Chega de Abobrinha

Encontrei esse texto em uma comunidade do Orkut e lá fui eu atrás do nome do verdadeiro autor (claaaaro que estava assinado como “Autor Desconhecido”, aquele nosso velho amigo…muito mais velho do que amigo, diga-se de passagem). Descobri o porquê de as pessoas publicarem textos que não são seus em seus blogs: preguiça de escrever. Esse é um assunto sobre o qual eu realmente tenho vontade de escrever, mas ultimamente tenho sofrido de preguicite aguda (que já está ficando crônica) de elaborar um texto. Mas já comecei a escrever algo a respeito, em breve publicarei.


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Do livro: Alimentação Vegetariana

ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA:
CHEGA DE ABOBRINHA!

Autor: De Rose

Jamais declare-se vegetariano num hotel, restaurante, companhia aérea ou na casa da sua tia-avó. É que todos eles têm a mesma vivacidade e vão responder:
– Eu gostaria de lhe preparar uma comida decente, mas já que você
não come nada vou lhe servir uma saladinha de grama.

E, por mais que você tente explicar que vegetariano não é isso o que a esvoaçante fantasia do interlocutor imagina, sua probabilidade de sucesso é nula. Na caixa-preta dele já está selado, carimbado e homologado que vegetariano só come salada e ponto final.

Há vinte anos envio cartas e faço visitas de esclarecimento à comissaría e aos nutricionistas de uma conhecida companhia aérea. Mas nada os demove da sábia decisão de que conhecem melhor o vegetarianismo do que os próprios vegetarianos. E tome discriminação. Os mal-entendidos já começam ao fazer a reserva. Basta solicitar alimentaçãolacto-vegetariana, cujo código é VLML, para que o solícito funcionário do outro lado da linha registre alegremente:
– Ah! Vegetariano? Perfeitamente, senhor.

Só que a alimentaçãovegetariana, para as companhias aéreas, tem outro código, VGML, que designa um sistema bem diferente e absurdamente intragável que só existe na cabeça dos nutricionistas dos
caterings. Fico a pensar se VGML é a sigla para VegMeal ou se
significa: Você Gosta Mesmo dessa Lavagem?

E se o passageiro sabe mais do que o atendente e adverte-o para que use o código certo, VLML, invariavelmente é deixado na linha esperando enquanto ocorre uma conferência nos bastidores. Às vezes, o som vaza e pode-se escutar:
– Dizprá ele que esse código não existe. Não é vegetariano? Então é
VGML.

Certa vez, numa viagem internacional, minha mesinha já estava posta quando tive a infeliz idéia de informar a comissária de bordo que o pedido de alimentação vegetariana era meu. Ato contínuo ela retirou da minha mesa o queijo, a manteiga, a maionese, o pão, o biscoito, o chocolate, a sobremesa e tirou até o sal e a pimenta. No lugar, colocou uma lavagem de legumes cozidos à moda de isopor.

Por que a gentil senhorita fez isso com este simpático cavalheiro? Será que ela pensa que queijo é carne? Que manteiga, maionese, chocolate são algum tipo perigosíssimo de carne de vaca-louca camuflada?

O pior nas viagens aéreas é que se você pedir alimentação VGML ou VLML, o pessoal docatering tira a sua sobremesa como que a puni-lo por ter-lhes dado trabalho. É como se estivessem a ralhar com o passageiro:
– Menino mau. Já que não come a sua carne, vai ficar sem sobremesa.

E você é obrigado a comer legumes cozidos sem tempero ou salada fria com uma uva de sobremesa, enquanto assiste o vizinho de poltrona refastelando-se com um prato quentinho de strogonoff, suflé, parmegiana, milanesa, tudo arrumado com capricho, mais um apetitoso pudim e ainda tem que ouvi-lo comentar:
– Essa comida de bordo é uma porcaria…
Pensa que a discriminação é só no ar? Em terra firme é pior. Se num
restaurante você se declarar vegetariano e consultar omaître sobre o  que ele sugere, o esforçado profissional poderá lhe dar duas respostas.
A mais freqüente é:
– O senhor é vegetariano? Nesse caso podemos lhe oferecer frango,
peixe… E a lagosta está ótima.

Inútil tentar fazê-lo entender que vegetariano não come carne de frango, nem carne de peixe, nem carne de crustáceo. Ele fará uma cara de ervilha encefálica e lhe oferecerá bacon. O leitor pensa que estou gracejando? Então faça a experiência. Entre no próximo restaurante e use a palavra mágicavegetariano. Garanto que à saída fará uma generosa doação para o Serviço de Proteção ao Vegetariano Incompreendido.
A outra resposta que omaître poderá lhe dar é a de que não tem nada
para vegetarianos. Então você lhe contrapõe:

– Tem batata frita? Tem couve-flor? Tem queijo? Tem farofa? Tem palmito? Tem espaguete? Tem champignon? Tem pizza? Se tem tudo isso e muito mais, porque o senhor declara que não tem nada para vegetarianos? – Aí, ele lhe serve uma sopa de cebola com caldo de carne.

Vamos, portanto, tentar esclarecer alguns equívocos consagrados pela opinião pública leiga sobre a alimentação vegetariana, incluídos aqui os nutricionistas, especialmente os das companhias aéreas e os chefs de
cuisine de restaurantes e hotéis – e, certamente, as tias-avós de todos nós.
1. Vegetariano é aquele que não come carnes. Nem vermelhas, nem
brancas, nem azuis, nem furta-cor. Carne alguma. E é só isso.
O Vegetarianismo divide-se em três grupos:

a) Vegetarianismo propriamente dito (também chamado Lacto-ovo- vegetarianismo), que consiste em alimentar-se com absolutamente tudo o que é usado na alimentação comum, menos as carnes de qualquer espécie;
b) Vegetalianismo (também denominado Lacto-vegetarianismo), que
consiste no mesmo que a modalidade anterior, menos os ovos;
c) Vegetarismo (também chamado Vegetarianismo Puro ou Vegan),
que não aceita as carnes, nem os ovos, nem os laticínios.

O sistema mais comum é o primeiro. Quando alguém se declara vegetariano, em noventa por cento dos casos, está querendo dizer que apenas não ingere carnes, de espécie alguma.
2. Vegetariano não come salada. Só de vez em quando.

