Repita isso para si mesmo

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Nas escavações arqueológicas feitas por mim na antiga cidade de RenatoCardosópolis, encontrei a seguinte frase: “Repita isso para si mesmo: “É o que eu faço que mostra o que eu quero.” Guarde isso. Ponha num quadro e pendure na parede”.

Aproveito para pendurar isso na parede aqui no blog, também. Isso mudou minha forma de enxergar a vida e me fez assumir responsabilidades. Depois de entender isso, comecei a avaliar minha vida à luz das minhas atitudes.

Quando estamos habituados a seguir o nosso coração, nossos impulsos e vontades, vivemos levados pela correnteza, como se não tivéssemos controle sobre coisa alguma. Queremos várias coisas – ou dizemos que queremos – mas nossas atitudes mostram o contrário.

O que você diz que quer combina com o que você está fazendo? Como uma pessoa que realmente quer isso agiria?

PS: Vá direto à fonte e leia o texto: Um truque que você tem que saber – e nunca cair nele (clique, é um link). Se você já leu, leia novamente. Vou escrever sobre o processo de leitura aqui em outro post, mas já adianto que se você nunca experimentou ler a mesma coisa mais de uma vez, faça o teste com um texto que tenha gostado. Leia novamente, prestando atenção como se ainda não tivesse visto o texto.

Vanessa Lampert

Será que você alimenta o mal?

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Escrevi dia desses que nem sempre tudo vai dar certo. Porém, às vezes as coisas resolvem dar irritantemente errado em sequência. Hoje foi um desses dias e isso me fez lembrar de que, antigamente, eu me sentia perseguida pela tal Lei de Murphy. Parecia que, se alguma coisa poderia dar errado, com certeza daria errado comigo. Eu não ficava me fazendo de vítima; achava graça e fazia piada com isso, mas, é lógico, ninguém gosta de sentir que nasceu com dois pés esquerdos.

O engraçado é que vamos construindo crenças a respeito de nós mesmos com o passar do tempo e, ainda que comecem como brincadeira, elas acabam guiando a nossa vida. Por isso, às vezes é difícil mudar. Você sente que aquelas crenças que tem sobre si mesmo refletem o que você é. E isso não é verdade. Eu não era perseguida pela Lei de Murphy, apenas acreditava que tudo dava errado para mim e, por isso:

  • Aceitava quando as coisas davam errado
  • Procurava sinais que reforçassem a minha opinião de que tudo dava errado
  • Olhava apenas o lado negativo de tudo
  • Ignorava as coisas que davam certo
  • Não me esforçava para fazer com que as coisas dessem certo
  • Desistia à primeira dificuldade, o que fazia com que eu parasse antes de conseguir

Como vê, eu fazia aquela profecia negativa se autorrealizar. E é isso que a gente faz. Aquelas coisas que incomodam, mas que não conseguimos mudar, como se estivessem fora do nosso alcance, provavelmente estão sendo alimentadas por nós. Você pode estar alimentando o monstrinho dentro de uma jaulinha no porão da sua mente, sem perceber. Identificar as crenças negativas que você tem a respeito de si é o primeiro passo para matar de fome o monstrinho.

Hoje meu foco está no que dá certo, mas não foi uma coisa automática. Precisei me esforçar para mudar o hábito. Minhas reações não reforçam mais aquele pensamento negativo. Hoje, eu:

  • Não aceito quando as coisas dão errado
  • Procuro sinais que reforcem a minha opinião de que tudo tem um lado bom
  • Olho apenas o lado positivo de tudo
  • Ignoro as coisas que dão errado (ou tento tirar o melhor delas)
  • Me esforço para fazer com que as coisas deem certo
  • Não desisto nunca. De nada. Vou até o fim, não importa o esforço que tenha que fazer. Entendo que não se pode parar antes de conseguir. Logo, enquanto não consigo, não desisto.

O processo é bem semelhante, mas o sinal é invertido. Em vez de alimentar a escuridão, você acende a luz.

Vanessa Lampert

Os ideais

Meu texto sobre as eleições foi publicado no blog do Bispo Macedo. Fiquei feliz, pois mais pessoas poderiam se identificar com ele, o que de fato aconteceu. Estranhamente, em um primeiro momento não houve o chilique público, talvez pelo post ser assinado. Depois, começaram os comentários. Um me pergunta: “Quanto o Edir Macedo está lhe pagando?”

Não, eu não  vou te convencer de que o Bispo Macedo não é como você pensa que ele é, nem que ele realmente acredita e vive tudo o que ele prega (apesar de eu poder te garantir isso. Ele realmente acredita e vive o que prega).  Não vou te convencer de que a mídia manipula a opinião pública sobre a IURD há 20 anos.  Não vou te convencer de que eu acredito em tudo o que escrevo. Não vou te convencer de que eu sempre defendi aquilo em que acredito. Se você não me conhece, nada do que eu disser terá algum peso, não é mesmo? Não me importa. Não é disso que eu quero falar.

O que achei estranho nessa história toda é que a sociedade está predisposta a dois pensamentos que, em minha opinião, são igualmente tristes:

1 – Se a pessoa escreve com convicção alguma coisa com a qual o leitor não concorde, já se imagina que ela foi paga para isso. Trocou sua opinião por dinheiro.

2 – Se ela não recebeu dinheiro em troca, ela é idiota. Ingênua, ignorante.

Afinal de contas,  é errado o que vende suas convicções, mas se é idiota o que defende suas convicções de graça, o certo é o quê? Não ter convicções? Ou não defender aquilo em que acredita?

As pessoas vivem tão mergulhadas em tantas dúvidas, medos, receios e desconfianças, que é impossível ter uma convicção verdadeira. As convicções verdadeiras são fruto de raciocínio e de certeza, e só assim tornam-se suficientemente fortes para serem defendidas com segurança.  Quem não tem segurança dentro de si, vai buscá-la do lado de fora.

Esse é o trabalho que a indústria do entretenimento e a mídia têm feito em conjunto há muitos anos. Ao mesmo tempo em que trabalham para tirar de seu público as certezas pessoais e enchê-lo de dúvidas e desconfiança, lhe oferecem as certezas pré-fabricadas de que ele precisa.  Não é de se espantar que as pessoas digam as mesmas coisas, ajam da mesma forma, repitam as mesmas frases, as mesmas acusações, como uma manada, como um exército de autômatos que nos acusa de ser um exército de autômatos.

Vivem interessados no que vai acontecer na novela, cantando as músicas que a TV lhes diz para cantar, usando as roupas que a novela lhes diz para usar, repetindo os bordões dos personagens, emprestando a linha de raciocínio retirada dos telejornais, dos jornais impressos, da Veja, absorvendo a lógica da mídia como se fosse a verdade absoluta que lhes sirva de base para toda e qualquer argumentação. E nós é que somos os manipulados.

As pessoas (muitas pessoas de boa índole, inclusive), acreditando que estão impedindo uma catástrofe, permitirão uma catástrofe ainda maior* (aliás, isso é bíblico).

Os seres humanos são idealistas por natureza. Se estiverem preenchidos de cinismo e rejeitarem os ideais verdadeiros, abraçarão qualquer ideal que lhes for apresentado. Aí quem lhes apresentou esse ideal terá material humano para fazer o que quiser. Então você vê uma multidão revanchista, com ideais negativos (que, no entanto, têm uma justificativa positiva, e por isso atraem até muita gente boa) e discursos raivosos contra aqueles que defendem positivamente suas causas, de uma maneira racional e equilibrada.

Por isso prefiro me manter com alienígena neste mundo. Desconectada da Matrix, querendo desconectar outras pessoas (afinal, para isso fomos chamados…faz parte do cristianismo oferecer essa libertação aos que nem sabem que estão cativos. Há uma ordem expressa na Bíblia.), mas sabendo que não posso obrigar ninguém a raciocinar. Tomar a pílula vermelha é escolha de cada um. Em um primeiro momento, é mais confortável não tomar e seguir a corrente. O problema é aonde essa corrente irá levar.

*Em muito menor escala, foi o que aconteceu nessas eleições municipais. Eleitores sedentos por um ideal verdadeiro, abraçaram o ideal da mídia “vou votar no Serra/Haddad só para impedir a vitória do Russomano”, acreditando sinceramente que estavam atrapalhando uma espécie de golpe de estado religioso.

PS: Ainda sobre eleições, esse excelente texto do João da Paz (clique para ler) mostra o estilo de jornalismo da Folha de São Paulo, durante as eleições municipais. Claro que não foi apenas a Folha, quem viu a entrevista de Russomano à César Tralli, na Globo, percebeu que seguia a mesma linha. Não era interesse da velha mídia que Russomano tomasse o lugar do candidato do PSDB no segundo turno, e conseguiram manipular toda a máquina nesse sentido. Se o Serra ganhar, darei os parabéns ao PT.

