Livros que não são o que parecem – Cinquenta tons de cinza

Abro parênteses na série “Livros que não são o que parecem” para tratar de um que não é religioso. Nesse caso, é um livro que parece ser bom – por estar no topo dos mais vendidos de ficção – mas é uma porcaria. Eu achei que não precisasse resenhar Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey). Para mim, todo mundo já sabia do que se tratava: um romance sem valor literário, com cenas de sexo sadomasoquista. Mas nem todo mundo sabe. Tenho recebido perguntas a respeito e fiquei preocupada. Achei melhor escrever uma resenha. Caso alguém lhe pergunte, você também saberá o que dizer.

O livro é ruim. Sob diversos aspectos. Cenas arrastadas, construção pobre, a personagem passa muito tempo com os mesmos questionamentos e frases repetidas, o que o torna cansativo. A linguagem às vezes é muito forçada…A autora cria diálogos dignos dos piores livros de banca de jornal. O problema não é um livro ter cenas de sexo, porque é como os filmes, se formos deletar todos os que têm cenas fortes, ficaríamos com pouquíssimas opções de entretenimento. Mas as cenas de sexo de Cinquenta tons de cinza vêm em uma quantidade excessiva e descontextualizada e são descritivas demais, algumas beirando o ridículo. Coisas como (um trecho neutro, of course. Temos menores de idade aqui):

Com um movimento suave, ele ajeita o seu corpo, de modo que, o meu torso está descansando na cama ao lado dele. Ele joga a perna direita sobre as minhas duas pernas e bota o seu antebraço esquerdo na parte de baixo das minhas costas, segurando-me para baixo, assim eu não posso me mover.

Amigos, eu não sei se o problema é comigo, mas eu não sou muito visual. Eu simplesmente não consigo visualizar isso e em minha cabeça, na terceira frase, os dois já estão embolados em um perfeito nó, como se fossem dois polvos enroscados, jogando batalha naval, sem o menor romance.

Mas esse não é o problema.

Acho impressionante como no século 21, em que falar de “submissão” em termos bíblicos causa espanto e horror, um livro que trate de submissão em termos degradantes faça tanto sucesso. Quero dizer, uma submissão que valorize a mulher é descartada à primeira menção, mas uma “submissão” que a desvalorize e a transforme em mero objeto é fascinante? Isso faz algum sentido?

A mulher tem uma necessidade natural de se sentir segura, amada, cuidada, protegida…tem a necessidade natural da submissão saudável a um homem que lhe dê essa segurança. A sociedade aboliu a submissão saudável, mas não consegue tirar da mulher a necessidade de segurança…sendo assim, a submissão distorcida e doentia encontra espaço suficiente para instalar…e essas distorções tornam-se normais, aceitáveis e até desejáveis!

Christian Grey é um homem  lindo e rico. Anastasia Steele é universitária e inexperiente. Eles se apaixonam e ela descobre que ele é um dominador sádico e quer iniciá-la.  Se fosse apenas isso, talvez o livro não fizesse tanto sucesso. Ele teve uma infância difícil, maltratado pela mãe biológica,  adotado aos quatro anos, foi abusado aos 15 anos por uma amiga casada da mãe adotiva. Essa amiga lhe apresentou o sadomasoquismo, e esse foi o único tipo de relacionamento que ele conheceu. Anastasia quer ajudá-lo. Não é amor – não o amor verdadeiro – mas um punhado de emoções e sensações que mexe com a cabeça das leitoras carentes e as prepara para aceitar relacionamentos doentios com homens desajustados.

Há uma necessidade de confiança entre os dois, para que ela se entregue totalmente a ele. Um relacionamento baseado em confiança e entrega…não é tudo o que as mulheres querem? Ele abre a porta do carro, se preocupa com sua segurança, está sempre pronto a protegê-la, a cuidar dela, lhe dá 100% de atenção e se preocupa em satisfazê-la…preenchendo todas as necessidades que as “mulheres modernas” têm desprezado…Só tem um “detalhe”: ele a oprime, a persegue e tem prazer em bater nela! E ela se tornou sua escrava.

Vê o tamanho do problema? O quanto é perigoso para a cabeça de mulheres carentes? Percebe o tamanho do perigo de romantizar um relacionamento doentio?  De ver isso como normal? Ao aceitar um relacionamento abusivo, você se priva de conhecer o verdadeiro amor e tudo de maravilhoso que ele traz…o amor faz o bem ao outro, não o mal. Em questões comportamentais, principalmente quando se trata de relacionamentos, obras de ficção têm, sim, um grande impacto. Pode apostar que muitas mulheres flexibilizarão seus limites por terem visto algo de “bonito” e “excitante” no relacionamento de Anastasia e Christian Grey.

Anastasia submete-se ao mais degradante, para não perder Christian. E tenta compreender o incompreensível, dizendo que ele sofre, se esconde em suas sombras… Desculpe, mas depois de conhecer as histórias reais das mulheres no Projeto Raabe, eu não consigo ver nenhum lirismo nisso. Isso não é submissão. Isso não é bonito. Anastasia não está feliz com o relacionamento, sente-se usada, sente-se mal, sente-se culpada e há um esforço por parte dele em tentar fazer com que ela se livre do sentimento de culpa. E a autora mostra tudo como se fosse lindo, como se fosse amor, como se fosse legal e prazeroso.

”Não desperdice sua energia em culpa, sentimentos de injustiça, etc. Nós somos adultos responsáveis e o que nós fazemos a portas fechadas está entre nós. Você precisa liberar a sua mente e escutar o seu corpo.”

Isso é uma tremenda enganação. Vai acreditando que “liberar sua mente e escutar o seu corpo”, fazendo qualquer coisa, não terá consequências. Sim, somos adultos, e por isso mesmo devemos pensar, e não agir por instinto, por emoção, não devemos nos guiar por sensações e por nossa mera vontade…se começarmos a agir assim – e é o que o mundo nos cobra – nos transformaremos em seres bestiais. Parece um quadro digno de ser pintado pelo diabo.

E eu vejo nisso o que a sociedade em geral tenta nos empurrar goela abaixo:

“ Siga o seu coração, querida, e por favor, por favor, tente não pensar demais sobre as coisas. Relaxe e aproveite. Você é tão jovem querida, você tem tanto para experimentar, apenas deixe acontecer.”

Amiga, faça isso e se encrenque pelo resto da eternidade. Me parece a própria voz do diabo, dando a receita para um futuro infeliz. Sim, siga o seu coração, não pense, relaxe e aproveite. E estatele-se ao cair do precipício. Sim, porque é para lá que o “siga seu coração e não pense” nos leva, pode crer. Mas Hollywood e toda a conspiração do entretenimento emburrecedor insiste nessa tecla infinitamente.

O livro  ilude e tenta romantizar o que na vida real não tem absolutamente nada de romântico.  E eu me pego pensando que já temos porcarias demais no mercado literário e na cabeça das pessoas para que precisemos desse tipo de coisa. São mais de quatrocentas páginas, amigos. Quatrocentas e oitenta páginas do seu tempo, que não voltam mais. Tenho certeza de que você tem coisa mais importante para ler em 480 páginas. Se tiver bom senso, passe longe desse livro. É o melhor conselho que posso dar.

