Somos todos filhos de Deus?

“Somos todos filhos de Deus?” (Editora Unipro), do Bispo Macedo, é um livro completo e de fácil leitura. O título é polêmico, embora um dos fundamentos do Cristianismo seja o fato de que as pessoas não nascem filhas de Deus. São criaturas de Deus e só se tornam filhas depois de nascerem de novo.

Com o passar dos anos, essa lógica parece ter se perdido nas religiões. Hoje todo mundo cresce convicto de que é filho de Deus. Poucos questionam. Então quando alguém afirma o contrário, o choque é inevitável. Mas está escrito: “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”(João 1:12). Ele não precisaria dar-lhes poder de serem feitos o que já eram, não é verdade? Deus deu ao homem capacidade de reproduzir-se e  desde então a responsabilidade de fazer ou não filhos é da mãe e do pai. Nascemos filhos de nossos pais.  Só nos tornamos filhos  de Deus quando nascemos do Espírito, isso é fruto de uma escolha consciente.

O livro não gasta muito tempo com a pergunta do título. Ele a responde, explicando por que nem todos são filhos de Deus, e ensina a como nascer de Deus, como recebê-lo, como ser um desses que têm a honra de ser feito filho de Deus. Entre outras coisas, fala da atuação dos espíritos malignos e da libertação, do batismo nas águas, batismo no Espírito Santo e novo nascimento, do caráter cristão e dos perigos da religião. Sim, porque muitos acreditam que pelo simples fato de frequentarem a igreja, lerem a Bíblia e executarem rituais religiosos, estão próximos de Deus, são filhos dEle ou nasceram de novo. Olhe esses trechos:

Nicodemos não foi reconhecido como um homem de Deus e isso mostra que nem todos os que ocupam cargos religiosos, ainda que sejam os mais importantes, estão na condição de pessoas nascidas de Deus. O nascido da carne acredita que seu trabalho religioso na igreja o faz aprovado como alguém espiritual. E isso não o difere daqueles que fazem caridade pelos aflitos no intuito de agradar a Deus. Obviamente, a caridade é muito bem vista diante do Altíssimo, mas não é suficiente para se alcançar a salvação. Da mesma forma, o trabalho religioso não garante a salvação de ninguém. Para Deus, o importante não é o que a pessoa faz, no que se refere às obras, mas o que ela é.

(…)

“E o Senhor lhes respondeu: “Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição” (Marcos 7.9). Os religiosos não estão preocupados com o interior ou com o relacionamento com Deus, mas em satisfazer o exterior com suas tradições e aparências, que para nada servem.

O religioso é extremamente preocupado com as aparências, e mede tudo por elas. Assim, se uma pessoa, um livro, uma música ou uma igreja tem aparência cristã, o religioso a aceita. Mas se não tem a aparência que o religioso esperava que tivesse, ele logo a rejeita. Julga, condena e executa a sentença.

Eu sempre ficava intrigado com o porquê de o Espírito Santo não realizar o novo nascimento imediato nas pessoas que vinham diante do altar oferecer-Lhe a vida. (…) Hoje tenho a resposta: o problema é que ninguém pode nascer estando vivo (…) Ninguém pode viver duas vidas simultaneamente!

(…)Não se pode ter duas vidas ao mesmo tempo! (…) Se quiser a vida nova oferecida pelo Espírito Santo, terá que abrir mão da vida velha e morrer. Mas, se quiser manter a vida antiga, jamais nascerá de novo! A morte a que nos referimos aqui não é uma morte física, mas espiritual. Em outras palavras, a pessoa tem que renunciar a si mesma, sua vontade, seu eu, e passar a obedecer à Palavra de Deus.

Muito forte, não? Como alguém pode nascer de novo sem ter morrido para a vida velha? O novo nascimento se vê pelos frutos. A nova criatura tem de ser, necessariamente, diferente de quando era uma velha criatura. Isso parece óbvio, mas muitos acham que essa diferença está apenas nos hábitos abandonados: ia para a balada, agora não vai mais. Tinha muitos namorados, agora não tem mais. Bebia e fumava, agora não bebe, nem fuma. Não ia à igreja, agora vai. Isso não é novo nascimento, é apenas mudança de hábitos.