Sangue Quente*

Começo esclarecendo que “zumbi” não é um tema que me agrade. A saída de Isaac Marion, no entanto, é surpreendente. Ele teve coragem de contar uma história diferente, e fiquei grata por isso, pois abri o livro sem nem mesmo saber do que se tratava. “Sangue Quente” (“Warm bodies”, no original…e a tradução do título, nesse caso, foi feliz, já que “Corpos quentes” teria uma conotação sensual que o livro não tem), da editora Leya, é um romance escrito em uma linguagem de fácil leitura, mas que em momento algum é pobre ou infantil.Pelo contrário, o cara escreve muito, muito bem. Se você gosta de escrever, vale a pena ler só para analisar o jeito dele contar a história. Vou cuidar para colocar apenas os spoilers que já estão na sinopse do livro, na contracapa e na orelha. Aí ninguém pode reclamar que revelei alguma coisa…rs…A menos que você leia um livro sem ler a contracapa e a orelha, coisa que não recomendo.

Me espantei logo de cara com o bom ritmo e pelo fato de ser narrado em primeira pessoa por um zumbi, o que torna a história surreal ainda mais surreal, mas convence. R. não lembra do próprio nome, não lembra de nada de sua vida e o autor não se preocupa em dar muitas respostas (em certo ponto o leitor para de perguntar, pois vê que algumas questões não são relevantes). No livro, como em qualquer ficção, zumbis comem seres humanos. Se você já assistiu a um filme de zumbi, deve se lembrar que eles gostam especialmente de cérebro. Finalmente, temos uma explicação plausível: ao ingerir o cérebro, os zumbis têm um breve lampejo da vida de sua infeliz vítima. É quase como uma droga que faz com que eles consigam ter a sensação de viver novamente. São poucos instantes, então eles querem mais. É triste, pois em seguida voltam às suas vidas de mortos-vivos…aliás, assim são as emoções e diversão que este mundo oferece: pequenos pedaços de entusiasmo, alegria temporária e depois…voltam às suas vidas de mortos-vivos. Quantas pessoas assim você conhece? O “cééérebro” que elas comem é o álcool, são as drogas, as baladas, o namorado, um hobby, a religião, a filosofia, o sexo, a internet…mas nada é suficiente para lhes dar vida de verdade. O vazio se torna ainda maior após o efeito ter passado

Tudo vai bem até que ele come um cérebro diferente. Por algum motivo, as lembranças deste cérebro são mais intensas (viaje na história, ok? É um mundo onde isso é possível…risos…) e ele tem vontade de proteger a menina que o dono do cérebro amava. Ele a leva consigo, juntamente com o restinho do cérebro do rapaz, que vai degustando como aperitivo por grande parte do livro. O ritmo fica um pouco mais arrastado lá pelo meio do livro, mas nada que prejudique a leitura, depois acelera novamente.

Muita gente não gostou desse livro porque apesar do universo de “R” ser triste, a narrativa é claramente otimista. Mesmo quando ele descreve os sentimentos de um rapaz depressivo (o dono do tal cérebro), você percebe o quanto aqueles pensamentos não têm sentido e fica com vontade de sacudir o cara…é o escritor que te faz entender isso, de maneira muito sutil. Enquanto o garoto justifica sua falta de esperança, o jeito do autor escrever te faz ver o quanto ele estava errado em desistir de lutar. Também fica claro o quanto Isaac se divertiu ao escrever o livro e talvez por isso a leitura seja tão agradável.

O interesse por uma menina viva faz com que o zumbi comece a descobrir a vida, aos poucos, e a mudança em sua realidade acontece de maneira natural. Você pode encaixar várias metáforas nessa história. Aliás, eu li o livro como uma grande metáfora da sociedade. Inclusive algo que o Bispo Macedo disse em uma reunião de domingo na João Dias me fez lembrar deste livro na hora. Ele comparou as pessoas que não nasceram de novo a zumbis. Quem não teve um encontro com Deus vive como R. e seus amigos no início do livro, mortos-vivos, corpos vazios vagando pelo mundo em busca de céééérebros… Depois que conhecem a Deus, começam a viver.

Não, o Bispo Macedo não leu este livro…rs… No entanto, esse despertamento de R. diante do amor é semelhante ao que acontece quando a pessoa finalmente nasce de Deus e começa a descobrir o que é viver, esse paralelo é bem real. Depois que terminei de ler, pesquisei na internet para ver aos outras opiniões. Vi muita gente elogiando, alguns criticando sem ter lido (esse é o ápice da ignorância) e outros falando mal porque o livro tinha uma mensagem de esperança. É mole? O mundo – principalmente o dos “intelectualóides” – padece de um mal chamado “culto à desilusão” onde só tem valor e é considerado bonito o que for triste, pessimista e negativo.

Bem, voltemos ao livro. O relacionamento entre o zumbi e a moça é contado de forma delicada, e é – por motivos óbvios – algo não físico. Ela não se interessa pelos belos olhos azuis dele ou por seu corpinho apodrecido, mas por quem ele é. Ela é meio desmiolada e o escritor coloca em sua boca alguns poucos palavrões que achei desnecessários, meio fora de contexto, mas você acaba fazendo algumas concessões quando o livro é bom, e essa é uma delas. A ideia dele certamente foi mostrar o contraste entre a personalidade dos dois. O zumbi se interessa por ela justamente por causa de seus excessos. Ela transborda vitalidade, como toda adolescente, e ele anseia por um pouco daquela vida. Mas como ela poderia gostar dele? Ainda que gostasse, como ficariam juntos em um mundo em guerra, semidestruído, em que os Zumbis são monstros canibais que se espalharam, obrigando os humanos a viverem escondidos em estádios fechados, como minorias acuadas, à beira do fim da civilização? Como ele poderia ser aceito no mundo dela? Como ela poderia sobreviver no mundo dele?

Ah, também vi comentários de pessoas indignadas por ele ter “maculado a mitologia zumbi”…isso é ridículo. Zumbis não existem, e desde que haja uma boa premissa e o cara consiga explicar tudo direitinho, pode escrever o que quiser, de acordo com a imaginação dele, afinal de contas, é ele que está criando esse universo (diferente de quando você escreve um romance realista). No caso, ele não quis descaracterizar o zumbi, apenas mostrar o que acontece lá dentro, por trás da aparência de cadáver ambulante. Os zumbis do livro comem cérebro e atacam as pessoas grunhindo. Eles não conseguem articular palavras e os pensamentos são bastante diferentes dos vivos, mas você acompanha um desenvolvimento emocional improvável e até um tanto quanto frio de R, mas bastante verossímil.

Eu descubro que gostei mesmo do livro quando me pego incentivando outras pessoas a lê-lo e foi assim com Sangue Quente. Tudo bem que um ou outro me olhou meio atravessado por ter preconceito contra zumbis…rs…mas como os direitos do livro já foram comprados e talvez o filme não seja tão bom quanto o livro, achei melhor informá-los a respeito antes que Hollywood estrague tudo.

Vanessa Lampert

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* Resenha originalmente publicada em:

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Desperte o milionário que há em você*

Carlos “Wizard” Martins é um megaempresário, autor do livro “Desperte o milionário que há em você” (Editora Gente), que tem o subtítulo “Como gerar prosperidade mudando suas atitudes e postura mental”, mas ele não nasceu rico, nem ganhou seu dinheiro de alguém. Foi com trabalho duro e visão empreendedora que ele conquistou sua fortuna, após mudar sua maneira de pensar ao alimentar-se de bons livros. Em uma obra curtinha (156 páginas, curtinha até demais), compartilha com o leitor sua forma de pensar, que lhe permitiu construir uma fortuna depois dos trinta anos, após ser demitido de seu primeiro emprego. Faz tempo que não leio um livro de autoajuda com tanta cara de autoajuda. Não me entenda mal, o livro não é ruim, mas no final de cada capítulo há uma espécie de “resumo” com fundo cinza, com tópicos que têm a maior cara de estereótipo de texto de autoajuda. Não chega a prejudicar o conteúdo do livro, eu estranhei um pouco, mas depois tentei tirar proveito desses resumos, para ajudar a fixar os principais pontos.

Várias citações interessantíssimas ficam passeando por sua cabeça por muito tempo, pedindo: “pensa em mim, pensa em mim”. Fala sobre coisas práticas como planejamento financeiro, mas a maior parte do livro é voltada a manter um padrão correto de pensamento, mudar a forma de enxergar o mundo e a si mesmo. Carlos é mórmon e ao contar sua história, faz umas três menções à igreja dos santos dos últimos dias (que acrescentou o livro de Joseph Smith às Escrituras e é considerada uma seita), mas as informações passadas por ele não têm a ver com religião (na verdade, acho que ele está mais preocupado em incentivar as pessoas a aderirem ao modelo de franquia do que a se juntarem à igreja em que ele frequenta). Quando ele se viu diante do desemprego e da dificuldade financeira, sua reação foi fazer uma oração sincera buscando direção a Deus. Quando obteve a certeza do que deveria fazer profissionalmente, ele agiu. Ele fala de agir pela certeza, mesmo sem ver (isso não é fé?), de perseverança, de definição. Esses conceitos lhe são familiares?

