O teste do silêncio

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Hoje eu cansei da minha voz. Decidi não falar, a menos que meu marido me perguntasse alguma coisa. E, mesmo assim, responderia em tom baixo e pausado. Nada de falar alto ou atropelando as palavras alucinadamente (eu oscilo entre falar pausado demais – principalmente quando estou cansada ou com sono e as palavras fogem – e emendar uma palavra na outra, quase sem respirar, as palavras como um bando de cavalos selvagens trotando loucamente em campo aberto sem encontrar nenhum obstáculo pelo caminho) e também nada de ouvir aquele trinado metálico irritante que determinada nota na minha voz faz, ressoando dentro da minha cabeça como um gongo recém atingido. Eu falaria baixo e melodiosamente, quase flutuando pelo som.

E foi o que fiz.

Estranhamente, aquelas palavras em turbilhonamento dentro da minha cabeça se acalmaram. Alguém desligou o liquidificador. Consegui me concentrar melhor, percebi que estava mais centradinha. Claro, estou tendo alguma dificuldade de ordem conjugal, com meu marido me perguntando de cinco em cinco minutos: “você está bem?” “está tudo bem?” “está acontecendo alguma coisa?” Mesmo eu tendo avisado a ele que tinha decidido falar menos e mais baixo. Eu não sou daquelas mulheres chatas que não param de falar (pelo menos ele diz que não sou), mas, pelo visto, ele sente falta da maritaca contando as coisas que descobriu nas pesquisas, fazendo perguntas, falando do apocalipse, dos livros que está escrevendo ou editando, do que leu e dos artigos que precisa terminar (trabalhamos no mesmo ambiente, então dá para ir fazendo pequenas intromissões ao longo do dia). Até que ele, depois de muito participar da alegre cantoria diária, anuncia sua entrada na caixinha do nada: “agora vou ficar quietinho, tá?” E o silêncio reina até que a caixinha se abra novamente (o que, geralmente, demora bastante rs). :)

Só depois que parei de falar é que percebi o barulho. Sabe quando alguém desliga uma máquina que você nem percebeu que estava ligada e, subitamente, você escuta o silêncio? Então… Está aí uma boa dica para esse final de Jejum de Daniel: um jejum de palavras. Não precisa necessariamente cortar comunicação com as pessoas e ficar falando por mímica. A ideia, na verdade, partiu de uma constatação a respeito da experiência que costumamos ter no Templo de Salomão.

Percebi que a experiência do Templo de Salomão só é realmente completa (para mim) quando eu chego bem mais cedo e fico em silêncio, lendo a Bíblia, meditando, orando e escrevendo. Quando a reunião começa, já estou sintonizada (tente fazer isso antes do culto em sua igreja, mesmo que não seja no Templo. Vai perceber a diferença). Pensei que talvez guardando mais silêncio e diminuindo o volume da minha voz, eu conseguiria manter a sintonia o dia inteiro, sem muitas interferências – o que potencializa o Jejum de Daniel. E eu estava certa.

Vale a pena tentar. Amanhã, fale menos. Limite-se ao mínimo necessário e, quando falar, use um tom de voz mais baixo, mais suave. Depois me diga como foi a experiência.  E, se pensar bem, uma pessoa educada só fala quando seu interlocutor para de falar. Deus é muito educado. Ele não nos interrompe, não nos atropela. Então, se não diminuirmos o ritmo de nossa fala, como ouvi-Lo? E, se você acha que Deus só fala na igreja ou quando estamos orando, seu relacionamento com Ele precisa de uma turbinadinha.

“Falou mais Moisés, juntamente com os sacerdotes levitas, a todo o Israel, dizendo: Guarda silêncio e ouve, ó Israel! Hoje, vieste a ser povo do SENHOR, teu Deus. Portanto, obedecerás à voz do SENHOR, teu Deus, e Lhe cumprirás os mandamentos e os estatutos que hoje te ordeno.” (Deuteronômio 27.9,10)

Guarda silêncio e ouve. Sem guardar silêncio, como ouvir? E, pior ainda, se você passa o dia reclamando e falando de problemas, quando vai ouvir a voz de Deus? Para obedecer à Sua voz, é necessário ouvi-La. E só ouvimos uma voz de cada vez. Ou você ouve sua própria voz, ou ouve a voz da dúvida, ou ouve a voz do medo, ou ouve a voz dos problemas, ou ouve a voz das impossibilidades, ou ouve a voz de Deus.

Adivinha só qual é a melhor opção?

 

 

PS: Se você tiver a felicidade extrema de ler este texto pela manhã e fizer esse teste do silêncio durante o dia todo, vai potencializar muito sua experiência na reunião da noite (estou pensando em quem vai à Noite da Salvação, na Universal quarta-feira).

4 comentários sobre “O teste do silêncio

  1. Patricia disse:

    Amanhã começarei o jejum de palavras na minha escola de norueguês. Vou falar o mínimo possível sobre mim.

  2. luiz carlos da silva disse:

    Hoje mesmo quando estava na busca pelo Espirito santo fiz um proposito com DEUS de começar um jejum de palavras la na empresa em que eu trabalho chego em casa e DEUS confirma com a suas mensagem maravilhosas,Amem!!! rsrsr

  3. Adriana Silva disse:

    Bom dia, estava esta semana pensando e orando a respeito, e hoje me deparo com este texto, gostei muito.

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