O que as mulheres querem?

loveschool5

Esse foi o tema do The Love School de quarta. Se você aprender isso, resolverá grande parte de seus problemas no relacionamento.

O programa teve a participação da Ana, da Rebeca e da pessoinha que vos escreve. 😀  A Cristiane disse para conversarmos com ela durante o programa, eu levei a sério. :-)

Como muita gente tem me escrito para se lamentar por não ter assistido, dizendo que eu não avisei e chorando copiosamente [drama mode on] por ter perdido essa oportunidade (principalmente depois de ter lido o que a Cris escreveu sobre o tema)…para aliviar o sofrimento de vocês resolvi colocar os links dos vídeos aqui. Eu avisei, sim, só não disse textualmente que estaria lá, mas coloquei convites para que assistissem ao Love School…não disse que não estaria lá porque a Cris deixou um suspense no blog, sem dizer quem seriam as convidadas. Não dava para estragar, né?

O importante era a mensagem, espero que ela tenha sido passada, sei que fizemos o nosso melhor para isso e tenho certeza de que pudemos ajudar muitas pessoas. Coloquei os vídeos na minha página do Facebook (eu tenho uma, sabia?), mas achei melhor postar aqui também.

Parte I

http://www.youtube.com/watch?v=nfiG3dnNIGs

Parte II

http://www.youtube.com/watch?v=XaVsnfj-Vo8

Parte III

http://www.youtube.com/watch?v=KhZUjJwwx-Y

Parte IV


http://www.youtube.com/watch?v=DFBxzIn2caY


PS: A Cristiane escreveu um excelente post a respeito, no blog dela. Clique aqui para ler (mas só depois de ver os vídeos, para não estragar a surpresa).
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A Sociedade Secreta dos que amam.*