Agora temos uma porção de garotinhas (e mulheres mais velhas também, por incrível que pareça) suspirando pelo fictício Christian Grey, sonhando com  chicotes, espancamentos e sessões de sexo selvagem e vazio descritas como danças de polvos malucos que uma hora estão de pé, em outra estão de cabeça para baixo (já disse que simplesmente não consigo visualizar descrições longas). E eu prefiro nem pensar no que pior esse mundo ainda pode inventar, como novo “fenômeno literário”.

Vanessa Lampert

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PS: Falando em “coisas melhores para ler”, me lembrei de um livro (que muitos de vocês sabem que é um de meus preferidos) que fala de amor de verdade e é extremamente bem escrito. Se você ainda não leu o “Amor de Redenção”, dê uma lida na resenha,clique aqui para ler.

Originalmente publicado no blog Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.

Livros que não são o que parecem – Oração A Chave do Avivamento

O livro “Oração: a chave do avivamento” (Prayer that brings revival), de Paul Yonggi Cho, é um clássico pentecostal. Recebi um alerta do Bp. Marcelo Pires, sobre o autor dizer, na introdução, que o “avivamento” (muitas aspas aí) ocorrido em Pensacola, na Flórida, foi resultado de suas orações. Acontece que esse “avivamento” foi um marco da fanerose, o popular “cair no poder”.

Olhei a introdução em português e não encontrei nada a respeito. No entanto, ao ler o mesmo livro em inglês, fiquei surpresa ao constatar que a editora brasileira retirou nada mais, nada menos do que SEIS páginas da introdução original! Será que acham que adianta tirar o mofo de cima do alimento embolorado? Se você pensa assim, aviso: fungos liberam toxinas. Mesmo que os retire e não os veja mais, há, digamos assim, “raízes invisíveis” que contaminam todo o alimento. Uma vez que a coisa começa a mofar, a única saída segura para a sua saúde é jogar tudo fora.

Yonggi Cho parece muito “espiritual” e diz algumas coisas que são verdade, misturadas com muita toxina, capaz de imobilizar sua fé. Começo com alguns trechinhos da introdução em inglês traduzida (página 10 à página 17):

Em 1991, depois de uma temporada de intensa oração e jejum, uma visão profética começou a se desenrolar diante de meus olhos.(…). Na direção do Espírito Santo, eu estendi um mapa da América e permiti que o Espírito guiasse minha mão até a área onde esse avivamento despontaria. Meu dedo parou em Pensacola, uma cidade da Flórida nada associada a fervor espiritual.

Me parece aquela prática de comunicação com espíritos, chamada de “Tabuleiro Ouija”, em que a pessoa utiliza uma superfície plana com letras ou outros símbolos e deixa que seu dedo, copo ou qualquer outro objeto seja guiado pela entidade espiritual, para enviar mensagens.

Naquela noite em 1991, eu acreditei ter ouvido a voz do Senhor, alta e clara: “Eu vou enviar o avivamento para a cidade costeira de Pensacola, e ele se espalhará como fogo até que toda a América tenha sido consumida”.

“Ele se espalhará como fogo até que toda a América tenha sido consumida” me parece uma espécie de ameaça, não parece?…rs…

Após isso, ele conta que quando o Pastor Kilpatrick soube da “profecia”, e em vez de procurar saber se aquilo realmente vinha de Deus, começou, em suas orações, a pedir que aquele “avivamento” viesse logo. A mãe desse pastor adoeceu, e quando ela morreu, ele estava “fisicamente e emocionalmente esgotado”. Acredito que esse ambiente de fragilidade emocional do pastor responsável tenha sido importante para a ação desse espírito enganador.

Kilpatrick sentiu a sensação de vento no santuário. Uma pessoa após a outra caiu no chão assim que Hill orou por elas. Outros choravam, alguns sacudiam violentamente. Hill fez uma oração simples para Kilpatrick já que ele estava no palco. “Mais, Senhor”, disse ele, e o pastor caiu no chão, onde ficou por quase quatro horas.

Isso foi em junho de 95. Tenha em mente que em janeiro de 94 havia acontecido o que chamam de “bênção de Toronto”, outro marco do movimento do “cai-cai”. Sabendo disso, o povo de Pensacola recebeu a Fanerose de braços abertos, sem questionar.

“Quando eu bati no chão, me senti como se eu pesasse dez mil libras,” Kilpatrick disse à revista Charisma. “Eu sabia que algo sobrenatural estava acontecendo. Deus foi nos visitar.”

O fato de algo sobrenatural estar acontecendo não significa que seja Deus, ainda mais quando você sente como se pesasse quatro toneladas e meia! Isso não está certo e não é bíblico. Quem caiu na Bíblia, ou caiu porque desmaiou – ou quase desmaiou – de medo ou de susto (Daniel descreve como “desfaleceu a minha formosura”), ou caiu endemoniado, mesmo.

Sempre que alguém tenta usar um versículo fora de contexto como base bíblica para o cai-cai, eu me lembro de Ezequiel. Ele teve uma visão espiritual assustadora, até que se deparou com o trono do próprio Deus e Sua glória. Apavorado, caiu com o rosto em terra. Os entusiastas da fanerose terminam aí. Acham que ele caiu por não suportar a glória de Deus. O que acaba com todas as dúvidas em relação a um provável apoio ao cai cai como manifestação do Espírito de Deus são os dois versículos seguintes. Com Ezequiel estatelado diante dele, qual foi  reação de Deus?  (Ezequiel 2:1,2)

Esta voz me disse: Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo. Então, entrou em mim o Espírito, quando falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi o que me falava.

Amigos, não está bem claro? Quando recebeu o Espírito Santo, Ezequiel ficou de pé. E Deus ainda colocou a condição: “põe-te em pé, e falarei contigo”. O espírito manifestado em Pensacola com certeza não é Aquele que falou com Ezequiel.

Bem, daí para diante, a igreja de Pensacola inchou, e Cho cita esse fato como se fosse prova de que era de Deus. Número de pessoas na igreja não significa aumento de pessoas salvas. O ser humano é doido por um showzinho, e é isso que a manifestação emocional/demoníaca (uma coisa leva à outra, não duvide) traz.

O autor ainda tenta me convencer a ser educadinha com o diabo:

Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda. Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas cousas se corrompem. “(Jd 1: 8.10.).

Yonggi Cho diz:

Os versos citados revelam um fato muito significativo sobre nosso adversário, o diabo. Satanás é um príncipe com um poder considerável. E Judas diz também que ele não pode ser tratado levianamente, como alguns crentes costumam fazer. Embora seu poder sobre a propriedade divina tenha sido destruído, ele ainda é um oponente muito perigoso.

Judas não está dizendo que temos que respeitar o diabo! Está falando de um grupo de pessoas dissimuladas dentro da igreja (o autor tirou os versículos do contexto!). “O Senhor te repreenda” é exatamente o que fazemos quando usamos o nome de Jesus. Nossa atitude diante do diabo não deve ser: “oh, ele é um oponente muito perigoso, não podemos tratá-lo levianamente, vamos expulsá-lo com cuidado, para que não se ofenda”.  Davi, diante de Golias, que representava ali o próprio satanás, disse: “Quem é esse incircunciso filisteu, para afrontar o Exército do Deus vivo?” Essa é a reação do nascido de Deus diante do diabo. Se você está com Deus, qualquer ataque contra você é feito contra o próprio Deus!

