De onde vêm as ideias? Parte 3

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Lembra que eu disse no post anterior que nosso cérebro é burro e puxa-saco? Ele só quer nos agradar, fazendo com que aquilo que acreditamos venha a acontecer. Diga “esse problema não tem solução” e seu cérebro fará de tudo para esconder todas as soluções que o problema possa ter. Diga “é o único jeito” e você não conseguirá enxergar outra saída.

Podemos usar essa característica a nosso favor ao escolher, conscientemente, aquilo em que iremos acreditar. Quando entendemos que viemos com o aplicativo de criatividade e que só precisamos ativá-lo e exercitá-lo, tudo fica mais fácil. A única coisa que você precisa saber depois disso é o tipo de pensamento necessário para exercitar a criatividade.

Imagine uma criança de quatro anos. Como ela pensa? Se perguntar a ela a explicação de um determinado mistério ou pedir que lhe descreva uma imagem incompreensível, ela virá com vinte hipóteses diferentes, desde as mais plausíveis até as mais improváveis. Para ela, nada é impossível e todas as explicações valem ser investigadas.

A maioria das pessoas suprime essa capacidade com o passar dos anos e acaba se prendendo a uma linha limitada de pensamento. Outros, como artistas, escritores (oi, eu) e profissionais criativos em geral, continuam a manter um link com a infância para conseguir que esse pensamento divergente os leve a diferentes formas de ver o mundo.

Porém, você não precisa ter alguma profissão que exija criatividade para manter esse link com a infância, porque todos nós precisamos de criatividade. A vida exige criatividade, ideias, flexibilidade, inovação, liberdade.

As ideias vêm de uma mente desbloqueada. Uma mente sem fronteiras, sem impossibilidades. Uma mente capaz de ter certeza daquilo que espera, daquilo que não vê, ainda que seja contra tudo o que seus olhos veem. Uma mente capaz de imaginar o que mentes limitadas dizem ser impossível. Perdi a conta das vezes que ouvi que estava acreditando em algo impossível. Perdi a conta das vezes que ouvi que não daria certo, que não tinha como fazer tal coisa, que eu queria cruzar uma linha intransponível ou, mesmo, inexistente. Perdi a conta de quantas vezes ignorei esses comentários. Quando eu era mais nova, eles me causavam medo. Com o tempo, passaram a me causar revolta. E quanto menos acreditam em mim, mais eu me aproximo do que me motiva. Mais eu quero fazer algo por quem realmente vale o esforço.

Se não vivermos para cruzar linhas inexistentes e transpor o intransponível, qual é o objetivo disso tudo? Se eu não acreditar em algo muito maior do que eu, para que todo o esforço? E se eu digo que estou servindo a Deus, mas bloqueio meus pensamentos ao primeiro sinal de “impossível”, que tipo de serviço estou prestando? As vozes que traçam linhas e constroem muros e trilhos sempre irão gritar “impossível!”. Se tem interesse em criar algo realmente inovador, não espere o apoio de uma multidão. Espere críticas.

Não há lugar seguro. Não há ambiente controlado. Não há fórmulas. É uma questão de se jogar, como uma criança pequena, em um mundo onde a imaginação pode abrir as trilhas e encontrar saídas. Um mundo onde as coisas que você achava que sabia de repente tomam outro significado. Um mundo onde uma pergunta pode ter várias respostas ou levar a novas perguntas. Um mundo de infinitas ramificações. Assustador, sim, mas não se você souber que não está sozinho.

Rodar seus pensamentos com o sistema operacional multidimensional que as crianças usam é uma escolha que só você pode fazer por si mesmo. É uma escolha da qual nunca me arrependi e que pode me fazer parecer estranha e de difícil categorização para quem me conhece, mas tem me trazido excelentes resultados.

De onde vêm as ideias – Parte 1

De onde vêm as ideias – Parte 2

De onde vêm as ideias – Parte 3

Um comentário sobre “De onde vêm as ideias? Parte 3

  1. Muito bom o post. Gostei, apesar da maioria de seus textos serem extensos, gosto muito de cada um, principalmente quando vejo um raciocínio livre de preconceitos ou de “senso comum”. um abraço, continue excrevendo

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