A conclusão a que eu cheguei foi bem simples: não importa a religião, a profissão, a cor da pele ou nível de escolaridade, é uma lei universal: se você age a fé, você vê o resultado. Pode ser mórmon, evangélico, católico, espírita, pode até nem ter religião. Foi exatamente isso que eu vi nesse livro. É essa mudança de pensamento profunda que ocorre naqueles que participam das reuniões dos 318, às segundas na IURD, com sede de aprender e crescer e que depois dão testemunhos espantosos. O triste é ver muitos crentes que resistem a essas verdades, presos à sua religiosidade e à caixinha equivocada à qual decidiram que Deus deve se encaixar, enquanto pessoas de fora estão lá, agindo a fé, sendo sinceros com Deus, alcançando resultados e chamando a atenção do mundo.

Olha que interessante esse trecho (existem vários trechos interessantes no livro, vou transcrever apenas alguns):

“Quando você se propõe a mudar as coisas ao seu redor, uma coisa interessante acontece. É como se existissem forças que “puxam” você de volta ao seu estado atual, já familiar e estável, pois esse é um caminho conhecido, apesar de não desejado. Por isso, uma coisa eu posso garantir: em sua busca da prosperidade, seu desejo, sua força e sua perseverança serão testados.” (Carlos Wizard Martins)

“Geralmente, as pessoas não mudam quando se sentem bem, mas quando estão abatidas, deprimidas ou frustradas. Quando atingimos o ponto do inconformismo insuportável, a tendência é fazer muito mais do que estamos fazendo. O sofrimento nos impele àqueles momentos de grandes decisões, afinal, estamos sofrendo. Então, finalmente, tomamos uma atitude e alteramos o curso que estamos seguindo.” (Carlos Wizard Martins)

Em seguida, ele cita Ralph Emerson:

“Nossa energia origina-se de nossa fraqueza. Só depois de sermos aferroados, picados e dolorosamente atingidos, desperta-nos a indignação armada com forças secretas. Um grande homem está sempre desejando ser pequeno. Enquanto esta acomodado no conforto das vantagens, ele dorme. Quando é pressionado, atormentado ou derrotado, tem a oportunidade de aprender alguma coisa. Adquire sagacidade e maturidade. Ganhou fatos, aprendeu sobre sua ignorância, está curado da insanidade da presunção. Adquiriu moderação e habilidade verdadeira.” (Ralph Waldo Emerson)

Uma outra citação que ele faz, retirada de um livro de Norman Vincent Peale:

“Há um modo de saber se você já está velho: qual é seu estado de espírito ao levantar-se pela manhã? A pessoa jovem acorda com uma estranha sensação de ânimo, uma sensação que talvez não seja capaz de explicar, mas é como se dissesse: ‘Este é meu grande dia. Este é o dia em que acontecerá uma coisa maravilhosa’. O indivíduo velho, não importa a idade, levanta com o espírito indiferente, sem a expectativa de que acontecerá qualquer coisa importante. Será apenas um dia como outro qualquer. Talvez espere que não seja pior. Algumas pessoas mantêm o espírito da expectativa aos 70 anos, outras o perdem cedo na vida.” (Norman V. Peale)

Gostei do conteúdo do livro, mas corre o sério risco de ao fim da leitura você se interessar em se tornar um novo franqueado dos cursos de idiomas do autor…rs…ele acredita tanto no modelo que a certa altura do livro, venda a ideia ao leitor. O que não deixa de ser um bom ensinamento: quer dar certo em alguma coisa? Escolha uma ideia em que você acredite tanto, mas tanto, a ponto de vendê-la a qualquer pessoa que sente ao seu lado para ouvir o que você tem a dizer. Se você acreditar naquilo com todas as suas forças, isso será natural e sairá com credibilidade suficiente para fazer com que se destaque no meio da multidão que exerce a mesma atividade.

Vanessa Lampert

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* Resenha originalmente publicada em:

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Pare de reclamar e concentre-se nas coisas boas*

Amo esses títulos autoexplicativos. No final das contas, o que vai pegar seu leitor no meio daquele emaranhado de outros livros é o título, não é mesmo? A menos que ele já saiba quem você é, o que não era o caso.  ”Pare de reclamar e concentre-se nas coisas boas” é a versão “título óbvio” que a editora Sextante deu para “A complaint free world” (“Um mundo livre de reclamações”), escrito por Will Bowen. – O que não me espanta, já que é a mesma editora que traduziu “The Servant” (“O servo”), de James Hunter, para “O monge e o executivo”. :-)

A ideia de “Pare de reclamar e concentre-se nas coisas boas” é bem interessante. A proposta é ficar 21 dias sem reclamar, sem se lamentar, sem criticar e sem falar mal dos outros. “Moleza” – pensei. Li o livro para ter certeza de que não se tratava de uma atitude de conformismo diante dos problemas. Não é. Ao menos eu entendi que não é se conformar com tudo, mas não ficar reclamando e se lamentando o tempo todo. Achei que o livro poderia ser mais bem desenvolvido, eu o faria com o dobro de páginas (tem apenas 140), para deixar a coisa mais clara, pois alguns pontos ficaram resumidos demais. Mas este é um livro do qual eu não posso reclamar…hahaha… Felizmente, Will dá vários exemplos e conta histórias que nos permitem entender até o que ele não explicou.

Bem, vamos ao desafio: 21 dias sem reclamar, certo? Você deve usar algum objeto para controle, o grupo de Will escolheu uma pulseira, que deveria ser colocada em um dos braços. Assim que você se pegar reclamando, troque a pulseira de braço e recomece a contagem. Segundo ele, leva de 4 a 8 meses para completar os 21 dias seguidos sem reclamações. Apenas as reclamações e críticas que saírem pela sua boca (ou seus dedos, no caso de digitar) contam, as que ficarem apenas em sua mente, não. A pulseira ajuda a tornar o hábito consciente.

Segundo o autor, talvez você tenha que se afastar de amigos e familiares fofoqueiros ou reclamadores compulsivos que atrapalhem seu esforço (até porque depois que você se tornar uma pessoa sem reclamações, não terá muito assunto com eles…rs…), principalmente porque eles podem te fazer voltar ao vício de reclamar e fofocar. Ele orienta a não tomar parte em conversas de reclamação. Seu interlocutor pode se queixar, criticar ou fofocar, mas você deve ficar quieto (se reclamar da reclamação dele, terá de mudar sua pulseirinha de lado…rs…), sem retorno, a conversa se esvaziará.

Bem, lá fui eu fazer o desafio. As primeiras 24 horas foram tranquilas, cheguei ao cúmulo de monitorar meus pensamentos até durante o sonho (sou uma criatura disciplinada, amigos)! Eu pensava “não, não vou dizer isso porque é uma reclamação, deixa eu reformular a frase para uma sentença mais positiva”. Sério, eu fiz isso dormindo. No entanto, no dia seguinte, acordei com um torcicolo e reclamei…depois, reclamei de não ter colocado a roupa para lavar (Poxa, levanta e vai lavar a roupa, de que adianta reclamar?*) e troquei minha pulseirinha imaginária de braço duas vezes antes mesmo do café da manhã. Não demorou muito e reclamei que meu cabelo estava muito ressecado. Coloquei a pulseirinha imaginária no outro pulso. Pouco tempo depois, lá estava eu falando de como ainda não tinha conseguido fazer a resenha do Casamento Blindado. Troca a pulseirinha de novo…fiquei chocada! Mesmo controlando, foram três reclamações seguidas! Bastou ter acordado com um incômodo físico para virar a miss rabugice 2012.

Não me considero uma pessoa “reclamona”, muito menos negativa, mas me espantei com a dificuldade que tive com esse desafio de não fazer comentários negativos e não reclamar em voz alta, aí reclamei de ter reclamado…rs… (No meu caso, tenho policiado meus pensamentos, também, pois sou expert em me criticar e cobrar demais de mim. E meus papos comigo mesma – obviamente – são feitos dentro da minha cabeça. Embora Will diga que os pensamentos acabam mudando quando mudamos o padrão de palavras, policio os pensamentos, embora não mexa na pulseirinha por eles.) Vou reler o livro para analisá-lo melhor, mas recomendo a leitura, sim. Qualquer coisa que te ajude a ter uma postura mais positiva diante da vida, faz diferença.

