos).É responsabilidade nossa selecionar o que vemos e ouvimos, evitando o que nos faz mal e privilegiando o que nos dá forças, estimula nossa inteligência e aumenta nossa fé e esperança. 

É relativamente fácil identificar coisas que são escancaradamente ruins, como fofoca, conversas negativas e assuntos maldosos.Também é fácil identificar coisas que fazem mal a quem quer se livrar do estado de drama, como conteúdos tristes e sem esperança, romances feitos para fazer chorar e coisas com forte carga emocional.Mas existe outra categoria de coisas que fazem mal e que talvez você não tenha pensado que precise evitar.

Ontem eu disse que existem comidas de gremlin genéricas, que fazem mal a todo mundo que está lutando contra eles. Mas existem as comidas de gremlin específicas, personalizadas que não necessariamente são ruins em si. Há coisas que me afetavam diretamente, mas em você talvez não causassem o mesmo efeito.

Por exemplo, filmes com bichinhos. Eu podia ver filmes em que pessoas sofriam e entendia que eram atores, não me envolvia tanto. Mas por alguma razão irracional, se o protagonista fosse um cachorro, não conseguia manter o mesmo distanciamento.Mesmo assim, sempre assistia e sofria. Não parece ser problema, né? Mas era, porque eu estava alimentando sentimentos que me colocavam para baixo. Na hora em que o gremlin aparecia com alguma sugestão de pensamento, o sentimento estava forte e eu, fraca.

Comecei a evitar quando entrei no processo de renovar minha mente e até hoje evito. Eu SEI que roteiristas adoram fazer o cachorro morrer no final e vou ficar triste, então PARA QUE me expor a ficar com as emoções à flor da pele e ficar alimentando tristeza desnecessariamente? Não importa se a lição do filme é bonita e patati patatá. Eu não preciso disso. (Aliás, essa é uma frase que eu uso muito: “eu não preciso disso” rs)

Da mesma forma, há coisas que podem até não ser ruins para todo mundo, mas que você sabe que lhe causam mal, lhe deixam chateado, triste, nervoso, enfim, estimulam suas emoções mais dramáticas. Ou talvez nem perceba nada muito drástico, mas note que seu nível de energia cai, a ansiedade aumenta ou mesmo deixa um “gostinho amargo”. Ou, talvez, aquela voz suave de que falamos ontem já tenha alertado, lá no fundo, que seria melhor se afastar desse conteúdo. 

Pode ser qualquer coisa. Música romântica? Discussão sobre religião? Notícias dramáticas? Conversas sobre política? Livro de poesia? Livros de romance? Músicas que lembrem do passado? Aquela página de Facebook que você segue? Aquele canal em que se inscreveu? Cada um sabe qual é a marmita personalizada do gremlin, no seu caso.

Você vai aprender a lidar com essas coisas de uma forma mais saudável depois, acredite em mim, mas por enquanto é melhor manter o mais longe de seus olhos e ouvidos quanto for possível.Para que se expor voluntariamente ao que lhe faz mal? Se ficar com vontade de recorrer a elas, diga a si mesmo: “eu não preciso disso”.

Grave essa frase e comece a dizê-la para o que tem lhe feito mal. Você não precisa sofrer. Não precisa se expor voluntariamente ao que não convém. O que estiver ao seu alcance evitar, evite. Pode não ser fácil, mas o simples fato de dizer “não” a coisas que lhe fazem mal, mas que você tem vontade de ver e ouvir já fortalece o seu músculo anti-gremlin.

Cada “não” que diz a essas coisas lhe deixa mais forte porque é o poder da sua decisão acima da sua vontade. Está dizendo à sua vontade: “você não manda em mim. Eu sou mais forte do que isso”. Assim, você vai retomar, aos poucos, o controle de sua vida e de seus pensamentos e se tornar uma pessoa mais forte.

 

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PS: Uma boa dica de leitura para esse período é o livro 50 tons para o sucesso, de J. Edington. É um livro para desenvolvimento pessoal, profissional e espiritual. Se a gente bebe do espírito do autor ao ler um livro, taí um espírito que vale a pena beber, porque ele é super entusiasmado. Os capítulos são curtos, mas dão injeções de fé prática.

PS2: Outra ideia legal (o comentário da Elaine me ajudou a lembrar) é ler livros técnicos da sua área de atuação (ou de interesse), que vão ajudá-lo a aprimorar o que você faz. Ajuda a usar a cabeça, traz conhecimento útil e não vai fazer você chorar rs.

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*Para quem está chegando agora: “gremlin” é como chamo os monstrinhos invisíveis que imagino sentados em nossos ombros sugerindo pensamentos negativos. Eu os imagino com aquela cara dos monstrinhos do filme Gremlins, principalmente para não querer um troço desses no meu ombro. 

 Se quiser entender melhor a referência, leia esses dois posts do Jejum de Daniel:

Dando crédito à voz do gremlin

O estado de drama e as lentes verdes do gremlin