Fora isso tudo, o livro tem vários outros problemas. Vários. Eu não terminaria hoje se copiasse um por um. Mas vou falar de um deles. Cho substitui tudo (obediência, fé, confiança, amor, novo nascimento) por uma oração religiosa. Não me entenda mal, oração e jejum são necessários, mas o autor os explica de forma ritualística e religiosa, como se houvesse um código secreto para se chegar até Deus.

Esse era um dos grandes problemas que eu tinha nas outras igrejas. Você aprende a “receita” da “oração eficaz” e procura indícios emocionais que lhe “provem” que recebeu alguma resposta. Não ensinam a usar a fé. Não fazem a menor ideia do que ela significa. Sem convicção e certeza, a oração é ineficaz, são palavras vazias. A oração pode ser um aparelho para se comunicar com Deus, mas a fé é a linha telefônica. Se o pastor não ensinar o povo a usar sua fé, não adianta ensiná-los a orar, pois será como ter um iPhone sem ter uma linha habilitada. No caso de Cho, um iPhone quebrado.

A pessoa não deve seguir um manual religioso ao orar, basta conversar com Deus, com suas palavras, com sua simplicidade, mesmo que não seja muito eloquente. A Bíblia diz que Moisés falava com Deus como quem fala com um amigo. A pessoa é capaz de passar horas me contando seu problema, explicando com detalhes seu sofrimento, mas quando eu lhe digo para falar com Deus, ela não sabe como fazer. Ué, mas não acabou de contar toda a sua vida para mim? E nem adianta me dizer que é porque não vê Deus, pois hoje em dia as pessoas têm a maior facilidade em desabafar pela internet com quem nunca viram na vida. Pense que é como se você tivesse um Msn na cabeça e Deus estivesse online 24 horas. Você não falaria com Ele o tempo todo? Não é muito mais simples do que a religião faz parecer?

A forma desse livro explicar a oração afasta as pessoas de Deus. Mesmo que o autor diga que você também pode fazer o que ele faz, deixa toda a experiência tão mística, emocional e distante, que parece totalmente impossível ter uma comunhão decente com Deus! Ele diz que antes de cada reunião, leva horas de oração religiosa…

Antes de subir ao púlpito para pregar, tenho que passar pelo menos duas horas em oração. Quando vou pregar no Japão (…) tenho que passar pelo menos de três a cinco horas em oração. Como sempre prego em japonês, sinto com muita nitidez a grande oposição espiritual (…) Portanto, tenho que passar todo este tempo em oração, para conseguir impedir a ação das forças espirituais do mal, e preparar meu coração para o ministério da Palavra. Com uma comunhão tão intensa, não disponho de tempo para dedicar à convivência com outros crentes, como certamente gostaria de fazê-lo.

Me diz se esse parágrafo não te faz achar que esse tipo de “comunhão intensa” é apenas para Super Crentes? Me pergunto se Paul Yonggi Cho sobreviveria se tivesse de fazer reuniões de libertação com milhares de pessoas, programas de televisão, evangelização em presídios e ainda atender pessoas com diversos tipos de problemas depois de cada reunião em uma igreja aberta de domingo a domingo, de manhã até à noite,  e que é atacada, odiada, alvo de todos os tipos de trabalhos espirituais do mal absolutamente o tempo inteiro.

Para dizer a verdade, esse foi um dos piores livros que já resenhei até agora, pois sem aquele pedaço da introdução, pode passar como um alimento espiritual positivo, já que fala muitas coisas certas, o cara parece super espiritual, enaltece seu ministério de todas as formas possíveis  e se “Bom dia, Espírito Santo” enganou muita gente boa, creio que Yonggi Cho tem um potencial destrutivo bem maior.

Vanessa Lampert

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PS: Fiz um texto explicando detalhadamente essa passagem de Judas, sobre Miguel e o diabo, caso alguém ainda tenha dúvida. Clique aqui para ler.

PS2: Repito o que disse em outra resenha: Antes que alguém me venha com “reter o que é bom”, se o livro é inspirado por espírito enganador, como reter o que é bom? Vamos aprender a não retirar os versículos de seu contexto. Paulo diz: “Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal” (I Tessalonicenses 5:20-22)

Update: Nem todos os livros que não são da IURD são “do mal”. Esta série fala de não se deixar levar pelas aparências. Quanto ao fato de eu apoiar quem limita sua leitura espiritual aos livros da IURD, escrevi a respeito aqui. Clique para ler.

Originalmente publicado no blog Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.

Livros que não são o que parecem – Bom dia, Espírito Santo

Para quem não conhece, Bom dia, Espírito Santo (Good Morning, Holy Spirit) é um best-seller de Benny Hinn, pregador que se tornou famoso por derrubar as pessoas. Eu li esse livro na pré-adolescência (tinha uns 12 ou 13 anos), época em que estava em outra denominação e não conhecia o Espírito Santo, nem tinha muito senso crítico, então entrei na onda de todo mundo e achei o máximo, mas o tempo passou e eu nem me lembrava mais dele.  Então, há alguns anos, depois de ter recebido o Espírito Santo e de conhecer a Deus, resolvi reler, para saber o que acharia agora, depois de ter tido minhas próprias experiências com Deus. Gastei meu tempo e compartilho aqui a experiência para que você não precise gastar o seu e possa orientar a quem lhe perguntar a respeito dele.

O que este livro diz que é? Vamos ler a sinopse:

“Em “Bom Dia, Espírito Santo”, Hinn apresenta descobertas e verdades que Deus lhe tem ensinado através dos anos. Você irá adquirir um conhecimento mais profundo da Divindade e como os membros da Trindade interatuam entre si e conosco. “

Nãããão!!! Não acredite nessas palavras bonitas. Você não vai descobrir nada, nem adquirir coisa nenhuma, e já te explico o porquê.  Quem Benny Hinn “encontra” é uma entidade que se faz passar pelo Espírito Santo. A experiência que ele descreve é 100% emocional e, sinceramente, se alguém me dissesse que passou por aquilo, eu o encaminharia a uma reunião de libertação, com urgência.

Ele foi a uma reunião em que viu uma mulher manifestada com o que ela dizia ser o Espírito de Deus.

O culto só começaria dali a uma hora. Tirei o casaco, as luvas e as botas. Enquanto relaxava, percebi que tremia mais que antes. Não conseguia parar. As vibrações percorriam meu braço e pernas, como se estivesse ligado a uma espécie de máquina. A experiência era nova para mim. Para ser sincero, sentia medo.

Ele continua explicando a sensação, mas olha que esquisito:

Enquanto o órgão tocava, eu não conseguia pensar em outra coisa além do tremor em meu corpo. Não era uma sensação de “doença”. Não era como se estivesse pegando um resfriado ou uma virose. Na verdade, quanto mais continuava tanto mais bela parecia.

Afinal de contas, ele estava com medo, o tremor o incomodava tanto que não conseguia pensar em outra coisa, mas “quanto mais continuava tanto mais bela parecia”? O que significa isso? Não vi nada de belo em ter uma tremedeira descontrolada, incômoda e assustadora, do nada! Sabe o que é isso? A valorização da sensação. Já entro em detalhes quanto a isso.

Nesse momento, como se saísse do nada, Kathryn Kuhlman apareceu. Num instante a atmosfera naquele prédio ficou carregada.

“A atmosfera naquele prédio ficou carregada”. Mais um que precisa urgentemente de uma sessão de descarrego.

