Casamento Blindado

Sumi. Tive bons motivos para isso, mas nada justifica uma longa ausência, se eu conseguisse me organizar um pouco melhor, com certeza estaria presente em vários lugares ao mesmo tempo. Mas ainda chego lá, se depender do esforço que tenho feito, em breve serei capaz disso. :-)

Um dos motivos foi o trabalho. Além do livro que estou escrevendo e que pretendo publicar (vocês saberão mais a respeito assim que ele estiver mais encorpadinho), tive a oportunidade de ajudar tanto na preparação dos originais quanto nas últimas revisões do Casamento Blindado. Quando acredito em alguma causa, ela se torna parte de mim. Foi assim com este livro.

Primeiro porque a cada capítulo que o Renato escrevia, eu me impressionava. Não só pela linguagem leve e fluida, mas pelo conteúdo. (Quem acompanha o blog dele, sabe que ele escreve muito bem. Da Cristiane eu nem preciso falar, já que quem acompanha esta coluna conhece bem os livros dela e seu jeito cativante de escrever, como se conversasse conosco tomando uma xícara de chá.) Lembram do texto “Alimentação Literária”? Pois é, “Casamento Blindado” é superalimento, mega nutritivo, uma Quinoa Real literária. O livro traz informações preciosíssimas, que me ajudaram não apenas a blindar meu casamento, mas a melhorar quem eu sou por dentro. O impacto foi positivo até em meu relacionamento com as outras pessoas.

Participamos do curso Casamento Blindado em novembro. Por isso, posso dizer: no livro, Renato e Cris não escondem o jogo, não escondem nada, toda a direção está lá, de forma clara e simples, para ser raciocinada e praticada. Mesmo que você já tenha feito o curso, vale a pena investir no livro. Compre, leia e depois me diga se eu não estava certa.

O livro “Casamento Blindado” vai na contramão de tudo o que o mundo prega, mas traz ensinamentos práticos, que realmente funcionam. De que adianta ficar agarrado aos seus velhos paradigmas que nunca o levaram a lugar nenhum? Ou que o levaram a um lugar de desgosto, tristeza e sofrimento? Tenho certeza de que se meus pais, meus avós e meus tios tivessem tido acesso ao “Casamento Blindado”, a história da minha família seria outra. Acredito que muitos deles ainda estariam vivos, tamanho o impacto de um casamento destruído na vida de uma pessoa.

Este livro vale não só por sua qualidade literária, mas pelas informações que ele traz, muito mais preciosas do que ouro. Entrou para a minha seleta lista de “tesouros literários”, daqueles que você pode (e deve) comprar para distribuir entre familiares e amigos (quem for inteligente, vai aproveitar cada parágrafo!), mas deve manter o seu, para reler e consultar sempre que necessário.

E digo mais: não é só para casados, não! É para homens e mulheres, casados, solteiros, viúvos, divorciados, pessoas com problemas, pessoas que querem evitar problemas, ou pessoas que querem ajudar pessoas com problemas. Não é apenas para os casados, pois as informações do livro são abrangentes, ajudam em todas as áreas: nos relacionamentos em geral, a ter uma vida equilibrada. Um verdadeiro manual em direção a se tornar uma pessoa melhor. Estou falando, o livro é completo!

Acompanhei o esforço e o amor que Renato e Cristiane colocaram na confecção desta obra, e tenho certeza de que toda essa dedicação em levar até os leitores informação preciosa, com o único intuito de ajudá-los a ter um casamento sólido e protegido, será honrada através da transformação de vidas e de milhões de depoimentos espontâneos que receberemos daqueles que colocarem em prática o que lerem nas 272 páginas (eu sei de cor quantas têm…rs…nem precisei olhar no livro) do Casamento Blindado.

O livro será lançado pela editora Thomas Nelson Brasil, já está em pré-venda no Arca Center (clique aqui para ver), a partir do dia 1° de Julho estará  em todas as IURDs e também será vendido em livrarias.

ATUALIZAÇÃO: O livro foi relançado em edição revista e atualizada, com mais conteúdo, e está sendo vendido em todas as livrarias. E você encontra o livro físico e o ebook na Amazon. Clique aqui para ver. 

PS: A Thomas Nelson Brasil é um selo do grupo Ediouro. O livro já aparece no catálogo no site da editora. :-)

PS2: Olha a pessoa feliz! Eu já tenho o meu! :-)

Vanessa Lampert

Meu Blog:

http://www.lampertop.com.br

Você também me encontra no Twitter

E no Facebook

 

O melhor de mim*

Li este livro por indicação de uma amiga, ela gostou muito e queria saber minha opinião. Achei importante escrever esta resenha porque 99% das opiniões que li a respeito deste livro diziam a mesma coisa: o contrario do que eu achei.

Primeiro, todo mundo disse que se emocionou com o livro, que se debulhou em lágrimas… não tenho tanta facilidade assim para chorar. E me pergunto: o que leva alguém a gostar de um livro que lhe faz chorar convulsivamente? Uma lagriminha aqui outra ali, a gente até entende, mas eis algo que você não deve exercitar em sua vida: o sentimentalismo extremo. Prefira livros que não dependam 100% do seu coração para viver…podem até te emocionar, dentro dos limites da normalidade, mas não devem ser escritos com o único objetivo de arrancar lágrimas do leitor, como parece ser o caso de “O melhor de mim” (The best of me), de Nicholas Sparks, Editora Arqueiro. (Alguns spoilers na resenha, mas nada que mate sua leitura.)

Quando contei a história do livro para o meu marido, ele arregalou os olhos e disse “Credo, que cara azarado!” – referindo-se a Dawson, o pobre protagonista. Uma ou outra desgraça é normal, mas uma sequência infinita de desgraças faz do livro uma novela mexicana difícil de engolir. Muitos clichês, personagens estereotipados, narrativa fraca, a história previsível do começo ao fim e um final que me fez revirar os olhos e dizer: “Sério que você vai terminar assim, Nicholas?” Eu já tinha adivinhado o final pouco depois da metade do livro.

Li recentemente um livro mais antigo desse autor, “Diário de uma paixão”, e o declínio é visível. “Diário” tem uma trama sólida, a historia parece ter um objetivo e você entende a evolução do relacionamento do casal de protagonistas.  Já com Dawson e Amanda você não vê essa evolução. Os dois se apaixonam na adolescência e vivem um namoro proibido, pois ela é de uma família tradicional e ele é o rapaz bonzinho que nasceu em uma família de criminosos e sofre preconceito na cidade por seu sobrenome. Acabam terminando o relacionamento porque ele não quer atrapalhar a vida da moça. Ela vai para a faculdade, onde conhece Frank e se casa.