Um absurdo é supor que só pelo fato de uma pessoa não querer comer carnes de tipo algum tenha, por isso, que se abster de todos os demais pratos de forno e fogão tais como empadões, suflés, pizzas, massas em geral, panachés, rissolis, gratinados, dorés, empanados, milanesas, strogonoffs, fondues, farofas, molhos de tomate, acebolados, golf, rosé, maioneses e as 15.000 variedades de legumes, cereais, hortaliças, frutos, raízes, ovos, leite, queijos, iogurtes… mais toda
aquela gama maravilhosa de especiarias tais como orégano,

cominho, coentro, noz-moscada, tomilho, açafrão, gengibre, cardamomo, páprica, louro, salsa, cravo, canela, manjericão, manjerona, chili, curry, masala e uma infinidade de outros.

O vegetariano é um gourmet sofisticado e exigente que não faz questão apenas de saúde e higiene alimentar, mas também de prazer, como qualquer outro ser humano. Se não quer cometer uma indelicadeza, não lhe ofereça “uma saladinha”. Ele vai morrer de pena de você e talvez chegue até a aceitar, só por educação.
3. Vegetariano não come soja.

Só adota compulsivamente a soja o falso vegetariano, aquele vegetariano de boutique, quero dizer, de restaurante. Vegetariano de verdade, experimentado e informado não usa soja porque isso é uma mera bobagem. A não ser que essa leguminosa entre na composição de algum produto como kibe vegetal, etc. Soja é ruim, indigesta, desnecessária e contém um excesso de proteína.
4. Vegetariano não come só produtos integrais.
Claro que não come só produtos integrais! Ou será que os refinados
deixam de ser vegetais e passam a ser algum tipo de carne?
5. “Para o doutor aqui sirva o chá sem açúcar que ele é
vegetariano.”

Por que sem açúcar? Por acaso açúcar é carne? Vegetariano não come é carne. Açúcar é vegetal. Não temos nada contra o açúcar. Procuramos apenas evitar exageros no uso de alimentos empobrecidos pelo refino. Portanto, solicitamos às companhias aéreas que parem com a mania de suprimir a sobremesa, o chocolate, e até o queijo, a manteiga e os biscoitos (que absurdo!) de quem só disse que não queria comer carnes.
6. “Vegetariano não toma refrigerante.”
Não estamos discutindo aqui se refrigerante é saudável ou não.
Estamos denunciando o absurdo da colocação: “Quem se propõe a
não comer carne não pode tomar refrigerante.” Se você concorda
com essa lógica transversal, cuidado para não ser reprovado em testes
psicotécnicos!
7. Tofu, missô e shoyu.

Isso não faz parte da culinária vegetariana e sim da macrobiótica. São elementos procedentes da cozinha japonesa, logo só devem ser usados em pratos japoneses. Ou macrobióticos, já que essa corrente criada por Oshawa é declaradamente nipocêntrica. Colocar algas, shoyu, missô, tofu e outros produtos macrôs em receitas que tenham a intenção de ser apenas vegetarianas, é uma gafe comparável à que cometem os estrangeiros que vêm ao Brasil falando espanhol!
8. A suposta falta de proteínas!

E, seja lá quem for ou que títulos exiba, se alguém se atrever a declarar que a alimentação vegetariana não fornece todos os aminoácidos essenciais, conteste com a indignação dos justos. Diga: “Estou
convencido de que você não sabe o que é o vegetarianismo…”. Afinal,

um sistema alimentar que reúna todos os legumes, frutas, verduras, cereais e raízes, mais leite, queijo, coalhada e ovos, não pode ser considerado carente.

Este autor que vos escreve parou de comer carnes aos dezesseis anos de idade. Depois disso, serviu o Exército na tropa; ao longo da vida praticou Judô, Karatê, Aikidô; começou a fazer Ginástica Olímpica depois dos cinqüenta! Já passou dos sessenta com mais saúde e energia do que a maioria dos da sua faixa etária.

Aliás, recordo-me com grata alegria, de um médico de Lisboa que clinicava aos 103 anos de idade! Era vegetariano. Lembro-me, ainda, do folclórico maratonista gaúcho septuagenário que todos os anos, comemorava seu aniversário correndo 24 horas seguidas com uma faixa no peito onde se lia uma única e significativa palavra: “VEGETARIANO”.

Vegetarianos foram também: Pitágoras, Sócrates, Ovídio, Kafka, Schopenhauer, Darwin, Rousseau, Bernard Shaw, Voltaire, Isaac Newton, Einstein, Abraham Lincoln, Benjamin Franklin, Thomas Edson, Mark Twain, Leon Tolstoi, Isadora Duncan, John Lennon, Linda McCartney e tantos outros que a história não registrou.

E ainda o são: Brad Pitt, Brigitte Bardot, Brooke Shields, Claudia Schiffer, Dustin Hoffman, Kim Basinger, Faye Dunaway, Martina Navratilova, Richard Gere, Sting, Madonna, Yoko Ono, Paul McCartney, Steve Jobs, Éder Jofre e muitos outros nomes famosos.

Não nos esqueçamos de que os maiores e mais fortes mamíferos terrestres são todos vegetarianos: o elefante, o rinoceronte, o búfalo, o bisonte e o nosso parente, o poderoso gorila.

Aliás, quando alguém vier com o argumento de que somos carnívoros porque temos dentes caninos, pergunte-lhe se ele já viu os caninos dos gorilas, esses enormes vegetarianos radicais, que só comem folhas.

ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA:
CHEGA DE ABOBRINHA!2

Jamais declare-se vegetariano num hotel, restaurante, companhia aérea ou na casa da sua tia-avó. É que todos eles têm a mesma vivacidade e vão responder:

– Eu gostaria de lhe preparar uma comida decente, mas já que você
não come nada vou lhe servir uma saladinha de grama.

E, por mais que você tente explicar que vegetariano não é isso o que a esvoaçante fantasia do interlocutor imagina, sua probabilidade de sucesso é nula. Na caixa-preta dele já está selado, carimbado e homologado que vegetariano só come salada e ponto final.

Há vinte anos envio cartas e faço visitas de esclarecimento à comissaría e aos nutricionistas de uma conhecida companhia aérea. Mas nada os demove da sábia decisão de que conhecem melhor o vegetarianismo do que os próprios vegetarianos. E tome discriminação. Os mal-entendidos já começam ao fazer a reserva. Basta solicitar alimentaçãolacto-vegetariana, cujo código é VLML, para que o solícito funcionário do outro lado da linha registre alegremente:

– Ah! Vegetariano? Perfeitamente, senhor.

