Oito anos

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Dia 21 de junho fizemos 8 anos de casados.  Parece que foi ontem e parece que estamos juntos desde sempre. Desde que percebi que era com o Davison que eu queria me casar, decidi que seria para sempre e que trabalharíamos juntos para que fosse para sempre. Casamento é esforço conjunto, esse foi meu discurso desde o começo e dou graças a Deus por termos nos dado conta disso logo no início.

Acho que a razão de eu ter percebido que para casamento feliz era necessário uma boa dose de esforço foi não ter visto quase nenhum casamento feliz ao longo da minha jornada. A maioria das pessoas que eu conhecia, pelo contrário, nos desencorajava a casar. Então analisei e percebi que essas pessoas gastavam um tempão nos preparativos da festa, nos detalhes do apartamento, do vestido, da lua de mel, mas deixavam o relacionamento seguir sozinho, sem preparação, sem planejamento, sem cuidado nenhum!

Aprenda uma coisa: nem Zeca Pagodinho deixou que a vida o levasse. Ele batalhou para chegar onde chegou. Deixar levar, deixar coisas para resolver depois, achar que o tempo conserta alguma coisa, tudo isso é receita para o fracasso.

Você decide o que sua vida vai ser. Você é resultado daquilo em que acredita. Tenho comprovado isso nos últimos anos e é só por isso que estamos aqui. Um relacionamento pode ser para sempre se os dois trabalharem juntos para que ele seja para sempre. Eu não me vejo sem o Davison, ele não se vê sem mim e quem nos conhece percebe que nos complementamos. Mas isso não acontece porque somos especiais, mas porque somos uma equipe.

É maravilhoso chegar aos oito anos e perceber que estamos ainda mais unidos, mais companheiros e o amor está ainda maior do que quando nos casamos. Eu achava que isso seria impossível, já que me casei apaixonada. Mas é possível. Lembram do texto A Sociedade Secreta dos que Amam?

Pois é, começo a pensar diferente. Acho que se os que se amam se calarem, a voz dos descrentes falará cada vez mais alto, envenenando e enganando aqueles que gostariam de acreditar em casamento feliz. Anunciemos, então, que tem um preço, não vem de graça, é preciso esforço e dedicação, mas que é, sim, possível e que é ainda melhor do que pensávamos.

Oito anos ainda é pouco. Temos um longo caminho pela frente, aparando arestas, investindo em nosso universo particular, que criamos e temos cultivado desde que decidimos nos tornar um. A vida não foi sempre fácil, nem sempre cheia de flores, tivemos muitos problemas, fizemos muitas concessões, sacrificamos muito durante essa caminhada.

Mas com todos os momentos difíceis e todos os momentos de alegria, com todas as descobertas e as discordâncias, com todas as conversas intermináveis sobre tudo e qualquer coisa, com os livros que compartilhamos, os filmes malucos, as noites de Fringe, as pizzas, os chocolates, as macarronadas perfeitas, as pequenas atitudes, as brincadeiras particulares, as piadas internas, termos e ditados que são só nossos, a amizade que cresce a cada dia…com tudo isso e mais tantas coisas temos construído uma história, uma vida e uma realidade que é muito melhor do que qualquer livro que eu já tenha lido, melhor do que qualquer coisa que eu já tenha escrito, qualquer filme que eu tenha visto, qualquer futuro com que eu tenha sonhado. Nenhum sentimento poderia trazer isso tudo. Toda emoção é passageira. O amor é maior do que sentimento. É uma escolha. Feliz, ao ver, pelos frutos, que temos escolhido as sementes certas.


PS: A foto que abre este post é a tradicional “nós e a Pepsi”. Eu, na contramão do sistema, não quis festa, mas minha sogra feliz achou que não podia ficar sem uma comemoração e fez um coquetel em casa, para os parentes mais próximos (o deles, pois os meus estavam a dois mil quilômetros de distância). Aí eu tive que ir, né? :-)

PS2: Falando nisso, tem resenha nova no blog da Cristiane. Escrevi sobre o livro “Casamento Blindado”, clique aqui para ler.