O livro explica o quanto o novo nascimento é profundo. As mudanças vão além daquilo que você pode fazer por si mesmo. Você era nervoso, agora é tranquilo, era maldoso, agora tem prazer em ajudar os outros, era fofoqueiro, agora não gosta de ouvir da vida de ninguém, tinha maus olhos, agora olha a todos da melhor maneira possível, guardava mágoa, agora sabe perdoar, era depressivo, agora é alegre e emocionalmente estável, era desonesto, agora é confiável. Era descontrolado, agora tem domínio próprio. E daí por diante. Por não entender isso, a realidade é a seguinte:

De modo geral, dentro das igrejas evangélicas, as pessoas aceitam Jesus como Senhor e Salvador apenas na teoria. Na prática, fora da igreja, suas atitudes não têm nada a ver com a fé apresentada diante do altar.

Não só as atitudes. Eu  gastei horrores com antidepressivos que não resolveram nada (só davam muuuitos efeitos colaterais). Passei um tempão da minha vida culpando meus neurotransmissores, achando que o problema era físico. Hoje estou convicta de que o problema físico é consequência, e não causa. A causa está dentro da nossa alma. Enquanto houver espaços vazios, há lugar para que o mal se instale e bagunce nossos neurotransmissores. Então, se você está dentro de uma igreja, acha que é de Deus, e tem sofrido com depressão, não se engane. Seja humilde e parta do zero, seguindo o conselho do autor do livro, pois funcionou comigo:

Busque Aquele que tem o poder de curar a sua alma! Assim, quando Ele ocupar todos os espaços de sua vida, a depressão o abandonará para sempre.

Eis algo extremamente negligenciado por quem cai no sono da religiosidade: O filho se parece com o Pai. Talvez por não conhecer a Deus, não saber como Ele é, muitas pessoas têm dificuldade de medir isso, mas é necessário.

Não há como negar a obrigatoriedade de os filhos de Deus terem caráter semelhante ao do Senhor Jesus. Trata-se da imagem de Deus restabelecida no ser humano nascido do Espírito. Pois o mesmo Espírito que gerou Jesus gera os demais sem qualquer distorção de caráter. Quando alguém se posiciona como filho de Deus, mas tem comportamento contrário, certamente está enganando a si mesmo. (…) O primeiro ensinamento do Senhor, no Sermão do Monte, foi sobre a humildade. Ela foi estabelecida como condição básica para a entrada no Reino de Deus. “Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3).

A humildade é característica necessária desde o início, para admitir sua necessidade de nascer de novo, até o fim, para sempre ter a noção de que sua vida depende de Deus. Faz parte do caráter dos filhos de Deus, pois é a única forma de manter-se obediente a Deus, com bons olhos e firme na fé.

Para se tornar filho dEle precisa, antes de tudo, conhece-lo como Ele é. Engolir seu orgulho, vestir-se da mais sincera humildade e aprender como Deus é de verdade. A quem você quer enganar? Quanto tempo vai continuar fingindo ser quem você gostaria de ser, mas que não é, na verdade?

Passei anos assim. Anos. E não era um fingimento consciente, não, eu realmente achava que não precisava nascer de novo. Achava que era filha de Deus pelos anos que tinha de igreja, ou por minha atitude ética (não matava, não roubava, não fumava, não bebia, não me prostituía, não adulterava, odiava mentira, não fazia nada de “errado”, tinha um forte “senso de justiça” – que me fazia brigar com todo mundo…rs – em que tinha que mudar?).