Uma coisa interessante que Will escreve é que a gente tem o péssimo hábito de dizer quando acontece algo ruim: “eu mereço!” ou “isso só acontece comigo” ou “tinha que ser assim!”, fazendo com que um recado seja enviado ao nosso cérebro (e ao universo), que tratará de providenciar mais coisas ruins, afinal de contas, merecemos… Então, o antídoto é: aceite as coisas boas que te acontecem! Aconteceu algo legal, mesmo que pequeno (como encontrar uma boa vaga no estacionamento), diga: “eu mereço!” ou “isso sempre acontece comigo!” ou “tinha que ser assim” ou “tudo sempre dá certo para mim”. Aos poucos você realmente vai acreditar nisso e começará a desenvolver esse novo padrão para a sua vida. Assim, você começa a se concentrar nas coisas boas, torna-se grato pelas coisas positivas que acontecem, mesmo as menores, que passavam despercebidas.

Will acreditou tanto nisso que colocou toda a sua igreja nesse desafio (ele é pastor de uma pequena igreja americana) e criou o movimento “Um mundo sem reclamação”, baseado nesses princípios. Óbvio que funciona, pois diminuir a quantidade de reclamações, críticas e fofocas fará com que você pare de exercitar os maus olhos. E, segundo a Bíblia, os olhos são a lâmpada do corpo, se teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso. Se teus olhos forem maus, todo teu corpo andará em trevas. Mudar do olhar mau para o olhar bom é sair das trevas para a luz.   Quer reclamar? Reclame para Deus. Mas reclame sabendo que ele resolverá, e esqueça, confie (isso poderia estar mais claro no livro, mas optaram por uma abordagem mais secular).

Vale a pena. É uma leitura divertida, um assunto interessante com uma proposta desafiadora – e eu AMO desafios. Você também deve gostar, imagino. E então? Que tal 21 dias seguidos sem se queixar, sem falar mal dos outros e sem criticar? Se quiser conhecer bem as regras e os argumentos, procure este livro em alguma livraria, ele é curtinho e fácil de ler. Eu vou reler o meu. Depois conversamos mais a respeito.

PS:  *Isso me lembra o dia em que eu comentei com minha mãe (ao telefone, pois ela mora em Campo Grande – MS), que não tinha lavado roupa durante o dia, e que já era noite, se eu lavasse àquela hora ela não ia secar, porque estava frio e com umidade alta e blá blá blá… Ela riu e disse, com seu jeito calmo: “Vanessa, você já parou para pensar que tudo o que tem a fazer é colocar as roupas dentro da máquina e apertar um botão? Imagina se tivesse que lavar todas elas à mão?” … Pense no tamanho da minha vergonha ao constatar o ridículo daquela reclamação, diante de um raciocínio tão claro? Na verdade, se você pensar bem, 98% das reclamações que fazemos ao longo do dia são ridículas assim. O que podemos resolver, podemos resolver. O que não podemos, tudo o que podemos (e precisamos) fazer é apresentar a Deus.

PS2: Isso também é colocar em prática Filipenses 4:8, lembra desse versículo?  ”Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”  No final das contas, Will está certo, se você se habituar a falar apenas o que é bom, vai se encher do que é bom. Afinal de contas, a boca fala do que o coração está cheio…e mudar o que você fala inevitavelmente irá alterar o conteúdo do seu coração e da sua mente.

Vanessa Lampert

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Casamento Blindado

Sumi. Tive bons motivos para isso, mas nada justifica uma longa ausência, se eu conseguisse me organizar um pouco melhor, com certeza estaria presente em vários lugares ao mesmo tempo. Mas ainda chego lá, se depender do esforço que tenho feito, em breve serei capaz disso. :-)

Um dos motivos foi o trabalho. Além do livro que estou escrevendo e que pretendo publicar (vocês saberão mais a respeito assim que ele estiver mais encorpadinho), tive a oportunidade de ajudar tanto na preparação dos originais quanto nas últimas revisões do Casamento Blindado. Quando acredito em alguma causa, ela se torna parte de mim. Foi assim com este livro.

Primeiro porque a cada capítulo que o Renato escrevia, eu me impressionava. Não só pela linguagem leve e fluida, mas pelo conteúdo. (Quem acompanha o blog dele, sabe que ele escreve muito bem. Da Cristiane eu nem preciso falar, já que quem acompanha esta coluna conhece bem os livros dela e seu jeito cativante de escrever, como se conversasse conosco tomando uma xícara de chá.) Lembram do texto “Alimentação Literária”? Pois é, “Casamento Blindado” é superalimento, mega nutritivo, uma Quinoa Real literária. O livro traz informações preciosíssimas, que me ajudaram não apenas a blindar meu casamento, mas a melhorar quem eu sou por dentro. O impacto foi positivo até em meu relacionamento com as outras pessoas.

Participamos do curso Casamento Blindado em novembro. Por isso, posso dizer: no livro, Renato e Cris não escondem o jogo, não escondem nada, toda a direção está lá, de forma clara e simples, para ser raciocinada e praticada. Mesmo que você já tenha feito o curso, vale a pena investir no livro. Compre, leia e depois me diga se eu não estava certa.

O livro “Casamento Blindado” vai na contramão de tudo o que o mundo prega, mas traz ensinamentos práticos, que realmente funcionam. De que adianta ficar agarrado aos seus velhos paradigmas que nunca o levaram a lugar nenhum? Ou que o levaram a um lugar de desgosto, tristeza e sofrimento? Tenho certeza de que se meus pais, meus avós e meus tios tivessem tido acesso ao “Casamento Blindado”, a história da minha família seria outra. Acredito que muitos deles ainda estariam vivos, tamanho o impacto de um casamento destruído na vida de uma pessoa.

Este livro vale não só por sua qualidade literária, mas pelas informações que ele traz, muito mais preciosas do que ouro. Entrou para a minha seleta lista de “tesouros literários”, daqueles que você pode (e deve) comprar para distribuir entre familiares e amigos (quem for inteligente, vai aproveitar cada parágrafo!), mas deve manter o seu, para reler e consultar sempre que necessário.

E digo mais: não é só para casados, não! É para homens e mulheres, casados, solteiros, viúvos, divorciados, pessoas com problemas, pessoas que querem evitar problemas, ou pessoas que querem ajudar pessoas com problemas. Não é apenas para os casados, pois as informações do livro são abrangentes, ajudam em todas as áreas: nos relacionamentos em geral, a ter uma vida equilibrada. Um verdadeiro manual em direção a se tornar uma pessoa melhor. Estou falando, o livro é completo!

Acompanhei o esforço e o amor que Renato e Cristiane colocaram na confecção desta obra, e tenho certeza de que toda essa dedicação em levar até os leitores informação preciosa, com o único intuito de ajudá-los a ter um casamento sólido e protegido, será honrada através da transformação de vidas e de milhões de depoimentos espontâneos que receberemos daqueles que colocarem em prática o que lerem nas 272 páginas (eu sei de cor quantas têm…rs…nem precisei olhar no livro) do Casamento Blindado.

O livro será lançado pela editora Thomas Nelson Brasil, já está em pré-venda no Arca Center (clique aqui para ver), a partir do dia 1° de Julho estará  em todas as IURDs e também será vendido em livrarias.

 

PS: A Thomas Nelson Brasil é um selo do grupo Ediouro. O livro já aparece no catálogo no site da editora. :-)

PS2: Olha a pessoa feliz! Eu já tenho o meu! :-)

 

Vanessa Lampert

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O melhor de mim*

Li este livro por indicação de uma amiga, ela gostou muito e queria saber minha opinião. Achei importante escrever esta resenha porque 99% das opiniões que li a respeito deste livro diziam a mesma coisa: o contrario do que eu achei.

Primeiro, todo mundo disse que se emocionou com o livro, que se debulhou em lágrimas… não tenho tanta facilidade assim para chorar. E me pergunto: o que leva alguém a gostar de um livro que lhe faz chorar convulsivamente? Uma lagriminha aqui outra ali, a gente até entende, mas eis algo que você não deve exercitar em sua vida: o sentimentalismo extremo. Prefira livros que não dependam 100% do seu coração para viver…podem até te emocionar, dentro dos limites da normalidade, mas não devem ser escritos com o único objetivo de arrancar lágrimas do leitor, como parece ser o caso de “O melhor de mim” (The best of me), de Nicholas Sparks, Editora Arqueiro. (Alguns spoilers na resenha, mas nada que mate sua leitura.)

Quando contei a história do livro para o meu marido, ele arregalou os olhos e disse “Credo, que cara azarado!” – referindo-se a Dawson, o pobre protagonista. Uma ou outra desgraça é normal, mas uma sequência infinita de desgraças faz do livro uma novela mexicana difícil de engolir. Muitos clichês, personagens estereotipados, narrativa fraca, a história previsível do começo ao fim e um final que me fez revirar os olhos e dizer: “Sério que você vai terminar assim, Nicholas?” Eu já tinha adivinhado o final pouco depois da metade do livro.