Dawson acaba preso por atropelar acidentalmente o único médico da cidade (drama + drama). Depois de cumprir pena, o rapaz vai morar sozinho e trabalhar em uma plataforma de petróleo, que acaba explodindo (o que não faz a menor diferença na história, é só para marcar o momento em que Dawson começa a ver um vulto –  sessão do descarrego nele! – e acrescentar drama).

A narrativa é mais contada do que mostrada (é a diferença entre ouvir alguém contar uma história e participar dela). Pouco esforço em envolver o leitor na cena faz com que ele sinta a solidão de Dawson, ao ser colocado para escanteio pelo autor. Infelizmente, não foi proposital, não se trata de estratégia literária.

Dawson e Amanda se reencontram quando um grande amigo dos dois morre. Então você vê o-que-não-é-amor aflorando imediatamente. Amanda está casada com Frank, um alcoólatra, com quem tem três filhos (tiveram quatro, mas uma morreu de câncer no cérebro ainda muito pequena…novela mexicana mode on). O casamento está em crise e ela revê seu namorado de adolescência. O livro passa aquela ideia falsa do amor-sentimento, que nasce e cresce sozinho…também passa a ideia de que Dawson e Amanda foram “feitos um para o outro”  e que ele é seu “verdadeiro amor”.

Você não pode amar alguém que você não conhece, isso não é amor. Como Amanda pode “amar” um cara que ela mal conhece? Mesmo que algum dia realmente tenha amado Dawson, depois de 20 anos ele não é mais o homem que ela conheceu. E vice-versa.  O mundo está acostumado a ver o amor desta maneira e por isso há tanta gente frustrada sentimentalmente. Mas ok, isso é ficção, e se o livro fosse bom talvez nem me importaria tanto.

Me perguntaram se “O melhor de mim” seria classificado como “literatura fast-food”. Eu diria que ele está mais para fast food com alucinógenos. Talvez uns cogumelos suspeitos tenham substituído o champignon. Porque se você se envolver com o livro, pode se pegar fazendo coisas que jamais faria na vida real, por exemplo, torcendo para que Amanda traia o marido, abandone a família e fique com um homem que lhe é completamente desconhecido.

Mesmo que isso não faça a menor diferença para mim ou para você, eu não consigo deixar de pensar que esse é o tipo de romance que se une às novelas e aos filmes de Hollywood para reforçar a imagem equivocada do amor, alimentando fantasias inúteis na cabeça de muitas mulheres (principalmente). Sem contar o fato de exercitar o sentimentalismo exacerbado ao trazer lágrimas sem o menor propósito.

Li em algumas resenhas a respeito do caráter de Dawson…ele não guarda ressentimentos, mesmo passando por terríveis injustiças…realmente, é o personagem mais interessante da trama…se não for o único. Mesmo assim, também não foi bem construído e não é suficiente para sustentar o livro.

O que esse livro traz, no final? Nada. Nenhum conteúdo verdadeiro, nada a acrescentar de realmente bom.  A menos que você tenha conseguido se emocionar e ache que isso é positivo em algum aspecto.

PS: No final do livro tem a propaganda de “O Casamento” (The Wedding), de Nicholas Sparks, que ainda não li, mas fiquei curiosa para ler. Não pensem que Nicholas Sparks é o pior escritor do universo, não é, ele sabe escrever. O problema é que quando um escritor faz um livro com o único objetivo de mexer com os sentimentos do leitor, corre o risco de errar a mão. Não conheço todo o trabalho desse autor, mas espero que esse tipo de coisa seja exceção.

Vanessa Lampert

Meu Blog:

http://www.lampertop.com.br

Você também me encontra no Twitter

E no Facebook

* Resenha originalmente publicada em:http://www.cristianecardoso.com/pt/portfolio/livros/

Crentes Possessos*

“Crentes Possessos” (Possessed Believers), da Editora Unipro, é uma daquelas raridades que você deveria ter em um baú ao lado da cama, como um tesouro. Confesso que demorei a me interessar por ele porque o título não me atraiu. Apesar de eu conhecer uma porção de crentes possessos (e de tê-los conhecido a vida toda — ouvindo vozes, vendo vultos, fazendo adivinhações, falando da vida alheia, nervosos, vazios, confusos, infelizes no amor, depressivos e doentes…tudo isso junto ou separado — já que nasci em “berço evangélico” e frequentei mais igrejas do que deveria), ler sobre eles não era meu sonho de consumo naquele momento. Foi minha mãe quem me deixou curiosa (ela é expert nisso): “Vanessa, você tem que comprar esse livro, é muito bom, todo mundo tinha que ler”. Pelo título, pensei que se tratava de uma obra sobre cristãos com problemas espirituais, mas Crentes Possessos, de David Higginbotham, é muito mais do que isso. Profundo, mas escrito em linguagem simples e de fácil compreensão para qualquer leitor, é um livro completo sobre libertação espiritual e um manual prático de como viver pela fé.

Em minha opinião, ele é capaz de alcançar a todos os que não estão interessados em mera teoria, mas querem ver a fé prática, a que produz resultados, a que nos apresenta um Deus vivo — não importa se cristãos ou não. Por isso meu primeiro impulso foi sair recomendando o livro a torto e a direito. O segundo, foi doá-lo para a primeira alma que me apareceu pela frente sugerindo que tinha interesse em saber como funciona a fé prática. O problema foi que depois que fiz isso, nunca mais encontrei esse livro na IURD.

Ok, você ainda consegue encontrá-lo, eu não faria uma resenha sobre ele tivesse saído de catálogo (ou talvez fizesse, já que resenhei “O Pacto” e ele não está mais no catálogo da Bom Pastor…rs…), você tem à disposição o site Arca Center (estão trabalhando com e-sedex, os fretes estão melhores ultimamente) e o televendas da Unipro. Você sabe disso, eu sei disso, mas muitas pessoas não sabem disso…um filhotinho desta resenha vai sair na Folha Universal no domingo e muitas pessoas que não se sentem seguras em fazer compras pela internet ou pelo telefone (ou que não querem – ou não podem – esperar os correios) procurarão o livro nas IURDs. Vale a pena perguntar ao pastor de sua IURD pelo Crentes Possessos (mesmo que você já tenha perguntado, pergunte novamente), existe chance de ele ressuscitar e aparecer novamente nas igrejas. Fora isso, uma amiga de Brasília encontrou um exemplar no Extra. A esperança renasce. :-)

O livro é realmente completo e tem tudo para ser um best seller, pois tem qualidade literária e conteúdo extraordinário.  David nos mostra que o cristianismo é muito mais simples do que pensamos, utiliza exemplos que esclarecem as dúvidas sobre o uso da fé, sobre libertação (para crentes ou não) e até sobre alcançar a cura e ter um verdadeiro encontro com Deus. Você também descobre como tem se boicotado e impedido o cumprimento das promessas Dele em sua vida. Impressionante e esclarecedor, esse livro ampliou minha visão a respeito do poder de Deus e da simplicidade da fé. Minha mãe tinha razão. Recomendo mil vezes.