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Curso Casamento Blindado

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O prazo para inscrições se encerra amanhã domingo (dia 22/04), mas quem sabe alguém que esteja passando por uma situação complicada no casamento ou simplesmente queira uma blindagem em seu relacionamento leia este blog entre hoje e amanhã e consiga se cadastrar a tempo. Só não dá mais para pagamento com boleto, mas se você tem cartão de crédito pode parcelar em até 3x no Arca Center.

O curso Casamento Blindado vale cada centavo. São ensinamentos para toda a vida. E não é só para casais à beira do divórcio. Eu e o Davison fizemos ano passado e foi excelente! Eliminamos as briguinhas que apareciam de vez em quando e já se passaram cinco meses de absoluta paz e diversão :-) Conseguiu ficar melhor do que era e eu considero que melhorei como pessoa.

Se você ainda não casou, também pode fazer o curso, para se preparar para quando o felizardo (ou felizarda) aparecer. Se eu tivesse feito antes de casar, teria evitado uma porção de probleminhas no início do relacionamento.

Para quem não está em São Paulo, tem o curso online. Todas as informações estão neste link (desça a barra de rolagem quando chegar lá):

Clique para ler. Se você é casado e seu cônjuge não quiser fazer, vá sozinho, pelo menos 50% dos problemas de seu casamento estarão resolvidos. Minha opinião é que o mais inteligente busca a mudança primeiro, não espera o outro mudar. E sendo bem sincera com vocês, eu não conheço ninguém que tenha se arrependido de fazer este curso.

Espero que minha indicação ajude a alguém.

PS: Qualquer pessoa maior de 18 anos pode participar, basta fazer a matrícula (no link acima)

PS2: Apesar de no site ainda dizer que o prazo é até dia 20, no Love School disseram que ia até domingo. Procurei saber e descobri que o prazo de inscrição foi estendido até domingo! :-)

http://www.casamentoblindado.com/sobreocurso.html

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A Sociedade Secreta dos que amam.*