Li recentemente um livro mais antigo desse autor, “Diário de uma paixão”, e o declínio é visível. “Diário” tem uma trama sólida, a historia parece ter um objetivo e você entende a evolução do relacionamento do casal de protagonistas.  Já com Dawson e Amanda você não vê essa evolução. Os dois se apaixonam na adolescência e vivem um namoro proibido, pois ela é de uma família tradicional e ele é o rapaz bonzinho que nasceu em uma família de criminosos e sofre preconceito na cidade por seu sobrenome. Acabam terminando o relacionamento porque ele não quer atrapalhar a vida da moça. Ela vai para a faculdade, onde conhece Frank e se casa.

Dawson acaba preso por atropelar acidentalmente o único médico da cidade (drama + drama). Depois de cumprir pena, o rapaz vai morar sozinho e trabalhar em uma plataforma de petróleo, que acaba explodindo (o que não faz a menor diferença na história, é só para marcar o momento em que Dawson começa a ver um vulto –  sessão do descarrego nele! – e acrescentar drama).

A narrativa é mais contada do que mostrada (é a diferença entre ouvir alguém contar uma história e participar dela). Pouco esforço em envolver o leitor na cena faz com que ele sinta a solidão de Dawson, ao ser colocado para escanteio pelo autor. Infelizmente, não foi proposital, não se trata de estratégia literária.

Dawson e Amanda se reencontram quando um grande amigo dos dois morre. Então você vê o-que-não-é-amor aflorando imediatamente. Amanda está casada com Frank, um alcoólatra, com quem tem três filhos (tiveram quatro, mas uma morreu de câncer no cérebro ainda muito pequena…novela mexicana mode on). O casamento está em crise e ela revê seu namorado de adolescência. O livro passa aquela ideia falsa do amor-sentimento, que nasce e cresce sozinho…também passa a ideia de que Dawson e Amanda foram “feitos um para o outro”  e que ele é seu “verdadeiro amor”.

Você não pode amar alguém que você não conhece, isso não é amor. Como Amanda pode “amar” um cara que ela mal conhece? Mesmo que algum dia realmente tenha amado Dawson, depois de 20 anos ele não é mais o homem que ela conheceu. E vice-versa.  O mundo está acostumado a ver o amor desta maneira e por isso há tanta gente frustrada sentimentalmente. Mas ok, isso é ficção, e se o livro fosse bom talvez nem me importaria tanto.

Me perguntaram se “O melhor de mim” seria classificado como “literatura fast-food”. Eu diria que ele está mais para fast food com alucinógenos. Talvez uns cogumelos suspeitos tenham substituído o champignon. Porque se você se envolver com o livro, pode se pegar fazendo coisas que jamais faria na vida real, por exemplo, torcendo para que Amanda traia o marido, abandone a família e fique com um homem que lhe é completamente desconhecido.

Mesmo que isso não faça a menor diferença para mim ou para você, eu não consigo deixar de pensar que esse é o tipo de romance que se une às novelas e aos filmes de Hollywood para reforçar a imagem equivocada do amor, alimentando fantasias inúteis na cabeça de muitas mulheres (principalmente). Sem contar o fato de exercitar o sentimentalismo exacerbado ao trazer lágrimas sem o menor propósito.

Li em algumas resenhas a respeito do caráter de Dawson…ele não guarda ressentimentos, mesmo passando por terríveis injustiças…realmente, é o personagem mais interessante da trama…se não for o único. Mesmo assim, também não foi bem construído e não é suficiente para sustentar o livro.

O que esse livro traz, no final? Nada. Nenhum conteúdo verdadeiro, nada a acrescentar de realmente bom.  A menos que você tenha conseguido se emocionar e ache que isso é positivo em algum aspecto.

PS: No final do livro tem a propaganda de “O Casamento” (The Wedding), de Nicholas Sparks, que ainda não li, mas fiquei curiosa para ler. Não pensem que Nicholas Sparks é o pior escritor do universo, não é, ele sabe escrever. O problema é que quando um escritor faz um livro com o único objetivo de mexer com os sentimentos do leitor, corre o risco de errar a mão. Não conheço todo o trabalho desse autor, mas espero que esse tipo de coisa seja exceção.

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* Resenha originalmente publicada em:http://www.cristianecardoso.com/pt/portfolio/livros/

Série Aprendendo a Dirigir

A série mais comentada de minha extinta coluna na Revista Paradoxo, “Aprendendo a Dirigir” recebe novos comentários e acessos até hoje. Só agora me dei conta de que seria uma boa ideia reunir todos os links em um só post, para facilitar a vida daqueles que querem ler toda a saga.  Divirtam-se:

Aprendendo a Dirigir I:

http://lampertop.com.br/?p=1054

Aprendendo a Dirigir II – o retorno à autoescola:

http://lampertop.com.br/?p=1056

Aprendendo a Dirigir III – persistir é o lema

http://lampertop.com.br/?p=1058

Aprendendo a Dirigir IV – a saga continua

http://lampertop.com.br/?p=1063

Aprendendo a Dirigir V- o império contra-ataca

http://lampertop.com.br/?p=1061

Aprendendo a Dirigir VI – o examinador vive

http://lampertop.com.br/?p=1065

Aprendendo a Dirigir VII – a batalha final

http://lampertop.com.br/?p=1067

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Como vencer a preguiça de ler

Texto originalmente postado na seção Livros, no site de Cristiane Cardoso. (Clique aqui para ver a postagem original)

Ao responder à pergunta que minha nova amiga Sandra, de Moçambique, me enviou pelo Twitter, imaginei que poderia ser a dúvida de muitas leitoras e achei que valia um post nesta coluna. Eis a pergunta:

“Olá minha querida. Eu detesto ler, tenho preguiça mas SEI que preciso mudar isso. Me diga, que faço para contrariar isto?”

Minha resposta: A mesma coisa que a gente faz quando sabe que precisa fazer algo, mas não tem vontade: sacrifício. Coloque um livro na bolsa e se determine a ler todo dia um pouco. No começo vai ser difícil, pois é uma luta contra sua vontade.  Só tire da cabeça que você não gosta. Não é não gostar, é não ter o hábito. Quando desenvolver o hábito, vai amar :-)

Pelo que ela me explicou, sabe que precisa ler alguns livros que farão a diferença na vida dela (você também sabe, não é?), mas a preguiça e a falta de hábito a fizeram acreditar que não gosta de ler. Quando você acredita que não gosta de ler, qualquer leitura se torna uma tortura.

O hábito de leitura é como um músculo que precisa ser desenvolvido. Se você não usar seus braços ou suas pernas por meses e depois disso tentar fazer um movimento com os músculos atrofiados, vai sentir dor, incômodo, exaustão…será chato pra caramba. Aí você vira para mim e diz: “Eu não gosto de me mexer!” Não é verdade. É incômodo pela falta de exercício, mas se você se sacrificar e ignorar o incômodo com o foco no objetivo maior, terá uma super recompensa ao final do esforço.

Tem outra coisa: livro é amigo. A-mi-go. Você tem se sentir à vontade com seu amigo. Coloque dentro da bolsa, não se preocupe em não amassar…claro, você não vai detonar o livro e pisar em cima, mas se tiver de se preocupar em não dobrar aqui, não amassar ali, é complicado se sentir à vontade. Posso estar errada, sei lá, mas essa é a minha teoria.

A principal dica é mesmo o sacrifício. Não importa se você está lendo um livro, um artigo de jornal ou um post em um blog: quando cansar de ler, pare um pouco, mas não abandone a leitura. Não pense em como se sente ao ler, mas no quanto você vai saber mais depois de terminar de ler. Tome um café, brinque com o cachorro, com o gato ou vá ao banheiro, depois volte e continue a leitura, tentando entender o que está escrito. Qualquer texto é o autor conversando contigo, então é falta de educação abandonar a leitura e não voltar para concluir, é como se deixasse alguém falando sozinho ou desligasse na cara da pessoa.  Se for um blog, só comente depois de ter lido todo o post, pois às vezes a resposta à sua pergunta está no que você não teve paciência de ler.

Impaciência e ansiedade são emoções, e emoções devem receber pouquíssimo alimento. Ceder a elas é alimentá-las até que fiquem fortes e tentem te estrangular. Emoções são como Gremlins, lembra daquele filme trash horroroso? Gizmo era um bichinho fofinho, mas se alimentado após a meia-noite ou molhado, gerava monstrinhos verdes destrutivos. Emoções são Gizmos necessários. Precisamos delas, mas bem domesticadinhas e pouco alimentadas. Já nosso espírito (que é nossa inteligência) precisa ser alimentado para ficar forte o suficiente para controlar os Gizmos. O melhor alimento para fortalecer o espírito chama-se sacrifício.