P.S: Como descobri que nem todo mundo sabe disso, as IURDs têm um pequeno estoque de livros da Unipro. Você pode chegar em algum pastor e perguntar quais livros existem na igreja, ele vai te dizer todos os títulos e talvez esteja lá aquele livro que você quer há tanto tempo, mas que nunca aparece na oferta. Achei que todo mundo soubesse disso, mas descobri que uma esmagadora maioria não faz ideia. Eu mesma só descobri isso há menos de um ano, porque uma obreira teve peninha de mim ao me ver desconsolada pelo fechamento da livraria do Brás (a última das moicanas).

Vanessa Lampert

Meu Blog:

http://www.lampertop.com.br

Você também me encontra no Twitter

E no Facebook

* Resenha originalmente publicada em: http://www.cristianecardoso.com/pt/portfolio/livros/

A Esperança de Uma Mãe

(Esta resenha contém pequenos spoilers) Por ser da mesma autora de Amor de Redenção, Francine Rivers, é natural que comparemos as duas obras, até porque têm praticamente o mesmo número de páginas. “A Esperança de uma mãe” (Her mother’s hope), ao contrário de Amor de Redenção, demora a engrenar. Talvez por se tratar de um projeto pessoal da autora, um romance baseado em mulheres de sua família, ela tenha se preocupado demais em colocar todos os elementos reais: detalhes dos lugares, um pouquinho de drama, fatos históricos…e se esquecido de desenvolver a narrativa com alguma leveza que fizesse a história andar.

O começo pode parecer chato e arrastado, e você fica torcendo para que a pobre menina chamada Marta, tão maltratada pelo pai, cresça logo e tenha uma vida interessante para você ler. Então, finalmente a garota cresce e  vai morar fora, recebe a notícia do grande trauma de sua vida, relacionado a sua irmã que sempre foi fraca e superprotegida. No entanto, continua sua vida sem voltar para casa…eu, mulher em uma fase de querer ler historias bonitas, vibro quando ela finalmente encontra um rapaz e começa a namorar…mas se você quer ver romance, esqueça, Francine pula toda a fase do namoro e vai direto para o casamento, me deixando muito brava por causa disso. Se a coisa mais legal de Amor de Redenção é ver a força do amor sacrificial, a conversa de A esperança de uma mãe é a força da mulher e o relacionamento entre mãe e filha. Se bem que a impressão que tenho é que o livro não foi escrito para deixar alguma mensagem, mas simplesmente para registrar uma história.

Posso estar sendo dura com a autora, mas o relacionamento entre Marta e seu esposo, por exemplo, é tudo o que você não deve fazer com seu marido. Leia o livro e faça tudo ao contrário. Ela o desrespeita o tempo inteiro e o reduz a um Zé Banana. Ele fica chateado, tenta brigar, parece muito triste, mas a autora nos leva a crer que os dois eram felizes assim, à sua maneira. Desculpe, não consigo acreditar que um homem consiga ser feliz com uma mulher tão chata dentro de casa. Isso me irritou, então talvez minha impressão do livro tenha sido prejudicada por essa irritação, mas no geral a história é bem construída, personagens convencem, mas parece ter informação demais condensada em suas quase quinhentas páginas, com Francine mastigando a história para você em alguns pontos, e fazendo saltos absurdos no tempo em momentos importantes da trama.

O livro também mostra o nascimento dos filhos do casal. Hidelmara é a segunda filha, ela é frágil e tímida, tem o temperamento semelhante ao do pai, mas Marta acha que ela parece com sua irmã Elisa, e teme que ela tenha o mesmo destino…para que isso não aconteça, passa a ser mais dura com Hildemara, que se sente rejeitada. Então você vê a menina crescendo, seu relacionamento com a mãe, sua personalidade…ela  conhece um rapaz e o romance também passa correndo diante dos seus olhos, porque Francine quer terminar logo o livro. Hidelmara tem seus filhos, adoece e a mãe se prepara para cuidar dela…no próximo livro. Sim, há uma continuação, mas ainda não foi publicada em português. Escrevi para a Editora Verus perguntando se há previsão de chegada do “Her daughter’s dream” ao Brasil, mas ninguém me respondeu até agora. “A Esperança de uma mãe” é um bom livro, mas não o compare com “Amor de Redenção”, nem espere muito romance. É um drama. Espere drama e você ficará feliz…rs…

PS: Como sempre, essa é a minha opinião. O ideal é que você leia o livro e volte aqui para dar a sua opinião. Isso se gostar de drama, é claro. A propósito, esse não é o tipo de drama que faz chorar,  ele faz pensar – e isso é bom.

Vanessa Lampert

Meu Blog:

http://www.lampertop.com.br

Você também me encontra no Twitter

E no Facebook

A Mulher V

Texto originalmente postado na seção Livros, no site de Cristiane Cardoso. (Clique aqui para ver a postagem original)

Eu não poderia deixar de resenhar o livro “A mulher V”, de Cristiane Cardoso, publicado pela Editora Unipro. A capa é de extremo bom gosto. A silhueta de Cristiane, extremamente feminina e elegante, o foco de luz sobre o pingente de pedra vermelha, remetendo à comparação da mulher virtuosa com o rubi, que você entende melhor logo no início do livro.

Já havia lido outros livros sobre o tema, alguns que até me impressionaram na época, mas o resultado era sempre o mesmo: eu não sabia como aplicar os ensinamentos do livro e me sentia frustrada e incompetente. Eu me cobro muito. Sou perfeccionista e exijo muito de mim, graças ao livro tenho aprendido a ajustar minhas expectativas e entendi que ser mais flexível comigo não me faz menos responsável. Desde que percebi o quão errada eu era e o quão longe estava de ser uma pessoa que fizesse a diferença positiva na vida daqueles que me cercavam, estou sempre querendo melhorar, mudar, crescer. Minha oração desde aquele dia tem sido: “Deus, me ajude a ser a pessoa que o Senhor quer que eu seja”, e fico atenta a todos os sinais que Ele me envia.