Alien headphone

Pessoas entendendo errado o que eu digo, pessoas interpretando mal o que eu faço…em um nível tão ridículo, a tal ponto sem noção que eu não tenho a menor vontade de me justificar ou me defender. O que é bem diferente da reação que eu teria há alguns  anos.Hoje sei que as pessoas não são o problema. Elas não estão entendendo e nada do que eu disser, nenhuma explicação minha, nenhum argumento que eu usar vai fazer com que consigam entender. É como se tivesse um alien nos ouvidos delas, filtrando e distorcendo minhas palavras. Então eu fico quieta, não explico nada, “o justo não se justifica”.

Converso com Deus, explico para ele, sou bem sincera nessa conversa, entrego a situação e peço que Ele me defenda. Claro que não vou ficar passiva diante de qualquer ataque, existem ocasiões em que é necessário se defender, mas na maioria das vezes só traz desgaste e desvia o foco do que realmente deveríamos estar fazendo (trabalhando, estudando, buscando a Deus, sevindo a Deus, cuidando da família – dependendo do lugar onde acontece). Depois entrego cada um dos envolvidos nas mãos de Deus, pedindo para Ele  arrancar o alien das orelhas deles.

Não fico com problemas com as pessoas, ninguém em sã consciência gosta de ter um alien grotesco e semi-analfabeto pendurado nas orelhas. Ninguém em sã consciência gosta de ser injusto ou de distorcer as palavras de alguém ou de ver com maus olhos as atitudes de uma pessoa, pois isso faz mal, é negativo, traz consequências ruins. Se a criatura tivesse noção de tudo isso, não faria! Se faz é porque não tem noção, como é que eu vou ficar com raiva de uma pessoa que não tem noção do que faz? Isso não significa que eu não possa exigir respeito. Exijo, por onde eu for, porque da mesma forma procuro respeitar as pessoas. Mas não dá para dar espaço para o mal, não é mesmo? Tenho de aprender o valor do silêncio.

Posted in Sem categoria por Vanessa Lampert. No Comments

Dia da pizza

Diálogo ocorrido há quinze minutos:

Eu chego na sala, após ler isso no Twitter (com o delay de sempre), Dave está  deitado no sofá, assistindo TV:

– Amoor, sabia que hoje é o dia da Pizza?

– É? Dia da pizza?

- Pois é, e a gente nem ligou para ela para parabenizar. (sorrisinho de quem acredita que ele captou o recado da brincadeirinha infame)

- Não tem problema, amanhã a gente liga para ela.

… não desisto assim tão fácil:

- Mas ela não vai ficar chateada?

- Não, ela vai entender.


Isso é o que dá conviver com pizzas compreensivas. Em pleno dia da pizza, eu comi sanduíche de rúcula com tomate e ovo frito.


PS: Justiça seja feita: no início da noite ele me fez uma surpresa, trouxe uma torta mesclada da Bella Gulla (beijinho com brigadeiro…ou como se diz aqui no Sul: branquinho com negrinho…risos…). Mas isso me impede de querer uma pizza no final da noite?

Posted in Coisas de Vanison por Vanessa Lampert. 1 Comment

Vento do Moinhos

Horário de almoço, resolvi dar uma volta na região, antes do almoço propriamente dito. A chuva caía, discreta, como somente Porto Alegre sabe chover. Saquei a pequena sombrinha da bolsa e fui, charmosamente, subindo as lindas ruas do Moinhos de Vento. Não vi moinho algum, mas o vento me pegou a uma quadra e meia dali. Virou minha sombrinha do avesso, amassou, mastigou e cuspiu fora. Olhei e havia duas opções: rir ou chorar. Escolhi rir. As hastes quebradas, retorcidas, descolaram do tecido. Toda a estrutura desmoronara. Não houve outro destino possível, ela teve de ir para o lixo. Eu gostava dela, mas não pude fazer nada, nem curtir o luto, devido à situação periclitante. Felizmente consegui abrigo sob os guarda-sóis de um pub (porque nos outros bairros tem barzinho, mas o Moinhos tem Pub. Bairro chique é outra coisa).

Fiquei lá, parada, vendo a chuva chover, até que, como um enviado divino, um vendedor de guarda-chuvas, magro e moreno, surgiu oferecendo guarda-chuvas superfaturados. Em dias secos, eles custam dez Reais, mas em plena chuva, não menos de vinte. Fazer o quê? Lá se foi meu almoço, mas troquei vinte pila por um guarda-chuva grande, que o cara jurou que não se desmontava. Ok, saí toda feliz, armada com um novo guarda-chuva, de xadrez azul, bonitinho. Meia quadra abaixo, uma nova rajada de vento ensandecida veio por baixo do dito-cujo e virou as hastes e a tela do avesso. As hastezinhas sem-vergonha entortaram feio e somente aí eu percebi a péssima qualidade da coisa.

Todo um novo mundo se abriu para mim quando meu guarda-chuva virou do avesso. Os guarda-chuvas não são todos iguais. O tempo parou por um instante, vi as pessoinhas congeladas, e em seguida, em slow-motion, com seus guarda-chuvas e sombrinhas bem firmes, abertos, enquanto o meu dançava para lá e para cá, entortando-se a seu bel-prazer. Pensei: “onde raios essas pessoas compram seus guarda-chuvas? Como eles serão por dentro?”. Os guarda-chuvas não são todos iguais. O rapaz vendedor dos guarda-chuvas made in Ferno (certamente ele era enviado de uma entidade nada divina) passou novamente. Eu mostrei a ele o que havia acontecido e ele, cara-duramente disse que nada poderia fazer e ainda me advertiu que eu deveria cuidar melhor do produto…hahahaha…eu disse: “com certeza, da próxima vez não sairei com ele na chuva, para não estragar”.

