O gatinho no colo

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O gatinho no colo me adormece a perna. Não consigo me mover sem dor, então não me movo. Ele respira, suspira, mergulha no profundo e curto sono que somente os gatos sabem sonhar. Meu pé formigando embaixo de sua barriga e ele aprofunda-se ainda mais em seu sonho macio, como se quanto mais incomodada eu estivesse, mais satisfeito ele ficasse, ou como se quanto mais incomodada eu estivesse, mais tranquilo ele aparentasse, para equilibrar aquela equação.

Gatinho esconde a cabeça em meu braço, alheio ao barulho de meus dedos no teclado. Gatinho respira profundamente, ronca, anestesiado, como minhas pernas, que nada sentem mais. Aninhado em meu colo, aquele gato enorme transforma-se novamente em um gatinho pequeno, filhote, minúsculo, indefeso, alheio ao mundo, concentrado em sua fofura nata, incontrolável, inconsciente. Gatinho é um potinho de amor derretendo-se em meu colo, tranquilo por simplesmente ter minha presença.

Meu colo desliga o gatinho, que se transporta para outra dimensão, enquanto ronca, em plena segurança de que ali ninguém o incomodará, nenhum mal jamais o alcançará. Gatinho busca sempre minhas pernas, meu colo, meus braços, busca se apoiar em um pedacinho que seja de mim para dormir em paz e para me transmitir sua paz contagiosa, contagiante, e me derreter ao se derreter em mim. O gatinho no colo é uma de suas muitas formas de dizer que me ama.

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2 comentários sobre “O gatinho no colo

  1. Juliana disse:

    Que fofo!

    Amo gatos. Gostaria que esse carinho se estendesse a inúmeras pessoas a fim de evitar os maus tratos dos quais tomamos tanto conhecimento. Tenho dois :)

    • Ah, nem me lembrava desse texto! Que saudade tenho desse gatinho! Eram três, mas agora temos apenas dois (e mais alguns agregados rsrs). Sinceramente, eu acho que quem maltrata um gato tem problemas muito mais profundos do que maldade, simplesmente. Essas pessoas têm sérios problemas de afetividade, não se sentem amadas, não conseguem se amar e não conhecem Deus (podem até ser religiosas, mas não conhecem Deus. Ter Deus não significa ter religião).

      Estava relendo o texto agora e pensando nisso… Quem sabe amar um gatinho entende o amor de Deus. Esse amor que temos por esses bichinhos tão fantásticos, a ponto de nos fazer sacrificar tantas coisas; essa vontade de cuidar e proteger; esse respeito profundo que nos faz compreendê-los, amá-los e querê-los sempre por perto é o que Ele também demonstra por nós. E esse prazer em deitar no colo do dono ou simplesmente em estar por perto, se sentindo seguro, protegido, amado e aceito, é o que temos em nós quando O conhecemos de verdade.

      Beijos a você e aos seus fofinhos!

      PS: Tenho um texto sobre castração e criação indoor, mas o novo layout do blog escondeu os links das páginas. A pessoa agora precisa clicar em uma bolinha vermelha com risquinhos horizontais que fica no alto, à direita da página, ao lado da lupa de pesquisa (que ninguém vê, também).

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