“A Mulher V” foi muito mais do que um sinal, foi um outdoor gigante caindo sobre minha cabeça. O livro destrincha o último capítulo do livro de Provérbios, que fala sobre a mulher virtuosa (a “Mulher V” do título). Cada capítulo detalha um dos versículos com as características da mulher virtuosa, confrontando com o que temos vivido hoje em dia e nos mostrando COMO desenvolver cada uma dessas características, de maneira bastante simples e prática. Uma frase que me marcou bastante é: “é difícil, mas perfeitamente executável”. Entende a profundidade disso? Simplesmente constatar que algo é difícil pode te paralisar, mas perceber que é perfeitamente executável te fortalece para colocar aquilo em prática, apesar da dificuldade.

Outra coisa importantíssima foi que este livro me ajudou a não ser tão exigente comigo mesma. Aprendi a apreciar meu esforço e não ficar apenas me chicoteando para fazer mais e mais e mais… É uma injeção de ânimo e autoestima de longa duração! Não só aprendi como devo ser, mas o que fazer para alcançar meus objetivos de ser melhor mulher, melhor esposa, melhor profissional e melhor amiga, e também descobri que sou capaz disso e que há esperança para mim!…rs…

É bom saber que você não está sozinha no universo, que os conflitos que você passa são comuns a muitas mulheres e que você é capaz de superar todos eles e se transformar na mulher que Deus quer que você seja. “A mulher V” tornou-se meu manual de instruções. Perdi a conta de quantas vezes reli seus capítulos. A cada vez que leio, mais uma portinha se abre na minha mente e mais um passo dou em direção ao meu objetivo. Meu marido notou a mudança que aconteceu em mim, pois foi significativa e em pouco tempo. Para aprender sozinha tudo o que aprendi com “A mulher V”, eu precisaria de alguns anos.

Concordo com a posição da Cristiane. O feminismo está ultrapassado, ele nos trouxe grandes conquistas enquanto gênero, no mercado de trabalho, abrindo um espaço que não existia. No entanto, já percebemos o quanto ele falhou ao anular a feminilidade da mulher, igualando-a ao homem naquilo que eles não são iguais. Sempre disse isso: mulheres e homens são diferentes, pensam de maneira diferente, agem de maneira diferente. Um não é pior ou melhor do que o outro, eles são apenas diferentes e isso é positivo, suas maneiras de pensar e agir se completam. Diga à mulher que ela deve ser igual ao homem em tudo e você terá uma mulher mutilada.

“A Mulher V” vem para reconstruir a figura feminina e encaixá-la em nosso contexto atual. Vem contra o que já está estabelecido na sociedade e que ninguém tem coragem de modificar, mesmo que os resultados tenham provado a ineficácia dessa cultura. Ao mesmo tempo em que jogou a mulher no mercado de trabalho sem dizer o que ela deveria fazer com o restante dos papéis que tem a desempenhar, a sociedade atual só sabe cobrar, cobrar e cobrar, ditando as regras de como deve se comportar, do que deve pensar a respeito dos homens, a respeito de cuidar da própria casa, impondo padrões estéticos, dizendo o quanto deve pesar, o que tem de querer, sem deixar espaço algum para que ela mesma faça suas escolhas e desenvolva suas opiniões.

A mulher V tem atitude, tem personalidade e nada contra a corrente, sendo a rebelde revolucionária no meio de um mundo em crise de identidade. E é esse fôlego de lutar contra a corrente fazendo suas próprias escolhas e criando sua própria cultura que o livro “A Mulher V” nos traz. Um livro para ler, reler e distribuir por aí. Já presenteei amigas e desconhecidas – cristãs ou não – com um exemplar. Meu critério de escolha é: vontade de ser uma pessoa melhor. Isso já te qualifica a ser uma feliz leitora de “A mulher V”.

No final de cada capítulo, há um exemplo de mulher, retirado da Bíblia. Cristiane desenterrou umas mulheres que eu nem me lembrava que estavam no texto sagrado. Fiquei impressionada com a disposição dela em tirar uma história motivadora de meia dúzia de versículos – ou até menos – você lê e pensa: “puxa, isso faz sentido”! “A Mulher V” é um livro sobre comportamento feminino que te coloca para cima, te diverte e abre seus olhos para infinitas possibilidades. Eu gostei tanto, mas tanto, que brinco sempre que meu objetivo é fazer jus ao título… “V” de Vanessa. :)

PS: Antes que alguém me pergunte onde comprar, você encontra “A Mulher V” em uma Igreja Universal. Não sei dizer se em todas ou se apenas nas catedrais, mas é só entrar e dizer para algum obreiro ou pastor: “Oi, eu queria comprar o “Mulher V” e você descobrirá. Também pode comprar pela internet, no site http://www.arcacenter.com.br

Vanessa Lampert

Meu Blog:

http://www.lampertop.com.br

Você também me encontra no Twitter

E no Facebook

Resenha – O Menino no Espelho

Resenha originalmente publicada na seção “Livros” do blog de Cristiane Cardoso.

o.menino.no.espelho

Dia desses, na Livraria Cultura, resolvi dar uma olhada em “O menino no espelho” (Editora Record), já planejando esta resenha. O meu livro ainda está em Porto Alegre, então minha saída era aproveitar os minutos na livraria para fazer uma releitura. Qual não foi minha surpresa ao descobrir “O menino no espelho” na seção Infanto-juvenil! Hein? “O menino no espelho” é um romance narrado por um menino, mas não o vejo como infanto-juvenil. Olho para as prateleiras e vejo os clássicos da literatura, “Dom Casmurro”, “O cortiço”, “Senhora”, “A moreninha” e até “Os lusíadas” na seção Infanto-juvenil!! Ok, sei que são leitura obrigatória na escola (em minha opinião, não deveriam ser, mas isso é assunto para outro post), mas são romances, não são? Deveriam estar na seção “Literatura Nacional”.

Se bem que no caso de “O menino no espelho”, não é prejuízo colocá-lo na estante de infanto-juvenis, pois acredito que qualquer criança sonhadora se deleite com a leitura das memórias do pequeno Fernando. Aos adultos, resta a vontade de continuar sendo menino.

Fernando Sabino é um daqueles amigos que você nunca conheceu pessoalmente, mas que parece que conhece há muitos anos. Eu tenho alguns assim, dos livros que já li. Não são todos os autores de livros que se tornam meus amigos de sempre, mas alguns alcançam o posto mais alto. Assim foi com Fernando Sabino. Alguém se lembra que eu escrevi em algum lugar (agora não sei se foi em uma resenha, no post de apresentação ou em alguma resposta a comentários) que algumas de minhas leituras preferidas da adolescência eram livros de cartas? Fernando Sabino publicou três livros de correspondências dele com outros escritores. Como eu não me tornaria íntima? Seus romances só foram um complemento.