No dia em que completo dois anos de casada, leio em um desses sites de fofoca que David Beckham e Victoria Adams renovaram seus votos de casamento em uma cerimônia secreta. De acordo com o site, a surpresa foi preparada por David e, emocionados, depois de sete anos casados reafirmaram a intenção de passar o resto de suas vidas juntos. Não se sabe até que ponto isso é verdade ou estratégia de marketing para posar de casal feliz, mas o fato é que a primeira reação é sempre de dúvida, imaginando que ninguém pode ser assim tão feliz a ponto de, depois de sete anos de união, ainda fazer juras de amor eterno.
Nossa sociedade tende a aceitar como “realidade” relacionamentos descartáveis e superficiais, enquanto romances duradouros e casamentos estáveis soam como ilusão e fantasia. Enxergar as coisas por um lado positivo é uma raridade, há uma tendência forte de abraçar o pessimismo, esperar o pior e procurar ver situações e pessoas com os piores olhos possíveis. É nesse ambiente de escuridão que olhares debochados são lançados para quem se assume feliz. É feio dizer que se é feliz, parece ou que você está querendo passar uma falsa imagem, ou que você quer jogar um holofote sobre a infelicidade alheia ou que você, pobrezinha, ainda está iludida, e que em breve cairá em si e verá que a vida é uma grande porcaria. Em todos os casos, há pelo menos um consenso: você está mentindo.
Que a vida é complicada, não há a menor dúvida. É inegável o fato de que existem problemas incomensuráveis no mundo e na vida particular dos indivíduos e que cada um vê seus problemas como os maiores do universo. Também o stress e a depressão têm sido identificados com muito mais precisão nos dias de hoje e têm recebido mais atenção e cuidados por parte da comunidade médica. Mas o que se percebe, nesses dias, é que houve uma espécie de glamourização da tristeza e do infortúnio.
Muita gente vazia, muita gente mais interessada em alimentar suas mazelas do que tentar resolver seus problemas, que se esconde atrás da máscara do fatalismo para fugir de sua própria vida. Adolescentes que se declaram depressivos ou borderline só porque é “moda”, com seus fotologs pretos e suas converxas axim. Adultos que não se cansam de repetir a ladainha de que o amor não existe e que felicidade é utopia, que todo casamento é fadado ao fracasso, porque é mais fácil aceitar conclusões prontas do que gastar tempo lutando para descobrir como as coisas funcionam.
Eu também não sei como as coisas funcionam. Não sei se David Beckham e Victoria Adams realmente querem passar a vida juntos, mas não posso deixar de pensar que aqueles casais expostos na mídia são formados por pessoas. Eles não são robôs sem sentimentos que vivem em função de um plano de marketing, eles vivem. E se eles vivem, podem ter problemas, podem chorar, podem sofrer, podem se sentir perdidos vez ou outra, podem se emocionar com uma declaração de amor e podem sim viver uma história bonita, longe dos holofotes. Não sei se é o caso, mas poderia ser.
Àqueles que se acomodaram à confortável posição de afirmar que o amor não existe, que relacionamentos que dão certo são mera jogada de marketing, que casais apaixonados estão temporariamente iludidos e que a verdade – ah, a real verdade – é que o normal é estar constantemente infeliz ou apático, com pequenos picos de alegria, os tão famosos momentos felizes, sinto informar que estão errados. Não é fácil, mas com uma boa dose de afinidades pessoais, mais um tanto de amizade, mais um outro tanto de maleabilidade e um par de corpos que se encaixam, é bem possível construir um relacionamento sólido firmado no amor e no companheirismo entre um homem e uma mulher. Claro que não estou aqui a passar uma receita de bolo, relacionamentos são difíceis e não existe uma única criatura que não tenha passado por altos e baixos em sua vida, mas por que acreditamos tão facilmente que o certo é estar sempre neutro ou melancólico, exceto por pequenos picos de alegria, e não cogitamos a hipótese de que talvez o contrário seja viável, estar sempre alegre, exceto por pequenos vales de neutralidade ou melancolia? Talvez vivamos de cabeça para baixo, sem perceber. A verdade é que escolhemos através de quais lentes enxergaremos nossa vida.
Depois de nove meses de namoro seguidos por recém-completados dois anos de casada, aprendi que falar de felicidade, ao invés de inspirar outras pessoas, suscita sentimentos ruins naqueles que realmente não estão interessados em confrontar suas certezas. Então fiquei cada vez mais reservada, chegando ao cúmulo de evitar falar de amor e de felicidade, como se estivesse fazendo algo condenável se mencionasse essas palavras em algum texto. Não falei das coisas boas, também não falei das coisas ruins, calei-me por completo, guardando para nós aquilo que é só nosso. A maturidade, desta vez, não veio com a experiência alheia para a atenta observadora que vos escreve, ela veio com o tempo, com os erros e acertos, como acontece com as pessoas normais. Foi algo que levei quase dois anos para aprender e que repasso agora, a qualquer casal apaixonado que queira ouvir, como se estivéssemos à beira de nossas bodas de prata. E quem disse que não estamos?
Resguardem-se. Amor causa reações estranhas em quem não o tem. Declarem-se em cerimônias secretas, troquem juras eternas longe de olhos e ouvidos que não sejam seus. Esqueçam aquela conversa de gritar seu amor para o mundo, isso é amadorismo. A sociedade secreta dos que amam surpreende os céticos com relacionamentos duradouros, casamentos sólidos e com o tão esperado fim que nunca chega. Quando casei, muitos não acreditavam que duraria um ano, não tenho provas de que houve um bolão de apostas sobre quanto tempo o casamento duraria (porque tínhamos muito pouco tempo de namoro, eu tenho fama de ter temperamento difícil e quem o conhece sabe que meu marido tem amor próprio o suficiente para não agüentar uma mulher chata ou mandona), mas sinto que frustramos expectativas.
A verdade é que eu não estou autorizada por mim a dizer que estou hoje mais feliz do que quando nos casamos, nem que foi a melhor coisa que fiz em minha vida, nem mesmo que o amor é ainda mais forte, mais sólido e maior hoje do que há dois anos, nem que passarei toda a minha vida ao lado dele, nem ao menos que não sei nem quero viver sem ele, ou que agradeço a Deus pelo presente que é completar esses dois anos de casamento, ainda que tudo isso seja verdade (e é), porque acabei de falar da importância de resguardar-se. Não sei, porém, até que ponto calar-me é bloquear grande parte do que eu sou ao escrever, porque talvez o mais importante, acima das juras secretas de amor eterno, seja entender que não é vergonhoso, nem insensato, nem sinal de fraqueza assumir-se humano e, como tal, ter o direito de ser feliz e expressar essa felicidade quando ela – enfim – acontece.
PS: Aproveito para, mui furtivamente, desejar ao Davison que os próximos cento e cinquenta anos de casamento sejam, no mínimo, tão bons quanto esses dois primeiros. E que ninguém – além dele – me ouça.