Os danos foram irreversíveis. Duas hastes entortaram-se como os talheres de Uri Geller. O mais interessante é que eu ficava parada, esperando o vento cessar. Nada de vento. Caminhava. O vento aparecia, subitamente. Se eu parasse, ele parava também. Ele me perseguia. Ou eu era o vento. Resultado: fiquei sem almoço e cheguei na imobiliária encharcada como se tivesse tomado um banho na rua. Feliz – porque eu sou uma pessoa feliz – pela oportunidade de encarar uma situação extrema, na qual é praticamente impossível encontrar um lado bom. Eu sempre encontro. Encontrei vários. Alguns foram arrastados pelo vento, mas eu os encontrei, não importa. E fiquei feliz por não ter feito uma escova ontem, ou teria perdido sessenta Reais ao invés de vinte.

Entrei na imobiliária e foi impossível não atrair nenhuma atenção, com aquela cara de mergulhada. Anunciei o que acontecera para todo o prédio, e ninguém perguntou mais. Fiz aquela cara de alienígena, que faz com que ninguém mais me pergunte nada, mesmo, e sentei à mesa para escrever este texto. Pensando, ainda, o que as rajadas de vento têm contra a minha pessoa. Ou qual é a conexão que as rajadas de vento têm comigo. Por que o vento se move quando me movo? E onde as pessoas compram bons guarda-chuvas? Uma tempestade maluca de repente altera todas as prioridades do seu dia.

Posted in Sem categoria por Vanessa Lampert. 6 Comments

E o biscuit?

Ainda sobre o post anterior,  já me antecipo a qualquer questionamento nesse sentido, pois sei que a maioria dos acessos deste blog vem de buscas por assuntos relacionados a biscuit e escultura. Então não é possível viver de noivinhos topo de bolo? Não é possível largar meu emprego para viver de esculturas personalizadas?

Não é minha intenção destruir o sonho de ninguém, por isso é absolutamente necessário que eu escreva este post. É claro que é possível viver de novinhos topo de bolo, desde que você cobre um preço justo por eles. Não faça casais a R$150 que você rapidamente vai morrer de fome, amiga. Não vale a pena, a menos que você confeccione monstrinhos personalizados. Aí tanto faz, faz de qualquer jeito e bota para secar torto, você não vai ter muito trabalho e pode vender por qualquer coisa.

Mas não é assim que eu trabalho. Se não for para fazer algo que valha a pena colocar em cima do bolo e ficar exposto na estante da sala pelo tempo que durar, prefiro não fazer. Não quero que os noivos tenham vergonha do meu trabalho, pelo contrário, quero fazer uma homenagem perfeita. Se você tem essa visão, valorize seu trabalho. Não peço para enfiar a faca nos clientes, mas para levar em consideração o tempo que você leva para confeccionar a peça, o quanto você investiu para aprender as técnicas e desenvolver a sua, o tempo para dar atenção ao cliente, etc.

No meu caso, tive de suspender minhas atividades por outra razão. Quando comecei a trabalhar com o Biscuit estava bastante doente, vivia muito cansada e qualquer esforço maior, tinha crises terríveis, passava muito mal mesmo, por causa do cortisol alto. Tive de parar absolutamente todas as atividades. Quando fiquei bem, transferi o ateliê, que era para ser em uma casa no terreno do meu sogro, para um quarto vazio do meu apartamento. Eis que resgatei um gatinho e tive de fazer lar temporário no quarto que era para montar o ateliê. O gatinho está encalhadinho e – acredite se quiser – não consegui um espaço legal em casa para trabalhar com biscuit. Claro que se eu realmente quisesse me esforçar, encontraria. Mas optei por deixar o biscuit em segundo plano por algum tempo. Questão pessoal. É claro que eu poderia viver de noivinhos, mas preferi me aprimorar mais um pouco e desenvolver melhor algumas habilidades antes de voltar.

São motivos totalmente pessoais, as esculturas personalizadas entraram em uma vida em um momento complicado, eu estava com a saúde delicada e acabei não aproveitando aquele momento. Agora eu tracei um plano bem pensado para conseguir colocar em prática todos os meus desejos, e como estratégia, coloquei o biscuit em segundo plano, para que quando voltar, possa fazê-lo da maneira que planejo. Antes de mais nada, quero estar em condições de assistir ao curso da Flávia Pina em julho, no Rio de Janeiro. Não vou começar antes disso. Fiz o primeiro curso, que mudou meu trabalho de uma maneira extraordinária. Se você trabalha com esculturas personalizadas ou tem vontade de trabalhar, o curso da Flávia é indispensável. E ela não sabe se vai voltar a dar cursos depois desse, então pode ser que seja o último. Quem puder aproveitar, nem que precise fazer um sacrifício, parcelar o valor, se hospedar em um hotelzinho minúsculo, dividir hospedagem com alguém, vale a pena. Quem tem mais disposição do que eu para se dedicar em tempo integral vai colher os frutos rapidamente. O meu problema não foi o biscuit, meu problema na época era físico, e eu não me sinto em condições de retomar o trabalho antes de fazer um novo curso com ela.

Já escrevi a respeito, já disse o quanto o curso fez diferença, aprendi em uma semana (três dias de curso e quatro dias de prática) o que levaria anos para aprender. Não precisei de mais nenhuma apostila ou dvd depois daquilo. O curso dela é tão detalhado e completo e o trabalho é tão perfeito, ela ensina tão bem que não é necessário complementar com mais nada.  O meu maior problema foi ter tido hipercortisolemia que me trouxe uma perda de memória e bagunçou minha cabeça. Não posso me fiar só no que já aprendi, pois recuperei bastante coisa, mas ainda tem um ou outro lapso, que pode fazer diferença.

Quem quiser saber maiores informações a respeito do curso da Flávia, clique aqui.

Dou todo o meu apoio a quem queira e possa se dedicar ao Biscuit como única fonte de renda. É totalmente possível, mas tem de estar disposto a fazer um bom trabalho, diferenciado, perfeito mesmo. Não queira gastar pouco na preparação, comprando cursinhos e dvds baratos, pegando dicas na internet e depois conseguir um trabalho de qualidade para cobrar bem e viver disso. Não dá. Tem de ser profissional mesmo. Investir em capacitação, treinar bastante, não pegar mais encomendas do que consegue cumprir, atentar para os prazos e ser bem detalhista no trabalho. Praticar preços decentes.  Não acredito em um bom trabalho, feito sem estresse, sem desespero, com alegria, com bom resultado, sem atrasos, sem problemas para o cliente por menos de R$600 (isso para mim é o preço mínimo). Se alguém cobra menos do que isso (e estou falando de reproduzir o rosto dos noivos no biscuit, sem parecer um monstrinho. Estou falando de escultura de verdade, proporcional, bem feita, de no máximo 17 cm. Porque é claro que se eu fizer uma cabeça de 5 cm será muito mais fácil de detalhar do que uma de 2 cm)…bem, alguém está saindo prejudicado. Ou o cliente (com o resultado final do trabalho ou problemas durante o processo) ou o profissional. E ao cliente que quer pagar duzentos Reais por um trabalho do nível da Flávia Pina, eu gostaria de dar um pedaço de massa de porcelana fria e pedir a ele que esculpisse um rosto humano de 1,5cm baseando-se em cinco fotos.