O Menino no Espelho é um dos meus livros favoritos. É uma narrativa propositalmente simples, Fernando mistura suas aventuras da infância com fantasias que somente uma criança poderia contar. Nada de dragões, vampiros e universos irreais mirabolantes, Fernando conta de seu quintal, de Belo Horizonte na década de 30, que era um mundo fantástico por si só. Uma Infância com “I” maiúsculo.

Escrito sob a perspectiva de uma criança, deve ser lido com olhos da criança que cada um de nós conserva. O que mais me marcou neste livro foi exatamente isso…foi escrito por um adulto, mas você vê ali uma infância genuína, ele te convence de que é menino. O que me prova que você pode ter sempre o olhar de criança, se quiser.

Nada no mundo de Fernando é impossível. O que acho mais legal em “O menino no espelho” é essa noção de que as coisas são da maneira que você acredita que possam ser. Isto é verdade. O que acontece com muitos adultos não é parar de acreditar, mas começar a acreditar que as coisas são ruins e que nada vai dar certo. A expectativa de más notícias que as pessoas alimentam para evitar futuras frustrações apenas faz com que elas sejam realmente frustradas, pois trazem à realidade tudo aquilo que esperam. É o conceito bíblico de fé: “certeza de coisas que se esperam” se você só espera derrotas, é só o que terá, pois está usando sua fé contra você mesmo.

O menino Fernando te faz acreditar nas histórias mais fantásticas, contadas com naturalidade, você se diverte e não vê o tempo passar. Se você se abrir para ler este livro, se despindo do adulto em que você se tornou, e voltar à simplicidade dos olhos de uma criança, eu te garanto uma grata experiência, uma verdadeira viagem ao quintal do pequeno Fernando e às melhores lembranças de sua própria infância.

PS: Antes que alguém se confunda por eu ter falado de fé, este não é um livro cristão. Mas isso não o desqualifica em nada.

PS2: Fernando morreu em 2004, um dia antes de completar 81 anos. Bem humorado até o fim, deixou escrito o seu epitáfio: “Aqui jaz Fernando Sabino. Nasceu homem, morreu menino”.

PS3: Os livros de correspondências entre Fernando Sabino e seus amigos escritores são: Cartas a um jovem escritor – E suas respostas – com Mario de Andrade, Cartas na mesa – com Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende e Cartas perto do coração – com Clarice Lispector.

P.S4: Aos que não sabem: a Editora Record, do Grupo Editorial Record, não é da Rede Record, não tem nada a ver com o Grupo Record (Que confusão, né? “Grupo Record” é uma pessoa, “Grupo Editorial Record” é outra). É mais uma daquelas editoras gigantes compostas por diversos selos, que são como filhotinhos da editora, para melhor organizar o catálogo. A Editora Verus, que publica o “Amor de Redenção” (livro da resenha anterior), por exemplo, faz parte do Grupo Editorial Record. O mercado editorial está cheio desses conglomerados, eles vão comprando editoras menores e tocando terror uns nos outros. Eu gosto da Record, apesar de publicar alguns gêneros que não me agradam e também os que me agradam…é como aquele amigo que concorda contigo, mas não discorda de quem discorda de você…não quer arrumar briga, sabe? Mesmo assim, nutro simpatia pela Record. Conheci algumas pessoas que trabalhavam na e para essa editora (mais especificamente a Bertrand do Brasil) e me deixaram boas impressões, que transferi para a marca. Está aí uma boa razão para contratar gente legal.   :)

PS5: Agora já posso resenhar algum livro da Unipro sem que ninguém me acuse de corporativismo…hehehe…

Resenha – Amor de Redenção

Resenha originalmente publicada na Seção Livros do blog de Cristiane Cardoso

Amor-de-Redencao

De cara, o que chama atenção neste livro é a belíssima capa. O vestido vermelhíssimo está em relevo e é a única parte com brilho, sugerindo cetim (é a mesma capa usada na versão original). Também chama a atenção o tamanho do livro…são quase quinhentas páginas, mas a leitura flui com facilidade, é daqueles que você não consegue mais largar.

As pessoas aprendem muito com a ficção. Infelizmente, quem gosta de ler romances fica com poucas opções, porque o que o mundo nos oferece é uma porção de livros legaizinhos, mas que precisam ser lidos com lupa para que nossos olhos felizes encontrem alguma coisa boa. E nossos jovens têm aprendido algumas abobrinhas nas livrarias da vida.

Amor de Redenção é, para mim, o símbolo de um sonho. Ficção cristã é algo que eu acredito que deveria ser melhor explorado, tanto em livros para o público cristão quanto para o público em geral. O sonho de ver (e escrever, por que não?) boa ficção cristã com essa qualidade de execução e impressão, mas made in Brazil permeia minha mente sempre que eu olho para os livros de Francine Rivers. E ainda feitos sob um ponto de vista não religioso, mas de fé. Imagine comigo. Algo que alcance não apenas a cristãos, mas a todos os que gostam de boa literatura.

Assim é Amor de Redenção. Gosto mais do título original, Redeeming Love (Amor Redentor). Para mim há grande diferença entre “Amor Redentor” e “Amor de Redenção”, pense bem nesses dois termos. Mas a escolha pelo segundo com certeza foi feita para que lembrasse o título da obra do português Camilo Castelo Branco. Não pode ser coincidência, já que a primeira coisa que me veio à mente ao ver “Amor de Redenção” foi “Amor de Perdição”. Este último, um clássico da literatura portuguesa escrito por Camilo Castelo Branco há mais de cem anos, é um romance curto, muito bem escrito, cuja história é um drama horroroso que não te acrescenta nada de bom. Já “Amor de Redenção”, de Francine Rivers, é um romance longo, bem escrito, publicado em 1991, cuja história é maravilhosa, positiva e te acrescenta tudo de bom. Deu para perceber a diferença?

Era desnecessária a semelhança do título de Redeeming Love com o do romance de Castelo Branco. Primeiro porque mesmo que a ideia fosse fazer um contraponto, as histórias não se parecem em nada e eu realmente duvido que Francine Rivers já tenha ouvido falar do nosso amigo Camilo. A tradução do título gerou uma certa antipatia em mim de início, mas isso é porque sou meio ranzinza com essas coisas.