*Crônica originalmente publicada na coluna “Sala de Estar” da Revista Paradoxo em 21 de Junho de 2006

Vanessa Lampert

No dia em que completo dois anos de casada, leio em um desses sites de fofoca que David Beckham e Victoria Adams renovaram seus votos de casamento em uma cerimônia secreta. De acordo com o site, a surpresa foi preparada por David e, emocionados, depois de sete anos casados reafirmaram a intenção de passar o resto de suas vidas juntos. Não se sabe até que ponto isso é verdade ou estratégia de marketing para posar de casal feliz, mas o fato é que a primeira reação é sempre de dúvida, imaginando que ninguém pode ser assim tão feliz a ponto de, depois de sete anos de união, ainda fazer juras de amor eterno.

Nossa sociedade tende a aceitar como “realidade” relacionamentos descartáveis e superficiais, enquanto romances duradouros e casamentos estáveis soam como ilusão e fantasia. Enxergar as coisas por um lado positivo é uma raridade, há uma tendência forte de abraçar o pessimismo, esperar o pior e procurar ver situações e pessoas com os piores olhos possíveis. É nesse ambiente de escuridão que olhares debochados são lançados para quem se assume feliz. É feio dizer que se é feliz, parece ou que você está querendo passar uma falsa imagem, ou que você quer jogar um holofote sobre a infelicidade alheia ou que você, pobrezinha, ainda está iludida, e que em breve cairá em si e verá que a vida é uma grande porcaria. Em todos os casos, há pelo menos um consenso: você está mentindo.

Que a vida é complicada, não há a menor dúvida. É inegável o fato de que existem problemas incomensuráveis no mundo e na vida particular dos indivíduos e que cada um vê seus problemas como os maiores do universo. Também o stress e a depressão têm sido identificados com muito mais precisão nos dias de hoje e têm recebido mais atenção e cuidados por parte da comunidade médica. Mas o que se percebe, nesses dias, é que houve uma espécie de glamourização da tristeza e do infortúnio.

Muita gente vazia, muita gente mais interessada em alimentar suas mazelas do que tentar resolver seus problemas, que se esconde atrás da máscara do fatalismo para fugir de sua própria vida. Adolescentes que se declaram depressivos ou borderline só porque é “moda”, com seus fotologs pretos e suas converxas axim. Adultos que não se cansam de repetir a ladainha de que o amor não existe e que felicidade é utopia, que todo casamento é fadado ao fracasso, porque é mais fácil aceitar conclusões prontas do que gastar tempo lutando para descobrir como as coisas funcionam.