Deixar de fazer aquilo que você tem vontade para fazer aquilo que você não tem vontade, mas sabe que precisa, é a única maneira de desenvolver sua mente, crescer e se tornar uma pessoa melhor. Deus pede isso da gente o tempo todo, até porque a vida exige isso para não se tornar um fardo.  Fazer só o que você gosta e tem vontade é receita para a frustração, já que os Gremlins nunca se fartam, sempre querem mais e mais e mais…nada é suficiente para satisfazer a vontade humana. Então a partir de hoje em sua vida, seja na leitura ou em qualquer outra coisa que esteja difícil por não ter se tornado um hábito, decida sacrificar sua vontade e fazer o esforço. A recompensa vale o sacrifício! Você vai ver o quanto vai ganhar não apenas por ler, mas por se dispor a sacrificar.

PS: Eu não sou um “super ser” por ler bastante e gostar de escrever. Eu só me dediquei a essas duas coisas até que se tornassem parte da minha vida.

PS2: A gatinha da foto é a Ricota, ela tem 7 anos e está pensando se vale a pena ler esses dois livros… :)

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A Mulher V

Texto originalmente postado na seção Livros, no site de Cristiane Cardoso. (Clique aqui para ver a postagem original)

Eu não poderia deixar de resenhar o livro “A mulher V”, de Cristiane Cardoso, publicado pela Editora Unipro. A capa é de extremo bom gosto. A silhueta de Cristiane, extremamente feminina e elegante, o foco de luz sobre o pingente de pedra vermelha, remetendo à comparação da mulher virtuosa com o rubi, que você entende melhor logo no início do livro.

Já havia lido outros livros sobre o tema, alguns que até me impressionaram na época, mas o resultado era sempre o mesmo: eu não sabia como aplicar os ensinamentos do livro e me sentia frustrada e incompetente. Eu me cobro muito. Sou perfeccionista e exijo muito de mim, graças ao livro tenho aprendido a ajustar minhas expectativas e entendi que ser mais flexível comigo não me faz menos responsável. Desde que percebi o quão errada eu era e o quão longe estava de ser uma pessoa que fizesse a diferença positiva na vida daqueles que me cercavam, estou sempre querendo melhorar, mudar, crescer. Minha oração desde aquele dia tem sido: “Deus, me ajude a ser a pessoa que o Senhor quer que eu seja”, e fico atenta a todos os sinais que Ele me envia.

“A Mulher V” foi muito mais do que um sinal, foi um outdoor gigante caindo sobre minha cabeça. O livro destrincha o último capítulo do livro de Provérbios, que fala sobre a mulher virtuosa (a “Mulher V” do título). Cada capítulo detalha um dos versículos com as características da mulher virtuosa, confrontando com o que temos vivido hoje em dia e nos mostrando COMO desenvolver cada uma dessas características, de maneira bastante simples e prática. Uma frase que me marcou bastante é: “é difícil, mas perfeitamente executável”. Entende a profundidade disso? Simplesmente constatar que algo é difícil pode te paralisar, mas perceber que é perfeitamente executável te fortalece para colocar aquilo em prática, apesar da dificuldade.

Outra coisa importantíssima foi que este livro me ajudou a não ser tão exigente comigo mesma. Aprendi a apreciar meu esforço e não ficar apenas me chicoteando para fazer mais e mais e mais… É uma injeção de ânimo e autoestima de longa duração! Não só aprendi como devo ser, mas o que fazer para alcançar meus objetivos de ser melhor mulher, melhor esposa, melhor profissional e melhor amiga, e também descobri que sou capaz disso e que há esperança para mim!…rs…

É bom saber que você não está sozinha no universo, que os conflitos que você passa são comuns a muitas mulheres e que você é capaz de superar todos eles e se transformar na mulher que Deus quer que você seja. “A mulher V” tornou-se meu manual de instruções. Perdi a conta de quantas vezes reli seus capítulos. A cada vez que leio, mais uma portinha se abre na minha mente e mais um passo dou em direção ao meu objetivo. Meu marido notou a mudança que aconteceu em mim, pois foi significativa e em pouco tempo. Para aprender sozinha tudo o que aprendi com “A mulher V”, eu precisaria de alguns anos.

Concordo com a posição da Cristiane. O feminismo está ultrapassado, ele nos trouxe grandes conquistas enquanto gênero, no mercado de trabalho, abrindo um espaço que não existia. No entanto, já percebemos o quanto ele falhou ao anular a feminilidade da mulher, igualando-a ao homem naquilo que eles não são iguais. Sempre disse isso: mulheres e homens são diferentes, pensam de maneira diferente, agem de maneira diferente. Um não é pior ou melhor do que o outro, eles são apenas diferentes e isso é positivo, suas maneiras de pensar e agir se completam. Diga à mulher que ela deve ser igual ao homem em tudo e você terá uma mulher mutilada.

“A Mulher V” vem para reconstruir a figura feminina e encaixá-la em nosso contexto atual. Vem contra o que já está estabelecido na sociedade e que ninguém tem coragem de modificar, mesmo que os resultados tenham provado a ineficácia dessa cultura. Ao mesmo tempo em que jogou a mulher no mercado de trabalho sem dizer o que ela deveria fazer com o restante dos papéis que tem a desempenhar, a sociedade atual só sabe cobrar, cobrar e cobrar, ditando as regras de como deve se comportar, do que deve pensar a respeito dos homens, a respeito de cuidar da própria casa, impondo padrões estéticos, dizendo o quanto deve pesar, o que tem de querer, sem deixar espaço algum para que ela mesma faça suas escolhas e desenvolva suas opiniões.

A mulher V tem atitude, tem personalidade e nada contra a corrente, sendo a rebelde revolucionária no meio de um mundo em crise de identidade. E é esse fôlego de lutar contra a corrente fazendo suas próprias escolhas e criando sua própria cultura que o livro “A Mulher V” nos traz. Um livro para ler, reler e distribuir por aí. Já presenteei amigas e desconhecidas – cristãs ou não – com um exemplar. Meu critério de escolha é: vontade de ser uma pessoa melhor. Isso já te qualifica a ser uma feliz leitora de “A mulher V”.

No final de cada capítulo, há um exemplo de mulher, retirado da Bíblia. Cristiane desenterrou umas mulheres que eu nem me lembrava que estavam no texto sagrado. Fiquei impressionada com a disposição dela em tirar uma história motivadora de meia dúzia de versículos – ou até menos – você lê e pensa: “puxa, isso faz sentido”! “A Mulher V” é um livro sobre comportamento feminino que te coloca para cima, te diverte e abre seus olhos para infinitas possibilidades. Eu gostei tanto, mas tanto, que brinco sempre que meu objetivo é fazer jus ao título… “V” de Vanessa. :)

PS: Antes que alguém me pergunte onde comprar, você encontra “A Mulher V” em uma Igreja Universal. Não sei dizer se em todas ou se apenas nas catedrais, mas é só entrar e dizer para algum obreiro ou pastor: “Oi, eu queria comprar o “Mulher V” e você descobrirá. Também pode comprar pela internet, no site http://www.arcacenter.com.br

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O que as mulheres querem?

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Esse foi o tema do The Love School de quarta. Se você aprender isso, resolverá grande parte de seus problemas no relacionamento.

O programa teve a participação da Ana, da Rebeca e da pessoinha que vos escreve. 😀  A Cristiane disse para conversarmos com ela durante o programa, eu levei a sério. :-)

Como muita gente tem me escrito para se lamentar por não ter assistido, dizendo que eu não avisei e chorando copiosamente [drama mode on] por ter perdido essa oportunidade (principalmente depois de ter lido o que a Cris escreveu sobre o tema)…para aliviar o sofrimento de vocês resolvi colocar os links dos vídeos aqui. Eu avisei, sim, só não disse textualmente que estaria lá, mas coloquei convites para que assistissem ao Love School…não disse que não estaria lá porque a Cris deixou um suspense no blog, sem dizer quem seriam as convidadas. Não dava para estragar, né?

O importante era a mensagem, espero que ela tenha sido passada, sei que fizemos o nosso melhor para isso e tenho certeza de que pudemos ajudar muitas pessoas. Coloquei os vídeos na minha página do Facebook (eu tenho uma, sabia?), mas achei melhor postar aqui também.