Vamos então ao que interessa.  Francine te convence da existência de seus personagens, ela é muito boa na construção deles. A história também é envolvente e fala de um amor sacrificial, construído, que é algo parecido com o que o amor é. Apesar de ela carregar um pouquinho nas tintas em alguns momentos. Amor de Redenção é uma história de época e conta a vida de Angel, uma garota que teve uma infância difícil e uma adolescência pior ainda, indo parar na prostituição. Já sem perspectiva nenhuma de futuro, ela conhece Michael, um rapaz que encasquetou que quer casar com ela.  A história fala da dificuldade de Angel se desvencilhar do passado, se entregar à sua nova vida e confiar no marido. Ela acha que todos os homens são iguais e o julgamento que faz deles não é nada bom. O livro não é moralista, nem religioso. Gosto da maneira delicada com que ela conduz a história, sem descambar para o sentimentalismo barato.

Só senti falta de algumas informações que nós temos e que ajudariam o leitor leigo a entender o que aconteceu na vida e na mente de Angel e de Michael. Angel é atormentada por vozes negativas dentro de si, mas uma pessoa que não conheça o mundo espiritual pode achar que aquelas vozes são dela mesma. Outra face do mesmo problema, no livro os inimigos são as pessoas. Em nenhum momento se explica a razão do sofrimento da mãe de Angel e dela mesma na infância e talvez isso tivesse ajudado àqueles que passam pela mesma situação. É claro que eu não queria um “Este Mundo Tenebroso” dentro de um “Amor de Redenção”, mas alguém explicando a Angel sobre a origem do mal já ajudaria. Este foi o único ponto que o livro não abordou, mas o restante que realmente importa…puxa, ela mostra de um jeito tão claro e não-religioso que fica impossível não entender.

O início tem um ritmo mais acelerado porque ela quer chegar logo na idade adulta da moça. Quando finalmente chega, engata uma marcha mais lenta, mas ainda bem dinâmica, envolvente, legal de ler. Mais para a frente, lá pelo meio, o livro se arrasta um pouco. Você lê porque quer saber logo o que vai acontecer, mas algumas cenas que não fariam falta se não existissem. Lá para o final a história acelera novamente, justo quando você quer ver as coisas se desenrolando. Aqui algumas cenas intermediárias fizeram falta. Deu uma certa tristeza quando acabou porque é difícil encontrar uma leitura tão agradável quanto foi Amor de Redenção.

Coisa rara hoje em dia, o livro traz uma mensagem positiva e que ajuda o leitor a crescer e a entender o amor sacrificial, o amor redentor. Ao terminar, a história continua em sua cabeça, pedindo para você pensar mais. É muito profundo mesmo. Por outro lado, li resenhas que diziam: “chorei cântaros”, “me derramei em lágrimas” e concluí que tenho algum problema. Não chorei no livro, acho que mesmo nos momentos em que ela carrega um pouco nas tintas emocionais, “Amor de Redenção” não é um drama feito para te provocar fortes emoções. O que, para mim, é um ponto positivo.

É importante mexer com as emoções do leitor? Sim, é, naturalmente, porque se você constrói um personagem verdadeiro, é inevitável que o leitor se envolva e entenda o que ele sente. Isso se processa parte em suas emoções. No entanto, a base da leitura é a mente. Se você tiver uma leitura que se baseie apenas em sentimentos e seja processada totalmente na área emocional, terá um livro superficial que pode até deixar marcas, mas que não armazenará nenhuma informação útil na cabeça de quem o lê.

É um equilíbrio delicado que em minha opinião Francine consegue atingir. Não se assuste com a espessura do livro. Se você ainda não leu, vale a pena investir. Não apenas te causa um impacto positivo como tem uma mensagem espiritual muito forte, é uma leitura prazerosa de entretenimento e ainda um excelente exercício para o cérebro. Incrível, eu terminava de ler e percebia o quanto minha atenção estava melhor. Nenhum medicamento que eu tomei no passado fez por minha mente o que este livro fez. Quase consegui ouvir o chorinho de neurônios recém-nascidos no berçário da maternidade do meu cérebro. Como eles se desenvolvem muito rápido, logo estavam caminhando, comendo papinha, dizendo “mã-mãe” e aprendendo matemática. “Amor de Redenção” se mostrou um dos livros mais multifuncionais que já li.

Uma coisa ruim é que não temos todos os livros da Francine Rivers traduzidos para o português ainda (novidade, né?), mas a notícia boa é que você encontra “Amor de Redenção” em livrarias, junto de romances seculares, com sua lindíssima capa competindo de igual para igual. Atualmente (março de 2012), você o encontra por no máximo quarenta Reais, o que é um preço muito bom para um romance de 460 páginas. Não se esqueça das dicas da Patrícia Lages sobre dinheiro e pesquise os preços também na internet antes de comprar. “Amor de redenção” é um livro para se ler, reler, ler novamente e recomendar muito. Estou fazendo a minha parte.

.

PS: Peço um pouquinho de paciência porque estou hiper focada no trabalho então acabo não conseguindo responder aos comentários como gostaria e levei uma semana para escrever esta resenha…rs…mas sei que vocês são compreensivas e não vão me abandonar por causa disso…hehehe…

PS2: Sei que muitas de vocês já leram este livro e vão me perguntar sobre o mais recente “A esperança de uma mãe” (Her mother’s hope). Paciência, paciência. Esse não li ainda,  estou lendo lentamente.  O livro é a primeira parte da história. A continuação, “Her daughter’s dream”, ainda não tem tradução brasileira.

.Você encontra na Amazon o livro Amor de Redenção em versão impressa e em ebook clique aqui para ver

 

Resenha – Para Sempre (The Vow)

Resenha originalmente publicada na seção “Livros” do blog de Cristiane Cardoso

Para Sempre” (“The Vow”, cujo filme foi resenhado aqui. Quis ler o livro para ver se mencionava o cristianismo, já que a Raphaela disse que o filme omitiu essa informação), é um livro biográfico, escrito em primeira pessoa por Kim Carpenter (o nome da esposa Krickitt está na capa, mas ela permanece muda por toda a narrativa). Li este livro na Livraria Cultura do Bourbon Shopping, aqui em São Paulo, que tem um V. Café com a melhor esfiha de ricota do mundo. Esfiha de ricota é amiga e uma grande incentivadora do hábito de leitura da pessoa que vos fala. :)

Pensei em comentar o quanto me identifiquei com algumas partes do livro: o início de meu relacionamento com meu marido foi bem semelhante. O casal do livro se conheceu por telefone e namorou à distância, eu e Davison nos conhecemos através do blog dele (eu era leitora e o admirava como escritor e cartunista, depois nos tornamos amigos) e parte do namoro foi à distância; nosso relacionamento é bem parecido com o descrito no início do livro: muita amizade, cumplicidade, afinidades e assuntos intermináveis em conversas sem fim. A diferença é que já existia internet em nosso tempo (não como hoje…não tinha Skype, mas tinha ICQ e Yahoo Messenger…só que quando meu microfone funcionava, o dele estava quebrado, e vice-versa). Não recomendo namoro pela internet como é hoje, as coisas estão um pouco diferentes…e sei que nossa história é uma exceção, assim como a deles…quantos casamentos felizes você conhece que começaram com uma tele-venda?

