Sendo menos animalzinho

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Tenho sérias dificuldades com nosso ritmo contemporâneo. Preciso de tempo para pensar, questionar, analisar, pesquisar, ler e escrever. Nossa sociedade não valoriza o tempo para pensar. O silêncio, o ficar sozinho, o analisar profunda e cuidadosamente. Tudo tem de ser na correria, com mil aplicativos abertos ao mesmo tempo, uma enxurrada de entretenimento, indignação artificialmente plantada pela mídia e conversas nonsense de Facebook.

Consequentemente, estamos ficando mais superficiais e com conflitos cada vez menos resolvidos. Intelectualmente, as pessoas estão virando bichinhos. Vivem à base da emoção e suas opiniões são aquelas que o Jornal Nacional ou a Revista Veja dizem que elas devem ter. Já recebem as opiniões mastigadas da mídia, então, atuam como se realmente soubessem do que estão falando. E preferem gastar seu tempo com joguinhos, bate-papos que não levam a lugar nenhum, redes sociais e entretenimento vazio. O prazer momentâneo, acima de qualquer outra coisa. Um docinho rápido para disfarçar a fome que aumenta.

Intelectualmente desnutridas, essas pessoas se tornam cada vez mais carentes e vazias. Suas carências e seus vazios são temporariamente supridos por mais balinhas, oferecidas pela indústria do entretenimento, pela indústria da beleza, pela indústria do sexo, pela indústria religiosa e por uma infinidade de outras indústrias perniciosas que se reproduzem feito moscas no lixo da nossa sociedade, corroendo o que há de melhor dentro daqueles que buscam nelas a solução para sua fome.

No entanto, essa fome não pode ser suprida por sentimentos ou sensações, muito menos por coisas materiais ou atenção. Essa fome é profunda e só pode ser saciada quando você consegue parar, ficar sozinho e analisar o que está acontecendo dentro de você. Se entupir de doces não vai resolver seu problema. Um novo parceiro não vai resolver seu problema. Passar o dia no Facebook não vai resolver seu problema. Encher sua cabeça de barulho não vai resolver seu problema. Encher sua agenda de atividades não vai resolver seu problema. Não se esconda no caos. O caos só faz o problema aumentar, sem que você perceba.

O que ninguém quer ver é que essa fome é espiritual. E a única forma de saciá-la é indo à Fonte. A busca por Deus não é a busca por si mesmo. A busca por Deus não é a busca por uma religião. A busca por Deus é a busca por Deus. Não há muitos caminhos para isso. Assim como se você quiser me conhecer, o único caminho que pode tomar é vir até mim e me conhecer, se você quiser conhecer a Deus, a única forma é ir até Ele e conhecê-Lo.

Porém, e aquelas pessoas que já conheceram a Deus, mas continuam nessa busca desenfreada por sensações, mergulhados no Facebook, Whatsapp, Twitter, Instagram, aplicativos, jogos, vídeos, televisão e demais estímulos emocionais e sensoriais? São usados pela tecnologia, manipulados pelos interesses alheios, tanto quanto as outras pessoas que buscam nessas coisas o preenchimento de sua vida e de seu tempo, para não pensarem na própria vida. Não querem ficar sozinhas um segundo. Não querem ter de se encarar.

O que você mais alimenta, é o que vai crescer. Se alimentar sua inteligência, ela crescerá. Se alimentar suas emoções e sensações, elas se desenvolverão e tomarão conta da sua vida. O segredo de tudo é o equilíbrio, somos racionais justamente para que nossa mente seja capaz de liderar nosso corpo e nossas emoções. Não inverta essa equação, ou não haverá diferença entre você e um gambá.

Os animais têm uma inteligência, um certo raciocínio, a capacidade de resolver problemas e enfrentar situações inusitadas que exigem mais do que mero instinto. E são capazes de se comunicar, também. No entanto, seus comportamentos são guiados basicamente por emoções, sensações e instinto, deixando a inteligência em segundo plano. Eles reagem irracionalmente muito mais vezes do que agem racionalmente. Respondem aos seus sentimentos sem questionar, como muita gente que você conhece.

Os humanos têm milhares de anos de desenvolvimento filosófico e de raciocínio, o que lhes daria uma vantagem em termos de capacidade de utilização racional. Mas, intencionalmente, esse desenvolvimento tem sido barrado e sufocado a ponto de as novas gerações (e as velhas, também) estarem cada vez mais superficiais. A intenção, seguramente, é formar um exército de pessoas desprovidas de capacidade cognitiva, guiadas pela vontade de uma minoria. Já essa minoria, obviamente, investe pesado em sua própria formação intelectual.

Por isso, pular fora do gira-gira deste mundo pode machucar no começo, mas é a única maneira de conseguir uma vida interior decente. Pouquíssimas pessoas farão isso. Porque o ritmo deste mundo traz um certo prazer, já que é voltado para isso. Mas também cobra um preço alto. O efeito rebote não compensa todo o prazer que você recebeu. Melhor uma vida equilibrada, sobre a qual você tenha algum controle, do que viver de extremos, de picos e vales, sendo guiado por alguém que quer sugar tudo o que você tem e transformá-lo em uma casca vazia.

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4 comentários sobre “Sendo menos animalzinho

  1. Vanessa, vou te contar um segredo…
    Eu passo o dia lendo e relendo seus post!(será q estou ficando mais doida?).
    Eu preciso aprender/absorver o q vc está passando! Preciso receber o mesmo Espírito.!
    O teu blog é o MEU blog!
    E tb não me canso de ler os teus exercícios de Formação da Unisinos.
    Eles são meu entretenimento!!!
    Obrigadaaa

  2. Boa tarde!!! depois que acabou o Jejum de Daniel eu não tive muita vontade de ver televisão ou de querer saber de tudo que está acontecendo ao meu redor, em breve as aulas começarão e eu vou poder ir na igreja só no domingo. Estou buscando levantar sempre mais cedo para colocar Deus em primeiro lugar. Obrigada!!!

  3. Bom dia!
    Muito bom para refletirmos no que temos feito da nossa vida. Gosto muito do jeito como você escreve, simples e direto.

    Obrigada e não pare de escrever.

    Beijos!!!

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