A evangelista continuou chorando por um período de mais ou menos dois minutos. Depois jogou a cabeça para trás. Ali estava ela, a alguns passos de mim, com os olhos chamejantes. Estava viva.

Desculpe, amigos, mas tenho que interromper. A linguagem deste livro é totalmente emocional, mais até do que a do “A Cabana”, mas o espírito é bem parecido.  Mas veja só por quê. O espírito que estava nessa mulher (e depois passou para o autor do livro) é extremamente teatral, performático. Ficou chorando convulsivamente por dois minutos, depois jogou a cabeça para trás.

Naquele momento ela mostrou uma ousadia que eu nunca vira em outra pessoa. Apontou com o dedo em riste, com enorme poder e emoção e até mesmo sofrimento. Se o próprio diabo estivesse lá, ela o teria derrubado com um simples golpe.

Ousadia, poder, emoção, sofrimento? Essa foi uma das cenas mais bizarras do livro. Só detalho aqui porque é a origem de todo o “Ministério” desse indivíduo. Vê-se com clareza que esse espírito é estranho.

Foi um instante de incrível dimensão. Ainda soluçando, Kathryn olhou para a audiência e disse em agonia: – por favor. – Ela pareceu esticar a palavra: – Por fa-a-vo-or, não entristeçam o Espírito Santo. –  Ela suplicava. Se você puder imaginar uma mãe rogando a um assassino que não mate o seu bebê, terá uma ideia do quadro. Ela pedia e suplicava.

Note que o autor evoca a imagem mais emocionalmente tocante o possível. Ele não se importa com o fato da coisa toda ser completamente desprovida de sentido, ele apenas quer que você “sinta” e para isso coloca essas frases sentimentais e sensoriais. Agora, como assim “uma mãe rogando a um assassino que não mate o seu bebê?” Veja que o Espírito Santo é colocado aqui em uma posição de fragilidade, como um bebê indefeso, o que contraria completamente o que a Bíblia diz que Ele é.

Ela disse então: – Vocês não compreendem? Ele é tudo o que eu tenho! Pensei comigo mesmo – Do que ela está falando? Sua súplica apaixonada continuou, e disse:

– Por favor! Não o magoem. Ele é tudo o que eu tenho. Não magoem o meu Amado! – Jamais esquecerei estas palavras. Posso lembrar ainda como sua respiração ofegava ao pronunciá-las.

Consegue ser mais dramático, emocionalmente carregado e pretensamente manipulador do que qualquer um dos livros anteriormente analisados nesta série jamais sonhou em ser. Se você não conhece o Espírito Santo, um aviso: Ele não é assim. Aqui sou obrigada a copiar e colar o que já escrevi sobre Ele em outra resenha: “Realmente, não tem nada a ver com o Espírito Santo que eu conheço

Aí me lembro de quando o Espírito de Deus se apossava de Sansão…a Bíblia diz que ele matou um leão com suas próprias mãos, lembra? E mil homens com uma queixada de jumento. ”

Quando Paulo disse “Não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Efésios 4:30) Não disse isso chorando, em agonia, com peninha do coitadinho do Espírito Santo indefeso. Preste atenção no versículo. É um alerta: não entristeçam o Espírito Santo, pelo bem de vocês mesmos, ou perderão a salvação. Nele nós fomos selados para o dia da redenção. “Entristecer” aqui tem o sentido de luto. Só se está de luto por quem já morreu. Entristecer o Espírito de Deus é se afastar dEle através do pecado e se aproximar da morte eterna. Não façam isso, para o seu próprio bem.  A coisa é bem mais racional do que parece.

Ela apontou então seu longo dedo para mim e disse com grande clareza:

– Ele é mais real do qualquer coisa neste mundo!

Quando ela olhou para mim e proferiu essas palavras, algo me agarrou literalmente por dentro. Gritei dizendo:

– “Eu preciso conseguir isso”.

Então esse é o ponto inicial do livro. Sua sede era de ter aquilo que ele viu ali. Descreve essa reunião mega emocional e irracional, com muita música e oração da mulher manifestada. Impressionado com a experiência (porque ele “sentiu” várias coisas durante a reunião e viu milagres), ele chega em casa e diz: “Eu quero ter o que a Kathryn Kuhlman tem!” Baseado nisso, busca, com toda a força, não o Espírito Santo da Bíblia, mas o espírito que ele viu manifestado em Kathryn Kuhlman, o que ele viu naquela reunião, para ter a experiência que ela teve.

Logo em seguida, começa a tremer, como tremeu na reunião. Depois descreve o que me parece um choque elétrico. O rapaz foi eletrocutado pela entidade e realmente acredita que aquilo era o Espírito Santo. Nada do que ele descreve parece o Espírito Santo que eu conheço. É só uma descarga elétrica emocional que o faz ser um super-crente que derruba os outros ao jogar seu paletó. O restante do livro por diversas vezes faz você ter uma vontade sincera de levar o rapaz a uma sessão de descarrego.

Ao contar sua história, Benny Hinn te faz crer que ele é um “escolhido”, cuja mãe católica pediu “Deus, se me deres um menino, eu o devolvo ao Senhor”. Assim, Hinn quer se mostrar mais do que um Profeta Samuel pós-moderno, um ser especial com experiências sobrenaturais desde a infância (ele diz ter visto Jesus e após a visão ficou imóvel e…adivinha? Sentindo choques elétricos! Que espírito é esse que trabalha com eletrochoque?).

Eu vi Jesus entrar em meu quarto. Ele usava trajes mais alvos que a neve e um manto vermelho escuro drapejado sobre a veste. (…) Quando isso aconteceu, eu estava dormindo, mas de repente uma sensação incrível, que só pode ser descrita como “elétrica”, tomou conta do meu pequeno corpo. Era como se alguém tivesse me ligado numa tomada. Senti um formigamento como de agulhas – milhares delas-percorrendo meu organismo. (…) Quando acordei, a sensação extraordinária ainda perdurava. Abri os olhos e olhei ao redor, mas o sentimento intenso e poderoso continuava em meu íntimo. Sentia-me totalmente paralisado, não podia mover nenhum músculo. Nem uma pestana. Achava-me completamente congelado ali.

Por algum motivo as pessoas anseiam por esse tipo de coisa, por “sentir” fisicamente Deus. Minha teoria é que elas têm tanta dificuldade de crer em Deus, que uma sensação física é como se trouxesse Deus até o mundo material, é quase uma “prova” de sua existência. Por isso esse espírito de engano tem tanto espaço. E substitui o espiritual pelo sensorial/sentimental. E líderes que digam “olha, eu senti isso, eu senti aquilo, eu vi Jesus,  fui arrebatado, vi o céu, vi o inferno, etc. etc.” tentando passar super santidade acabam ganhando mais do que admiração do povo sedento.

Isso é normal entre alguns líderes evangélicos que ao mesmo tempo em que dizem que todos podem ter acesso a Deus, se colocam como seres especiais que têm contato e experiências com Deus quem ninguém mais tem.  Você vê as palavras “sentimento”, “torpor”, “me senti”, “chorar” com muita frequência. Para quem não tem intimidade com Deus, aquele relato emocional convence…mexe com seus sentimentos, afinal de contas,  quer ver Jesus, quer sentir o Espírito Santo, alguma sensação física que lhe faça ter certeza de que Ele existe! É um caminho bem mais fácil do que o da fé.