No dia em que completo dois anos de casada, leio em um desses sites de fofoca que David Beckham e Victoria Adams renovaram seus votos de casamento em uma cerimônia secreta. De acordo com o site, a surpresa foi preparada por David e, emocionados, depois de sete anos casados reafirmaram a intenção de passar o resto de suas vidas juntos. Não se sabe até que ponto isso é verdade ou estratégia de marketing para posar de casal feliz, mas o fato é que a primeira reação é sempre de dúvida, imaginando que ninguém pode ser assim tão feliz a ponto de, depois de sete anos de união, ainda fazer juras de amor eterno.
Nossa sociedade tende a aceitar como “realidade” relacionamentos descartáveis e superficiais, enquanto romances duradouros e casamentos estáveis soam como ilusão e fantasia. Enxergar as coisas por um lado positivo é uma raridade, há uma tendência forte de abraçar o pessimismo, esperar o pior e procurar ver situações e pessoas com os piores olhos possíveis. É nesse ambiente de escuridão que olhares debochados são lançados para quem se assume feliz. É feio dizer que se é feliz, parece ou que você está querendo passar uma falsa imagem, ou que você quer jogar um holofote sobre a infelicidade alheia ou que você, pobrezinha, ainda está iludida, e que em breve cairá em si e verá que a vida é uma grande porcaria. Em todos os casos, há pelo menos um consenso: você está mentindo.
Que a vida é complicada, não há a menor dúvida. É inegável o fato de que existem problemas incomensuráveis no mundo e na vida particular dos indivíduos e que cada um vê seus problemas como os maiores do universo. Também o stress e a depressão têm sido identificados com muito mais precisão nos dias de hoje e têm recebido mais atenção e cuidados por parte da comunidade médica. Mas o que se percebe, nesses dias, é que houve uma espécie de glamourização da tristeza e do infortúnio.
Muita gente vazia, muita gente mais interessada em alimentar suas mazelas do que tentar resolver seus problemas, que se esconde atrás da máscara do fatalismo para fugir de sua própria vida. Adolescentes que se declaram depressivos ou borderline só porque é “moda”, com seus fotologs pretos e suas converxas axim. Adultos que não se cansam de repetir a ladainha de que o amor não existe e que felicidade é utopia, que todo casamento é fadado ao fracasso, porque é mais fácil aceitar conclusões prontas do que gastar tempo lutando para descobrir como as coisas funcionam.
Eu também não sei como as coisas funcionam. Não sei se David Beckham e Victoria Adams realmente querem passar a vida juntos, mas não posso deixar de pensar que aqueles casais expostos na mídia são formados por pessoas. Eles não são robôs sem sentimentos que vivem em função de um plano de marketing, eles vivem. E se eles vivem, podem ter problemas, podem chorar, podem sofrer, podem se sentir perdidos vez ou outra, podem se emocionar com uma declaração de amor e podem sim viver uma história bonita, longe dos holofotes. Não sei se é o caso, mas poderia ser.
Àqueles que se acomodaram à confortável posição de afirmar que o amor não existe, que relacionamentos que dão certo são mera jogada de marketing, que casais apaixonados estão temporariamente iludidos e que a verdade – ah, a real verdade – é que o normal é estar constantemente infeliz ou apático, com pequenos picos de alegria, os tão famosos momentos felizes, sinto informar que estão errados. Não é fácil, mas com uma boa dose de afinidades pessoais, mais um tanto de amizade, mais um outro tanto de maleabilidade e um par de corpos que se encaixam, é bem possível construir um relacionamento sólido firmado no amor e no companheirismo entre um homem e uma mulher. Claro que não estou aqui a passar uma receita de bolo, relacionamentos são difíceis e não existe uma única criatura que não tenha passado por altos e baixos em sua vida, mas por que acreditamos tão facilmente que o certo é estar sempre neutro ou melancólico, exceto por pequenos picos de alegria, e não cogitamos a hipótese de que talvez o contrário seja viável, estar sempre alegre, exceto por pequenos vales de neutralidade ou melancolia? Talvez vivamos de cabeça para baixo, sem perceber. A verdade é que escolhemos através de quais lentes enxergaremos nossa vida.
Depois de nove meses de namoro seguidos por recém-completados dois anos de casada, aprendi que falar de felicidade, ao invés de inspirar outras pessoas, suscita sentimentos ruins naqueles que realmente não estão interessados em confrontar suas certezas. Então fiquei cada vez mais reservada, chegando ao cúmulo de evitar falar de amor e de felicidade, como se estivesse fazendo algo condenável se mencionasse essas palavras em algum texto. Não falei das coisas boas, também não falei das coisas ruins, calei-me por completo, guardando para nós aquilo que é só nosso. A maturidade, desta vez, não veio com a experiência alheia para a atenta observadora que vos escreve, ela veio com o tempo, com os erros e acertos, como acontece com as pessoas normais. Foi algo que levei quase dois anos para aprender e que repasso agora, a qualquer casal apaixonado que queira ouvir, como se estivéssemos à beira de nossas bodas de prata. E quem disse que não estamos?
Resguardem-se. Amor causa reações estranhas em quem não o tem. Declarem-se em cerimônias secretas, troquem juras eternas longe de olhos e ouvidos que não sejam seus. Esqueçam aquela conversa de gritar seu amor para o mundo, isso é amadorismo. A sociedade secreta dos que amam surpreende os céticos com relacionamentos duradouros, casamentos sólidos e com o tão esperado fim que nunca chega. Quando casei, muitos não acreditavam que duraria um ano, não tenho provas de que houve um bolão de apostas sobre quanto tempo o casamento duraria (porque tínhamos muito pouco tempo de namoro, eu tenho fama de ter temperamento difícil e quem o conhece sabe que meu marido tem amor próprio o suficiente para não agüentar uma mulher chata ou mandona), mas sinto que frustramos expectativas.
A verdade é que eu não estou autorizada por mim a dizer que estou hoje mais feliz do que quando nos casamos, nem que foi a melhor coisa que fiz em minha vida, nem mesmo que o amor é ainda mais forte, mais sólido e maior hoje do que há dois anos, nem que passarei toda a minha vida ao lado dele, nem ao menos que não sei nem quero viver sem ele, ou que agradeço a Deus pelo presente que é completar esses dois anos de casamento, ainda que tudo isso seja verdade (e é), porque acabei de falar da importância de resguardar-se. Não sei, porém, até que ponto calar-me é bloquear grande parte do que eu sou ao escrever, porque talvez o mais importante, acima das juras secretas de amor eterno, seja entender que não é vergonhoso, nem insensato, nem sinal de fraqueza assumir-se humano e, como tal, ter o direito de ser feliz e expressar essa felicidade quando ela – enfim – acontece.
PS: Aproveito para, mui furtivamente, desejar ao Davison que os próximos cento e cinquenta anos de casamento sejam, no mínimo, tão bons quanto esses dois primeiros. E que ninguém – além dele – me ouça.