Então é esse o meu recado. É possível largar meu trabalho e viver de biscuit? Sim, é, mas você precisa ter disciplina e decidir ser profissional no biscuit, não apenas uma artesã, mas uma escultora. Para isso vai ter de trabalhar, se dedicar, estudar, querer, mesmo. E por quê você começou a trabalhar como corretora de imóveis se dá para viver de biscuit? Eu parei com o Biscuit muito antes de começar o curso de TTI. Parei não porque o biscuit não dá retorno, mas porque eu não estava em condições de trabalhar, por problemas de saúde. Na hora de voltar, preferi sair um pouco e deixar o biscuit para depois.Mas meus planos de dominar o mundo incluem meu retorno às esculturas personalizadas. Por isso, aproveitem enquanto eu não volto. :-)

Posted in Arte Escultura Esculturas Noivinhos por Vanessa Lampert. No Comments

Outra face do corretor de imóveis

Comecei, recentemente, a trabalhar em uma imobiliária aqui de Porto Alegre como corretora de imóveis. Fiz trabalhos paralelos (porém informais) com vendas a vida inteira e ninguém nunca se incomodou (nem me incomodou) com isso. Aí resolvo divulgar – e eu tenho que divulgar, caramba, como vou vender alguma coisa se ficar escondida? – e recebo alguns comentários engraçados.

Algumas pessoas demonstraram profunda tristeza e quase me deram os pêsames, como se eu estivesse enterrando minha carreira de escritora ad eternum. Queísso, povo? Eu só resolvi ter uma profissão bonitinha para não precisar viver de bicos, ter minha independência financeira e desenvolver disciplina, qual é o mal nisso?

Trabalhar como corretora não impede que continue escrevendo, nem que continue trabalhando com biscuit…não me impede de fazer absolutamente nada, exceto de lavar a louça do almoço quando tenho de ficar o dia inteiro em um plantão (este final de semana, por exemplo, passei inteiro em plantão do Fit Jardins. Fiquei com vontade de morar no apartamento decorado…risos…). Aí tenho sido obrigada a me organizar – coisa que eu queria fazer há muito tempo e finalmente consegui.

Existe um preconceito esquisitinho em relação ao corretor de imóveis, que ainda não entendi direito. As pessoas acham que o corretor vai lhes passar a perna, que está só interessado em comissão e que não tem ética, nem caráter. Na verdade, pessoas assim existem em qualquer profissão. Existem médicos que não estão nem aí para você, só querem seu dinheiro. Por causa disso você vai desprezar toda a classe médica? Eu não deixo de ser eu mesma só por ter um registro no CRECI e trabalhar em uma imobiliária!! Continuo a ser ética, honesta, a querer ajudar os outros (às vezes pensando mais nos outros do que em mim)…e isso tudo eu uso no meu trabalho. O trabalho do corretor é facilitar as relações entre vendedor e comprador. É basicamente o mesmo trabalho do Agente Literário, só que em outro ramo de atuação. O Agente Literário é um corretor, um parceiro do escritor, fazendo a ponte entre ele – que quer vender – e a editora – que quer comprar, para convencer a editora de que esse escritor seria um bom investimento.

O corretor de imóveis também faz essa ponte entre alguém que quer vender um imóvel (uma construtora ou uma pessoa) e alguém que tem interesse em comprar (para morar ou para investir). Não vejo nada de mais nisso. Trabalhando em imobiliária o valor da comissão do corretor é bem menor (beeeeeeem menor mesmo), mas o volume de trabalho é potencialmente  maior e você tem toda a estrutura da imobiliária à sua disposição. No meu caso, escolhi (sim, escolhi, porque eu sou chique…risos…) a Rial Imóveis, pelo estilo mais “humano” de trabalhar. É uma imobiliária grande (ganhou o Top of  Mind 2009), mas tem um jeito família, sabe? Gostei bastante. Claro que em ambiente de trabalho tem todo tipo de gente, mas como sou otimista incorrigível, acredito que tudo é questão de se saber lidar e conheci pessoas extraordinárias ali.

O maior problema é lidar com esse preconceito de algumas pessoas. As pessoas têm medo de serem enganadas, ou têm traumas por terem sido mal atendidas em situações anteriores. Além disso, o início de qualquer coisa é sempre complicado. Até eu conseguir aprender direitinho, me inteirar das milhões de coisas que compõem o mercado imobiliário demanda algum tempo, mas tenho sido bem sucedida nesse meu intento. Fora isso, eu preciso descobrir onde se escondem os grandes investidores. Existe uma lenda que diz que algumas pessoas investem bastante em imóveis, especialmente lançamentos, na planta (a Rial trabalha com muitos empreendimentos assim, todos de construtoras sérias, fazendo disso um investimento rentável e seguro). Vejo meus colegas negociando com eles. Compram dois, três imóveis, às vezes mais. Não sei o que eles fazem, nem onde vivem, nem o que comem, mas quero ser assim quando crescer, poder ligar para um corretor e comprar três imóveis na planta para revender quando o empreendimento for lançado, menos de dois anos depois, recebendo – sei lá – três vezes o que investi.

Claro que quando você pensa em vender vários imóveis para vários investidores, a evolução natural desse pensamento seria contabilizar as comissões dessas vendas. No entanto, eu sou um alien. Quando penso em encontrar investidores e vender para eles, penso mais no prazer de ajudá-los a encontrar o melhor investimento, um bom empreendimento, fazer com que eles ganhem dinheiro e fiquem felizes do que na comissão propriamente dita. E quando penso em anunciar o imóvel de alguém para vender, quero ajudar aquela pessoa a conseguir um bom preço pelo seu imóvel, um comprador que não lhe dê problemas e fazê-la ficar feliz com o negócio. Quando penso em vender um imóvel para uma pessoa que o queira para morar, penso em ajudá-la a realizar seu sonho, encontrando para ela o melhor imóvel possível, que se encaixe em seus desejos, que não lhe dê problemas e fazer com que ela fique feliz no final das contas.