Muitas vezes, quando meus amigos vinham ver-me, eles começavam a chorar por causa da presença do Espírito Santo.

Agora me diz: quantas pessoas cheias do Espírito Santo, que você conhece, fazem seus amigos chorarem ao se aproximar? Eu te digo quantas conheço: nenhuma. Nem vemos isso na Bíblia. Note que ao mesmo tempo em que se esforça para parecer “humilde”, e que diz que você também pode ter aquela “unção”, Benny Hinn faz questão de se colocar em uma posição tão superior ao restante da humanidade, para jamais ser questionado.

Infelizmente, as pessoas têm sido facilmente enganadas pelas emoções, pelas sensações. O Espírito Santo não é uma sensação, um sentimento ou um amigo imaginário. Se você se contentar com isso, será para sempre enganado por um espírito que nada tem de santo, perdendo a oportunidade de ter uma experiência real com o verdadeiro Espírito Santo, através da fé racional. Se você tentar desenvolver uma intimidade com Deus através desses esforços emocionais, não conseguirá.

É um livro que eu considero perigoso para a fé. Primeiro, porque há um espírito ali. Um espírito enganador. Mistura verdade com mentira, coisas certas com coisas erradas e pode fazer uma grande confusão na cabeça de quem é sincero. Se quiser ter um relacionamento íntimo e verdadeiro com o Espírito Santo, busque diretamente nEle, e não queira ter experiências “como as de fulano”, nem se deslumbre com pirotecnias espirituais.

Não adianta um livro que fale coisas lindas a respeito do Espírito Santo se não é do Espírito Santo que ele está falando. Pode dizer coisas lindas, mas misturadas a outras que te trarão mais para perto de experiências emocionais e carnais (ou mesmo demoníacas) do que exatamente espirituais.

É o grande problema da igreja evangélica atual: a busca por emoções e sensações que não preparam a ninguém para os problemas que eventualmente irão enfrentar, apenas abrem espaço para espíritos estranhos. Cristãos emocionais são fracos, confusos, muitos acabam escravos de medicamentos para depressão e estresse ou não conseguem perdoar ao serem vítimas de alguma injustiça. Tudo isso porque as emoções foram alimentadas por tanto tempo que se tornaram a maior força na vida dessas pessoas e abriram espaço para atuação do mal em suas vidas.

Queimei o livro. Sim, não tenho coragem de jogar no lixo porque vai que alguém pega e lê? E antes que alguém me venha com “reter o que é bom”, você vai ler um livro com um conteúdo antibíblico e reter o que é bom? É como se eu lesse, sei lá, “A Bíblia de Satanás” e dissesse que vou “reter o que é bom”. Vamos aprender a não retirar os versículos de seu contexto. Paulo diz: “Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal” (I Tessalonicenses 5:20-22)

Vanessa Lampert

ATENÇÃO, ANTES DE COMENTAR, LEIA:

Se você ficou com muita vontade de me dizer que estou blasfemando contra o Espírito Santo ou que o Espírito Santo age de forma diferente com cada pessoa, por favor, leia esse textinho aqui ANTES de comentar, sobre o Espírito Santo: clique aqui para ler.

Comentários com xingamentos tradicionais ou com xingamento gospel, do tipo “Deus tenha misericórdia de você” (acredite, Ele tem. E de você também) não serão aceitos.

E, sim, eu tenho o direito de alertar que o espírito de Kathryn Kuhlman (que foi o que Benny Hinn pediu que entrasse nele) não é de Deus. Estou julgando com base na Bíblia, que é a forma certa de se julgar, segundo as Palavras de Jesus: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (João 7.24).

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PS: Lembrei desse post aqui (clique para ler).

PS2: Vocês já perceberam que todos esses livros que estamos analisando na série “Livros que não são o que parecem” têm as mesmas características? Foco na emoção, linguagem sentimental e manipuladora e distorções da verdade?

Originalmente publicado no blog Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.

Livros que não são o que parecem – A Cabana

“A Cabana” (“The Shack”, Editora Arqueiro), de William P. Young, é um dos livros mais citados nos comentários desta coluna. O pior desse livro, na minha opinião, é que também é fácil achá-lo interessante, desde que você esteja suficientemente desatento ou não tenha nenhuma opinião sólida a respeito dos assuntos abordados. Devo confessar que a única coisa de que me lembro da primeira leitura que fiz deste livro (séculos antes de ter esta coluna e, portanto, sem muito senso crítico) é de ter pensado: “puxa, como esse cara conseguiu enfiar um livro tão religioso na estante de romances seculares?” Lembro-me de que era uma metáfora (ou entendi como se fosse), uma fábula, e que falava sobre ter um relacionamento com Deus. Fora isso, me recordo de não ter gostado do tom excessivamente emocional. Não me lembrava de mais nada (por que será que gosto de“romances de amnésia”?).  Mas na segunda leitura me perguntei por que da primeira vez não joguei “A Cabana” pela janela. Não me deixem esquecer.

Mack é casado e teve três filhos. Sua mulher é uma cristã fervorosa, participa das atividades de sua igreja e chama Deus de “Papai”. Durante um acampamento em família, uma tragédia acontece: Missy, a filha mais nova de Mack, é raptada e assassinada em uma cabana. Anos se passam e Mack continua em depressão por conta do crime, pois não se conforma com a crueldade que lhe roubou a criança de cinco anos, e se ressente de Deus. Certo dia, recebe um bilhete:

Mackenzie

Já faz um tempo. Senti sua falta. Estarei na cabana no fim de semana que vem, se você quiser me encontrar.

Papai.

Como Mack matou o pai alcoólatra e abusivo quando era adolescente, aquele bilhete é ainda mais perturbador. Após alguma hesitação, vai até a cabana onde sua filha foi assassinada. Adormece, e quando acorda, ela está totalmente diferente e habitada por três estranhas criaturas. São os três piores personagens do livro,  mal construídos. Era para ser a trindade. Deus Pai aparece em forma de uma “negra enorme”, nas palavras do autor. Ela o abraça, espalhafatosa e caricata. A explicação para que apareça em forma feminina é até plausível:

“Se eu me revelasse a você como uma figura muito grande, branca e com aparência de avô com uma barba comprida, simplesmente reforçaria seus estereótipos religiosos. É importante você saber que o objetivo deste fim de semana não é reforçar esses estereótipos.”

Ok, tem alguma lógica nessa desculpa. O problema é que não é apenas uma questão de aparência para “quebrar o gelo” ou “não reforçar os estereótipos”. A mulher cantarola, assa bolinhos, e todo seu comportamento me fez pensar: “que deus mais dissimulado, falso, fica o tempo inteiro representando um papel…o que aconteceu com o ‘Eu sou o que sou’?”. Eu tive essa impressão de dissimulação o tempo todo.

Mack está angustiado, procurando respostas para a tragédia que se abateu sobre a sua família, mas não as encontra nunca. Sempre que faz alguma pergunta, recebe respostas evasivas e emocionais. Aliás, linguagem do livro é totalmente emotiva.

Ah, eu já ia me esquecendo do restante da trindade. O “Espírito Santo” é representado como uma mulher asiática chamada Sarayu…a descrição me trouxe à mente algo próximo a uma fadinha: ”

“Ela parecia tremeluzir na luz e seu cabelo voava em todas as direções, apesar de não haver nenhuma brisa. Era quase mais fácil vê-la com o canto do olho do que fixando-a diretamente”.