Ao ler “Somos todos filhos de Deus?” Você vai entender que ser filho de Deus não é falar evangeliquês, cantar musiquinha gospel, condenar pessoas ao fogo do inferno, apontar o dedo para os outros e empreender cruzadas contra as pessoas que não são religiosas, como fazem aqueles que mais parecem contratados do exército inimigo para atrapalhar a causa. Ser de Deus, ser filho de Deus, é ter o caráter do Pai, estar disposto a renunciar a tudo, inclusive a si mesmo, para conhecê-Lo e poder ser chamado seu filho e seu amigo. E assim, naturalmente, fazer as obras do Pai e ajudar aos que sofrem.

Vale a pena ler ou reler. Eu tinha lido mais de uma vez, aliás, pois me lembro que um pastor fez até um estudo a respeito, mas relendo agora, em alguns pontos era como se eu não tivesse lido! Bons livros são assim, sempre nos trazem coisas novas, não importa quantas vezes os leiamos. :)

Vanessa Lampert

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A excelência da sabedoria

Durante o Jejum de Daniel, minha mãe atacou todos os livros de sua estante e começou a desenterrar alguns que eu nem me lembrava que existiam. Em uma semana ela tinha lido uns seis livros, então cada dia que conversávamos ao telefone (ela mora em Campo Grande – MS e eu em São Paulo), ela tinha uma novidade para me contar. Sobre esse livro o entusiasmo dela foi tão grande e genuíno que me convenceu: “Ele é curtinho, mas super completo, maravilhoso, você tem que ler!” (Agora você sabe de quem puxei o dom de convencer os outros a ler.) Ela tem razão! “A excelência da sabedoria” (Editora Unipro), do Bispo Macedo, tem 74 páginas, é muito fininho e a leitura é bem agradável. O conteúdo é bem objetivo, prático e dinâmico, ele pula de um assunto para o outro com grande facilidade, mas você não se perde, acompanha o raciocínio também facilmente. E é muito raciocínio, amigos! Naquelas 74 páginas cabe tanta coisa!

“A excelência da sabedoria” faz uma análise cuidadosa dos primeiros capítulos do livro de Provérbios, com lições para absolutamente todas as áreas da vida: fala de vida espiritual, de sabedoria (é claro), de fé inteligente, de finanças, de vida sentimental, de família, de saúde…acho que não ficou um assunto sem ser abordado. E, melhor de tudo: como é comum nos livros do Bispo Macedo, este livro tem uma linguagem simples e de fácil compreensão.

Apesar de ser estudo de Provérbios, ele passeia por toda a Bíblia, conversando com o leitor, eu achei isso muito legal! Porque ele pegava um versículo de Provérbios, começava a meditar e ligava a outro versículo lá do Novo Testamento, por exemplo.  Sabe em que eu acho que isso ajuda? A nos ensinar a como meditar na Palavra de Deus, fazendo uma leitura pausada e profunda. Quando você vê, está continuando o raciocínio, meditando na meditação feita. Da próxima vez que pegar um versículo bíblico para ler, perceberá quanta riqueza existe naquelas poucas linhas.

Fui ensinada na igreja tradicional a decorar versículos. Nada contra você ler tanto que acabe  sabendo de cor, mas não era o que fazíamos. Decorávamos mesmo, ainda crianças, sem sequer entender o que estávamos dizendo. E o versículo caía no solo estéril do compartimento religioso da mente humana, para nunca mais ser compreendido. É por isso que muitos religiosos depois se aplicam aos estudos teológicos mais malucos, para tentar trazer compreensão ao que decoraram, mas a Palavra de Deus é tão simples!

Ela é rica, cheia de detalhes, mas simples de entender, acessível a qualquer ser humano. Peça ao Espírito Santo que guie seu entendimento e medite, pense.

Um trecho do livro diz: “É impossível que alguém que pratique a Palavra de Deus seja infeliz, viva em depressão.” Concordo plenamente. É impossível! Se todo mundo praticasse a Palavra de Deus, a indústria de antidepressivos e ansiolíticos teria de vender vitaminas.