*Crônica originalmente publicada na coluna “Sala de Estar” da Revista Paradoxo em 21 de Junho de 2006

Vanessa Lampert

No dia em que completo dois anos de casada, leio em um desses sites de fofoca que David Beckham e Victoria Adams renovaram seus votos de casamento em uma cerimônia secreta. De acordo com o site, a surpresa foi preparada por David e, emocionados, depois de sete anos casados reafirmaram a intenção de passar o resto de suas vidas juntos. Não se sabe até que ponto isso é verdade ou estratégia de marketing para posar de casal feliz, mas o fato é que a primeira reação é sempre de dúvida, imaginando que ninguém pode ser assim tão feliz a ponto de, depois de sete anos de união, ainda fazer juras de amor eterno.

Nossa sociedade tende a aceitar como “realidade” relacionamentos descartáveis e superficiais, enquanto romances duradouros e casamentos estáveis soam como ilusão e fantasia. Enxergar as coisas por um lado positivo é uma raridade, há uma tendência forte de abraçar o pessimismo, esperar o pior e procurar ver situações e pessoas com os piores olhos possíveis. É nesse ambiente de escuridão que olhares debochados são lançados para quem se assume feliz. É feio dizer que se é feliz, parece ou que você está querendo passar uma falsa imagem, ou que você quer jogar um holofote sobre a infelicidade alheia ou que você, pobrezinha, ainda está iludida, e que em breve cairá em si e verá que a vida é uma grande porcaria. Em todos os casos, há pelo menos um consenso: você está mentindo.

Que a vida é complicada, não há a menor dúvida. É inegável o fato de que existem problemas incomensuráveis no mundo e na vida particular dos indivíduos e que cada um vê seus problemas como os maiores do universo. Também o stress e a depressão têm sido identificados com muito mais precisão nos dias de hoje e têm recebido mais atenção e cuidados por parte da comunidade médica. Mas o que se percebe, nesses dias, é que houve uma espécie de glamourização da tristeza e do infortúnio.

Muita gente vazia, muita gente mais interessada em alimentar suas mazelas do que tentar resolver seus problemas, que se esconde atrás da máscara do fatalismo para fugir de sua própria vida. Adolescentes que se declaram depressivos ou borderline só porque é “moda”, com seus fotologs pretos e suas converxas axim. Adultos que não se cansam de repetir a ladainha de que o amor não existe e que felicidade é utopia, que todo casamento é fadado ao fracasso, porque é mais fácil aceitar conclusões prontas do que gastar tempo lutando para descobrir como as coisas funcionam.

Eu também não sei como as coisas funcionam. Não sei se David Beckham e Victoria Adams realmente querem passar a vida juntos, mas não posso deixar de pensar que aqueles casais expostos na mídia são formados por pessoas. Eles não são robôs sem sentimentos que vivem em função de um plano de marketing, eles vivem. E se eles vivem, podem ter problemas, podem chorar, podem sofrer, podem se sentir perdidos vez ou outra, podem se emocionar com uma declaração de amor e podem sim viver uma história bonita, longe dos holofotes. Não sei se é o caso, mas poderia ser.

Àqueles que se acomodaram à confortável posição de afirmar que o amor não existe, que relacionamentos que dão certo são mera jogada de marketing, que casais apaixonados estão temporariamente iludidos e que a verdade – ah, a real verdade – é que o normal é estar constantemente infeliz ou apático, com pequenos picos de alegria, os tão famosos momentos felizes, sinto informar que estão errados. Não é fácil, mas com uma boa dose de afinidades pessoais, mais um tanto de amizade, mais um outro tanto de maleabilidade e um par de corpos que se encaixam, é bem possível construir um relacionamento sólido firmado no amor e no companheirismo entre um homem e uma mulher. Claro que não estou aqui a passar uma receita de bolo, relacionamentos são difíceis e não existe uma única criatura que não tenha passado por altos e baixos em sua vida, mas por que acreditamos tão facilmente que o certo é estar sempre neutro ou melancólico, exceto por pequenos picos de alegria, e não cogitamos a hipótese de que talvez o contrário seja viável, estar sempre alegre, exceto por pequenos vales de neutralidade ou melancolia? Talvez vivamos de cabeça para baixo, sem perceber. A verdade é que escolhemos através de quais lentes enxergaremos nossa vida.