Amigos, meu cabelo também voa em todas as direções, mas resolvo rapidinho com um bom creme sem enxague. Não entendi muito bem qual é a real utilidade desse ser, e pelo visto, o autor também não. Ela fica tremeluzindo para lá e para cá, recolhendo lágrimas com um pincel (para colecionar), mexendo no jardim e fazendo discursos melosos e desconexos. Realmente, não tem nada a ver com o Espírito Santo que eu conheço

Aí me lembro de quando o Espírito de Deus se apossava de Sansão…a Bíblia diz que ele matou um leão com suas próprias mãos, lembra? E mil homens com uma queixada de jumento. Imagino essa figura Sarayu se apossando de Sansão e o herói rodopiando entre seus inimigos, dançando e recolhendo lágrimas…ou fazendo carinho no leão e oferecendo o braço para ser comido.

E Jesus…bem, o Jesus de “A Cabana” me pareceu um bobalhão inexpressivo, apesar do “Papai” do livro dizer que Ele é o centro de tudo, não dá para entender o porquê.

“O homem, que parecia ter 30 e poucos anos e era um pouco mais baixo do que Mack, interrompeu:
– Tento manter as coisas consertadas por aqui. Mas gosto de trabalhar com as mãos, se bem que, como essas duas vão lhe dizer, sinto prazer em cozinhar e cuidar do jardim.”

Jesus gosta de cuidar do jardim. E o jardim são as almas humanas. Nem preciso dizer o que me veio a cabeça: Jesus é o Jardineiro…

Eu já disse em outro texto que tenho um bom raciocínio lógico, não é? Isso tem um efeito colateral. Sabe aquele amontoado de frases bonitas, emocionais, mas sem muito sentido, que as pessoas leem e dizem: “nossa, que lindo?” Eu não consigo achar lindo. Só o que vejo é que elas não fazem sentido. Sou o tipo de gente que se ouvir uma melodia linda, mas com uma letra horrível ou sem nexo, não vai gostar da música. E posso gostar de uma música com melodia ruim, desde que tenha uma letra inteligente.

“A Cabana” tem uma melodia feita para emocionar, mas a letra é confusa e sem nexo. Mack tenta pensar, mas “deus” faz com que ele sinta. Tudo é sobre o amor, mas não o amor que a Bíblia descreve e explica, e sim, o amor-sentimento. Você  pode achar lindo, pode parecer que é um deus condescendente, que dá para encaixar mais facilmente na caixinha que tem em cima do criado-mudo, mas não é o verdadeiro Deus.

“Deus, que é a base de todo o ser, mora dentro, em volta e através de todas as coisas”

Isso é dito pelo “jesus” de William Young. Me parece uma definição emprestada de alguma linha esotérica. Deus mora dentro, em volta e através de todas as coisas? Quando eu leio “de todas as coisas” minha tendência é pensar nas coisas mais esdrúxulas, mais ruins. Deus mora dentro, em volta e através disso também? Deus é puro, santo e justo. Se a Bíblia não diz que Ele mora dentro de todas as pessoas, vai morar dentro de todas as coisas?

”Quando nós três penetramos na existência humana sob a forma do Filho de Deus, nos tornamos totalmente humanos”

A teoria aqui é que a trindade estava encarnada em Jesus, 100% humano. O que faria com que o universo inteiro ficasse sem Deus por 33 anos. Imagine o que o diabo não faria com um universo desgovernado em suas mãos por 33 anos? Mas isso não é problema para o deus de “A Cabana”, pois o diabo não é sequer mencionado. E outra, se fosse assim, Jesus precisaria orar ao Pai? E falaria do Pai e do Espírito Santo em terceira pessoa?

O deus de Young diz:

“Há milhões de motivos para permitir a dor, a mágoa e o sofrimento, em vez de erradicá-los, mas a maioria desses motivos só pode ser entendida dentro da história de cada pessoa.”

Primeiro: há milhões de motivos, mas ele não cita nenhum. Se era o caso de dizer que dependia da história da pessoa, poderia ter começado pela história do próprio Mack. O que eu entendo desse trecho é que Deus permite o sofrimento por um motivo, para um resultado positivo…a ideia de “provação” ou “karma” poderia ser empregada aqui. Ideia totalmente equivocada. O confuso autor tenta explicar o que não entende.

Por enquanto só quero que você esteja comigo e descubra que nosso relacionamento não tem a ver com seu desempenho nem com qualquer obrigação de me agradar.

Quer dizer que é possível ter um relacionamento com Deus sem agradá-lo? Que tipo de relacionamento é esse que não tem a ver com nosso desempenho ou esforço? Que porta larga é essa? Nenhum relacionamento verdadeiro se sustenta sem o esforço de agradar ao outro, nenhum relacionamento independe de desempenho, só o emocional, vazio e inócuo que o deus Young tenta vender aos leitores.

Não sou um valentão nem uma divindade egocêntrica e exigente que insiste que as coisas sejam feitas do jeito que eu quero. Sou boa e só desejo o que é melhor para você. Não é pela culpa, pela condenação ou pela coerção que você vai encontrar isso. É apenas praticando um relacionamento de amor. “

Esse é o “estilo literário” do próprio diabo, distorcendo a verdadeira imagem de Deus. Lembro das palavras do espírito maligno que apareceu para o amigo perturbado de Jó:

“Eis que Deus não confia nos seus servos e aos seus anjos atribui imperfeições” (Jó 4:18)

Analise a lógica distorcida do diabo. Na opinião dele, não foi ele quem caiu, não foi ele que errou, Deus é que lhe atribuiu imperfeições! Esse mesmo raciocínio pode dizer que Deus exige que as coisas sejam feitas da maneira correta não porque Ele é santo e justo, mas porque Ele é “uma divindade egocêntrica e exigente”.

Por fim, Mack encontra os mortos. Primeiro, vê sua filha e…sentimentalismo, sentimentalismo…depois, encontra seu pai (o que ele está fazendo no céu? Boa pergunta. Nesse livro, todo mundo vai para o céu), em um dos capítulos mais esquisitos do livro.  Te convido a analisar de maneira fria e cerebral o seguinte trecho:

Quando chegou a Sarayu, ela o abraçou também e ele deixou que ela o segurasse enquanto continuava a chorar. Quando recuperou uma leve tranqüilidade, virou-se para olhar de novo a campina, o lago e o céu noturno. Um silêncio baixou. A antecipação era palpável. De repente, à direita, saindo da escuridão, surgiu Jesus e o pandemônio irrompeu. Ele vestia uma roupa branca e usava na cabeça uma coroa simples de ouro, mas era, em cada centímetro do seu ser, o rei do universo.

Note a carga emocional desse trecho. Ela o abraça, ele chora…depois as descrições sensoriais: cita a tranquilidade, faz o leitor “ver” a campina, o lago e o céu noturno (céu noturno, para que você também “veja” as estrelas em sua imaginação), depois faz o leitor “escutar” o silêncio.  ”A antecipação era palpável” te traz uma sensação de expectativa. “De repente” te traz uma nova e súbita visão. Ok, é um romance, é necessário utilizar recursos que evoquem emoções e sensações no leitor, porém quando o livro não tem nada além disso, passa a ser um problema: Você está sendo manipulado. Entendendo isso, analise a sequência:

Seguiu pelo caminho que se abriu à sua frente até chegar ao centro – o centro de toda a Criação, o homem que é Deus e o Deus que é homem. Luz e cor dançavam e teciam uma tapeçaria de amor para ele pisar. Alguns choravam, dizendo palavras de amor, enquanto outros simplesmente permaneciam de mãos levantadas. Muitos daqueles cujas cores eram as mais ricas e profundas estavam deitados com o rosto no chão. Tudo que respirava cantava uma canção de amor e agradecimento sem fim. Nessa noite o universo era como devia ser.