Não que eu não pense em dinheiro,  afinal, preciso pagar minhas (muitas) contas, castrar os gatinhos que a gente encontra na rua, ajudar nossos trabalhos de recuperação de vidas e comprar maquiagem (a pessoa tem direito a futilidade na vida), entenda o que quero dizer, a comissão é consequência, é algo que eu vou receber de qualquer maneira se vender (coisa que qualquer vendedor recebe), mas não é isso que me dá prazer ou alegria, não é atrás disso que eu corro. O que me dá prazer e alegria é ver a  pessoa feliz após a negociação finalizada, tenho prazer em ajudar, em ser útil. Claro que para nosso mundo atual ter esse tipo de visão é ser taxada de imbecil, de ingênua. Eu sei como o mundo funciona, sei de toda a malícia que existe nele, mas escolhi viver como acredito que deva viver, como me faz bem. Escolhi viver assim, caramba, tenho trinta anos, sei o que estou fazendo.  Duvido que seja a única. Se vender menos do que venderia se não tivesse esses princípios, não me importa. Sei que ninguém tira o que Deus me deu, e isso me basta. Se Ele me deu, não vou perder, não preciso passar por cima de ninguém para isso. É assim que sempre vivi, é assim que trabalho, em qualquer coisa que eu faça.

Eu sou obrigada a viver neste mundo, colega, neste nosso planeta, cheio de pessoas mentirosas, desonestas, cínicas, maldosas…se sou obrigada a viver aqui, tenho de fazer a diferença. Não adianta só reclamar dos outros, do jeito que os outros são, do jeito que o mundo é, eu tenho que fazer diferente. O que os outros acham ou deixam de achar, não me importa. Eu vivo do jeito que acredito. Por isso também não me engesso em nada. Minhas atividades não sou eu, minhas atividades são o que eu faço. Continuo escrevendo. revisando…sou corretora de imóveis e corretora ortográfica…risos…não me tasquem um rótulo, pois ainda que eu passe a vida inteira trabalhando em uma imobiliária, vocês me verão fazer milhões de outras coisas, paralelamente. Se alguém quiser me rotular, vai gastar muito adesivo na vida.

PS: Falando em divulgação, caso você conheça alguém que queira vender, comprar ou investir em imóveis e queira ajudar a me divulgar, meu e-mail para isso é rial.vanessa@gmail.com

O Retorno

O dia em que descobri este site:  http://icanhascheezburger.com passei horas ensandecida, vendo fotinhos compulsivamente. Se você não lê em inglês, eu sofro muito por sua causa. Pensei em traduzir, mas até agora não fiz isso. Tenho lutado bravamente contra as milhares de coisas que se acumularam enquanto estive naquela dimensão paralela para a qual fui sugada há uns dois anos e de onde retornei – graças a Deus – mas ainda tenho uma coisinha ou outra acumulada de que me lembro de tempos em tempos. Com toda a serenidade do mundo, porém, tenho recolocado as coisinhas em seus devidos lugares e buscado ardentemente aprender uma maneira de melhor administrar meu tempo.

Não aceito dizer que não tenho tempo. É óbvio que tenho tempo! Meu dia tem o mesmo número de horas do dia da Cora Rónai, ou da Paula Polzonoffa, por exemplo, mas elas fazem ao menos quatro vezes mais coisas do que eu consigo fazer nesse mesmo período de tempo. Se isso é possível para elas, tem de ser possível para mim também, ora bolas! Não admito, por exemplo, continuar abandonando meu blog. Não vou abandoná-lo mais. Se a Cris, que tem muito mais coisas para fazer do que eu e muito menos tempo disponível, consegue atualizar o blog quase que diariamente, por que raios eu não consigo mais? Eu já fiz mais coisas do que faço hoje (ou quase) e conseguia manter o blog atualizado! Ok, eu tinha menos coisas acumuladas. Sabe qual é o problema de acumular coisas? É que muitas vezes você fica pensando nelas e tentando definir quais são as prioridades, quais devem ser “desacumuladas” primeiro e quais podem esperar, que acaba perdendo mais tempo pensando a respeito do que realmente resolvendo alguma coisa. E termina por acumular mais tarefas, as que deveria estar fazendo enquanto pensa a respeito das que não fez.

Quanto mais tarefas acumuladas eu tenho, com mais coisas me envolvo, que acabam gerando novas tarefas, que impedem que as acumuladas sejam cumpridas e que acabam se acumulando também. Nem sei como, finalmente, tenho conseguido me livrar desse entulho emocional. É algo que atravanca o caminho, colega, e é necessário ter uma grande dose de paciência, domínio próprio, longanimidade, e todos os outros frutos do Espírito, para resolver.

Antes eu só reclamava. Eram os problemas acumulados, tarefas, afazeres. Hoje, não reclamo mais, não me lamento. Simplesmente faço. Resolvo uma coisa hoje, duas amanhã. Em pouco tempo, terminei aquilo que tanto me incomodava. Ver uma tarefa concluída te dá novo ânimo, renova as forças para concluir novas tarefas. Jamais imaginei que uma atitude tão pequena pudesse mudar tanto a minha vida: parar de reclamar. Ficar se lamuriando só drena suas energias, te enfraquece, te faz ver aquele problema com uma lente de aumento absurda. Você se sente pequenininha e é como se o mundo te engolisse. A vida fica horrível, o mundo fica cinza, tudo começa a ser visto sob a pior ótica possível. Não tem como viver bem desta maneira! Porque quando o problema estiver resolvido, pode anotar: você encontrará outro. Porque o problema não está do lado de fora, mas no padrão de pensamento que você desenvolveu. Você não sabe mais ver nenhum problema de outra forma. Esse é um buraco medonho.