Eu também não sei como as coisas funcionam. Não sei se David Beckham e Victoria Adams realmente querem passar a vida juntos, mas não posso deixar de pensar que aqueles casais expostos na mídia são formados por pessoas. Eles não são robôs sem sentimentos que vivem em função de um plano de marketing, eles vivem. E se eles vivem, podem ter problemas, podem chorar, podem sofrer, podem se sentir perdidos vez ou outra, podem se emocionar com uma declaração de amor e podem sim viver uma história bonita, longe dos holofotes. Não sei se é o caso, mas poderia ser.

Àqueles que se acomodaram à confortável posição de afirmar que o amor não existe, que relacionamentos que dão certo são mera jogada de marketing, que casais apaixonados estão temporariamente iludidos e que a verdade – ah, a real verdade – é que o normal é estar constantemente infeliz ou apático, com pequenos picos de alegria, os tão famosos momentos felizes, sinto informar que estão errados. Não é fácil, mas com uma boa dose de afinidades pessoais, mais um tanto de amizade, mais um outro tanto de maleabilidade e um par de corpos que se encaixam, é bem possível construir um relacionamento sólido firmado no amor e no companheirismo entre um homem e uma mulher. Claro que não estou aqui a passar uma receita de bolo, relacionamentos são difíceis e não existe uma única criatura que não tenha passado por altos e baixos em sua vida, mas por que acreditamos tão facilmente que o certo é estar sempre neutro ou melancólico, exceto por pequenos picos de alegria, e não cogitamos a hipótese de que talvez o contrário seja viável, estar sempre alegre, exceto por pequenos vales de neutralidade ou melancolia? Talvez vivamos de cabeça para baixo, sem perceber. A verdade é que escolhemos através de quais lentes enxergaremos nossa vida.

Depois de nove meses de namoro seguidos por recém-completados dois anos de casada, aprendi que falar de felicidade, ao invés de inspirar outras pessoas, suscita sentimentos ruins naqueles que realmente não estão interessados em confrontar suas certezas. Então fiquei cada vez mais reservada, chegando ao cúmulo de evitar falar de amor e de felicidade, como se estivesse fazendo algo condenável se mencionasse essas palavras em algum texto. Não falei das coisas boas, também não falei das coisas ruins, calei-me por completo, guardando para nós aquilo que é só nosso. A maturidade, desta vez, não veio com a experiência alheia para a atenta observadora que vos escreve, ela veio com o tempo, com os erros e acertos, como acontece com as pessoas normais. Foi algo que levei quase dois anos para aprender e que repasso agora, a qualquer casal apaixonado que queira ouvir, como se estivéssemos à beira de nossas bodas de prata. E quem disse que não estamos?

Resguardem-se. Amor causa reações estranhas em quem não o tem. Declarem-se em cerimônias secretas, troquem juras eternas longe de olhos e ouvidos que não sejam seus. Esqueçam aquela conversa de gritar seu amor para o mundo, isso é amadorismo. A sociedade secreta dos que amam surpreende os céticos com relacionamentos duradouros, casamentos sólidos e com o tão esperado fim que nunca chega. Quando casei, muitos não acreditavam que duraria um ano, não tenho provas de que houve um bolão de apostas sobre quanto tempo o casamento duraria (porque tínhamos muito pouco tempo de namoro, eu tenho fama de ter temperamento difícil e quem o conhece sabe que meu marido tem amor próprio o suficiente para não agüentar uma mulher chata ou mandona), mas sinto que frustramos expectativas.