Sensorial, sentimental…Quando ele fala de “luz e cor” é porque, segundo ele, a personalidade e as emoções das pessoas são visíveis espiritualmente como cor e luz. Agora me diga, please, o que raios significa “Luz e cor dançavam e teciam uma tapeçaria de amor para ele pisar”?  Temos aqui uma construção que traz sonoridade…e só. Como uma melodia com letra desconexa, mas se você prestar atenção, é uma melodia pobre, vazia. Parece bonita, mas nem isso é. E assim eu vejo todo esse parágrafo. Mas o próximo é pior:

Quando chegou ao centro, Jesus parou para olhar em volta. Seus olhos pousaram em Mack, que, parado na pequena colina, ouviu Jesus sussurrar em seu ouvido:
— Mack, eu gosto especialmente de você. – Foi tudo que Mack conseguiu suportar enquanto caía no chão dissolvendo-se numa onda de lágrimas jubilosas. Não podia se mexer, preso no abraço de Jesus, feito de amor e ternura.

Amigos, vejo uma fanerose aqui? Mack “caiu no poder”? Fora isso, note a quantidade de sentimentalismo e termos sensoriais. Sem contar a breguice das frases, me desculpe, mas “Dissolvendo-se numa onda de lágrimas jubilosas”…”feito de amor e ternura”…bleargh.

Não vou me estender sobre os recursos literários que me irritam em Young, porque o conteúdo do livro já o desqualifica como leitura, então não adianta eu te dizer que ele não é bem construído. O perigo é ele fisgar o coração dos leitores e convencê-los de que aquilo que ele descreve é Deus.

Para escrever sobre “A Cabana”, dei uma olhada em alguns comentários de pessoas que o leram e fiquei assustada. Muitos mudaram sua forma de enxergar Deus por causa do livro! Isso é muito sério! As pessoas tomam a ficção como se fosse verdade, acima até da Bíblia. Isso é resultado apenas de uma coisa: do tipo de fé que estão acostumadas a ter. Se a sua fé é emocional, você vai se deleitar com as frases melosas desse livro, vai desejar estar naquela Cabana, com aqueles seres “fantásticos”.
Mas o resultado disso é que se verá orando para, adorando a, e desejando se relacionar com um personagem que não é Deus. Na melhor das hipóteses, é somente criação da mente confusa do autor. E na pior das hipóteses é a entidade que inspirou tudo isso. Em qualquer uma das opções, perderá a oportunidade de conhecer o verdadeiro Deus e dará sua adoração a outro. E quando falamos de salvação eterna, isso, meus amigos, é mais do que perigoso.

Vanessa Lampert

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UPDATE: Troquei a imagem do post, porque me dei conta de que tem gente tão desatenta, mas tão desatenta (ou tem preguiça de ler), que nem o título lê direito, vê apenas a imagem da capa e acha que é a Cristiane  indicando o livro! Assim, se não quiserem ler, pelo menos perceberão que eu não estou indicando o livro (muito menos a Cristiane!).

Originalmente postado no blog Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.

Livros que não são o que parecem – Conversando com Deus

Geralmente eu dou dicas de livros legais ou, se não gostei, deixo claro que é minha opinião e que você deve ler para formar a sua. Mas esta resenha é de “Livros que não são o que dizem ser”, para que você não perca o tempo que eu perdi lendo coisas que vão contra a nossa fé ( nem sempre isso fica claro no título e na sinopse). Óbvio que não vou deixar de fazer resenhas de bons livros, pois esse é o objetivo desta coluna, mas de vez em quando colocarei esses da série “Parece, mas não é”. Existem muitos nessa categoria, não vou sair catando esse tipo de livro, falarei apenas dos que estão mais em evidência e correm o risco de cair nas mãos de pessoas sinceras, que estejam na fé e acreditem que encontrarão algum alimento espiritual ali.

Começo com o “Conversando com Deus” (Conversations with God), que não é novo, mas está sempre em evidência porque o filme de mesmo nome circula como “filme gospel” e “filme cristão” e é um chamariz para o livro. É uma série de três livros, escrita por Neale Donald Walsch. Como eu disse, o negócio virou até filme e eu já soube de crentes que deram esse livro de presente, achando que era algo evangelístico!!!

Vi cristãos indicando esse livro, provavelmente por terem gostado do filme. Olha aí o que a fé sem a inteligência faz. Como você vai doar um livro que não leu?? Como vai indicar algo que não conhece? Quando doa um livro, você está assinando embaixo das palavras do autor, a pessoa que o recebe confia em você e por isso irá ler. E talvez até comente contigo quando vocês se encontrarem novamente, para tirar alguma dúvida…e com que cara você vai dizer: “ahnnn…desculpe, mas eu não li o livro que te dei”!

Bem, vamos lá. O que esse livro diz que é? Vamos ler a sinopse do livro 1: “Imagine que você pudesse conversar com Deus. E, nessa conversa, abordar os temas que mais o inquietam, animam, alegram e entristecem. Questões das mais íntimas às mais gerais: do amor ao sexo, da vida à morte, da família às relações com o desconhecido. Em Conversando com Deus, Livro I: Um diálogo sobre os maiores problemas que afligem a humanidade, o autor revela que essa conversa é possível. “

Uau, parece interessante, não? Parece até cristão! Mas não é. Achei que fosse uma obra literária em que o autor colocasse as respostas que supostamente Deus daria, ou que encontraria uma forma criativa de fazer o leitor sentir-se em um “diálogo” com Deus. Mas nããão! O cara foi visitado por uma entidade que se apresentou como Deus (Sessão de descarrego nele!):

Para minha surpresa, quando escrevia a última das perguntas amargas e irrespondíveis e me preparava para pôr de lado a caneta, minha mão permaneceu fixa sobre o papel, como se mantida ali por uma força invisível. De repente, a caneta começou a mover-se sozinha. Eu não tinha a menor noção do que iria escrever, mas uma idéia pareceu surgir, por isso decidi deixá-la vir.

Fala sobre um caminho largo, diz mentiras e distorce verdades de um jeito bastante sinistro. Apoia a instituição de um governo mundial, a reencarnação e se propõe a substituir a Bíblia, pois, segundo a entidade, a Bíblia “não é uma fonte competente”. (O livro do cara que você nunca viu na vida, segundo a entidade, é que é uma fonte competente, veja só.)

Vejamos alguns trechinhos. Esse “deus” diz:

“Minha forma mais comum de comunicação é através do sentimento. O sentimento é a linguagem da alma. Se quiser saber o que é verdade para você em relação a alguma coisa, veja como se sente em relação a ela.”

