Livros que não são o que parecem – Conversando com Deus

Geralmente eu dou dicas de livros legais ou, se não gostei, deixo claro que é minha opinião e que você deve ler para formar a sua. Mas esta resenha é de “Livros que não são o que dizem ser”, para que você não perca o tempo que eu perdi lendo coisas que vão contra a nossa fé ( nem sempre isso fica claro no título e na sinopse). Óbvio que não vou deixar de fazer resenhas de bons livros, pois esse é o objetivo desta coluna, mas de vez em quando colocarei esses da série “Parece, mas não é”. Existem muitos nessa categoria, não vou sair catando esse tipo de livro, falarei apenas dos que estão mais em evidência e correm o risco de cair nas mãos de pessoas sinceras, que estejam na fé e acreditem que encontrarão algum alimento espiritual ali.

Começo com o “Conversando com Deus” (Conversations with God), que não é novo, mas está sempre em evidência porque o filme de mesmo nome circula como “filme gospel” e “filme cristão” e é um chamariz para o livro. É uma série de três livros, escrita por Neale Donald Walsch. Como eu disse, o negócio virou até filme e eu já soube de crentes que deram esse livro de presente, achando que era algo evangelístico!!!

Vi cristãos indicando esse livro, provavelmente por terem gostado do filme. Olha aí o que a fé sem a inteligência faz. Como você vai doar um livro que não leu?? Como vai indicar algo que não conhece? Quando doa um livro, você está assinando embaixo das palavras do autor, a pessoa que o recebe confia em você e por isso irá ler. E talvez até comente contigo quando vocês se encontrarem novamente, para tirar alguma dúvida…e com que cara você vai dizer: “ahnnn…desculpe, mas eu não li o livro que te dei”!

Bem, vamos lá. O que esse livro diz que é? Vamos ler a sinopse do livro 1: “Imagine que você pudesse conversar com Deus. E, nessa conversa, abordar os temas que mais o inquietam, animam, alegram e entristecem. Questões das mais íntimas às mais gerais: do amor ao sexo, da vida à morte, da família às relações com o desconhecido. Em Conversando com Deus, Livro I: Um diálogo sobre os maiores problemas que afligem a humanidade, o autor revela que essa conversa é possível. “

Uau, parece interessante, não? Parece até cristão! Mas não é. Achei que fosse uma obra literária em que o autor colocasse as respostas que supostamente Deus daria, ou que encontraria uma forma criativa de fazer o leitor sentir-se em um “diálogo” com Deus. Mas nããão! O cara foi visitado por uma entidade que se apresentou como Deus (Sessão de descarrego nele!):

Para minha surpresa, quando escrevia a última das perguntas amargas e irrespondíveis e me preparava para pôr de lado a caneta, minha mão permaneceu fixa sobre o papel, como se mantida ali por uma força invisível. De repente, a caneta começou a mover-se sozinha. Eu não tinha a menor noção do que iria escrever, mas uma idéia pareceu surgir, por isso decidi deixá-la vir.

Fala sobre um caminho largo, diz mentiras e distorce verdades de um jeito bastante sinistro. Apoia a instituição de um governo mundial, a reencarnação e se propõe a substituir a Bíblia, pois, segundo a entidade, a Bíblia “não é uma fonte competente”. (O livro do cara que você nunca viu na vida, segundo a entidade, é que é uma fonte competente, veja só.)

Vejamos alguns trechinhos. Esse “deus” diz:

“Minha forma mais comum de comunicação é através do sentimento. O sentimento é a linguagem da alma. Se quiser saber o que é verdade para você em relação a alguma coisa, veja como se sente em relação a ela.”

Imagina? Isso é o que o ser humano que não conhece a Deus quer ouvir! Imagina só, Deus falando que você deve escutar o seu coração! Tão fácil! Mas nada poderia ser mais equivocado. O verdadeiro Deus nos ensina, na Bíblia, que o coração é “enganoso e desesperadamente corrupto”. Nossos sentimentos são tão volúveis que se eu fosse aplicar isso na minha vida, o que é verdade para mim hoje poderia não ser amanhã, dependendo do que eu sentisse! Vai nessa e daqui a pouco você estará protagonizando as maiores asneiras da sua vida (que é o que acontece quando a gente anda pela emoção).