Outro ponto da história é ver a pessoa amada em uma UTI. Passei por isso com um ano e meio de casada, Davison teve uma infecção generalizada e foi desenganado, mas acabou sendo salvo pela fé, como a protagonista do livro. Depois (spoilers por todo este parágrafo…sorry) ela perde a memória recente e tem de se readaptar à nova vida. Eu não tive nada tão drástico, mas por conta de um período de muito estresse, com o cortisol nas alturas 24 horas por dia, tive um comprometimento de memória e perdi várias lembranças importantes da minha vida, Davison precisou ter muita paciência. Consegui recuperar a maior parte das lembranças ao longo dos anos, mas por um bom tempo minha memória era um queijo suíço. Então, eu tinha tudo para gostar do livro. Amei a história, mas ela foi muito mal aproveitada. Poderia ter sido desenvolvida como um romance, mas ficou um relato extenso em primeira pessoa. Legal no começo, mas da metade para o final me desconcentrei algumas vezes. Esse formato distancia o leitor, que não se envolve tanto.

Fica a sensação de que está faltando algo e você acaba recorrendo a pesquisas na internet (como a Raphaela fez quando viu o filme), mas isso é porque Kim não teve ajuda profissional para desenvolver a narrativa (que teria dado um belo romance…já disse isso?). A história de amor dos dois é linda, principalmente porque não se trata de sentimento, se eles fossem pela emoção, jamais teriam continuado juntos.  Kim permanece inconstante e emocional por grande parte do livro, mas dá para perceber o esforço dele crescendo ao longo da narrativa, lutando contra suas emoções para permanecer firme.

Só me irritei com a tradução, desde o início. As notas do tradutor, no rodapé, não poderiam ser mais desnecessárias para a compreensão do texto. Se ele se preocupasse tanto em conhecer o universo do autor quanto em saber a geografia dos EUA e as distâncias entre as cidades, a maior parte dos problemas do livro estaria resolvida. Os dois são cristãos protestantes, mas a pessoa traduz “pray” por “rezar” e faz com que o casal pareça religioso católico. O autor fala da importância da fé na vida da moça, mas o leitor não consegue ver com clareza o real papel da fé na vida dela antes do acidente (da religião, sim, da fé, nem tanto). No final, ele diz que a história é sobre fé e você pensa: “mais ou menos, né?”

Aí começam os problemas. Depois consegui encontrar o texto em inglês (o original, publicado por uma editora cristã, a B&H Publishing) e fiquei chocada ao compará-lo com a versão brasileira e ver o quão diferentes são. Além de ele ser melhor escrito no original do que em português, diversas partes foram totalmente modificadas, com o claro intuito de diminuir o apelo cristão do livro. Qual é o problema com o nosso país?  Veja um exemplo:

“You said I can ask you anything, so I must be honest, Kimmer. You know that I am a Christian. Being a Christian is having an ongoing intimate relationship with Jesus Christ. I guess what I have been wondering this whole time is if you were a Christian too – if you had made the decision to ask Christ into your life to pay the penalty of your sin, and give you eternal life like he has promised if we ask”

Que poderia ser traduzido mais ou menos assim:

“Você disse que posso te perguntar qualquer coisa, então eu tenho que ser honesta, Kimmer. Você sabe que sou cristã. Ser  cristão é ter um relacionamento íntimo e contínuo com Jesus Cristo. Acho que o que eu queria saber esse tempo todo é se você também era cristão – se você tomou a decisão de pedir para Cristo entrar em sua vida, pagar por seu pecado e te dar a vida eterna, como ele prometeu que faria se pedíssemos.”

Virou, nas mãos do tradutor:

“Você disse que posso perguntar qualquer coisa a você, então preciso ser honesta, Kimmer. Tenho muita fé, quero dizer, a fé e o cristianismo são importantes para mim. Não me vejo tendo um relacionamento de verdade com uma pessoa que não crê.”

Do jeito que foi originalmente escrito, você entende como ela pensa, o que o cristianismo significa para ela. Da maneira como foi traduzido, você só entende que ela é uma religiosa. Uma coisa é dizer que o cristianismo é importante, outra coisa é mostrar como é importante. Nisso a tradução falhou bastante, descaracterizando o texto e a personagem. Talvez a ideia tenha sido atenuar a parte cristã para que o livro se tornasse mais comercial, mas isso não está certo. É um desrespeito também ao leitor, que quer saber como a história realmente aconteceu e não merece ser obrigado a ler uma versão censurada.

Vi no relato de Kim Carpenter algo muito além de uma simples história de amor. “The Vow” é, sobretudo, um testemunho de fé e de fidelidade a Deus, um exemplo de fé racional, que está acima de qualquer sentimento: é uma decisão consciente (partindo do próprio título, que significa “O voto”. Eles só se mantiveram firmes por causa do voto que fizeram no altar, no dia do casamento). Outra coisa, senti falta do depoimento dela. Acredito que se tivessem feito um capítulo com a versão de Krickitt, seria mais interessante.

Vale a leitura? Vale, o enredo tem um potencial enorme (pena que nem o livro, nem o filme conseguiram aproveitá-lo completamente), o narrador é simpático, é uma bela história de amor e superação. O problema é quando você descobre que não te permitiram ler o que o autor quis escrever de verdade (grrr…Vanessa brava). Isso me deixou revoltada. De resto, a história vale a pena, mas foi contada em um formato que não a favoreceu, poderia ter sido melhor.  Se decidir ler, não se esqueça de voltar aqui para dar a sua opinião! :)

PS: A editora da versão brasileira é a Novo Conceito, especializada em trazer grandes sucessos do exterior e publicá-los aqui. Sempre tem algum título deles na lista de mais vendidos.

Resenha – Felidae

Resenha originalmente publicada na seção “Livros” do blog de Cristiane Cardoso

Felidae (pronuncia-se “Felíde”), do escritor Akif Pirinçci, publicado em 1989, foi premiado, vendeu milhões de cópias, virou best-seller na Alemanha (de onde veio), traduzido em mais de doze países e é pouquíssimo divulgado no Brasil. É uma história policial narrada em primeira pessoa por um…gato! Sim, um gatinho de quatro patas. Na verdade, todos os personagens principais são gatos, humanos entram como meros coadjuvantes.