Imagina? Isso é o que o ser humano que não conhece a Deus quer ouvir! Imagina só, Deus falando que você deve escutar o seu coração! Tão fácil! Mas nada poderia ser mais equivocado. O verdadeiro Deus nos ensina, na Bíblia, que o coração é “enganoso e desesperadamente corrupto”. Nossos sentimentos são tão volúveis que se eu fosse aplicar isso na minha vida, o que é verdade para mim hoje poderia não ser amanhã, dependendo do que eu sentisse! Vai nessa e daqui a pouco você estará protagonizando as maiores asneiras da sua vida (que é o que acontece quando a gente anda pela emoção).

O verdadeiro Deus fala através do intelecto, da mente, da fé racional, e não do sentimento. Quem fala através do sentimento é quem quer manipular o ser humano. É o que o autor desse livro faz com seus leitores.

Fique atento aos seus sentimentos, aos seus Pensamentos Mais Elevados e à sua experiência. Sempre que qualquer um deles for diferente do que lhe ensinaram seus mestres, ou do que leu em seus livros, esqueça-se das palavras. As palavras são a fonte menos confiável da Verdade.

Isso é o que a entidade diz para justificar-se do fato de o que ela escreve ser antibíblico. Segundo ela, os sentimentos, os “pensamentos mais elevados” (que nada mais são do que sensações) e experiência devem ser colocados acima da Bíblia e do que você aprendeu sobre Deus. Suas experiências de poucos anos de vida valem muito mais do que a Palavra de Deus, que tem milhares de anos. Isso não me parece inteligente. Na verdade, é algo bastante estúpido. Sem contar que…o que aconteceu com o “A Tua Palavra é a verdade” (João 17:17)? Jesus, em sua oração ao Pai, diz que “A palavra é a verdade” aí o livro de Neal diz “as palavras são a fonte menos confiável da verdade”. Quem tem mais crédito?

Segundo a entidade, o inferno não existe (nem demônios, afinal de contas, é bem mais interessante para ela que você acredite nisso). E tenta justificar isso dizendo que Ele não é vingativo e não nos puniria com tormento eterno. Mas a Bíblia nos diz que Deus não criou o inferno para punir o homem, e sim para lançar o diabo e os demônios. O homem foi criado perfeito e destinado a viver a eternidade com Deus. O inferno só passou a receber almas humanas depois que o diabo conseguiu enganar o homem e levá-lo a achar que poderia ser igual a Deus se O desobedecesse.

O inferno não é punição pelos pecados, é consequência de uma vida afastada de Deus. E tanto Deus (o verdadeiro Deus) não quer isso, que enviou Seu Filho para nos substituir, pagando o preço que nós deveríamos pagar e nos absolvendo, nos dando a única oportunidade de passar a eternidade com Deus. Isso é o que o verdadeiro Deus explicaria, pois foi isso o que Ele deixou claro em Sua Palavra.

O que acha desse “deus”?:

O mal é o que você chama de mal. Contudo, até mesmo isso Eu amo, porque é apenas através do que você chama de mal que pode conhecer o bem; apenas através do que chama de obra do demônio que pode conhecer e realizar a obra de Deus. (…) Eu não amo o “bem” mais do que o “mal”. Hitler foi para o Céu. Quando compreender isso, compreenderá a Deus.

O livro é cheio de confusão e tão emocional que dispensa o raciocínio (exceto o distorcido). Ele diz que o pecado não existe, que certo e errado é conceito subjetivo, que não existe inferno, nem demônio, não é? Mas em determinado momento (nas raras vezes em que O menciona) diz que Jesus permitiu ser crucificado para ser a salvação eterna do homem. Mas salvação de quê? Se não existe pecado, se não existe inferno, se a Bíblia está errada quando diz que “ao homem é dado morrer só uma vez, e depois disso, vem o Juízo” (Hebreus 9:27), que salvação é essa? Como salvar a quem não está perdido?

Você teve 647 vidas passadas, já que insiste em que Eu seja exato. Essa é a de número 648.

A gente ri agora ou depois? A entidade apoia a reencarnação, mas o livro nem espírita é, já que diz que as reencarnações não servem para aprender nada. Quer porta mais larga do que essa? Você só tem de fazer o bem, plantar amor, viver por suas emoções e tentar ouvir a Deus em seus sentimentos! Aí você, cristão bem intencionado, resolve dar esse livro de presente para alguém que está precisando de Deus e essa pessoa, já confusa, encontra uma entidade que semeia mais confusão ainda! Como sempre o diabo escancara a porta, para que as coisas fiquem bem fáceis, envenena a pessoa contra a Verdade da Palavra de Deus porque o que ele realmente quer, o que realmente interessa para ele, é ganhar a alma dessa pessoa, depois da morte. Se conseguir enganá-la até lá, está no lucro. Para isso, ele se passa até por espírito de luz, como diz a Bíblia.

Para tirar todas as dúvidas a respeito da identidade do ser que inspirou esse livro (e que quer se fazer passar por Deus), me diga quem diria isso:

“O que tem sido descrito como a queda de Adão, na verdade foi o seu erguimento – o maior evento isolado da história da humanidade. Porque sem ele, o mundo da relatividade nunca existiria. O ato de Adão e Eva não foi o pecado original. Na verdade foi a primeira bênção. “

Quem você acha que enxerga a queda de Adão como “uma bênção”? E como “o maior evento isolado da história da humanidade”?

Como descobri esse livro? Eu já sabia da existência dele e do filme, mas não sabia do que se tratava. Então encontramos alguns filmes “gospel” que ainda não tínhamos visto, inclusive este. Eu e meu marido estávamos assistindo ao filme. Bem antes da metade (acho que assistimos a um terço da produção), estranhamos o fato de estar tão arrastado, irritante, emocional…então deixamos o filme de lado e fui procurar o livro, para ver do que se tratava.  Nem ia escrever tanto, mas esse é o concentrado do pensamento que está espalhado no mundo, inclusive nas igrejas evangélicas (fora a parte da reencarnação).

As estratégias do diabo são sempre as mesmas. Muitos livros  têm alguns veneninhos desses, tipo “siga seu coração”, “sentir a Deus”. Neste ele concentrou tudo e foi bem descarado, mas muitos livros que se dizem cristãos têm um ou outro fragmento dessa mesma linha de pensamento, envenenando a sua fé. Achei importante explicar esses pontos básicos, mas esse tipo de livro não merece leitura, muito menos de três volumes! Seu tempo é precioso, amigo. Li apenas parte do primeiro livro, pois quando ficou bem óbvio para mim que aquela entidade não era Deus, decidi que não perderia meu tempo lendo o que ela ditou, né? Merece ficar falando sozinha pela eternidade no lago de fogo e enxofre.

Vanessa Lampert

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PS: No período de Jejum de Daniel, li e resenhei aqui e na Folha Universal apenas livros cristãos e sei que não existe melhor época para você se esbaldar de literatura cristã. Muitos conseguirão desenvolver e consolidar o hábito de leitura justamente por causa do propósito. Mesmo tendo terminado, sugiro que inclua isso em seus jejuns, principalmente se você tem preguicite aguda ao chegar perto de um livro! Se esse é o seu problema, veja  o artigo: Como vencer a preguiça de ler.

No entanto, como eu já havia dito no post Alimentação Literária, nem tudo que se existe para ler é espiritualmente nutritivo. E entre os livros que se dizem cristãos, isso é especialmente verdadeiro. Resolvi citar alguns entre os mais badalados, para que ninguém se contamine com vinho estragado embalado em rótulo bonito.

Originalmente postado no Blog Cristiane Cardoso (clique aqui para ver a postagem original).