A Palavra de Deus praticada transforma, de dentro para fora. Para isso você tem de tirar da sua cabeça a ideia equivocada de que a Bíblia é um livro difícil. Não é! Pessoas menos inteligentes do que você conseguem entendê-la, eu te garanto. Pessoas mais inteligentes também. Ela é para todos. Deus não seria justo se reservasse o entendimento de sua Palavra apenas aos sábios deste mundo. Pelo contrário! Ele diz que ocultou aos sábios deste mundo e a revelou aos humildes.

Este é o maior segredo desse livro: se você for suficientemente humilde para ler e absorver o Espírito dessas palavras, colocando em prática tudo o que aprender, pode ter certeza de que terá muito mais do que qualidade de vida.

Vanessa Lampert

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PS: Desta vez fizemos o caminho inverso.  O filhotinho desta resenha saiu esta semana na Folha Universal. Então se der uma sensaçãozinha de déjà vu, foi lá que você viu.  :-)

PS2: Faz tempo que não encontro esse livro na IURD. Infelizmente, você ainda não o encontra em livrarias. O jeito é comprar no Arca Center ou pelo televendas: http://www.arcacenter.com.br

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Eu deveria estar morto

“Eu deveria estar morto” (“Shoulda been dead”, Editora Unipro), é um relato da impressionante história de Damien Jackson, escrita por Dave Jackson (que não, não é parente dele…rs…). A história de Damien é o eco da vida de muitos jovens atualmente, perdidos, desprezados pelos pais, marginalizados pela sociedade. Damien entra cedo nas drogas, no álcool e na criminalidade, a raiva que carrega dentro de si o implode e explode nas brigas entre gangues.

A maior qualidade deste livro é que pode ser usado como meio de identificação para alcançar aquele jovem mergulhado nas drogas e na criminalidade e que não vê saída. Ao ler a história de Damien, o pensamento é: “Se houve saída para ele, há esperança para mim”. Além disso, serve como um alerta para aqueles que ainda não desceram tão fundo. É o relato de um rapaz que não tinha perspectiva nenhuma de vida,  e que encontra na fé a força necessária para acreditar em si mesmo e alcançar a libertação e transformação.

Apesar de ele encontrar essa força na fé, “Eu deveria estar morto” não é um livro religioso (é até capaz de agradar mais aos não religiosos do que aos religiosos), é um relato cru do dia a dia das ruas, da falta de esperança, daqueles que se arrastam pela escuridão esperando um outro dia inútil após o dia inútil em que viveram, sem esperança, com apenas uma vaga chama de possibilidade, muito vaga, muito pequena, mas que pode guiá-los para o fim do túnel.

90% do livro é a história de Damien e seus pensamentos, a bagunça que estava a sua vida e sua mente. Em um determinado momento você vê que acabaram-se os atalhos. Ou Damien morria, ou se decidia pela vida. E o vê sair do escuro.

É uma história de superação, de vitória, de fé, acima de tudo. Capaz de abrir os olhos daqueles para quem a sociedade permanece de olhos fechados.

Vanessa Lampert

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PS: Uma coisa é muito importante: quando eu falo em “livros que você deveria comprar para doar a quem estiver precisando”, subentende-se que você já tenha comprado um para você ler. É importante ler para ajudar àquelas pessoas a quem você doar os livros. Até porque poderá conversar melhor com elas a respeito. E também sempre tem algo que você possa aprender com a leitura que fizer. :-)Portanto, nada de preguiça! Se você tem preguicite aguda na hora da leitura, veja o texto Como vencer a preguiça de ler.

40 segredos que toda solteira deveria saber

O livro  “40 segredos que toda solteira deveria saber” (Editora Unipro), escrito por Nanda Bezerra fez uma de minhas viagens da minha casa até a igreja ser muito mais agradável ano passado. O livro é pequeno, cabe na bolsa, e foi uma excelente companhia no ônibus até o metrô, no metrô até o outro ônibus e do outro ônibus até a igreja :-D(graças a Deus que o carro chegou, alguns meses depois…rs…). Mesmo tendo oito anos de casada, aproveitei bastante as dicas! Me ajudou a avaliar minha vida espiritual e também me deu mais bagagem para ajudar moças solteiras. Recentemente, para escrever a resenha para a Folha Universal e para este blog, reli e pude constatar que a primeira impressão que tive deste livro foi realmente acertada. Eu me pegava rindo sozinha, enquanto aprendia e concordava com a Nanda. Batemos altos papos invisíveis dentro da minha cabeça.  Nanda escreve como se falasse com uma amiga e meu olhar deslizou pelas linhas com grande facilidade, o que, para mim, é um indicativo de que o livro é bom, não existe nada mais irritante do que leitura cansativa.