Me forcei a pensar diferente, até que isso se tornasse natural. Ver qualquer problema monstruoso sabendo que aquilo era fake. O problema estava se fazendo de fortão para me intimidar. Eu era maior do que ele. Desenvolver uma visão positiva, uma forma leve de encarar a vida, não é fácil, mas também não é impossível. Exige negar nossa vontade de tecer lamentações sem fim. Ah, era bom ficar reclamando, me sentindo vítima do universo…era muito cômodo. Agora é mais chato, porque eu sei que não sou vítima do universo, se algo me incomoda, tenho que levantar e agir para me livrar daquele problema, tenho de buscar soluções, tenho de pensar, lutar, resolver. Não sei mais viver de outra maneira, graças a Deus. O chatinho agora é só limpar a bagunça que aquela Vanessa desanimada, reclamona e pessimista fez na minha vida.  Mas essa é a parte mais tranquila. O pior – seguramente – já passou. Então acredito que em breve poderei fazer a tradução das legendas das fotinhos mais legais, atualizar o Autor Desconhecido e todos os outros blogs paralelos, resolver todas as pendências que tenho na internet. Quero colocar tudo em dia.

Este blog passará a ser atualizado diariamente, para eu retomar o hábito. Ainda que seja de forma despretensiosa, é algo que eu tenho me cobrado. Quem sabe eu recupere minha meia dúzia de leitores. :-D Puxa vida, são oito anos de blog. Será que não sobrou unzinho?

Posted in Sem categoria por Vanessa Lampert. 2 Comments

Crise de Layout

Mesmo depois de oito anos de blog, mudar o layout é sempre um momento dramático. Primeiro eu me incomodo com o layout antigo e encasqueto que aquele ali não combina mais comigo. Às vezes nem consigo escrever no blog por incompatibilidade entre eu e o Layout.  Então passo horas analisando as opções de Layout até sentir aquele “clique” interior. O problema é que o WordPress não tem layout com ativador de clique interior. Nessas horas eu sinto falta do blogspot.

Então eu escolho um layout mais ou menos e fico tentando ajustá-lo ao que eu gostaria, até sentir nem que seja um micro-clique interior, qualquer coisa que me conecte ao novo layout e revigore o blog. Às vezes passo dias mudando o layout até encontrar um que acalme meu espírito (sim, eu sou dramática). Portanto, não estranhem as mudanças que surgirem nos próximos dias. Em algum momento chegaremos a algum equilíbrio visual por aqui. Assim espero.

Posted in Tentando me entender com o blog por Vanessa Lampert. No Comments

A saga do BBBgato

Antes de mais nada, eu não assisto ao Big Brother porque não assisto mais a Globo. Em outra oportunidade discorrerei sobre as razões de eu ter aderido ao boicote. No entanto, participo da comunidade Gatos -Manual de Instruções há muitos anos, no Orkut. No dia 02 deste mês um tópico foi aberto sobre o gatinho que apareceu na casa do BBB. Os membros da comunidade que assistem ao programa escreveram o que viram e depois colocaram os vídeos do que foi passado por isso mesmo quem não vê o programa (como eu) se envolveu na história.

Um gatinho dócil e assustado, amarelo e branco, aparentando ser jovem e abandonado, apareceu na casa e foi alimentado e acariciado por uma das participantes (Cacau):

http://www.youtube.com/watch?v=xK7MWui58bw&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=6gS23QeIiDA&feature=related

No início, o tópico girou em torno do assunto do gato, um misto de preocupação sobre o que seria feito com ele e de esperança das otimistas de plantão de que a Globo aproveitasse a oportunidade para falar sobre Posse Responsável (essas meninas bebem chá de glitter), coisas ingênuas do tipo:

” Bem que a Globo podia aproveitar a presença deles e fazer alguma divulgação sobre tratar bem os gatos (animais em geral) e sobre castração, já que o gato que apareceu não é castrado. Pena que acho que ela vai sair do programa hoje. Tomara que se o gato voltar, outros participantes tratem ele com carinho também.” (Mel)

“bom momento para chamar a atenção sobre o abandono, castração, conscientização e mostrar que quando tratarmos melhor os animais estaremos preparando um futuro melhor.” (Rosangela)

“Eu sugiro que façam toda uma campanha. Fiquem com o gato, castrem, vermifuguem, façam tudo que for preciso e mostrem no programa os cuidados pós castração… e façam uma doação dele para um lar responsável. Seria muito bom. A Cacau até falou que não sabe como podem judiar deles. Bom gancho para falar no assunto. Taí a sugestão… (sonhar não custa nada!!!) Ah, deram ao gatinho o nome de Brad (por ser loirinho).” (Mel)

Enquanto as flores ainda povoavam o caminho de sonho das minhas doces amigas, Pedro Bial surgiu com sua metralhadora giratória verbal e proferiu uma das maiores asneiras da história recente (provavelmente a asneira veio do Boninho via ponto eletrônico, mas eles têm um compartilhamento de asneiras), dizendo que os participantes não deveriam se aproximar do gato, pois era gato-do-mato e transmitia doenças. Com suas flores pisoteadas, as gateiras perceberam que não podiam esperar nada de bom da Globo e após breve estado de choque, começamos a imaginar a repercussão que esse tipo de comentário teria:

A maioria da população ainda não tem conhecimento sobre Posse Responsável e acredita que gato tem de viver solto (com acesso à rua), não sabe da importância e necessidade da castração e não tem informação a respeito das doenças que REALMENTE podem ser transmitidas por gatos a humanos e do que é simplesmente mito. As pessoas também temem pegar tétano em arranhões e não sabem que a vacina antitetânica imuniza por dez anos. E não param para pensar que se fosse tão fácil assim pegar alguma doença de gato de rua, os veterinários e os protetores de animais já estariam todos mortos ou empesteados.

Como a maioria dos participantes ativos da comunidade cuida de animais de rua, alimentando, resgatando para castrar, tratar e doar (eu mesma estou com um hóspede em casa), a indignação foi geral. Sabemos o quanto de ignorância e preconceito existe em relação aos gatos e o quanto eles sofrem com isso. Pessoas maldosas que acreditam que gatos são potencialmente perigosos chegam a envenenar colônias inteiras e alguns até ameaçam as protetoras. Tenho uma vizinha, a Isabel, que cuida dos gatos da região, que já foi ameaçada diversas vezes por gente ignorante que não entende que se ela não desse ração aos gatos da rua, eles iriam atacar o lixo, os passarinhos, e aí sim haveria risco de ficarem doentes. A ignorância acha que se ninguém alimentar, eles irão desaparecer. Não irão. Apenas começarão a atrapalhar de fato.