A verdade é que eu não estou autorizada por mim a dizer que estou hoje mais feliz do que quando nos casamos, nem que foi a melhor coisa que fiz em minha vida, nem mesmo que o amor é ainda mais forte, mais sólido e maior hoje do que há dois anos, nem que passarei toda a minha vida ao lado dele, nem ao menos que não sei nem quero viver sem ele, ou que agradeço a Deus pelo presente que é completar esses dois anos de casamento, ainda que tudo isso seja verdade (e é), porque acabei de falar da importância de resguardar-se. Não sei, porém, até que ponto calar-me é bloquear grande parte do que eu sou ao escrever, porque talvez o mais importante, acima das juras secretas de amor eterno, seja entender que não é vergonhoso, nem insensato, nem sinal de fraqueza assumir-se humano e, como tal, ter o direito de ser feliz e expressar essa felicidade quando ela – enfim – acontece.

PS: Aproveito para, mui furtivamente, desejar ao Davison que os próximos cento e cinquenta anos de casamento sejam, no mínimo, tão bons quanto esses dois primeiros. E que ninguém – além dele – me ouça.

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PS: Republico esse texto (escrito na comemoração de dois anos de casados) para explicar o porquê de eu ter parado de falar a respeito de minha vida neste blog. Continuo sendo fã número um de casamentos, mas passei a ficar cada vez mais reservada com o passar dos anos. Só me mantenho nas redes sociais porque as escolhas que fiz no meu início de vida online me obrigam a isso.  De vez em quando tenho vontade de escrever algo mais pessoal, mas acabo deixando esses posts eternamente nos rascunhos.  No entanto, penso em voltar a falar sobre isso, pois há necessidade desse tipo de informação nos dias de hoje (falarei mais a respeito no próximo post).

PS2: A título de atualização de informações: nosso casamento, depois de sete anos e oito meses, está muito melhor do que quando escrevi essa crônica.  Mas não conte a ninguém. :-)


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Sete anos

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Então, ontem fizemos sete anos de casados. Passa rápido. E parece que foi ontem. Parece que foi sempre. Tenho plena consciência de que passarei o ano inteiro torcendo para que o aniversário de oito anos chegue logo, pois pessoas extremamente criativas adoram fazer brincadeirinhas sobre a imaginária “crise dos sete anos”. Isso “non ecziste”, minha gente.

Ainda estamos metade em São Paulo, metade em Porto Alegre. Ele é a metade em Porto Alegre, e eu, em São Paulo. Mas ele vem, graças a Deus, ao Smiles e à Gol, nessa ordem. Smiles resolveu fazer promoções amigas e ele conseguiu passagens jamais imaginadas. Veio, foi, veio, foi…ontem ele estava aqui e comemoramos o aniversário indo ao cinema para assistir X-Men Primeira Classe. Ok, isso não parece muito romântico, mas – como ele mesmo disse – é a nossa cara. Entre as opções que tínhamos, foi melhor do que ver Kung Fu Panda 2, admita. Depois eu faço uma resenha do filme, por falar nisso.

Nossa comemoração foi regada a suco de maçã – também a nossa cara. Atividades neuróbicas, como conhecer um novo shopping, ou nada neuróbicas, como tomar café da manhã na padaria de sempre, marcaram nosso dia. Dia só nosso, que Deus nos deu.

Hoje a vida continuou no ritmo em que ela está, atualmente. Dave voltou para Porto Alegre, eu voltei ao trabalho, ambos com a certeza de que em breve estaremos fisicamente juntos o tempo inteiro, pois nossa mente e nosso coração não se separam em nenhum momento. Por isso eu não sofro, nem ele. Não estamos longe, estamos apenas fisicamente afastados, mas a conexão que estabelecemos há quase oito anos e que se transformou em pacto, em aliança, há exatos sete anos, jamais se rompe, pois foi alicerçada no Criador de todas as coisas. E nunca isso foi tão claro quanto neste ano.

O amor jamais acaba.

O amor descrito em I Coríntios 13 não é um sentimento, é uma escolha, uma decisão. Isso faz toda a diferença.

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