Parte I

http://www.youtube.com/watch?v=nfiG3dnNIGs

Parte II

http://www.youtube.com/watch?v=XaVsnfj-Vo8

Parte III

http://www.youtube.com/watch?v=KhZUjJwwx-Y

Parte IV


http://www.youtube.com/watch?v=DFBxzIn2caY


PS: A Cristiane escreveu um excelente post a respeito, no blog dela. Clique aqui para ler (mas só depois de ver os vídeos, para não estragar a surpresa).
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Resenha – O Menino no Espelho

Resenha originalmente publicada na seção “Livros” do blog de Cristiane Cardoso.

o.menino.no.espelho

Dia desses, na Livraria Cultura, resolvi dar uma olhada em “O menino no espelho” (Editora Record), já planejando esta resenha. O meu livro ainda está em Porto Alegre, então minha saída era aproveitar os minutos na livraria para fazer uma releitura. Qual não foi minha surpresa ao descobrir “O menino no espelho” na seção Infanto-juvenil! Hein? “O menino no espelho” é um romance narrado por um menino, mas não o vejo como infanto-juvenil. Olho para as prateleiras e vejo os clássicos da literatura, “Dom Casmurro”, “O cortiço”, “Senhora”, “A moreninha” e até “Os lusíadas” na seção Infanto-juvenil!! Ok, sei que são leitura obrigatória na escola (em minha opinião, não deveriam ser, mas isso é assunto para outro post), mas são romances, não são? Deveriam estar na seção “Literatura Nacional”.

Se bem que no caso de “O menino no espelho”, não é prejuízo colocá-lo na estante de infanto-juvenis, pois acredito que qualquer criança sonhadora se deleite com a leitura das memórias do pequeno Fernando. Aos adultos, resta a vontade de continuar sendo menino.

Fernando Sabino é um daqueles amigos que você nunca conheceu pessoalmente, mas que parece que conhece há muitos anos. Eu tenho alguns assim, dos livros que já li. Não são todos os autores de livros que se tornam meus amigos de sempre, mas alguns alcançam o posto mais alto. Assim foi com Fernando Sabino. Alguém se lembra que eu escrevi em algum lugar (agora não sei se foi em uma resenha, no post de apresentação ou em alguma resposta a comentários) que algumas de minhas leituras preferidas da adolescência eram livros de cartas? Fernando Sabino publicou três livros de correspondências dele com outros escritores. Como eu não me tornaria íntima? Seus romances só foram um complemento.

O Menino no Espelho é um dos meus livros favoritos. É uma narrativa propositalmente simples, Fernando mistura suas aventuras da infância com fantasias que somente uma criança poderia contar. Nada de dragões, vampiros e universos irreais mirabolantes, Fernando conta de seu quintal, de Belo Horizonte na década de 30, que era um mundo fantástico por si só. Uma Infância com “I” maiúsculo.

Escrito sob a perspectiva de uma criança, deve ser lido com olhos da criança que cada um de nós conserva. O que mais me marcou neste livro foi exatamente isso…foi escrito por um adulto, mas você vê ali uma infância genuína, ele te convence de que é menino. O que me prova que você pode ter sempre o olhar de criança, se quiser.

Nada no mundo de Fernando é impossível. O que acho mais legal em “O menino no espelho” é essa noção de que as coisas são da maneira que você acredita que possam ser. Isto é verdade. O que acontece com muitos adultos não é parar de acreditar, mas começar a acreditar que as coisas são ruins e que nada vai dar certo. A expectativa de más notícias que as pessoas alimentam para evitar futuras frustrações apenas faz com que elas sejam realmente frustradas, pois trazem à realidade tudo aquilo que esperam. É o conceito bíblico de fé: “certeza de coisas que se esperam” se você só espera derrotas, é só o que terá, pois está usando sua fé contra você mesmo.

O menino Fernando te faz acreditar nas histórias mais fantásticas, contadas com naturalidade, você se diverte e não vê o tempo passar. Se você se abrir para ler este livro, se despindo do adulto em que você se tornou, e voltar à simplicidade dos olhos de uma criança, eu te garanto uma grata experiência, uma verdadeira viagem ao quintal do pequeno Fernando e às melhores lembranças de sua própria infância.

PS: Antes que alguém se confunda por eu ter falado de fé, este não é um livro cristão. Mas isso não o desqualifica em nada.

PS2: Fernando morreu em 2004, um dia antes de completar 81 anos. Bem humorado até o fim, deixou escrito o seu epitáfio: “Aqui jaz Fernando Sabino. Nasceu homem, morreu menino”.

PS3: Os livros de correspondências entre Fernando Sabino e seus amigos escritores são: Cartas a um jovem escritor – E suas respostas – com Mario de Andrade, Cartas na mesa – com Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende e Cartas perto do coração – com Clarice Lispector.

P.S4: Aos que não sabem: a Editora Record, do Grupo Editorial Record, não é da Rede Record, não tem nada a ver com o Grupo Record (Que confusão, né? “Grupo Record” é uma pessoa, “Grupo Editorial Record” é outra). É mais uma daquelas editoras gigantes compostas por diversos selos, que são como filhotinhos da editora, para melhor organizar o catálogo. A Editora Verus, que publica o “Amor de Redenção” (livro da resenha anterior), por exemplo, faz parte do Grupo Editorial Record. O mercado editorial está cheio desses conglomerados, eles vão comprando editoras menores e tocando terror uns nos outros. Eu gosto da Record, apesar de publicar alguns gêneros que não me agradam e também os que me agradam…é como aquele amigo que concorda contigo, mas não discorda de quem discorda de você…não quer arrumar briga, sabe? Mesmo assim, nutro simpatia pela Record. Conheci algumas pessoas que trabalhavam na e para essa editora (mais especificamente a Bertrand do Brasil) e me deixaram boas impressões, que transferi para a marca. Está aí uma boa razão para contratar gente legal.   :)

PS5: Agora já posso resenhar algum livro da Unipro sem que ninguém me acuse de corporativismo…hehehe…

The Love Walk

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Quando ouvi falar a primeira vez sobre a Caminhada do Amor (promovida pelo programa Escola do Amor), achei que fosse um passeio a dois e fiquei animada, mas quando soube que o objetivo era promover o diálogo, a animação diminuiu. Achei que não era para a gente e que meu marido nem aceitaria o convite, afinal de contas, o que eu e o Davison mais fazemos é conversar.

Mas como uma aluna aplicada do programa Love School, decidi dar uma chance ao evento e convidei meu esposo. Adquiri o kit e me empolguei com a ideia de conhecê-lo mais. Achava que sabia a resposta de todas as perguntas do questionário e pensei em qual tipo de pergunta poderia fazer para tirar algo novo como resposta. Veja só que arrogância! Eu realmente achava que precisaria fazer perguntas extras!

Eis que o dia chegou e fomos ao Parque do Ibirapuera. Pouco antes dos alunos se reunirem com a Cristiane e o Renato, nossos professores, Davison já quis começar com as perguntas (e eu que achava que ele não estava muito animado com a ideia…). Ao olhar o questionário e ver que teria de respondê-lo a sério, senti um frio percorrer a espinha pela primeira vez. Eu não estava tão confortável com aquilo quanto imaginei que ficaria! Descobri em mim uma resistência a falar das coisas mais profundas, me ouvi dizendo: “puxa, essas perguntas são complexas…” Isso me pegou de surpresa. Sou reservada em falar de mim com outras pessoas, mas sempre me achei um livro aberto com ele! Mas as surpresas estavam apenas começando.

Quando Cris e Renato chegaram, o pessoal se aglomerou para ouvir as últimas instruções e depois todos se dispersaram. Caminhamos e continuamos a fazer e responder as perguntas…fui ficando mais à vontade com aquele exercício…talvez tenha sido efeito da endorfina liberada pela caminhada, mas em pouco tempo estávamos conversando tão aberta e profundamente que mal notamos o passar das horas.

Foi muito especial para mim ver meu marido se abrindo sem reservas, sem medo de eu reagir mal e ficar na defensiva (até porque isso era contra as regras e eu sou uma aluna aplicada…hahaha…) e consegui descobrir muito mais do que passa dentro daquele indivíduo de quem eu gosto tanto. E o que fazer para agradar e fazer com que ele fique mais feliz (amo vê-lo feliz!).

Não temos problemas horrorosos, mas identifiquei dois problemas em mim que para ele têm um impacto muito grande e prontamente me comprometi a mudar. Não teria percebido que aquilo era tão importante para ele se não tivéssemos esta conversa de hoje. Aumentou a confiança e a intimidade e realmente conseguimos conhecer ainda mais um do outro. Ele chegou em casa felicíssimo com o resultado, e eu também.