Um comentário em rede nacional que reforce a idéia equivocada de que animais de rua são selvagens, perigosos e não devem ser alimentados, não só é um desserviço à proteção animal, invalidando anos de tentativa de conscientização, como também coloca em risco a vida e o bem estar desses animais em áreas onde a palavra da televisão é lei. E esses lugares não são poucos, acredite.

Obviamente, as entidades protetoras dos animais, os gateiros e as pessoas esclarecidas e de bom senso se indignaram contra a posição do apresentador. Imediatamente começamos a organizar um protesto, enviamos e-mails à Rede Globo e só recebemos respostas-padrão. Depois, começamos a ofensiva pelo Twitter, onde foi criada a tag #BBBgato, pela Cora Rónai. Enviamos também sugestões de pauta para jornalistas e sites de notícia, e obtivemos resposta do Portal R7, que publicou uma nota enfatizando a ironia de Pedro Bial quando a esperada retratação finalmente veio, no dia 4 de março, após um dia de silêncio absoluto e descaso.

A “retratação” não ocorreu como acreditávamos. Bial não mencionou, em momento algum, suas palavras do dia 2, simplesmente recitou seu texto falando da importância de cuidarmos dos bichinhos abandonados, citou a Cacau, que acariciou e alimentou  gatinho, e disse algo que realmente é verdade: que os participantes deveriam tratá-lo da forma como gostariam de ser tratados. Tudo muito bonitinho, eu realmente não esperava que ele falasse de castração ou de posse responsável, achei o discurso simpático, até o desnecessário e antipático momento final, em que, com ironia, ele diz que era para fazer felizes todos os protetores de animais e misantropos…o que raios tem a ver uma coisa com a outra, Bial? Só por discordar de você e fazer pressão por uma causa justa relacionada a outra espécie que não seja a humana, significa que somos misantropos? Que temos aversão ao ser humano? Eu tenho aversão a ignorância, e infelizmente ela é intrinsecamente humana. Mas graças ao meu bom Deus, nem todos os humanos permanecem na ignorância, só os que, por teimosia, arrogância, orgulho, burrice ou falta de oportunidade, assim escolhem.

Veja o discurso a partir do 9:26

http://www.youtube.com/user/deyveti#p/u/3/JHs8TPrK2is

Pela postura de Boninho/Bial, somos obrigados a nos manter protestando até que tenhamos certeza de que esse gato não será descartado/desprezado. Tememos por sua vida, por sua saúde, por sua segurança. Queremos um veterinário que cuide dele, vacine, castre, e que ele consiga um bom dono. Mas isso levantou outra questão: há uma colônia de gatos abandonados no Projac? Esses gatos precisam de acompanhamento de um veterinário e de um protetor, para providenciar vacinação e castração a todos e controlar a colônia. O BBBgato levantou uma questão importante a ser apurada dentro do Projac. Existem colônias de gatos em pontos de abandono pelo país inteiro, e algumas delas têm pessoas que dedicam suas vidas e seus recursos a mantê-los vivos e saudáveis, mesmo remando contra a maré dos ignorantes que abandonam diariamente mais gatos nesses locais, acreditando que “tem gente que cuida”. Essas pessoas não sabem quantos gatos morrem torturados por gente maluca (pois são áreas públicas), envenenados…também não imaginam o quanto se gasta na manutenção desses animais e o quanto é difícil conseguir encontrar um dono responsável, que entenda a importância das telas nas janelas para que o gato não saia.  É difícil explicar isso tudo em cinco minutos em rede nacional, mas extremamente fácil destruir o que levamos anos para construir, basta um comentário irresponsável de um minuto e meio.


PS: Bial chamou o gatinho amarelo de gato-do-mato, o que gerou comentários irônicos por parte das protetoras e gateiras, pois se o gatinho fosse realmente um gato-do-mato, nós apoiaríamos o receio do apresentador, mas chamaríamos o Ibama. No entanto, até nesse ponto, que gerou brincadeiras entre nós, existe o problema da desinformação. Gato-do-mato é outra espécie, é um animal selvagem, maior do que o gato doméstico. É como chamar um Labrador (ou um poodle) de Lobo-Guará. Ele pode ter usado o termo “gato-do-mato” como um sinônimo tosco de “gato de rua”, mas e o telespectador desprovido de informação? Será que não vai acreditar que gato de rua é bicho selvagem?

PS2: Se você não conhece Posse Responsável, se acha que gato tem de sair na rua e não vê problema algum em um gatinho magro, faminto e não castrado estar na rua, comendo restos de comida, não faça comentário algum antes de ler o seguinte texto:

http://escritarupestre.blogspot.com/2008/03/alguns-esclarecimentos-quem-insiste-em.html


PS3: Se você é um fã ensandecido do Pedro Bial, entenda uma coisa: nosso problema com ele não é pessoal. O fato de já ter adotado um gato não muda em absolutamente nada, pois cada uma das pessoas envolvidas nesse protesto já adotaram também. E fizeram muito mais do que isso. Gostar do seu gato não basta, nós gostamos de gato, não apenas dos nossos, não apenas dos que têm dono. Eu acredito que tanto Bial quanto Boninho não sejam monstros trituradores de gatinhos, e também acredito que eles não queiram o mal do bichinho, eles simplesmente não vêem a importância de cuidar, de valorizar, não acreditam nisso. Tudo bem, mas que tenham responsabilidade sobre o que será dito aos telespectadores, para não atrapalhar o trabalho de quem acha isso importante. Pensar não faz mal a ninguém.

PS4: Para ver os protestos no Twitter, acesse a tag  #BBBgato

PS5: Se quiser juntar-se a nós no protesto do Twitter, não se esqueça de acrescentar #BBBgato no final de cada tweet que escrever a respeito.

Posted in Animais Emergência felina Posse responsável por Vanessa Lampert. 2 Comments

Ronronterapia

Saiu reportagem na Isto é sobre minha terapia preferida. Eu tenho três ronronterapeutas em casa e estou hospedando o quarto, que é PHD em ronronterapia, há que ronrona o tempo inteiro, em volume alto.

Clique aqui para ler o artigo.

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Posted in Adote um gatinho Animais por Vanessa Lampert. No Comments