E meu estilo de leitura (do que realmente me dá prazer de ler) é algo leve, fluido, um bate-papo, mesmo, de preferência escrito por uma pessoa bem humorada. O texto nem precisa ter humor, mas se o autor for bem humorado, isso vai transparecer para o leitor. 40 Segredos é um livrinho feliz. Desde a cor de suas letrinhas (algo entre o azul e o roxo) até as ilustrações que abrem os capítulos, passando pelo texto leve e despretensioso da Nanda. Só quando o livro acabou é que eu me dei conta de que ela não estava aqui na minha frente conversando comigo, porque eu ainda tinha alguns comentários a fazer a respeito do assunto e ela já não me respondia mais…hahaha…

O bom de ler é que você está sozinha quando tem essas experiências, então ninguém pode te chamar de maluca. Exceto se você escrever e publicar na internet para que o mundo inteiro descubra que você não bate bem. :-D

Falando sério, se você quiser uma leitura rápida, prática, divertida e de bom conteúdo para a mulher cristã, independente de ser casada ou solteira, com certeza vai gostar desse livro. Para dizer a verdade, acho que eu o leria até se eu fosse homem, principalmente se fosse solteiro. Sério, porque assim eu poderia escolher melhor a solteira por quem resolvesse me interessar, conseguiria avaliar melhor. É como o “A Mulher-V”. O homem que ler “A Mulher V” estará mais apto a identificar uma Mulher V (se for solteiro) ou ajudar sua esposa a se tornar uma Mulher V.  Quem tem mais conhecimento, possui uma grande vantagem (falarei sobre isso nos próximos dias).

Update: Eu fiquei tão íntima da autora que me esqueci de escrever o nome inteiro dela…hahaha…coloquei agora, logo após o nome da editora :-) .

Vanessa Lampert

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Resenha originalmente publicada no Blog Cristiane Cardoso

Nada a perder

Peguei o “Nada a perder” (Editora Unipro/ Editora Planeta) para ler ontem à noite, pouco antes de dormir, já tarde. Meu objetivo era iniciar o livro e ler um pouquinho a cada noite. No entanto, quando me dei conta, já tinha passado da metade, estava quase no final e avançara a madrugada. Sabendo que tinha que acordar cedo, deixei o restante da leitura para a manhã seguinte, quando a concluí. Sentei aqui para escrever uma resenha, mas sinceramente nem sei por onde começar. Sabe o “não tenho palavras para descrever”? Mas eu sempre tenho palavras, elas só estão tomando fôlego.

É o primeiro volume de uma série de três livros em que o Bispo Macedo conta sua vida. Muita gente estranha: “Ué, mas o Bispo já não tem uma biografia? Por que escrever uma autobiografia?” Mas eu lhe garanto: uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra. A biografia “O Bispo” é excelente, mas fala sobre o Bispo, conta sua história através dos olhos de um observador externo. Douglas Tavolaro é um excelente escritor e consegue nos envolver na história, mas nada me preparou para o que encontrei em “Nada a perder”.

