Por um mundo coerente

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Deixei de lado a maioria das bandeiras que costumava apoiar (e não levantei nenhuma bandeira oposta no lugar das antigas) simplesmente por ver que, no tocante a opiniões divergentes em assuntos sensíveis, o mundo tem se mostrado extremamente incoerente.

Quem critica aqueles que jogam no time adversário (seja em qual assunto for), reclamando do modo injusto de fazerem as coisas e, na primeira oportunidade, usa as mesmas estratégias que critica nos outros, merece credibilidade?

Vejo a hipocrisia do mundo gritando nas redes sociais, a qualquer hora do dia ou da noite, quer o indivíduo esteja defendendo x ou y, direita ou esquerda, religião ou ateísmo, Inter ou Grêmio. A maioria sequer enxerga o que faz e não consegue entender o que diz. Se revolta quando vê uma mentira contra si mesmo ou contra os seus, mas fecha os olhos quando a mentira vai beneficiar aqueles que são seus amigos ou prejudicar os que considera inimigos.

Como exemplo, já vi sites que eu admirava pelo compromisso com a verdade (assim eu acreditava) publicarem coisas que eu sabia que eram mentira. Alertei e mostrei que era mentira, mas preferiram ignorar e manter a mentira lá. Mas fazem o maior estardalhaço quando encontram outro site, revista ou jornal publicando mentira contra aquilo que eles defendem. Dois pesos, duas medidas.

Isso acontece porque o mundo vive na injustiça. Chafurda na injustiça como porquinhos na lama. Não podemos mudar a cabeça das pessoas, mas podemos avaliar nossa própria justiça. Será que você realmente gosta do que é justo ou só quando lhe convém? Será que está disposto a defender o direito de um desafeto ser visto como inocente, até provas concretas em contrário serem apresentadas, ou prefere acreditar em qualquer denúncia/fofoca? Será que está disposto a dar ao seu inimigo aquilo que você mesmo gostaria de receber?

Se você quer ser justo, seja justo com todos, não apenas com aqueles que pensam como você. Quem critica o preconceito no outro tem de ser capaz de identificar o preconceito em si mesmo e rejeitá-lo imediatamente, com a mesma fúria que usaria ao se deparar com qualquer outro preconceituoso. Quem odeia mentira, não tolera a mentira que lhe convém. Quem não aceita maledicência, não é conivente quando ela vem contra um desafeto seu.

Isso é coerência no discurso. É o mínimo que se espera de quem se diz racional, de quem não se une à maioria para torcer o direito. É o mínimo que se espera de quem quer ser justo.

 

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