De quebra, conseguimos conhecer o Ibirapuera (finalmente!), caminhamos bastante, sentamos um pouco, foi divertido ver outros casais com a camiseta do Love School, no mesmo espírito, conversando como nunca fizeram antes. Cada casal parecia estar sozinho, os dois completamente concentrados no que estavam conversando. Cada casal era um mundo. Formamos uma linda galáxia de alunos. :-)

Tudo isso em uma paisagem deslumbrante. O parque é lindo, das maiores estruturas aos mínimos detalhes. Vimos até uma mamãe pata com patinhos filhotes amarelinhos fofos (quem me conhece sabe que amo bichos. Especialmente “pateenhos”). Não deu para tirar foto porque ela se escondeu rapidamente, para proteger seus filhotes dos filhotes humanos, no que foi muito sábia. Foi muito prazeroso e saímos de lá planejando um piquenique!

Chegamos realmente exaustos da caminhada e com os joelhos doloridos (descobri que estou mais enferrujada do que gostaria). Se fossemos pessoas normais que sentam (e deitam) na grama, talvez tivéssemos nos cansado menos, mas valeu muito a pena. The Love Walk abriu minha concha e nos uniu muito mais. Nós dois seguimos as regras direitinho e mesmo os assuntos mais espinhosos não se tornaram um problema. Foi um dia abençoado. Literalmente. Depois que terminamos de responder à vigésima pergunta, não acreditei! “Já acabou?” – perguntei. Gostei tanto que queria responder ao questionário reservado aos solteiros…hahaha…para ver se ele queria casar comigo, já que terminei a conversa amando ainda mais. 😀

Gostaria de agradecer ao pessoal da Escola do Amor pela oportunidade preciosa que tivemos. Nunca poderia imaginar que uma iniciativa dessas seria tão especial depois de quase oito anos de casamento.

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Resenha – Para Sempre (The Vow)

Resenha originalmente publicada na seção “Livros” do blog de Cristiane Cardoso

Para Sempre” (“The Vow”, cujo filme foi resenhado aqui. Quis ler o livro para ver se mencionava o cristianismo, já que a Raphaela disse que o filme omitiu essa informação), é um livro biográfico, escrito em primeira pessoa por Kim Carpenter (o nome da esposa Krickitt está na capa, mas ela permanece muda por toda a narrativa). Li este livro na Livraria Cultura do Bourbon Shopping, aqui em São Paulo, que tem um V. Café com a melhor esfiha de ricota do mundo. Esfiha de ricota é amiga e uma grande incentivadora do hábito de leitura da pessoa que vos fala. :)

Pensei em comentar o quanto me identifiquei com algumas partes do livro: o início de meu relacionamento com meu marido foi bem semelhante. O casal do livro se conheceu por telefone e namorou à distância, eu e Davison nos conhecemos através do blog dele (eu era leitora e o admirava como escritor e cartunista, depois nos tornamos amigos) e parte do namoro foi à distância; nosso relacionamento é bem parecido com o descrito no início do livro: muita amizade, cumplicidade, afinidades e assuntos intermináveis em conversas sem fim. A diferença é que já existia internet em nosso tempo (não como hoje…não tinha Skype, mas tinha ICQ e Yahoo Messenger…só que quando meu microfone funcionava, o dele estava quebrado, e vice-versa). Não recomendo namoro pela internet como é hoje, as coisas estão um pouco diferentes…e sei que nossa história é uma exceção, assim como a deles…quantos casamentos felizes você conhece que começaram com uma tele-venda?

Outro ponto da história é ver a pessoa amada em uma UTI. Passei por isso com um ano e meio de casada, Davison teve uma infecção generalizada e foi desenganado, mas acabou sendo salvo pela fé, como a protagonista do livro. Depois (spoilers por todo este parágrafo…sorry) ela perde a memória recente e tem de se readaptar à nova vida. Eu não tive nada tão drástico, mas por conta de um período de muito estresse, com o cortisol nas alturas 24 horas por dia, tive um comprometimento de memória e perdi várias lembranças importantes da minha vida, Davison precisou ter muita paciência. Consegui recuperar a maior parte das lembranças ao longo dos anos, mas por um bom tempo minha memória era um queijo suíço. Então, eu tinha tudo para gostar do livro. Amei a história, mas ela foi muito mal aproveitada. Poderia ter sido desenvolvida como um romance, mas ficou um relato extenso em primeira pessoa. Legal no começo, mas da metade para o final me desconcentrei algumas vezes. Esse formato distancia o leitor, que não se envolve tanto.

Fica a sensação de que está faltando algo e você acaba recorrendo a pesquisas na internet (como a Raphaela fez quando viu o filme), mas isso é porque Kim não teve ajuda profissional para desenvolver a narrativa (que teria dado um belo romance…já disse isso?). A história de amor dos dois é linda, principalmente porque não se trata de sentimento, se eles fossem pela emoção, jamais teriam continuado juntos.  Kim permanece inconstante e emocional por grande parte do livro, mas dá para perceber o esforço dele crescendo ao longo da narrativa, lutando contra suas emoções para permanecer firme.

Só me irritei com a tradução, desde o início. As notas do tradutor, no rodapé, não poderiam ser mais desnecessárias para a compreensão do texto. Se ele se preocupasse tanto em conhecer o universo do autor quanto em saber a geografia dos EUA e as distâncias entre as cidades, a maior parte dos problemas do livro estaria resolvida. Os dois são cristãos protestantes, mas a pessoa traduz “pray” por “rezar” e faz com que o casal pareça religioso católico. O autor fala da importância da fé na vida da moça, mas o leitor não consegue ver com clareza o real papel da fé na vida dela antes do acidente (da religião, sim, da fé, nem tanto). No final, ele diz que a história é sobre fé e você pensa: “mais ou menos, né?”

Aí começam os problemas. Depois consegui encontrar o texto em inglês (o original, publicado por uma editora cristã, a B&H Publishing) e fiquei chocada ao compará-lo com a versão brasileira e ver o quão diferentes são. Além de ele ser melhor escrito no original do que em português, diversas partes foram totalmente modificadas, com o claro intuito de diminuir o apelo cristão do livro. Qual é o problema com o nosso país?  Veja um exemplo:

“You said I can ask you anything, so I must be honest, Kimmer. You know that I am a Christian. Being a Christian is having an ongoing intimate relationship with Jesus Christ. I guess what I have been wondering this whole time is if you were a Christian too – if you had made the decision to ask Christ into your life to pay the penalty of your sin, and give you eternal life like he has promised if we ask”

Que poderia ser traduzido mais ou menos assim:

“Você disse que posso te perguntar qualquer coisa, então eu tenho que ser honesta, Kimmer. Você sabe que sou cristã. Ser  cristão é ter um relacionamento íntimo e contínuo com Jesus Cristo. Acho que o que eu queria saber esse tempo todo é se você também era cristão – se você tomou a decisão de pedir para Cristo entrar em sua vida, pagar por seu pecado e te dar a vida eterna, como ele prometeu que faria se pedíssemos.”

Virou, nas mãos do tradutor:

“Você disse que posso perguntar qualquer coisa a você, então preciso ser honesta, Kimmer. Tenho muita fé, quero dizer, a fé e o cristianismo são importantes para mim. Não me vejo tendo um relacionamento de verdade com uma pessoa que não crê.”

Do jeito que foi originalmente escrito, você entende como ela pensa, o que o cristianismo significa para ela. Da maneira como foi traduzido, você só entende que ela é uma religiosa. Uma coisa é dizer que o cristianismo é importante, outra coisa é mostrar como é importante. Nisso a tradução falhou bastante, descaracterizando o texto e a personagem. Talvez a ideia tenha sido atenuar a parte cristã para que o livro se tornasse mais comercial, mas isso não está certo. É um desrespeito também ao leitor, que quer saber como a história realmente aconteceu e não merece ser obrigado a ler uma versão censurada.

Vi no relato de Kim Carpenter algo muito além de uma simples história de amor. “The Vow” é, sobretudo, um testemunho de fé e de fidelidade a Deus, um exemplo de fé racional, que está acima de qualquer sentimento: é uma decisão consciente (partindo do próprio título, que significa “O voto”. Eles só se mantiveram firmes por causa do voto que fizeram no altar, no dia do casamento). Outra coisa, senti falta do depoimento dela. Acredito que se tivessem feito um capítulo com a versão de Krickitt, seria mais interessante.

Vale a leitura? Vale, o enredo tem um potencial enorme (pena que nem o livro, nem o filme conseguiram aproveitá-lo completamente), o narrador é simpático, é uma bela história de amor e superação. O problema é quando você descobre que não te permitiram ler o que o autor quis escrever de verdade (grrr…Vanessa brava). Isso me deixou revoltada. De resto, a história vale a pena, mas foi contada em um formato que não a favoreceu, poderia ter sido melhor.  Se decidir ler, não se esqueça de voltar aqui para dar a sua opinião! :)

PS: A editora da versão brasileira é a Novo Conceito, especializada em trazer grandes sucessos do exterior e publicá-los aqui. Sempre tem algum título deles na lista de mais vendidos.