Ao ler a autobiografia, era como se Edir Macedo estivesse conversando comigo, me explicando sua forma de pensar, que o moveu em cada passo de sua caminhada. E aqui peço licença para me referir ao Bispo sem o título, não por falta de respeito, mas porque quem conversou comigo durante a leitura daquele livro não foi o título, mas o jovem Edir, cheio de um sonho aparentemente impossível, movido por uma fé que me alcançou, anos depois. Eu já vi o jovem que ele descreve. Já vi, várias vezes, sempre que fala de fé (e ele sempre fala de fé), sempre que fala com Deus no altar, a gana de nos passar o que ele tem, o brilho em seus olhos, denunciando a vontade inesgotável de nos fazer conhecer o Deus que ele conhece. Foi com ele que aprendi essa fé, foi com ele que descobri que eu também poderia nascer de novo e ter um relacionamento real com Deus.

Uma das primeiras mensagens dele que ouvi pela rádio, enquanto eu ainda estava em outra denominação, me marcou para sempre, ele dizia algo como: “Não é porque eu estou dizendo que você tem que acreditar, confirme na Bíblia, você tem que acreditar no que está escrito”. Ele explicava que era humano, sujeito a falhas e que nós deveríamos buscar a independência espiritual, todos nós poderíamos ter o mesmo relacionamento que ele tem com Deus, não era preciso depender de pastor nenhum. Isso para mim foi revolucionário, pois em todas as igrejas em que passei, a dependência era da direção do pastor, da direção da igreja, dos rituais religiosos, e não de Deus. A Igreja Universal me abriu um novo horizonte, me apresentando a um Deus de quem eu apenas ouvia falar.

Por isso, a biografia não é só de Edir Macedo, é de todos nós que temos percorrido o caminho da fé. Eu me identifiquei muito, e acredito que qualquer pessoa que leia com o coração aberto se identificará também, com a busca, com as lutas, com a perseverança. A biografia é também de Deus, pois Ele permeia cada uma das páginas. O caráter de Deus é fortemente delineado ali, você o vê escolhendo aquele rapaz mais desprezado e desacreditado e começa a entender como Ele pensa. O porquê de Ele escolher as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. Ele precisava de alguém que agisse independente do medo e da situação, Ele precisava de alguém que Lhe desse espaço para agir, Ele precisava de alguém que sonhasse os Seus sonhos e para quem o mundo não fosse nada. Ele encontra isso em quem se entrega totalmente.

Novamente eu ouço o Bispo Macedo, na voz do jovem Edir, me dizendo que Deus está comigo assim como está com ele. Não importa se ele é Bispo, se ele é o líder visível da Igreja Universal do Reino de Deus, pois o verdadeiro líder é o Espírito Santo. O que o jovem Edir me mostrou naquele livro não foi a história gloriosa do Bispo Edir Macedo, mas o poder do Espírito Santo e da fé.

“Nada a perder” é um livro que todos devem ler. Você vai ler e terá vontade de sair distribuindo por aí, sério mesmo. Vai te ajudar não apenas a conhecer mais sobre a história e os pensamentos do Bispo Macedo, mas também ajudará ao jovem que está buscando a Deus, àquele que está começando na fé e também a quem já tem dentro de si a vontade de ganhar almas, mesmo que tal pessoa nem seja da Igreja Universal.  Quem é sincero com Deus percebe claramente que o jovem Edir, o Bispo Macedo, realmente acredita em tudo o que prega. Aquela é sua fé, aquela é realmente a sua vida. Quem realmente está interessado em conhecer o Deus de Abraão tem neste livro a oportunidade de vê-lo em ação.

Li as 238 páginas e fechei o livro com lágrimas nos olhos. Não de emoção, foi algo bem mais profundo. O jovem Edir me contou grande parte de sua vida, mas só o que ficou no final foi uma forte mensagem de fé, detalhada com proximidade, como que pelo amigo que conversa contigo na varanda de casa, de madrugada, olhando para o céu e diz: “Conte as estrelas”…

Vanessa Lampert

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Update: A quem perguntou onde se encontra este livro, ele já está disponível na IURD com a capa que abre este post, lá em cima, e nas livrarias seculares com a capa que está aqui ao lado.

Para quem prefere comprar pela internet, já vi no site da Siciliano, da Livraria Cultura e da Saraiva.

*Post originalmente publicado no Blog Cristiane Cardoso