O verdadeiro Deus fala através do intelecto, da mente, da fé racional, e não do sentimento. Quem fala através do sentimento é quem quer manipular o ser humano. É o que o autor desse livro faz com seus leitores.

Fique atento aos seus sentimentos, aos seus Pensamentos Mais Elevados e à sua experiência. Sempre que qualquer um deles for diferente do que lhe ensinaram seus mestres, ou do que leu em seus livros, esqueça-se das palavras. As palavras são a fonte menos confiável da Verdade.

Isso é o que a entidade diz para justificar-se do fato de o que ela escreve ser antibíblico. Segundo ela, os sentimentos, os “pensamentos mais elevados” (que nada mais são do que sensações) e experiência devem ser colocados acima da Bíblia e do que você aprendeu sobre Deus. Suas experiências de poucos anos de vida valem muito mais do que a Palavra de Deus, que tem milhares de anos. Isso não me parece inteligente. Na verdade, é algo bastante estúpido. Sem contar que…o que aconteceu com o “A Tua Palavra é a verdade” (João 17:17)? Jesus, em sua oração ao Pai, diz que “A palavra é a verdade” aí o livro de Neal diz “as palavras são a fonte menos confiável da verdade”. Quem tem mais crédito?

Segundo a entidade, o inferno não existe (nem demônios, afinal de contas, é bem mais interessante para ela que você acredite nisso). E tenta justificar isso dizendo que Ele não é vingativo e não nos puniria com tormento eterno. Mas a Bíblia nos diz que Deus não criou o inferno para punir o homem, e sim para lançar o diabo e os demônios. O homem foi criado perfeito e destinado a viver a eternidade com Deus. O inferno só passou a receber almas humanas depois que o diabo conseguiu enganar o homem e levá-lo a achar que poderia ser igual a Deus se O desobedecesse.

O inferno não é punição pelos pecados, é consequência de uma vida afastada de Deus. E tanto Deus (o verdadeiro Deus) não quer isso, que enviou Seu Filho para nos substituir, pagando o preço que nós deveríamos pagar e nos absolvendo, nos dando a única oportunidade de passar a eternidade com Deus. Isso é o que o verdadeiro Deus explicaria, pois foi isso o que Ele deixou claro em Sua Palavra.

O que acha desse “deus”?:

O mal é o que você chama de mal. Contudo, até mesmo isso Eu amo, porque é apenas através do que você chama de mal que pode conhecer o bem; apenas através do que chama de obra do demônio que pode conhecer e realizar a obra de Deus. (…) Eu não amo o “bem” mais do que o “mal”. Hitler foi para o Céu. Quando compreender isso, compreenderá a Deus.

O livro é cheio de confusão e tão emocional que dispensa o raciocínio (exceto o distorcido). Ele diz que o pecado não existe, que certo e errado é conceito subjetivo, que não existe inferno, nem demônio, não é? Mas em determinado momento (nas raras vezes em que O menciona) diz que Jesus permitiu ser crucificado para ser a salvação eterna do homem. Mas salvação de quê? Se não existe pecado, se não existe inferno, se a Bíblia está errada quando diz que “ao homem é dado morrer só uma vez, e depois disso, vem o Juízo” (Hebreus 9:27), que salvação é essa? Como salvar a quem não está perdido?

Você teve 647 vidas passadas, já que insiste em que Eu seja exato. Essa é a de número 648.