Depois de nove meses de namoro seguidos por recém-completados dois anos de casada, aprendi que falar de felicidade, ao invés de inspirar outras pessoas, suscita sentimentos ruins naqueles que realmente não estão interessados em confrontar suas certezas. Então fiquei cada vez mais reservada, chegando ao cúmulo de evitar falar de amor e de felicidade, como se estivesse fazendo algo condenável se mencionasse essas palavras em algum texto. Não falei das coisas boas, também não falei das coisas ruins, calei-me por completo, guardando para nós aquilo que é só nosso. A maturidade, desta vez, não veio com a experiência alheia para a atenta observadora que vos escreve, ela veio com o tempo, com os erros e acertos, como acontece com as pessoas normais. Foi algo que levei quase dois anos para aprender e que repasso agora, a qualquer casal apaixonado que queira ouvir, como se estivéssemos à beira de nossas bodas de prata. E quem disse que não estamos?

Resguardem-se. Amor causa reações estranhas em quem não o tem. Declarem-se em cerimônias secretas, troquem juras eternas longe de olhos e ouvidos que não sejam seus. Esqueçam aquela conversa de gritar seu amor para o mundo, isso é amadorismo. A sociedade secreta dos que amam surpreende os céticos com relacionamentos duradouros, casamentos sólidos e com o tão esperado fim que nunca chega. Quando casei, muitos não acreditavam que duraria um ano, não tenho provas de que houve um bolão de apostas sobre quanto tempo o casamento duraria (porque tínhamos muito pouco tempo de namoro, eu tenho fama de ter temperamento difícil e quem o conhece sabe que meu marido tem amor próprio o suficiente para não agüentar uma mulher chata ou mandona), mas sinto que frustramos expectativas.

A verdade é que eu não estou autorizada por mim a dizer que estou hoje mais feliz do que quando nos casamos, nem que foi a melhor coisa que fiz em minha vida, nem mesmo que o amor é ainda mais forte, mais sólido e maior hoje do que há dois anos, nem que passarei toda a minha vida ao lado dele, nem ao menos que não sei nem quero viver sem ele, ou que agradeço a Deus pelo presente que é completar esses dois anos de casamento, ainda que tudo isso seja verdade (e é), porque acabei de falar da importância de resguardar-se. Não sei, porém, até que ponto calar-me é bloquear grande parte do que eu sou ao escrever, porque talvez o mais importante, acima das juras secretas de amor eterno, seja entender que não é vergonhoso, nem insensato, nem sinal de fraqueza assumir-se humano e, como tal, ter o direito de ser feliz e expressar essa felicidade quando ela – enfim – acontece.

PS: Aproveito para, mui furtivamente, desejar ao Davison que os próximos cento e cinquenta anos de casamento sejam, no mínimo, tão bons quanto esses dois primeiros. E que ninguém – além dele – me ouça.

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PS: Republico esse texto (escrito na comemoração de dois anos de casados) para explicar o porquê de eu ter parado de falar a respeito de minha vida neste blog. Continuo sendo fã número um de casamentos, mas passei a ficar cada vez mais reservada com o passar dos anos. Só me mantenho nas redes sociais porque as escolhas que fiz no meu início de vida online me obrigam a isso.  De vez em quando tenho vontade de escrever algo mais pessoal, mas acabo deixando esses posts eternamente nos rascunhos.  No entanto, penso em voltar a falar sobre isso, pois há necessidade desse tipo de informação nos dias de hoje (falarei mais a respeito no próximo post).

PS2: A título de atualização de informações: nosso casamento, depois de sete anos e oito meses, está muito melhor do que quando escrevi essa crônica.  Mas não conte a ninguém. :-)


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