Mas não é uma historia fofinha. Francis, o narrador, se muda com seu dono patético para uma casa caindo aos pedaços. Ele detesta a mudança, mas não tem muita escolha. Logo na primeira saída, já tem uma péssima experiência: encontra um gato morto. Pouco tempo depois, descobre mais um assassinato, com as mesmas características do primeiro. Com a curiosidade natural dos gatos, Francis parte em uma aventura perigosa para descobrir quem está por trás dos crimes.

Enquanto na vida real os gatos costumam ser mortos por seres humanos perturbados (ou por cachorros fora de controle), nessa ficção Francis desconfia que quem está por trás dos assassinatos seja outro gato! Um misterioso laboratório desativado guarda os segredos que podem levar ao autor do crime e revela uma terrível história que deixou marcas em todo o bairro. Francis descobre uma trama muito mais complicada do que jamais poderia imaginar quando se mudou para aquela casa decadente no interior da Alemanha. Em determinado ponto da história, você nem se lembra que os personagens são gatos, de tanto que se envolve com eles. Fica mais interessado no mistério que se desenrola (ou se enrola) pouco a pouco diante de seus olhos. Quem está fazendo aquilo? E por quê?

É uma história inteligente, bem escrita, com bons personagens, mas que exige um pouco mais de atenção, pois tudo – absolutamente tudo – o que Francis descobre é importante. Fique ligado em todos os detalhes. O livro tem vários assuntos entrelaçados e você poderia tranquilamente fazer um paralelo com a humanidade. A história mostra que quando você deixa seus piores sentimentos tomarem conta, se torna aquilo que tanto desprezou.  Um livro denso, mas que também te diverte, é contado de maneira inteligente e apesar de falar a respeito de mortes de gatinhos, eu gostei bastante.

Lembro sempre que opinião é algo bem pessoal e só lendo o livro para tirar suas próprias conclusões, mas se você procura um romance policial bem escrito, cheio de mistério e reviravoltas, pode apostar em Felidae.

PS: O livro é ficção, então eu consigo ler sem ter chiliques. Mas não posso evitar o pensamento de que todos os gatos de Felidae são criados da pior maneira possível por seus donos. Então deixo aqui o link para um texto que escrevi e que fala sobre como cuidar bem de seu gatinho e garantir que ele tenha a chance de ter uma vida longa, saudável e feliz:  Clique aqui para ler.

PS2: A editora é a Nova Fronteira, que agora faz parte da Ediouro. Felidae continua em catálogo (bracinhos para cima em comemoração! Êêêê!!!)

Resenha – O Pacto

Resenha originalmente publicada na seção “Livros” do blog de Cristiane Cardoso

Frank Peretti é mais conhecido pelo livro “Este mundo tenebroso”, no qual descreve uma guerra entre anjos e demônios (farei a resenha deste em breve). Mas em minha opinião, “O Pacto” é seu melhor trabalho.

Não é nada fácil escrever uma resenha sobre um livro de suspense, pois se você contar alguma coisa, perde toda a graça, mas se não contar nada, ninguém terá vontade de ler. Farei o melhor possível, mas – acredite em mim – nada do que eu disser se compara com a sensação de desvendar os mistérios deste livro. É envolvente, intrigante, você se coloca na pele do personagem principal e praticamente consegue ver as cenas. Milhões de vezes melhor do que Crepúsculo e outras coisas que fazem sucesso hoje em dia. O único problema deste livro é a distribuição pífia. A editora que o trouxe para o Brasil é a Bom Pastor, que já tinha a dificuldade natural de distribuição de uma empresa cristã, mas o estranho é que agora o livro não consta mais nem no site da editora.

A versão original (“The Oath”) foi publicada pela Thomas Nelson, uma editora grande e bem conceituada que tem seu braço brasileiro, a Thomas Nelson Brasil, que desde 2006 faz parte da Ediouro. O problema é que “O Pacto” já estava com a Bom Pastor nessa época e, embora ainda esteja no catálogo da Thomas Nelson lá fora, aqui ele não consta.  Você ainda o encontra em lojas de livros usados, eu vi alguns no site “Estante Virtual”, que reúne várias dessas lojas, de todo o Brasil. Vale a pena procurar, pois o livro é muito bom.

Cliff Benson é assassinado de maneira brutal enquanto acampava nas montanhas. A polícia  encontra seu corpo mutilado e sua esposa Evelyn ensanguentada e delirando, com lembranças confusas a respeito do ocorrido. O delegado encerra o caso atribuindo o ataque a um urso, mas Steve, o irmão de Cliff, não se convence daquela explicação. Com a ajuda da subdelegada Tracy Ellis, ele parte em uma investigação própria a respeito do crime e descobre vários outros casos semelhantes. A cidade onde ocorreu a tragédia é Hyde River, um lugar pequeno e aparentemente pacífico, mas há algo perturbador ali. Você passa parte do livro sem saber quem é o responsável por todas aquelas atrocidades e descobre junto com Steve que os segredos que os moradores da cidade escondem podem trazer a resposta para esse grande mistério. O legal é justamente você ir descobrindo as coisas aos poucos, junto com os personagens principais. O autor tem uma grande imaginação e te surpreende diversas vezes.

É um suspense fenomenal, que te envolve e te deixa pensando a respeito da história e seus significados. Os personagens são bem construídos e por mais absurdo que o enredo pareça, é verossímil, o autor consegue te convencer de que aquilo é real. Isso é um ponto necessário para que o livro te conquiste. Mas – é claro – você tem de estar aberto para ler ficção. É o que chamo de “fazer concessões”. Você releva algumas partes que normalmente acharia absurdas, se propõe a aceitar aquele universo criado como possível e – aí sim – estará apto a entender a história e tudo o que o autor queria te passar.  No caso de “O Pacto” isso não é muito difícil de se fazer, pois a história te envolve logo no começo. Recomendadíssimo.

PS: Da primeira vez, li sozinha. Da segunda, li em voz alta para o meu marido, antes de dormir. Todos os dias líamos um pedaço. Não sei se foi uma boa ideia, porque às vezes eu sonhava com o livro…hahaha…mas era o tempo que tínhamos. Fica a dica para quem quiser algo diferente para fazer a dois. Foi muito divertido.

PS2: Pretendo colocar várias resenhas durante a semana, de todos os tipos de livros (como expliquei no post anterior), então fiquem atentos!