A gente ri agora ou depois? A entidade apoia a reencarnação, mas o livro nem espírita é, já que diz que as reencarnações não servem para aprender nada. Quer porta mais larga do que essa? Você só tem de fazer o bem, plantar amor, viver por suas emoções e tentar ouvir a Deus em seus sentimentos! Aí você, cristão bem intencionado, resolve dar esse livro de presente para alguém que está precisando de Deus e essa pessoa, já confusa, encontra uma entidade que semeia mais confusão ainda! Como sempre o diabo escancara a porta, para que as coisas fiquem bem fáceis, envenena a pessoa contra a Verdade da Palavra de Deus porque o que ele realmente quer, o que realmente interessa para ele, é ganhar a alma dessa pessoa, depois da morte. Se conseguir enganá-la até lá, está no lucro. Para isso, ele se passa até por espírito de luz, como diz a Bíblia.

Para tirar todas as dúvidas a respeito da identidade do ser que inspirou esse livro (e que quer se fazer passar por Deus), me diga quem diria isso:

“O que tem sido descrito como a queda de Adão, na verdade foi o seu erguimento – o maior evento isolado da história da humanidade. Porque sem ele, o mundo da relatividade nunca existiria. O ato de Adão e Eva não foi o pecado original. Na verdade foi a primeira bênção. “

Quem você acha que enxerga a queda de Adão como “uma bênção”? E como “o maior evento isolado da história da humanidade”?

Como descobri esse livro? Eu já sabia da existência dele e do filme, mas não sabia do que se tratava. Então encontramos alguns filmes “gospel” que ainda não tínhamos visto, inclusive este. Eu e meu marido estávamos assistindo ao filme. Bem antes da metade (acho que assistimos a um terço da produção), estranhamos o fato de estar tão arrastado, irritante, emocional…então deixamos o filme de lado e fui procurar o livro, para ver do que se tratava.  Nem ia escrever tanto, mas esse é o concentrado do pensamento que está espalhado no mundo, inclusive nas igrejas evangélicas (fora a parte da reencarnação).

As estratégias do diabo são sempre as mesmas. Muitos livros  têm alguns veneninhos desses, tipo “siga seu coração”, “sentir a Deus”. Neste ele concentrou tudo e foi bem descarado, mas muitos livros que se dizem cristãos têm um ou outro fragmento dessa mesma linha de pensamento, envenenando a sua fé. Achei importante explicar esses pontos básicos, mas esse tipo de livro não merece leitura, muito menos de três volumes! Seu tempo é precioso, amigo. Li apenas parte do primeiro livro, pois quando ficou bem óbvio para mim que aquela entidade não era Deus, decidi que não perderia meu tempo lendo o que ela ditou, né? Merece ficar falando sozinha pela eternidade no lago de fogo e enxofre.

Vanessa Lampert

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PS: No período de Jejum de Daniel, li e resenhei aqui e na Folha Universal apenas livros cristãos e sei que não existe melhor época para você se esbaldar de literatura cristã. Muitos conseguirão desenvolver e consolidar o hábito de leitura justamente por causa do propósito. Mesmo tendo terminado, sugiro que inclua isso em seus jejuns, principalmente se você tem preguicite aguda ao chegar perto de um livro! Se esse é o seu problema, veja  o artigo: Como vencer a preguiça de ler.

No entanto, como eu já havia dito no post Alimentação Literária, nem tudo que se existe para ler é espiritualmente nutritivo. E entre os livros que se dizem cristãos, isso é especialmente verdadeiro. Resolvi citar alguns entre os mais badalados, para que ninguém se contamine com vinho estragado embalado em rótulo bonito.

Originalmente postado no Blog Cristiane Cardoso (clique aqui para ver a postagem original).

2 comentários sobre “Livros que não são o que parecem – Conversando com Deus

  1. joice C disse:

    Cuidado, sua resenha foi plagiada em outra página. Por coincidencia li as duas em sequencia e pude perceber. Obrigada por compartilhar sua opnião.

  2. LUIZ CARLOS disse:

    Gosto de ler algumas opiniões contrarias ao tema que estou pesquisando, e realmente você tem razão em tudo que disse sobre o livro, a bíblia é nossa bússola.

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